Mostrando postagens com marcador Gnosticismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Gnosticismo. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 9 de março de 2017

JOSÉ COMO TIPO DE CRISTO — ESTUDOS 045 — JOSÉ SE MANIFESTA COMO MARAVILHOSO CONSELHEIRO


Imagem relacionada

Essa é uma série cujo propósito é estudar, com profundidade, a vida de José como um Tipo do Senhor Jesus Cristo. No final de cada estudo você irá encontrar links para outros estudos. A Série tem o título Geral de: José como Tipo de Cristo.

45. José Se Manifesta Como um Maravilhoso Conselheiro.

Depois de ter revelado o significado dos sonhos do Faraó do Egito, José assumiu a responsabilidade de orientar o monarca acerca do melhor curso a ser seguido, com o objetivo de enfrentar a calamidade que estava se aproximando e fazer provisões adequadas para o futuro.

De acordo com os sonhos, primeiro viriam sete anos de abundância os quais seriam, imediatamente, seguidos por sete anos de fome. Por esse motivo, José orientou o faraó a estocar a abundante produção dos próximos sete anos, como a única forma deles conseguirem sobreviver durante a terrível fome que se estenderia por outros sete anos. Por meio da graça de Deus em sua vida, José foi capaz de demonstrar uma sabedoria incomum e manifestar uma superioridade imensurável sobre os sábios do Egito.

Novamente, temos uma analogia perfeita entre José e Jesus. Quando Jesus teve sua vinda profetizada pelo profeta Isaías, o mesmo disse que o Messias seria chamado de:

Isaías 9:6

Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.      
Jesus foi o Maravilhoso Conselheiro enviado pelo próprio Deus para a humanidade com a mensagem de como a mesma deveria se preparar para o futuro, e garantir o melhor de seus interesses futuros. Conforme podemos ler em colossenses 2:3 é em Jesus Cristo que nós podemos encontrar todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento:

Colossenses 2:3

Cristo, em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos.

Jesus é aquela pessoa única, exclusiva, que todos precisamos conhecer, porque é nele, na sua pessoa, que todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão “estocados”. A expressão sabedoria é σοφία sofía — e conhecimento é γνω̂σιςgnôsis. Unidas como se encontram em Colossenses 2:3 pelo artigo τη̂ς tês —, são consideradas, virtualmente como uma entidade única, como era comumente entendida na literatura judaica não bíblica.

É muito importante notarmos, todavia, que esses dois termos estão vinculados também em

Romanos 11:33

Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos!

Note que nesse verso os dois termos estão, diretamente, associados com a noção da verdadeira riqueza πλου̂τοςploûtos — conforme também podemos ler em Colossenses 1:27 e 2:2; onde Paulo louva a Deus pela maneira como seu magnificente propósito para a raça humana tem sido colocado em prática, mediante o derramamento de sua graça — favor imerecido — sobre judeus e gentios. Assim, podemos repetir as palavras de Paulo e dizer: Como são grandes as riquezas de Deus! Como são profundos o seu conhecimento e a sua sabedoria!

A expressão υησαυρόςuesaurós — tesouro foi usada no Antigo Testamento para se referir não apenas a riquezas materiais — ver Josué 6:19, 24; Provérbios 10:2 — mas também para bens espirituais como podemos ler em:

Isaías 33:6

Haverá, ó Sião, estabilidade nos teus tempos, abundância de salvação, sabedoria e conhecimento; o temor do SENHOR será o teu tesouro.

Note como sabedoria, conhecimento e temor do SENHOR são chamados de tesouro!  

Paulo afirma em Colossenses 2:3, de forma relativamente pouco comum, que todos esses tesouros da sabedoria e do conhecimento — a expressão grega πάντεςpántes — todos, exclui qualquer exceção: são todos mesmo! — que existem estão ὰπόκρυφοιapócrifoi — ocultos em Cristo. Isso indica a maneira como essas coisas existem. Aqui devemos deixar claro que não existe nenhuma contradição entre Colossenses 2:3 e 1:26 onde Paulo afirma que o mistério, previamente, άποκεκρυμμένονapokekrimménon — escondido, νυ̂ν σέnûn sé  — foi agora, numa dramática mudança de eventos, revelado por Deus aos seus santos. Entretanto, os tesouros estão ὰπόκρυφοιapócrifoi — ocultos, não no sentido de que os mesmos estão “escondidos”, que é o sentido do particípio perfeito passivo de άποκεκρυμμένονapokekrimménon — e sim, que os mesmos εὶσιν eìsin estão, como acontecia com os mantimentos no Egito, “depositados” ou “armazenados” em Cristo — ver Tiago 1:5; 3:13—18. Buscar sabedoria e conhecimento verdadeiro fora da pessoa de Cristo é pura perda de tempo. É o mesmo que procurar alimento em qualquer outro lugar que não fosse o Egito administrado por José.

Vários autores cristãos têm indicado que nos escritos da literatura apocalíptica judaica encontramos, ocasionalmente, a imagem de “tesouros escondidos” como uma forma de desafio para homens e mulheres se empenharem mais na busca do verdadeiro conhecimento — Livro dos Segredos de Enoque 46:3: Ou se um homem se faz de bom a outro pelo ardil de sua língua, porém, com a maldade no coração, será que o outro não perceberá a maldade que vem do coração, desde que sua mentira ficou visível? Mas no nosso caso, Paulo está encorajando seus leitores a olharem para Cristo como o único “lugar” onde os tesouros da sabedoria e do conhecimento podem ser encontrados.

Em Colossenses 1:15—20 nós estamos diante de um hino onde Cristo é identificado com a Sabedoria de Deus, e onde lhe são atribuídas atividades que são predicados da Sabedoria personificada do Antigo Testamento e do Judaísmo — ver Provérbios 8:1—9. Em Colossenses, Paulo ao afirmar que todo o “estoque” do conhecimento e da sabedoria de Deus estão “depositados” na pessoa de Cristo, está indicando, mais uma vez, de uma forma realmente avassaladora, que “Cristo Jesus, se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção, para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor — 1 Coríntios 1:30—31”. Porque Cristo ocupa essa posição exaltada, existem boas razões para incentivar esses crentes que habitavam o vale do Rio Lico a se voltarem para o Senhor Jesus, em quem podem encontrar toda a percepção, entendimento, sabedoria e conhecimento.

A questão importante para nós é determinarmos se o uso que Paulo faz dessa expressão do verso 3 — todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento — tem origem nos inimigos gnósticos que estavam perturbando a igreja ou se a mesma se origina do Antigo Testamento.

Muitos têm argumentado que o vocabulário é dos opositores gnósticos que existiam em Colossos. Dessa forma, o verso 3 é, algumas vezes, entendido como algo que dá apoio ao caráter gnóstico dos opositores. De acordo com o professor Lightfoot o termo ἀπόκρυφοιapócrifoi — era um termo favorito dos mestres gnósticos e Paulo teria usado o mesmo como uma forma de refutar uma doutrina favorita desses falsos mestres. Outros acreditam que Paulo emprestou esse termo dos ensinamentos do judaísmo tardio.[1]

Todavia, em tempos mais recentes, Friedrick Hauck, analisando a literatura gnóstica disponível, notou que a mesma se refere a “tesouros de luz” em vez de falar de tesouros da sabedoria e do conhecimento. Com isso sobrou pouca evidência direta para apoiar a ideia do caráter gnóstico da expressão como usada por Paulo.

Como mencionamos acima, existem outros estudiosos ainda que se voltaram tanto para o Antigo Testamento como para o meio social judaico, como a fonte mais provável das ideias de Paulo. Desse modo, Ralph Martin, considera que todo grupo de termos e motivos “sugerem uma dívida consciente à figura da sabedoria como encontrada em Provérbios 2:1—6. Paulo está fazendo um apelo as fonte judaicas, parcialmente, por causa dos falsos ensinamentos que existiam em Colossos, especialmente entre os judeus — era uma mistura de elementos judaicos com outros vindos do paganismo —, que insistia que Jesus Cristo era apenas um mediador e apenas uma das fontes da revelação entre muitas outras existentes” — ver 1 Timóteo 2:5.

O teólogo francês J. Dupont em sua obra “La connaissance religieuse dans les épîtres de saint Paul[2] já tinha chamado a atenção de todos quanto ao aparecimento do uso, aqui em Colossenses, de termos usados pelo judaísmo com relação à Lei de Moisés — ver Isaías 33:5—6. Os judeus tinham plena confiança que, na Lei que possuíam, todos os tesouros da σοφία sofía — sabedoria, e associado com ela, também estava a ideia de γνω̂σις gnôsis — que teria sido adicionada à Lei por elementos judaizantes. De acordo com Dupont, Paulo une as duas expressões, substitui a Lei de Moisés por Cristo e, com isso, ele tem a intenção de mostrar que o único ἐπίγνωσιςepígnosis — conhecimento que um crente deve buscar é aquele que só pode ser encontrado no mistério de Cristo. É óbvio que para essa reconstrução feita por J. Dupont, o elemento judaico dos falsos ensinamentos existentes em Colossos são os responsáveis pela ação tão combativa de Paulo nesse contexto.

O professor Andrew Bandstra do Calvin Seminary em Grand Rapids ampliou as ideias de Dupont, à medida que novas porções de literatura pseudoepigráfica foram sendo descobertas e tornaram-se disponíveis para análise. Para ele também, as palavras de Paulo em Colossenses demonstram o caráter da oposição aos ensinamentos gnósticos desposados pelos judeus em Colossos. O professor Bandstra se baseou, principalmente, nos escritos pseudoepigráficos conhecidos como 2 Apocalipse de Baruque. Nesse livro, em uma passagem definitivamente escatológica, que faz referência ao “novo mundo”, “o mundo porvir”, e “ao tempo prometido”, o falso Baruque  sugere que a posse de tesouros de sabedoria e do conhecimento, destinados para aqueles que haverão de herdar o “tempo prometido”, poderão ser garantidos se os anciãos de Israel seguirem as recomendações do falso Baruque e instruírem os israelitas a permanecerem fiéis à Lei de Deus. Mas Paulo, não deixa nenhuma dúvida, que o lugar onde os tesouros da sabedoria e do conhecimento podem ser encontrados é apenas em Cristo e em nenhum outro. Isso é afirmado, previamente, por Paulo em Colossenses 2:18—19.    

A oposição em Colossos, basicamente um perigo vindo de fora, podia ter sua origem numa associação de místicos ascetas judeus que afirmavam que o conhecimento dos mistérios de Deus podia ser alcançado pelas pessoas, sem a necessidade de um mediador divino. Para eles, Cristo não era realmente necessário, para podermos conhecer os mistérios escatológicos e cósmicos de Deus.

OUTROS ESTUDOS ACERCA DE JOSÉ COMO TIPO DE CRISTO

Estudo 001 — José como Tipo De Cristo — Introdução

Estudo 002 — José como Tipo De Cristo — A Infância de José

Estudo 003 — José como Tipo De Cristo — Os Irmãos e Os Nomes de José

Estudo 004 — José como Tipo De Cristo — José Como Pastor dos Seus Irmãos

Estudo 005 — José com Tipo De Cristo — José Como o Filho Amado de Seu Pai

Estudo 006 — José com Tipo De Cristo — Jesus, o Filho e Deus Pai

Estudo 007 — José com Tipo De Cristo — José e a Túnica Talar de Distinção

Estudo 008 — José com Tipo De Cristo — O Ódio que os Irmãos de José Tinham Dele

Estudo 009 — José com Tipo De Cristo — José era Odiado por Causa de Suas Palavras

Estudo 010 — José com Tipo De Cristo — José Estava Destinado a Um Futuro Extraordinário

Estudo 011 — José com Tipo De Cristo — José Antecipa Sua Glória Futura

Estudos 012 e 013 — José como Tipo de Cristo — José Sofre nas Mãos de Seus Irmãos e Vai a Busca Deles a Pedido de Jacó

Estudos 014 e 015 — José como Tipo de Cristo — José Busca Fazer o Bem a Seus Irmãos, e É Enviado De Hebrom Para a Região de Siquém

Estudo 016 — José como Tipo de Cristo — José Vai Até a Região de Siquém

Estudos 017 e 018 — José como Tipo de Cristo — José se Torna um Viajante Errante Nos Campos e Campinas da Palestina

Estudos 019 — José como Tipo de Cristo — A Conspiração contra José

Estudos 020 — José como Tipo de Cristo — As palavras de José são Desacreditadas

Estudos 021 e 022 — José como Tipo de Cristo — José é Insultado e Humilhado e José é Lançado num Poço

Estudos 023 e 024 — José como Tipo de Cristo — José é Retirado Vivo do Poço e Os Irmãos de José Misturam Ódio com Hipocrisia

Estudos 025 e 026A — José como Tipo de Cristo — José é Vendido por Seus Irmãos e o Sangue de José é Derramado

Estudos 026B — José como Tipo de Cristo — O Futuro de Israel Profetizado em Gênesis 38

Estudos 027 e 028 — José se Torna um Servo — Jose se Torna Próspero

Estudos 029 — O Senhor de José Estava Muito Feliz com Ele

Estudos 030 — José Como Servo Foi Uma Bênção Para os Outros

Estudos 031 — José Era Uma  Pessoa Consagrada aos Outros

Estudos 032 — José Foi Duramente Tentado, Mas Resistiu à Tentação

Estudos 033 — José Foi Acusado Falsamente

Estudos 034 — José Não Tentou Se Defender das Falsas Acusações

Estudos 035 — José Sofreu nas Mãos dos Gentios

Estudo 036 e 37 — José Ganha o Reconhecimento do Carcereiro e José Foi Numerado com outros Transgressores.

Estudo 038 — José Como Instrumento de Bênção e de Condenação.

Estudo 039 — José Dá Evidências De Seu Conhecimento Quanto Ao Futuro.

Estudo 040 — As Predições de Jose se Tornam Realidades.

Estudo 041A — José Gostaria de Ser Lembrado

Estudo 041B — José Gostaria de Ser Lembrado

Estudo 042 — José Foi Libertado na Hora Certa

Estudo 043 — José Como Revelador dos Mistérios de Deus

Estudo 044 — José Faz Advertências Contra o Perigo Futuro

Estudo 045 — José Se Revela como Maravilhoso Conselheiro
Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.



[1] Kittel, Gerhard, Editor. Theological Dictionary of the New Testament, traduzido por Geoffrey W. Bromiley. WM. B.Eerdmans Publishing Company, Grand Rapids, Reimpressão de 1995.

[2] Dupont, J. Gnosis. O Conhecimento Religioso nas Epístolas do Apóstolo Paulo. Gabalda, Paris, 1949.

Os comentários não representam a opinião do Blog O Grande Diálogo; a responsabilidade é do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

sábado, 28 de janeiro de 2017

KIERKEGAARD, HOLLYWOOD E O SALTO NO ABISMO



Hoje estamos publicando um artigo da autoria do Prof. Dr. Wilson Roberto Vieira Ferreira que nos apresenta sua avaliação do filme Passengers — Passageiros. O filme procura recontar a história de Adão e Eva da perspectiva gnóstica e lida com temas queridos pelos cristãos, tais como: liberdade, ansiedade, angústia autoconhecimento, questões morais de todas as ordens e etc. Apesar das posições do prof. Wilson não representarem as opiniões do Blog O Grande Diálogo, ainda assim a leitura do seu artigo é recomendada como parte da oportunidade para discussão que propicia.  

O filósofo KierkegAard vai a Hollywood no filme "Passageiros"
 Wilson Roberto Vieira Ferreira

Por que diante do precipício ao mesmo tempo em que temos medo, também sentimos o impulso de saltar para o fundo do abismo? Em 1844 o filósofo Søren Kierkegaard disse que isso deriva da ansiedade da descoberta de sermos livres para saltar ou não saltar. E sempre temos medo daquilo que mais desejamos. “Passageiros” (Passengers, 2016) retoma essas ideias do filósofo dinamarquês, inclusive com a referencia do abismo: só, no espaço sideral, diante do vazio do Universo, o homem teme por descobrir que é livre, como se retornasse ao mito do Paraíso, antes de Adão e Eva terem descoberto a árvore do conhecimento. “Passageiros” é mais uma amostra da recente guinada metafísica de Hollywood sob camadas de entretenimento e efeitos digitais. Assim como a animação “WALL-E” (2008), também faz uma releitura gnóstica do Gênesis bíblico: como o homem, prisioneiro numa gigantesca espaçonave-resort que ruma para a destruição, pode conquistar a liberdade e autoconhecimento.

Passageiros (2016) é um ótimo exemplo sobre a guinada metafísica dos filmes hollywoodianos: o mix de mitologias e simbolismos filosóficos. Mais precisamente, sobre como, sob a superfície de entretenimento com muito efeitos digitais, os filmes comerciais desfiam sérios conceitos filosóficos tendo com fio condutor a mitologia gnóstica.

Lembrem de filmes como Lucy, Ex-Machina e Transcendence onde o conceito nietzschiano de “vontade de potencia” é introduzido por meio da discussão TecnoGnóstica da Inteligência Artificial; ou os simbolismos freudianos da interpretação dos sonhos aplicados em uma narrativa PsicoGnóstica no filme A Passagem (Stay, 2005).

E não poderia ser de outra forma: um diretor nórdico (Morten Tyldum, O Jogo da Imitação) introduz conceitos filosóficos do filósofo dinamarquês Kierkegaard em uma narrativa que faz uma alusão invertida do mito de Adão e Eva do Gênesis bíblico em uma narrativa da jornada do herói gnóstico — acordar prisioneiro em um cosmos que caminha para a entropia e destruição.

Uma gigantesca espaçonave (simbolicamente de forma helicoidal do DNA humano) atravessa a galáxia em uma viagem de 120 anos para uma colônia em um remoto planeta transportando milhares de pessoas em câmaras de hibernação. Porém, uma má função resulta no despertar prematuro de um passageiro, 90 anos mais cedo da chegada prevista. Ele se vê sozinho numa gigantesca nave automática que mais parece uma mistura de shopping center com hotel-resort.


Sozinho naquele microcosmo, cujas más funções começam lentamente a contaminar toda a nave, e junto com 5.000 almas hibernando, o protagonista será confrontado com sérias questões morais, a angústia e a ansiedade. Mas tudo isso traduzido pela filosofia de Søren Kierkegaard (1813-1855), mais precisamente na sua obra O Conceito de Ansiedade de 1844, muito tempo antes do Existencialismo e da Psicanálise.

O Filme

Jim (Chris Pratt) é um dos 5.000 passageiros, mais a tripulação, mantidos em câmaras de hibernação, na espaçonave automática Avalon. Viajando a metade da velocidade da luz, Avalon ruma em direção da colônia Homestead II em uma jornada de 120 anos. Após 30 anos, a Avalon atravessa uma região do espaço com uma intensa chuva de meteoros o que obriga a nave a concentrar quase a totalidade da energia nos seus escudos. Isso produzirá uma lenta disseminação de pequenas más funções na Avalon.

E Jim é a primeira vítima: sua câmara de hibernação desperta-o prematuramente, como se a espaçonave já estivesse se aproximando de Homestead II. Tudo parece normal (o protocolo de boas vindas é acionado automaticamente pelos sistemas da nave), mas logo Jim cai em si – ele está sozinho em uma gigantesca espaçonave, faltando ainda 89 anos para o destino. Morrerá sozinho antes do restante dos passageiros despertar.

No início temos a clássica jornada do herói: primeiro ele fica confuso e desesperado. Depois, aparentemente aceita o destino e passa a usufruir de todos os serviços daquele autêntico hotel resort espacial – come sushi todas as noites e bebe uísque com a única companhia, o barman robô chamado Arthur (Michael Sheen) programado para bate papos superficiais de balcão de bar com os clientes.


A nave Avalon, o design interior e o balcão com o solicito robô barman são evidentes alusões a 2001 e O Iluminado de Stanley Kubrick. Assim como em O Iluminado, a solidão num lugar distante de qualquer coisa humana na Galáxia começa a enlouquecer o protagonista – por meses caminha nu pela nave, deixa crescer uma espessa barba, embriaga-se em longas conversas com repostas protocolares do barman androide, faz caminhadas espaciais e por horas fica olhando para o vazio e quase tenta suicídio em uma câmara de ar na saída da Avalon.

A partir daí, Jim passa o tempo lendo textos e os registros de vídeo dos passageiros em hibernação. Até ter um interesse peculiar por Aurora (Jennifer Lawrence), jornalista e escritora. Como engenheiro mecânico, Jim leu todos os manuais sobre as câmaras de hibernação o que o coloca em uma sinuca existencial e moral: um ano de solidão lhe deu uma inesperada consciência de liberdade. Jim pode despertá-la para dividir com ele a solidão. Mas por outro lado, isso significava roubar-lhe a vida que Aurora teria no futuro.

Jim convence a si mesmo que poderiam se apaixonar e ele iria construir uma casa para ela – um dos temas ao longo do filme é como a automação impossibilita as pessoas de construírem coisas com suas próprias mãos, roubando a humanidade dos objetos.

Depois de muitos dilemas éticos e existenciais, Jim decide acordá-la fazendo tudo parecer mais uma disfunção da nave Avalon.

De um lado, a solidão e a liberdade; do outro, o sequestro da vida de Aurora por Jim. Que ainda esconde um tema sombrio: o horror feminista pelo abuso emocional numa cultura do estupro que vê as mulheres como objeto de possessão. Jim é bonito, charmoso e sedutor. Mas esconde uma sombria escolha moral.


O Gênesis gnóstico

Passageiros faz uma interessante analogia com o Gênesis bíblico: o início de uma convivência fundada no pecado original, porém de forma invertida – foi Adão/Jim que conheceu o Mal (a liberdade de escolha) e não Eva/Aurora. O filme faz até uma alusão à árvore cujo fruto Jim não pode comer: a máquina de café automático Spice Extreme Latte, porque não é um passageiro com pulseira “ouro”. Quando Aurora/Eva chega, os dois podem consumir juntos os produtos do nível ouro, enquanto Jim sabe que fez algo muito errado.

O hotel-resort da nave Avalon é o Paraíso que tenta expulsar Jim e Aurora como uma espécie de punição por terem comido o fruto do Conhecimento – Jim, a descoberta da liberdade; e Aurora, permitir a Jim ter acesso “ouro” a serviços.

Mas esse Gênesis parece ter uma releitura bem gnóstica: assim como no Gênesis onde a mulher surge da costela de Adão, é Jim quem desperta uma mulher. Mas Adão e Eva despertam em uma Criação que já está em crise – as más funções anunciam uma destruição próxima de Avalon. Não foi o pecado que fez a Criação incorrer na Queda. A Queda foi a própria criação, que manteve o homem prisioneiro e colocado em condições existenciais extremas que só permitem tirar de dentro do homem o pior de si mesmo.

Aurora descobrirá como um homem aparentemente decente e charmoso foi capaz de roubar-lhe a própria vida. Como é colocado a certa altura em uma linha de diálogo, Jim era alguém que estava se afogando. E toda pessoa que se afoga agarra-se em alguém para levar junto.
Passageiros oferece mais uma releitura gnóstica da mitologia do Paraíso perdido, numa versão um pouco diferente da animação WALL-E (2008) - ver artigo sobre WALLE por meio do link abaixo:

http://cinegnose.blogspot.com.br/2011/02/wall-e-e-eva-disney-faz-releitura-do.html

Tal como na animação, o homem é prisioneiro em uma gigantesca espaçonave-resort que oferece comodismo e conforto. Mas que ao mesmo tempo oferece a oportunidade do autoconhecimento e a descoberta da liberdade.



Kierkegaard vai a Hollywood

Dessa maneira, Passageiros ingressa na ideia principal do livro O Conceito de Ansiedade do filósofo Kierkegaard, que inclusive é visualmente referenciado no filme.

Kierkegaard usa o exemplo de um homem à beira do precipício. Quando o homem olha para baixo ele sente o medo da queda. Mas ao mesmo tempo, sente um grande impulso de se atirar para o fundo do abismo. Esse sentimento paradoxal deriva da nossa ansiedade pela descoberta de que somos livres para escolher saltar ou não saltar. O mero fato de sabermos que temos a liberdade de escolha por sermos seres finitos diante da eternidade do Universo desperta ao mesmo tempo a solidão e a completa liberdade. Isso criaria tanto a possibilidade do autoconhecimento como da ansiedade neurótica – a angústia, que impede a evolução da ansiedade normal em autoconhecimento.

Um dos momentos-chave do filme é quando Jim em um dos seus passeios espaciais vê, solitário, a imensidão do Universo. Isso dá uma inesperada sensação de liberdade – ele pode se atirar no espaço, se matar, ou retornar e despertar Aurora. São atos equânimes moralmente naquelas condições existenciais nas quais Jim é prisioneiro.

Para Kierkegaard o mito de Adão retrata o despertar do indivíduo para a autoconsciência. Uma representação poética do instante em que o indivíduo coloca-se frente a si mesmo.

Tanto Jim quanto Aurora temem a extrema experiência simultânea da solidão e liberdade de poderem construir um novo mundo dentro do microcosmo da espaçonave Avalon. Mas, como Kierkegaard que antecipou muitas ideias freudianas, aquilo que mais desejamos é sempre o que mais tememos.

A ansiedade neurótica à descoberta de que sãos seres livres faz Jim pensar no suicídio e Aurora em tentar retornar à câmara de hibernação.

O filme Passageiros é uma jornada de autoconhecimento para os protagonistas: a transformação do medo da liberdade em atos que ecoarão na posteridade, como acompanhamos na sequência final - quando finalmente a nave Avalon chega ao destino 89 anos depois e os passageiros descobrem o legado deixado por Jim e Aurora.

Assista o trailer legendado em português por meio do link abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=yRPECNxkMVA

O artigo original poderá ser acessado por meio do link abaixo:


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.

Os comentários não representam a opinião do Blog O Grande Diálogo; a responsabilidade é do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

sábado, 29 de outubro de 2016

STAR WARS E O DESPERTAR DA FORÇA



Em alguns dias, a rede Telecine — TV Paga — irá apresentar a última produção da série Guerra nas Estrelas — Star Wars — The Force Awakens ou O Deespertar da Força. Certamente o mesmo irá chamar a atenção de muitos. As mensagens transmitidas pela série têm sido sempre muito intrigantes para a vasta maioria do povo evangélico, pois muitos procuram ver elementos que possa estar alinhados com os ensinamentos da Bíblia. Mas a realidade é completamente outra. A série está imersa em profundas imagens gnósticas e o artigo abaixo, de autoria do Professor Doutor Wilson Roberto Vieira Ferreira nos ajuda a compreender os diversos significados dos signos apresentados pela série. Todavia, devemos ressalvar que as opiniões do Prof. Wilson não representam, necessariamente, as do Blog O Grande Diálogo.

GNOSTICISMO E O SIGNIFICADO DA “FORÇA” EM GUERRA NAS ESTRELAS

"Star Wars: o Despertar da Força" mas... o que é "A Força"?
 Wilson Roberto Vieira Ferreira


Há muito tempo em uma galáxia muito distante não havia Deus... mas “A Força”. “Star Wars” foi o ápice da popularização do Panteísmo no Ocidente, iniciado com os Beatles nos anos 1960. Conceito tomado do livro “Relatos de Poder” de Castaneda, George Lucas nunca deixou clara as conexões teológicas do termo “A Força” com alguma religião em particular, mas há evidentes ligações com cosmovisões budistas, taoístas e nas atuais religiões New Ages. Mas o panteísmo de “Star Wars” é bem diferente: na saga, a “Força” ora é uma energia cósmica impessoal, ora uma entidade inteligente que manipula deliberadamente os eventos em busca do “equilíbrio” como fosse Deus, ora um instrumento de poder dos Jedi. Estamos no panteísmo hollywoodiano onde o confronto entre Bem e o Mal busca um equilíbrio sem redenção final para que a franquia torne-se uma narrativa transmídia e se expanda infinitamente em múltiplas mídias e plataformas.

Assistir à saga Star Wars chega a ser uma experiência quase religiosa.

A série salvou os estúdios da 20th Century Fox da falência em 1977, criou o padrão blockbuster de comercialização em Hollywood (onde um filme cria franquias de jogos, brinquedos etc.), e foi tão influente que fez o presidente dos EUA Ronald Reagan a chamar seu novo dispositivo de defesa militar durante a Guerra Fria nos anos 1980 de “Guerra nas Estrelas”.

Além de ser o primeiro “filme recuperativo”, série de retro-fantasias que se contrapôs à chamada Nova Hollywood – conjunto de filmes críticos e realistas dos anos 1970 como Taxi Driver, com Robert De Niro, e Um Estranho no Ninho, com Jack Nicholson. Depois de Star Wars vieram Indiana Jones, E.T., De Volta Para o Futuro, Ghost Busters, etc.

A retro-fantasia criada por George Lucas (inspirada no timing narrativo de séries sci fi antigas como Flash Gordon) pode também ser considerada a primeira produção hollywoodiana a explorar mitologias de várias religiões e mitos antigos.

Podemos considerar que a indústria do entretenimento explora três tipos de mitologias: as judaico-cristãs monoteístas, as politeístas e as gnósticas. Certamente, Star Wars chamou a atenção para a visão panteísta de Universo – da palavra grega “pan”, que significa “tudo” e “teísmo”, que significa Deus.

Star Wars e o Panteísmo no Ocidente

Lucas não tinha a intenção de promover uma religião em particular no filme. No entanto ele queria que os jovens pensassem em questões espirituais: “os jovens pensam sobre os mistérios. Mas não quer dizer: ‘aqui está a resposta’. Mas sim: ‘pense nisso num segundo. Existe um Deus? Como ele parece?’ Levar os jovens a pensar nesse nível é o que tentei em Star Wars.”, afirmou George Lucas - leia MOYER, Bill. "Of Myth and Men" In: Time Magazine, 26/04/1999, p.93.

Com a ideia de “A Força” que transpassa a narrativa da saga Star Wars, Lucas quis passar uma cosmovisão monista ou panteísta. É a crença de que Deus é impessoal, como uma essência que rege todo o Universo. Deus habita todas as coisas, seja a vida ou uma simples pedra. Deus não está separado do Universo, mas está contido dentro dele.



Essa cosmovisão está na base das religiões hindus, budistas e nas atuais religiões New Ages. Essa visão de mundo ganhou popularidade no Ocidente a partir da década de 1960 por meio de celebridades como os Beatles e os livros de autoajuda da atriz Shirley McClain. O sucesso de Star Wars despertou ainda mais o interesse popular pelas ideias do panteísmo.
Até então tanto a literatura como nos filmes sci-fi (C.S. Lewis, J.R. Tolkien ou filmes como O Planeta Proibido de 1956 ou 2001 de Kubrick) também apresentavam respostas a questões espirituais, porém ainda dentro de uma perspectiva teísta ou judaico-cristã. Ou mesmo sci-fis gnósticos dos anos 1970 como Zardoz ou O Homem Que Caiu na Terra.

Star Wars foi o ápice popular dessa cosmovisão panteísta. Panteístas acreditam na ausência de um ser divino pessoal e criador. Atestam uma força impessoal, uma energia cósmica que flui ao longo de todas as coisas do universo. Essa energia pode ser chamada “O Um”, o “Divino”, “Chi”, “Mana” ou “Brahma”. Em Star Wars é chamada de “A Força”.

A Força

O Mestre Jedi Obi Won Kenobi introduz a ideia de Força no primeiro filme em 1977, ao explicar para Luke Skywalker a sua natureza: “A Força é o que dá ao Jedi o seu poder. É um campo de energia criado por todas as coisas vivas. Ela nos cerca, nos penetra e conecta todas as galáxias.

Embora George Lucas tenha se inspirado nas religiões orientais como o Taoísmo que ensina que essa energia cósmica chama-se “Chi”, em Star Wars essa ideia de Força é, no mínimo, ambígua. Em certos momentos da série é vista um poder vinculativo, metafísico e onipresente; mas em outros momentos vê-se a Força como uma entidade sensível, dotada de pensamento inteligente e que direciona eventos na busca de um equilíbrio cósmico futuro; ou ainda como simples ferramenta para o Jedi aumentar a resistência, curar, telepatia, velocidade, telecinesia (movimentação de objetos à distância), visões pré-cognitivas e aguçamento dos sentidos.



O equilíbrio da Força

A saga Star Wars gira em torno da figura de Anakin Skywalker, que é identificado pelo Mestre Jedi Qui Gon Jinn como “O Escolhido” para restaurar o “equilíbrio da Força”, esperança que atravessa toda a série.

Esse é o centro da mitologia Star Wars: a Força envolve um equilíbrio de luta pelo poder entre os Jedi (do lado da Luz) e os Siths – o lado escuro da Força. Lembrando o princípio taoísta de Yin/Yang, o universo é composto por forças que serão sempre mantidas em estado de oposição. Nenhum dos lados tem domínio sobre o outro. Forças mutuamente dependentes – um não pode ser conhecido sem o outro. A Escuridão, a Morte e o Mal nunca serão derrotados; somente há equilíbrio enquanto existir oposição.

Em Star Wars o desequilíbrio ocorreu porque o lado escuro tornou-se mais influente com a consolidação do Império e deve ser levado ao equilíbrio pelas forças do bem. O lado escuro jamais será derrotado de forma permanente pela Luz, mas deve-se apenas restaurar a Força por meio da recuperação do equilíbrio. Esse é o conceito que George Lucas explora ao longo da série.

O ardil da Força

Percebe-se na série o ardil da Força, revelando também ser uma entidade inteligente como um Deus o que, paradoxalmente, o panteísmo pretende negar. A Força manipula eventos, cria profecias e sonhos e até mesmo engravida uma mulher da qual nascerá a figura messiânica (Luke Skywalker) que trará o equilíbrio da Força.

Em última análise, ao passar para o lado negro da Força e transformar-se em Darth Vader, Anakin traz um novo equilíbrio a um desequilíbrio inicial: a purga dos Jedi aos transformá-los em inimigos da República surge num momento em que o lado luminoso era mais forte, quando haviam centenas de Jedi, enquanto no lado escuro havia um número reduzido.


Os episódios do I ao III revelam como a religião Jedi turvou seus próprios pontos de vista, corrompendo-os e tornando-os tão maus quanto os Sith – passaram a operar pela mentalidade “os fins justificam os meios” e sua reputação fica tão obscura que, quando são enviados dois Jedi (ao invés de diplomatas treinados) para resolver uma disputa comercial comum, causam grande medo – parecem a Gestapo da República.

Darth Vader traz um novo desequilíbrio, cuja solução veio através dos próprios filhos de Anakin: Luke Skywalker e Leia.

O perfeito panteísmo hollywoodiano

Por isso essa noção panteísta da Força é um moto-contínuo perfeito para uma franquia hollywoodiana: jamais nenhum dos lados sofrerá uma derrota final. Potencialmente a série não tem um fim, está em constante expansão. No universo Star Wars não há redenção e todos os meios parecem justificar o fim – o equilíbrio da Força.

A Força parece ser sempre um “deus ex machina” do roteiro (termo usado para designar intervenções arbitrárias em uma narrativa para fazê-la fluir) – um panteísmo hollywoodiano perfeito para produzir um blockbuster sem fim, uma narrativa transmídia onde a história jamais termina, apenas continua através de múltiplas mídias e plataformas.

Embora a série Star Wars tenha um appeal gnóstico (as análises mais apressadas veem nos Siths o Demiurgo e nos Jedi os anjos da Luz) e até um planeta chamado Geonosis (Gnosis?), não há uma redenção, uma gnose que faça os personagens transcenderem a dualidade sem fim. Na saga, a dualidade não é maniqueísta (no sentido do pensador gnóstico persa Mani) mas monista - Bem e Mal são dependentes um do outro para manter uma ordem onde indivíduos e acontecimentos são meras peças de um jogo.



Gnosticismo e Panteísmo

O Gnosticismo possui uma cosmovisão essencialmente dualista: é impossível existir harmonia nesse cosmos – o conflito entre o Bem e o Mal será sempre entre aqueles que anseiam fugir da prisão cósmica material e as forças que pretendem nos manter prisioneiros – tema central de um arco de produções que vai de Truman Show e Matrix até a atual série Sense8 do Netflix — saiba mais por meio desse link aqui:


Nesses filmes até há sugestões panteístas onde o protagonista somente será bem sucedido se puder sentir a uma voz interior que o conecte a um Todo – principalmente em Sense8 onde os sensates se conectam por meio de um sistema nervoso coletivo través do qual partilham emoções e percepções. Porém, a finalidade não é a busca de um equilíbrio, mas a destruição de uma sinistra conspiração que envolve a própria construção da realidade.

Ao contrário, em Star Wars desde a Realpolitik (tramas palacianas envolvendo Federações, Confederações, Repúblicas e Impérios) até as relações afetivas são ardilosamente manipuladas pela Força por meio de sonhos (as premonições de Anakin sobre a morte da sua esposa grávida, Padmé, é o primeiro passo para a sedução pelo lado Escuro) e profecias.

Por um ponto de vista gnóstico, a Força é um Demiurgo – talvez bem próximo do Deus impiedoso do Velho Testamento bíblico. Para a Força, o fim (equilíbrio/desequilíbrio) justificam os meios - até a destruição de planetas inteiros.

E por um ponto de vista comercial da indústria do entretenimento, a Força é o ardil dos roteiristas e da própria franquia, agora da Disney. Nada mais irônico do que o novo filme da série Star Wars chamar-se O Despertar da Força – depois de mais de uma década do último filme e a aposentadoria do criador George Lucas, a saga continua em busca de um equilíbrio. E os fãs e a Disney esperam que essa busca nunca tenha uma redenção final.

O artigo original poderá ser visto por meio desse link aqui:


Que Deus abençoe a todos por meio das insondáveis riquezas de Cristo que são nossas porque estamos EM CRISTO.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.


Os comentários não representam a opinião do Blog O Grande Diálogo; a responsabilidade é do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.