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domingo, 27 de março de 2016

CRISE AFETA GRANDES ARRECADADORES DE DÍZIMOS E OFERTAS


Agenor Duque, auto-intitulado apóstolo, líder da Igreja da Plenitude, em crise econômica
Agenor Duque, autointitulado apóstolo, líder da Igreja da Plenitude

O artigo abaixo é de autoria de Ricardo Feltrin e foi publicado no site do UOL.

Crise derruba dízimos e já tira programação de igrejas da TV
Ricardo Feltrin

A crise econômica já afeta de forma profunda a sociedade, inclusive as igrejas evangélicas. Algumas denominações já demonstram isso de forma clara. A Igreja da Plenitude, do evangélico Agenor Duque, acaba de ficar fora do ar por uma semana no canal RBI, devido à falta de pagamento.

Já a Igreja Mundial de Valdemiro Santiago, vem "penando": perdeu praticamente todos os horários que comprava na RedeTV! -- também por atraso no pagamento -- e agora mal consegue manter sua emissora na TV fechada (Rede Mundial).

Ainda assim, logo que viu a crise do rival Duque, no final de fevereiro, Valdemiro tentou abocanhar o horário vago na RBI, mas a empreitada não vingou muito. A Mundial tem perdido fiéis principalmente para a Plenitude.

Nas últimas semanas a igreja de Valdemiro aumentou as campanhas e "desafios" (leia-se "carnês"), nos quais fiéis colaboram com uma doação "extra" mensal, que pode ser de R$ 200 a R$ 2000. A justificativa é que, sem doações, será impossível manter a TV Mundial no ar e as rádios.

Estima-se que a Mundial tenha ao menos R$ 11 milhões mensais fixos em aluguéis de horários em TVs, rádios e aluguel de templos. Aliás, há inúmeros casos de aluguel atrasados na Mundial país afora.

CRISE TAMBÉM DERRUBA A FÉ

Segundo levantamento desta coluna, essas duas igrejas -- Mundial e Plenitude -- estão aumentando o percentual de minutos/dia nos quais pastores e líderes pedem apoio aos fiéis para que os seus programas/canais não saiam do ar.

Fontes da RBI já haviam "vazado" um mês atrás, prevendo eventual calote, que a igreja de Agenor Duque já era dada como fora da grade a partir do início de março. Dito e feito.

O horário da Plenitude saiu da grade por mais de uma semana, mas agora voltou -- assim que pagou a dívida com a emissora. A igreja colocou sua primeira-dama, Ingrid Duque (mulher de Agenor), para agradecer "a todos que ajudaram" com doações para que "a obra continue".

Já Valdemiro está "proscrito" da TV aberta há quatro anos, desde que perdeu horários na Band e na RedeTV.

O líder da Mundial tem vivido na pele a mais madrasta das crises, aliada a uma inédita fuga de fieis.  E tudo começou com longa reportagem do "Domingo Espetacular" (Record), que denunciou o líder da Mundial por lavagem de dinheiro de fiéis, em 2012.

Ministério Público, polícia e -- o pior -- a Receita Federal causaram grande perda de patrimônio ao autointitulado apóstolo, que foi obrigado a vender bens e fazendas milionárias.

Só que também a Igreja Universal assiste à queda no pagamento de dízimos, mês a mês, desde o ano passado.

Pastores ouvidos nos últimos dois dias pela coluna sob a condição de anonimato confirmam a queda, mas afirmam que a orientação da direção da igreja, no momento, é "entender o momento econômico" e, ao contrário das demais, não forçar a doação, fazer exigências ou lançar grandes "desafios" aos fiéis.

A "IGREJA" DO JUSTIN BIEBER

A crise econômica também tem assustado a outras entidades religiosas internacionais, que previam desembarcar no Brasil (país conhecido pela intolerância política, mas respeito à liberdade de culto).

A musical e australiana Igreja Hillsong já deveria ter aberto seu primeiro templo na zona norte de SP em dezembro. Os planos agora são para julho.

RICARDO FELTRIN


Ricardo Feltrin, 51, é colunista do UOL, onde apresenta o programa Ooops! às segundas. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros.

O artigo original poderá ser visto por meio desse link aqui:


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Alexandros Meimaridis

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sábado, 27 de fevereiro de 2016

OS GRANDES EQUÍVOCOS DA TEOLOGIA DA PROSPERIDADE


Deus te ama e tem um plano maravilhoso para a tua vida. 

O artigo abaixo é da autoria do irmão Augustus Nicodemus Lopes.

Afinal, o que está errado com a teologia da prosperidade?

Apesar de até o presente só ter melhorado a vida dos seus pregadores e fracassado em fazer o mesmo com a vida dos seus seguidores, a teologia da prosperidade continua a influenciar as igrejas evangélicas no Brasil.

Uma das razões pela qual os evangélicos têm dificuldade em perceber o que está errado com a teologia da prosperidade é que ela é diferente das heresias clássicas, aquelas defendidas pelos mórmons e "testemunhas de Jeová" sobre a pessoa de Cristo, por exemplo. A teologia da prosperidade é um tipo diferente de erro teológico. Ela não nega diretamente nenhuma das verdades fundamentais do Cristianismo. A questão é de ênfase. O problema não é o que a teologia da prosperidade diz, e sim o que ela não diz.

1. Ela está certa quando diz que Deus tem prazer em abençoar seus filhos com bênçãos materiais, mas erra quando deixa de dizer que qualquer bênção vinda de Deus é graça e não um direito que nós temos e que podemos revindicar ou exigir dele.

2. Ela acerta quando diz que podemos pedir a Deus bênçãos materiais, mas erra quando deixa de dizer que Deus tem o direito de negá-las quando achar por bem, sem que isto seja por falta de fé ou fidelidade de nossa parte.

3. Ela acerta quando diz que devemos sempre declarar e confessar de maneira positiva que Deus é bom, justo e poderoso para nos dar tudo o que precisamos, mas erra quando deixa de dizer que estas declarações positivas não têm poder algum em si mesmas para fazer com que Deus nos abençoe materialmente.

4. Ela acerta quando diz que devemos dar o dízimo e ofertas, mas erra quando deixa de dizer que isto não obriga Deus a pagá-los de volta.

5. Ela acerta quando diz que Deus faz milagres e multiplica o azeite da viúva, mas erra quando deixa de dizer que nem sempre Deus está disposto, em sua sabedoria insondável, a fazer milagres para atender nossas necessidades, e que na maioria das vezes ele quer nos abençoar materialmente através do nosso trabalho duro, honesto e constante.

6. Ela acerta quando identifica os poderes malignos e demoníacos por detrás da opressão humana, mas erra quando deixa de identificar outros fatores como a corrupção, a desonestidade, a ganância, a mentira e a injustiça, os quais se combatem, não com expulsão de demônios, mas com ações concretas no âmbito social, político e econômico.

7. Ela acerta quando diz que Deus costuma recompensar a fidelidade, mas erra quando deixa de dizer que por vezes Deus permite que os fiéis sofram muito aqui neste mundo.

8. Ela está certa quando diz que podemos pedir e orar e buscar prosperidade, mas erra quando deixa de dizer que um não de Deus a estas orações não significa que Ele está irado conosco.

9. Ela acerta quando cita textos da Bíblia que ensinam que Deus recompensa com bênçãos materiais àqueles que o amam, mas erra quando deixa de mostrar aquelas outras passagens que registram o sofrimento, pobreza, dor, prisão e angústia dos servos fiéis de Deus.

10. Ela acerta quando destaca a importância e o poder da fé, mas erra quando deixa de dizer que o critério final para as respostas positivas de oração não é a fé do homem, mas a vontade soberana de Deus.

11. Ela acerta quando nos encoraja a buscar uma vida melhor, mas erra quando deixa de dizer que a pobreza não é sinal de infidelidade e nem a riqueza é sinal de aprovação da parte de Deus.

12. Ela acerta quando nos encoraja a buscar a Deus, mas erra quando induz os crentes a buscá-lo em primeiro lugar por aquelas coisas que a Bíblia constantemente considera como secundárias, passageiras e provisórias, como bens materiais e saúde.

A teologia da prosperidade, à semelhança da teologia da libertação e do movimento de batalha espiritual, identifica um ponto biblicamente correto, abstrai-o do contexto maior das Escrituras e o utiliza como lente para reler toda a revelação, excluindo todas aquelas passagens que não se encaixam. Ao final, o que temos é uma religião tão diferente do Cristianismo bíblico que dificilmente poderia ser considerada como tal. Estou com saudades da época em que falso mestre era aquele que batia no portão da nossa casa para oferecer um exemplar do livro de Mórmon ou da Torre de Vigia...

Postado por Augustus Nicodemus Lopes

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quarta-feira, 18 de março de 2015

FALSO MESTRE CREFO DOLLAR PEDE DINHEIRO PARA COMPRAR JATINHO



O pastor Creflo Dollar prega em Atlanta; ele quer doação para comprar um jato para o ministério dele. DIVULGAÇÃO/CREFLO DOLLAR MINISTRIES

O artigo abaixo foi publicado pela redação do site do UOL

Pastor evangélico pede dinheiro para comprar jato de R$ 212 milhões

Por REDAÇÃO, em 13/03/2015 · Atualizado às 15h11         

Um dos maiores pastores evangélicos dos Estados Unidos iniciou nesta sexta (13) uma campanha polêmica. Fundador da igreja World Changers International, Creflo Dollar está pedindo aos fiéis que o ajudem a comprar um jato de US$ 65 milhões (aproximadamente R$ 212 milhões). Ele estabeleceu uma meta: quer 200 mil pessoas contribuindo com US$ 300 (em torno de R$ 980) ou mais. Dollar é presença cativa nas manhãs de domingo em filiais da rede norte-americana CBS.

"Nós estamos pedindo aos membros, parceiros e colaboradores desse ministério que participem do Projeto G650", diz um comunicado publicado no site da igreja. "A missão dessa iniciativa é adquirir o jato Gulfstream G650 para que os pastores Creflo Dollar e Taffi [mulher do televangelista] possam continuar a espalhar a mensagem do Evangelho pelo mundo."

O Gulfstream G650 é o jato particular mais rápido do mundo e um dos mais procurados por executivos. Com 30 metros de comprimento e 7,82 metros de altura, atinge a velocidade de 956 km/h. O avião tem capacidade para até 18 passageiros, que têm acesso à internet, telefone, televisão, geladeira, micro-ondas e fogão.

O pedido do pastor norte-americano aos fiéis lembra o dos evangélicos brasileiros, que pedem dízimos exorbitantes para manter os programas religiosos no ar. Em 2013, o apóstolo Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus, chegou a fazer campanha para comprar o canal 32 UHF, antiga MTV, do grupo Abril.

Imagem de Creflo Dollar, com mensagem da campanha Projeto G650

Evangelho da discórdia

A principal linha doutrinária de Dollar é a Teologia da Prosperidade, que tem por base a riqueza material dos fiéis, alcançada pelas doações que fazem à igreja. O pastor é constantemente questionado se utiliza para benefício próprio o dinheiro que o ministério arrecada.

Em 2007, Dollar foi convocado pelo Senado dos EUA, junto com outros cinco televangelistas das chamadas megachurches (igrejas enormes, do tamanho de um ginásio esportivo), para apresentar balanços financeiros dos respectivos ministérios. Ele foi o único que se recusou a mostrar os documentos.

Em entrevista para a CNN na época, Dollar comentou que não havia qualquer desvio financeiro em sua igreja e defendeu sua vida luxuosa: uma mansão de R$ 8 milhões em Atlanta, um apartamento em Manhattan, Nova York, e um carro Rolls-Royce.

O artigo original do site do UOL poderá ser visto por meio desse link aqui:


NOSSO COMENTÁRIO

Como é fácil perceber, otários gananciosos dispostos a dar tudo o que têm para obter as bênçãos de Deus não é privilégio de membro apenas das nossa igrejas chamadas evangélicas. Eles estão por todo lado e inclusive falam em inglês, é em inglês – risos.

A TEMPO - Depois de duras críticas o pastor Dollar desistiu da compra, ao menos temporariamente!

Que Deus tenha misericórdia de tanta estupidez e abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS SOFRE DERROTA NO SUPREMO TRIBUNAL DO TRABALHO


Templo de Salomão, apesar de descaracterizado, todos sabem que é uma Igreja Universal do Reino de Deus

A notícia abaixo foi publicada pelo site do Supremo Tribunal do Trabalho

Pastor tem vínculo de emprego reconhecido com Igreja Universal

A Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho reconheceu o vínculo de emprego entre um pastor e a Igreja Universal do Reino de Deus por entender presentes requisitos caracterizadores, como horário definido para reuniões habituais, folga semanal, natureza não eventual do trabalho no gerenciamento da igreja e participação obrigatória em cultos e programas de rádio e TV, além de remuneração mensal, com subordinação a metas de arrecadação. Com isso o processo retornará ao Tribunal Regional de Trabalho da 9ª Região (PR) para que examine as verbas decorrentes dessa relação.

O pastor foi inicialmente contratado na função de obreiro em Curitiba (PR), com salário fixo e mensal. Dois anos depois passou a atuar como pastor, até a demissão sem justa causa, após 14 anos.

Ele disse na reclamação trabalhista que era obrigado a prestar contas diariamente, sob ameaças de rebaixamento e transferência, e tinha metas de arrecadação e produção. Também recebia prêmios, como automóvel ou casa, de acordo com a produtividade, e era punido se não cumprisse as metas. Sua principal função, segundo informou, era arrecadar, recebendo indicação para pregar capítulos e versículos bíblicos que objetivavam estimular ofertas e dízimos.

Cunho religioso

O pedido de reconhecimento de vínculo empregatício foi julgado improcedente pelo juízo de primeiro grau, com entendimento de que a atividade era de "cunho estritamente religioso", motivada por vocação religiosa e visando principalmente a propagação da fé, sem a existência da subordinação e a pessoalidade típicas da relação de emprego.
O Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (PR) manteve a sentença. Um dos fundamentos foi o de que o pastor ingressou na igreja "movido por fatores que não se coadunam com os econômicos", uma vez que, em sua ficha pastoral, consta como motivo de sua conversão "desenganado pelos médicos".

TST

Para o ministro Alexandre Agra Belmonte, relator do recurso do pastor ao TST, o desempenho da função para presidir cultos, com o auxílio de liturgia, por si só, não configura vínculo empregatício, nem o trabalho de distribuir ou recomendar literatura (folhetos, livros e revistas) e atuar na TV e rádio para disseminar a fé da igreja. Da mesma forma, o recebimento de remuneração, quando não objetiva retribuir o trabalho, e sim prover o sustento de quem se vincula a essa atividade movido pela fé, também não configura o vínculo de emprego, nos termos da Lei 9.608/98, que dispõe sobre o trabalho voluntário.

No caso, porém, o ministro assinalou haver fatos e provas fartas de elementos caracterizadores do vínculo, definidos no artigo 3º da CLT. "Diante desse quadro, a ficha pastoral de ingresso na instituição e de conversão à ideologia da igreja torna-se documento absolutamente irrelevante, uma vez que o seu conteúdo foi descaracterizado pelos depoimentos, sendo o contrato de trabalho um contrato realidade, cuja existência decorre do modo de prestação do trabalho e não da mera declaração formal de vontade", afirmou.

 (Lourdes Côrtes/CF)

Processo: RR-1007.13.2011.5.09.0892

O TST possui oito Turmas julgadoras, cada uma composta por três ministros, com a atribuição de analisar recursos de revista, agravos, agravos de instrumento, agravos regimentais e recursos ordinários em ação cautelar. Das decisões das Turmas, a parte ainda pode, em alguns casos, recorrer à Subseção I Especializada em Dissídios Individuais (SBDI-1).

NOSSO COMENTÁRIO

É mesmo uma enorme vergonha o que as grandes igrejas em geral fazem com seus pastores. Geralmente trabalham sem registro, sem direito a férias, sem o benefício do Fundo de Garantia por Tempo de serviço e outros benefícios eventuais. Talvez com esse processo tenha chegado a hora para nossos legisladores criarem leis que coloquem pressão por uma maior justiça social para todos os que se esfalfam a favor de instituições religiosas.

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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quarta-feira, 20 de agosto de 2014

POLÍTICA DA SALVAÇÃO

Templo de Salomão, recém-inaugurado em São Paulo, torna-se o mais vistoso símbolo da participação evangélica na esfera pública brasileira

O material abaixo foi publicado no site do jornal Zero Hora:

Política da salvação: novas estratégias e mudança de perfil marcam o avanço dos evangélicos

por Letícia Duarte — colaborou Paulo Germano
09/08/2014 | 18h01

Política da salvação: novas estratégias e mudança de perfil marcam o avanço dos evangélicos Marcos Porto/Agencia RBS
Política da salvação: novas estratégias e mudança de perfil marcam o avanço dos evangélicos Foto: Marcos Porto / Agencia RBS

Se nos anos 1990 a Igreja Universal do Reino de Deus ganhava destaque no Jornal Nacional pelos chutes de um pastor na estátua de uma santa católica ou por gravações de Edir Macedo ensinando discípulos a arrecadar doações dos fiéis, a instituição que agora chegou às páginas do New York Times ostenta uma nova imagem.

Ao afirmar que o recém-inaugurado Templo de Salomão faz o "icônico Cristo Redentor do Rio de Janeiro, que tem apenas metade da altura, parecer um enfeite em comparação", um dos jornais mais respeitados do mundo reconhece não apenas a magnitude da obra, mas as novas bases que sustentam a ascensão evangélica no país.

Com referências do Antigo Testamento e ares de profetismo – reforçados pela barba branca que Edir Macedo deixou crescer no ano passado como um "voto" de espera pelo templo –, o visual repaginado da Universal foi minuciosamente planejado. De olho na classe média emergente, o movimento busca acrescentar consistência simbólica à escalada pentecostal na sociedade brasileira. Ao erguer uma réplica do espaço sagrado do judaísmo numa área equivalente a cinco campos de futebol, hastear a bandeira de Israel na inauguração da sede de R$ 680 milhões e adorná-la com símbolos judaicos, como os menorás (candelabros de sete pontas) que decoram as paredes do templo, a Universal passa a reivindicar também o seu quinhão na "terra santa". Um ambiente bem diferente de sua fundação, em 1977, em um coreto na periferia do Rio.

Naqueles tempos de vacas magras, não demorou a aparecer o debochado apelido de "supermercado da fé". Uma alusão não apenas aos galpões onde os cultos ocorriam, com placas de néon piscando nas fachadas, mas também à teologia da prosperidade – uma marca da Universal reprovada por protestantes mais tradicionais –, que promete curas e glórias materiais em troca de dízimos.

– Por outro lado, a Igreja Católica sempre ocupou os ambientes mais nobres da cidade, com sedes em praças públicas ou ao lado das prefeituras – lembra Ricardo Mariano, professor da Universidade de São Paulo e pós-doutor em Sociologia da Religião. – De 15 anos para cá, a Universal vem erguendo catedrais para obter maior respeitabilidade e legitimidade.

O faraônico Templo de Salomão surge como ápice dessa demonstração de força. Para o sociólogo Clemir Fernandes, pesquisador do Instituto de Estudos da Religião (Iser), a Universal muda sua identidade porque os fiéis também mudaram. Além de os antigos adeptos terem sido beneficiados pelo avanço econômico da classe C, a instituição cobiça novos públicos. -

– A igreja agora busca uma tradição, e essa tradição é ressignificada à luz de seus interesses. Como não tem história, precisa se embasar no que é sólido, apoiando-se na tradição judaica – analisa Clemir.

Embora a Igreja Universal tenha perdido 200 mil fiéis no último censo de 2010 em relação ao anterior, disputando espaço com uma dissidência, a Igreja Mundial do Poder de Deus, os evangélicos têm hoje uma representatividade inédita. Na contagem do IBGE, saltaram de 2,61% da população, em 1940, para 22,16% em 2010. No Congresso, a Frente Parlamentar Evangélica reúne 70 deputados e três senadores - e a tendência é de aumento. Nas eleições deste ano, o número de candidatos pastores cresceu 40%, saltando de 193 para 270, enquanto apenas 16 concorrentes se apresentam como "padres", uma queda de 30% em relação ao pleito anterior, conforme os registros do Tribunal Superior Eleitoral. Não por acaso, todos os candidatos fazem adequações no discurso para contemplar os evangélicos – como a presidente Dilma Rousseff, que, diante de fiéis da Assembleia de Deus na sexta-feira, afirmou que "todo dirigente precisa da graça de Deus".

Conhecida por posturas conservadoras nos campos moral e sexual, com apoio de católicos em temas como a proibição do aborto, a bancada evangélica aos poucos espicha seu olhar. Professor da PUC Goiás, o cientista das religiões Alberto da Silva Moreira observa que a aproximação dos pentecostais com o judaísmo não se dá apenas no campo simbólico: também estreitam laços com Israel na esfera política. Uma expressão disso seriam as manifestações de líderes evangélicos contra a condenação do governo Dilma à ofensiva israelense em Gaza - que incluíram um protesto com cerca de 80 devotos diante do Ministério das Relações Exteriores.

– Isso significa que igrejas como a Universal estão se alinhando em bloco com a direita cristã conservadora filo-israelense. É o mesmo que faz a direita cristã dos Estados Unidos – analisa Moreira, recordando que a defesa de boas relações com Israel é ao mesmo tempo uma forma de defender a continuidade do rentável turismo de crentes à Terra Santa.

Mas seria um erro imaginar que a bancada evangélica funciona como um coral afinado de mãos erguidas o tempo todo. No dia a dia, divisões internas e interesses particulares separam os congressistas de diferentes igrejas, o que limita seu poder. Autor do livro Mercado Religioso Brasileiro: do Monopólio à Livre Concorrência (Nelpa, 2012) e professor da Universidade Federal do Maranhão, o sociólogo Gamaliel da Silva Carreiro identifica que a maioria dos eleitos por voto evangélico está ali para defender interesses miúdos dos setores que representam, como uma concessão de rádio ou um terreno para a nova igreja, e não para pensar um projeto de país.

– Eles têm dificuldade em pensar o Brasil. Pensam pequeno. Só conseguem se organizar quando há temas muito contraditórios que afrontam valores cristãos – afirma Carreiro.

Na avaliação do pesquisador, há preconceito em parte das críticas à atuação política dos evangélicos, já que a organização em defesa de interesses particulares é considerada legítima quando se trata de outros grupos, como a bancada ruralista ou os metalúrgicos. Lembrando que os católicos historicamente exercem grande influência política, Carreiro cita um conceito do sociólogo alemão Norbert Elias para explicar a diferença atual entre o poder dos dois grupos: enquanto os católicos são os "estabelecidos", seus concorrentes ainda são "outsiders".

– Por mais que os evangélicos venham crescendo, eles ainda são outsiders, e a sociedade sempre desconfia de outsiders. Como a Igreja Católica está estabelecida por muito tempo, os católicos têm confiança e credibilidade junto ao Estado, com muitos recursos destinados a ONGs católicas. A vinda do Papa, por exemplo, recebeu muitas verbas do Estado – compara Carreiro.

A associação entre fé e política no Brasil remonta ao período colonial. Como observa a cientista da religião Sandra Duarte de Souza, professora do programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Universidade Metodista, a Igreja Católica foi essencial para legitimar o projeto colonizador. E essa influência sobrevive até hoje, apesar da laicidade, consagrada pela Constituição de 1891.

– O problema que a gente enfrenta é que a confissão religiosa de alguns acabe sendo imposta para todos. O Estado tem que cuidar de todos, mas isso não é possível quando uma bancada impede. O risco é que a religião se sobreponha à cidadania e obstaculize políticas públicas – preocupa-se Sandra.

Mas até que ponto pode chegar a influência evangélica? Apesar da curva ascendente, o professor Eduardo de Quadros, do Programa em Ciências da Religião da PUC Goiás, não acredita em riscos à democracia. Por mais que seus membros atuem na arena política, o projeto pentecostal teria um recorte mais individualista, associado ao mercado.

– Talvez a Universal seja a maior multinacional brasileira, presente nos cinco continentes. Nenhuma empresa nacional fez esse sucesso em tão pouco tempo. É a empresa de salvação – analisa Quadros. Na era do consumo, nada mais oportuno do que a fé ostentação.

PARTIDOS

Partido Republicano Brasileiro (PRB)

Braço político da Igreja Universal, tem como expoente o bispo Marcelo Crivella, sobrinho de Edir Macedo. Senador eleito, Crivella foi ministro da Pesca e hoje concorre ao governo do Rio.

Partido Social Cristão (PSC)

Ligado à Assembleia de Deus, lançou Pastor Everaldo como candidato a presidente, embora seu nome mais conhecido seja Marco Feliciano. Em março, insatisfeito com o espaço no governo, o partido rompeu com Dilma Rousseff.

Partido da República (PR)

Abrange filiados das igrejas Batista, Universal, Assembleia de Deus e várias outras. Presbiteriano, o ex-governador do Rio Anthony Garotinho integra a legenda. Tiririca, embora nada tenha a ver com os evangélicos, busca a reeleição pelo PR.

Outras legendas

A influência evangélica não se restringe a três partidos. Há representantes em praticamente todas as siglas – uma mostra disso é a eclética Frente Parlamentar Evangélica.


O material original do site do Zero Hora poderá ser visto por meio desse link aqui:


Alexandros Meimaridis

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segunda-feira, 24 de março de 2014

IGREJA METALEIRA



Nos dias atuais estamos vivendo uma verdadeira explosão de surgimento de novas igrejas. Entre as mais novas, uma nos chamou a atenção via um artigo publicado pela pelo site da Folha de São Paulo. Trata-se da Crash Church nome mais apropriado para algum lugar do Texas nos EUA do que para a cidade de São Paulo. Segundo seu pastor, Antonio Carlos Batista, a expressão “Crash Church” é traduzida como “Igreja do Impacto” apesar de “impacto” não ser uma das opções de tradução para crash. Mas música barulhenta, tipo metaleira, consta nos dicionários sob o verbete “thrash”.

De acordo com a reportagem da Folha o pessoal da Crash Church encontra-se sob um fogo cruzado. Eles ao acusados pelos chamados evangélicos de cultuarem a Satanás, o que não passa de uma grande bobagem. Deus não está interessado no som ou barulhos e sim nos corações. Já para as bandas de metaleiros eles não passam de um grupo de “metaleiros” bem comportados, algo que vai na contra mão da verdadeira cultura “trash” ou Lixo.

http://guilhermestoner.files.wordpress.com/2012/01/fachada_crash.jpg
Foto Raquel de Araujo

A igreja está localizada no Alto do Ipiranga desde 2006, num prédio todo pintado de preto com uma placa indicando “Crash Church”. Do lado de dentro as paredes estão cheias de grafites, como convém ao local. Existe um salão com um palco que é usado pela banda e pelo pregador. A música é estridente e os cantores, claro, não cantam, mais berram. Quando alguém fala existe sempre um acompanhamento de alguma guitarra pontuando o que está sendo dito. Ah! Sim o nome da Banda é AntiDemon, algo que deve parecer óbvio. As luzes se apagam e o pastor surge no palco de onde ordena que as pessoas se abracem. Existe certa comoção, gritos de Aleluia e glória a Deus podem ser ouvidos.

Seu pastor, Antônio Carlos Batista, que é também o fundador da mesma se queixa do duplo preconceito de que são vítimas. Mas o negócio deles é oferecer uma alternativa — apesar de existirem tantas outras — para quem não quer adorar o Senhor vestindo terno e gravata e outras limitações impostas, especialmente sobre as mulheres que não passam do mais puro legalismo. O pastor Antonio Carlos Batista tem o hábito salutar de cumprimentar, individualmente, todos os que visitam a igreja pela primeira vez.

O pastor também é vocalista da banda de rock gospel AntiDemon, que já viajou por 31 países
Foto: Folhapress
 
A congregação não é muito grande e sua frequência gira em torno de 50 pessoas com os adereços típicos dessa subcultura: tatuagens, roupas rasgadas, piercings, cabelos compridos, cabelos tingidos, etc.

Como qualquer evangélico o pessoal da Crash Church não fuma, nem consome álcool e usam a indefectível frase nesses contextos: “Jesus é nossa droga”, que se trata de uma frase de gosto muito duvdoso.

Como outra igreja qualquer a Crash Church também tem seu momento de coletar os dízimos, geralmente antecedido por algum testemunho. Os envelopes, já dá para sacar, também são totalmente pretos.

Depois da coleta o culto segue, geralmente, por mais duas horas. O pastor Antonio Carlos Batista fala palavras de incentivo acerca de luta do cristão contra Satanás.

Além dos metaleiros em geral, os gays também são bem bem-vindo, apesar do pastor deixar bem claro que não aceitam um “terceiro sexo”. Gays são bem recebidos porque como quaisquer outros pecadores eles precisam do amor de Deus e de ajuda.

E é assim que o evangelho vai sendo pulverizado. A ideia de Jesus de uma igreja una virou uma verdadeira quimera por causa do nosso próprio pecado que nos divide em multidões de tribos e cada uma dessas tribos imagina ter sua própria igreja. Pena.

Que Deus Abençoe a todos.

Hoje recebemos um comentário do irmão Leandro Calejon, nos chamando a atenção para certos detalhes do artigo acima. Como nosso artigo foi baseado em uma reportagem publicada pela Folha de São Paulo, estamos publicando o comentário do irmão Calejon, porque desejamos que a justiça seja estabelecida entre muito do que foi realmente dito e a forma como o material foi editado pela Folha de São Paulo. Segue o comentário do irmão Calejon:

Leandro Calejon: apesar de algumas coisas que foram modificadas no texto necessitarem de ser explicadas... em: "fazer parte da cultura trash "(lixo ) ... o correto é "thrash" (estilo musical que remete ao som de um bate estacas.. bordão usado nos estados unidos para se referir ao estilo musical) ... sobre o "nosa droga é Jesus" .. a frase real foi "sou viciada em Jesus"... "na frase .. "os homosexuais são bem vindos pois são pecadores como todos " .. esta frase não existe ... foi editada.. o que foi dito foi ... homosexuais são bem vindos.. na matéria tbm foi perguntado : "vcs concordam com o homosexualismo? " e a resposta foi: "não, mas homosexuais são bem vindos"... edições de mídias muitas vezes tentam difamar os locais que foram procurados para serem entrevistados. 

Alexandros Meimaridis

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sábado, 7 de setembro de 2013

A COMPLETA ABOLIÇÃO DO DÍZMO NOS DIAS DA NOVA ALIANÇA


Resultado de imagem para dízimo cristão

ATENÇÃO: Para entender melhor o assunto abaixo é muito recomendável que o leitor se familiarize com o artigo anterior que pode ser acessado pelo link abaixo:


O QUE A BÍBLIA ENSINA SOBRE O DÍZIMO?

I. Malaquias foi o último profeta do cânon do Antigo Testamento. Ele profetizou para os judeus que haviam retornado do exílio babilônico, provavelmente entre os anos 432—425 a.C.

II. A profecia era, portanto dirigida para os judeus dos seus dias, acima de tudo. Naqueles dias, as pessoas ainda estavam vivendo sob os regulamentos da Antiga Aliança que requeria o pagamento dos dízimos em mantimentos do campo e em animais do pasto conforme podemos ver na seguinte passagem:

A. Levítico 27:30—32

30 Também todas as dízimas da terra, tanto dos cereais do campo como dos frutos das árvores, são do SENHOR; santas são ao SENHOR.

31 Se alguém, das suas dízimas, quiser resgatar alguma coisa, acrescentará a sua quinta parte sobre ela.

32 No tocante às dízimas do gado e do rebanho, de tudo o que passar debaixo do bordão do pastor, o dízimo será santo ao SENHOR.

Esses versos nos ensinam que, durante os dias da Antiga Aliança, todo judeu estava obrigado:

1. Trazer o dízimo da produção do campo e das árvores frutíferas para apresentar diante do Senhor.

2. No verso 31 existe uma verdade muito importante, mas rigorosamente ignorada pelos lobos gulosos e pessoas que pregam contra o dízimo. Essa verdade é a seguinte: se qualquer judeu não quisesse se dar ao trabalho de levar seus dízimos de cereais, frutas e animais até o local determinado pelo Senhor, ele poderia trocar as mercadorias por dinheiro, mas ao fazer isso, ele precisava acrescentar uma espécie de multa no valor de 20% da avaliação do dízimo devido.

3. Quanto aos animais, o judeu deveria contar seus animais e retirar 1 a cada 10 contados. Se o indivíduo tivesse 10 ovelhas o dízimo era de uma ovelha. Se ele tivesse 19 ovelhas o dízimo também era de uma ovelha e assim sucessivamente. Preste bastante atenção nesse fato.

Levitas

B. Números 18:24

Porque os dízimos dos filhos de Israel, que apresentam ao SENHOR em oferta, dei-os por herança aos levitas; porquanto eu lhes disse: No meio dos filhos de Israel, nenhuma herança tereis.

De acordo com esse verso os dízimos deveriam ser pagos, exclusivamente aos levitas e a ninguém mais. O mesmo servia para sustentar aqueles que trabalhavam, primeiro no tabernáculo e depois no templo. Por esse motivo o profeta Malaquias fala em “mantimento em minha casa”. É óbvio que o mantimento não era para as edificações em si mesmas e sim para aqueles que nelas trabalhavam. Malaquias faz uso de uma figura de linguagem que chamamos de metonímia onde os levitas podem ser substituídos pela expressão “minha casa”.

C. Levítico 16:26—28

26 Também falarás aos levitas e lhes dirás: Quando receberdes os dízimos da parte dos filhos de Israel, que vos dei por vossa herança, deles apresentareis uma oferta ao SENHOR: o dízimo dos dízimos.

27 Atribuir-se-vos-á a vossa oferta como se fosse cereal da eira e plenitude do lagar.

28 Assim, também apresentareis ao SENHOR uma oferta de todos os vossos dízimos que receberdes dos filhos de Israel e deles dareis a oferta do SENHOR a Arão, o sacerdote.


Sacerdote

Os levitas, por sua vez, conforme os versos acima estavam obrigados a retirar um dízimo dos dízimos recebidos e ofertá-lo para o sustento dos sacerdotes.

D. Deuteronômio 14:28—29

28 Ao fim de cada três anos, tirarás todos os dízimos do fruto do terceiro ano e os recolherás na tua cidade.

29 Então, virão o levita (pois não tem parte nem herança contigo), o estrangeiro, o órfão e a viúva que estão dentro da tua cidade, e comerão, e se fartarão, para que o SENHOR, teu Deus, te abençoe em todas as obras que as tuas mãos fizerem.

Note que essa é outra passagem também é ignorada pelos lobos gulosos. Por quê?

1. Porque uma vez a cada três anos os dízimos não deveriam ser levados para os levitas, mas armazenados na própria cidade onde foram produzidos.

2. Isso devia ser feito para alimentar os levitas do local, o estrangeiro, o órfão e a viúva.

3. Se teu pastor insiste na obrigatoriedade do pagamento do dízimo, deixe claro que você tem todo o direito, garantido pela própria Bíblia, de ficar 1 em cada 3 anos sem contribuir com a igreja!!
Cremos que essas informações são suficientes para se provar que a prática dos dízimos adotada pela maioria das igrejas chamadas evangélicas está completamente equivocada.

III. Mas, alguém poderia perguntar: e as palavras de Jesus em Mateus 23:23, não provam que precisamos pagar os dízimos? Primeiro vejamos o que o texto diz:

A. Mateus 23:23

Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas!

Novamente temos que analisar esse verso em seu contexto e dar especial atenção quanto ao TEMPO em que essas palavras foram proferidas.

1. Quando Jesus proferiu essas palavras ainda estava em vigor a Antiga Aliança, como seus regulamentos conforme mostramos acima. Mas em poucos dias Jesus faria uma Nova Aliança com a nação de Israel e que se estenderia a todos os povos, conforme podemos ler em:

B. Jeremias 31:31—32

31 Eis aí vêm dias, diz o SENHOR, em que firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá.

32 Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porquanto eles anularam a minha aliança, não obstante eu os haver desposado, diz o SENHOR.

Note que a necessidade maior de se firmar uma Nova Aliança era o fato de que a Antiga Aliança foi anulada pelo comportamento reprovável do povo de Israel.

C. Mateus 26:26—28

26 Enquanto comiam, tomou Jesus um pão, e, abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo.

27 A seguir, tomou um cálice e, tendo dado graças, o deu aos discípulos, dizendo: Bebei dele todos;

28 porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados.

Poucas horas depois dessas palavras serem proferidas a morte de Cristo sobre a cruz no Monte Calvário, concretizou a Nova Aliança, que foi colocada em pleno vigor por meio da ressurreição do Senhor, Sua ascensão ao céu e o consequente derramamento do Espírito Santo no Dia do Pentecostes, que criou a igreja, o corpo de Cristo. Corpo esse do qual o próprio cristo é a cabeça.

2. O dízimo era tanto uma instituição do Antigo Testamento ou da Antiga Aliança que a expressões “dízimo” só ocorre no Novo Testamento nos Evangelhos — maior parte ainda atrelada à Antiga Aliança — e na Epístola aos Hebreus, em contextos que estão claramente descrevendo as condições que existiam sob a Antiga Aliança. Com a palavra “dízimos” a coisa fica ainda mais complicada, pois a mesma não ocorre nenhuma vez no Novo Testamento com exceção de 3 vezes, todas na Epístola aos hebreus e nas mesmas condições da expressão no singular.

O dízimo foi tão abolido, mas tão abolido pela obra de Jesus que o mesmo não é citado no livro de Atos, em nenhuma epístola de Paulo, não é mencionado nem por Tiago, Pedro, João e Judas em suas epístolas. E, definitivamente, o mesmo não aparece nem no singular nem no plural no livro do Apocalipse.

IV. Isso se deve, basicamente, aos seguintes fatos:

A. João 4:19—26

19 Senhor, disse-lhe a mulher, vejo que tu és profeta.

20 Nossos pais adoravam neste monte; vós, entretanto, dizeis que em Jerusalém 
é o lugar onde se deve adorar.

21 Disse-lhe Jesus: Mulher, podes crer-me que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai.

22 Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus.

23 Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores.

24 Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.

25 Eu sei, respondeu a mulher, que há de vir o Messias, chamado Cristo; quando ele vier, nos anunciará todas as coisas.

26 Disse-lhe Jesus: Eu o sou, eu que falo contigo.

Note as seguintes verdades:

1. O templo seria abolido e, consequentemente, todo serviço nele prestado e não haveria mais lugar de serviços para os levitas. Portanto, o dízimo também estaria abolido. Isso tudo se realizou, de modo definitivo, quando o General Tito destruiu a cidade de Jerusalém e o seu templo no ano 70 d. C. A partir daí a religião judaica deixou de ser uma religião sacerdotal para tornar-se uma religião rabínica.

2. Templos não são mais necessários, pois o povo de Deus pode se reunir em qualquer lugar, pois Deus está procurando adoradores e não lugares de adoração.

3. Os adoradores podem ser apenas 2 ou 3 o que não justifica arrancar o couro das ovelhas para se construir igrejas cada vez maiores sob a alegação que:

i. A glória da segunda casa será maior do que da primeira e outras bobagens.

ii. Construímos esse templo magnífico para a honra e glória de Deus. Esqueça. Deus está interessado em pessoas e não em prédios.

B. Romanos 10:4

Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê.

A questão toda é: você crê? A maioria não crê e por isso, continua escravizadas a esquemas vencidos e abolidos.

C. Hebreus 7:12

Pois, quando se muda o sacerdócio, necessariamente há também mudança de lei.

1. O sacerdócio, com a vinda de Cristo foi mudado. Deixou de ser segundo a ordem de Levi e passou a ser segundo a ordem de Melquisedeque.

2. Com a mudança de sacerdócio tornou-se obrigatória a mudança da Lei da Antiga Aliança que foi substituída pelos mandamentos da Nova Aliança.

Todavia, é importante deixarmos bem claro, que apesar da Lei da Antiga Aliança ter sido abolida e, junto com ela, a obrigatoriedade do dízimo, nós como cristãos recebemos do Senhor uma nova forma e novos critérios para sustentar a obra de Deus. Tais ensinamentos se encontram em 2 Coríntios capítulos 8 e 9. Mas falaremos disso no próximo artigo.

Grande Abraço e que Deus possa abençoar a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.