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terça-feira, 2 de maio de 2017

REDE GLOBO PROCURA FABRICAR CONSENSO SOBRE SEUS PRÓPRIOS INTERESSES



Em 1995 eu tomei conhecimento sobre a existência de um professor do MIT chamado Noam Chomsky. Ele já era um senhor de cabelos grisalhos que só fazia palestras para auditórios onde as pessoas tinham que ficar em pé, com o intuito de permitir que um grupo maior de pessoas pudessem ouvir o que ele tinha que dizer. A partir daí me interessei por sua obra escrita e fui lendo diversas de suas obras. Foi lendo os livros de Chomsky que eu ouvi pela primeira vez o conceito de manufacturing consent ou fabricação de consenso, por meio de seu livro Manufactoring Consent — The Plitical Economy  of The Mass Media, ou Fabricando Consenso — A Economia Política da Comunicação em Massa — de autoria de Noam Chomsky e Edward S. Herman.

Hoje queremos repercutir um artigo escrito pelo professor Dr. Wilson Roberto Vieira Ferreira que trata do fato da Rede Globo estar fabricando consenso para defender seus — da Rede Globo — interesses. Recomendamos a todos a leitura do material abaixo.

Globo tenta abafar o barulho do seu silêncio na greve geral
 Por Wilson Roberto Vieira Ferreira

A Globo, acompanhada do restante da mídia corporativa, ressente-se de um cada vez mais grave processo de negação da realidade. Os sintomas são cada vez mais agudos, como demonstrou o silêncio dos últimos dias sobre a articulação da greve geral pelas centrais sindicais e movimentos sociais. Um silêncio bem barulhento, pois revelou a sua autoconsciência do poder de duas armas semióticas que sempre dispara em contextos de desestabilização política: a “profecia autorrealizável” e o “efeito copycat”. O constrangimento e “saia justa” dos apresentadores nas primeiras horas da manhã de sexta-feira — 28 de Abril — também revelou uma aposta: "as nossas armas semióticas são tão poderosas que, se ficarmos em silêncio, nada vai acontecer! Mas a negação tautista da mídia corporativa descobriu da pior forma possível que existe vida lá fora, no deserto do real.

Como de hábito esse humilde blogueiro enfrenta a perigosa missão de entrar em contato com o material altamente tóxico e volátil emitido diariamente pela mídia corporativa, em particular com as bombas semióticas disparadas pela vetusta TV Globo.

Como acompanhamos nos últimos tempos, uma emissora cada vez mais fechada em si mesma e alheia a transformações ao redor, inebriada com o seu poder de impor agendas, transformar interinos em presidentes e turbinar o narcisismo de policiais federais, juízes do STF e forças tarefas de moralização – chamamos isso de “tautismo” (tautologia + autismo), a doença dos sistemas que se fecharam em si mesmos - sobre esse conceito veja o arquivo pelo link abaixo:


Mas ontem, dia 28, foi no mínimo divertido acompanhar a verdadeira saia justa a que se submeteram os apresentadores de telejornais da grande mídia nas primeiras horas da manhã. Todos pareciam ser pegos de surpresa: terminais de ônibus vazios? Pneus queimando nas estradas? Trens e metrôs parados? O que está acontecendo?

Enquanto a Band mantinha o tom monocórdico que sustenta até agora (o “desafio” dos trabalhadores em chegar ao trabalho numa greve que só atrapalha), na Globo os momentos mais impagáveis ficaram com a dupla Rodrigo Bocardi e Gloria Vanique. Enquanto a apresentadora se agarrava na pièce de resistance do aeroporto de Congonhas que mantinha a normalidade dos pousos e decolagens, Bocardi tentava minimizar as imagens de incêndios e barricadas em ruas e estradas: “Não é uma greve geral! São apenas ALGUNS sindicatos... quer dizer, muitos...”, titubiava.

Bocardi: "sexta-feira amanheceu um dia diferente"

O termo “greve geral” era evitado. Falava-se em “manifestações”, “sindicatos” e “greve nos transportes”. A Globo ainda apostava no esvaziamento da greve geral. Só mais tarde, quando perceberam a intensidade das mobilizações e o alcance nacional, não teve jeito e começaram a anunciar a temida expressão “greve geral”.

O fato é que durante toda a semana simplesmente ignoraram o tema. Nenhuma notícia sobre a convocação da greve pelas centrais sindicais em protesto contra as reformas trabalhistas e previdenciárias impostas pelo governo do desinterino Temer.

Apesar do movimento ter alcance nacional, nem sob o ângulo da prestação de serviços para os telespectadores a grande mídia tratou o tema: haverá transportes na sexta-feira? Como ficarão os serviços públicos? Como sairei de casa?

Profecia Autorrealizável e a linguagem performática

Um silêncio “barulhento” porque repleto de significados: em primeiro lugar revela a parcialidade e partidarismo da mídia corporativa que insiste em fingir ser a vestal da ética e da imparcialidade jornalística.

E segundo, porque revela a autoconsciência do poder de duas armas semióticas que a própria Globo utilizou nos últimos anos para a desestabilização política e econômica que culminou no golpe: a profecia autorrealizável e o efeito copycat.

 

A mídia corporativa (e principalmente a TV Globo pelo monopólio da audiência) sabe que numa sociedade midiatizada a informação é muito mais do que um simples meio de transmissão de conteúdos. A linguagem não apenas representa, mas também transforma-se em ação, performatiza, faz coisas serem realizadas.

Por exemplo, o leitor deve lembrar da famosa sequência do filme Matrix quando Neo (Keanu Reeves) vai visitar o Oráculo e recebe uma advertência: “cuidado com o vaso”. “Que vaso?”, pergunta surpreso Neo, virando-se e esbarrando no vaso que cai para se quebrar no chão. O Oráculo não sabia que Neo quebraria o vaso. Mas foi sua advertência que fez a queda do vaso acontecer. Em outras palavras, o Oráculo não representou o futuro – fez o futuro acontecer através da função performativa da linguagem.

Como autores como Wittgenstein e Austin apontavam, a pragmática antecede a semântica. Antes do signo representar ele pede uma ação – leia WITTGENSTEIN, Ludwig. Investigações Filosóficas, Vozes e AUSTIN, J. Quando Dizer é Fazer, Artes Médicas, 1990.

A grande mídia nos últimos quatro anos bateu diariamente, manhã tarde e noite, o bumbo de uma suposta crise econômica descontrolada: desemprego, inflação, dívida pública, apagões etc. Se até 2012 o País tinha um “crescimento econômico invejável” e “decolava” com a entrada nos BRICS, como observava a revista The Economist, repentinamente tudo mudou como se tivesse virado um disco de vinil para o lado B. Da euforia para a catástrofe de uma hora para outra.

De tanto repercutir essa agenda, um dos quesitos essenciais para a consumação do golpe político, os agentes econômicos parece que acreditaram e a crise autorrealizou-se – contando ainda com o auxílio luxuoso da Lava Jato que destruiu a cadeia produtiva do óleo, gás, setor naval e construções gerando de uma hora para outra 600 mil desempregados.

Portanto, a grande mídia sabe que noticiar a articulação da greve geral pelos sindicatos e movimentos sociais poderia criar o efeito recursivo ou autorrealizável. Foi nesse silêncio que a TV Globo apostou. De forma alucinadamente tautista, as salas de guerra dos aquários de redação da Globo imaginaram: se ficarmos em silêncio, nada vai acontecer!

Mas a negação tautista da mídia corporativa descobriu da pior forma possível que existe vida lá fora, no deserto do real.


O efeito de imitação

Também Globo e a grande mídia que a acompanha sabem que, além do efeito autorrealizável das notícias, há também o chamado “efeito copycat”. Um efeito residual de imitação que acompanha a personificação das notícias - ou um tipo de jornalismo que procura “personagens” ao invés dos fatos.

Na ânsia em criar uma atmosfera de desestabilização política, o noticiário global deu espaço para manifestações de intolerância, ódio e preconceitos. Mesmo muitas vezes condenando, os telejornais abriram uma verdadeira Caixa de Pandora – o efeito copycat fez a psicologia do fascismo sair das sombras da vergonha para a claridade das telas de TV com bolsonaros e felicianos.

Seguido pelo efeito de imitação de protofascistas em redes sociais, espaços públicos das ruas, estações de metrô e manifestações políticas.

É visível o esforço da emissora em não personificar a greve geral – não há líderes ou pessoas, apenas “centrais sindicais”, “vândalos”, “grupos” ou “manifestantes”. A mídia corporativa sabe muito bem o alcance semiótico das armas que tem nas mãos e que sempre a utiliza nos momentos-chave de ação política: a profecia autorrealizável e o efeito copycat.

Metalinguagem e “mea culpa”

A Globo não foi pega de surpresa pela greve geral em si. Mas ficou surpresa em descobrir que existem movimentos autônomos lá no deserto do real, para além do sistema que criou fechando-se em si mesma.

Para reverter essa ironia patética, a Globo se viu obrigada a fazer uma caprichada cobertura ao vivo da greve geral ao longo de todo o dia – com direito a acompanharmos repórteres tossindo e sufocando pelo efeito dos gases das bombas lançadas pelos pelotões de choque da polícia.


Mais além, o Jornal Nacional tentou fazer uma espécie de metalinguagem da cobertura da greve geral como uma espécie de mea culpa do porquê manteve-se em silêncio todo esse tempo. “Todos os programas da manhã abriram espaço para flashs com informações...”, relatou a apresentadora Renata Vasconcellos como se, repentinamente por encanto, a Globo acordasse e desse um “show” de cobertura jornalística.

É o mesmo “sentimento de culpa” que parece dominar a emissora todas as vezes em que o tiro sai pela culatra, sempre produzindo minisséries sobre a época da ditadura militar para expiar o seu passado de franco apoio ao golpe de 1964..

Quando viu que o candidato que apoiou, Collor de Melo, estava com os dias contados para o impeachment, colocou no ar em 1992 a série Anos Rebeldes para criar a falsa imagem da imparcialidade sobre uma história de amor em plena repressão da ditadura militar.

Agora, a Globo lança outra minissérie, Os Dias Eram Assim, novamente sobre o tema da repressão militar em um momento agudo de críticas por todos os lados sobre a participação decisiva da emissora no golpe político de 2016.

Como sempre, a Globo tenta exorcizar as “hordas bárbaras” que avançam do deserto do real. Porém, dessa vez todo aparato metalinguístico não será suficiente para abafar o barulho do seu silêncio. 

O artigo original poderá ser visto por meio desse link aqui:


Que Deus tenha misericórdia de todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.

Rede Globo, Silêncio, Manipulação, Fabricação de Consenso, Negação da Realidade, Semiótica, Profecia Autorrealizável, Efeito Copycat, Imitação, Greve Geral, Euforia, Catástrofe,

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segunda-feira, 23 de maio de 2016

A SEMIÓTICA E O NOVO LOGO DO GOVERNO FEDERAL DE TEMER


Assim que iniciei meu curso de jornalismo tomei conhecimento da existência duma matéria chamada Semiótica, por meio da leitura dum livro de Umberto Eco, intitulado: A Estrutura Ausente.[1] A semiótica é assim definida pelo dicionário Dicio on line: s.f. Ciência que analisa todos os sistemas de comunicação presentes numa sociedade. Teoria de representação que, criada por Charles S. Pierce[2], considera os signos em seus modos de representações e de manifestações. Quinze anos após aquele início no curso de jornalismo, Joseph Campbel nos ajudou a entender a força das imagens e o que representam em sua obra clássica The Power of MythI.[3]



Nesses últimos dias tive minha atenção chamada pelo brilhante artigo escrito pelo Dr. Wilson Roberto Vieira Ferreira no qual analisa as mudanças realizadas no logo do governo federal pelo presidente interino Michel Temer. Segue o artigo:

Semiótica revela anomalias no logo do governo Temer
 Wilson Roberto Vieira Ferreira

Discursos podem mentir, mas as imagens não. Talvez porque a linguagem visual esteja próxima da lógica dos sonhos, ela pode revelar atos falhos e sintomas por trás dos simbolismos políticos e ideológicos. A marca visual criada pelo “novo” governo Temer pelo marqueteiro Elsinho Mouco obviamente é dominada por alusões aos simbolismos da bandeira nacional. Mas no meio do azul, verde, amarelo e branco saltam atos falhos análogos aos sintomas da psicanálise: estranhos domínios de cores, degradês e sólidos geométricos que, comparando as sucessivas marcas de governos anteriores, de Collor a Dilma, tornam-se “anomalias”. Quando a propaganda política dá o salto para convencer corações e mentes pode cair e quebrar o pescoço, revelando as verdadeiras intenções escondidas pelos símbolos.

Discursos e documentos políticos são repletos de tergiversações, eufemismos, camadas e mais camadas de retórica que escondem as verdadeiras intenções. O que torna a linguagem verbal opaca e de difícil interpretação ou desconstrução.

Ao contrário, produtos audiovisuais e imagens deixam transparecer atos falhos, índices, pistas que se revelam verdadeiros sintomas que podem traduzir o espírito do seu tempo.
Talvez porque as imagens trabalham com a mesma lógica dos sonhos: metáforas e metonímias ou “condensações e deslocamentos”, como Freud descrevia na sua interpretação dos sonhos.  Qualquer imagem (de fotografias ou pinturas até logotipos ou imagens publicitárias) opera por essa lógica onírica para conquistar corações e mentes. E nesse salto de propaganda para seduzir e convencer pode cair e quebrar o pescoço, deixando revelar atos falhos onde são reveladas as verdadeiras intenções.

Como toda peça de propaganda política, a marca ou identidade visual do “novo” governo do vice — agora-presidente-interino — em exercício, Michel Temer, idealizada pelo marqueteiro Elsinho Mouco também nos mostra essa dupla lógica da imagem: quer ser uma metáfora, um símbolo de uma plataforma política. Mas também revela sintomas, deslocamentos metonímicos, atos falhos que demonstram intenções mais profundas – aquilo que o discurso político sempre quer esconder.


Por que o verde desapareceu?

Como simbolismo, a marca criada por Mouco trabalha com elementos da bandeira nacional como o círculo celeste e a faixa com o lema “ordem e progresso”. Como propaganda política, quer evidentemente transferir a dignidade dos simbolismos republicanos para um novo governo tornando suas intenções mais “nobres e legitimas”. Assim como todas as outras marcas dos governos que antecederam, de Collor a Dilma.

Duas coisas chamam inicialmente a atenção: primeiro, o desaparecimento da cor verde (limitada à letra do lema “ordem e progresso”) pela primeira vez no histórico das marcas dos sucessivos governos que sempre contemplaram todas as cores da bandeira nacional de forma equilibrada – como podemos observar na série abaixo; e segundo, o domínio na composição da cor azul em degradê e do círculo celeste transformado em sólido geométrico que parece pairar muito próximo sobre a palavra “BRASIL” desenhada em extrusão (convertido de 2D para 3D), em perspectiva como se estivesse colocada em uma superfície sobre a qual paira o sólido.


Acima: governos Collor e Itamar Franco; no centro, governo FHC; abaixo governos Lula e Dilma

O interessante na percepção em semiótica são as chamadas “dominantes” seja de cor, textura, forma. Nesse caso temos a dominante da cor azul em degradê. Por que esse desequilíbrio na aplicação das cores da bandeira nacional olhando a série histórica das marcas? Estamos diante de um sintoma?

No simbolismo das cores o azul é a cor masculina – e ainda no contraste com o branco passaria os significados de “inteligência”, “racionalidade” e “concentração”, significados que no âmbito do senso comum seriam qualidades exclusivamente masculinas, contrastando com a “emotividade” feminina – leia HELLER, Eva, Psicologia das Cores, GG Brasil, 2012.

A nostalgia retro-futurista

Muitos analistas veem no ministério formado por Temer um retrocesso – eminentemente masculino, branco e rico, num país marcado pela diversidade étnica. Coincidência ou sintoma? O processo criativo da marca inconscientemente expressou essa realidade?

Mas se a cor em si é um simbolismo, o degradê é uma metonímia: dá uma aspecto 3D a dimensão plana onde repousam as palavras “Brasil Governo Federal” e confere volume à esfera azul. Se o azul expressaria um “retrocesso” (masculinização e homogeneidade étnica), esse efeito em 3D lembra outra coisa antiga: a estética “platinada”, metálica e artificial de Hans Donner.

A primeira impressão que se tem quando bate os olhos na marca é a velha identidade da TV Globo que marcou a emissora por décadas criada pelo designer austríaco nos anos 1970: mulheres metálicas e sólidos geométricos voando em círculos no vazio onde o efeito em degrade dava um aspecto de maior profundidade para o movimento das formas.

Nos anos 1970 os movimentos futuristas de esferas, cones e pirâmides na seminal computação gráfica das vinhetas criadas por Hans Donner dava uma atmosfera de “modernidade” para uma nova classe média que surgia no chamado “Brasil Grande” no Milagre Econômico da Ditadura Militar. 

O retro-futurismo de Hans Donner


Depois de décadas esse retro-futurismo tornou-se tão brega que a própria TV Globo abandonou a identidade visual space opera de Donner adotando uma estética mais “orgânica”: logos com desenhos em contornos estilo “hand shop”, bancadas e cenários dos programas abandonando o visual espaçonave para adotar pisos que simulam tábuas de madeira e uma paleta de cores sem mais o brilho metálico.

A classe média já não era mais a mesma dos anos 1970, mas agora a da Classe C com novos hábitos de consumo representado pelo “funk ostentação”.

As próprias marcas oficiais dos governos Lula e Dilma participaram dessa mudança visual quando adotaram uma paleta de cores pastéis com uma variedade cromática que ia além das cores da bandeira nacional para expressar a variedade étnica do País.

A marca que já nasceu velha

Ato falho no processo criativo de Elsinho Mouco? Uma identidade visual que já nasceu velha assim como o “novo” governo?

O logotipo parece dialogar com as pessoas que compartilham dessa mesma linguagem ultrapassada: aquelas que cresceram nas décadas de hegemonia global cuja visão de mundo foi moldada até hoje pelos telejornais. Mais do que isso, uma geração cuja mentalidade é formada pela tradicional mídia de massas. Bem diferente das novas gerações que abandonam a TV para trocá-las pelas mídias de convergência – smartphones, tablets e lap tops.

Temer dialoga com essa velha geração que quer ver novamente o País ser colocado nos trilhos dos quais jamais deveria ter saído – do neodesenvolvimentismo da era Lula para o desenvolvimento neoliberal de dependência externa. Da frigideira para cair no fogo.


Mas o que talvez seja mais perturbador na identidade visual de Elsinho Mouco é que diante de tantos sintomas e atos falhos talvez possa também expressar uma sinistra profecia: o lema de origem positivista “Ordem e Progresso” (da filosofia do Positivismo do século XIX de Augusto Comte até a influência na alta oficialidade do Exército Brasileiro no movimento Republicano) pairando sobre a palavra “Brasil”: para haver progresso é necessário haver ordem – uma ideologia de péssimas lembranças como a Ditadura Militar onde era necessário haver ordem a qualquer preço, mesmo que para isso fosse necessária a repressão violenta, perseguição e tortura.

A esfera (elemento visualmente pesado) paira sobre um bloco visualmente mais leve (as palavras “Brasil Governo Federal) em 3D fino como folha de papel. Além de subverter uma técnica Gestalt em comunicação visual (as formas mais “pesadas” ficam abaixo para ser base das formas mais leves) passa a ideia de uma bola de ferro “esmagando” ou “oprimindo”.

E ainda dentro do estilo retro-futurismo da marca do “novo” Governo, as palavras “Brasil Governo Federal” em perspectiva cria a imediata associação metonímica com os créditos iniciais da velha trilogia Star Wars. Mais um ato falho? A marca do “Império do Mal” e Temer o novo Darth Vader?

O artigo original poderá ser visto por meio desse link aqui:


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.


[1] Eco, Umberto. A Estrutura AusenteEditora Perspectiva, São Paulo, 7ª impressão - 4ª reimpressão, 2013.

[2]  Peirce, Charles S. Semiótica. Editora Perspectiva, São Paulo, 4ª impressão - 2ª reimpressão, 2015.

[3] Campbel, Joseph and Moyers, Bill.  The Power of Myth. Doubleday, Garden Grove, 1988.