Mostrando postagens com marcador Corações. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Corações. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

A ORAÇÃO DO “PAI NOSSO” - SERMÃO 010 — O REINO DE DEUS — PARTE 2 — Mateus 6:10


Resultado de imagem para venha o teu reino senhor

Essa série tem por objetivo expor de maneira ampla, bíblica, literária, histórica e teologicamente, a oração que chamamos de “Oração do Pai Nosso”. Nosso desejo é enriquecer a vida de todos por meio desses esboços de mensagens que também estão disponíveis em áudio. Na parte final desse artigo o leitor encontrará os links para os outros esboços e para os áudios à medida que forem sendo publicados.



Essa série tem por objetivo expor de maneira ampla, bíblica, literária, histórica e teologicamente, a oração que chamamos de “Oração do Pai Nosso”. Nosso desejo é enriquecer a vida de todos por meio desses esboços de mensagens que também estão disponíveis em áudio. Na parte final desse artigo o leitor encontrará os links para os outros esboços e para os áudios à medida que forem sendo publicados.

A ORAÇÃO DO “PAI NOSSO”

Uma Exposição Bíblica, Literária e Teológica de Mateus 6:9—13

SERMÃO 010 — O REINO DE DEUS — PARTE 2 — Mateus 6:10


Introdução

A. O Reino de Deus está intimamente ligado aos acontecimentos históricos que dizem respeito ao planeta Terra e seus habitantes.

B. Essa verdade nos levou às seguintes considerações acerca de como podemos ver a história da humanidade —

1. A primeira visão é aquela esposada pela maioria dos cientistas, ateus ou agnósticos e pessoas sem religião de um modo geral. Para eles: A HISTÓRIA NÃO TEM NENHUM SIGNIFICADO. Começando com os deístas do século XVIII, a idéia básica desse pessoal é que Deus criou o Universo e tudo o que está aí e depois virou as costas deixando as coisas seguirem seu curso, até a exaustão do Universo em um processo chamado de “Entropia do Universo”. É lógico que nesses últimos 400 anos muito perderam a fé na existência de um deus qualquer que seja ele.

2. A Segunda visão era promovida já nos dias de Jesus pela filosofia grega, que acreditava que a história é uma série de eventos se movendo em círculos. O que já aconteceu, tornará a acontecer. Assim, concluíam os gregos: Nossas vidas podem estar cheias de fúria e tumulto, mas TUDO ISSO NÃO TEM NENHUM SIGNIFICADO.

3. A terceira visão é aquela apresentada pela Bíblia. Nessa visão da História: 1) Deus é o Criador e Sustentador do Universo; 2) Ele é o Senhor Soberano da História e a mesma se dirige para o fim que Deus mesmo idealizou para a mesma:

Hebreus 1:1—3  

1  Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas,
2  nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo.

3  Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas.    

C. Mas como falamos no sermão anterior a questão envolvendo a vinda do Reino de Deus é bastante paradoxal, por causa dos três fatores a seguir:

D. O Novo Testamento faz as seguintes afirmações acerca do Reino de Deus:

1. O mesmo já está presente em nosso meio, mas não ainda.

2. O mesmo está próximo, mas ainda encontra-se distante.

3. Existem sinais da proximidade do mesmo, mas é impossível saber com exatidão quando o mesmo irá chegar.

D. Os motivos porque os ensinamentos acerca do reino de Deus são tão paradoxais, são dois:

1. Em primeiro lugar quando Jesus nos mandou orar: “VENHA O TEU REINO”, ele fez isso para nunca nos esquecermos dessa realidade: DEUS ESTÁ O TEMPO TODO NO CONTROLE, INDEPENDENTE DAS DIFICULDADES, DAS TRAGÉDIAS E SOFRIMENTOS QUE TENHAMOS QUE ENFRENTAR. Nossa oração é uma manifestação aberta e constante da nossa inabalável confiança no controle e na soberania de nosso Deus sobre a História. Portanto devemos sempre dizer: “VENHA O TEU REINO”.

2. O segundo motivo, eu creio, tem a ver com o ensinamento de Jesus em Marcos 13:33—37 que nos ordena manter uma atitude vigilante, enquanto oramos: VENHA O TEU REINO.

E. Hoje queremos voltar nossa atenção para as formas mais comuns como foi entendida a frase ensinada pelo Senhor que diz:

VENHA O TEU REINO

I. QUATRO ENTENDIMENTOS CLÁSSICOS ACERCA DO REINO DE DEUS

Durante a história da Igreja nós podemos notar quatro entendimentos básicos acerca do Reino de Deus.

A. Primeiro Entendimento: ESCATOLÓGICO

1. A Escatologia é a doutrina bíblica que trata dos ensinamentos relativos ao final dos tempos. 

2. Dentro dessa visão — Escatológica — o Reino de Deus é visto com um dom de Deus reservado para o final da história.

B. Segundo Entendimento: MÍSTICO

1. De acordo com esse entendimento o Reino de Deus é visto como presente dentro dos corações dos crentes.

2. Nessa visão, entrar no Reino de Deus é o mesmo que tornar-se cristão e se empenhar em conhecer e fazer a vontade de Deus dia a dia.

3. Ainda dentro dessa visão, o Reino de Deus está localizado no céu e a vida cristã é vista, primeiramente — ou exclusivamente — como uma preparação para entrar nesse Reino celestial.
   
C. Terceiro Entendimento: POLÍTICO
  
Esse entendimento enxerga o reino de Deus em algum reino humano em particular: Bizâncio no leste, o Sacro Império Romano Germânico no Oeste, os Estados Unidos da América, especialmente sob George Walker Bush — o idiota perfeito.

D. Quarto Entendimento: IDENTIFICA O REINO COM UMA DENOMINAÇÃO ESPECÍFICA.

Já tivemos a oportunidade, no passado, de falar que a verdadeira Igreja de Jesus Cristo não pode nunca ser confundida com nenhuma denominação. O mesmo é verdadeiro no que diz respeito ao Reino de Deus.

II. Qual Desses Entendimentos é o Melhor?

A. Aqueles que identificam o Reino de Deus com um Dom de Deus que será concedido, em toda sua plenitude no final dos tempos, estão refletindo aspectos do ensino do Novo Testamento no que diz respeito ao Reino de Deus.

B. Aqueles que defendem que o Reino de Deus está dentro dos nossos corações nos preparando para chegar ao céu, refletem outro conjunto de verdades também ensinadas pelo Novo Testamento.

C. Apesar de nenhuma Igreja poder ser identificada com o Reino de Deus, as igrejas que se empenham em pregar o verdadeiro evangelho da graça e proclamar a Jesus como único Senhor e Salvador têm um papel importante em preparar os seres humanos para receberem o Reino de Deus em seus corações.

D. O imperador Constantino imaginou que seu império romano correspondia ao reino dos céus, mas ele e tantos outros depois dele estavam completamente errados. Todavia é importante entendermos que o Reino de Deus tem tudo a ver com a promoção da paz, da justiça, da defesa do meio ambiente, e muitos outros aspectos que só podem ser desenvolvidos através de meios políticos e sociais.

Conclusão

A. Diante de tudo o que vimos e falamos até aqui, nós podemos afirmar com segurança que o Reino de Deus inclui tudo o que Jesus disse e ensinou.

B. As parábolas de Jesus — muitas delas foram iniciadas com essas palavras: O REINO DE DEUS É — foram, de modo prioritário, descritoras do Reino de Deus. Cada uma delas nos ensinou algum aspecto do Reino.

1. As parábolas de Jesus nos ensinam que o Reino de Deus estabelece normas éticas que os seres humanos precisam seguir.

2. Em outras passagens Jesus nos ensinou que o Reino de Deus precisa ser abordado por nós com a mesma atitude que uma criança aborda qualquer coisa: sem malícia e com plena confiança.

3. Não é impossível, mas é muito difícil para as pessoas ricas entrarem no Reino de Deus. Fica aqui a pergunta para os promotores e adoradores da Teologia da Prosperidade: Como vocês reconciliam ficar rico com as palavras de Jesus?

4. O Reino de Deus tem três mandamentos básicos:

a. Amar a Deus —

Mateus 22:37—38

37 Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento.

38 Este é o grande e primeiro mandamento.

b. Amar o próximo —

Mateus 22:39

O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

c. Amar os irmãos do mesmo modo como Jesus nos amou — Jesus chamou esse de “NOVO MANDAMENTO”:

João 13:34

Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros.

C. O Batismo Cristão e a Celebração da Santa Ceia são formas perenes de sermos lembrados que estamos em uma santa aliança com Deus e que somos membros do glorioso Reino de Deus. Devemos abrir nossos corações todos os dias para receber as bênçãos que Deus tem para nós e nossas sociedades, enquanto aguardamos VIGILANTES e CHEIOS DE ESPERANÇA o cumprimento das promessas de Jesus com Respeito ao Reino de Seu Pai. Continuemos, pois orando sempre: VENHA O TEU REINO.

D. Como o pedido anterior: SANTIFICADO SEJA O TEU NOME; esse pedido VENHA O TEU REINO transcende o tempo e o espaço e nos fazem lembrar que Deus está SEMPRE em pleno controle de todos os acontecimentos.

E. Portanto, quando oramos essas palavras, precisamos nos lembrar que não estamos orando apenas por nós mesmos, nem apenas por nossas comunidades, mas estamos orando pelo mundo inteiro através da história.

F. Resumindo: o Reino de Deus possui pelo menos quatro componentes: É um dom de Deus para o seu povo no final da história humana, ao mesmo tempo em que o mesmo é parte da vida diária enquanto estamos nessa vida. A Igreja é importante para o Reino de Deus e as grandes questões da humanidade como PAZ, JUSTIÇA, MEIO AMBIENTE E UMA TOTAL IGUALDADE RACIAL SÃO CENTRAIS AO MESMO. 

G. Na próxima mensagem iremos falar da petição que tem a ver com FAZER A VONTADE DE DEUS.

Até lá que Deus abençoe a todos.

OUTRAS MENSAGENS DA SÉRIE DO PAI NOSSO

001 — INTRODUÇÃO A MATEUS 6:9—15

002 — O PAI NOSSO — PARTE 001 — MATEUS 6:9

003 — O PAI NOSSO — PARTE 002 — MATEUS 6:9

004 — O PAI NOSSO — PARTE 003 — MATEUS 6:9

005 — O PAI NOSSO — PARTE 004 — MATEUS 6:9a — PAI NOSSO QUE ESTÁS NOS CÉUS

006 — O PAI NOSSO — PARTE 005 — INTRODUÇÃO À ESTRUTURA DO PAI NOSSO — Mateus 6:9—13

007 — O PAI NOSSO — PARTE 006 — SANTIFICADO SEJA TEU NOME — Mateus 6:9

008 — O PAI NOSSO — PARTE 007 — A RELAÇÃO DA SANTIDADE DE DEUS COM A JUSTIÇA E O AMOR — Mateus 6:9

009 — O PAI NOSSO — PARTE 008 — O REINO DE DEUS — PARTE 001 — Mateus 6:10

010 — O PAI NOSSO — PARTE 009 — O REINO DE DEUS — PARTE 002 — Mateus 6:10
Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:
Desde já agradecemos a todos.


Os comentários não representam a opinião do Blog O Grande Diálogo; a responsabilidade é do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

A SEMIÓTICA E O NOVO LOGO DO GOVERNO FEDERAL DE TEMER


Assim que iniciei meu curso de jornalismo tomei conhecimento da existência duma matéria chamada Semiótica, por meio da leitura dum livro de Umberto Eco, intitulado: A Estrutura Ausente.[1] A semiótica é assim definida pelo dicionário Dicio on line: s.f. Ciência que analisa todos os sistemas de comunicação presentes numa sociedade. Teoria de representação que, criada por Charles S. Pierce[2], considera os signos em seus modos de representações e de manifestações. Quinze anos após aquele início no curso de jornalismo, Joseph Campbel nos ajudou a entender a força das imagens e o que representam em sua obra clássica The Power of MythI.[3]



Nesses últimos dias tive minha atenção chamada pelo brilhante artigo escrito pelo Dr. Wilson Roberto Vieira Ferreira no qual analisa as mudanças realizadas no logo do governo federal pelo presidente interino Michel Temer. Segue o artigo:

Semiótica revela anomalias no logo do governo Temer
 Wilson Roberto Vieira Ferreira

Discursos podem mentir, mas as imagens não. Talvez porque a linguagem visual esteja próxima da lógica dos sonhos, ela pode revelar atos falhos e sintomas por trás dos simbolismos políticos e ideológicos. A marca visual criada pelo “novo” governo Temer pelo marqueteiro Elsinho Mouco obviamente é dominada por alusões aos simbolismos da bandeira nacional. Mas no meio do azul, verde, amarelo e branco saltam atos falhos análogos aos sintomas da psicanálise: estranhos domínios de cores, degradês e sólidos geométricos que, comparando as sucessivas marcas de governos anteriores, de Collor a Dilma, tornam-se “anomalias”. Quando a propaganda política dá o salto para convencer corações e mentes pode cair e quebrar o pescoço, revelando as verdadeiras intenções escondidas pelos símbolos.

Discursos e documentos políticos são repletos de tergiversações, eufemismos, camadas e mais camadas de retórica que escondem as verdadeiras intenções. O que torna a linguagem verbal opaca e de difícil interpretação ou desconstrução.

Ao contrário, produtos audiovisuais e imagens deixam transparecer atos falhos, índices, pistas que se revelam verdadeiros sintomas que podem traduzir o espírito do seu tempo.
Talvez porque as imagens trabalham com a mesma lógica dos sonhos: metáforas e metonímias ou “condensações e deslocamentos”, como Freud descrevia na sua interpretação dos sonhos.  Qualquer imagem (de fotografias ou pinturas até logotipos ou imagens publicitárias) opera por essa lógica onírica para conquistar corações e mentes. E nesse salto de propaganda para seduzir e convencer pode cair e quebrar o pescoço, deixando revelar atos falhos onde são reveladas as verdadeiras intenções.

Como toda peça de propaganda política, a marca ou identidade visual do “novo” governo do vice — agora-presidente-interino — em exercício, Michel Temer, idealizada pelo marqueteiro Elsinho Mouco também nos mostra essa dupla lógica da imagem: quer ser uma metáfora, um símbolo de uma plataforma política. Mas também revela sintomas, deslocamentos metonímicos, atos falhos que demonstram intenções mais profundas – aquilo que o discurso político sempre quer esconder.


Por que o verde desapareceu?

Como simbolismo, a marca criada por Mouco trabalha com elementos da bandeira nacional como o círculo celeste e a faixa com o lema “ordem e progresso”. Como propaganda política, quer evidentemente transferir a dignidade dos simbolismos republicanos para um novo governo tornando suas intenções mais “nobres e legitimas”. Assim como todas as outras marcas dos governos que antecederam, de Collor a Dilma.

Duas coisas chamam inicialmente a atenção: primeiro, o desaparecimento da cor verde (limitada à letra do lema “ordem e progresso”) pela primeira vez no histórico das marcas dos sucessivos governos que sempre contemplaram todas as cores da bandeira nacional de forma equilibrada – como podemos observar na série abaixo; e segundo, o domínio na composição da cor azul em degradê e do círculo celeste transformado em sólido geométrico que parece pairar muito próximo sobre a palavra “BRASIL” desenhada em extrusão (convertido de 2D para 3D), em perspectiva como se estivesse colocada em uma superfície sobre a qual paira o sólido.


Acima: governos Collor e Itamar Franco; no centro, governo FHC; abaixo governos Lula e Dilma

O interessante na percepção em semiótica são as chamadas “dominantes” seja de cor, textura, forma. Nesse caso temos a dominante da cor azul em degradê. Por que esse desequilíbrio na aplicação das cores da bandeira nacional olhando a série histórica das marcas? Estamos diante de um sintoma?

No simbolismo das cores o azul é a cor masculina – e ainda no contraste com o branco passaria os significados de “inteligência”, “racionalidade” e “concentração”, significados que no âmbito do senso comum seriam qualidades exclusivamente masculinas, contrastando com a “emotividade” feminina – leia HELLER, Eva, Psicologia das Cores, GG Brasil, 2012.

A nostalgia retro-futurista

Muitos analistas veem no ministério formado por Temer um retrocesso – eminentemente masculino, branco e rico, num país marcado pela diversidade étnica. Coincidência ou sintoma? O processo criativo da marca inconscientemente expressou essa realidade?

Mas se a cor em si é um simbolismo, o degradê é uma metonímia: dá uma aspecto 3D a dimensão plana onde repousam as palavras “Brasil Governo Federal” e confere volume à esfera azul. Se o azul expressaria um “retrocesso” (masculinização e homogeneidade étnica), esse efeito em 3D lembra outra coisa antiga: a estética “platinada”, metálica e artificial de Hans Donner.

A primeira impressão que se tem quando bate os olhos na marca é a velha identidade da TV Globo que marcou a emissora por décadas criada pelo designer austríaco nos anos 1970: mulheres metálicas e sólidos geométricos voando em círculos no vazio onde o efeito em degrade dava um aspecto de maior profundidade para o movimento das formas.

Nos anos 1970 os movimentos futuristas de esferas, cones e pirâmides na seminal computação gráfica das vinhetas criadas por Hans Donner dava uma atmosfera de “modernidade” para uma nova classe média que surgia no chamado “Brasil Grande” no Milagre Econômico da Ditadura Militar. 

O retro-futurismo de Hans Donner


Depois de décadas esse retro-futurismo tornou-se tão brega que a própria TV Globo abandonou a identidade visual space opera de Donner adotando uma estética mais “orgânica”: logos com desenhos em contornos estilo “hand shop”, bancadas e cenários dos programas abandonando o visual espaçonave para adotar pisos que simulam tábuas de madeira e uma paleta de cores sem mais o brilho metálico.

A classe média já não era mais a mesma dos anos 1970, mas agora a da Classe C com novos hábitos de consumo representado pelo “funk ostentação”.

As próprias marcas oficiais dos governos Lula e Dilma participaram dessa mudança visual quando adotaram uma paleta de cores pastéis com uma variedade cromática que ia além das cores da bandeira nacional para expressar a variedade étnica do País.

A marca que já nasceu velha

Ato falho no processo criativo de Elsinho Mouco? Uma identidade visual que já nasceu velha assim como o “novo” governo?

O logotipo parece dialogar com as pessoas que compartilham dessa mesma linguagem ultrapassada: aquelas que cresceram nas décadas de hegemonia global cuja visão de mundo foi moldada até hoje pelos telejornais. Mais do que isso, uma geração cuja mentalidade é formada pela tradicional mídia de massas. Bem diferente das novas gerações que abandonam a TV para trocá-las pelas mídias de convergência – smartphones, tablets e lap tops.

Temer dialoga com essa velha geração que quer ver novamente o País ser colocado nos trilhos dos quais jamais deveria ter saído – do neodesenvolvimentismo da era Lula para o desenvolvimento neoliberal de dependência externa. Da frigideira para cair no fogo.


Mas o que talvez seja mais perturbador na identidade visual de Elsinho Mouco é que diante de tantos sintomas e atos falhos talvez possa também expressar uma sinistra profecia: o lema de origem positivista “Ordem e Progresso” (da filosofia do Positivismo do século XIX de Augusto Comte até a influência na alta oficialidade do Exército Brasileiro no movimento Republicano) pairando sobre a palavra “Brasil”: para haver progresso é necessário haver ordem – uma ideologia de péssimas lembranças como a Ditadura Militar onde era necessário haver ordem a qualquer preço, mesmo que para isso fosse necessária a repressão violenta, perseguição e tortura.

A esfera (elemento visualmente pesado) paira sobre um bloco visualmente mais leve (as palavras “Brasil Governo Federal) em 3D fino como folha de papel. Além de subverter uma técnica Gestalt em comunicação visual (as formas mais “pesadas” ficam abaixo para ser base das formas mais leves) passa a ideia de uma bola de ferro “esmagando” ou “oprimindo”.

E ainda dentro do estilo retro-futurismo da marca do “novo” Governo, as palavras “Brasil Governo Federal” em perspectiva cria a imediata associação metonímica com os créditos iniciais da velha trilogia Star Wars. Mais um ato falho? A marca do “Império do Mal” e Temer o novo Darth Vader?

O artigo original poderá ser visto por meio desse link aqui:


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.


[1] Eco, Umberto. A Estrutura AusenteEditora Perspectiva, São Paulo, 7ª impressão - 4ª reimpressão, 2013.

[2]  Peirce, Charles S. Semiótica. Editora Perspectiva, São Paulo, 4ª impressão - 2ª reimpressão, 2015.

[3] Campbel, Joseph and Moyers, Bill.  The Power of Myth. Doubleday, Garden Grove, 1988.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

PARÁBOLAS DE JESUS - LUCAS 13:1—5 — A PARÁBOLA ACERCA DE PILATOS E DA TORRE DE SILOÉ — SERMÃO 030


A torre de Siloé reconstruída 

Esse artigo é parte da série "Parábolas de Jesus" e é muito recomendável que o leitor procure conhecer todos os aspectos das verdades contidas nessa série, com aplicações para os nossos dias. No final do artigo você encontrará links para os outros artigos dessa série.

LUCAS 13:1—5

1  Naquela mesma ocasião, chegando alguns, falavam a Jesus a respeito dos galileus cujo sangue Pilatos misturara com os sacrifícios que os mesmos realizavam. 

2  Ele, porém, lhes disse: Pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem padecido estas coisas? 

3  Não eram, eu vo-lo afirmo; se, porém, não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis. 

4  Ou cuidais que aqueles dezoito sobre os quais desabou a torre de Siloé e os matou eram mais culpados que todos os outros habitantes de Jerusalém? 

5  Não eram, eu vo-lo afirmo; mas, se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis. 

INTRODUÇÃO

A. A passagem de Lucas 13:1—9 pode ser dividida em duas partes — versos 1— e versos 6—9. As duas passagens tratam de um mesmo e complexo tema envolvendo: política e arrependimento. 

B. Nos versos 6—9 que trata da “Figueira Estéril” nós temos uma parábola propriamente dita. Iremos lidar com essa parábola em nosso próximo estudo. 

C. Já nos versos 1—5, que iremos analisar hoje, nós temos o que podemos chamar de “discurso parabólico” porque Jesus lança mão de situações ou ilustrações concretas para ensinar verdades eternas. 

D. Essas duas passagens falam de pessoas que foram mortas de forma violenta, e de uma árvore que corre o risco de ser cortada por não produzir os frutos esperados. 

Ator representando o governador romano Pilatos

I. Pilatos e a Morte Violeta de Certos Galileus 

A. De acordo com a narrativa de Lucas, Jesus está se dirigindo para Jerusalém. O evangelista, todavia, não nos fornece nenhum detalhe onde exatamente esse diálogo aconteceu.
  
B. A história começa quando algumas pessoas se aproximam de Jesus — versos 1 — e lhe contam uma atrocidade cometida pelo governador Pilatos. 

C. Tal atrocidade tinha a ver com o fato do governador romano Pilatos, por motivos que não estão claros na narrativa, ordenou o massacre de certos galileus que se encontravam em Jerusalém para oferecerem sacrifícios no templo. A brutalidade do massacre foi tanta que o sangue dos galileus acabou se misturando com o sangue dos animais que eles estavam oferecendo. 

D. Massacres como esses não eram incomuns. Não podemos nos esquecer que a terra da Palestina — incluindo a Galileia, Samaria e a Judeia bem como toda a região costeira — estava sob uma severa ocupação romana. Os romanos, geralmente deixavam as pessoas dos territórios ocupados seguirem com o ritmo normal de suas vidas, enquanto pagassem os impostos cobrados e não tivessem nenhum tipo de pensamento sequer que fosse inamistoso com as forças de ocupação.

E. Os povos conquistados pelos romanos eram considerados inimigos de tempo integral do império e estavam sujeitos a todos os tipos de brutalidade por parte do exército romano. 

F. Diante da circunstância que descrevemos no item anterior, fica bem evidente a enorme importância de como Jesus iria reagir àquela informação. 

G. Certamente havia interessados de todos os lados — judeus e romanos — em conhecer e registrar qual seria o comentário que Jesus iria fazer acerca daquela informação. Aqueles eram, de fato, tempos muito difíceis. Cristo poderia ter seguido a mesma atitude que encontramos no profeta Amós — 

Amos 5:13 

Portanto, o que for prudente guardará, então, silêncio, porque é tempo mau. 

H. Se Jesus não dissesse nada, isso seria muito bem-vindo pelos romanos, mas o colocaria, imediatamente na posição de traidor da causa judaica, por não denunciar a brutalidade das forças de ocupação romanas. 

I. Agora, caso Jesus denunciasse os romanos, isso agradaria os judeus, mas o colocaria na condição de um possível insurreto e fomentador de rebelião diante das autoridades romanas, o que representava um risco para sua própria existência. 

J. Diante dessa delicada situação, Jesus toma a seguinte decisão: Ele decide não denunciar os romanos, mas também evita ficar em silêncio! Como o profeta Jeremias no Antigo Testamento, Jesus prefere falar corajosamente a verdade. 

III A Resposta de Jesus — versos 2—5 

A. Pela resposta que Jesus oferece, fica claro, que as pessoas que fizeram o comentário original desejavam, de alguma forma, criar algum tipo de relação entre algum pecado cometido com o sofrimento padecido. 

B. Mas no lugar de fazer uma leitura para trás suprindo, desse modo, o motivo porque as pessoas haviam sido massacradas, a resposta de Jesus constitui-se numa completa surpresa. 

C. Em primeiro lugar Jesus mostra que sabia muito bem que aquelas pessoas achavam que aqueles galileus eram mais pecadores que outros judeus. Um julgamento muito temerário, diga-se de passagem, e Jesus prontamente denuncia essa hipocrisia. 

D. O mesmo era verdadeiro com relação às 18 pessoas que haviam sido soterradas pelo desabamento de uma torre em Jerusalém — verso 4. Os habitantes de Jerusalém consideravam aqueles que perderam suas vidas no desabamento da torre como pessoas mais pecadoras do que os outros habitantes de Jerusalém. 

E. Mas Jesus deixa bem claro que nenhuma pessoa daqueles grupos era mais pecadora do que as pessoas que estavam ouvindo o que ele dizia. Segue-se a surpresa...
  
F. Jesus termina seu comentário afirmando que todos os seus ouvintes pereceriam da mesma maneira se não se arrependessem — ver versos 3 e 5. 

IV Existe Alguma Correlação, na Base de 1 por 1, entre pecado e sofrimento? 

A. Em João 9:1—3 nós lemos acerca de um homem que era cego desde o seu nascimento. Os discípulos queriam muito saber do Senhor Jesus, quem havia pecado para que aquele homem nascesse cego? Foi o próprio homem ou foram seus pais, perguntaram os discípulos. Jesus respondeu dizendo que não foi ninguém! 

B. É por causa dessa falsa mentalidade que temos, de que o sofrimento de alguém está associado aos pecados que a pessoa cometeu ou está cometendo que Jesus se dirige ao paralítico em Lucas 5 com as seguintes palavras: Homem, estão perdoados os teus pecados.

C. De acordo com Jesus não existe nenhuma correlação direta na base de 1 por 1 entre pecado e sofrimento. 

D. O salmista é bem claro quanto a essa questão ao afirmar o seguinte — 
Salmo 103:10 

Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui consoante
as nossas iniquidades. 

E. Da mesma maneira que não existe correlação direta entre pecado e sofrimento, também não existe destino ou sorte e azar, por causa da soberania de Deus.


CONCLUSÃO 

A. Jesus fala diretamente com seus interlocutores e os exorta ao arrependimento enquanto há tempo. 

B. Essa atitude de Jesus nos mostra tanto sua coragem como também explica sua profunda rejeição pela comunidade judaica de seus dias. Eles queriam muitas coisas da parte de Deus, mas arrependimento não era uma delas! 

C. Todos os que lutam por uma causa justa tendem a pensar que a causa os faz justos. Não os faz. A causa dos judeus contra os romanos era justa, mas isso não fazia deles pessoas justas. 

D. Qualquer um que quer enxergar o Senhor Jesus apenas como um revolucionário precisa resolver as questões apresentadas pelo texto de Lucas 13:1—5. 

E. Jesus diz o seguinte para seus interlocutores: Vocês querem que eu condene Pilatos? Mas eu não estou falando com Pilatos. Eu estou falando com vocês. Forças do mal estão trabalhando no meio de vocês e, se vocês não se arrependerem, vocês serão destruídos com Pilatos ou sem Pilatos. Vocês precisam se arrepender ou serão destruídos. 

F. Note que Jesus não ordena que eles se submetam a Pilatos ou que aceitem a opressão romana. Jesus tinha um amor muito grande por aquelas pessoas que estavam diante dele e sabia que, se elas não se arrependessem de seus pecados seriam completamente destruídas. Por esse motivo, Jesus os exorta ao arrependimento. 

G. O que Jesus quer nos ensinar hoje com essas palavras? Jesus nos pede que em vez de ficarmos apenas vendo o mal ao nosso redor — naqueles dias representado por Pilatos e a forças de ocupação do império romano — que possamos enxergar o mal que existe em nossos corações e que nos arrependamos desse mal. Esse mal em nossos corações é representado pelos atos que praticamos, como por obrigações que não cumprimos — pecados de comissão e omissão. 

H. Que possamos nos arrepender de todo o mal. Seja de comissão ou de omissão. 

I. O profeta Isaías nos faz o convite mais doce que poderíamos receber: 

Isaías 55:7

Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se ao SENHOR, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar.



OUTRAS PARÁBOLAS DE JESUS PODEM SER ENCONTRADAS NOS LINKS ABAIXO:

001 – O Sal

002 – Os Dois Fundamentos

003 – O Semeador

004 – O Joio e o Trigo =

005 – O Credor Incompassivo

006 — O Grão de Mostarda e o Fermento

007 — Os Meninos Brincando na Praça

008 — A Semente Germinando Secretamente

009 e 010 — O Tesouro Escondido e a Pérola de Grande Valor

011 — A Eterna Fornalha de Fogo

012 — A Parábola dos Trabalhadores na Vinha

013 — A Parábola dos Dois Irmãos

014 — A Parábola dos Lavradores Maus — Parte 1

014A — A Parábola dos Lavradores Maus — Parte 2

015 — A Parábola das Bodas —

016 — A Parábola da Figueira

017 — A Parábola do Servo Vigilante

018 — A Parábola do Ladrão

019 — A Parábola do Servo Fiel e Prudente

020 — A Parábola das Dez Virgens

021 — A Parábola dos Talentos

022 — A Parábola das Ovelhas e dos Cabritos

023 — A Parábola dos Dois Devedores

024 — A Parábola dos Pássaros e da Raposa

025 — A Parábola do Discípulo que Desejava Sepultar Seu Pai

026 — A Parábola da Mão no Arado

027 — A Parábola do Bom Samaritano — Completo

027A — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 1

027B — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 2 — Os Ladrões e o Sacerdote

027C — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 3 — O Levita

027D — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 4 — O Samaritano

027E — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 5 — O Socorro

027F — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 6 — O transporte até a hospedaria

027G — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 7 — O pagamento final

027H — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 8 — O diálogo final entre Jesus e o doutor da Lei

028 — A Parábola do Rico Tolo —

029 — A Parábola do Amigo Importuno —

030 — A Parábola Acerca de Pilatos e da Torre de Siloé

031 — A Parábola da Figueira Estéril

032 — A Parábola Acerca dos Primeiros Lugares

033 — A Parábola do Grande Banquete

034 — A Parábola do Construtor da Torre e do Grande Guerreiro

035 — Introdução a Lucas 15 — Parábolas Acerca da Condição Perdida da Raça Humana — Parte 001

036 — Introdução a Lucas 15 — Parábolas Acerca da Condição Perdida da Raça Humana — Parte 002

037A — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 001

037B — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 002

037C — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 003

037D — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 004 — A Influência do Antigo Testamento

037E — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 005 — Características Cristológicas da Parábola da Ovelha Perdida

037F — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 006 — A importância das pessoas perdidas.
Que Deus Abençoe a todos. 

Alexandros Meimaridis 

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link: 


Desde já agradecemos a todos.