Mostrando postagens com marcador Divisão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Divisão. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 8 de maio de 2017

SERMÃO PARA O DIA DAS MÃES 2017 - MARIA, UMA MÃE CHAMADA PELO PRÓPRIO DEUS


Imagem relacionada


TEXTO BASE: Lucas 1:34—38
Introdução

A. Quando olho para as mães, todas as mães, qualquer mãe, eu sei que a chamada Teoria da Evolução é uma grossa mentira. Se fosse verdadeira as mães já teriam desenvolvido bem mais que duas mãos!

B. Uma mãe foi colocar seu filho de quatro anos para dormir na véspera dele completar cinco anos. Ela disse para o filho que ele iria dormir com quatro anos, mas que acordaria na manhã seguinte com cinco. A mãe então perguntou para o filho se ele entendia o que ela estava dizendo? O filho balançou a cabeça que sim e mostrou os quatro dedos que estava acostumado a mostrar sempre que alguém perguntava a idade dele. Em seguida ele adicionou o polegar mostrando a mão para a mãe dizendo: amanhã eu vou estar com minha mão cheia!

C. Para todas vocês, mães, que estiveram, estão e estarão com suas mãos cheias, nos celebramos esse dia: o dia das mães.
D. Nossa igreja tem mães, avós e bisavós. Cada uma delas tem histórias e histórias para contar. E a Bíblia também está cheia de histórias acerca de mães e avós.

E. Talvez a mais emblemática de todas as histórias da Bíblia acerca das mães e avós, seja a que envolve Maria, porque a ela foi confiada uma importante missão, do mesmo modo como vocês também receberam uma importante missão relacionada a seus filhos, netos e bisnetos.

F. Nosso interesse hoje é buscarmos aprender com Maria, a mãe de Jesus, algumas verdades importantes que valem para todos, mas valem, especialmente para as mães. Vejamos:

MARIA, UMA MÃE CHAMADA PELO PRÓPRIO DEUS

I. Uma Mãe Chamada Por Deus se Submete à Vontade de Deus

A. Maria era apenas uma adolescente já engajada num compromisso de casamento, quando o anjo Gabriel lhe apareceu e lhe disse que ela tinha sido escolhida para ser a mãe do filho de Deus.

B. Depois de pedir esclarecimentos óbvios relativos àquela revelação, o que Maria fez? Ela disse as seguintes palavras:

Lucas 1:38

Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra.

C. Maria estava ansiosa? Com certeza. Maria tinha dúvidas acerca de suas próprias habilidades para executar tamanha tarefa? Qual mulher não teria? E ela era apenas uma adolescente. Como qualquer mãe aqui presente Maria estava apreensiva quanto ao futuro. Ela certamente desejava o melhor para seu filho, mas ela sabia que a vida reserva coisas boas, mas traz também situações desagradáveis.

D. O que realmente representava para Maria ser a mãe do Filho de Deus? Será que ela e ele seriam protegidos por forças especiais. Será que estariam isentos das dores pelas quais todas as mães e seus filhos e filhas precisam passar. A história nos revela o que se passou. Apesar de ser a mãe do Filho de Deus, Maria não foi preservada das dores mais angustiantes, como:

1. Ver a família dividida:

Marcos 3:20—21

20 Então, ele foi para casa. Não obstante, a multidão afluiu de novo, de tal modo que nem podiam comer.

21 E, quando os parentes de Jesus ouviram isto, saíram para o prender; porque diziam: Está fora de si.

2. Acompanhar de perto a crucificação do próprio filho.

João 19:25

E junto à cruz estavam a mãe de Jesus, e a irmã dela, e Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena.

E. Essas são algumas das muitas situações desagradáveis que Maria teve que enfrentar como mãe. Mas o objetivo principal de Maria em sua vida não era evitar a dor e o sofrimento e sim fazer a vontade de Deus.

II. Uma Mãe Chamada Por Deus Não Precisa Ser Perfeita

A. Essa é uma verdade libertadora. Vocês que são, foram ou serão mães não recebem um chamado de Deus para serem perfeitas. Vocês recebem um chamado para serem mães.

B. Quando minha mãe engravidou pela terceira vez, ela já estava com 39 anos. Como ela tinha úlceras estomacais essa situação era agravada pela gravidez o que colocava em risco sua própria vida e a vida da criança. Por razões relacionadas à preservação da saúde dela, o médico recomendou que um aborto fosse feito. Até meu pai era a favor do aborto. Mas minha mãe tinha plena consciência do chamado que recebera de Deus e sua posição foi bem firme. Ela decidiu levar a gravidez até o final. Se algo acontecesse antes do final e ela viesse a perder a própria vida, ela estava resignada que aquela teria sido a vontade de Deus. Matar o filho que levava no ventre estava fora de qualquer cogitação para ela.

C. Ela levou a gravidez até o final. Depois de oito anos do nascimento do segundo filho, nasceu o terceiro. Minha mãe não era perfeita, mas ela não queria desobedecer a Deus tirando a vida de uma criança ainda não nascida.

D. Certamente Maria não era perfeita como o texto sagrado nos mostra com clareza. Mas Deus não esperava perfeição dela. Apenas obediência em meio às lutas da vida diária.

E. Como Maria, vocês também cometeram erros hoje mesmo. E cometerão outros amanhã e depois. No entanto, nada disso impede e nem impedirá que Deus ame e continue amando sempre vocês e acolhendo-as todas as vezes que vocês o procurarem.

F. A própria mulher virtuosa de Provérbios 31, que tantas vezes fez muitas mulheres desanimarem, por não poderem se equiparar com ela, é apenas fruto da imaginação do autor que escreveu um poema em forma de acróstico usando as 22 letras do idioma hebraico. A chave de como devemos entender o poema está, exatamente no primeiro versículo:

Provérbios 31:10

Mulher virtuosa, quem a achará?

G. Mulher perfeita assim, não existe.

III. Uma Mãe Chamada Por Deus Nunca Abandona Seu Compromisso

A. Como já foi mencionado, Maria estava ao lado da cruz em que Jesus estava crucificado. Mas essa cena verdadeira está muito longe das cenas que vemos em quadros ou vitais nas igrejas.  

B. Ali, aos pés da cruz Maria estava sofrendo vendo ao que tinham reduzido seu filho. Jesus, naqueles instantes era apenas uma figura pálida do homem dinâmico e brilhante que nos encanta nas páginas dos evangelhos. Naqueles instantes, certamente Maria ansiava por uma intervenção de Deus que a livrasse daquele sofrimento indescritível.

C. Aquele era certamente o momento que foi profetizado por Simeão logo após o nascimento de Jesus, quando disse:

Lucas 2:35

Também uma espada traspassará a tua própria alma.

D. Mas não existe nada nesse mundo que seja capaz de fazer uma mãe desistir de ser aquilo que ela é: MÃE. Uma mãe chamada por Deus nunca abandona suas responsabilidades como mãe.

E. Mães desse tipo podem ser encontradas nos hospitais, em velórios, na porta das penitenciárias. Em nenhuma condição, nem mesmo diante da morte, elas abandonam o chamado que receberam de Deus.

F. Mesmo em situações extremas, quando mães precisam abrir mão de seus filhos para que sejam adotados, porque isso é no melhor interesse da criança, ainda assim tal ato, tantas vezes incompreendido, é fruto do profundo amor que nutrem pelos filhos e filhas e desejam o melhor para eles.

G. Mães recebem um dom da parte de Deus que é a capacidade de amar seus filhos independentemente das circunstâncias. Nada, nesse mundo, pode ser comparado ao amor de uma mãe.

Conclusão.
A. Maria, ao decidir ser obediente ao chamado de Deus, teve a oportunidade de testemunhar o descortinar daquilo que Deus havia planejado antes da fundação do mundo: 
1. Ela testemunhou o nascimento do Filho de Deus. 
2. Ela acompanhou Seu ministério. 
3. Ela esteve perto do Filho quando o mesmo morria por nossos pecados. 
4. Ela se encheu de grande júbilo, junto com outros, quando Jesus ressuscitou dentre os mortos. 
5. Ela participou da inauguração da Nova Aliança por meio do derramamento do Espírito Santo como está registrado em Atos 2.
B. É um dom maravilhoso poder viver para ver o desenrolar da vida dos filhos. Algumas mães vivem o bastante para verem o desenvolvimento da vida de seus filhos até chegarem os netos e os bisnetos. Outras experimentam a dor da perda inoportuna. E outras ainda, partem cedo. Tudo é parte da vida que temos de viver. Nenhuma dessa coisas é extraordinária e única. 
C. Mães e seus filhos e filhas estão ligados pelo cordão umbilical. Eu creio que este vínculo permanece mesmo depois do nascimento. E quando mães e seus filhos e filhas conhecem a Jesus, o elo de ligação entre eles torna-se ainda mais forte! 
D. Nosso desejo é que vocês mães, avós e bisavó que estão presentes aqui hoje, sejam ricamente abençoadas por Deus e com a Sua ajuda cumpram fielmente o chamado que receberam.  
Deus abençoe a todas
Amém.
Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:

Desde já agradecemos a todos.

Os comentários não representam a opinião do Blog O Grande Diálogo; a responsabilidade é do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

OS EVANGÉLICOS E A CRISE POLÍTICA QUE O BRASIL ENFRENTA


Evangélicos
Evangélicos ainda são vistos com uma significativa dose de preconceito

O artigo abaixo foi publicado pelo site da revista CartaCapital e é de autoria de Juliano Spyer.

A crise política e os evangélicos

Sobre a disputa a respeito do impeachment, pentecostalismo e pensar fora da bolha.
por Juliano Spyer

O Brasil vive um momento de tensão entre pessoas favoráveis e contrárias ao impeachment. Por causa das redes sociais, a exposição das diferenças também provoca rachas no âmbito privado entre amigos e entre familiares. Mas milhares de brasileiros estão alheios a esse assunto.

Em um texto que circula online, um morador do Morro do Viradouro, no Rio de Janeiro, justifica o alheamento das classes populares do debate político nacional. Segundo ele, a ideia de que esteja ocorrendo um golpe, por exemplo, não faz sentido para quem vive o cotidiano de assassinatos e torturas da época da ditadura.

Outro grupo que também faz parte das camadas populares e que é também desprezado pelas classes médias educadas é o dos evangélicos.

Esse desentendimento aparece, por exemplo, em um artigo da The Economist sobre as justificativas dadas por deputados que votaram durante a sessão sobre o impeachment. A revista preferiu enfatizar o estereotipo carnavalesco (pouco sério) do País e perdeu a oportunidade de mostrar como a maior parte dos motivos se referiam a família, religião e Deus. Estes são temas relevantes para os 25% de brasileiros que hoje se identificam como evangélicos.
Analistas de marketing usam a expressão “pensar fora da caixa” para se referir a ser criativo. Uma versão etnográfica dessa expressão pode ser “pensar fora da bolha”; neste caso, a bolha é a classe social.

Em círculos educados, evangélicos são vistos no melhor caso como fanáticos religiosos, mas mais frequentemente são percebidos como ignorantes, retrógrados e mal intencionados. Nos 15 meses em que morei num povoado trabalhador no litoral da Bahia para uma pesquisa de campo, tive uma experiência mais nuançada desse fenômeno.

Este grupo é moralmente conservador, mas está longe dos estereótipos cultivados dentro da bolha. As ambições de atingir sucesso financeiro são na maior parte dos casos o desejo de fazer parte do mesmo mundo de consumo que os afluentes habitam. Para além disso, a contribuição dos evangélicos à sociedade é quase completamente ignorada.

As organizações evangélicas estão frequentemente mais presentes e ativas do que o governo na vida das populações vulneráveis. Além do apoio espiritual, grupos pentecostais promovem a alfabetização ativamente em suas comunidades e também intermediam o contato de fieis com serviços especializados com advogados e médicos.

Ao “reciclarem almas” de dependentes químicos e criminosos, oferecem um serviço não reconhecido, mas valioso para a sociedade – muito melhor do que a polícia pode sonhar em oferecer.

Isso não serve para negar a moral conservadora abraçada por este grupo em temas como aborto e casamento gay, ou para justificar a atuação de alguns políticos evangélicos. Trata-se aqui de uma visão baseada na experiência etnográfica.

Há 100 milhões de brasileiros – metade da população do País – na chamada ‘nova classe média’ (na verdade, uma nova classe trabalhadora), e o pentecostalismo tem uma contribuição ainda desprezada nesse processo de mudança socioeconômica.

A dificuldade de aceitar o evangélico talvez resida no fato de eles não se enquadrarem na visão idealizada e vitimizada do pobre. Ressalta-se o fanatismo e despreza-se como eles valorizam a educação (inclusive a superior). Menciona-se o conservadorismo, mas esquece-se da redução da violência doméstica e do alcoolismo nas famílias evangélicas.

Os evangélicos estão vencendo os estigmas e a condição de pobreza ligados à história de desigualdade do Brasil. Ter um olhar generoso e interessado em vez de preconceituoso em relação a essa população pode ajudar a entender por que eles também estão alheios ao debate sobre o impeachment.

*Juliano Spyer é antropólogo do projeto Why We Post da University College London. Ele pesquisa os efeitos das novas mídias na mobilidade social das classes populares emergentes.

O artigo original poderá ser visto por meio do link abaixo:


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

PECADOS QUE PODEM NOS DESTRUIR POR COMPLETO – PARTE 007 — A IMPACIÊNCIA — PARTE 004 - Final

Essa é uma série na qual pretendemos, dentro do possível, discutir alguns dos mais insidiosos pecados que ameaçam nossas almas. Trata-se de ações ou reações que caracterizam um coração perverso diante de Deus, algo com o que muitos personagens bíblicos tiveram que lutar, mas que pela graça de Deus conseguiram vencer. Nós também, como seres humanos iguais a eles estamos sujeitos a enfrentar esses mesmos pecados e temos que entender como essas situações funcionam, para poder lançar mão da graça de Deus e vencer as mesmas. A SÉTIMA questão que devemos analisar é:
VEJA NO FINAL DESSE ARTIGO OS LINKS PARA AS OUTRAS PARTES DESSE ESTUDO

7. A IMPACIÊNCIA — PARTE 004

A questão da impaciência levanta por fim, um importante aspecto de nossas vidas: se amamos verdadeiramente a Deus ou ao mundo. O apóstolo João já nos advertiu dos perigos de amar o mundo, quando disse:

1 João 2:15—17

15 Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele;

16 porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo.

17 Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente.

Jesus mesmo nos advertiu que dividir a atenção que devemos a Deus e ao próprio Senhor Jesus é algo impossível de ser realizado. Fazemos apenas papel de tolos, todas as vezes que tentamos agir desse modo:

Mateus 6:24

Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.

Marcos 10:37—38

37 Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim;

38 e quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim.

A conclusão a que tudo isso nos leva é a seguinte: NÓS SEMPRE SERVIMOS AQUILO QUE ADORAMOS.

O verdadeiro combate da fé é travado entre aquilo que mais amamos. É um combate entre a comunhão eterna com Deus ou as recompensas passageiras do mundo. Na passagem de 1 João mencionada acima, cada um de nós pode encontrar a forma como Deus deseja que caminhemos.

Vamos então fazer uma análise mais detalhada de 1 João 2:15—17

Nesses versos nós vamos encontrar uma descrição do mundo e instruções acerca de como a igreja deve se comportar com relação ao mesmo. O apóstolo João usa a expressão grega κόσμος kósmos — mundo, das seguintes maneiras:

1. O Universo organizado — João 17:5; o Planeta Terra, talvez — João 21:25.

2. Como metonímia[1], os habitantes humanos do Planeta Terra, ou seja, a humanidade ou o ambiente onde a humanidade se movimenta e onde acontecem os eventos históricos relativos aos humanos, à raça humana e a estrutura social da humanidade — João 16:21.

3. O público em geral — João 7:4. O mesmo uso ocorre também, talvez, em João 14:22.

4. No sentido ético, o termo descreve a humanidade alienada da vida de Deus, pecaminosa, sob o severo juízo de Deus e precisando de salvação — João 3:19! Esta é a definição ou uso mais importante feito pelo apóstolo João.

5. O mesmo uso indicado no item 4 acima, com a ideia adicional de que não existe nenhuma distinção com respeito à raça ou nacionalidade. Assim o termo é usado para descrever seres humanos de todas as raças, línguas e nações, sejam judeus sejam gentios — João 4:42. O mesmo uso ocorre, provavelmente, em João 1:29; 3:16—17; 6:33, 51; 8:12; 9:5; 12:46; ver também 1 João 2:2; 4:14—15. Todos estes versos precisam ser entendidos à luz de

João 12:32 que diz —

E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo.

Para o apóstolo João como para todos os outros autores do Novo Testamento não havia, da perspectiva do pecado, nenhuma diferença diante de Deus entre judeus e gentios.
 
6. A jurisdição ou extensão do mal. O sentido é o mesmo no item de #4 com a seguinte ideia adicional: uma hostilidade aberta contra Deus, Seu Filho Jesus Cristo e o Povo de Deus — João 7:7; 8:23; 12:31; 14:30; 15:18—19; 17:9, 14.

Em nosso texto central — 1 João 2:15—17 — João efetua uma mudança no que vinha falando, de uma “exortação”, para uma advertência acerca do comportamento dos crentes. O tempo verbal que caracteriza esses versículos não é o indicativo e sim o imperativo: Não ameis o mundo. Os cristãos receberam uma grande herança ao receberem o perdão dos seus pecados, a reconciliação e a comunhão com o próprio Deus e o poder de vencer tanto o diabo como o próprio pecado em suas vidas. Mas nada disso indica que estamos livres das tentações. Pelo contrário, as tentações existem e muitas vezes podem arruinar nossas vidas se nós deixarmos que isso aconteça.

O mandamento para não amarmos o mundo está baseado em dois argumentos principais:

1) a incompatibilidade entre o amor ao mundo e o amor ao nosso Pai celestial — 1 João 2:15—16;

2) a transitoriedade do mundo contrastada com a eternidade daquele que obedece a Palavra de Deus — 1 João 2:17.

Bem vamos analisar cada um desses três versos em separadamente.

1 João 2:15 —

Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele.

Muitas pessoas sentem-se intrigadas acerca de como é possível reconciliar esse verso como o que está afirmado em –

João 3:16 —

Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

Para dirimir esse impasse é necessário ler nossas definições acerca da palavra grega κόσμος kósmosconforme estão acima. Ali nós alistamos seis maneiras diferentes em que essa expressão é usada, pelo apóstolo João em seus escritos. Assim falamos do κόσμος kósmoscomo representando os seres humanos que vivem no planeta terra e sabemos que tais pessoas precisam ser amadas e alcançadas como compaixão, graça e misericórdia. Por outro lado vimos também que essa mesma expressão é usada para designar, no sentido ético, a humanidade alienada da vida de Deus, pecaminosa, sob o severo juízo de Deus e precisando de salvação — João 3:19! Essa é a definição ou uso mais importante feito pelo apóstolo João. Mas ainda podemos adicionar o seguinte: A jurisdição ou extensão do mal: uma hostilidade aberta contra Deus, Seu Filho Jesus Cristo e o Povo de Deus. E é nesse sentido que João nos ordena a não amar o mundo. João 3:16 tem a ver com a necessidade de amar o mundo perdido. Já 1 João 2:15 tem a ver com não deixarmos nos envolver com a pecaminosidade do mesmo.

Nesse mesmo contexto, o cristão é ordenado a amar tanto a Deus quanto os membros da comunidade.  

1 João 2:5

Aquele, entretanto, que guarda a sua palavra, nele, verdadeiramente, tem sido aperfeiçoado o amor de Deus. Nisto sabemos que estamos nele.

1 João 2:10

Aquele que ama a seu irmão permanece na luz, e nele não há nenhum tropeço.

Mas aqui somos ordenados, explicitamente a não amar o mundo, ou a não nos identificar com suas práticas pecaminosas, seus cuidados e suas paixões. A expressão “amar” é bastante adequada nesse contexto tanto no aspecto positivo quanto no negativo, porque não se trata de uma emoção incontrolável e sim de uma devoção estável da nossa vontade. A razão porque somos ordenados a não amar o mundo é porque o amor ao Pai celestial e o amor ao mundo são completamente incompatíveis, e mutuamente excludentes. Se uma pessoa se ocupa com o mundo e seus cuidados, que são acintosamente contrários à pessoa de Cristo, é evidente que tal indivíduo não tem amor pelo Pai. Tiago nos diz o seguinte:

Tiago 4:4

Infiéis, — Infiéis; no original, adúlteras, isto é, os que são desleais para com Deus — não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.

Jesus também fez claras referências ao fato que não podemos servir a dois senhores:

Mateus 6:24

Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.

Lucas 16:13

Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.

Dessa forma, temos que: se não podemos servir a Deus e às riquezas simultaneamente, do mesmo modo não podemos servir o Pai e o mundo simultaneamente.

1 João 2:16

Porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo.

A frase de João omite uma importante verdade, porque ele não está interessado nela nesse contexto. Essa verdade tem a ver com o fato de que: se existe algo nesse mundo — no sentido de mundo criado por Deus — que pertence ao Pai por direito, por ter sido Ele quem as criou e a Ele devem sua existência, então nós podemos amar essas coisas. Mas, no sentido que João cita essas coisas como “Porque tudo que há no mundo”, como algo que “procede do mundo”, então não podemos amar absolutamente nada que esteja nessa categoria. João escolhe fazer algumas menções especiais:

1) A concupiscência da carne.

2) A concupiscência dos olhos.

3) A soberba da vida.

De acordo com C. H. Dodd[2] essas três escolhas feitas por João, parecem as marcas essenciais da vida pagã, ou da vida sem o conhecimento do Deus verdadeiro. A primeira

A concupiscência da carne — descreve os desejos da nossa natureza caída e pecaminosa, vivendo no mundo dominado pelo próprio diabo, onde a mesma encontra plena liberdade para se manifestar. Deve ser algo notável por todos que no breve espaço de apenas três versículos — 1 João 2:14—16 — João menciona tanto o Maligno, como o Mundo e também a carne.
A segunda escolha de João —

A concupiscência dos olhos — parece indicar as muitas tentações que nos assaltam, não a partir do nosso interior, mas vindas do exterior, por meio dos nossos olhos. Essa é nossa tendência de nos deixar cativar pelo show externo, sem questionarmos absolutamente nada acerca do verdadeiro valor de tais coisas. Como Eva em

Gênesis 3:6

Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos.

nós também deixamos nos seduzir com facilidade por aquilo que vemos. Outros casos óbvios são os de Acã, acerca do qual lemos em —

Josué 7:21

Quando vi entre os despojos uma boa capa babilônica, e duzentos siclos de prata, e uma barra de ouro do peso de cinquenta siclos, cobicei-os e tomei-os; e eis que estão escondidos na terra, no meio da minha tenda, e a prata, por baixo.

E também o caso do próprio Davi, conforme a descrição que temos em

2 Samuel 11:2

Uma tarde, levantou-se Davi do seu leito e andava passeando no terraço da casa real; daí viu uma mulher que estava tomando banho; era ela mui formosa.

Os três casos acima — Eva, Acã e Davi — representam o amor pela beleza desprovido do amor pela bondade. É o amor maniqueísta — onde os fins justificam os meios — e a manifestação suprema do egoísmo, que é frontalmente contrária a Deus.

A soberba da vida — Essa é, sem sombra de dúvida a mais difícil de todas as três expressões. A língua grega tem duas palavras para expressar o sentido de vida:

 ζωὴ zoìo estado de alguém que está cheio de vitalidade ou é animado.

βίοσ bíos — vida num sentido amplo. Vida em seu estado presente e concreto de manifestação.

Essa mesma expressão βίοσ bíos — vida num sentido amplo aparece novamente em

1 João 3:17

Ora, aquele que possuir recursos — recursos aqui é βίοσ bíos — no original — deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus?

Nesse sentido a expressão é traduzida como “recursos” no sentido que são recursos necessários para o sustento da vida. A expressão “aquele” no verso acima reflete uma pessoa presunçosa — no grego é ἀλαζόνας alazónas — como em Romanos 1:30; jactanciosa, como em 2 Timóteo 3:2 ou pretensioso, como em Tiago 4:16. Trata-se de uma pessoa que deseja impressionar os outros com algo vazio, algo que não tem valor. Os bens dessa terra são necessários para nosso sustento, mas não possuem valor algum na eternidade, porque não são, absolutamente, necessários.

A soberba da vida é, portanto, uma arrogância ou vanglória da parte de uma pessoa que tem como base as circunstâncias externas que tal pessoa experimenta nessa vida. Podemos estar falando de riquezas, de posição nalgum tipo de hierarquia, ou ricas vestimentas que conduzem a pessoa a uma “ostentação pretensiosa”. Reflete o desejo de “brilhar” ou de “brilhar mais” que as outras pessoas.

Não são poucos os comentaristas que enxergam essa trindade da perversidade manifestada nas tentações sofridas por Cristo no deserto e mais ainda, na tentação sofrida por Eva no Éden — conforme Gênesis 3:6. Mas devemos afirmar que nenhum paralelo é próximo o bastante para supormos uma alusão deliberada e intencional da parte de João. Também não percebemos nenhuma correspondência óbvia entre esses aspectos do mundo e os três principais vícios que ocupam lugar proeminente na ética do mundo antigo e medieval. Esse vícios eram: Voluptia, Avaritia e Superbia ou Prazer, Cobiça e Orgulho.

Em resumo, podemos afirmar que esses três vícios apontados por João, incluem duas cobiças e uma vanglória. Tratam de duas formas de depravação que surgem de dentro de nós mesmos e da nossa própria vontade e uma resulta das nossas posses, independentemente da sua natureza. Assim temos: desejos pecaminosos por coisas que não temos, mas desejamos ter e arrogância por causa das coisas que temos, mesmo que elas sejam vazias! Podemos finalizar dizendo que esses três vícios têm a ver com: desejos baixos, egoísmo e valores falsos. Daí a ordem de Deus de evitar os mesmos.   

1 João 2:17

Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente.

A segunda razão para não amarmos o mundo — a primeira foi que se amarmos o mundo o amor do Pai não poderá estar em nós — é que Jesus inaugurou um novo tempo — o tempo do Reino de Deus, do Espírito Santo vindo para habitar nos crentes e etc. — o que indica que esse tempo presente está destinado a um fim catastrófico. O mundo, como as trevas que existem nele já estão se desintegrando. No grego a mesma expressão παράγεται parágetai — é usada tanto nesse verso, traduzida por “passa”, quanto em 1 João 2:8 onde é traduzida por “dissipando” conforme podemos ler em —

1 João 2:8

Todavia, vos escrevo novo mandamento, aquilo que é verdadeiro nele e em vós, porque as trevas se vão dissipando, e a verdadeira luz já brilha.

É nesse mesmo sentido, de algo passageiro ou que está já passando, que Paulo cita o mundo em —

1 Coríntios 7:31

E os que se utilizam do mundo, como se dele não usassem; porque a aparência deste mundo passa.

E todos os seres humanos que, por meio das mais diversas cobiças se identificam com esse mundo, terminarão exatamente, como o próprio mundo: ou seja, passarão junto com o mundo. Somente uma classe de pessoas irá permanecer. Essa classe é descrita como a: “que faz a vontade de Deus permanece eternamente”. Jesus deixou bem clara a seguinte verdade —

Marcos 3:35

Portanto, qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe.


A conclusão de João, portanto, é apenas lógica: os crentes em Cristo têm o direito de habitar no mesmo local onde Cristo habita —

João 8:35

O escravo não fica sempre na casa; o filho, sim, para sempre.

João 13:1—3

1 Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim.

2 Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar.

3 E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também.

Portanto, nós temos uma escolha final para fazer, que está diante de nós, e que é entre Deus e o mundo ou as cobiças do mundo e a vontade de Deus. Nós teremos uma vontade maior de obedecer a vontade de Deus, se nos conscientizarmos que o mundo e suas cobiças são transitórias e estão próximas do fim — 2 Coríntios 4:18.


Conclusão para o pecado da impaciência relacionada com o que vimos em 1 João 2:15—17

A passagem de 1 João que acabamos de estudar é muito importante, porque é ela que nos fornece a chave para que cada pessoa encontre a forma, exata, como Deus que quer que ela caminhe.

Para que possa conhecer a vontade de Deus o crente deve optar entre e Deus e o mundo e, claro, deve preferir Deus ao mundo. Caso contrário não irá experimentar o amor do Pai em si mesmo e acabará perecendo junto com o próprio mundo. Se o crente agir assim, quando seu coração estiver triste, ele deverá esperar em oração que Deus mostre o próximo passo a ser dado ou próximo curso de ação a ser seguido, para que possa, desse modo, manter o amor do Pai em seu próprio coração. Todos as pessoas que agem dessa maneira seja nas pequenas, como nas grandes decisões demonstram que amam e confiam em Deus. A esse respeito é bom lembrar-nos das palavras do Senhor Jesus Cristo, quando disse —

Mateus 7:21

Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.

Nesse verso o Senhor está falando acerca de falsos seguidores seus. E esses são mais numerosos do que podemos imaginar. Esses são aqueles que gostam muito de falar da vontade de Deus, mas não gostam de fazer essa mesma vontade. É possível que alguns dos falsos seguidores tenham se tornado em tais, porque ouviram e seguiram os falsos mestre citados em Mateus 7:15—20. Isso é muito fácil de acontecer, porque muitas vezes o discurso dos falsos mestres é coerente, bíblico até, mas a vida diária é outra história. O clamor desses falsos seguidores — Senhor, Senhor — reflete certa veemência, mas o mesmo não tem o sentido de soberano Senhor, e sim apenas de um mestre ou um tratamento respeitoso. Depois da ressurreição de Jesus, a Igreja adotou esse termo grego Κύριε Kúrie — Senhor como símbolo de adoração e confissão da divindade do Senhor Jesus Cristo. Mas esses mencionados aqui pretendem usar na eternidade o termo Senhor, quando em suas vidas diárias, eles foram os senhores e senhoras absolutos de suas próprias vidas.

Assim, o que temos nesse verso é uma afirmação clara que o fator determinante com relação a quem entra ou não no Reino de Deus é a obediência à vontade de Deus, o Pai no sentido prático e não apenas na forma de uma concordância mental ou até mesmo verbal

Malaquias 1:6—8

6  O filho honra o pai, e o servo, ao seu senhor. Se eu sou pai, onde está a minha honra? E, se eu sou senhor, onde está o respeito para comigo? —diz o SENHOR dos Exércitos a vós outros, ó sacerdotes que desprezais o meu nome. Vós dizeis: Em que desprezamos nós o teu nome?

7  Ofereceis sobre o meu altar pão imundo e ainda perguntais: Em que te havemos profanado? Nisto, que pensais: A mesa do SENHOR é desprezível.

8  Quando trazeis animal cego para o sacrificardes, não é isso mal? E, quando trazeis o coxo ou o enfermo, não é isso mal? Ora, apresenta-o ao teu governador; acaso, terá ele agrado em ti e te será favorável? —diz o SENHOR dos Exércitos.

Lucas 6:46

Por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que vos mando?

Examinemos, pois, não somente a vida dos outros, mas especialmente nossas próprias vidas, para conferir se o que pensamos e falamos é coerente com a forma como agimos. O fruto que produzimos não está relacionado apenas ao que ensinamos, mas também como vivemos. Desse modo, Jesus direciona essa verdade com toda força diretamente para os nossos corações. Jesus condena a todos cujas palavras e atitudes não casam de modo harmonioso. Mateus 7:21 nos mostra a primeira vez em que o termo πατρός patrós — Pai é usado por Jesus nesse evangelho, e desse modo, tal uso pode servir para sustentar a verdade ensinada por toda a extensão do Sermão do Monte, de que Jesus afirma ser o único Revelador verdadeiro da vontade do Pai. Desse modo, a vontade do Pai não pode ficar restrita ao Antigo Testamento, mas inclui os novos aspectos ensinados pelo próprio Senhor Jesus Cristo. Devemos obedecer ao todo da revelação de Deus.

OUTROS ARTIGOS DE PECADOS QUE PODEM DESTRUIR NOSSAS ALMAS
Estudo 001 — A FALSA CULPA

Estudo 002 — A ANSIEDADE

Estudo 003 — O REMORSO

Estudo 004 — A AMBIÇÃO

Estudo 005 — A AMARGURA

Estudo 006 — A INVEJA E O CIÚME

Estudo 007 — A IMPACIÊNCIA — PARTE 001

Estudo 007 — A IMPACIÊNCIA — PARTE 002

Estudo 007 — A IMPACIÊNCIA — PARTE 003

Estudo 007 — A IMPACIÊNCIA — PARTE 004 – FINAL

Estudo 008 — APATIA E DESÂNIMO — PARTE 001

Estudo 008 — APATIA E DESÂNIMO — PARTE 002

Estudo 008 — APATIA E DESÂNIMO — PARTE 003

Estudo 008 — APATIA E DESÂNIMO — PARTE 004

Estudo 009 — A AUTOADULAÇÃO — PARTE 001

Estudo 009 — A AUTOADULAÇÃO — PARTE 002

Estudo 010 — DESEJOS INDULGENTES OU PECAMINOSOS
Que Deus nos abençoe a todos. 

Alexandros Meimaridis 

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link: 
http://www.facebook.com/pages/O-Grande-Diálogo/193483684110775 
Desde já agradecemos a todos. 


[1] Metonímia: Figura de linguagem que consiste em designar um objeto por palavra designativa de outro objeto que tem com o primeiro uma relação de causa e efeito - trabalho, por obra - de continente e conteúdo - copo, por bebida - lugar e produto - porto, por vinho do Porto - matéria e objeto - bronze, por estatueta de bronze - abstrato e concreto - bandeira, por pátria - autor e obra - um Camões, por um livro de Camões - a parte pelo todo - asa, por avião etc.

[2] Dodd, C. H. Commentary on the Johannine Epistles in The Moffat New Testament Commentary. Hodder & Stoughton, London,1946.