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segunda-feira, 6 de abril de 2015

PARÁBOLAS DE JESUS - LUCAS 13:1—5 — A PARÁBOLA ACERCA DE PILATOS E DA TORRE DE SILOÉ — SERMÃO 030


A torre de Siloé reconstruída 

Esse artigo é parte da série "Parábolas de Jesus" e é muito recomendável que o leitor procure conhecer todos os aspectos das verdades contidas nessa série, com aplicações para os nossos dias. No final do artigo você encontrará links para os outros artigos dessa série.

LUCAS 13:1—5

1  Naquela mesma ocasião, chegando alguns, falavam a Jesus a respeito dos galileus cujo sangue Pilatos misturara com os sacrifícios que os mesmos realizavam. 

2  Ele, porém, lhes disse: Pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem padecido estas coisas? 

3  Não eram, eu vo-lo afirmo; se, porém, não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis. 

4  Ou cuidais que aqueles dezoito sobre os quais desabou a torre de Siloé e os matou eram mais culpados que todos os outros habitantes de Jerusalém? 

5  Não eram, eu vo-lo afirmo; mas, se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis. 

INTRODUÇÃO

A. A passagem de Lucas 13:1—9 pode ser dividida em duas partes — versos 1— e versos 6—9. As duas passagens tratam de um mesmo e complexo tema envolvendo: política e arrependimento. 

B. Nos versos 6—9 que trata da “Figueira Estéril” nós temos uma parábola propriamente dita. Iremos lidar com essa parábola em nosso próximo estudo. 

C. Já nos versos 1—5, que iremos analisar hoje, nós temos o que podemos chamar de “discurso parabólico” porque Jesus lança mão de situações ou ilustrações concretas para ensinar verdades eternas. 

D. Essas duas passagens falam de pessoas que foram mortas de forma violenta, e de uma árvore que corre o risco de ser cortada por não produzir os frutos esperados. 

Ator representando o governador romano Pilatos

I. Pilatos e a Morte Violeta de Certos Galileus 

A. De acordo com a narrativa de Lucas, Jesus está se dirigindo para Jerusalém. O evangelista, todavia, não nos fornece nenhum detalhe onde exatamente esse diálogo aconteceu.
  
B. A história começa quando algumas pessoas se aproximam de Jesus — versos 1 — e lhe contam uma atrocidade cometida pelo governador Pilatos. 

C. Tal atrocidade tinha a ver com o fato do governador romano Pilatos, por motivos que não estão claros na narrativa, ordenou o massacre de certos galileus que se encontravam em Jerusalém para oferecerem sacrifícios no templo. A brutalidade do massacre foi tanta que o sangue dos galileus acabou se misturando com o sangue dos animais que eles estavam oferecendo. 

D. Massacres como esses não eram incomuns. Não podemos nos esquecer que a terra da Palestina — incluindo a Galileia, Samaria e a Judeia bem como toda a região costeira — estava sob uma severa ocupação romana. Os romanos, geralmente deixavam as pessoas dos territórios ocupados seguirem com o ritmo normal de suas vidas, enquanto pagassem os impostos cobrados e não tivessem nenhum tipo de pensamento sequer que fosse inamistoso com as forças de ocupação.

E. Os povos conquistados pelos romanos eram considerados inimigos de tempo integral do império e estavam sujeitos a todos os tipos de brutalidade por parte do exército romano. 

F. Diante da circunstância que descrevemos no item anterior, fica bem evidente a enorme importância de como Jesus iria reagir àquela informação. 

G. Certamente havia interessados de todos os lados — judeus e romanos — em conhecer e registrar qual seria o comentário que Jesus iria fazer acerca daquela informação. Aqueles eram, de fato, tempos muito difíceis. Cristo poderia ter seguido a mesma atitude que encontramos no profeta Amós — 

Amos 5:13 

Portanto, o que for prudente guardará, então, silêncio, porque é tempo mau. 

H. Se Jesus não dissesse nada, isso seria muito bem-vindo pelos romanos, mas o colocaria, imediatamente na posição de traidor da causa judaica, por não denunciar a brutalidade das forças de ocupação romanas. 

I. Agora, caso Jesus denunciasse os romanos, isso agradaria os judeus, mas o colocaria na condição de um possível insurreto e fomentador de rebelião diante das autoridades romanas, o que representava um risco para sua própria existência. 

J. Diante dessa delicada situação, Jesus toma a seguinte decisão: Ele decide não denunciar os romanos, mas também evita ficar em silêncio! Como o profeta Jeremias no Antigo Testamento, Jesus prefere falar corajosamente a verdade. 

III A Resposta de Jesus — versos 2—5 

A. Pela resposta que Jesus oferece, fica claro, que as pessoas que fizeram o comentário original desejavam, de alguma forma, criar algum tipo de relação entre algum pecado cometido com o sofrimento padecido. 

B. Mas no lugar de fazer uma leitura para trás suprindo, desse modo, o motivo porque as pessoas haviam sido massacradas, a resposta de Jesus constitui-se numa completa surpresa. 

C. Em primeiro lugar Jesus mostra que sabia muito bem que aquelas pessoas achavam que aqueles galileus eram mais pecadores que outros judeus. Um julgamento muito temerário, diga-se de passagem, e Jesus prontamente denuncia essa hipocrisia. 

D. O mesmo era verdadeiro com relação às 18 pessoas que haviam sido soterradas pelo desabamento de uma torre em Jerusalém — verso 4. Os habitantes de Jerusalém consideravam aqueles que perderam suas vidas no desabamento da torre como pessoas mais pecadoras do que os outros habitantes de Jerusalém. 

E. Mas Jesus deixa bem claro que nenhuma pessoa daqueles grupos era mais pecadora do que as pessoas que estavam ouvindo o que ele dizia. Segue-se a surpresa...
  
F. Jesus termina seu comentário afirmando que todos os seus ouvintes pereceriam da mesma maneira se não se arrependessem — ver versos 3 e 5. 

IV Existe Alguma Correlação, na Base de 1 por 1, entre pecado e sofrimento? 

A. Em João 9:1—3 nós lemos acerca de um homem que era cego desde o seu nascimento. Os discípulos queriam muito saber do Senhor Jesus, quem havia pecado para que aquele homem nascesse cego? Foi o próprio homem ou foram seus pais, perguntaram os discípulos. Jesus respondeu dizendo que não foi ninguém! 

B. É por causa dessa falsa mentalidade que temos, de que o sofrimento de alguém está associado aos pecados que a pessoa cometeu ou está cometendo que Jesus se dirige ao paralítico em Lucas 5 com as seguintes palavras: Homem, estão perdoados os teus pecados.

C. De acordo com Jesus não existe nenhuma correlação direta na base de 1 por 1 entre pecado e sofrimento. 

D. O salmista é bem claro quanto a essa questão ao afirmar o seguinte — 
Salmo 103:10 

Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui consoante
as nossas iniquidades. 

E. Da mesma maneira que não existe correlação direta entre pecado e sofrimento, também não existe destino ou sorte e azar, por causa da soberania de Deus.


CONCLUSÃO 

A. Jesus fala diretamente com seus interlocutores e os exorta ao arrependimento enquanto há tempo. 

B. Essa atitude de Jesus nos mostra tanto sua coragem como também explica sua profunda rejeição pela comunidade judaica de seus dias. Eles queriam muitas coisas da parte de Deus, mas arrependimento não era uma delas! 

C. Todos os que lutam por uma causa justa tendem a pensar que a causa os faz justos. Não os faz. A causa dos judeus contra os romanos era justa, mas isso não fazia deles pessoas justas. 

D. Qualquer um que quer enxergar o Senhor Jesus apenas como um revolucionário precisa resolver as questões apresentadas pelo texto de Lucas 13:1—5. 

E. Jesus diz o seguinte para seus interlocutores: Vocês querem que eu condene Pilatos? Mas eu não estou falando com Pilatos. Eu estou falando com vocês. Forças do mal estão trabalhando no meio de vocês e, se vocês não se arrependerem, vocês serão destruídos com Pilatos ou sem Pilatos. Vocês precisam se arrepender ou serão destruídos. 

F. Note que Jesus não ordena que eles se submetam a Pilatos ou que aceitem a opressão romana. Jesus tinha um amor muito grande por aquelas pessoas que estavam diante dele e sabia que, se elas não se arrependessem de seus pecados seriam completamente destruídas. Por esse motivo, Jesus os exorta ao arrependimento. 

G. O que Jesus quer nos ensinar hoje com essas palavras? Jesus nos pede que em vez de ficarmos apenas vendo o mal ao nosso redor — naqueles dias representado por Pilatos e a forças de ocupação do império romano — que possamos enxergar o mal que existe em nossos corações e que nos arrependamos desse mal. Esse mal em nossos corações é representado pelos atos que praticamos, como por obrigações que não cumprimos — pecados de comissão e omissão. 

H. Que possamos nos arrepender de todo o mal. Seja de comissão ou de omissão. 

I. O profeta Isaías nos faz o convite mais doce que poderíamos receber: 

Isaías 55:7

Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se ao SENHOR, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar.



OUTRAS PARÁBOLAS DE JESUS PODEM SER ENCONTRADAS NOS LINKS ABAIXO:

001 – O Sal

002 – Os Dois Fundamentos

003 – O Semeador

004 – O Joio e o Trigo =

005 – O Credor Incompassivo

006 — O Grão de Mostarda e o Fermento

007 — Os Meninos Brincando na Praça

008 — A Semente Germinando Secretamente

009 e 010 — O Tesouro Escondido e a Pérola de Grande Valor

011 — A Eterna Fornalha de Fogo

012 — A Parábola dos Trabalhadores na Vinha

013 — A Parábola dos Dois Irmãos

014 — A Parábola dos Lavradores Maus — Parte 1

014A — A Parábola dos Lavradores Maus — Parte 2

015 — A Parábola das Bodas —

016 — A Parábola da Figueira

017 — A Parábola do Servo Vigilante

018 — A Parábola do Ladrão

019 — A Parábola do Servo Fiel e Prudente

020 — A Parábola das Dez Virgens

021 — A Parábola dos Talentos

022 — A Parábola das Ovelhas e dos Cabritos

023 — A Parábola dos Dois Devedores

024 — A Parábola dos Pássaros e da Raposa

025 — A Parábola do Discípulo que Desejava Sepultar Seu Pai

026 — A Parábola da Mão no Arado

027 — A Parábola do Bom Samaritano — Completo

027A — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 1

027B — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 2 — Os Ladrões e o Sacerdote

027C — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 3 — O Levita

027D — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 4 — O Samaritano

027E — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 5 — O Socorro

027F — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 6 — O transporte até a hospedaria

027G — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 7 — O pagamento final

027H — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 8 — O diálogo final entre Jesus e o doutor da Lei

028 — A Parábola do Rico Tolo —

029 — A Parábola do Amigo Importuno —

030 — A Parábola Acerca de Pilatos e da Torre de Siloé

031 — A Parábola da Figueira Estéril

032 — A Parábola Acerca dos Primeiros Lugares

033 — A Parábola do Grande Banquete

034 — A Parábola do Construtor da Torre e do Grande Guerreiro

035 — Introdução a Lucas 15 — Parábolas Acerca da Condição Perdida da Raça Humana — Parte 001

036 — Introdução a Lucas 15 — Parábolas Acerca da Condição Perdida da Raça Humana — Parte 002

037A — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 001

037B — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 002

037C — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 003

037D — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 004 — A Influência do Antigo Testamento

037E — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 005 — Características Cristológicas da Parábola da Ovelha Perdida

037F — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 006 — A importância das pessoas perdidas.
Que Deus Abençoe a todos. 

Alexandros Meimaridis 

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Desde já agradecemos a todos.     

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

MÁSCARA EGÍPCIA FEITA DE PAPIRO GUARDAVA FRAGMENTO DE UMA CÓPIA DO EVANGELHO DE MARCOS


A MÁSCARA CONTINHA FRAGMENTOS DE UM PAPIRO ANTIGO

O material abaixo foi publicado pela revista Galileu.

Cientistas encontram cópia mais antiga do Evangelho em uma múmia egípcia

Um grupo de cientistas encontrou a cópia mais antiga do Evangelho em um papiro reutilizado para construir a máscara de uma múmia egípcia, revelou à Agência Efe Craig Evans, doutor em Estudos Bíblicos e um dos responsáveis pela descoberta.

Trata-se de um fragmento do Evangelho de São Marcos, localizado há três anos e que, agora, especialistas consideram como o primeiro manuscrito do Novo Testamento da Bíblia de que se tem conhecimento.

Os cientistas acham que a origem do papiro remonta ao primeiro século de nossa era, entre o ano 80 e 90 d.C., o que representa uma grande novidade. Até então, as cópias mais antigas datavam do século II depois de Cristo.

Os especialistas acreditam que alguém escreveu o fragmento de texto no papiro e, depois, outras pessoas reciclaram o material, muito caro na época, para elaborar a máscara funerária.

As máscaras de papel eram utilizadas pelas pessoas pobres do Egito, não tendo relação com as feitas em ouro e joias para cobrir os rostos dos grandes faraós, explicou Evans.

Acredita-se que São Marcos escreveu seu evangelho em Roma, acompanhado de São Pedro. Mas como a cópia viajou da atual capital italiana ao Egito? O caminho não é assim tão longo, garante o pesquisador.

"No Império Romano, o correio tinha a mesma velocidade de hoje em dia. Uma carta escrita em Roma pode ser lida no Egito semanas depois. Marcos escreveu seu evangelho no final dos anos 60 d.C, portanto, era possível encontrar uma cópia no Egito 20 anos depois", defende.

Para determinar a data dos papiros, os cientistas usaram uma técnica que permite descolar o papel das máscaras sem danificar a tinta. Dessa forma, os textos podem ser lidos com a mesma clareza.

Esse evangelho é uma das centenas de documentos que estão sendo analisados pela equipe de Evans, composta por mais de 30 especialistas.

"Estamos recuperando antigos documentos do primeiro, do segundo e do terceiro século depois de Cristo. Não só documentos bíblicos, mas também textos gregos clássicos ou cartas pessoais", explicou Evans, que revelou que alguns deles pertencem do poeta grego Homero, autor de grandes obras clássicas como "Ilíada" e "Odisseia".

No caso do fragmento do evangelho de São Marcos, foram analisadas também o design do projeto e as decorações da máscara, assim como o estilo da escrita e a datação do material, através do uso do isótopo carbono-14.

No final do ano, as descobertas serão divulgadas em uma revista especializada. Só então o público conhecerá qual o trecho do evangelho de São Marcos está escondido nos papiros da máscara egípcia.

A reportagem original da revista GalileuI, poderá ser vista por meio desse link aqui:


NOSSO COMENTÁRIO

Ficamos verdadeiramente penalizado por todos esses que fendem que os manuscritos dos livros do Novo Testamento foram inventados pela Igreja Católica Apostólica Romana por volta do século IV d.C.

Essa pessoa agora terão que lidar com um fragmento do evangelho de Marcos produzido entre os anos 80 a 90 d.C.

Que Deus abençoe a todos

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

ATOS DOS APÓSTOLOS — SERMÃO 002 - Lucas 1:1—4 — Atos 1:1 — INTRODUÇÃO AO LIVRO DOS ATOS DOS APÓSTOLOS - PARTE 002



https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSzK7_cGMZLArLAOz-B2LrDvIJT1imIjnFtOmBqbmoerdv16YG0
Esse material é parte de uma série de mensagens pregadas no Livro dos Atos dos Apóstolos. As mensagens cobrem todos os 28 capítulos do Livro de Atos e no final de cada mensagem, você poderá encontrar links para outras mensagens.

ATOS DOS APÓSTOLOS

SERMÃO 002 – INTRODUÇÃO AO LIVRO DOS ATOS DOS APÓSTOLOS 


Texto: Lucas 1:1—4 — Atos 1:1

Introdução.

A. Os dois tratados escritos por Lucas e endereçados a Teófilo são, acima de tudo, tratados históricos que possuem as seguintes características:
1. Foram cuidadosamente pesquisados junto daqueles que presenciaram os fatos acontecidos.

2. Foram, em parte, testemunhados pelo próprio autor.

3. Entre a revolução inglesa de 1688 e a revolução francesa de 1789 a filosofia dominante foi chamada de “Iluminismo”. Ela prometida livrar os seres humanos das garras da escuridão representadas pela superstição, e pela ignorância.
Immanuel Kant

4. Nos séculos XVIII e XIX, começando com Immanuel Kant e passando por Georg Hegel, as implicações filosóficas foram, rapidamente, espalhadas pelas “Artes”, pela “Música”, pela “Cultura Geral”, até atingirem a própria “Teologia”.
Georg Hegel 

4. As implicações filosóficas sobre a Teologia no século XIX podem ser vistas...

5. No movimento chamado de “Liberalismo Teológico”.

a. Esse movimento, seguindo o curso desse mundo daqueles dias, apesar de religioso, não acreditava em nada que fosse sobrenatural.
b. Para eles não existiam nem milagres nem revelação vinda da parte de Deus.

c. Tudo podia ser, perfeitamente explicado, apenas pelo conhecimento humano.
Charles Darwin

d. A Teoria da Evolução de Charles Darwin veio contribuir muito para que todos os aspectos dos estudos humanos fossem revisitados, utilizando-se os mesmos paradigmas que foram usados pelo biólogo inglês. Tudo devia ter uma explicação natural.
Ferdinand Christian Baur

6. O Alemão Ferdinand Christian Baur foi um dos muitos influentes teólogos daqueles anos. Ele lançou na lixeira o livro inteiro dos Atos dos Apóstolos, alegando que o mesmo não se tratava de documento histórico. Mas ele oferecia pouca ou quase nenhuma prova para o que dizia.



Sir William M. Ramsey

7. É, exatamente nessa junção, que surge um inglês, Sir William M. Ramsey. Nascido em Glasgow na Escócia, Ramsey foi professor universitário, tanto em Oxford, na Inglaterra, quanto em Aberdeen, na Escócia. Ele era seguidor apaixonado de F. C. Baur.

8. Aproveitando uma viagem acadêmica pelas ilhas gregas, ele chegou à antiga cidade de Esmirna — citada no livro do Apocalipse em 1:11 e 2:8.




Esmirna Moderna

9. Enquanto estava em Esmirna, Ramsey decidiu usar a oportunidade para, através de pesquisas naquelas regiões, provar que o Novo Testamento, em geral, e o livro de Atos, em particular, estavam repletos de erros históricos.

10. Suas descobertas, todavia, o deixaram desconcertado. Em cada local pesquisado, em vez de encontrar evidências para a falta de historicidade do Novo Testamento, ele se deparava com provas que apontavam para o outro lado.

11. Ramsey escreveu 10 livros narrando suas descobertas. Em seu Livro intitulado “The Bearing of Recent Discovery on the Trustworthiness of the New Testament — O Peso das Descobertas Recentes Quanto à Veracidade do Novo Testamento”, ele nos conta como suas idéias acerca da historicidade do Novo Testamento, foram modificadas pelas evidências descobertas, por ele mesmo, em seus estudos .


Coletânea dos livros de Sir William Ramsey

12. Ramsey se converteu a Jesus Cristo frente à monumental quantidade de evidências a favor da historicidade do Novo Testamento, especialmente do Livro dos Atos dos Apóstolos.

13. Em outro de seus livros, “Saint Paul, the Traveler and Roman Citizen — São Paulo, o Viajante e Cidadão Romano” — ele afirma que seu propósito era:

“Provar que Lucas era um historiador de primeira grandeza; que suas afirmações não eram apenas dignas de confiança, mas que ele — Lucas — possuía genuíno senso histórico. Lucas fixa sua mente na idéia e no plano que controla o desenvolvimento da história, e ajusta a escala da sua narrativa, de modo proporcional, à importância de cada incidente. Ele se apropria dos eventos mais importantes e demonstra a verdadeira natureza dos mesmos de maneira ampla, ao mesmo tempo em que pouco fala ou ignora por completo tudo aquilo que não tem valor para seus propósitos. Em poucas palavras, nós podemos dizer que: Lucas deve ser incluído entre os maiores historiadores de todos os tempos”.  

14. Diante dessa compreensão, é nosso desejo falar acerca de Lucas como...

HISTORIADOR, DIPLOMATA E TEÓLOGO

I. Lucas Como Historiador.
Concepção artística de Lucas

A. Lucas escreveu dois dos livros do Novo Testamento. São volumes extensos e representam 25% de tudo o que está contido nos textos da Nova Aliança.

B. Era costume naqueles dias, fazer o prefácio — porque escrevi esse livro — de múltiplos volumes, no primeiro volume. Sendo o Evangelho de Lucas o primeiro volume, é ali que vamos encontrar o prefácio daquilo que ele escreveu: Lucas 1:1—4

Visto que muitos houve que empreenderam uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram, conforme nos transmitiram os que desde o princípio foram deles testemunhas oculares e ministros da palavra, igualmente a mim me pareceu bem, depois de acurada investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito, excelentíssimo Teófilo, uma exposição em ordem, para que tenhas plena certeza das verdades em que foste instruído.

C. Vamos notar juntos, algumas dessas afirmações feitas por Lucas nos versos acima:

1. Em primeiro lugar ele nos diz que seu material trata-se de πράγμα prágma — aquilo que foi feito ou fatos consumados. 

a. Trata-se de fatos que se πληροφορέω pleroforéo – realizaram.

b. Mas esses fatos não se realizaram de forma inesperada ou acidental. A vida de Jesus e o surgimento da Igreja cristã aconteceram para cumprir as profecias do Antigo Testamento. 

2. Em segundo lugar, Lucas nos diz que consultou:

a. Testemunhas oculares dos fatos.

b. Aqueles que se tornaram servos da Palavra.

c. Aqueles que desde o princípio, acompanharam o ministério de Jesus: seus discípulos.

D. Além disso, Lucas menciona seu próprio trabalho, caracterizando-o como...

1. Acurada investigação de tudo.

E. Depois de constatar os fatos, de falar com as testemunhas e de fazer sua pesquisa veio, por fim, o documento escrito.

F. Por fim, Lucas declara que seu propósito era ajudar Teófilo e, qualquer outro leitor dos seus dois tratados, a terem “plena certeza das verdades em que foram instruídos”.

II. Lucas Como Diplomata
Império Romano

A. Quando Lucas escreveu seus tratados, o mundo daqueles dias era dominado pelo império Romano. Nada podia acontecer independente do conhecimento de Roma e, quando acontecia, se não agradasse a Roma, os indivíduos estavam sujeitos a pesadas represálias.
 
George Orwell 

B. Tudo era controlado pelo império. O “grande irmão” ou “big brother”, do romance “1984” de George Orwell, publicado em 1949, já estava ativo nos dias do império. Roma tinha “olhos” e “ouvidos” em todos os lugares. Nada escapava seu controle.

C. Sendo essas coisas assim, era necessário tomar muito cuidado com o que se escrevia. Por esse motivo, nós podemos notar as seguintes três características nos escritos de Lucas, com respeito aos dominadores daqueles dias:

1. Oficiais romanos são, geralmente, apresentados como amigos da fé cristã. Alguns chegaram mesmo a se converter:

a. O centurião romano aos pés da cruz de Cristo — Lucas 23:47: Vendo o centurião o que tinha acontecido, deu glória a Deus, dizendo: Verdadeiramente, este homem era justo.

b. O centurião Cornélio — a história da sua conversão está registrada em Atos 10 e será objeto de nossa atenção no futuro.

c. Sergio Paulo, procônsul romano na Ilha de Creta — Atos 13:12. Também iremos falar dele no futuro.

d. Outro centurião, chamado Júlio tratou Paulo com humanidade — ver Atos 27:2

2. As autoridades romanas não conseguem se convencer da culpa, nem de Jesus nem dos seus discípulos, mesmo diante de verdadeiras multidões de acusadores.

a. Nem Pilatos, governador da região da Judéia, onde ficava a cidade de Jerusalém, nem Herodes, o tetrarca da Galiléia, enxergaram nenhuma culpa em Jesus – ver Lucas 22:23.

 
Filipos

b. Em Filipos, as autoridades depois de terem mandado açoitar a Paulo e Silas e colocá-los no cárcere, foram depois, pedir desculpas pessoalmente pelos maus tratos — trataremos disso no futuro.
Ruínas de Corinto

c. Em Corinto, Gálio que era procônsul da região da Acaia, recusou-se a julgar Paulo — vamos falar mais acerca disso no futuro.

Colunada em Éfeso

d.Em Éfeso, o escrivão da cidade declarou Paulo e seus companheiros inocentes — mais sobre esse assunto no futuro.

e. Félix e Festo, sucessores de Pilatos, como governadores da Judeia, bem como o rei Agripa II, foram incapazes de condenar a Paulo. O último acabou por enviá-lo para Roma, para ser ouvido pelo próprio imperador — ver Atos 26:32
   
3. Em terceiro lugar, em nenhuma passagem, nos escritos históricos de Lucas, nós encontramos qualquer declaração de que a fé cristã não fosse considerada “religio licita”, i.e. uma religião aceita pelo império romano. Pelo contrário, a fé cristã é apresentada como a herdeira legítima das promessas feitas ao povo de Deus no Antigo Testamento.

III. Lucas Como Evangelista e Teólogo

A. Os escritos de Lucas são, marcadamente, caracterizados por uma sólida teologia da salvação, que tem sido, muitas vezes, chamada de “História da Salvação”, porque nela podemos identificar os grandes atos de Deus na história da humanidade.
B. Entre essas características nós podemos citar:
1. O Deus Criador é soberano sobre tudo e sobre todos e é Ele quem ordena os tempos e das épocas — ver Atos 1:7; 4:24; 14:15 e 17:24—27.
2. A salvação é algo que foi preparado e ordenado por Deus — ver Lucas 2:30—31.
3. A salvação é alcançada mediante a intermediação do homem e Filho de Deus, Jesus Cristo — ele é o mediador da Nova Aliança — ver Hebreus 8:6 e 9:15.
4. A salvação é oferecida a todas as pessoas, sem nenhum tipo de distinção ou preferências — ver Lucas 3:3—6; Atos 2:17 e note a ênfase na expressão: “toda carne”.
5. O “lugar” – τόποςtópos de Deus é Sua presença e não um local geográfico qualquer. Deus está onde Seu povo está — ver Mateus 18:20 e João 4:21—24. Deus não habita em casas feitas por mãos humanas — ver 1 Reis 8:27 e comparar com Atos 7:48—50.  

6. O povo de Deus é um povo peregrino — ver Atos 7:2, 4, 6, 29 43 e 48.
7. Descendência física de Abraão não é suficiente para garantir, nem constitui a base para a salvação de ninguém.
Conclusão:

1. Somos gratos pelas descobertas que historiadores, arqueólogos, linguistas e etc., fazem e que vêm corroborar ou confirmar o que está escrito nas páginas das Escrituras.

2. Mas, não é por causa deles que acreditamos em Deus e em Jesus Cristo.

3. Nós cremos porque aquilo que foi profetizado foi realizado, testemunhado, transmitido e investigado, foi escrito, sob inspiração do Espírito Santo de Deus, e está na Bíblia. É isso mesmo: nós cremos porque a Bíblia assim nos diz!

4. Lucas, em seus tratados, produz evidências de que:

a. A fé cristã não representava nenhum perigo para o império, porque alguns dos seus próprios oficiais haviam abraçado a mesma.

b. A fé cristã era inocente, porque os juízes romanos não conseguiam encontrar base para condenar seus membros.

c. A fé cristã era lícita, porque se tratava do verdadeiro cumprimento do judaísmo.

5. A promessa de Deus acerca da salvação é, nas palavras do apóstolo Pedro em 

Atos 2:39

Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar.

6. Que possamos ser revestidos de especial humildade e gratidão a Deus, por sua “tão grande salvação” – ver Hebreus 2:1—4.

OUTRAS MENSAGENS DO LIVRO DOS ATOS DOS APÓSTOLOS

SERMÃO 001 — INTRODUÇÃO AO LIVRO DOS ATOS DOS APÓSTOLOS — Lucas 1:1—4 e Atos 1:1—2

SERMÃO 002 — INTRODUÇÃO AO LIVRO DOS ATOS DOS APÓSTOLOS — PARTE 2 — Lucas 1:1—4 e Atos 1:1—2

SERMÃO 003 — A TRANSIÇÃO DO VOLUME ANTERIOR — Atos 1:1—5

SERMÃO 004 — A NOVA DIREÇÃO EXPLICADA — Atos 1:6—8

SERMÃO 005 — A ASCENSÃO DE JESUS — Atos 1:9—11

SERMÃO 006 — PERSEVERANDO UNÂNIMES — Atos 1:12—26

SERMÃO 007 — O DIA DO PENTECOSTES – PARTE 001 — Atos 2:1—4

SERMÃO 008 — O DIA DO PENTECOSTES – PARTE 002 — Atos 2:5—15

SERMÃO 009 — A PROFECIA DE JOEL — Atos 2:14—21

SERMÃO 010 — O PRIMEIRO SERMÃO — PARTE 001 — Atos 2:22—36

SERMÃO 011 — O PRIMEIRO SERMÃO — PARTE 002 — Atos 2:37—41

SERMÃO 012 — A VIDA DOS PRIMEIROS CRISTÃOS — Atos 2:42—47

SERMÃO 013 — A VIDA DOS PRIMEIROS CRISTÃOS — Atos 2:42—47 — PARTE 002

SERMÃO 014 — A CURA DE UM PARALÍTICO DE NASCENÇA — Atos 3:1—10

SERMÃO 015 — A EXALTAÇÃO DE JESUS E A CONDENAÇÃO DOS HOMENS — Atos 3:11—21

SERMÃO 016 — SALVAÇÃO E REFRIGÉRIO: BÊNÇÃOS DAS DUAS VINDAS DE JESUS— Atos 3:17—21

SERMÃO 017 — JESUS CUMPRE AS PROFECIAS DO ANTIGO TESTAMENTO — Atos 3:22—26

SERMÃO 018 — INÍCIO DAS PERSEGUIÇÕES — Atos 4:1—22

SERMÃO 019 — A IGREJA ORA EM COMUNHÃO — Atos 4:23—31

SERMÃO 020 — A IGREJA VIVE EM COMUNHÃO — Atos 4:32—37

SERMÃO 021 — ANANIAS E SAFIRA — Atos 5:1—11

SERMÃO 022 — A COMUNIDADE DOS CRENTES — Atos 5:12—16
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/11/atos-512-16-sermao-021-comunidade-dos.html

Que Deus abençoe a todos

Alexandros Meimaridis

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