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segunda-feira, 2 de outubro de 2017

FILME ESTÁ É A SUA MORTE E O DEBATE EM TORNO DA ELIMINAÇÃO DOS POBRES



O sociólogo Jesse de Sousa em seu livro intitulado A Elite do Atraso — Da Escravidão até à Lava Jato faz uma ponderação digna de ser repetida. A elite brasileira, repetindo outras elites ao redor do mundo, deseja perpetuar o esquema criado com a escravidão e a eliminação sistemática dos pobres. Mas como dissemos isso não é ideia da elite brasileira apenas. Prova disso é o filme Está é a sua morte, cujo tema central trabalha a autoeliminação via suicídio de pessoas pobres e que já não têm mais nenhuma esperança.

O comentário abaixo é da autoria do Prof. Dr. Wilson Roberto Vieira Ferreira e foi publicado originalmente em seu blog.

Wokesploitation é a fronteira final do reality show em "Esta é a Sua Morte"
Wilson Roberto Vieira Ferreira

Depois de explorar as mazelas do sexo e da vida, a última fronteira da TV é a morte. Mas não a das vítimas, mas daqueles que querem dar cabo das suas próprias vidas. Depois de décadas de críticas e sátiras cinematográficas ao gênero televisivo do reality show, “Essa é a Sua Morte” (2017) evoca a tendência atual do “Wokesploitation” — chamar a atenção das injustiças da mídia e sociedade por meio da hiper-violência e muito sangue, como na franquia “Uma Noite de Crime”. Mas é um reality show sobre suicidas endividados através do viés “camp”, “trash” como fosse uma típica “soap opera” norte-americana. Um filme que vai além da crítica ao reality show: mostra a fase terminal da TV, agora obcecada em procurar de forma tautista “a realidade do real” numa sociedade na qual a morte se tornou mais lucrativa do que a vida, seja no sistema econômico quanto no político.

O gênero televisivo reality show já foi desconstruído e virado ao avesso pelo cinema, desde o clássicos gnósticos Show de Truman e EdTV que suscitavam discussões espirituais e existenciais.

Porém, o século XXI a tendência foi a desconstrução a partir do viés chamado “wokesploitation”: despertar a consciência crítica do espectador para as injustiças da indústria do entretenimento através da hiper-violência, sangue e tripas — forçar o espectador a abrir os olhos. Mas, paradoxalmente, oferecendo ao mesmo tempo o prazer voyeurista que é a essência do reality show.

Esta é a Sua Morte (This is Your Death, aka The Show, 2017), dirigido pelo vilão “Gus” da série Breaking Bad Giancarlo Esposito, incorre nesse mesmo paradoxo. Entretanto, a novidade que Esposito nos entrega é uma wokesploitation num viés camp (estética baseada na ironia kitsch, no exagero e numa proposital vulgaridade), trash, com uma linguagem de câmera e performance dos atores como fosse uma grande soap opera – a telenovela norte-americana. O que é reforçado pela estética da fotografia de Paul Mitchnik, que passou a maior parte da sua carreira fazendo filmes para TV.

Como um filme camp, o próprio título do filme guarda uma ironia que talvez somente aqueles que viveram o suficiente a história da TV vão perceber: o título faz um trocadilho com um dos primeiros reality shows da primeira idade de ouro da TV, o programa This Is Your Life (1952-1961) – criado e apresentado por Ralph Edwards, foi o primeiro programa de TV forjado para criar intimidade com o espectador. Celebridades ou pessoas comuns (que de alguma forma contribuíram com sua comunidade) eram surpreendidas no show ao vivo com uma apresentação dos detalhes das suas vidas, contadas por parentes e amigos.

 Esse trocadilho do título, ao lado da linha de diálogo “eu quero mostrar a realidade do real!” confessada ansiosamente pelo protagonista a certa altura do filme, mostra que Esta é a Sua Morte vai muito além da discussão do reality show – Esposito pretende discutir o esgotamento atual do próprio formato da televisão, pelo menos da TV aberta comandada pelos níveis de audiência.

A passagem de “This Is Your LIFE” para “This Is Your DEATH” mostra o final tautista (tautologia + autismo) de uma mídia que parece devorar a si mesma, tão autocentrada e incapaz de mostrar o real de forma sincera e honesta que, depois de explorar a vida e o sexo restaria a última fronteira: a morte – um reality show com pessoas dando cabo da própria vida ao vivo.

E o sintoma de uma sociedade na qual a morte se tornou mais lucrativa do que a vida, seja no sistema econômico quanto no político.

O Filme

Os créditos iniciais do filme são entrecortados com cenas de um desastre ocorrido no episódio final do reality show Casei com um Milionário. Restando duas finalistas, o milionário em questão escolhe uma delas para ser sua esposa. Terminando com a vice-campeã rejeitada disparando uma arma contra o homem antes de virar a arma para si mesma, matando-se ao vivo e em rede nacional.

Para o galã apresentador (propositalmente caricato com seu “gel-hair”) Adam Roger (Josh Duhamel), é o momento da chamada para o despertar no dia seguinte da tragédia: no programa “Morning Show EUA”, apresentado com um sorriso de porcelana por James Franco, Adam desabafa ao vivo as afrontas dos jogos televisivos – colocar um contra o outro pessoas endividadas e  desesperadas para a emissora ganhar audiência e muito dinheiro.

O que lembra bastante o clássico de Sidney Lumet Network: Rede de Intrigas (1976) no qual um apresentador de telejornal ameaça se matar ao vivo gritando “Estou louco como o demônio, e não aguento mais isso!” – sobre o filme clique aqui:


Depois desse desabafo ao vivo, Adam se acha acabado para a TV, volta para casa e encontra sua irmã Karina (Sarah Wayne Callies), uma assistente de enfermagem, dando-lhe os parabéns pela atitude. Chamado pela executiva Ilana Katz (Famke Janssen) para uma reunião no dia seguinte com a cúpula da emissora, Adam acredita que será demitido e carreira na TV terminada.

Mas, para sua surpresa, descobre que em vez de demitido é apresentado para uma nova produtora chamada Sylvia (Caitlin Fitzgerald) para desenvolverem um novo reality show no qual pessoas pobres e com intenções suicidas sejam encorajadas a dar cabo de si mesmas ao vivo.

Um advogado dá o suporte jurídico necessário: a rede não poderia ser responsabilizada, desde que provasse que não estimulou os atos suicidas – apenas disponibilizou os meios, sem disparar o gatilho.

Inebriado pela sua tomada de consciência, Adam pretende conciliar sua nova “consciência crítica” com os propósitos de lucro dos executivos da rede: “não quero fazer um show que afirme a morte. Quero que as pessoas morram por um propósito maior...”, racionaliza Adam Roger em sua epifania.

Com o programa “Essa é a Sua Morte”, Adam vira uma espécie de tele-evangelista da morte, com a missão de “acordar a nação” mostrando pessoas desesperadas, endividadas ou com doenças terminais trocando a sua vida por um futuro melhor para seus familiares – em um jogo mórbido, os telespectadores fazem doações para o suicídio com melhor performance.

Paralela a essa estória, acompanhamos as desventuras de Mason Washington (interpretado pelo próprio Esposito), faxineiro da emissora e vivendo de diversos bicos mal remunerados. Aos 55 anos, já teve seus melhores dias, mas perdeu o emprego com a crise econômica. E hoje, endividado, está prestes a perder sua casa para o banco e não consegue mais sustentar sua família.

Fica óbvio que os destinos de Mason e do tele-evangelista da morte Adam Roger ocasionalmente se chocarão. Principalmente porque para Roger, a gincana dos suicídios acaba se transformando em um fim em si mesmo: obcecado pela audiência para continuar “despertando” o público para a realidade da nação, Roger vai inevitavelmente ultrapassar a linha da legalidade.

Tautismo da Neotevê

“Mostrar a realidade do real!”. Essa exortação angustiada de Adam Roger é o sintoma da fase terminal da TV atual, a fase da metástase do que o pesquisador francês Lucien Sfez chamava de “tautismo”: o fechamento operacional de um sistema autocentrado, tautológico e isolado do mundo exterior – SFEZ, Lucien, Crítica da Comunicação, Loyola, 1994.

Depois da primeira fase áurea (dos tempos do Esta é a Sua Vida) no qual a TV pretendia ser uma janela aberta para o mundo, sua hipertrofia midiática fez se converter em “Neotevê” (Umberto Eco) – uma televisão mais preocupada em falar de si mesma com muita metalinguagem e making of — ver  aqui

Esta é a Sua Morte mostra a atual fase terminal: após tanta metalinguagem e de apresentar para o público o artifício por trás de câmeras e apresentadores, tardiamente a TV volta a lembrar que existe um mundo exterior, no deserto do real. Porém, o tautismo já está em metástase: a “realidade do real” está condenada a ser convertida pela realidade aumentada do show e entretenimento televisivos.

Mas por que a realidade aumentada através da morte? Em uma das linhas de diálogo de Adam Roger ainda consciente (antes de ser absorvido pela lógica mercadológica do show) dispara: “todos estão lucrando com a miséria dos outros... As igrejas lucram, os bancos lucram, as companhias de fast food lucram... jornalistas como você lucram!”.

Sistema tanático

Giancarlo Esposito e a dupla de roteiristas Noah Pink e Kenny Yakkel estão atentos de que a morte não está apenas no sensacionalismo televisivo. Há um sistema tanático em funcionamento na sociedade, no qual a TV é mais uma peça da engrenagem.

Uma sociedade essencialmente tanática (de Thanato, na mitologia grega a personificação da morte que reinava no mundo inferior dos mortos) como denunciava o pesquisador alemão Herbert Marcuse no seu livro clássico Eros e Civilização – uma sociedade dominada pela pulsão de morte, impulso instintivo que busca a morte e destruição.

Uma sociedade baseada em um modo de produção essencialmente mortal e negativo: o endividamento produz continuamente riqueza para o sistema financeiro, o dinheiro (riqueza) substituído pelo crédito (capacidade de endividamento), morte e violência como produtos de entretenimento, incitamento da violência urbana para justificar sistemas policiais repressivos.

Política e Economia pensados na sua forma mais negativa, mas não em um sentido moral – em sentido de um viés tanático na sua forma invertida: riqueza é endividamento, para manter a paz são necessários guerra e terror, prazer é morte, entretenimento é simular a excitante proximidade da morte, sexo é estupro ritualizado na mídia, e assim por diante.

Muito das críticas negativas feitas a Esta é a Sua Morte talvez estejam nessa proposital ausência de foco narrativo: ao contrário de Show de Truman (uma crítica filosoficamente séria ao gênero televisivo), Esposito nos mostra uma narrativa ambígua entre o tom da ironia camp, a estética de soap opera e insights sérios e críticos sobre a TV e além.

Ao negar aquilo que mostra (é simultaneamente wokesploitation e crítica a wokesploitation), Esposito nos coloca na mesma situação do espectador na série Breaking Bad: tudo pode parecer moralmente negativo (a busca da redenção familiar pelo protagonista por meio do tráfico de drogas), mas pelo menos nos mostra que a “realidade do real” não é tão maniqueísta ao ponto de podermos facilmente condenar apenas a mídia, seus executivos e apresentadores.

Thanato e o Mal estão no próprio funcionamento aparentemente ético e moralmente aceitável da sociedade inteira.

O artigo original poderá ser acessado por meio do link abaixo:


O trailer de Esta é a sua morte poderá ser visto por meio do link abaixo. O mesmo é impróprio para menores e pessoas fragilizadas por qualquer motivo:


Que Deus tenha misericórdia de todos nós.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.

Os comentários não representam a opinião do Blog O Grande Diálogo; a responsabilidade é do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

A FORÇA DO ENTRETENIMENTO NA DESTRUIÇÃO DA CRISTANDADE



Entretenimento até a Morte

ATENÇÃO: PARA MELHOR ENTENDIMENTO DESSE MATERIAL RECOMENDAMOS QUE SE FALA, ANTES, A LEITURA DO ARTIGO ANTERIOR QUE PODERÁ SER ACESSADO POR MEIO DESSE LINK AQUI:


INTRODUÇÃO

“Respeitável Publico”, essas eram as palavras que davam início ao maior espetáculo da terra. Lembro-me, como menino, o assombro que senti ao ver, pela primeira vez as duas motocicletas no impressionante “globo da morte”. Também jamais me esquecerei do famoso “Circo Mágico Tihany”. Mas tudo isso é passado agora. Desde o advento da televisão, até o próprio circo foi homogeneizado e pasteurizado nas impecáveis apresentações do canadense “Cirque du Soleil”. Todavia, devemos nos lembrar que foi Deus mesmo quem nos capacitou com todas essas incríveis habilidades que temos de inventarmos diferentes formas de entretenimento. Entre essas formas nós podemos citar os esportes de verão, de inverno, aquáticos, olímpicos; a gastronomia tão rica e variada e etc. Além disso, Deus nos colocou em um planeta com condições geográficas e variações tão dramáticas que nos permitem viajar e conhecer lugares que são realmente de “tirar o fôlego”. Temos ainda as estações do ano com suas mudanças maravilhosas, que encantam a todos. O rei Salomão entendeu que todas essas coisas são dons de Deus e só podem ser devidamente apreciadas, em comunhão com o Criador.

Eclesiastes 2:24—25

24 Nada há melhor para o homem do que comer, beber e fazer que a sua alma goze o bem do seu trabalho. No entanto, vi também que isto vem da mão de Deus,

25 pois, separado deste, quem pode comer ou quem pode alegrar-se?

Mas com o ser humano caído e carecendo da glória de Deus — Romanos 3.23 — era de se esperar que essa área de entretenimento também fosse profundamente afetada por aquele que controla as mentes e os corações dos incrédulos

Efésio 2:1—3

1  Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados,

2  nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência;

3  entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais. 



I. O mundo do entretenimento

Não existe ninguém que seja capaz de negar que nos dias de hoje, os meios de comunicação tornaram-se a fonte, por excelência, de entretenimento entre os seres humanos. Eles conseguem provocar fascínio, entusiasmo e interesse em praticamente todas as pessoas. Eles são, de fato, onipresentes. Isso está acontecendo porque tudo na mídia é feito para entreter. Até mesmo a discussão de questões tão importantes como as relacionadas ao aborto, ao uso de embriões humanos no desenvolvimento de pesquisas científicas, a adoção da eutanásia e da ortotanásia como métodos “humanos” de assassinar os seres humanos, são vistos como meros flashes, dum plano bem orquestrado e executado, quando apresentados através dos meios de comunicação. O mesmo acontece com as decisões políticas e econômicas que afetam milhões de pessoas. Por todos esses motivos, e pela velocidade com que somos expostos a uma gama tão imensa de assuntos simples e complexos, em questão de segundos, o simples ato de pensar torna-se realmente desnecessário. Mas o próprio Jesus nos manda julgar tudo segundo a reta justiça

João 7:24

Não julgueis segundo a aparência, e sim pela reta justiça.

Isso implica em: escolher, aprovar, estimar, preferir, ser de opinião, pensar, determinar, resolver, decretar, etc.

A mídia consegue prender nossa atenção mediante o uso de vários truques. Entre esses podemos citar o uso de pessoas bonitas, talentosas e muito bem produzidas do ponto de vista do penteado, da maquiagem e do uso de roupas impecáveis. Mas o maior de todos os truques é a mudança veloz com que as imagens são apresentadas. De acordo com o escritor e crítico cultural Neil Postman, morto em 2003, a duração média de uma imagem na TV estadunidense é de apenas 3,5 segundos visando fazer com que nossos olhos sejam incapazes de descansar e tenham sempre algo novo para ver.[1] Em tudo isso existe uma mensagem: as coisas se tornam cansativas quando não estão visualmente em movimento. Não deve, portanto, nos surpreender que nossas crianças não conseguem se concentrar na escola, nem na conversa que estamos tentando manter ao redor da mesa, na hora das refeições.


Falta típica de concentração e interesse.

Por outro lado, a Bíblia nos ensina que existem muitas coisas que precisam ser discutidas e as mesmas não podem ser confundidas com entretenimento. O profeta Ezequiel repreendeu o povo de Israel porque desejavam tratar os pregadores e os profetas apenas como parte de algum show. Ele diz:

Ezequiel 33:30—32

Quanto a ti, ó filho do homem, os filhos do teu povo falam de ti junto aos muros e nas portas das casas; fala um com o outro, cada um a seu irmão, dizendo: Vinde, peço-vos, e ouvi qual é a palavra que procede do SENHOR. Eles vêm a ti, como o povo costuma vir, e se assentam diante de ti como meu povo, e ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra; pois, com a boca, professam muito amor, mas o coração só ambiciona lucro. Eis que tu és para eles como quem canta canções de amor, que tem voz suave e tange bem; porque ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra.

O que Deus está nos dizendo aqui é que nem tudo deve ser tratado como entretenimento. Algumas coisas são sérias demais para serem tratadas como espetáculo. A mídia nos envia tantas mensagens que somos incapazes de parar para pensar, como podemos fazer agora mesmo com essa leitura do Blog, para refletir um pouco sobre aquilo que estamos lendo.


Quando não temos tempo de pensar ou refletir, acabamos tomando decisões por impulso, baseadas unicamente em nossos sentimentos. Por outro lado a Bíblia nos ordena a usar nossas mentes para pensar em coisas que sejam: verdadeiras, respeitáveis, justas, puras, amáveis, em tudo que for de boa fama e tudo em que existir alguma virtude ou louvor — Filipenses 4:8.

Se formos honestos conosco mesmo e uns com os outros, então teremos que admitir que não é nada fácil obedecer a esse mandamento nos dias de hoje. A poderosa mídia tem inúmeros recursos a seu dispor para nos alcançar com situações que representam o exato oposto da vontade revelada de Deus para as nossas vidas. Por esse motivo, Paulo nos aconselha em


Romanos 12:1—2

1 Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.

2 E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

a tomarmos decisões conscientes, depois de analisar os fatos

II. O mundo do opcional

O mundo da mídia é um mundo de opção por excelência. De repente, saltamos de uma meia dúzia de canais de TV para mais de trezentos. Além disso, a introdução da internet multiplicou pelas centenas as opções jornalísticas, e o surgimento da chamada “blogsfera” acabou por possibilitar o acesso à produção de muita gente hábil e inteligente e que instigam nossa capacidade de pensar e refletir. Devemos nos lembrar que uma das nossas maiores responsabilidades diante dessa situação toda é: Julgai todas as coisas, retende o que é bom — 1 Tessalonicenses 5:21). O advento das redes sociais — Facebook, Twitter, Google +1 etc., representa outro desafio para nós como cristãos. Além de analisarmos o conteúdo que está sendo colocado diante dos nossos olhos, existe outra questão fundamental, que diz respeito ao tempo que gastamos envolvidos com os meios de comunicação. E não é difícil perceber como a grande maioria das pessoas se deixa arrastar por esses meios por horas sem fim. Os produtores envolvidos em todas essas formas de comunicação têm à sua disposição verdadeiros exércitos de psicólogos, sociólogos, marqueteiros e analistas suprindo as informações necessárias para a elaboração de programas que realmente possam atrair e prender a atenção das pessoas.

Relacionamentos

Vamos usar a TV para ilustrar o que estamos dizendo. Por incrível que pareça, a TV procura suprir nossa necessidade de relacionamentos através das novelas e do imenso volume de seriados que apelidamos de “enlatados”. A idéia é bem simples: criar personagens que, de alguma maneira, façam com que todos os telespectadores se identifiquem com um ou outro. Assim, aqueles que assistem acabam vivendo um relacionamento fantasioso com seu personagem favorito. Quanto aos outros personagens, com os quais não nos identificamos, nada nos impede de manter um “relacionamento” com eles também. Isso é possível porque podemos criticá-los, julgá-los, condenar ou aprovar suas atitudes, como se estivéssemos nos relacionando com eles. De repente, descobrimos que é bem mais fácil nos relacionar com os personagens da TV do que com as pessoas na vida real. Afinal de contas, nós podemos sempre desligar a TV ou mudar o canal caso estejamos enfrentando alguma situação incomoda nesses “relacionamentos”. Mas não podemos nunca nos esquecer que estamos em um mundo real no qual os dois maiores mandamentos são:

Lucas 10:27

Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

Não podemos menosprezar a força da mídia em perverter a revelação de Deus nos fazendo trocar os relacionamentos verdadeiros por meras ilusões sem nenhuma consistência.

III. O que fazer?

Esse assunto relacionado à mídia com todas suas variadas formas de meios de comunicação, especialmente esses que surgiram nos últimos 40 anos, é bastante controverso, até porque o próprio elemento que estamos discutindo é capaz de levantar as mais violentas paixões de amor e ódio dentro de nós. Temos, portanto, que ser bastante cautelosos aqui, sem manifestar nenhum tipo de farisaísmo. Acho que todos somos capazes de reconhecer que um dos itens mais comuns e mais onipresentes em todos os meios de comunicação é a tentativa de vender alguma coisa — senão prá que tanta propaganda, não é mesmo? Mas devemos nos lembrar das palavras do Senhor quando nos adverte que a vida de uma pessoa não consiste na abundância dos bens que possui

Lucas 12:15

Então, lhes recomendou: Tende cuidado e guardai-vos de toda e 
qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui.

O apóstolo Paulo também nos oferece preciosas instruções a esse respeito em


1 Timóteo 6:6—10 e  17—19

6 De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento.

7 Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele.

8 Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes.

9 Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição.

10 Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores.

17 Exorta aos ricos do presente século que não sejam orgulhosos, nem depositem a sua esperança na instabilidade da riqueza, mas em Deus, que tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento;

18 que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir;

19 que acumulem para si mesmos tesouros, sólido fundamento para o futuro, a fim de se apoderarem da verdadeira vida.

Por outro lado, é lógico pensarmos que aqueles que estão envolvidos em todos os meios midiáticos têm uma agenda e que essa agenda não concorda, necessariamente, com a nossa fé cristã. Pelo contrário, ela é muitas vezes, frontalmente adversa. Então precisamos ser honestos e procurar entender com o que estamos lidando de fato. Temos que admitir que existem muitas coisas boas, de fato,  tanto na TV, como na Internet e nos outros meios de comunicação. Não creio ser necessário enfatizar demais que devemos evitar nos envolver com conteúdos pornográficos ou com violência gratuita e bastante real. Certamente podemos usar o conteúdo de Filipenses 4:8 como um excelente guia para dirigir nossos passos em todas essas questões. Se somos novas criaturas e vivemos pelo Espírito Santo, então devemos andar, dia a dia, deixando nos guiar por esse mesmo Espírito:


Gálatas 5:25

Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito.

Como mencionamos acima não é só o conteúdo que deve nos preocupar. A quantidade de tempo que estamos gastando envolvidos com esses meios é também da maior importância, pois somos chamados a fazer o melhor uso do tempo possível —


Efésios 5.16

Remindo o tempo, porque os dias são maus.

Quantas vezes deixamos de ir adorar o Senhor e manter comunhão com os irmãos porque, de uma forma miserável, optamos pela companhia da TV ou da Internet. O fato é que todos esses meios nos afetam e muito. Mas como nos dias em que a Bíblia foi escrita, esses meios ainda não existiam, então não temos uma palavra direta vinda de Deus nos dizendo como proceder com relação aos meios de comunicação. Devemos respeitar as opiniões uns dos outros, sem nunca justificar práticas pecaminosas, e aplicar os princípios ensinados por Paulo em:

1 Coríntios 6:12 e 10:23

Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas.

Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam.


IV. A importância de Jesus

Acima de tudo devemos considerar como o Senhor Jesus vê nossas práticas relacionadas à mídia. Jesus exige pleno domínio sobre nossas vidas. Esse é o motivo porque o chamamos de Senhor

Lucas 6:46

Por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que vos mando?
Jesus é a verdade encarnada:

João 14.6

Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.

Se o amamos, se amamos a verdade, então iremos nos empenhar em sermos obedientes aos seus mandamentos

João 14:15, 21

15 Se me amais, guardareis os meus mandamentos.

21 Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele.

Além do mais, quando abrimos nossos corações para as Escrituras, elas são capazes de nos ajudarem a discernir aquilo que é verdadeiro daquilo que é falso, inclusive no que diz respeito a nossos pensamentos mais íntimos —


Hebreus 4:12—13

12 Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração.

13 E não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas.

Estamos apenas nos enganando a nós mesmos quando lemos a Bíblia e não a colocamos em prática —

Tiago 1:22

Mas aquele que considera, atentamente, na lei perfeita, lei da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte negligente, mas operoso praticante, esse será bem-aventurado no que realizar.

Paulo diz que nós temos a mente de Cristo em 1 coríntios 2:16, e isso nos faz pessoas únicas nesse mundo que jaz no maligno —

1 João 5:19

Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno.

Como cristãos estamos todos “em Cristo”, unidos a ele e uns aos outros, de modo tal, que dependemos tanto dele quanto uns dos outros. Portanto, temos que ter consciência de que nossas decisões não acontecem num vazio, mas afetam nosso relacionamento com o Senhor e com os nossos irmãos e irmãs.

A pessoa de Jesus é tão importante no contexto dessa discussão que vale à pena notarmos aquilo que o sociólogo e teólogo Frances Jacques Ellul escreveu sobre Jesus:

A encarnação é o ponto onde a aparência deixa de ser um desvio da verdade e onde a verdade deixa de ser o julgamento decisivo das aparências. Neste momento, o Verbo pode ser visto. O Verbo se fez carne. A visão pode ser crível, porque, na encarnação, e somente nela, a visão está relacionada à verdade.[2]

Temos que nos lembrar que, acima de tudo, aquilo que a mídia nos oferece pode não passar apenas de uma grande ilusão. Ao passo que o Senhor Jesus representa a realidade última e a verdade absoluta. Como não podemos ver a Jesus nesses dias é da maior importância que nos voltemos para a Palavra de Deus onde ele também está revelado, para podermos encontrar a plena satisfação que nossas almas anseiam


Mateus 11: 28-30

28 Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.

29 Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma.

30 Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.

Conclusão

Estamos chegando ao final desses dois importantes estudos acerca do poder da mídia e de sua influência na destruição da cristandade. Seria uma grande ingenuidade da nossa parte, ignorar o poder que a mesma tem sobre nossa sociedade no tempo presente e até mesmo sobre nossas vidas como cristãos. O desafio diante de nós, apesar de bastante complexo, começa a ser solucionado mediante a resposta a uma simples pergunta: quanto tempo passamos lendo a Bíblia, em oração e em comunhão com os irmãos e quanto tempo gastamos envolvidos com os meios de comunicação? Temos que ser sinceros nessa resposta se quisermos fazer nossas vidas avançarem na profundidade do nosso relacionamento com Deus e com os irmãos —

Efésios 4:11—16

11 E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres,

12 com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo,

13 Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo,

14 para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro.

15 Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo,

16 de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor.

Perguntas para Refletir

1. Falando francamente, você percebe a influência da mídia em sua vida de modo:

a. Muito claro, e gostaria de discutir mais sobre esse assunto.

b. Pouco claro e gostaria de entender melhor esse assunto.

c. Indiferente e não tem nenhum interesse em se aprofundar nessas questões.

d. Preocupante e gostaria de manter uma posição mais equilibrada, mas não sabe como fazer.

2. Quando Jesus disse que todo aquele que deseja segui-lo deve negar-se a si mesmo e dia a 
dia tomar sua própria cruz, como você entende essas palavras com relação aos teus hábitos relacionados aos meios de comunicação?

3. Como você se sentiria usando um meio de comunicação e Jesus viesse se sentar ao teu lado?


OUTROS ARTIGOS ACERCA DA PODEROSA MÍDIA


http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2014/12/a-forca-do-entretenimento-na-destruicao.html

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.


[1] Postman, Neil. Amusing Ourselves to Death: Public Discourse in the Age of Show Business (Divertindo-nos até à morte: Discurso Público em uma Era de Show Business). Harmondsworth, Penguin Books, 1986. 

[2] Ellul, Jacques. A Palavra Humilhada. São Paulo, Edições Paulinas, 1986.

sábado, 22 de dezembro de 2012

ALIANÇA PERVERSA – FALSOS CRENTES SE UNEM COM INCRÉDULOS



FIC – FEIRA INTERNACIONAL CRISTÃ – MAIS UM EMBUSTE PARA ENGANAR OS INCAUTOS

Depois do estrondoso sucesso da “Feira Consumidor Cristão” e do enriquecimento abismal dos seus organizadores, agora outro grupo se une para lançarem uma nova feira. Trata-se da FIC — Feira Internacional Cristã — cuja primeira edição aconteceu em Novembro passado.

Eu realmente tenho um sério problema com tudo que se diz “cristão” e onde estejam envolvidos pessoas que se dizem crentes, mas que levam vidas pouco recomendáveis Todos esses, como sabemos, e já deixamos provado em nosso blog, são falso mestre, falsos, pastores, falsos apóstolos, falsos tudo. 

O que podemos esperar de uma feira que conta com o apoio de gente desse tipo? Nada, senão muita exploração, enganação e aquele perene sentimento de vazio em que se transformou o movimento evangélico, especialmente em sua forma pentecostal e neo pentecostal, liderado por homens dessa estirpe.

Mas o mais curioso é que esses homens e empresas estão se unindo a incrédulos, para explorar o “mercado consumidor representado pelo povo evangélico”. A empresa por trás da tal Feira — GEO — é controlada pela “inimiga”, de mentirinha, dos evangélicos: a Rede Globo de Televisão. Veja no link abaixo esse fato estarrecedor:


São eles mesmos que declaram o seguinte: “Criamos oportunidades para as pessoas se encontrarem, se conectarem e se divertirem”. Ainda segundo esses organizadores, a FIC visa: “UNIR A COMUNIDADE GOSPEL E VALORIZAR O SEGMENTO POR MEIO DE UM EVENTO QUE OFERECE LOUVOR, CONHECIMENTO E ENTRETENIMENTO”. Ou seja, não se trata de um evento que busca a GLÓRIA DE DEUS E O ENGRANDECIMENTO DO NOME DE JESUS. Assim sendo, se você é crente de verdade, fuja de tamanha perversão gospel. É por isso que sempre desconfio quando vejo a palavra “cristão” associada com gente do tipo citado acima

Confira a propaganda realmente diabólica da GEO para promover a FIC através do link abaixo. Note a ênfase no lado apenas comercial e perceba a mentiras satânicas misturadas com imagens de um pretenso congraçamento cristão:


Quer um conselho? Não perca seu tempo. Tudo não passa de embromação “em nome do Senhor” para enganar pessoas de boa fé, como acredito que seja você, meu caro leitor.

Procure não se deixar iludir pelas sutis mentiras do Diabo. Ouça o que diz o apóstolo Paulo:

2 Coríntios 11:13—15

13 Porque os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, transformando-se em apóstolos de Cristo.

14 E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz.

15 Não é muito, pois, que os seus próprios ministros se transformem em ministros de justiça; e o fim deles será conforme as suas obras.

Portanto, cuidado com eles.

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.

PS. Esse artigo foi motivado por um e-mail não solicitado enviado a esse escriba. Creio que o certo seria me consultarem antes de enviarem algo que não solicitei.