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quarta-feira, 26 de outubro de 2016

ESTUDOS NO LIVRO DE PROVÉRBIOS — ESTUDO 010

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Nesse estudo iremos abordar o Livro de Provérbios, mas iremos fazer isso de maneira diferente do que apenas apresentar uma exposição, versículo por versículo. Nossa intenção é apresentar os grandes temas que encontramos no livro e dar andamento no mesmo a partir daí.

ESTUDO 010

CONTINUAÇÃO — A SABEDORIA

3. A terceira faceta da sabedoria é o chamado “sábio proceder” que é derivado das seguintes raízes:

הַשׂכֵל — haskel — ser prudente, ser cauteloso, compreender sabiamente, prosperar como em Provérbios 1:3.

מַשׂכִיל — maskiyl — idem à definição acima, mas em Provérbios 10:5.

שׂכְל — sekel — prudência, discernimento, entendimento como em Provérbios 12:8.

Em resumo estamos falando de: bom senso, sabedoria prática, savoir-faire. Sua natureza específica se revela na sua forma verbal, que muitas vezes significa “ter sucesso”. Dois exemplos serão suficientes para ilustrar o que estamos querendo dizer:

A primeira mulher criada confundiu esse verdadeiro “sábio proceder” com algo parecido com sofisticação —

Gênesis 3:6

Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu.

Por outro lado, uma mulher chamada Abigail demonstrou esse sábio proceder de forma excelente ao contornar uma crise e poupar a vida de muitas pessoas — ver 1 Samuel 25:3—35

A expressão suprema desse sábio proceder — desmentindo a ideia adotada pela primeira mulher — está no triunfo do Servo do Senhor, conforme lemos em —

Isaías 52:13

Eis que o meu Servo procederá com prudência; será exaltado e elevado e será mui sublime.

Quando esse sábio proceder aparece pela primeira vez no Livro de Provérbios, o mesmo é reivindicado pelo próprio Deus que o vincula com —

Provérbios 1:3b

A justiça, o juízo e a equidade.

O sábio proceder está unido com a expressão תּוּשִׁיָּה  tushiyyah — que pode significar: sabedoria, conhecimento judicioso, sucesso, sabedoria sã ou eficiente, sucesso duradouro. Esse termo pode ser visto em versos tais como —

Provérbios 2:7—8

7 Ele reserva a verdadeira sabedoria para os retos; é escudo para os que caminham na sinceridade,

8 guarda as veredas do juízo e conserva o caminho dos seus santos.

Provérbios 8:14

Meu é o conselho e a verdadeira sabedoria, eu sou o Entendimento, minha é a fortaleza.

Isaías 28:29

Também isso procede do SENHOR dos Exércitos; ele é maravilhoso em conselho e grande em sabedoria. Ver Tiago 1:5

Essa é a verdadeira sabedoria sadia e o sábio proceder.

4. Outras facetas da sabedoria são representadas pelos termos:

עָרְמָה — `aremah — que pode ser traduzido por astúcia, esperteza e prudência.

Provérbios 1:4

Para dar aos simples prudência e aos jovens, conhecimento e bom siso.

מְזִמָּה — mezimmah — que é traduzido pela expressão “bom siso” no verso acima, mas pode significar “propósitos ou planos maus”. Esses dois termos podem, e com frequência traduzem aspectos negativos da sabedoria. Podem não retratar um sábio proceder e sim uma degeneração da mesma, como podemos ver nos dois casos abaixo:

A primeira expressão é usada na Bíblia para descrever a serpente no Jardim do Éden —

Gênesis 3:1

Mas a serpente, mais sagaz que todos os animais selváticos que o SENHOR Deus tinha feito.

Já a segunda, é usada para descrever planos degenerados de maldade —

Provérbios 12:2

O homem de bem alcança o favor do SENHOR, mas ao homem de perversos desígnios, ele o condena.

É importante a gente dizer que essas características não precisam, necessariamente, se corromper e, no Livro de Provérbios, nós encontramos uma preocupação marcante, para demonstrar que o homem piedoso se empenha em saber o modo certo de agradar a Deus, planejando todo seu caminho como lemos em —

Provérbios 22:3

O prudente vê o mal e esconde-se; mas os simples passam adiante e sofrem a pena.

5. Um quinto grupo relacionado à sabedoria é composto de duas palavras duma mesma raiz: 

דַּעַת — da`at — conhecimento no sentido de: conhecimento, percepção, habilidade, discernimento, compreensãoe e sabedoria como em —

Provérbios 1:4

Para dar aos simples prudência e aos jovens, conhecimento e bom siso.

לֶקַח  — leqach — prudência, ensinamento, ensino, percepção, instrução como objeto, ensinamento como coisa ensinada, capacidade para ensinar e persuasão como em —

Provérbios 1:5

Ouça o sábio e cresça em prudência; e o instruído adquira habilidade

A primeira expressão dá a entender tratar-se mais do que uma mente bem formada ou conhecimento da verdade, pois envolve até mesmo, o próprio Deus —

Provérbios 2:5

Então, entenderás o temor do SENHOR e acharás o conhecimento de Deus.

Provérbios 3:6

Porque o SENHOR dá a sabedoria, e da sua boca vem a inteligência e o entendimento.

Essa segunda expressão tem a tendência de ressaltar que a doutrina é algo dado e recebido ou assimilado.


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis
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segunda-feira, 8 de agosto de 2016

ESTUDOS NO LIVRO DE PROVÉRBIOS — ESTUDO 009



Nesse estudo iremos abordar o Livro de Provérbios, mas iremos fazer isso de maneira diferente do que apenas apresentar uma exposição, versículo por versículo. Nossa intenção é apresentar os grandes temas que encontramos no livro e dar andamento no mesmo a partir daí.

ESTUDO 009

CONTINUAÇÃO

2. A segunda faceta da sabedoria que encontramos em Provérbios 1 e 2 é representada pelas expressões: entendimento e compreensão. As definições desses termos são como seguem em

Provérbios 1:2

Para aprender a sabedoria e o ensino; para entender as palavras de inteligência.

בִיןbyin, cujo significado é:

Discernir, compreender, considerar, perceber, saber — com a mente — observar, marcar, atentar, distinguir, ter discernimento, ser inteligente, discreto, ter compreensão.

Provérbios 2:2

Para fazeres atento à sabedoria o teu ouvido e para inclinares o coração ao entendimento.

תְּבוּנָה tebunah, cujo significado é:

Compreensão, inteligência, o ato do entendimento, habilidade, a capacidade do entendimento, compreensão, percepção, o objeto do conhecimento, professor — como personificação. A ideia principal por trás dessas duas expressões pode ser melhor avaliada, pelo fato das duas serem derivadas de um mesmo e único verbo que é “discernir”. Foi o próprio rei Salomão que uniu essas duas ideias ao pedir para Deus que tivesse —

1 Reis 3:9—10

Dá, pois, ao teu servo coração compreensivo para julgar a teu povo, para que prudentemente discirna entre o bem e o mal; pois quem poderia julgar a este grande povo?

Comparar com:

Filipenses 1:9

E também faço esta oração: que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda a percepção, para aprovardes as coisas excelentes e serdes sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo.

Hebreus 5:14

Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal.
Ainda de Provérbios 2:2 acima, nós podemos nos apropriar da expressão hebraica לֵב leb — traduzida comumente por coração, mas que também tem o sentido de: ser interior, mente, vontade, inteligência. Desse modo, a mesma pode ser interpretada como “entendimento” como temos na Versão de Almeida Revista e Corrigida nos versos de —

Provérbios 6:32 na ARC

O que adultera com uma mulher é falto de entendimento; destrói a sua alma o que tal faz.

Provérbios 10:13 na ARC

Nos lábios do sábio se acha a sabedoria, mas a vara é para as costas do falto de entendimento.
Um exemplo prático disso pode ser visto em –

Oséias 7:11

Porque Efraim é como uma pomba enganada, sem entendimento; chamam o Egito e vão para a Assíria.

Outras vezes, לֵבlebcoração, pode ser traduzida pela palavra “senso” —

Provérbios 10:13 na ARA

Nos lábios do prudente, se acha sabedoria, mas a vara é para as costas do falto de senso.

CONTINUA...

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Alexandros Meimaridis

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quarta-feira, 22 de junho de 2016

ESTUDOS NO LIVRO DE PROVÉRBIOS — ESTUDO 008



Nesse estudo iremos abordar o Livro de Provérbios, mas iremos fazer isso de maneira diferente do que apenas apresentar uma exposição, versículo por versículo. Nossa intenção é apresentar os grandes temas que encontramos no livro e dar andamento no mesmo a partir daí.

ESTUDO 008

CONTINUAÇÃO

C. A Sabedoria

1. As Muitas Facetas da Sabedoria.

O livro dos Provérbios começa com uma análise clara da luz produzida pela sabedoria כְמָהchemah — que pode significar: sabedoria, perspicácia, habilidade e prudência. Essa divisão da luz é semelhante àquela que acontece quando um feixe de luz branca passa através de um prisma e se decompõe em sete cores, que vão desde o violeta até o vermelho. Nossos olhos são incapazes de capturar qualquer tonalidade que esteja acima do violeta — ultravioleta — ou abaixo do vermelho — infravermelho. Nosso interesse é analisar cada uma dessas facetas, o que faremos em seguida. 

a. A primeira faceta da Sabedoria tem a ver com os conceitos de: Instrução ou Treinamento, que no Livro dos Provérbios estão encapsulados dentro da expressão hebraica מוּסָרmusar — traduzida por ensino.

Provérbios 1:2—3

2  Para aprender a sabedoria e o ensino; para entender as palavras de inteligência;

3  para obter o ensino do bom proceder, a justiça, o juízo e a equidade.

Esses versículos servem para nos advertir que se pretendemos alcançar a verdadeira sabedoria, nós precisamos entender que tal propósito só poderá ser atingido com empenho e esforço. Não é algo fácil. Pelo contrário, é algo difícil, muito difícil mesmo. Isso é assim porque a verdadeira sabedoria é uma qualidade tanto do caráter, quanto da mente. A expressão hebraica מוּסָרmusar — transmite, quase sempre, um tom de severidade, mas existem exceções como podemos ver em —

Provérbios 4:1

Ouvi, filhos, a instrução do pai e estai atentos para conhecerdes o entendimento. 

Ou numa simples nota de advertência —

Provérbios 24:30—32

30 Passei pelo campo do preguiçoso e junto à vinha do homem falto de entendimento;

31 eis que tudo estava cheio de espinhos, a sua superfície, coberta de urtigas, e o seu muro de pedra, em ruínas.

32 Tendo-o visto, considerei; vi e recebi a instrução.

b. Também se refere ao castigo que pode vir diretamente da parte do Senhor ou pela vara —

Provérbios 3:11

Filho meu, não rejeites a disciplina do SENHOR, nem te enfades da sua repreensão.

Provérbios 23:13

Não retires da criança a disciplina, pois, se a fustigares com a vara, não morrerá.

Outro conceito da sabedoria, ainda dentro dessa mesma linha, tem a ver com um companheiro muito frequente da instrução. Estamos falando daquilo que o Livro dos Provérbios chama de correção ou a repreensão:

A expressão hebraica com a qual estamos lidando é תוֹכַחְתִּיtoukachettiy — cujo significado amplo é: repreensão, correção, censura, punição, castigo. A mesma pode ser vista em passagens tais como:

Provérbios 1:23

Atentai para a minha repreensão; eis que derramarei copiosamente para vós outros o meu espírito e vos farei saber as minhas palavras.

Provérbios 3:11

Filho meu, não rejeites a disciplina do SENHOR, nem te enfades da sua repreensão.

Em Provérbios, o uso específico da expressão hebraica תוֹכַחְתִּיtoukachettiy — funciona como um substantivo cujo propósito é ressaltar uma persuasão mais verbal do que física. Trata-se mais de um verdadeiro apelo à razão e à consciência, do que a coerção pela força. Podemos ver bons exemplos disso em outros livros da Bíblia, tais como —

Isaías 1:18

Vinde, pois, e arrazoemos, diz o SENHOR; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã.

João 16:8—12

8 Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo:

9 do pecado, porque não creem em mim;

10 da justiça, porque vou para o Pai, e não me vereis mais;

11 do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado.

Acima vemos que a ação do Espírito é de convencimento e não de coerção.

Esses dois termos resumem a ideia de disciplina. A sabedoria não se alcança por meio de estudos curriculares. Ela só pode ser aprendida por verdadeiros discípulos.


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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segunda-feira, 18 de abril de 2016

ESTUDOS NO LIVRO DE PROVÉRBIOS — ESTUDO 007 - NOSSA NECESSIDADE PELA SABEDORIA VERDADEIRA



Nesse estudo iremos abordar o Livro de Provérbios, mas iremos fazer isso de maneira diferente do que apenas apresentar uma exposição, versículo por versículo. Nossa intenção é apresentar os grandes temas que encontramos no livro e dar andamento no mesmo a partir daí.

ESTUDO 007

CONTINUAÇÃO

Em duas passagens de Provérbios somos informados que o verdadeiro conhecimento de Deus é:

1. Dado através da revelação:

Provérbios 2:6

Porque o SENHOR dá a sabedoria, e da sua boca vem a inteligência e o entendimento.

2. É alimentado por aquilo que pode ser chamado a prática da presença de Deus, conforme se recomenda em

Provérbios 3:6
Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas.

Isso nos faz lembrar o alvo da própria Nova Aliança — Todos me conhecerão, conforme

Hebreus 8:11 —

E não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até ao maior.

E em Provérbios lemos —

Provérbios 3:32

Porque o SENHOR abomina o perverso, mas aos retos trata com intimidade.

Isso quer dizer que os retos fazem parte do círculo íntimo do próprio Deus. Essa comunhão “em todos os teus caminhos” dá a entender, além da reverência e da obediência, a confiança; e é digno de nota que Provérbios, apesar de sua ênfase no bom senso, exalta a fé acima da sagacidade —

Provérbios 3:5—7

5 Confia no SENHOR de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento.

6 Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas.

7 Não sejas sábio aos teus próprios olhos; teme ao SENHOR e aparta-te do mal.

Por outro lado, o planejamento, por mais apropriado que seja, está sujeito aos ditames da própria soberania de Deus:

Provérbios 19:21

Muitos propósitos há no coração do homem, mas o desígnio do SENHOR permanecerá.

B. Deus e o Homem

Uma verdade que temos que aprender é que a vitória não depende nem das nossas forças e nem da nossa esperteza. A vitória depende do Senhor:

Provérbios 21:31

O cavalo prepara-se para o dia da batalha, mas a vitória vem do SENHOR.

Por outro lado a cautela excessiva pode nos ser fatal, mas os que confiam no Senhor podem sempre descansar seguros:

Provérbios 29:25

Quem teme ao homem arma ciladas, mas o que confia no SENHOR está seguro.

Nos dias do profeta Isaías os reis de Judá em vez de confiarem no Senhor estavam procurando fazer acordos militares com os assírios e os egípcios contra os babilônios. Desse modo um dos sábios que ajudaram a escrever o Livro dos Provérbios diz que seu propósito é fortalecer a fé e não a autoconfiança —

Provérbios 22:19

Para que a tua confiança esteja no SENHOR, quero dar-te hoje a instrução, a ti mesmo.

Mas a fé a qual nos referimos não deve ser confundida como mero assentimento mental como acontece, por exemplo, com os demônios —

Tiago 2:19

Crês, tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios creem e tremem.

Os demônios creem no sentido de assentimento intelectual. Tal crença não se manifesta em forma da fé verdadeira que é capaz de transformar nossas vidas. Em provérbios a fé mencionada está sempre baseada em um sólido relacionamento estabelecido com Deus, exatamente como o relacionamento mencionado na aliança feita entre Deus e o povo de Israel no passado.

A aliança com Deus no passado é mencionada uma única vez no Livro de Provérbios e, mesmo assim, no contexto muito peculiar que envolve a mulher adúltera —

Provérbios 2:16—17

16 Para te livrar da mulher adúltera, da estrangeira, que lisonjeia com palavras,

17 a qual deixa o amigo da sua mocidade e se esquece da aliança do seu Deus. 

Não está claro se a Aliança mencionada aqui se refere à Aliança de Deus com o povo de Israel. Parece mais uma referência à aliança que a mulher citada nos versículos, teria feito algum dia, diante do seu deus — talvez numa cerimônia de casamento. Independentemente de qual aliança está sendo referida aqui, a menção da mesma apenas torna o pecado dela ainda mais nojento e abominável.

Esse tipo de vínculo pessoal com Deus é destacado também nas palavras do rei Agur que encontramos em —

Provérbios 30:7—9

7  Duas coisas te peço; não mas negues, antes que eu morra:

8  afasta de mim a falsidade e a mentira; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; dá-me o pão que me for necessário;

9  para não suceder que, estando eu farto, te negue e diga: Quem é o SENHOR? Ou que, empobrecido, venha a furtar e profane o nome de Deus.

Ver Também

Deuteronômio 8:11—20

11 Guarda-te não te esqueças do SENHOR, teu Deus, não cumprindo os seus mandamentos, os seus juízos e os seus estatutos, que hoje te ordeno;

12 para não suceder que, depois de teres comido e estiveres farto, depois de haveres edificado boas casas e morado nelas;

13 depois de se multiplicarem os teus gados e os teus rebanhos, e se aumentar a tua prata e o teu ouro, e ser abundante tudo quanto tens,

14 se eleve o teu coração, e te esqueças do SENHOR, teu Deus, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão,

15 que te conduziu por aquele grande e terrível deserto de serpentes abrasadoras, de escorpiões e de secura, em que não havia água; e te fez sair água da pederneira;

16 que no deserto te sustentou com maná, que teus pais não conheciam; para te humilhar, e para te provar, e, afinal, te fazer bem.

17 Não digas, pois, no teu coração: A minha força e o poder do meu braço me adquiriram estas riquezas.

18 Antes, te lembrarás do SENHOR, teu Deus, porque é ele o que te dá força para adquirires riquezas; para confirmar a sua aliança, que, sob juramento, prometeu a teus pais, como hoje se vê.

19 Se te esqueceres do SENHOR, teu Deus, e andares após outros deuses, e os servires, e os adorares, protesto, hoje, contra vós outros que perecereis.

20 Como as nações que o SENHOR destruiu de diante de vós, assim perecereis; porquanto não quisestes obedecer à voz do SENHOR, vosso Deus.

A essência da aliança, como manifestada pelo rei Agur está no relacionamento íntimo com Deus. E o relacionamento desponta de modo todo especial, na forma como o pai se relaciona com o filho em —

Provérbios 3:12

Porque o SENHOR repreende a quem ama, assim como o pai, ao filho a quem quer bem.

Então que possamos aprender bem essa lição: Deus nos ama, independentemente de qualquer outra coisa que possa ser levada em conta.

Por fim, queremos tratar de uma questão muito importante: É possível que o próprio rei Salomão e os outros compiladores do Livro dos Provérbios tivessem a intenção de não vincular os mesmos diretamente com a Aliança feita entre Deus e o povo de Israel, porque desejavam criar uma espécie de livro que pudesse ser válido para todas as pessoas e não apenas para os chamados “filhos da aliança”? De fato não é difícil perceber que o “homem” mencionado em Provérbios não é visto, preferencialmente como um israelita, como podemos notar que é a tendência clara em outras partes das Escrituras do Antigo Testamento. É óbvio que em muitos versículos nós podemos encontrar referências às instituições do Israel Antigo. Entre essas referências podemos citar a oração e os sacrifícios. Mesmo assim a ênfase desses últimos — os sacrifícios — é a mesma que encontramos nos profetas, —

Provérbios 21:3

Exercitar justiça e juízo é mais aceitável ao SENHOR do que sacrifício.

Ver essa verdade ilustrada em

Isaías 1:10—17

10 Ouvi a palavra do SENHOR, vós, príncipes de Sodoma; prestai ouvidos à lei do nosso Deus, vós, povo de Gomorra.

11 De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios? —diz o SENHOR. Estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de animais cevados e não me agrado do sangue de novilhos, nem de cordeiros, nem de bodes.

12 Quando vindes para comparecer perante mim, quem vos requereu o só pisardes os meus átrios?

13 Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e também as Festas da Lua Nova, os sábados, e a convocação das congregações; não posso suportar iniquidade associada ao ajuntamento solene.

14 As vossas Festas da Lua Nova e as vossas solenidades, a minha alma as aborrece; já me são pesadas; estou cansado de as sofrer.

15 Pelo que, quando estendeis as mãos, escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue.

16 Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer o mal.

17 Aprendei a fazer o bem; atendei à justiça, repreendei ao opressor; defendei o direito do órfão, pleiteai a causa das viúvas.

Por outro lado, temos também a colocação de que somente aqueles que amam a perversidade podem desprezar a Lei —

Provérbios 28:4

Os que desamparam a lei louvam o perverso, mas os que guardam a lei se indignam contra ele.

E ainda, temos a descrição do que acontece com um povo que não tem a Lei para servir de direção em —

Provérbios 29:18

Não havendo profecia, o povo se corrompe; mas o que guarda a lei, esse é feliz.

Assim, o Livro de Provérbios, do meio de uma grande quantidade de ditados, nos apresenta a religião apenas como algo implícito nos mesmos. Isso nos impede de vestir o Livro dos Provérbios com uma estola sacerdotal ou, até mesmo, com o manto de um profeta, cuja intenção é conduzir qualquer pessoa que seja para, digamos, uma igreja.

Por outro lado, é sua figura centrada na sabedoria que nos chama a todos para nos falar de modo franco, de algum aspecto da nossa vida diária, inclusive da nossa vida no lar. A função do Livro de Provérbios é vestir a vida piedosa com as roupas do trabalho cotidiano. Por isso, o mesmo menciona o comércio e a sociedade como ambientes nos quais devemos nos comportar, de modo tal que o nome de Deus seja glorificado e não blasfemado, como acontece em nossos dias.

Romanos 2:24

Pois, como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por vossa causa.

Se nós pudéssemos analisar quais influências edificam o caráter de uma pessoa, até que ela atinja a maturidade, logo perceberíamos que, as que chamamos de naturais superam, em muito, o número daquelas que podemos chamar de sobrenaturais. Mas mesmo que isso seja verdadeiro, o Livro de Provérbios nos garante que isso não diminui a eficácia da graça de Deus, porque as duras realidades que temos que enfrentar diariamente são o método estabelecido pelo próprio Deus, para moldar e formar nosso caráter. Nesse sentido então, não existe nenhuma alternativa para a graça soberana de Deus em nossas vidas. Nós temos que passar por tudo aquilo que o Senhor, na sua graça, tem preparado como forma de moldar nosso caráter. Em Provérbios, tudo procede da graça de Deus —

Provérbios 20:12

O ouvido que ouve e o olho que vê, o SENHOR os fez, tanto um como o outro. 

Ainda assim, apesar de todas as pessoas estarem de uma forma ou de outra — alguns como crentes e outros como incrédulos — matriculados na escola de Deus, são poucos os que aprendem ali a verdadeira sabedoria, uma vez que o conhecimento que Deus deseja transmitir é o conhecimento dEle mesmo e os incrédulos não têm, nenhum interesse nisso, de nenhuma forma que seja. O conhecimento íntimo de Deus é o prêmio final de nossas vidas.

Somente através da mais completa submissão à autoridade e majestade de Deus e de Sua Palavra — o que o Livro dos Provérbios chama de: Temor do Senhor — é que podemos começar e continuar nossa tão necessária educação de verdade.

É através de uma busca diligente pela sabedoria, como alguém que procura por tesouros ocultos que encontraremos nosso prêmio final, que é uma intimidade mais profunda e intensa com o próprio Deus, na pessoa de Seu Filho, o Senhor Jesus Cristo. O próprio Senhor é o princípio como o fim de todo o processo que estamos chamando de “adquirir a sabedoria”. O alvo de todo ser humano deve ser —

Provérbios 2:5

Então entenderás o temor do SENHOR, e acharás o conhecimento
de Deus.

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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