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sexta-feira, 3 de junho de 2016

SILAS MALAFAIA CONVOCOU OS EVANGÉLICOS PARA UMA FARSA


Eles

AVISO AOS LEITORES: ANTES DE QUALQUER MANIFESTAÇÃO DE MÍ, MÍ, MÍ, SOLICITAMOS A TODOS QUE LEIAM NOSSO ARTIGO ATÉ O FIM E, SÓ ENTÃO, SE MANIFESTEM.

Agora que o chamado pacto — ou golpe — para a remoção da presidenta Dilma ficou patente aos olhos de todos, a situação dos golpistas é muito frágil e delicada.

Deve ser óbvio para todos que o governo interino não tem apoio popular, seja da parte dos batedores de panelas — que bateram panelas contra Temer durante sua primeira entrevista ao Fantástico da Rede Globo — seja da parte daqueles que vestiram as camisas da CBF sob a alegação que pretendiam combater a corrupção — rir para não chorar.

O que fazer então? Chamem os evangélicos para socorrerem o governo golpista e sem apoio popular. Afinal, os evangélicos já estão acostumados a serem usado como massa de manobra e, para isso, não faltam aproveitadores de plantão. 

Silas Malafaia chegou ao despudor de afirmar, acompanhado do impoluto senador Magno Malta, que Romeiro Jucá é um homem de princípios cristãos. Sério mesmo? Acerca de Jucá, Silas disse o seguinte:

“Romero Jucá é um amigo da comunidade evangélica. É um homem que defende ideais e princípios cristãos. Então, ele tem nosso apoio. Ele tem feito um trabalho gigantesco. Não é um político que chega aqui na quarta de manhã para sair na quarta à noite. É alguém que trabalho firme, duro e forte. Então tem o nosso apoio e como eu sou um pastor desejo que Deus o abençoe, o ilumine e lhe dê sabedoria para continuar essa jornada.”

O pronunciamento poderá ser visto por meio desse link aqui:


Alguém poderia objetar que o vídeo é antigo. Com certeza, mas isso não muda suas afirmações, que tinham a nítida impressão de convencer os incautos da probidade do, agora defenestrado, Romeiro Jucá. Se o Silas quer corrigir esse erro do passado, poderá gravar novo vídeo onde assuma sua culpa pelo que falou.

Mas muito bem. Os evangélicos então foram convocados para participarem de um mega ato profético — ocorrido no dia 1º de Junho de 2016. Primeiro vamos entender o que são tais atos proféticos e depois vamos analisar a proposta hipócrita envolvida no embuste proposto pelo pastor falastrão.  

O que são os chamados atos proféticos? Os “Atos Proféticos” são uma excrescência da chamada Teologia da Prosperidade. A intenção dos mesmos é determinar o futuro, como se meros seres humanos, que não passam de pó, tivessem a prerrogativa de determinar acontecimentos futuros. Trata-se da chamada confissão positiva aplicada ao futuro. Como podemos ver, não se lida nesses atos de seguir a revelação bíblica e sim da mais grossa manifestação de heresia. Como alguém já disse: existe a má-cumba e a boa-cumba que é praticada pelos evangélicos por meio de idiotices como esses tais atos proféticos. Os atos proféticos são heréticos porque assumem que Deus abriu mão de sua Soberania a favor de tolices inventadas pelos seres humanos. Estou enojado.

Segundo os defensores dessa heresia, eles têm autoridade para falar em nome de Deus e determinar o rumo dos acontecimentos futuros. Antes de prosseguir, gostaria de perguntar aos leitores que já participaram de tais atos, quanto efetivamente mudaram o rumo dos acontecimentos futuros? Quantos Atos Proféticos já foram realizados em minha cidade afirmando que ela seria do Senhor Jesus — implicando uma conversão em massa — e nada, absolutamente nada aconteceu. Hoje nem tem mais “crentes” declarando que São João pertence ao Senhor Jesus. O mesmo, eu sei, é verdade com todas as cidades onde se encontram os leitores. Isso deve bastar.

Os atos proféticos não passam, em sua essência, duma manifestação religiosa sincrética onde crenças evangélicas se misturam com práticas mágicas.

Para justificar a farsa, Silas Malafaia utiliza um tema querido dos brasileiros em geral: a luta contra a corrupção. Esse tema dá à convocação, certo ar de seriedade. Vejam o que o Silas afirmou acerca de seu ato profético numa entrevista concedida à BBC Brasil:

BBC Brasil - O que significa o termo profético?

Silas Malafaia - Um ato profético é fazer declarações sobre o futuro de um país. Profecia é coisa que ainda vai se cumprir, correto? É algo que vai acontecer e que se antecipa. Nós vamos declarar que o Brasil vai ser próspero, vai ter paz e vai ficar livre da corrupção, da crise econômica. Isso tudo é profético.

BBC Brasil - Então sua profecia é que crise econômica e corrupção vão terminar junto com o governo.

Silas Malafaia - Isso aí. É isso aí. É isso aí mesmo. O ato profético é para isso, é para declarar que a corrupção vai acabar, que toda a bandalheira vai ser exposta, que não vai ter derramamento de sangue, porque os 'esquerdopatas' têm o DNA da baderna, da desordem.

BBC Brasil - Não parece é difícil bancar uma profecia de fim da crise econômica e da corrupção, pastor?

Silas Malafaia - Não é difícil, não, rapaz. Na Bíblia, em épocas em que Israel vivia períodos de crise e fome, levantava um profeta que dizia que viria um tempo de paz e prosperidade. E aquilo tudo mudava. Então nós conhecemos esta prática. Agora, eu, além de liberar a palavra profética, vou 'sacudir a roseira' sobre o que está acontecendo, não tenha dúvida.

A entrevista de Silas Malafaia para a BBC Brasil poderá ser lida na íntegra por meio desse link:

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/03/160326_malafaia_entrevista_rs_if

Silas afirmou que seu ato profético iria determinar o fim da corrupção no Brasil, tão logo a presidenta fosse afastada. Alguém aí acredita nisso? Mas a realidade foi bem mais dura com Silas e seu ato profético: depois da presidenta ter sido afastada, o que vimos foi o governo ser assaltado por uma verdadeira quadrilha de malfeitores acusados das mais graves denúncias, incluindo o planejamento e a execução do golpe parlamentar, midiático e plutocrático.

Enquanto isso, continuamos aguardando pelo cumprimento bombástico do objetivo do tal ato profético. Esperamos, para breve, o início da inexorável derrocada da corrupção no Brasil, a menos que Silas Malafaia tenha pregado outra de suas peças no povo evangélico, que foi prestigiar o governo golpista e o tal ato profético.

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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sexta-feira, 20 de maio de 2016

OS EVANGÉLICOS E A CRISE POLÍTICA QUE O BRASIL ENFRENTA


Evangélicos
Evangélicos ainda são vistos com uma significativa dose de preconceito

O artigo abaixo foi publicado pelo site da revista CartaCapital e é de autoria de Juliano Spyer.

A crise política e os evangélicos

Sobre a disputa a respeito do impeachment, pentecostalismo e pensar fora da bolha.
por Juliano Spyer

O Brasil vive um momento de tensão entre pessoas favoráveis e contrárias ao impeachment. Por causa das redes sociais, a exposição das diferenças também provoca rachas no âmbito privado entre amigos e entre familiares. Mas milhares de brasileiros estão alheios a esse assunto.

Em um texto que circula online, um morador do Morro do Viradouro, no Rio de Janeiro, justifica o alheamento das classes populares do debate político nacional. Segundo ele, a ideia de que esteja ocorrendo um golpe, por exemplo, não faz sentido para quem vive o cotidiano de assassinatos e torturas da época da ditadura.

Outro grupo que também faz parte das camadas populares e que é também desprezado pelas classes médias educadas é o dos evangélicos.

Esse desentendimento aparece, por exemplo, em um artigo da The Economist sobre as justificativas dadas por deputados que votaram durante a sessão sobre o impeachment. A revista preferiu enfatizar o estereotipo carnavalesco (pouco sério) do País e perdeu a oportunidade de mostrar como a maior parte dos motivos se referiam a família, religião e Deus. Estes são temas relevantes para os 25% de brasileiros que hoje se identificam como evangélicos.
Analistas de marketing usam a expressão “pensar fora da caixa” para se referir a ser criativo. Uma versão etnográfica dessa expressão pode ser “pensar fora da bolha”; neste caso, a bolha é a classe social.

Em círculos educados, evangélicos são vistos no melhor caso como fanáticos religiosos, mas mais frequentemente são percebidos como ignorantes, retrógrados e mal intencionados. Nos 15 meses em que morei num povoado trabalhador no litoral da Bahia para uma pesquisa de campo, tive uma experiência mais nuançada desse fenômeno.

Este grupo é moralmente conservador, mas está longe dos estereótipos cultivados dentro da bolha. As ambições de atingir sucesso financeiro são na maior parte dos casos o desejo de fazer parte do mesmo mundo de consumo que os afluentes habitam. Para além disso, a contribuição dos evangélicos à sociedade é quase completamente ignorada.

As organizações evangélicas estão frequentemente mais presentes e ativas do que o governo na vida das populações vulneráveis. Além do apoio espiritual, grupos pentecostais promovem a alfabetização ativamente em suas comunidades e também intermediam o contato de fieis com serviços especializados com advogados e médicos.

Ao “reciclarem almas” de dependentes químicos e criminosos, oferecem um serviço não reconhecido, mas valioso para a sociedade – muito melhor do que a polícia pode sonhar em oferecer.

Isso não serve para negar a moral conservadora abraçada por este grupo em temas como aborto e casamento gay, ou para justificar a atuação de alguns políticos evangélicos. Trata-se aqui de uma visão baseada na experiência etnográfica.

Há 100 milhões de brasileiros – metade da população do País – na chamada ‘nova classe média’ (na verdade, uma nova classe trabalhadora), e o pentecostalismo tem uma contribuição ainda desprezada nesse processo de mudança socioeconômica.

A dificuldade de aceitar o evangélico talvez resida no fato de eles não se enquadrarem na visão idealizada e vitimizada do pobre. Ressalta-se o fanatismo e despreza-se como eles valorizam a educação (inclusive a superior). Menciona-se o conservadorismo, mas esquece-se da redução da violência doméstica e do alcoolismo nas famílias evangélicas.

Os evangélicos estão vencendo os estigmas e a condição de pobreza ligados à história de desigualdade do Brasil. Ter um olhar generoso e interessado em vez de preconceituoso em relação a essa população pode ajudar a entender por que eles também estão alheios ao debate sobre o impeachment.

*Juliano Spyer é antropólogo do projeto Why We Post da University College London. Ele pesquisa os efeitos das novas mídias na mobilidade social das classes populares emergentes.

O artigo original poderá ser visto por meio do link abaixo:


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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segunda-feira, 9 de maio de 2016

OS EVANGÉLICOS E O FUTURO GOVERNO TEMER


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Culto na Câmara dos Deputados com a presença de Eduardo Cunha

O artigo abaixo foi publicado no site do DCM — Diário do Centro do Mundo — por seu editor adjunto, Kiko Nogueira. O artigo é da autoria do bispo da tradição episcopal Hermes Fernandes, que expôs a mentira e as falácias de Marco Feliciano acerca do continente africano.

O que esperar de um governo fruto de um golpe, sustentado por porta vozes de Deus?

Kiko Nogueira

Hermes Carvalho Fernandes é teólogo com doutorado em Ciências da Religião, presidente da REINA (Rede Internacional de Amigos) e bispo sagrado na tradição episcopal. Recentemente, ficou conhecido com um vídeo em que expõe a ignorância de Marco Feliciano sobre a África, ignorância admitida pelo próprio Marco Feliciano.

O vídeo poderá ser visto por meio desse link aqui:


Ele escreveu esse texto para o DCM, explicando a alegria da bancada evangélica com um eventual governo Temer.

É vergonhosa, para não dizer desconcertante, a maneira como os membros da chamada bancada evangélica têm se aproximado do protagonista de uma das mais escandalosas tentativas de golpe da história da república. Jornais noticiaram que Michel Temer abriu espaço em sua disputadíssima agenda para receber no Palácio do Jaburu alguns dos mais proeminentes líderes evangélicos para abençoá-lo como faziam os profetas aos reis no Antigo Testamento.

Dentre eles, o controverso pastor Silas Malafaia e o deputado e também pastor Marco Feliciano. Apesar de gozarem de uma ampla exposição por parte da mídia, ambos estão longe de serem unanimidades entre os evangélicos, não tanto por sua postura reacionária, que, diga-se de passagem, coincide com a da maioria dos evangélicos e católicos no país, mas, sobretudo, por sua conduta agressiva e antiética na comercialização da fé. Vale ressaltar que boa parte da bancada evangélica é formada por adeptos da famigerada teologia da prosperidade. O discurso moralista serve tão somente para angariar votos.

Sem embargo, a bancada evangélica representa o que há de mais retrógrado no cenário político atual. Seus componentes (com raríssimas exceções) foram eleitos para defender exclusivamente os interesses de suas respectivas agremiações religiosas. São bravos em lutar por concessões de rádio e TV, por privilégios para seus líderes, isenções tributárias para as igrejas e captação de verbas para realização de eventos. Entre estes, não há preocupação com os desassistidos, com as minorias, com a justiça social. Então, como poderiam captar votos sem oferecer ao povo alguma promessa concreta?

A resposta é relativamente simples. Descobriram na moralidade cristã a melhor artimanha para enredar os incautos e se elegerem sem muito esforço.  Elaboraram um discurso que coloca a família tradicional sob um ataque acirrado de quem supostamente pretende aniquilá-la. Quem seria o Golias da vez contra o qual o pequeno Davi teria que lutar? A ditadura gayzista! Soa cômico, não fosse trágico. Como alguém em sã consciência poderia dar ouvidos a um discurso tão raso e odioso!

A partir daí, começaram a criar factoides, mentiras deslavadas. Espalharam que havia um projeto de lei que obrigaria pastores a casarem homossexuais, e os que se negassem a fazê-lo sairiam algemados de seus cultos. Depois de derrubada a PL 122, trataram de procurar outro inimigo para continuar sua luta hercúlea pela moral e pelos bons costumes, e assim, garantir seu capital político. A bola da vez é o que eles apelidaram de “ideologia de gênero”, política engendrada no inferno e disseminada pelos comunistas do Partido das Trevas em conluio com o Foro de São Paulo. A partir daí, passaram a assustar aos fiéis afirmando que seus filhos seriam iniciados sexualmente nas escolas. Que o estado incentivaria a prática da pedofilia e a operação de mudança de sexo entre crianças. Que no afã de se instaurar um processo de engenharia social visando coibir o crescimento populacional, as escolas se transformariam em verdadeiras fábricas de homossexuais.

Risível, não? Mas preocupante. Muita gente simples que compõe a maior parte da comunidade evangélica no país comprou a ideia. Seguindo a cartilha de Joseph Goebbels, ministro de propaganda de Hitler, líderes obstinados pelo poder lançaram suas fichas na máxima de que uma mentira contada muitas vezes acabe se tornando verdade. Quão distantes se tornaram d’Aquele carpinteiro cuja voz ecoava pelas ruas da Galileia: Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará!

Seu Messias é Bolsonaro, seu profeta é Malafaia, seu mestre é Olavo de Carvalho e ainda por cima, considera Cunha um gênio. O que mais esperar do mais proeminente representante da bancada evangélica? Refiro-me a Marco Feliciano. Enquanto o Messias reacionário é preparado para 2018, Feliciano, Malafaia e cia. ungem Michel Temer como seu predecessor, uma espécie de João Batista.

O que podemos esperar de um governo fruto de uma conspiração golpista apoiado por gente que se apresenta como porta-voz de Deus, mas arrota enxofre?

Bem fez Napoleão Bonaparte ao se recusar ser coroado pelo Papa. Todavia, a história nos ensina que o poder sempre busca legitimação na religião. Napoleão sabia disso, e chegou a afirmar que a religião seria um ótimo tranquilizante para pessoas comuns. O livro de Apocalipse nos apresenta a figura de duas bestas, uma representando o poder político, e a outra o religioso, que numa relação incestuosa ameaça a civilização. A besta que representa o poder religioso se apresenta como tendo a aparência de cordeiro, mas cuja voz é de dragão (Apocalipse 13:11).

O mesmo Silas que hoje faz campanha ostensiva para derrubar um governo democraticamente eleito, não faz muito tempo, surpreendeu seus telespectadores ao agradecer à presidente Dilma pela sanção da Medida Provisória (MP) 668 que, não só ampliou a isenção tributária de igrejas, incluindo as comissões pagas a pastores como ajuda de custo, como também livrou muitas denominações de multas milionárias.
Silas Malafaia e o missionário R. R. Soares foram dois dos principais beneficiários da MP, graças à atuação de ninguém menos que Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Silas se livrou de uma multa de R$ 1,5 milhão, enquanto o presidente da Igreja Internacional da Graça se livrou de uma multa de R$ 220 milhões. Dentre os beneficiários, estariam Robson Rodovalho, bispo da Sara Nossa Terra e Mário de Oliveira, presidente da Igreja do Evangelho Quadrangular.

Se estivesse isolada, talvez a bancada evangélica não fizesse tanto estrago. Mas ao unir-se com as bancadas rural e armamentista, tornaram-se num poderoso bloco conhecido como BBB (boi, bala e bíblia) capaz de impor sua agenda à nação.

Como seguidor de Cristo, devo salientar que o Nazareno passa longe de tudo isso. Duvido muito que Ele compactue com qualquer tentativa de golpe, e muito menos com uma agenda comprometida com a manutenção do status quo. O Cristo que vejo emergir das páginas do Novo Testamento é afeito à causa do excluído, do marginalizado, do penalizado por políticas públicas cruéis, do condenado pelo moralismo cego e hipócrita. Da primeira vez que aqui esteve, Ele frustrou a expectativa de quem apostava de que Ele protagonizasse um golpe que destituísse Herodes, substituindo-o por um legítimo descendente de Davi.

Aos gritos de “Hosanas!”, a multidão que o recebeu à porta da cidade esperava que marchasse em direção ao palácio, porém, Seus planos eram outros. Em vez de ceder à pressão popular, a Sua decisão naquele dia era de que não teria golpe. Herodes podia respirar tranquilo. Quem tinha o que temer eram os mercadores do templo, os exploradores da fé. Munido de chicote, Jesus invadiu o recinto sagrado e os expulsou sem dó, nem piedade.

Engana-se quem pensa que o reino de Deus pregado por Jesus possa ser confundido com agendas políticas. “Meu reino não é deste mundo”, teria dito a Pilatos. Portanto, mantenhamos cada coisa em seu devido lugar. Que o Estado siga laico. E a religião assuma seu papel de inspirar os homens em sua luta pelo bom, belo e justo. Que os líderes religiosos se espelhem em Jesus. Que preguem o amor em vez de destilar o ódio. Que desistam de sua fome pelo poder. Que apontem menos o dedo e estendam mais as mãos. Que sejam pelos oprimidos, denunciando os poderosos e suas astúcias.

E quanto à sua aproximação dos que conspiram pela queda do atual governo, sugiro que leiam o Salmo de número 84, do verso 2 ao verso 4: “Até quando defendereis os injustos, e tomareis partido ao lado dos ímpios? Defendei a causa do fraco e do órfão; protegei os direitos do pobre e do oprimido. Libertai o fraco e o necessitado; tirai-o das garras dos perversos.”

Hermes Fernandes

O artigo original poder ser visto por meio desse link aqui:


Que Deus tenha misericórdia do Brasil.

Alexandros Meimaridis

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sexta-feira, 22 de abril de 2016

CÂMARA DOS DEPUTADOS OU CIRCO?


Deputada Raquel Muniz vota contra a "corrupção" às vésperas do marido ser preso por corrupção

O artigo abaixo foi escrito pelo jornalista Johnny Bernardo e publicado no site do Gnotícias

Um show de horrores na Câmara Federal

Por Johnny Bernardo          

Não há outra definição com relação ao que aconteceu em 17 de Abril de 2016, na Câmara Federal, que um “show de horrores”. Como cidadão não posso ficar calado diante de tamanho agravo à democracia brasileira, tamanho desrespeito ao voto popular. Faço uso deste espaço opinativo para manifestar meu repúdio ao golpe constitucional que está em curso nos bastidores de Brasília. Depor a presidenta Dilma Rousseff e colocar em seu lugar um grupo de líderes corruptos do PMDB é um grande erro e contradição. Sair às ruas de verde e amarelo para pedir “mudanças” e ter como resultado a ascensão de Michel Temer como presidente é um erro e uma clara contradição.

Nada irá mudar, com exceção de que os golpistas irão lutar para o esfacelamento das investigações em curso contra seus pares, como a exemplo do Eduardo Cunha. Nenhum outro país democrático permitiria que um líder corrupto, com contas secretas na Suíça, e denúncia recente de que recebeu mais de R$ 52 milhões em propina, comandaria um processo de impeachment de uma presidenta cujo caráter é ilibado – inclusive o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez questão de reconhecer em inúmeras declarações que a “presidente Dilma é uma pessoa honrada”. Ainda cabe dizer que os parlamentares que julgam a presidenta pelas supostas pedaladas fiscais cerca de 290 respondem por processos que envolvem compra de votos em suas bases eleitores e participação no desvio de milhões dos cofres públicos. A prisão (hoje, 18) do prefeito de Montes Claros, Ruy Muniz pela Polícia Federal, foi sintomática. Muniz é casado com a deputada federal Raquel Muniz, que votou sim pelo processo de impeachment. Em seu voto Raquel Muniz disse que o “Brasil tem jeito”.

É fato conhecido internacionalmente, e um dos jornais de maior prestígio, o The New York Times, em manchete de capa publicada no último dia 15, destacou que o “impeachment contra a presidente Dilma está sendo liderado por políticos acusados de corrupção”. Não é, portanto, qualquer jornal de esquerda que faz referência ao processo, mas um dos mais conceituados do mundo. A imagem do Brasil está sendo aos poucos dilapidada por políticos sem escrúpulos, que fazem o jogo da luta “do poder pelo poder”. Não há uma real preocupação com os pobres, com os trabalhadores, com as famílias, e sim com a manutenção da corrupção e destruição dos benefícios sociais adquiridos desde a Constituição de 1988. Houve corrupção nos governos do PT tal como observamos ao longo dos últimos 500 anos, e quem errou tem que pagar por seus erros. Agora fazer uso de princípios constitucionais para depor uma presidenta que não tem qualquer participação nos delitos praticados é sim um golpe. O impeachment é um instituto presente na Constituição Federal de 1988, mas desde que possua fundamento jurídico. No atual processo contra Dilma não há fundamento.

Não é o processo em si o principal motivo de repúdio, mas os parlamentares que estão por trás. Na sessão de ontem os parlamentares fizeram reiteradas referências à família, a Deus e as suas denominações religiosas. São os mesmos parlamentares cujos nomes aparecem relacionados em escândalos de corrupção. Dentre as denominações evangélicas mencionadas, a Igreja do Evangelho Quadrangular e a Igreja Mundial do Poder de Deus tiveram destaque, assim como o Movimento Carismático. Nada diferente dos deputados que são reconhecidamente representantes do Agronegócio, que defendem a flexibilização das leis trabalhistas. Não são meros tiriricas, mas filhos e netos de parlamentares que ocupam o cenário político há gerações. O mais grotesco das manifestações partiu do deputado pelo Rio de Janeiro Jair Bolsonaro que, em seu voto pelo prosseguimento do processo, fez uma defesa da memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. O mencionado cometeu diversos assassinatos e participou de sessões de tortura.

Esta é a pior composição congressista da história da República, um retrocesso após inúmeros ganhos sociais e progressistas que não ocorriam desde Getúlio Vargas. O processo de impeachment autorizado ontem foi um verdadeiro comício patrocinado pela mídia brasileira. Na fala dos senhores congressistas eram frequentes as menções aos currais eleitorais. É nítida a intenção de veicular os votos às próximas eleições gerais em que parentes concorrem à reeleição. Foi, de fato, um verdadeiro show de horrores. Fundamentar o progresso político em suas bases por meio de um processo sem fundamento jurídico ou moral é um exemplo da podridão que se instalou no Congresso Nacional. Não há parlamentares comprometidos com a manutenção de projetos importantes, como o Minha Casa, Minha Vida, o Prouni, o Pronatec, a Farmácia Popular, a Ciência Sem Fronteiras, o Caminho da Escola, a expansão das universidades federais, a valorização do salário mínimo, e sim com a manutenção de seus privilégios econômicos e políticos. Hipocrisia.

Querem moralizar a política? Então que todos renunciem aos seus cargos e sejam chamadas eleições gerais, para o Executivo e o Legislativo, e que se faça uma reforma política de verdade, que não proteja seus interesses nos Estados e o coronelismo. É o único caminho ao clamor popular, que não é apenas da esquerda, como também da direita. É preciso um pacto nacional pela manutenção dos benefícios sociais e econômicos. Caso contrário, de nada adiantara multidões de pessoas irem às ruas vestidas de verde e amarelo se o que teremos na Presidência será uma composição política pior da que está sendo expulsa pela via golpista e inconstitucional. Michel Temer, Eduardo Cunha, Renan Calheiros, Aécio Neves e Jair Bolsonaro não são quadros políticos adequados para recriar a República, mas destruí-la definitivamente. Os evangélicos progressistas não compactuam com semelhante golpismo que tem como objetivo destruir as bases sociais, tornar precário o trabalho e aprofundar a desigualdade social. Temos que encontrar um novo caminho.

"As opiniões ditas pelos colunistas são de inteira e única responsabilidade dos mesmos, as mesmas não representam a opinião do Gospel+ e demais colaboradores."

Por Johnny Bernardo

Johnny Bernardo é jornalista, pesquisador da religiosidade brasileira e das relações entre religião e sociedade, colunista do Gnotícias e do Núcleo Apologético de Pesquisas e Ensino Cristão (NAPEC) Outros detalhes sobre o pesquisador no blog - http://jtbernardo.blogspot.com.br/ Contato: pesquisasreligiosas@gmail.com Google Plus

O artigo original poderá ser lido por meio do link abaixo —


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quinta-feira, 22 de outubro de 2015

ÓDIO NO BRASIL: UMA PRESENÇA CONSTANTE

A história do ódio no Brasil
Quadro retratando o assassinato de Tiradentes

O artigo abaixo foi escrito por Frederico Di Giacomo Rocha.

A história do ódio no Brasil
Publiquei esse texto originalmente no meu projeto Glück.

“Achamos que somos um bando de gente pacífica cercados por pessoas violentas”. A frase que bem define o brasileiro e o ódio no qual estamos imersos é do historiador Leandro Karnal. A ideia de que nós, nossas famílias ou nossa cidade são um poço de civilidade em meio a um país bárbaro é comum no Brasil. O “mito do homem cordial”, costumeiramente mal interpretado, acabou virando o mito do “cidadão de bem amável e simpático”. Pena que isso seja uma mentira. “O homem cordial não pressupõe bondade, mas somente o predomínio dos comportamentos de aparência afetiva”, explica o sociólogo Antônio Cândido. O brasileiro se obriga a ser simpático com os colegas de trabalho, a receber bem a visita indesejada e a oferecer o pedaço do chocolate para o estranho no ônibus. Depois fala mal de todos pelas costas, muito educadamente.


Olhemos o dicionário: cordial significa referente ou próprio do coração. Ou seja, significa ser mais sentimental e menos racional. Mas o ódio também é um sentimento, assim como o amor.  (Aliás os neurocientistas têm descoberto que ambos sentimentos ativam as mesmas partes do cérebro.) Nós odiamos e amamos com a mesma facilidade. Dizemos que “gostaríamos de morar num país civilizado como a Alemanha ou os Estados Unidos, mas que aqui no Brasil não dá para ser sério.” Queremos resolver tudo num passe de mágica. Se o político é corrupto devemos tirar ele do poder à força, mas se vamos para rua e “fazemos balbúrdia” devemos ser espancados e se somos espancados indevidamente, o policial deve ser morto e assim seguimos nossa espiral de ódio e de comportamentos irracionais, pedindo que “cortem a cabeça dele, cortem a cabeça dele”, como a rainha louca de Alice no País das Maravilhas. Ninguém para 5 segundos para pensar no que fala ou no que comenta na internet. Grita-se muito alto e depois volta-se para a sala para comer o jantar. Pede-se para matar o menor infrator e depois gargalha-se com o humorístico da televisão. Não gostamos de refletir, não gostamos de lembrar em quem votamos na última eleição e não gostamos de procurar a saída que vai demorar mais tempo, mas será mais eficiente. Como escreveu Sérgio Buarque de Holanda, em “Raízes do Brasil“, o criador do termo “homem cordial” : “No Brasil, pode dizer-se que só excepcionalmente tivemos um sistema administrativo e um corpo de funcionários puramente dedicados a interesses objetivos e fundados nesses interesses. Ao contrário, é possível acompanhar, ao longo de nossa história, o predomínio constante das vontades particulares que encontram seu ambiente próprio em círculos fechados e pouco acessíveis a uma ordenação impessoal” Ou seja, desde o começo do Brasil todo mundo tem pensando apenas no próprio umbigo e leva as coisas públicas como coisa familiar. Somos uma grande família, onde todos se amam. Ou não?

O já citado Leandro Karnal diz que os livros de história brasileiros nunca usam o termo guerra civil em suas páginas. Preferimos dizer que guerras que duraram 10 anos (como a Farroupilha) foram revoltas. Foram “insurreições”. O termo “guerra civil” nos parece muito “exagerado”, muito “violento” para um povo tão “pacífico”. A verdade é que nunca fomos pacíficos. A história do Brasil é marcada sempre por violência, torturas e conflitos. As decapitações que chocam nos presídios eram moda há séculos e foram aplicadas em praça pública para servir de exemplo nos casos de Tiradentes e Zumbi. As cabeças dos bandidos de Lampião ficaram expostas em museu por anos. Por aqui, achamos que todos os problemas podem ser resolvidos com uma piada ou com uma pedrada. Se o papo informal não funciona devemos “matar” o outro. Duvida? Basta lembrar que por aqui a república foi proclamada por um golpe militar. E que golpes e revoluções “parecem ser a única solução possível para consertar esse país”. A força é a única opção para fazer o outro entender que sua ideia é melhor que a dele? O debate saudável e a democracia parecem ideias muito novas e frágeis para nosso país.

Cabeças do bando de Lampião
Bando de Lampião - foto de 1938

Em 30 anos, tivemos um crescimento de cerca de 502% na taxa de homicídios no Brasil. Só em 2012 os homicídios cresceram 8%. A maior parte dos comentários raivosos que se lê e se ouve prega que para resolver esse problema devemos empregar mais violência. Se você não concorda “deve adotar um bandido”. Não existe a possibilidade de ser contra o bandido e contra a violência ao mesmo tempo.  Na minha opinião, primeiro devemos entender a violência e depois vomitar quais seriam suas soluções. Por exemplo, você sabia que ocorrem mais estupros do que homicídios no Brasil? E que existem mais mortes causadas pelo trânsito do Brasil do que por armas de fogo? Sim, nosso trânsito mata mais que um país em guerra. Isso não costuma gerar protestos revoltados na internet. Mas tampouco alivia as mortes por arma de fogo que também tem crescido ano a ano e se equiparam, entre 2004 e 2007, ao número de mortes em TODOS conflitos armados dos últimos anos. E quem está morrendo? 93% dos mortos por armas de fogo no Brasil são homens e 67% são jovens. Aliás, morte por arma de fogo é a principal causa de mortalidade entre os jovens brasileiros. Quanto à questão racial, morrem 133% mais negros do que brancos no Brasil. E mais: o número de brancos mortos entre 2002 e 2010 diminuiu 25%, ao contrário do número de negros que cresceu 35%. É importante entender, no entanto, que essas mortes não são causadas apenas por bandidos em ações cotidianas. Um dado expressivo: no estado de São Paulo ocorreram 344 mortes por latrocínio (roubo seguido de morte) no ano de 2012. No mesmo ano, foram mortos 546 pessoas em confronto com a PM. Esses números são altos, mas temos índices ainda mais altos de mortes por motivos fúteis (brigas de trânsito, conflitos amorosos, desentendimentos entre vizinhos, violências domésticas, brigas de rua, etc.). Entre 2011 e 2012, 80% dos homicídios do Estado de São Paulo teriam sido causados por esses motivos que não envolvem ação criminosa. Mortes que poderiam ter sido evitadas com menos ódio. É importante lembrar que vivemos numa sociedade em que “quem não reage, rasteja”, mas geralmente a reação deve ser violenta. Se “mexeram com sua mina” você deve encher o cara de porrada, se xingaram seu filho na escola “ele deve aprender a se defender”, se falaram alto com você na briga de trânsito, você deve colocar “o babaca no seu lugar”. Quem não age violentamente é fraco, frouxo, otário. Legal é ser ou Zé Pequeno ou Capitão Nascimento.  Nossos heróis são viris e “esculacham”


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Se tivesse nascido no Brasil, Gandhi não seria um homem sábio, mas um “bundão” ou um “otário”.
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O discurso de ódio invade todos os lares e todos os segmentos. Agora que o gigante acordou e o Brasil resolveu deixar de ser “alienado” todo mundo odeia tudo. O colunista da Veja odeia o âncora da Record que odeia o policial que odeia o manifestante que odeia o político que odeia o pastor que odeia o “marxista” que odeia o senhor “de bem” que fica em casa odiando o mundo inteiro em seus comentários nos portais da internet. Para onde um debate rasteiro como esse vai nos levar? Gritamos e gritamos alto, mas gritamos por quê?

Política não é torcida de futebol, não adianta você torcer pela derrota do adversário para ficar feliz no domingo. A cada escândalo de corrupção, a cada pedreiro torturado, a cada cinegrafista assassinado, a cada dentista queimada, a cada homossexual espancado; todos perdemos. Perdemos a chance de conseguir dialogar com o outro e ganhamos mais um motivo para odiar quem defende o que não concordamos.

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Eu também me arrependo muitas vezes de entrar no calor das discussões de ódio no Brasil; seja no Facebook, seja numa mesa de bar. Às vezes me pergunto se eu deveria mesmo me pronunciar publicamente sobre coisas que não conheço profundamente, me pergunto por que parece tão urgente exprimir minha opinião. Será essa a versão virtual do “quem não revida não é macho”? Se eu tivesse que escolher apenas um lado para tentar mudar o mundo, escolheria o lado da não-violência. Precisamos parar para respirar e pensar o que queremos e como queremos. Dialogar. Entender as vontades do outro. O Brasil vive um momento de efervescência, vamos usar essa energia para melhorar as coisas ou ficar nos matando com rojões, balas e bombas? Ou ficar prendendo trombadinhas no poste, torturando pedreiros e chacinando pessoas na periferia? Ou ficar pedindo bala na cabeça de políticos? Ficar desejando um novo câncer para o Reinaldo Azevedo ou para o Lula? Exigir a volta da ditadura? Ameaçar de morte quem faz uma piada que não gostamos?

Se a gente escutasse o que temos gritado, escrito e falado, perceberíamos como temos descido em direção às trevas interiores dos brasileiros às quais Nélson Rodrigues avisava que era melhor “não provocá-las. Ninguém sabe o que existe lá dentro.”

Será que não precisamos de mais inteligência e informação e menos ódio? Quando vamos sair dessa infantilidade de “papai bate nele porque ele é mau” e vamos começar a agir como adultos? Quando vamos começar a assumir que, sim, somos um povo violento e que estamos cansados da violência? Que queremos sofrer menos violência e provocar menos violência? Somos um povo tão religioso e cristão, mas que ignora intencionalmente diversos ensinamentos de Jesus Cristo. Não amamos ao nosso inimigo, não damos a outra face, não deixamos de apedrejar os pecadores. Esquecemos que a ira é um dos sete pecados capitais. Gostamos de ficar presos na fantasia de que vivemos numa ilha de gente de bem cercada de violência e barbárie e que a única solução para nossos problemas é exterminar todos os outros que nos cercam e nos amedrontam.

Mas quando tudo for só pó e solidão, quem iremos culpar pelo ódio que ainda carregaremos dentro de nós?

O artigo original poderá ser vidto por meio desse link aqui:


Que Deus abençoe e ajude a todos.

Alexandros Meimaridis

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