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quarta-feira, 5 de outubro de 2016

CONFORTO PARA CORAÇÕES AFLITOS - SERMÃO 001 — CONFIANDO NA PRESENÇA DE JESUS


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Esta é uma série que trata do maravilhoso tema de como Jesus conforta seus discípulos em meio às tribulações dessa vida. Ao compartilhar esses estudos nossa intenção é que todos possam encontrar em Jesus, o conforto necessário para todas suas tribulações.


Texto: João 14:1
Introdução.

A. Com esta série queremos nos concentrar num conjunto de mensagens de consolação ou fortalecimento da nossa fé. 
B. Para isso, nos vamos nos voltar para dois capítulos do Evangelho de João que tratam, de modo específico, do grande consolo e conforto que o Senhor Jesus ofereceu aos discípulos, mas que também serve bem para nós. 
C. As passagens de João 14 e João 16, que serão objeto dessas mensagens, contêm vários versículos que são muito bem conhecidos de todos nós. Alguns dentre nós que ainda não estão familiarizados com os mesmos, não demorarão muito para conhecer, amar e entesourar esses versos. 
D. Todo o conteúdo que encontramos de João 13:1 até João 17:26, nos apresenta uma narrativa contínua das últimas horas do Senhor Jesus com seus discípulos, na véspera da Sua crucificação. 
E. Durante aquelas horas que Jesus passou com seus discípulos no recinto chamado de cenáculo, os discípulos estavam muito perturbados diante da perspectiva de perderem seu amado mestre. 
F. É nesse contexto que Jesus oferece uma série de palavras de consolação ou fortalecimento para os discípulos. E Jesus ofereceu tal ajuda, mesmo tendo diante de si o pleno conhecimento que, em poucas horas Ele: 
1. Iria ser preso no meio da madrugada e sofreria um julgamento injusto no qual seria condenado. 
2. Iria ser torturado e também iria sofrer uma morte excruciante sobre uma cruz no monte Calvário. 
3. Iria levar sobre seu próprio corpo os pecados de todos os seres humanos, sem exceção. 
4. Iria ser abandonado pelo Pai e experimentaria o que é ser condenado a viver separado de Deus. 
5. Iria, por fim, morrer. 
G. Qualquer outra pessoa estaria tão preocupada com o que lhe iria acontecer, que não teria tempo ou mesmo disposição para ajudar a outros. Mas não Jesus. Mesmo diante de tudo o que teria de sofrer, Ele encontrou forças para fortalecer a outros. Assim era Seu amor pelos seus conforme lemos em - 
João 13:1
Ora, antes da Festa da Páscoa, sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim. 
H. Dessa maneira, se queremos ser fortalecidos por Deus em meio a nossas próprias dificuldades, nos precisamos aprender a —

CONFIAR NA PRESENÇA DE CRISTO em nossas vidas
I. A Confusão em Que os Discípulos se Encontravam

A. Pelas palavras de Jesus que encontramos em João 14:1 deve ficar claro que os discípulos já estavam com seus corações perturbados. Daí suas palavras não são no sentido de que os discípulos não se deixassem perturbar, mas que deveriam para de sentirem-se perturbados.

B. Os discípulos estavam perturbados porque o modo de vida ao qual estavam acostumados iria sofrer um grande abalo em breve. Jesus tinha anunciado que iria deixá-los —

João 13:33

Filhinhos, ainda por um pouco estou convosco; buscar-me-eis, e o que eu disse aos judeus também agora vos digo a vós outros: para onde eu vou, vós não podeis ir.

C. A ideia de perderem o Senhor Jesus era simplesmente insuportável para os discípulos.

D. Além disso, eles tinham falhado de forma miserável quando se reuniram no cenáculo, pois começaram a celebrar a páscoa judaica sem lavar seus pés, porque não havia nenhum servo destacado para realizar aquela tarefa. Os discípulos estavam cheios de orgulho e nenhum deles queria se prestar a realizar aquele serviço simples.

E. Imagine como eles se sentiram, quando, durante a ceia, o próprio Senhor Jesus se levantou, se preparou e começou a lavar os pés deles? Eles devem ter se sentido muito mal. Mas esse mal-estar foi agravado mais ainda, quando Jesus anunciou que iria partir.

F. É no meio duma situação bastante confusa como essa que —

II. Jesus Fortaleceu os Discípulos

A. Jesus conhecia bem o coração dos discípulos. Eles não podiam experimentar a dor que Ele estava experimentando, mas Ele podia experimentar a dor e a vergonha pela qual eles estavam passando.

B. Sempre há lugar no coração de Jesus para aquilo que incomoda outras pessoas. Jesus se identificou com o que os discípulos estavam experimentando. E Jesus os fortaleceu e confortou no meio daquela situação.

C. O próprio Deus ETERNO, nos dias do Antigo Testamento, já se identificava plenamente com seu povo, pois lemos acerca disso em —

Isaías 63:9

Em toda a angústia deles, foi ele angustiado.

D. Como o Deus do Antigo Testamento, Jesus também estava plenamente capacitado para entender e oferecer ajuda para os discípulos.

E que tipo de conforto ou fortalecimento Jesus ofereceu para os discípulos naquele instante?

III. O Conforto Oferecido Explicado

A. Jesus diz em João 14:1 que os discípulos precisavam parar de se preocupar e começar a crer — continuar confiando em Deus e no próprio Jesus.

Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim.

B. Note que, com essa afirmação Jesus se faz igual ao próprio Deus.

C. Jesus ordena que os discípulos confiassem nEle, mesmo que no futuro próximo não fossem mais capazes de enxergá-Lo. Eles deviam agir com relação a Cristo, como estavam acostumados a agir com relação a Deus, em quem confiavam mesmo não podendo enxergá-Lo.

D. Jesus desejava que os discípulos continuassem crendo nEle, independentemente das circunstância. Não somente que cressem, mas que continuassem crendo, mesmo no meio das angústias, da dor, da aflição, de situações perturbadoras e etc.

E. Moisés disse ao povo de Israel as seguintes palavras quando ele estava próximo de deixá-los em definitivo —

Deuteronômio 31:6

Sede fortes e corajosos, não temais, nem vos atemorizeis diante deles, porque o SENHOR, vosso Deus, é quem vai convosco; não vos deixará, nem vos desamparará.

G. Os israelitas não podiam enxergar o Deus ETERNO, mas tinham que confiar que Ele estava ali, bem no meio deles.

Conclusão:

A. Como aconteceu com os discípulos naqueles dias, tudo o que Jesus tem para nos oferecer no sentido de nos fortalecer e nos confortar no meio das nossas dificuldades são estas palavras: Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim — João 14:1. Devemos, portanto, crer e continuar sempre crendo na presença de Jesus em nosso meio.

B. Jesus sente nossas dores e dificuldades como se fossem dele mesmo. Ele entende o que estamos passando, pois ele mesmo foi um ser humano como nós somos —

Hebreus 2:17—18

17 Por isso mesmo, convinha que, em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas referentes a Deus e para fazer propiciação pelos pecados do povo.

18 Pois, naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados.

C. Hoje eu quero fortalecer ou consolar os corações de todos que estão passando por algum tipo de dificuldade, de sofrimento ou perturbação com as seguintes palavras: confie no Senhor Jesus, ainda que você não seja capaz de enxergá-Lo. O remédio é simples e a dose é única. Confiar e continuar sempre confiando no Senhor Jesus em meio a todas as dificuldades dessa vida. Ele prometeu que vai estar conosco —

Mateus 28:20

E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.

Mateus 18:20

Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles.

D. O Novo Testamento se apropria daquelas palavras faladas por Moisés ao povo de Israel. Desse modo, o autor da Epístola aos Hebreus nos fala em termos semelhantes às palavras que foram faladas ao povo de Israel, dizendo o seguinte:

Hebreus 13:5

Seja a vossa vida sem avareza. Contentai-vos com as coisas que tendes; porque ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei.

D. Diante das palavras do próprio Cristo que nos incentivam a confiar e continuar confiando na Sua presença em nosso meio, as seguintes palavras são bastante apropriadas —

Hebreus 13:6

Assim, afirmemos confiantemente: O Senhor é o meu auxílio, não temerei; que me poderá fazer o homem?

OUTRAS MENSAGENS DA SÉRIE CONFORTO PARA CORAÇÕES AFLITOS

SERMÃO 001 — CONFIANDO NA PRESENÇA DE JESUS

SERMÃO 002 — CONFIANDO NAS PROMESSAS DE JESUS



Que Deus abençoe e fortaleça a todos com essas palavras.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.


Os comentários não representam a opinião do Blog O Grande Diálogo; a responsabilidade é do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

ESTUDOS NO LIVRO DE PROVÉRBIOS — ESTUDO 006 - RELACIONAMENTO COM DEUS E NÃO MORALISMO TEÍSTA



Nesse estudo iremos abordar o Livro de Provérbios, mas iremos fazer isso de maneira diferente do que apenas apresentar uma exposição, versículo por versículo. Nossa intenção é apresentar os grandes temas que encontramos no livro e dar andamento no mesmo a partir daí.

ESTUDO 006

VII. ALGUNS ASSUNTOS PRINCIPAIS DO LIVRO DOS PROVÉRBIOS

A. O HOMEM E DEUS

CONTINUAÇÃO

Provérbios 28:13

O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia.

O perigo que precisamos evitar em todo esse contexto é não confundir um profundo relacionamento com Deus com um teísmo moralista. O Livro de Provérbios deixa bem claro que o Deus a quem se refere é o Deus pessoal, o Criador. O Deus com o qual devemos manter um relacionamento constante. Esse é o motivo, porque em praticamente 90% das vezes em que o nome de Deus aparece nesse livro ele é mencionado pelo uso do tetragrama que representa o nome inefável de Deus: יהוה — YHWH — que é traduzido em nossas Bíblias, na Versão Almeida Revista e Atualizada, pela expressão SENHOR e cujo significado é “O ETERNO”. Esse é o Deus da Aliança, o Deus que deseja ser o nosso Deus e que também deseja que sejamos seu povo. Portanto, como podemos ver, não estamos falando de moralismo e sim de RELACIONAMENTO.
Desse modo nós temos que: a terminologia usada no Livro de Provérbios indica que esse mesmo livro pertence ao povo de Deus, ao povo que está numa aliança com Deus, cujo NOME foi revelado a Moisés —

Êxodo 3:13—15

13 Disse Moisés a Deus: Eis que, quando eu vier aos filhos de Israel e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós outros; e eles me perguntarem: Qual é o seu nome? Que lhes direi?

14 Disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós outros.

15 Disse Deus ainda mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: O SENHOR, o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó, me enviou a vós outros; este é o meu nome eternamente, e assim serei lembrado de geração em geração.

Deus se apresenta para Moisés como אֶהְיֶה אֲשֶׁר אֶהְיֶה`eheyeh `asher `eheyeh — EU SOU O QUE SOU, e אֶהְיֶה`eheyeh — EU SOU. Ou seja: ontem, EU SOU e não EU ERA; hoje, EU SOU; amanhã. EU SOU e não EU SEREI. EU SOU, sempre no presente, o que transmite a ideia de ETERNIDADE ou EU SOU O DEUS ETERNO!

Nessa apresentação nós podemos encontrar claros indícios que pressupõem o desejo e uma existência de relacionamento entre Deus e os seres humanos. Um relacionamento estável, constante, permanente, como o fluir de um rio. Tal relacionamento é caracterizado em toda a Bíblia como um relacionamento paterno- filial. Além disso, Deus se manifesta como um Deus que precisa se autorrevelar, se esperamos, de fato, conhecê-lo conforme afirma o apóstolo Paulo:

1 Coríntios 1:18—29

18 Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus.

19 Pois está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios e aniquilarei a inteligência dos instruídos.

20 Onde está o sábio? Onde, o escriba? Onde, o inquiridor deste século? Porventura, não tornou Deus louca a sabedoria do mundo?

21 Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que creem pela loucura da pregação.

22 Porque tanto os judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria;

23 mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios;

24 mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus.

25 Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.

26 Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação; visto que não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento;

27 pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes;

28 e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são;

29 a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus.
Diante desses versos nós podemos entender que o “temor” do Senhor é algo que vai muito além de apenas um respeito sadio pelo Onipotente. Que esse é exatamente o caso fica claro pelo seguinte: Nas duas passagens abaixo o ”temor” do Senhor é sinônimo de conhecer o Senhor e, esse conhecimento é algo marcadamente íntimo conforme podemos constatar:

Provérbios 2:3—5

3 E, se clamares por inteligência, e por entendimento alçares a voz,

4 se buscares a sabedoria como a prata e como a tesouros escondidos a procurares,

5 então, entenderás o temor do SENHOR e acharás o conhecimento de Deus.
Provérbios 9:10
O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo é prudência.

Note que o conhecimento de Deus nos conduz à prudência o que nos faz lembrar as palavras de Jesus quando nos adverte dizendo:

Mateus 10:16

Eis que eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas.

Com essas palavras Jesus nos adverte que a verdadeira pregação do Evangelho será confrontada por severa e aberta oposição. Ser enviado como ovelha é mesmo algo maravilhoso, já que ovelhas são animais dóceis, pacíficos e fáceis de lidar. Todavia, enviar ovelhas para o meio de lobos que são animais ferozes e destruidores indica o grande perigo que corremos como crentes nesse mundo. 

Alguns versículos que podem nos servir de consolo em toda essa situação são:

Mateus 9:36

Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor.

Ezequiel 22:26—28

26 Os seus sacerdotes transgridem a minha lei e profanam as minhas coisas santas; entre o santo e o profano, não fazem diferença, nem discernem o imundo do limpo e dos meus sábados escondem os olhos; e, assim, sou profanado no meio deles.

27 Os seus príncipes no meio dela são como lobos que arrebatam a presa para derramarem o sangue, para destruírem as almas e ganharem lucro desonesto.

28 Os seus profetas lhes encobrem isto com cal por visões falsas, predizendo mentiras e dizendo: Assim diz o SENHOR Deus, sem que o SENHOR tenha falado.

Sofonias 3:3

Os seus príncipes são leões rugidores no meio dela, os seus juízes são lobos do cair da noite, que não deixam os ossos para serem roídos no dia seguinte.

Atos 20:3

Tendo havido uma conspiração por parte dos judeus contra ele, quando estava para embarcar rumo à Síria, determinou voltar pela Macedônia.

Continua...

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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terça-feira, 28 de abril de 2015

JOSÉ COMO TIPO DE CRISTO — GÊNESIS 39:6 - ESTUDOS 031 — JOSÉ ERA UMA PESSOA CONSAGRADA AOS OUTROS


Essa é uma série cujo propósito é estudar, com profundidade, a vida de José como um Tipo do Senhor Jesus Cristo. No final de cada estudo você irá encontrar links para outros estudos. A Série tem o título Geral de: José como Tipo de Cristo.
José Como Tipo de Cristo — Estudos 031

031. José Era uma Pessoa Consagrada a Deus.

Gênesis 39:6

Potifar tudo o que tinha confiou às mãos de José, de maneira que, tendo-o por mordomo, de nada sabia, além do pão com que se alimentava. José era formoso de porte e de aparência.

Quando lemos esse versículo não temos como não nos admirar da forma maravilhosa como o Espírito Santo guiou e guardou José como tipo de Cristo. Nós temos que aprender sempre a distinguir entre a pessoa e o lugar que ela está ocupando. José havia experimentado a degradação da escravidão. Ele não gozava mais de sua liberdade, mas dependia completamente de outra pessoa. Ele não estava mais habitando na casa de seu pai na terra de Canaã, mas era um escravo na casa de um egípcio. Essa era sua posição. Mas acerca de sua pessoa algo bem diferente nos é dito: “Potifar tudo o que tinha confiou às mãos de José” e “José era formoso de porte e de aparência”.

A primeira expressão indica que Potifar havia entregado ou confiado o cuidado de todos os seus bens nas mãos de José. Note que essa expressão é diferente daquela usada em Gênesis 39:4 que é “passou”. No hebraico esses dois termos deixam mais evidente o que estamos querendo dizer:

 נָתַן natan — cujo significado é: dar, pôr e estabelecer.

 עָזַב `azab — cujo significado é: deixar, soltar e abandonar.

A segunda atitude de Potifar caracterizada por `azab — deixar, soltar ou abandonar, indica que ele estava profundamente convencido que José estava fazendo o melhor para favorecer seus interesses —

Neemias 9:28

28 Porém, quando se viam em descanso, tornavam a fazer o mal diante de ti; e tu os desamparavas nas mãos dos seus inimigos, para que dominassem sobre eles; mas, convertendo-se eles e clamando a ti, tu os ouviste dos céus e, segundo a tua misericórdia, os livraste muitas vezes.

Salmos 37:32—33

32 O perverso espreita ao justo e procura tirar-lhe a vida.

33 Mas o SENHOR não o deixará nas suas mãos, nem o condenará quando for julgado.

versos que nos falam de como Deus cuida e protege todos que são seus. Curiosamente essa é a mesma palavra que é usada para descrever o ato de José em “deixar” as vestes nas mãos da mulher de Potifar — conforme Gênesis 39:12—13. Dessa maneira temos que a expressão contida no verso 6 — confiou — serve de prenúncio do terríveis desenvolvimentos posteriores que logo iriam se precipitar.

Nosso texto nos diz que “José era formoso de porte e de aparência”. Talvez ele fosse parecido com sua falecida mãe, Raquel, que é descrita em

Gênesis 29:17

Lia tinha os olhos baços, porém Raquel era formosa de porte e de semblante.

Somente Raquel e José em todo o Antigo Testamento são descritos dessa maneira. Esse último comentário acerca da aparência de José antecipa o próximo passo na sua vida, uma vez que é comum na narrativa da sua história, o final de um episódio servir, automaticamente, de trailer para o próximo. Entre as muitas bênçãos que José desfrutava, ele passa a ser perseguido por um dom que certamente não havia buscado: ter uma beleza marcante!

Talvez não existe outra passagem em toda a narrativa da história de José que contenha tantos elementos que nos façam lembrar de Jesus, com exceção da formosura de José.
Pouco sabemos da aparência de Jesus, exceto por três versículos que são —

Lucas 2:40 e 52

40 Crescia o menino e se fortalecia, enchendo-se de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele.

52 E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens.

Isaías 53:2

Porque foi subindo como renovo perante ele e como raiz de uma terra seca; não tinha aparência nem formosura; olhamo-lo, mas nenhuma beleza havia que nos agradasse.  

Tudo o que tinha confiou às mãos — Como José, o Filho do Homem ou Filho da Humanidade, Jesus assumiu uma posição humilde onde foi humilhado e envergonhado. Ele assumiu um local de servidão e de submissão. Talvez a passagem que melhor explique essa realidade assumida pelo Senhor Jesus, seja uma de Filipenses conhecida por uma palavra, em grego, usada pelo apóstolo Paulo ao escrever a mesma. Estamos falando de

Filipenses 2:5—8

5 Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,

6 pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus;

7 antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana,

8 a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.
onde, no verso 7, Paulo usa a expressão ἐκένωσεν ekénosen — esvaziou. Por causa dessa palavra a passagem é conhecida como a passagem da kénoses ou do ESVAZIAMENTO se Jesus de toda Sua glória e prerrogativas. Faremos bem em aprofundar nosso conhecimento da mesma.
A porção de Filipenses 2:5—8 começa com uma exortação para que imitemos a atitude de serviço de Jesus, na mesma linha que já O vimos orientando seus discípulos em —

Marcos 10:42—45

42 Mas Jesus, chamando-os para junto de si, disse-lhes: Sabeis que os que são considerados governadores dos povos têm-nos sob seu domínio, e sobre eles os seus maiorais exercem autoridade.

43 Mas entre vós não é assim; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva;

44 e quem quiser ser o primeiro entre vós será servo de todos.

45 Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.

Ou seja, como diz Paulo:

Filipenses 2:5

Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus

Paulo sempre usa a vida e a morte de Jesus como um modelo a ser seguido pelos cristãos: ver Romanos 15:1—7, especialmente o verso 5; 1 Coríntios 10:31—331:1; 2 Coríntios 8:6—9; 1 Tessalonicenses 1:6:—9 e comparar com 1 Pedro 2:20—21 e 3:17—18.

E qual foi essa atitude de Jesus? Os próximos versos nos dão a descrição perfeita.

Pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus — Filipenses 2:6.

Paulo inicia a descrição falando da vida preexistente de Jesus e logo em seguida, ele estabelece um contraste agudo entre duas formas de pensar: uma egoísta e outra altruísta. Paulo deixa claro que para trazer a salvação aos filipenses e a todos nós, Jesus precisou exercitar uma atitude oposta à κενοδοξίαν kenodoxían — glória vã, sem fundamento; autoestima ou amor-próprio vazios, que são duramente condenados pelo apóstolo no verso 3.

Assim temos que: apesar da pressuposição inicial de “subsistindo em forma de Deus”, Paulo não deixa dúvida que está se referindo ao ETERNO preexistente, que “se esvaziou”, num determinado momento da história “assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens” — verso 7. Antes de assumir a forma de servo Jesus já existia na forma de Deus. A expressão grega μορφῇmorfê — traduzida por “forma” não se refere a características externas através das quais uma pessoa é reconhecida, e sim a características e qualidades essenciais que pertencem a uma determinada pessoa. Sendo assim, μορφῇmorfê — se refere àquilo que, verdadeiramente, caracteriza uma determinada realidade, i. e., “a forma de Deus” é uma esfera na qual Jesus se encontra inserido. Isso tudo indica que a tipologia de José com relação a Jesus só pode ser levada até determinada ponto, pois Jesus é o próprio Deus e não apenas um homem como José. Isso apenas intensifica a atitude de Jesus se entregar a favor da nossa salvação. Paulo nos diz que quando Jesus se revelou como Deus, ele não tinha nenhuma intenção de usurpar — ato de tomar pela força ou roubar — aquela posição —

Colossenses 1:15—16

15 Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação;

16 pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele.

1 Timóteo 3:16

Evidentemente, grande é o mistério da piedade: Aquele que foi manifestado na carne foi justificado em espírito, contemplado por anjos, pregado entre os gentios, crido no mundo, recebido na glória.

Hebreus 1:3

Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas.

A. Jesus apesar de ser o próprio Deus adotou uma postura de humilhação e vergonha assumindo uma posição de submissão e servidão. No entanto Seu Pai que tudo acompanhava com grande interesse — o pai de José achava que o filho estava morto — cuidou para que, de alguma forma, a Glória do filho fosse preservada. Existem várias passagens onde podemos enxergar essa realidade. Entre essas passagens nós podemos citar:

1. Mal o menino havia sido colocado na manjedoura e um anjo acompanhado, logo em seguida, por uma milícia celestial foram enviados a um grupo de pastores nos arredores de Jerusalém para anunciar o nascimento do Salvador e proclamar as Boas Novas – ver Lucas 2:8—15.

2. Em seguida Jesus foi honrado como profeta, sacerdote e rei através dos magos que vieram do Oriente para adorá-lo e oferecer-lhe presentes — ver Mateus 2:9—12.

3. O próprio João Batista, reconhecido como profeta de Deus, anunciava o seguinte acerca de Jesus:

Marcos 1:7
E pregava, dizendo: Após mim vem aquele que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de, curvando-me, desatar-lhe as correias das sandálias.

4. Mesmo na cruz do Calvário, em meio a angústia, agonia e dor, Jesus foi reconhecido como sendo o “Filho de Deus” pelo centurião romano encarregado da sua crucificação —

Marcos 15:39

O centurião que estava em frente dele, vendo que assim expirara, disse: Verdadeiramente, este homem era o Filho de Deus.

5. O apóstolo João reconheceu que ele e seus companheiros viram a glória de Deus manifestada em Jesus —

João 1:14

E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.

Mas João nos diz mais em

1 João 1:1—2 —

1  O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da vida

2  (e a vida se manifestou, e nós a temos visto, e dela damos testemunho, e vo-la anunciamos, a vida eterna, a qual estava com o Pai e nos foi manifestada).

B. Diversas vezes o Pai se manifestou de forma audível quanto ao Seu filho, como por exemplo:

Lucas 3:22

E o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea como pomba; e ouviu-se uma voz do céu: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo.

Lucas 9:35

E dela veio uma voz, dizendo: Este é o meu Filho, o meu eleito; a ele ouvi.

João 12:28

Pai, glorifica o teu nome. Então, veio uma voz do céu: Eu já o glorifiquei e ainda o glorificarei.

C. Por fim, Jesus recebeu do Pai a seguinte promessa:

Filipenses 2:9—11

9  Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome,

10  para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra,

11  e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai 

Por tudo isso, Jesus era o perfeito cordeiro de Deus que veio tirar os pecados do mundo!

João 1:29

No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!

OUTROS ESTUDOS ACERCA DE JOSÉ COMO TIPO DE CRISTO

Estudo 001 — José como Tipo De Cristo — Introdução

Estudo 002 — José como Tipo De Cristo — A Infância de José

Estudo 003 — José como Tipo De Cristo — Os Irmãos e Os Nomes de José

Estudo 004 — José como Tipo De Cristo — José Como Pastor dos Seus Irmãos

Estudo 005 — José com Tipo De Cristo — José Como o Filho Amado de Seu Pai

Estudo 006 — José com Tipo De Cristo — Jesus, o Filho e Deus Pai

Estudo 007 — José com Tipo De Cristo — José e a Túnica Talar de Distinção
Estudo 008 — José com Tipo De Cristo — O Ódio que os Irmãos de José Tinham Dele

Estudo 009 — José com Tipo De Cristo — José era Odiado por Causa de Suas Palavras

Estudo 010 — José com Tipo De Cristo — José Estava Destinado a Um Futuro Extraordinário

Estudo 011 — José com Tipo De Cristo — José Antecipa Sua Glória Futura

Estudos 012 e 013 — José como Tipo de Cristo — José Sofre nas Mãos de Seus Irmãos e Vai a Busca Deles a Pedido de Jacó

Estudos 014 e 015 — José como Tipo de Cristo — José Busca Fazer o Bem a Seus Irmãos, e É Enviado De Hebrom Para a Região de Siquém

Estudo 016 — José como Tipo de Cristo — José Vai Até a Região de Siquém

Estudos 017 e 018 — José como Tipo de Cristo — José se Torna um Viajante Errante Nos Campos e Campinas da Palestina

Estudos 019 — José como Tipo de Cristo — A Conspiração contra José

Estudos 020 — José como Tipo de Cristo — As palavras de José são Desacreditadas

Estudos 021 e 022 — José como Tipo de Cristo — José é Insultado e Humilhado e José é Lançado num Poço

Estudos 023 e 024 — José como Tipo de Cristo — José é Retirado Vivo do Poço e Os Irmãos de José Misturam Ódio com Hipocrisia

Estudos 025 e 026A — José como Tipo de Cristo — José é Vendido por Seus Irmãos e o Sangue de José é Derramado
Estudos 026B — José como Tipo de Cristo — O Futuro de Israel Profetizado em Gênesis 38

Estudos 027 e 028 — José se Torna um Servo — Jose se Torna Próspero

Estudos 029 — O Senhor de José Estava Muito Feliz com Ele

Estudos 030 — José Como Servo Foi Uma Bênção Para os Outros

Estudos 031 — José Era Uma  Pessoa Consagrada aos Outros

Estudos 032 — José Foi Duramente Tentado, Mas Resistiu à Tentação

Estudos 033 — José Foi Acusado Falsamente

Estudos 034 — José Não Tentou Se Defender das Falsas Acusações

Estudos 035 — José Sofreu nas Mãos dos Gentios

Estudo 036 e 37 — José Ganha o Reconhecimento do Carcereiro e José Foi Numerado com outros Transgressores.

Estudo 038 — José Como Instrumento de Bênção e de Condenação.

Estudo 039 — José Dá Evidências De Seu Conhecimento Quanto Ao Futuro.

Estudo 040 — As Predições de Jose se Tornam Realidades.

Estudo 041A — José Gostaria de Ser Lembrado

Estudo 041B — José Gostaria de Ser Lembrado




Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.