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sábado, 18 de novembro de 2017

Gênesis — Estudo 054 — A GENEALOGIA DOS SEMITAS


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Descendentes de Sem na cor branca e nos países que têm nomes.

Este estudo é parte de uma Análise do Livro do Gênesis. Nosso interesse é ajudar todos os leitores a apreciarem a rica herança que temos nas páginas da História Primeva da Humanidade. No final de cada estudo o leitor encontrará direções para outras partes desse estudo. 

O Livro do Gênesis

O Princípio de Todas as Coisas

בְּרֵאשִׁית בָּרָא אֱלֹהִים אֵת הַשָּׁמַיִם וְאֵת הָאָרֶץ        
         
             Eretz   ha  ve-et  Hashamaim     et      Elohim           Bará           Bereshit
            Terra    a      e        céus                os        Deus            criou           princípio No
                                                                                                                                      Gênesis 1:1

CONTINUAÇÃO

XII — Gênesis 11 — “Deram com uma Planície na Terra de Sinear”.

H. A Genealogia dos Semitas — Gênesis 11:10—32.

Gênesis 11:5

H. A Genealogia dos Semitas — Gênesis 11:10—32.

As informações acerca dos descendentes de Sem variam consideravelmente, dependendo da fonte utilizada. Os escritos disponíveis são: o Texto Massorético, a Septuaginta, o Pentateuco Samaritano e os escritos de Flávio Josefo. Desses escritos nós podemos colher informações que dizem que o tempo entre Sem e Abraão foi de:

1. O Texto Massorético diz que foi de 390 anos.

2. O Pentateuco Samaritano fala em 1040 anos.

3. A Septuaginta menciona 1260 anos.

Essas disparidades podem ser explicadas apenas se levarmos em conta que as letras do alfabeto hebraico serviam também como numerais e que os valores individuais das letras bem como suas combinações podiam variar de acordo com o meio cultural em que foram produzidas. E os três documentos acima foram produzidos em três culturas diferentes, a saber:

1. O Texto Massorético foi produzido entre os judeus que habitavam o reino do Sul — Judá — onde ficava a cidade de Jerusalém, por um povo que se considerava incontaminado.

2. O Pentateuco Samaritano foi produzido na cidade de Samaria localizada no reino do Norte — Israel por um povo — samaritanos – considerado impuro pelos judeus.

3. A Septuaginta foi produzida pelos judeus que estavam na dispersão. Esses eram judeus de Judá que não quiseram retornar para Jerusalém e circunvizinhanças após o cativeiro babilônico e que foram gradativamente se estabelecendo por toda a bacia do Mediterrâneo. Foram os judeus estabelecidos em Alexandria, no Egito, que produziram a Septuaginta.

O hebraico era uma língua consonantal — tinha apenas consoantes — composta de 24 letras. As primeira 20 letras representavam os numerais de 1 ao 20. As últimas quatro letras representavam as centenas que vão de 100 a 400. A partir daí os números eram representados por combinações de letras, combinações estas que variavam de acordo com quem estava fazendo os cálculos. É realmente muito difícil, senão impossível, fazer uma consolidação dessas cronologias para chegar a uma definição precisa do tempo. O Senhor não quis nos revelar maiores detalhes acerca destes fatos, então podemos nos dar por satisfeitos com o que temos diante de nós.

Prosseguindo com a história, depois de descrever como surgiram as diversas nações que se originaram dos três filhos de Noé — Sem, Jafé e Cam — e de como essas nações se espalharam por sobre a face da terra falando línguas distintas, nossa narrativa vai se concentrar, daqui em diante, a acompanhar os descendentes de Sem até chegarmos a Tera que foi o pai de Abrão.

Os cinco primeiro descendentes de Sem mencionados em Gênesis 11:10—32 já foram objeto do nosso estudo quando estudamos Gênesis 10:21—31. Naquela ocasião a intenção do autor do Gênesis era estabelecer a relação de Sem com Héber e deste com Pelegue. Nos versículos que estamos estudando nesta divisão nós podemos ver que a intenção do autor é traçar a genealogia de Sem via Pelegue até fazê-la chegar a Tera. Pelegue é o fio da meada abandonada em Gênesis 10:25 e que agora será retomada a partir de Gênesis 11:18 e nos conduzirá até Tera, o pai de Abrão.

A genealogia que temos diante de nós em Gênesis 11:10—32 é a continuação natural daquela que foi interrompida em Gênesis 5:32. Existe uma pequena, porém notável distinção entre as formas com que estas duas genealogias são apresentadas e o autor prefere deixar que o próprio leitor, fazendo uma comparação entre as duas, descubra qual é esta diferença.   

Além da diferença mencionada acima, também é notável uma dramática redução na duração da vida em termos absolutos de anos — praticamente reduzidos à metade — dos que viveram antes do dilúvio com relação àqueles que viveram após aquele evento cataclísmico. Uma leitura mais atenta de Gênesis 11:10—32 irá nos revelar que uma nova e também marcante redução no número absoluto de anos — outra vez reduzidos pela metade — ocorreu novamente após os eventos relacionados ao personagem Pelegue — ver Gênesis 10:25.

Enquanto Noé, que pertencia ao mundo que existia antes do dilúvio viveu por longos 950 anos — ver Gênesis 9:29 — seu filho Sem, que nasceu ainda nos dias do velho mundo, mas viveu a maior parte da sua vida após o dilúvio alcançou a idade de 600 anos, o que representou uma notável redução quando comparada com os anos vividos por seu pai — ver Gênesis 11:10—11. Começando com os descendentes de Sem, é fácil perceber o acelerado decréscimo no número absoluto de anos daqueles que viveram após o dilúvio. Assim temos:

שֵׁם Shem — Sem viveu 600 anos — ver referência acima.

אַרְפַּכְשָׁד Arphakshad — Arfaxade viveu 438 anos — ver Gênesis 11:12—13.

שָׁלַח Shalá — Salá viveu 433 anos — ver Gênesis 11:14—15.

עֵבֶר Yeber — Héber viveu 464 anos — ver Gênesis 11:16—17.

 פֶּלֶג Peleg — Pelegue viveu 239 anos — ver Gênesis 11:18—19. Notável redução.

רְעוּ Reyú — Reú viveu, como seu pai Pelegue, por 239 anos — ver Gênesis 11:20—21.

שְׂרוּג Serug — Serugue viveu 230 anos — ver Gênesis 11:22—23.

נָחוֹר Nahor — Naor viveu 148 anos — ver Gênesis 11:24—25.

תֶרַח Terah — Tera  viveu 205 anos — ver Gênesis 11:26—31.

Não podemos deixar de notar que tanto o dilúvio quanto a divisão dos seres humanos nas mais diversas nações acabaram por exercer uma poderosa influência no sentido de reduzir o número absoluto de anos dos seres humanos. De acordo com os estudiosos esses eventos produziram estas reduções, basicamente por dois motivos, a saber:

1. O dilúvio alterou de forma considerável as condições climáticas do planeta.

2. A divisão dos seres humanos em diversas nações causou uma substancial mudança nos hábitos das pessoas.

Mas à medida que a duração da vida humana diminuía, filhos começaram a ser gerados cada vez mais cedo. Sem gerou seu primogênito, Arfaxade, quando tinha 100 anos de idade. Arfaxade, por sua vez, gerou seu primogênito, Salá, aos trinta e cinco anos de idade. Salá gerou o seu quando tinha trinta anos e assim sucessivamente. A exceção nessa lista é Tera que gerou seu primogênito aos 70 anos. De qualquer maneira, esta mudança de hábito — gerar filhos cada vez mais cedo — foi a responsável pelo rápido crescimento da população naqueles dias. E essa rápida multiplicação dos seres humanos é a explicação mais plausível para o fato de Abrão encontrar tribos, cidades e reinos por onde quer que estivesse peregrinando a meros 365 anos após o dilúvio. Projeções baseadas em 11 gerações — de Noé até Abrão — contando o nascimento de 8 filhos por casal estimam que somente os semitas somavam cerca de 25 milhões de pessoas. Quando as mesmas fórmulas são aplicadas aos Camitas e aos Jafetitas, baseadas na Tábua das Nações de Gênesis 10, as estimativas são de que a população da Terra nos dias de Abrão deveria ser por volta dos 300 milhões de pessoas. Todos os patriarcas Semitas — de Sem a Tera — estavam vivos quando Abrão ouviu o chamado de Deus e iniciou sua peregrinação sem saber para onde deveria ir — ver Hebreus 11:8.

Esta parte do nosso estudo do livro do Gênesis termina com o fechamento da genealogia em 11:26 de uma forma muito semelhante à que havia terminado em Gênesis 5:32. Naquela ocasião foram mencionados os três filhos de Noé — Sem, Jafé e Cam. Neste momento o texto alista o nome dos três filhos de Tera, filhos esses que terão uma grande importância em toda a história subsequente. Esses filhos são:

1. Abrão — que irá se tornar o pai de todos aqueles que recebem o dom da fé.

2.  Naor — que era um dos ancestrais de Rebeca que veio a se casar com Isaque — comparar Gênesis 11:29 com Gênesis 22:20—23.

3. Harã que era o pai de Ló — ver Gênesis 11:27.

Que motivos teriam levado Tera a sair de Ur dos Caldeus acompanhado de seu filho Abrão, a esposa desse chamada Sarai e seu sobrinho Ló? O texto não nos revela. Harã morreu na terra natal de Ur. Nada nos é dito acerca dos rumos de Naor. Em Gênesis 11:31 nós temos uma explicação porque a descendência de Sem — ver Gênesis 11:10—32 —  é mencionada após os acontecimentos registrados na cidade e na torre chamada de Babel.

O leitor atento irá notar que Gênesis 11 conta a história de dois grupos. Estes grupos são caracterizados da seguinte maneira:

1. Os dois grupos estão em movimento de um lugar para outro.

2. Os dois grupos se estabelecem no local de destino.

3. Os dois grupos viajam, de uma forma geral, na direção que vai do Leste para o Oeste.

O final da história dos dois grupos é, todavia, bastante diferente.

1. A migração do primeiro grupo termina em uma grande frustração acompanhada de uma dispersão maciça.

2. A segunda migração nos fala dos estágios iniciais daqueles que são abençoados por Deus e nos falam de Abrão, um homem escolhido por Deus.

Os nomes dos filhos de Tera nos apresentam uma possibilidade de compreendermos, pelos menos por um pouco, o tipo de ambiente religioso que existia em Ur dos Caldeus nos dias de Abrão. Se a relação do nome Tera com as expressões “yarea” — lua — e “yerah” — mês lunar — for estabelecida então é bastante possível que a família dos ancestrais de Abrão fosse composta de adoradores da Lua. Vejamos alguns exemplos:

1. O nome Sarai, por sua vez, é equivalente a expressão “sarratu”— rainha. Esse nome era uma tradução em acadiano do nome sumeriano da deusa Ningal. Essa deusa era a parceira feminina do deus sumeriano chamado Sin — deus lua.

2. Milca era nome idêntico ao da deusa Malkatu que era filha do deus Sin.

3. Labão quer dizer “branco” e era usado como uma referência comum para representar, de forma poética, a lua cheia.

Além disso, a história registra que tanto Ur dos Caldeus quanto a cidade de Harã eram grandes centros de adoração à lua.

Diante destes fatos nós podemos afirmar que o meio do qual Abrão procedeu era composto por pessoas que adoravam, de forma especial, a lua.

Antes de prosseguirmos com a história de Abrão, propriamente dita, é necessário, fazermos uma pequena pausa para avaliarmos a apropriação que o Novo Testamento faz do conteúdo de Gênesis 11.

CONTINUA...      

Outros artigos acerca dO LIVRO DE GÊNESIS
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002 — Introdução ao Gênesis — Parte 2 — Teorias Acerca da Criação
003 — Introdução ao Gênesis — Parte 3 — A História Primeva e Sua Natureza
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005 — Introdução ao Gênesis — Parte 5 — A Criação da Vida
006 — Introdução ao Gênesis — Parte 6 — O DEUS CRIADOR
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008 – Gênesis — A Criação de Deus - Parte 1 – A Criação de Deus Dia a Dia – O Primeiro Dia — Parte 1
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010 — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus - Parte 9 – A Criação de Deus Dia a Dia – O Segundo e o Terceiro Dia
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013 — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus — Parte 12 — A Criação de Deus Dia a Dia — O Sexto Dia — Parte 1
013A — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus — Parte 12A — A Criação de Deus Dia a Dia — O Sexto Dia — Parte 2
014 — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus — Parte 13 — Teorias Evolutivas
015 — Estudo de Gênesis — Gênesis 2 — Parte 14 — GÊNESIS 2A
016 — Estudo de Gênesis — Gênesis 2 — Parte 15 — GÊNESIS 2B
017 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — Parte 16 — GÊNESIS 3A
018 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — Parte 17 — GÊNESIS 3B
019 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — Parte 18 — GÊNESIS 3C
020 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — O Livre Arbítrio — Parte 19
021 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — O Dois Adãos — Parte 20
022 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — A Era Pré-Patriarcal e a Mulher de Caim — Parte 21
023 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — Caim, O Primeiro Construtor de Uma Cidade — Parte 22
024 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — Caim, Como Assassino e Fugitivo da Presença de Deus — Parte 23
025 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — Caim, Como Primeiro Construtor de uma Cidade e Pseudo-Salvador da Humanidade — Parte 24
026 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — A Conclusão Acerca de Caim — Parte 25
027 — Estudo de Gênesis — Gênesis 5 — Sete e outros Patriarcas Antediluvianos — Parte 26
028 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — A Perversidade Humana, Os Filhos de Deus e as Filhas dos Homens— Parte 27A
029 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — OS Nefilim e os Guiborim — Os Gigantes e os Valentes — Parte 27B
030 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — A Maldade do Coração Humano— Parte 27C.
031 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — A Corrupção Humana Sobre a Face da Terra e Deus Pode se Arrepender? — Parte 27D.
032 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — Noé e a arca que ele construiu orientado por Deus — Parte 28A.
033 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — Noé e a arca que ele construiu orientado por Deus — Parte 28B.
034 — Estudo de Gênesis — Gênesis 7 — Noé e a arca que ele construiu orientado por Deus — Parte 29 — O Dilúvio Foi Global Ou Local?
035 — Estudo de Gênesis — Gênesis 8 — A promessa que Deus Fez a Noé e seus descendentes — Parte 30 — Nunca Mais Destruirei a Terra Pela Água
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037 — Estudo de Gênesis — O Valor Perene do Dilúvio para todas as Gerações — PARTE 002
038 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 001
039 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 002
040 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 003
041 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 004 — A NATUREZA DA ALIANÇA ENTRE DEUS E NOÉ
042 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 005 — OS FILHOS DE NOÉ — PARTE 001

043 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 006 — OS FILHOS DE NOÉ — PARTE 002 — OS NEGROS SÃO AMALDIÇOADOS?
044 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 007 — OS FILHOS DE NOÉ — PARTE 003 — A CONTRIBUIÇÃO DOS FILHOS DE NOÉ PARA A HUMANIDADE
045 — Estudo de Gênesis — A TÁBUA DAS NAÇÕES — PARTE 001 — OS DESCENDENTES DE JAFÉ
046 — Estudo de Gênesis — A TÁBUA DAS NAÇÕES — PARTE 002 — OS DESCENDENTES DE CAM: NEGROS, AMARELOS E VERMELHOS
047 — Estudo de Gênesis — A TÁBUA DAS NAÇÕES — PARTE 003 — OS DESCENDENTES DE SEM E A ORIGEM DOS HEBREUS
048 — Estudo de Gênesis — A TÁBUA DAS NAÇÕES — PARTE 004 — A TÁBUA DAS NAÇÕES É UM DOCUMENTO ÚNICO NA HISTÓRIA DA HUMANIDADE
049 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 001
050 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 002
051 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 003
052 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 004
053 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 005
054 — Estudo de Gênesis — A GENEALOGIA DOS SEMITAS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/11/genesis-estudo-054-genealogia-dos.html

Que Deus abençoe a todos.


Alexandros Meimaridis


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sexta-feira, 25 de novembro de 2016

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 013 — MATEUS — PARTE 008 - ESTRUTURA - PARTE 002


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Concepção Renascentista do "Chamado de Mateus" - o cobrador de taxas. Obra de Caravaggio.

Essa série pretende disponibilizar as informações mais importantes acerca de cada um dos 27 livros que compõem o Novo Testamento. Desde que lançamos nossa série de Introdução ao Antigo Testamento, muitos leitores têm nos questionando acerca de algum material semelhante com respeito ao Novo Testamento. Então, aproveitando que iniciamos uma série de estudos acerca dos manuscritos do Novo Testamento — tecnicamente chamada de “baixa crítica” — estamos usando essa oportunidade para lançar uma série que trate também do texto do Novo Testamento em si, e da interpretação geral do mesmo — “alta crítica”.

I. O EVANGELHO DE MATEUS

G. Estrutura do Evangelho de Mateus — CONTINUAÇÃO.

O Evangelho de Mateus apresenta uma estrutura bem mais elaborada que os outros Evangelhos, o que possibilitou seu uso mais amplo Igreja Primitiva. Por sua estrutura, não é difícil percebermos que estamos diante dum autor que possui uma mente extremamente ordeira como os detalhes a seguir irão deixar claro.

2. O Uso de Grupos Numéricos

Como sabemos Mateus era um coletor de taxas trabalhando a favor do império romano. Sua forma metódica de pensar também pode ser vista em sua capacidade de agrupar várias palavras de Jesus ou eventos ocorridos na vida do Senhor. Seu número favorito é três, apesar dos números 5 e 7 também ocorrerem.[1] Exemplos do agrupamento de três podem ser vistos em:
a. A divisão da genealogia de Jesus em três partes — ver Mateus 1:17.

b. As três tentações sofridas por Jesus — Mateus 4:1—11.

c. As três ilustrações acerca da justiça, as três proibições e os três mandamentos em Mateus 6:1 — 7:20.

d. O agrupamento de três grupos de milagres envolvendo cura, manifestações de poder e restauração em Mateus 8:1 — 9:34.

e. Várias outras instâncias onde Mateus agrupa três parábolas, três perguntas, três orações e três negações.

Devemos insistir que isso não indica que Mateus atribuía qualquer importância simbólica ao numeral 3, mas que tal uso apenas demonstra a forma organizada como sua mente de contador funcionava. Tal uso também distingue Mateus dos outros autores dos evangelhos — Marcos, Lucas e João — pois demonstra a forma metódica como ele organizava seu material. É possível que Mateus ao usar, de forma tão característica o numeral 3, estivesse influenciado pela palavras da Lei de Moisés que afirmava que todos os fatos deveriam ser confirmados pelas palavras e duas ou três testemunhas. Para Mateus a multiplicação do número de testemunhas — cada grupo de três — deveria funcionar como uma verdadeira autenticação do material incorporado.

2. O agrupamento geral do material utilizado

Dentro da narrativa e dos discursos como organizados por Mateus em seu Evangelho é possível percebermos que seu objetivo é ilustras vários aspectos do ministério de Jesus. Desse modo nós podemos observar o seguinte:
a. Mateus 5 — 7 servem para ilustrar os ensinamentos de Jesus.

b. Mateus 8 — 9:34 servem para ilustrar a obra de Jesus.

c. Em Mateus 12:1—45 encontramos vários dos embates intelectuais travados entre Jesus e os fariseus, o que é imediatamente seguido em Mateus 13 por um brupos de ensinamentos em forma de parábolas.

Por detrás desse objetivo consciente não é difícil notarmos uma estrutura bem pensada que é fácil de ser comparada com textos paralelos encontrados nos evangelhos de Marcos e Lucas. Tal habilidade da parte de Mateus resulta numa apresentação sólida e unificada daquilo que ele nos revela em seu material. Uma vez que compreendemos os procedimentos literários de Mateus fica fácil compreender porque seu trabalho não pode ser classificado dentro das categorias conhecidas daquilo que chamamos de biografia. Pelo contrário, a estrutura literária adotada por Mateus tem a intenção de nos fornecer uma visão tão abrangente quanto possível, das múltiplas facetas da vida e do caráter de Jesus.

Uma última palavra acerca do que acabamos de falar: è importante notarmos que nas narrativas envolvendo a chamada paixão Mateus apresenta um alto nível de convergência com o que está apresentando em Marcos e Lucas tanto no conteúdo, quanto na sequência dos eventos. Isso nos faz pensar que no princípio existia uma estrutura relativamente fixa de relatar esses solenes eventos envolvendo a manifestação do Filho de deus entre os seres humanos.

OUTROS ESTUDOS ACERCA DA INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO

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INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 002 — A FORMA LITARÁRIA DOS EVANGELHOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 003 — MOTIVOS PORQUE OS EVANGELHOS FORAM ESCRITOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 004 — O LUGAR OCUPADO PELOS QUATRO EVANGELHOS NO NOVO TESTAMENTO

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 005 —  A MELHOR FORMA DE ABORDAR OS QUATRO EVANGELHOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 006 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 001

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 007 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 002

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 008 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 003

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INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 010 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 005

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 011 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 006

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 012 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 007

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 013 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 008

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 014 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 009

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 015 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 010 — AUTOR — PARTE 002

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 016 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 011 — DATA DA COMPOSIÇÃO
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INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 017 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 012 — IDIOMA ORIGINAL
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/06/introducao-ao-novo-testamento-estudo.html

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 018 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MARCOS — PARTE 001 — CARACTERÍSTICAS — PARTE 001.
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/07/introducao-ao-novo-testamento-estudo_14.html

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Alexandros Meimaridis

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[1] Note os cinco blocos de discursos, os grupos de quatorze — 2x7 — na genealogia de Jesus, as sete parábolas citadas Mateus 13 e os sete “ais” em Mateus 23.

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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Gênesis Estudo 027 — Gênesis 5 — SETE E OS OUTROS PATRIARCAS ANTEDILUVIANOS



Este estudo é parte de uma Análise do Livro do Gênesis. Nosso interesse é ajudar todos os leitores a apreciarem a rica herança que temos nas páginas da História Primeva da Humanidade. No final de cada estudo o leitor encontrará direções para outras partes desse estudo. 




O Livro do Gênesis: O Princípio de Todas as Coisas

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                    Eretz   ha  ve-et  Hashamaim  et      Elohim        Bará     Bereshit
                   Terra   a      e        céus       os        Deus         criou   princípio No
Gênesis 1:1

IX. Gênesis 5.

O capítulo 5 de Gênesis se ocupa com o registro dos descendentes mais relevantes de Adão seguindo a linhagem através de Sete. O capítulo 5 inicia dizendo: Este é o סֵפֶר sepher – livro da תּוֹלְדֹת toledot – genealogia de אָדָם adão. O termo hebraico סֵפֶר sepher traduzido aqui por livro refere-se a algum tipo de material escrito completo em si mesmo, seja um livro consistindo de uma ou várias páginas, como era o caso, por exemplo, da carta de divórcio mencionada em —

Deuteronômio 24:1—3.

1 Se um homem tomar uma mulher e se casar com ela, e se ela não for agradável aos seus olhos, por ter ele achado coisa indecente nela, e se ele lhe lavrar um termo de divórcio, e lho der na mão, e a despedir de casa;

2 e se ela, saindo da sua casa, for e se casar com outro homem;

3 e se este a aborrecer, e lhe lavrar termo de divórcio, e lho der na mão, e a despedir da sua casa ou se este último homem, que a tomou para si por mulher, vier a morrer,

O uso dessa expressão por Moisés pode ser uma indicação de que ele teve acesso a algum manuscrito antigo que continha essa linha genealógica.

A menção repetida aos eventos da criação é importante para reafirmar que toda a história humana tem suas raízes no ato criador de Deus. Note que aqui somos novamente relembrados da grande honra e glória que o homem possuía antes de vir a transgredir, glória esta da qual ele caiu e que agora carece —

Romanos 3:23

Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus.

O capítulo 5 de Gênesis é um triste ressoar do dramático fato de que todas as misérias que o homem experimenta, culminando com a morte física, são fruto da própria transgressão do homem e não tem nada a ver com o estado original em que o homem foi criado. O Homem, como macho e fêmea, foi criado à imagem e semelhança de Deus e como tal era completamente livre de qualquer forma de mal, fosse natural ou moral. É, portanto, muito importante, que se registre que a morte dos pais não é fruto da criação original e sim da desobediência do primeiro homem.

A. A Relevância do Nascimento de Sete.

Conforme podemos ler em Gênesis 5:3, Adão tinha 130 anos quando gerou seu filho Sete. É apenas lógico pensarmos que entre os nascimentos de Caim, Abel e Sete, Adão e Eva tenham tido mais filhos que não são mencionados. O filho de Adão, Sete, é mencionado porque é da linhagem dele que depende tanto o próprio Senhor Jesus, como ser encarnado, como a própria igreja. Tanto o Senhor Jesus, por parte de sua mãe, Maria, quanto todos os crentes estavam, por assim dizer, nos lombos de Sete!

Apesar de ser realmente muito relevante o que acabamos de dizer é da maior importância que não deixemos passar despercebido aquilo que o autor bíblico deseja nos dizer acerca de Sete. Em Gênesis 5:3 nós lemos:

Viveu Adão cento e trinta anos, e gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem, e lhe chamou Sete.

Adão foi criado à imagem e semelhança de Deus e recebeu de Deus mesmo a bênção e o poder de gerar filhos e filhas conforme sua própria imagem e semelhança — ver Gênesis 1:27 —28. Como Adão transgrediu contra Deus e havia caído do estado original no qual havia sido criado, só pode, agora, gerar filhos e filhas que sejam, eles mesmos, pecadores e contaminados, frágeis e mortais e tão miseráveis quanto seus progenitores. Note que Adão e Eva não geram apenas seres humanos como eles consistindo de uma parte material com outra não material, e sim pecadores como eles mesmo. Todos os filhos gerados serão caracterizados por serem culpados e obnóxios, degenerados e corruptos. Nossa condição, como descendentes de Adão e Eva, é como Davi expressou tão bem e de maneira poética e delicada ao dizer:

Salmos 51:5

Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe.

Esta é a imagem e semelhança que herdamos de nossos pais através de Adão. Ela é completamente distinta e constitui-se em uma verdadeira reversão daquilo que a imagem e semelhança de Deus representavam. Esta triste condição humana sempre foi alvo de ponderações eloquentes nas páginas da Bíblia. Jó, no meio de toda sua angústia, expressa sua incapacidade em resolver o verdadeiro dilema humano que é causado pelo fato de sermos criaturas geradas conforme a imagem e semelhança de pais caídos —

Jó 14:4

Quem da imundícia poderá tirar coisa pura? Ninguém!

E o próprio Senhor Jesus não deixou nenhuma dúvida ao afirmar que:

João 3:6

O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito.

Esscvxz e é um dos mistérios da nossa raça humana: nosso pai Adão era, na realidade, nosso representante, e como ser caído, sua depravação passou a todos os descendentes.

2. Os Outros Patriarcas Antediluvianos.

Como foi bem apontado por um escritor cristão do passado, esse capítulo 5 do livro do Gênesis constitui-se no único registro antigo e autêntico da história humana do período que vai da Criação original até o dilúvio. De acordo com o que está ali registrado, pelo menos 1656 anos, se passaram entre a Criação e o dilúvio. Esta genealogia é apenas uma das muitas a que o apóstolo Paulo se refere como “genealogias sem fim” em 1 Timóteo 1:4. Mas da mesma maneira que o Senhor Jesus representou o fim da Lei — ver Romanos 10:4 — Ele representa o fim de qualquer significado e importância que as genealogias do Antigo Testamento pudessem ter. Todo o Antigo Testamento apontava para Jesus e com Seu primeiro advento o mesmo perdeu sua importância fundamental.

A genealogia registrada em Gênesis 5 é citada por Lucas —
Lucas 3:36—38

36 Salá, filho de Cainã, Cainã, filho de Arfaxade, Arfaxade, filho de Sem, este, filho de Noé, filho de Lameque;

37 Lameque, filho de Metusalém, Metusalém, filho de Enoque, Enoque, filho de Jarede, este, filho de Maalalel, filho de Cainã;

38 Cainã, filho de Enos, Enos, filho de Sete, e este, filho de Adão, filho de Deus.

visando estabelecer o fato de que Jesus é a verdadeira semente da mulher que havia sido prometida ainda no jardim do Éden —

Gênesis 3:15.

Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.

Em Gênesis 5 nós temos o registro referente à:

Pessoa
Referência
Adão
Gênesis 5:1 - 5
Sete
Gênesis 5:6 - 8
Enos
Gênesis 5:9 - 11
Cainã
Gênesis 5:12 - 14
Maalaleel
Gênesis 5:15 - 17
Jarede
Gênesis 5:18 - 20
Enoque
Gênesis 5:21 - 24
Metusalém
Gênesis 5:25 - 27
Lameque e seu filho Noé
Gênesis 5:28 - 32

Como disse Matthew Henry, de fato “toda a escritura inspirada por Deus é útil”, mas certamente existem partes das escrituras que são bem mais úteis que outras!

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045 — Estudo de Gênesis — A TÁBUA DAS NAÇÕES — PARTE 001 — OS DESCENDENTES DE JAFÉ
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/02/genesis-estudo-045-tabua-das-nacoes.html

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Alexandros Meimaridis

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