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domingo, 23 de julho de 2017

EDUCAÇÃO CRISTÃ — ESTUDO 024 — DISCIPLINA NA IGREJA — PARTE 001 - DISCIPULADO


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I. Termos Chaves Para a Disciplina no Novo Testamento[1]:

A. μαθητεύσατε matheteúsate — fazei discípulos.

A disciplina, como os vocábulos cognatos “discípulo” e “fazer discípulos, tem sua idéia original, como a raiz no grego indica, na prática da antiguidade de um aluno seguir um mestre ou pensador. Um sábio ou um rabino atraía jovens adeptos que admiravam o seu mestre e ficavam convictos da veracidade de suas idéias. Estavam dispostos a serem moldados, tanto pelo seu pensamento, como pelas suas ações. Nos evangelhos, “Os Doze” seguiram a Jesus com esse intuito. No livro de Atos, os crentes são chamados μαθηταὶ — mathetaì —discípulos, alunos, não numa escola, mas leais seguidores que procuravam conhecer e praticar os ensinamentos de vida de Jesus. O vocábulo μαθητεύσατε — matheteúsate — fazei discípulos em Mateus 28:20, deve ser comparado com Διδάσκαλος  — didáskalos — mestre e com διδάσκω — didásko — ensino, que aparecem em outras referências do Novo Testamento. O discípulo almeja aprender fatos, entender idéias, ganhar uma nova cosmovisão como qualquer aluno. Mas apenas quando tem um compromisso de vida com o mestre, num sentido global, é que o estudante passa a ser um discípulo —

Lucas 14:26—33

26 Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo.

27 E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo.

28 Pois qual de vós, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para a concluir?

29 Para não suceder que, tendo lançado os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem zombem dele,

30 dizendo: Este homem começou a construir e não pôde acabar.

31 Ou qual é o rei que, indo para combater outro rei, não se assenta primeiro para calcular se com dez mil homens poderá enfrentar o que vem contra ele com vinte mil?

32 Caso contrário, estando o outro ainda longe, envia-lhe uma embaixada, pedindo condições de paz.

33 Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo.

Nesse círculo de ideias, a disciplina dá a impressão de formar uma pessoa em conformidade com o caráter e mente do mestre. Paulo diz aos efésios: “Não foi assim que ἐμάθετε  emáthete — aprendestes a Cristo — literalmente, “fostes feitos discípulos de Cristo” — , se é que de fato o tendes ἠκούσατε  ekoúsate — ouvido, e nele fostes ἐδιδάχθητε  edidáschthete — instruídos —

Efésios 4:20—21

20 Mas não foi assim que aprendestes a Cristo,

21 se é que, de fato, o tendes ouvido e nele fostes instruídos, segundo é a verdade em Jesus.

Como em Mateus 28:19—20, primeiro o neófito se torna discípulo, entregando-se de corpo e alma ao Senhor. Depois recebe a instrução necessária para observar o que o Mestre manda. Se um discípulo sabe o que seu Senhor e mestre quer, mas não o faz, põe em dúvida a submissão assumida com o senhor, ao qual prometeu seguir —

Mateus 21:28—32

28 E que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Chegando-se ao primeiro, disse: Filho, vai hoje trabalhar na vinha.

29 Ele respondeu: Sim, senhor; porém não foi.

30 Dirigindo-se ao segundo, disse-lhe a mesma coisa. Mas este respondeu: Não quero; depois, arrependido, foi.

31 Qual dos dois fez a vontade do pai? Disseram: O segundo. Declarou-lhes Jesus: Em verdade vos digo que publicanos e meretrizes vos precedem no reino de Deus.

32 Porque João veio a vós outros no caminho da justiça, e não acreditastes nele; ao passo que publicanos e meretrizes creram. Vós, porém, mesmo vendo isto, não vos arrependestes, afinal, para acreditardes nele.

O discipulado cristão requer a tomada do ζυγόν  Zugón — jugo de Cristo. Isso que dizer que se  requer que o discípulo aprenda os ensinamentos de Jesus e compartilhe seu caráter πραΰς εἰμι καὶ ταπεινὸς — praús eimi kaì tapeivòs  — manso e humilde,  de coração — ver Mateus 11:28—30. Tanto a instrução como os valores do Mestre devem ser transmitidos aos que creem n’Ele, por intermédio da igreja até a consumação dos séculos — ver Mateus 28:18—20; Atos 2:41—47.

A instrução necessária par cristão que segue a Cristo deve ser recebida pelo ensino e pelo exemplo da Igreja. Ela não é recebida através de nenhum tipo de revelação mística. Pelo ministério da palavra lida, pregada e ensinada, e pela exortação e exemplo daqueles que têm a responsabilidade de ensinar na igreja local. Entre esses estão incluídos os presbíteros, bispos ou pastores, os dirigentes e professores da escola bíblica, e os membros destacados que lideram qualquer ministério de ensino – crianças, adolescentes, jovens, casais, etc. – e que acabam influenciando mais os pensamento e práticas cristãs dos recém-convertidos, levando-os a adotar os hábitos tradicionais de sua comunidade. Paulo falou deste processo da seguinte forma: “Revistam-se do Senhor Jesus Cristo” — Romanos 13:14 — quando essa influência é, exatamente, a que deveria ser — ver Romanos 15:14.

Evidentemente há grande variedade entre as distintas denominações e grupos evangélicos quanto ao estilo de vida que o “vestir-se de Cristo” representa. Entre essas variedades temos: o comprimento do cabelo, deixar ou não crescer a barba, as mulheres vestirem ou não calças compridas, frequentar ou não o cinema e ter ou não uma televisão, entre muitos outras. Elas fornecem claros reflexos da maneira como cada igreja impõe sua interpretação do que significa ser um bom discípulo de Jesus Cristo. Outros grupos enfatizam a transformação ganhando novas atitudes de coração — ver Romanos 12:1—2 — deixando cada membro escolher como deve se vestir ou que lugares deve frequentar como embaixador do Senhor — ver Gálatas 5:1, 13; 2 Coríntios 5:20.

As escolhas feitas pelo novo cristão podem ser erradas porque ele não conhece ainda os princípios bíblicos em que deve basear seus novos valores. Mas nunca tal discípulo deve pensar, que as opções são apenas suas. Jesus Cristo sendo Senhor da vida tem “toda autoridade” — ver Mateus 28:18 — de escolher para nós, seus seguidores o que Ele mesmo achar necessário e conveniente —

1 Pedro 2:21
Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos.

Os apóstolos foram escolhidos como mestres insubstituíveis dos que viriam a crer no Senhor: “ensinando-os a guardar todas as cousas que vos tenho ordenado” — ver Mateus 28:20a. Com essa finalidade produziram os evangelhos e epístolas. A legitimidade das regras impostas sobre os membros de qualquer igreja deve ser mantida unicamente se seu ensino e prática têm base no fundamento dos apóstolos e profetas — Atos 2;42; Efésios 2:20. Por esse motivo, não aceitamos os falsos ensinamentos como os que querem promover uma sucessão apostólica espúria, nem aqueles movimentos que se baseiam em profetas e profetisas e que ensinam coisas contrárias ao que nos é apresentado nas Escrituras Sagradas.

Há uma necessidade incessante de cada crente avaliar, à luz das Escrituras se é realmente a vontade de Deus, o Pai da família, conformar-se à “lei” da igreja a qual pertence. Os cristãos neófitos de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica, pois receberam a Palavra com avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as cousas eram de fato assim — ver Atos 17:11. Essa também deve ser nossa atitude básica.
        
Foi a falta desse autoexame de si mesma que permitiu a Igreja, a partir do século quarto em diante, afastar-se para muito longe da verdade e práticas bíblicas. Lutero foi um dos reformadores que reconheceu que todo cristão compartilha o direito de exercer seu ministério, porque pertence ao sacerdócio universal. A hierarquia não tem exclusiva autorização divina para interpretar as Escrituras. A Igreja também necessita reformar-se constantemente — Ecclesia reformata, semper reformanda. Mas essa incumbência só é possível se os membros seguem a disciplina da Palavra que Deus inspirou para ser “útil para o ensino, para a repreensão, para a correção para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”— ver 2 Timóteo 3: 16—17. A leitura alternativa da Nova Tradução na Linguagem de Hoje enriquece e facilita muito nossa compreensão desse texto, ela diz:

16 Pois toda a Escritura Sagrada é inspirada por Deus e é útil para ensinar a verdade, condenar o erro, corrigir as faltas e ensinar a maneira certa de viver.

17 E isso para que o servo de Deus esteja completamente preparado e pronto para fazer todo tipo de boas ações.

Quando percebermos que o alvo principal da pregação, o ensino e a leitura da Bíblia é de conduzir “discípulos” à perfeição — ver Colossenses 1:28 — e habilitá-los para fazer boas obras — inclusive testemunhar efetivamente conforme Efésios 2:10e Tito 2:14 — entenderemos por que casos de disciplina drástica — aquela que acaba destruindo a pessoa — na igreja são um sinal de fracasso, pelo menos parcial, por parte da mesma.

Quem estará disposto a arrancar o olho que nos faz tropeçar antes de primeiro tentar disciplinar o olho errante a ver só o que deve — Mateus 5:29? Cortaria alguém pode cortar um braço antes de fazer o máximo para dominá-lo para fins úteis?

A igreja, mais do que um hospital onde se realizam chocantes amputações de membros externos ou remoção cirúrgica de órgãos cancerosos que ameaçam a vida do corpo, deve ser um lar de médico que ensina seus filhos os segredos da medicina preventiva. Saúde e vitalidade serão mais preciosas para este cirurgião que diariamente está em contato com os que não valorizaram as leis do bem-estar do corpo. Cuidará que seus amados escapem da faca até não haver outro remédio, mesmo no caso dele ser o melhor cirurgião do mundo.

A palavra disciplina pinta o quadro de um mestre seguido por seus discípulos que prestam atenção muito séria às suas palavras, mas almejam imitá-lo também —

1 Coríntios 11:1

Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo.

Filipenses 3:12—14

12 Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus.

13 Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão,

14 prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.

Tudo que seu Senhor é, eles procuram ser. É a disciplina que os ensina e corrige os conceitos errados que os discípulos imaginam caracterizar seu mestre.

A igreja que é capaz de suprir um quadro fiel de Jesus Cristo, no ensino e ação, é uma igreja bem disciplinada. A igreja de Jerusalém descrita com traços tão bem escolhidos por Lucas, revela exatamente o que queremos dizer com disciplina positiva.

Atos 2:42—47

E perseveravam na doutrina dos apóstolos — i.e., o que Jesus ensinara e comissionara para eles transmitirem conforme Mateus 28:20 — e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Em cada alma havia temor: e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos... tinham tudo em comum.....
A excelente qualidade do ensino e vida prática na fé não conseguiram evitar a disciplina negativa que Lucas narra em Atos 5 a respeito de Ananias e Safira. Mesmo assim, a igreja de Jerusalém praticou um alto padrão de disciplina positiva primeiro, não oferecendo qualquer motivo de desculpa aos membros tão drasticamente eliminados.


OUTROS ESTUDOS ACERCA DE EDUCAÇÃO CRISTÃ

001 — A EXCELÊNCIA DA VIDA PESSOAL DAQUELES QUE DESEJAM ENSINAR — PARTE 001

002 — A EXCELÊNCIA DA VIDA PESSOAL DAQUELES QUE DESEJAM ENSINAR — PARTE 002

003 —A EXCELÊNCIA DA VIDA PESSOAL DAQUELES QUE DESEJAM ENSINAR — PARTE 003

004 — A IMPORTÂNCIA DA ALIANÇA COM DEUS

005 — OS ALVOS DA EDUCAÇÃO CRISTÃ

006 — A IGREJA NO PRINCÍPIO DO SÉCULO XXI – PARTE 001 — INTRODUÇÃO — OS COLONIZADORES VÊM EM NOME DE DEUS

007 — A IGREJA NO PRINCÍPIO DO SÉCULO XXI – PARTE 002 — NOSSAS ESCOLAS TEOLÓGICAS

008 — A IGREJA NO PRINCÍPIO DO SÉCULO XXI – PARTE 003 — IGREJAS CORPORATIVISTAS E INSTITUCIONALIZADAS E EDUCAÇÃO CRISTÃ PADRONIZADA

009 — A IGREJA NO PRINCÍPIO DO SÉCULO XXI – PARTE 004 — CONSUMISMO E CELEBRITISMO

010 — O PROPÓSITO SINGULAR DE DEUS PARA OS NOSSOS DIAS

011 — A PALAVRA IGREJA NO NOVO TESTAMENTO

012 — A EXPRESSÃO GREGA “EM CRISTO” — ἐν Χριστῷ

013 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA

014 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 002

015 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 003

016 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 004 — A IGREJA COMO PLENITUDE

017 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 005 — A UNIDADE DA IGREJA CRISTÃ

018 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 006 — HUMILDADE E AMOR EM MEIO À DIVERSIDADE DE DONS
019 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 007 — A IGREJA COMO MISTÉRIO DE DEUS

020 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 008 — COMO A IGREJA É FORMADA OU CRIADA?

021 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — PARTE 009 — QUANDO A IGREJA COMEÇOU?

022 — OS MINISTÉRIOS DO ESPÍRITO SANTO — PARTE 001

023 — OS MINISTÉRIOS DO ESPÍRITO SANTO — PARTE 002
024 — A DISCIPLINA DA IGREJA — PARTE 001 — O DISCIPULADO

Que deus abençoe a todos.
Alexandros Meimaridis
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[1] O material contido nessa artigo e nos seguintes foi adaptado e ampliado do livro escrito pelo Dr. Russell Shedd – A Disciplina da Igreja. O livro foi originalmente publicado pelas Edições Vida Nova, e não encontra-se atualmente, no catálogo, da editora. 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

PARÁBOLAS DE JESUS - SERMÃO 037G - A PARÁBOLA DA OVELHA PERDIDA — PARTE 007 —


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MATEUS 18:12—14 E LUCAS 15:4—7

Esse artigo é parte da série "Parábolas de Jesus" e é muito recomendável que o leitor procure conhecer todos os aspectos das verdades contidas nessa série, com aplicações para os nossos dias. No final do artigo você encontrará links para os outros artigos dessa série.

A Parábola da Ovelha perdida

A EXPLICAÇÃO DA PARÁBOLA

5. O Que Essa Parábola nos Ensina?

O propósito principal porque Jesus proferiu essa parábola era defender sua escolha deliberada em se associar com pessoas que eram notoriamente caracterizadas como sendo pecadoras. Ao se unir e realizar refeições na companhia de tais pessoas, Jesus demonstrava, de modo inequívoco, a presença do reino de Deus e o consequente perdão dos pecados. Por outro lado, a parábola também pode ser considerada como sendo ainda mais uma acerca do reino de Deus, pois com ela Jesus afirma que a promessa feita por Deus no passado, de cuidar como pastor do Seu próprio povo, estava, de fato, se cumprindo. Por fim, Jesus desejava mostrar por meio dessa parábola, a todos que estavam reclamando de Suas atitudes, que tal reclamação era incompatível tanto com o caráter, como com os desejos manifestos de Deus. Jesus convida a todos para participarem da alegria produzida pelo perdão gratuito oferecido a todos por meio da manifestação do reino de Deus.

O desejo de Lucas é que seus leitores entendessem o evangelho de Jesus e adotassem a mesma atitude demonstrada pelo Senhor. Uma implicação adicional no texto de Lucas é que nele encontramos uma acusação de que os líderes religiosos de Israel não estavam cumprindo com suas verdadeiras responsabilidades. Mateus, por sua vez, deseja que seus leitores se apropriem das características de caráter do próprio Deus e de Sua vontade revelada e apliquem as mesmas a todos os seus relacionamentos na comunidade, especialmente com relação àqueles que se encontram marginalizados. O elemento que deve controlar a vida do povo de Deus é o conhecimento do caráter do próprio Deus. E aqui, não estamos falando de uma abstração qualquer, porque o caráter de Deus é manifestado e revelado nas ações e no ministério do próprio Senhor Jesus.

O que essa parábola nos revela acerca do caráter de Deus é o valor que o Senhor atribui a todas as pessoas, especialmente às menos favorecidas, e o cuidado que Ele dedica a todos, sem exceção. Deus não está distante, como que aguardando que nos aproximemos dEle. Pelo contrário, Ele é o Deus que toma a iniciativa e vai à busca do perdido com o objetivo de encontrá-los e trazê-los de volta para a plena comunhão consigo. Isso é realizado por Deus, independentemente, de quão perdido o pecador esteja. Ninguém, absolutamente, ninguém, está fora do alcance da mão misericordiosa de Deus. Esse ensinamento de Jesus — de que o próprio Deus vai à busca dos pecadores — é, de acordo com o estudioso judeu Claude Montefiore, parte do novo material que o próprio Jesus trouxe e que ainda não tinha sido revelado no Antigo Testamento e também não fazia parte dos ensinamentos rabínico daquela época.[1] Todavia, devemos contra-argumentar que tal afirmação é bastante exagerada. Dizemos isso pela longa lista de versos do Antigo Testamento que já foram apresentados e que nos falam do interesse de Deus pelas pessoas e de como o próprio Deus é quem inicia todos os processos salvíficos e de oferecimento de perdão. Assim, o Deus revelado por Jesus é um Deus interessado e cuidadoso que valoriza até mesmo os que não têm valor algum, e se empenha em procurá-los até encontrá-los. Isso está bem claro nas seguintes afirmações:

Romanos 5:6—8

6 Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios.

7 Dificilmente, alguém morreria por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém se anime a morrer.

8 Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.

Romanos 8:31–38

31 Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?

32 Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?

33 Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica.

34 Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós.

35 Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?

36 Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro.

37 Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou.

38 Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes,

39 nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.

Se o reino de Deus se manifesta com graça sem limites, mas também com exigências sem limites então, essa parábola enfatiza a graça ilimitada. Não temos dúvidas que Deus irá buscar e restaurar o perdido. A busca e a alegria resultante de encontrar o que estava sendo buscado, são os dois pilares que sustentam essa parábola. Todavia, devemos deixar claro que a busca de Deus é graciosa e não interesseira. Autores como J. Jeremias e J. Fitzmyer defendem a ideia que Lucas 15:7 introduz a ideia do juízo por meio do uso da expressão haverá.[2], [3] Mas isso está aberto a muita discussão. A alegria mencionada por Jesus reflete tanto a atitude de Deus em conseguir resgatar o perdido, quanto a celebração pelo fato de que as boas novas de salvação trazidas pelo reino de Deus já começaram a se manifestar. Tal manifestação de alegria é comunitária e todos os ouvintes de Jesus, inclusive eu e você, devem se unir nessa celebração.

CONTINUA...

Outras Parábolas de Jesus Podem ser encontradas nos Links abaixo:

001 – O Sal

002 – Os Dois Fundamentos

003 – O Semeador

004 – O Joio e o Trigo =

005 – O Credor Incompassivo

006 — O Grão de Mostarda e o Fermento

007 — Os Meninos Brincando na Praça

008 — A Semente Germinando Secretamente

009 e 010 — O Tesouro Escondido e a Pérola de Grande Valor

011 — A Eterna Fornalha de Fogo

012 — A Parábola dos Trabalhadores na Vinha

013 — A Parábola dos Dois Irmãos

014 — A Parábola dos Lavradores Maus — Parte 1

014A — A Parábola dos Lavradores Maus — Parte 2

015 — A Parábola das Bodas —

016 — A Parábola da Figueira

017 — A Parábola do Servo Vigilante

018 — A Parábola do Ladrão

019 — A Parábola do Servo Fiel e Prudente

020 — A Parábola das Dez Virgens

021 — A Parábola dos Talentos

022 — A Parábola das Ovelhas e dos Cabritos

023 — A Parábola dos Dois Devedores

024 — A Parábola dos Pássaros e da Raposa

025 — A Parábola do Discípulo que Desejava Sepultar Seu Pai

026 — A Parábola da Mão no Arado

027A — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 1

027B — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 2 — Os Ladrões e o Sacerdote

027C — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 3 — O Levita

027D — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 4 — O Samaritano

027E — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 5 — O Socorro

027F — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 6 — O transporte até a hospedaria

027G — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 7 — O pagamento final

027H — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 8 — O diálogo final entre Jesus e o doutor da Lei

028 — A Parábola do Rico Tolo —

029 — A Parábola do Amigo Importuno —

030 — A Parábola Acerca de Pilatos e da Torre de Siloé

031 — A Parábola da Figueira Estéril

032 — A Parábola Acerca dos Primeiros Lugares

033 — A Parábola do Grande Banquete

034 — A Parábola do Construtor da Torre e do Grande Guerreiro

035 — Introdução a Lucas 15 — Parábolas Acerca da Condição Perdida da Raça Humana — Parte 001

036 — Introdução a Lucas 15 — Parábolas Acerca da Condição Perdida da Raça Humana — Parte 002

037A — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 001

037B — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 002

037C — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 003

037D — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 004 — A Influência do Antigo Testamento

037E — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 005 — Características Cristológicas da Parábola da Ovelha Perdida

037F — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 006 — A importância das pessoas perdidas.

037G — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 007 — O que essa parábola nos ensina.
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/02/parabolas-de-jesus-sermao-037g-parabola.html

037H — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 008 — Conclusão.
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/05/parabolas-de-jesus-sermao-037h-parabola.html

037 — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Completa
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/06/parabolas-de-jesus-sermao-037-parabola.html



038A — PARÁBOLAS DE JESUS — A PARÁBOLA DA DRACMA PERDIDA — LUCAS 15:8—10 —— PARTE 001

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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[1] Montefiore, C. G. The Synoptic Gospels — 2 Volumes. Macmillan, Londres, 1927.
[2] Jeremias, J. As Parábolas de Jesus. Paulus, São Paulo, 1976.
[3] Fitzmyer, Joseph A. The Gospel According to Luke X—XXIV. Doubleday & Company, INC, Garden City, 1983.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

ESTUDOS NO LIVRO DE PROVÉRBIOS — ESTUDO 011


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Nesse estudo iremos abordar o Livro de Provérbios, mas iremos fazer isso de maneira diferente do que apenas apresentar uma exposição, versículo por versículo. Nossa intenção é apresentar os grandes temas que encontramos no livro e dar andamento no mesmo a partir daí.

ESTUDO 011

IX. A OBTENÇÃO DA SABEDORIA

Para quem é a sabedoria? A sabedoria é para qualquer pessoa que a deseja. As pessoas estultas e simples recebem um convite pessoal para a festa da sabedoria que é tão livre quanto o convite para a festa da estultícia —

Provérbios 9:4—6 — O Convite da Sabedoria

4 Quem é simples, volte-se para aqui. Aos faltos de senso diz:

5 Vinde, comei do meu pão e bebei do vinho que misturei.

6 Deixai os insensatos e vivei; andai pelo caminho do entendimento.

Provérbios 9:13—18 — O Convite da Loucura

13 A loucura é mulher apaixonada, é ignorante e não sabe coisa alguma.

14 Assenta-se à porta de sua casa, nas alturas da cidade, toma uma cadeira,

15 para dizer aos que passam e seguem direito o seu caminho:

16 Quem é simples, volte-se para aqui. E aos faltos de senso diz:

17 As águas roubadas são doces, e o pão comido às ocultas é agradável.

18 Eles, porém, não sabem que ali estão os mortos, que os seus convidados estão nas profundezas do inferno.

Mas apesar da sabedoria ser para qualquer pessoa, ela não vem fácil e é tão custosa quanto à formação de um caráter sólido e sadio. A generosidade da sabedoria não é “espalhada”. Pelo contrário, ela é “reservada” para os retos, para os homens que manifestam a “sinceridade”, para os retos em seus “caminhos” e para os “santos” —

Provérbios 2:7—9

7 Ele reserva a verdadeira sabedoria para os retos; é escudo para os que caminham na sinceridade,

8 guarda as veredas do juízo e conserva o caminho dos seus santos.

9 Então, entenderás justiça, juízo e equidade, todas as boas veredas.

O Insensato e o Sábio

O insensato é contrastado com o sábio. Para demonstrar esse contraste o autor cria uma antítese singular: A verdadeira sabedoria só pode ser alcançada por meio de uma revelação divina:

Provérbios 2:6

Porque o SENHOR dá a sabedoria, e da sua boca vem a inteligência e o entendimento.

Devemos tomar muito cuidado para não acrescentar nada ao que está revelado —

Provérbios 30:6

Nada acrescentes às suas palavras.

A verdadeira sabedoria, também vem através do discipulado — de seguir o nosso mestre e tutor, que nesse caso é o próprio Deus, conforme Provérbios 2:6, que foi citado acima. Como falamos antes a sabedoria exige verdadeiro esforço para ser alcançada, exige esforço continuado conforme podemos ler em —

Provérbios 2:1—5

1 Filho meu, se aceitares as minhas palavras e esconderes contigo os meus mandamentos,

2 para fazeres atento à sabedoria o teu ouvido e para inclinares o coração ao entendimento,

3 e, se clamares por inteligência, e por entendimento alçares a voz,

4 se buscares a sabedoria como a prata e como a tesouros escondidos a procurares,

5 então, entenderás o temor do SENHOR e acharás o conhecimento de Deus.

Esse esforço é necessário porque não estamos buscando uma coisa qualquer, mas o próprio Deus — ver verso 5 acima.

As exigências dessa busca dedicada podem ser resumidas nos itens a seguir:

1. Uma verdadeira conversão em direção a Deus. Existem vários provérbios que nos falam dessa decisão. Entre esses nós podemos citar:

Provérbios 9:10

O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo é prudência.

Provérbios 8:13

O temor do SENHOR consiste em aborrecer o mal; a soberba, a arrogância, o mau caminho e a boca perversa, eu os aborreço.

Comparar com Provérbios 3:7

Não sejas sábio aos teus próprios olhos; teme ao SENHOR e aparta-te do mal.

Devemos também abandonar nossa tão idolatrada independência, pois ela é o verdadeiro “caminho que parece direito”, conforme —

Provérbios 14:12

Há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte.

Voltar-se para Deus é, positivamente, voltar-se para a direção de onde procede a luz. Ignorar a luz divina é o maior de todos os pecados da humanidade e o verdadeiro responsável porque os seres humanos serão duramente julgados —

João 3:19

O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más.

A sabedoria nos convida dizendo: Volte-se para cá! O alcance desse convite antecipa a oferta que encontramos no próprio Evangelho segundo — note os verbos:

Provérbios 9:5—6

5 Vinde, comei do meu pão e bebei do vinho que misturei.

6 Deixai os insensatos e vivei; andai pelo caminho do entendimento.  

2. Em segundo lugar nossa busca pela sabedoria exige devoção ou dedicação. A verdadeira sabedoria apesar de ser possível de ser alcançada por todos é apenas para os que são verdadeiramente humildes, pelos verdadeiramente apaixonados por conquistá-la. Pessoas que seriam capazes de fazer autossacrifícios para possuí-la —

Provérbios 8:34

Feliz o homem que me dá ouvidos, velando dia a dia às minhas portas, esperando às ombreiras da minha entrada.

A sabedoria não é para aqueles que são “sábios aos seus próprios olhos”. Não é para ninguém que pensa que já chegou lá! Que já atingiu o alvo! Os que pensam assim já chegaram ao seu próprio ponto final e não podem mais progredir. Agora note as sábias palavras do apóstolo Paulo quando diz—
Filipenses 3:12—14

12 Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus.

13 Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão,

14 prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.

O ser humano que acha que já alcançou a verdadeira sabedoria ou que acha que já chegou lá, o homem típico “sábio aos seus próprios olhos” não pode sequer ser comparado a um insensato, pois “há maior esperança no insensato do que num homem que pensa assim de si mesmo —

Provérbios 3:7

Não sejas sábio aos teus próprios olhos; teme ao SENHOR e aparta-te do mal.

Provérbios 26:12

Tens visto a um homem que é sábio a seus próprios olhos? Maior esperança há no insensato do que nele.

O homem que acha que já sabe todas as coisas não tem mais nenhuma vontade de ser ensinado. Ele não deseja ser uma pessoa melhor porque ele acha que é bom o suficiente, ou pior, ele se acha o bom. Por outro lado o homem sábio é passível de ser ensinado.

a. Ele deseja continuar aprendendo até o fim dos seus dias —

Provérbios 9:9

Dá instrução ao sábio, e ele se fará mais sábio ainda; ensina ao justo, e ele crescerá em prudência.

b. Ele está sempre aberto para aprender os mandamentos de Deus —

Provérbios 10:8

O sábio de coração aceita os mandamentos, mas o insensato de lábios vem a arruinar-se.

c. E também para ser disciplinado quando necessário —

Provérbios 3:11—18

11 Filho meu, não rejeites a disciplina do SENHOR, nem te enfades da sua repreensão.

12 Porque o SENHOR repreende a quem ama, assim como o pai, ao filho a quem quer bem.

13 Feliz o homem que acha sabedoria, e o homem que adquire conhecimento;

14 porque melhor é o lucro que ela dá do que o da prata, e melhor a sua renda do que o ouro mais fino.

15 Mais preciosa é do que pérolas, e tudo o que podes desejar não é comparável a ela.

16 O alongar-se da vida está na sua mão direita, na sua esquerda, riquezas e honra.

17 Os seus caminhos são caminhos deliciosos, e todas as suas veredas, paz.

18 É árvore de vida para os que a alcançam, e felizes são todos os que a retêm.

O sábio está sempre tão aberto para aprender que também ouve as críticas e os conselhos de outras pessoas —

Provérbios 13:10

Da soberba só resulta a contenda, mas com os que se aconselham se acha a sabedoria.

Provérbios 17:10

Mais fundo entra a repreensão no prudente do que cem açoites no insensato.

Essa atitude existe no sábio apenas porque ele ama e estima a verdade o suficiente para se dispor a pagar o preço, por mais alto que seja, para obtê-la —

Provérbio 23:23

Compra a verdade e não a vendas; compra a sabedoria, a instrução e o entendimento.

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Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis
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