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sexta-feira, 14 de outubro de 2016

PASTORES SÃO PECADORES E NÃO PODEM TER ILUSÕES ACERCA DISSO


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O artigo abaixo é de autoria de Dave Harvey e foi publicado no site da Editora FIEL

3 distorções que podem destruir seu ministério
Dave Harvey

Há certas coisas que você pode ter certeza que irão acontecer. O Vasco dificilmente ganha um campeonato. O filme “Rocky” sempre será ótimo. As pessoas em Fortaleza vão sempre dirigir bem devagar (descobri esse fenômeno raramente percebido no Nordeste do Brasil, chamado “dirigir no limite de velocidade”). Paul McCartney sempre será um grande compositor de músicas.

E, se você é um pastor (ou planeja ser um), você irá pecar e pecarão contra você. Citando Bruce Hornsby: “é bem assim que as coisas são”. Jogue um tanto de pecadores junto numa igreja, nomeie alguém para liderá-los, e tão certo quanto os impostos e a morte, o pecado acontece.

Então, aí é que está: se você quer ser frutífero ou efetivo no ministério pastoral, você deve aprender a arte bíblica do perdão. Ser incapaz de perdoar irá aleijar seriamente você no ministério.

Porque o perdão é um aspecto tão crucial do ministério pastoral, Satanás e a sua natureza pecaminosa conspirarão juntos para afastar você dele. Especificamente, eles se valerão de três distorções, num esforço de conduzir você para fora do caminho do perdão e para dentro do pântano da amargura.

DISTORÇÃO #1 – EU NÃO SOU UM PECADOR, SOU UMA VÍTIMA

Em Mateus 18.28, um servo que acabara de ter sido perdoado de uma dívida imensa (10 mil talentos) encontrou alguém que lhe devia uma quantia pequena de dinheiro. Quando ele viu aquele servo, um interruptor foi acionado na cabeça dele, e aí ele virou o jogo para com esse servo:

Mas quando aquele mesmo servo saiu, ele encontrou um de seus conservos, o qual devia a ele 100 denários, e o segurando, começou a segurá-lo pela garanta dizendo: ‘pague o que me deve’.”

O primeiro servo foi perdoado de uma grande dívida, mas ele esqueceu de tudo aquilo quando viu o segundo servo, o qual devia a ele uma quantia relativamente pequena. O primeiro pensamento dele foi: “ele me machucou, defraudou-me e me vitimou. Portanto, ele me deve!”. Ele pegou seu status de ofendido, sacou a carta de vítima e saiu de si numa fúria descontrolada.

Como um aspirante a pastor, você deve sempre lembrar: o status que nós conferimos a nós mesmos deve começar com o evangelho e não com nossas experiências, nossa dor, nossa história ou com as ações ou as omissões dos outros. Essa é uma realidade difícil porque, temos que reconhecer, o pecado pode ser horrível! Vivemos em um mundo de abusos, molestações, estupros e assassinatos. Talvez você tenha sido tocado por uma dessas tragédias, e se eu ouvisse sua história, choraria com você. Essas tragédias são reais, dolorosas e significativas.

Mas, na Escritura, “pecar contra você” não é o status primeiro e primário do cristão. Ao invés disso, nosso status primário é primeiro e principalmente: “amados por Deus, ainda que pecadores”. É importante afirmar esse status porque nos define na relação com Deus. Esse status nos traz, particularmente, face a face com uma realidade teológica que oferece perspectiva enquanto consideramos como pecaram contra nós. Nós pecamos contra Deus muito mais do que qualquer pessoa tenha pecado contra nós. Leia isso de novo, mais devagar dessa vez. Isso significa que nosso problema mais profundo não é que os outros pecaram contra nós, mas que nós pecamos primeiro contra Deus.

Você já percebeu que quando pensamos em nossas histórias, estamos sempre de pé no centro do palco, sem termos cometido pecado? Outras pessoas se juntam ao nosso drama entrando em nossa história e cometendo pecados ou omitindo coisas que deveriam ter feito. Mas, e quanto a nós? Nós somos apenas pessoas que têm boas intenções, que abençoam outros e espalham alegria. Nós somos boas pessoas, e parece que sempre acontecem coisas ruins conosco. Vivemos como se pecassem contra nós para sempre!

Mas a Escritura não nos descreve primariamente como pessoas contra as quais os outros pecam. Em 1Timóteo 1.15, Paulo diz o seguinte sobre ele mesmo: “Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal”.

Apesar de muitas pessoas terem pecado contra Paulo (inclusive o apedrejando quase até a morte, e o agredirem com varas!), ele não se via primariamente como uma vítima. Ao invés disso, ele se identificava como um pecador que havia sido salvo por Cristo.

Se você se vê primariamente como uma vítima e não como um pecador salvo pela graça, você nunca aprenderá como ajudar pessoas enraizadas na amargura ou presas pelos seus próprios sensos de vitimização. O evangelho não fluirá através de você até que ele seja aplicado primeiramente em você.

DISTORÇÃO #2 – CLARO QUE SOU UM PECADOR, MAS OS SEUS PECADOS SÃO PIORES QUE OS MEUS

No coração do ressentimento, está um status que determinamos a nós mesmos (pecaram contra mim!) e uma dívida que negamos (claro que pequei contra Deus, mas você viu como pecaram contra mim?). Essa distorção faz com que os pecados das outras pessoas pareçam grandes e os seus, pequenos. Mais significativamente, isso rega as sementes da autojustificação em nossa alma.

O homem que se autojustifica diz: “Claro que sou um pecador, mas sou melhor que você. De fato, minha superioridade moral providencia um ponto de vantagem para diagnosticar e avaliar o seu coração autoritativamente”. Na verdade, pode ficar muito feio. Autojustificação converte cristãos em fariseus. Ou, a autojustificação se infiltra na arena do discernimento. Essa é a área na qual eu mais frequentemente sou culpado. Minha autojustificação pecaminosa faz com que eu eleve minha própria interpretação de uma situação e dispense a opinião de outra pessoa.

Autojustificação cria uma troca na qual nós nos tornamos os juízes, ao invés de Deus. Nossas opiniões se transformam de caridosas em um padrão “objetivo” pelo qual outras pessoas são medidas.

É o patrão que só verá um empregado como preguiçoso porque o empregado se atrasou uma vez, e o patrão nunca se atrasa. É a mãe que acredita que todos os filhos dela deveriam concordar com as opiniões dela, e se não o fizerem, sentem a sua desaprovação. É o homem que se recusa a perdoar alguém mesmo depois que a pessoa confessou o pecado dela porque a confissão não lhe pareceu “sincera o suficiente”.

Autojustificação distorce nossa perspectiva. Ao invés de vivermos como “eu fui perdoado de uma grande dívida”, nós vivemos como “claro que pequei, mas olhe para você!”. Poucas coisas afundarão um pastor mais rápido do que autojustificação. Se você está querendo ser frutífero no ministério pastoral, deve aprender a ver as pessoas mais através da graça de Deus do que através dos pecados dela. E você deve aprender a concordar com Paulo: “que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal” (1Timóteo 1.15).

DISTORÇÃO #3 – NÃO SOU UM PECADOR, SOU UM CUMPRIDOR DA LEI

No coração da falta de perdão está a suposição que nós temos o direito de conferir falta e então exigir uma penalidade. Assumimos que nosso status de ofendidos nos dá o direito de exigir vingança. É exatamente o que o servo que não perdoou fez em Mateus 18.28. O referido servo acabara de ser perdoado de uma enorme dívida, mas quando encontrou um conservo que devia a ele uma quantia menor, exigiu a penalidade para a menor dívida. O servo que não perdoou assumiu que ele tinha o direito de se vingar.

O que devemos entender é que a cruz nos alivia de nossa escravidão de exigir punição para dívidas pequenas. Como ela faz isso? Nivelando o campo de jogo. A cruz nos lembra que Deus nos perdoou de um débito incompreensível. Por causa do seu amor espantoso, Deus agora nos envia para passar adiante a mesma bênção, não a punição, que recebemos.

Nós não somos árbitros de penalidades, mas devedores que foram perdoados de uma grande dívida. É por sermos pecadores perdoados que perdoamos.

A única forma de afastar as distorções de nossas vidas é pelo poder purificador do evangelho. Ser lembrado constantemente de que você foi perdoado da maior dívida irá libertar você de se sentir como se tivesse que exigir vingança pelos pecados que foram cometidos contra você.

No coração do evangelho está uma grande injustiça. Aquele que verdadeiramente era o cumpridor da lei escolheu não exigir a pena pelos nossos pecados, mas ao invés disso escolheu suportá-los, penalizando a ele mesmo na cruz.

2 Coríntios 5.21 coloca dessa forma:

Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.

 AFASTANDO AS DISTORÇÕES

A cruz não ignora ou nega o pecado. Ao contrário, ela encara corajosamente nossos piores momentos e diz: “sua história não acaba aqui”. Para seguir adiante das distorções que podem afligir seu ministério, você deve vir a enfrentá-las com a grande dívida que você tinha, a qual Deus perdoou.

Se você entrar no ministério pastoral, as pessoas pecarão contra você, mas aqueles momentos não precisam definir você. Por quê? Porque eles são parte da obra de Deus em sua alma e recorrem à sua vida. Pecadores perdoados perdoam o pecado. E pastores perdoados os amam e os ajudam, enquanto eles fazem isso.

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

Autor

Dave Harvey

Dave Harvey é pastor na Convenant Fellowship Church, Pennsylvania (EUA), que faz parte da família de igrejas do ministério Sovereign Grace.

O artigo original poderá ser visto por meio do link abaixo:


Que Deus abençoe a todos

Alexandros Meimaridis

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domingo, 13 de julho de 2014

2 CORÍNTIOS 11 - PAULO RESPONDE A SEUS DETRATORES -SERMÃO 015


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Esse esboço de sermão é parte da série "Exposição da 2 Epístola de Paulo aos Coríntios" e é muito recomendável que o leitor procure conhecer todos os aspectos das verdades contidas nessa exposição, com aplicações para os nossos dias. No final do artigo você encontrará links para outros estudos dessa série.

Sermões na Segunda Epístola de Paulo aos Coríntios

Introdução.

A. Apesar de Paulo ter se reconciliado com um bom grupo dos irmãos em Corinto —
2 Coríntios 7:16 
Alegro-me porque, em tudo, posso confiar em vós. 
ainda persistia na igreja em Corinto, um grupo de homens que se ressentiam da influência do apóstolo e que eram extremamente críticos do seu ministério. 
B. Para responder a estes críticos, Paulo fala de um modo que não lhe é agradável, mas necessário – 
2 Coríntios 11:1 
Quisera eu me suportásseis um pouco mais na minha loucura. Suportai-me, pois. 
2 Coríntios 11:16—21 
16 Outra vez digo: ninguém me considere insensato; todavia, se o pensais, recebei-me como insensato, para que também me glorie um pouco. 
17 O que falo, não o falo segundo o Senhor, e sim como por loucura, nesta confiança de gloriar-me. 
18 E, posto que muitos se gloriam segundo a carne, também eu me gloriarei. 
19 Porque, sendo vós sensatos, de boa mente tolerais os insensatos. 
20 Tolerais quem vos escravize, quem vos devore, quem vos detenha, quem se exalte, quem vos esbofeteie no rosto. 
21 Ingloriamente o confesso, como se fôramos fracos. Mas, naquilo em que qualquer tem ousadia (com insensatez o afirmo), também eu a tenho. 
C. Algumas vezes este é o único tipo de linguagem que as pessoas entendem. Vamos então ver como...

Paulo Responde a Seus Detratores

I. Em Primeiro Lugar Paulo Explica Suas Razões e Seus Motivos. 
A. A Igreja em Corinto precisava ser pura 
2 Coríntios 11:2—4 
2 Porque zelo por vós com zelo de Deus; visto que vos tenho preparado para vos apresentar como virgem pura a um só esposo, que é Cristo. 
3 Mas receio que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo. 
4 Se, na verdade, vindo alguém, prega outro Jesus que não temos pregado, ou se aceitais espírito diferente que não tendes recebido, ou evangelho diferente que não tendes abraçado, a esse, de boa mente, o tolerais. 
1. Paulo demonstra profunda preocupação com o bem estar dos crentes em Corinto. Ele não quer que absolutamente nada perturbe a relação que deve existir entre os crentes em Corinto e o Senhor Jesus. 
2. Paulo sabia que a ação daquele grupo resultaria, por fim, em um distanciamento dos crentes em Corinto do Senhor Jesus, com o consequente esfriamento no relacionamento. Em outras palavras, podemos dizer, que os crentes em Corinto estavam correndo o perigo de abandonar “o primeiro amor” como iria acontecer com a igreja na cidade de Éfeso —– 
Apocalipse 2:4 
Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor. 
3. Paulo expressa sua preocupação indicando que os coríntios corriam o risco de ter suas mentes corrompidas com a consequência direta de se apartarem da simplicidade e da pureza devidas a Cristo 
2 Coríntios 11:3 – 4 
3 Mas receio que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo. 
4 Se, na verdade, vindo alguém, prega outro Jesus que não temos pregado, ou se aceitais espírito diferente que não tendes recebido, ou evangelho diferente que não tendes abraçado, a esse, de boa mente, o tolerais. 
Paulo menciona especificamente: 
a. Outro Jesus. É possível? Infelizmente é sim, e como! 
b. Espírito diferente. Esta expressão indica uma atitude diferente. É a atitude que cria confusão, que divide, separa e termina por destruir a obra de Deus. 
c. Evangelho diferente — É todo tipo de evangelho que mistura a verdade com mentiras inventadas pelo homem. É todo evangelho que diz, direta ou indiretamente, que Jesus e somente Jesus, não é suficiente para nos salvar. Evangelho diferente é o que ensina a reencarnação, é o que ensina a intermediação de santos, e o que nega que Jesus é Deus e todo tipo de evangelho que procura agregar nossas obras ao que Jesus fez por nós. 
4. Só existe uma maneira de evitar ser enganado por estas pregações: possuir verdadeiro discernimento baseado no conhecimento da Palavra de Deus. 
B. Não deveria existir nenhum tipo de peso ou imposição sobre a igreja em Corinto — 
2 Coríntios 11:7—12. 
7 Cometi eu, porventura, algum pecado pelo fato de viver humildemente, para que fôsseis vós exaltados, visto que gratuitamente vos anunciei o evangelho de Deus? 
8 Despojei outras igrejas, recebendo salário, para vos poder servir, 
9 e, estando entre vós, ao passar privações, não me fiz pesado a ninguém; pois os irmãos, quando vieram da Macedônia, supriram o que me faltava; e, em tudo, me guardei e me guardarei de vos ser pesado. 
10 A verdade de Cristo está em mim; por isso, não me será tirada esta glória nas regiões da Acaia. 
11 Por que razão? É porque não vos amo? Deus o sabe. 
12 Mas o que faço e farei é para cortar ocasião àqueles que a buscam com o intuito de serem considerados iguais a nós, naquilo em que se gloriam. 
1. Paulo deixa claro que não queria ser pesado aos irmão em Corinto, mas só conseguiu fazer a obra porque os irmãos vindos da Macedônia — Filipos e Tessalônica — haviam cooperado com seu trabalho. 
a. É ensino claro da escrituras que aqueles que servem como pastores de igrejas devem ser sustentados pelas próprias igrejas. 
b. Mas quando a Bíblia fala de evangelismo, de plantação de novas congregações, não existe nenhum tipo de exigência para que as pessoas que estão sendo evangelizadas contribuam para o sustento do trabalho. 
c. Todavia, uma vez que o trabalho esteja firmemente estabelecido o mesmo deve assumir a responsabilidade de levar adiante a obra de Deus. 
2. Naqueles dias mestres eram grandemente estimados e muitos aproveitavam para explorar a boa fé das pessoas. Quanto mais importante um homem era considerado, maior a taxa que cobrava para ensinar. 
a. Paulo havia trabalhado com as próprias mãos e recebido sustento das igrejas da Macedônia. 
b. Do outro lado, estes outros mestres estavam insistindo em receber remuneração por seus serviços. 
c. Esta atitude agressiva da parte destes mestres fazia com que algumas pessoas, sem discernimento, achassem que aqueles mestres fossem homens maiores e melhores que o apóstolo Paulo. 
d. O versículo 20 de 2 Coríntios 11 — Tolerais quem vos escravize, quem vos devore, quem vos detenha, quem se exalte, quem vos esbofeteie no rosto. — é um clamor contundente contra o tipo de abuso que é tão comum no meio do povo de Deus. Ao ler estas palavras não tive como não ter a nítida impressão, diante de todas as coisas que experimentamos nestes últimos anos, de que o apóstolo Paulo tenha mesmo estado em nossa própria cidade! 
e. Paulo admite em 2 Coríntios 11:6 — E, embora seja falto no falar, não o sou no conhecimento; mas, em tudo e por todos os modos, vos temos feito conhecer isto. — que ele não era mesmo um grande orador, mas ele sabia do que estava falando e sabia muito bem no que consistia o Evangelho ou as Boas Novas: Salvação absolutamente de graça pela fé exclusivamente na pessoa do Senhor Jesus. 
II. Paulo expõe seus rivais. 
A. Vivemos dias onde o conceito de tolerância está elevado a um lugar de grande exaltação. 
B. A tolerância pregada e ensinada nos nossos dias sobrevive à custa do sacrifício da verdade. Um dos motivos porque o Senhor Jesus foi tão exaltado pelo Pai foi exatamente porque Ele amava a justiça e odiava a iniquidade — 
Hebreus 1:9 
Amaste a justiça e odiaste a iniquidade; por isso, Deus, o teu Deus, te ungiu com o óleo de alegria como a nenhum dos teus companheiros. 
C. Assim é também nosso Deus: ama o pecador, mas odeia o pecado. 
1. Os adversários de Paulo eram enganosos 
2 Coríntios 11:13—15 
13 Porque os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, transformando-se em apóstolos de Cristo. 
14 E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. 
15 Não é muito, pois, que os seus próprios ministros se transformem em ministros de justiça; e o fim deles será conforme as suas obras. 
a. Paulo não tem papas na língua e usa termos pesados para descrever tais homens: falsos apóstolos e obreiros fraudulentos querendo se passar por apóstolos de Cristo – v.13. 
b. No verso 14 Paulo introduz uma ideia realmente perturbadora. Ele diz que estes homens, apesar de todas as aparências, estão realmente a serviço do próprio Satanás. O fim de tais homens será conforme suas próprias obras – verso 15. 
c. Jesus disse que o ladrão vem somente para roubar, matar e destruir — João 10:10. Isto é exatamente o que Satanás e os homens a seu serviço fazem. Quando olhamos ao redor e consideramos a cristandade em geral, seja de que denominação for, nós podemos perceber claramente a ação deletéria destes homens anunciando outro Jesus, com um espírito diferente e um evangelho completamente diferente. O resultado disso tudo: pessoas despojadas dos seus bens, mortas espiritualmente dentro das próprias comunidades que deveriam promover a vida e comunidades completamente destruídas como se um verdadeiro tsunami tivesse passado por elas. 
D. Os adversários de Paulo eram destruidores — 
2 Coríntios 11:20 
Tolerais quem vos escravize, quem vos devore, quem vos detenha, quem se exalte, quem vos esbofeteie no rosto. 
1. Note os termos utilizados por Paulo: escravizar, devorar, deter, exaltar e esbofetear. 
a. Mas apesar dos termos tão pesados é surpreendente que tanto naqueles dias como nos dias de hoje existam tantas pessoas dispostas a aceitar completamente este tipo de abuso e destruição de maneira completamente passiva. 
III. Paulo examina sua própria trajetória — 
2 Coríntios 11:22—33 
22 São hebreus? Também eu. São israelitas? Também eu. São da descendência de Abraão? Também eu. 
23 São ministros de Cristo? (Falo como fora de mim.) Eu ainda mais: em trabalhos, muito mais; muito mais em prisões; em açoites, sem medida; em perigos de morte, muitas vezes.
24 Cinco vezes recebi dos judeus uma quarentena de açoites menos um;
25 fui três vezes fustigado com varas; uma vez, apedrejado; em naufrágio, três vezes; uma noite e um dia passei na voragem do mar; 
26 em jornadas, muitas vezes; em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos entre patrícios, em perigos entre gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos; 
27 em trabalhos e fadigas, em vigílias, muitas vezes; em fome e sede, em jejuns, muitas vezes; em frio e nudez. 
28 Além das coisas exteriores, há o que pesa sobre mim diariamente, a preocupação com todas as igrejas. 
29 Quem enfraquece, que também eu não enfraqueça? Quem se escandaliza, que eu não me inflame? 
30 Se tenho de gloriar-me, gloriar-me-ei no que diz respeito à minha fraqueza. 
31 O Deus e Pai do Senhor Jesus, que é eternamente bendito, sabe que não minto. 
32 Em Damasco, o governador preposto do rei Aretas montou guarda na cidade dos damascenos, para me prender; 
33 mas, num grande cesto, me desceram por uma janela da muralha abaixo, e assim me livrei das suas mãos. 
A. Pelas afirmações feitas pelo apóstolo Paulo no verso 22, fica evidente que estes falsos mestres eram judeus que queriam escravizar o povo de Deus com um fardo que eles mesmos eram incapazes de carregar. 
B. Em 2 Coríntios 11:23—27 nós encontramos uma lista de tirar o fôlego. Muitas coisas sofridas pelo Apóstolo Paulo não são mencionadas em outras partes do Novo Testamento, mas como ele mesmo afirma, Deus sabe que não minto — 2 Coríntios 11:31. 
C. Além das durezas físicas que teve que enfrentar, Paulo ainda levava consigo mesmo a grave preocupação com todas as igrejas! 
D. Para Paulo, essas eram as verdadeiras marcas de um verdadeiro servo de Deus. As marcas físicas sofridas e as marcas psicológicas causadas pela preocupação com o povo de Deus. Hoje os chamados “apóstolos, bispos, pastores, doutores” e etc., querem ser reconhecidos pelos seus títulos, suas fortunas pessoais e outras coisas semelhantes a essas. 
E. Paulo deixa bem claro que no serviço cristão as pessoas importantes não são os líderes platinados e exaltados e sim aqueles que estão dispostos a sofrer! 
Conclusão. 
1. A verdadeira preocupação daqueles que são chamados para servir o Senhor deve ser com o relacionamento que deve existir entre os crentes e o Senhor Jesus. Aqueles homens que estão mais preocupados consigo mesmos, com seus cargos e com seus salários e bem estar, estão realmente fazendo o jogo de Satanás e pouco importa quem eles sejam. Quanto maior for a importância que estes homens tenham tanto pior, para eles e para seus seguidores. 
2. Que conclusão devemos tirar dos pastores do século XXI quando observamos a completa falta de amor e dedicação que observamos no meio do povo de Deus? As palavras do apóstolo Paulo em 2 Coríntios 11:13—15 devem servir de incentivo para nos lembrarmos que a situação experimentada em Corinto é realmente bastante comum, mesmo nos dias de hoje. 
3. Quando servimos ao Senhor é o nosso serviço caracterizado pela disposição de sofrer? O exemplo de Jesus não pode ser ignorado: 
Hebreus 5:8 
Jesus, embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu. 
4. Nosso serviço a Deus é realmente sincero? Podemos dizer como Paulo: Deus sabe que não minto!? 
OUTRAS MENSAGENS EM 2 CORÍNTIOS PODEM SER ACESSSADAS POR MEIO DOS LINKS ABAIXO 
001 — A Escola do Sofrimento – 2 Coríntios 2:1—11
002 — Os Críticos do Apóstolo Paulo — 2 Coríntios 1:12 — 2:11
003 — Como Paulo Entendia o Ministério Cristão — 2 Coríntios 2:12 — 3:3
004 — A Confiança que Paulo Tinha em Sua Mensagem— 2 Coríntios 3:4—18 — Parte 1
005 — A Confiança que Paulo Tinha em Sua Mensagem— 2 Coríntios 4:1—6 — parte 2
006 — Batalhas e Bênçãos — 2 Coríntios 4:7—15
007 — Crescendo Apesar de Estar Envelhecendo — 2 Coríntios 4:16—5:9

008 — As Pressões da Responsabilidade — Parte 1 — 2 Coríntios 5:9—14

009 — As Pressões da Responsabilidade — Parte 2 — 2 Coríntios 5:14—6:4

010 — As Pressões da Responsabilidade — Parte 3 — 2 Coríntios 6:3—10

011 — Os Princípios e a Prática da Separação Bíblica — 2 Coríntios 6:11—7:3
012 — Tudo Vai Bem, Quando Termina Bem — 2 Coríntios 7:4—16
013 — A Prática Cristã de Contribuir — 2 Coríntios 8—9
014 — No Fim o Que Conta é Como Deus nos Vê — 2 Coríntios 10

015 — Paulo Responde a Seus Detratores — 2 Coríntios 11


Grande Abraço e que Deus possa abençoar a todos. 
Alexandros Meimaridis 
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quinta-feira, 10 de julho de 2014

IGREJAS EVANGÉLICAS PRODUZEM MAIS ATEUS QUE CRENTES



O material abaixo foi publicado pelo site da revista Cristianismo Hoje e é da autoria de Rafael Dantas.

Ovo da serpente

Ovo da serpente

Crescimento do ateísmo no Brasil tem raízes dentro da própria Igreja cristã.

O esfriamento da fé cristã começa a se tornar uma realidade visível no maior país católico do mundo, e onde a Igreja Evangélica tem experimentado crescimento exponencial. Os brasileiros ateus, agnósticos e sem religião já somam quase 15 milhões, segundo dados do último recenseamento, elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – números que já se equiparam ao de habitantes do Rio de Janeiro, o terceiro estado mais populoso do país. Numa nação de religiosidade evidente, no qual o Catolicismo ainda é hegemônico e quase todas as pessoas repetem, mesmo sem sentir, bordões como "graças a Deus" ou "se Deus quiser", percentual tão elevado – e crescente – chega a assustar, ainda mais diante do crescimento econômico que, embora arrefecido em 2012, foi a regra brasileira ao longo da última década. Isso porque, conforme se observa no Primeiro Mundo, quanto mais rica uma sociedade, maior é sua tendência ao secularismo.

Veja-se, por exemplo, países ricos como a Suécia e a Dinamarca, que já têm, respectivamente, 64% e 48% de suas populações ateias. Se nenhum movimento interromper o esfriamento da fé, nas próximas quatro décadas, nações como Canadá, Austrália, Áustria, Finlândia, Irlanda, Holanda, Nova Zelândia, Suíça e República Tcheca terão a maioria de sua população longe de Deus, segundo dados da American Physical Society, organização especializada em estudos científicos e que aferiu a rejeição à figura de Deus entre aqueles povos. Outro estudo, este do Fórum Pew – que estuda as ligações entre religião e vida pública –, aferiu que os indivíduos sem filiação religiosa já constituem o terceiro maior grupo do mundo na esfera religiosa (ou antirreligiosa, no caso), com 1,1 bilhão de pessoas, atrás apenas do Cristianismo e do Islamismo. Mesmo que, estatisticamente, os ateus, agnósticos e pessoas sem religião não representem ameaça imediata à religiosidade do Brasil de todos os credos – eles são apenas 8% da população nacional –, é preciso reconhecer que os chamados seculares pertencem a segmentos influentes da sociedade. Eles têm acesso à mídia e à academia, além de pertencer aos setores mais favorecidos economicamente, os chamados formadores de opinião.

Mas isso não é tudo. O ateísmo é alimentado, sobretudo, pela modernidade e pelo descrédito em relação às instituições religiosas. Embora Deus jamais vá morrer, ao contrário do que preconizou Nietzsche no século 19, poucas vezes, ao longo da história humana, ele foi tão questionado e combatido – sobretudo, por causa do comportamento daqueles que se pretendem seus representantes na Terra. Pesquisa do Instituto Datafolha mostrou que, para 64% dos brasileiros, existe corrupção nas igrejas evangélicas. Em relação à Igreja Católica, o índice é um pouco menor – 53% –, mas, ainda assim, elevado. A inusitada renúncia do papa Bento XVI, cujo pontificado foi severamente questionado por escândalos morais e financeiros envolvendo a alta cúpula da Igreja de Roma, aumentou ainda mais essa percepção. "Não há uma única razão para esse movimento de afastamento de Deus", aponta o professor Maruilson Souza, PhD em Educação Teológica e major do Exército de Salvação, igreja da qual é supervisor para o Nordeste. "Vivemos um tempo de muitas mudanças. Os valores são questionados e um desses é a crença em Deus. Atualmente, há uma tendência de se desvalorizar tudo aquilo em que tradicionalmente se acreditava."

A bem da verdade, no Brasil, não se pode falar sequer em um movimento ateísta, já que, diferentemente do que acontece na Europa, os ateus brasileiros não fazem tanto barulho. No Reino Unido e na Espanha, até outdoors e cartazes impressos em ônibus com dizeres como "Deus não existe" são vistos pelas ruas, e a cultura secular impregna os mais variados setores. Ícones do ateísmo moderno, como o biólogo e escritor britânico Richard Dawkins, transformam seus livros, como Deus, um delírio, em best-sellers de projeção mundial. Por outro lado, políticas secularistas em países como a França, onde existem leis impedindo a exibição de símbolos religiosos em espaços públicos, jogam a questão para o centro dos debates. O que existe por aqui são alguns grupos, como a Atea – Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos – e iniciativas isoladas. "Tem havido uma mudança de mentalidade: até um tempo atrás, ateísmo era tido como algo complicado, coisa que só filósofos ficavam discutindo. Com livros mais populares, ficou mais fácil para as pessoas saberem o que é o ateísmo", diz o funcionário público Alexandre Pereira, criador e mantenedor do site Ateus do Brasil. Além de artigos e reflexões do próprio autor, ali o internauta tem espaço para expor seus pontos de vista e saber mais sobre o ateísmo no Brasil e no mundo. "O que acontece é que a religião está longe de ser aquele guia de moral que prega ser. As pessoas são boas ou más independentemente de religião", aponta. "A vida é melhor quando não existe aquele medo de ir para o inferno se você fizer algo ruim ou coisa assim."

"DESCRÉDITO"

O professor Luiz Macedo, 26 anos, ateu declarado, afirma que já sofreu inclusive manifestações preconceituosas: "Uma vez, recusaram-se a me atender num estabelecimento comercial porque eu sou ateu. O gerente da loja, que me conhecia, era evangélico". No seu dia a dia, contudo, ele afirma não se incomodar com as tentativas de evangelização, mas reclama dos excessos e do fato de que esses mesmos crentes que querem ganhar seu coração para Jesus não se dispõem a escutá-lo quando fala de suas convicções. "Gosto de desmistificar a fé, a religiosidade popular, do mesmo jeito que as pessoas que professam uma crença falam dela. Mas poucos estão disponíveis para ouvir", declara.

Uma característica que tem marcado o crescimento dos sem religião no Brasil é que a decisão de deixar a ideia de Deus de lado acontece cada vez mais cedo. A idade média das pessoas que se enquadram na categoria é a mesma de Macedo, 26 anos – justamente, o período normalmente vivido na universidade, onde os enfrentamentos à fé e a relativização de valores se acentuam. É na juventude que se concentra o maior índice de abandono da fé. Estudo do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicos (Ibase) aponta que, no Brasil, 14% dos jovens declararam não ter religião, contra 7% dos adultos. "Isso é resultado da crítica que esses jovens fazem ao chegar à idade adulta, quando não veem na prática o mesmo que ouviram nas pregações e estudos bíblicos", destaca o pastor Abraão Júnior, de origem batista. "Os jovens não querem se identificar com um movimento, qualquer que seja, que não lhes passe crédito. E esse descrédito tem a ver com a instituição religiosa e com os pais. Assim, os vínculos com a fé são facilmente quebrados ao se ingressar na universidade".

O auxiliar administrativo José Ramos, de 27 anos, fez esse percurso. Criado sob princípios cristãos, ele hoje repudia a fé. "Tive várias decepções na igreja e depois passei por um processo intelectual. Venho de uma família de forte tradição religiosa, mas hoje, a religião, para mim, é uma grande cegueira". Embora garanta defender a liberdade religiosa, ele agora sente a necessidade de levar outras pessoas a abandonarem a fé. Com a mesma satisfação com que muitos crentes comemoram o crescimento da Igreja Evangélica no país, Ramos, que mora em Vitória (ES), também vibra com o maior número de pessoas que confessam não crer em Deus. "Defendo que os ateus tenham direito a expressar seu pensamento. O mundo ainda será ateu."

Estudos da Aliança Bíblica Universitária do Brasil (ABUB) apontam que, de fato, é no ambiente acadêmico, onde há maior exposição dos alunos a ideias e teorias que questionam a existência de Deus – não apenas a imagem judaico-cristã cristalizada no imaginário popular, mas a própria ortodoxia de quem segue a Bíblia –, que o ateísmo ganha força. Além disso, muito da resistência desse meio para com os cristãos consiste no fato do secularismo atual apresentar o Deus do Cristianismo apenas como uma opção entre outros tantos caminhos de experiências religiosas ou místicas, apresentadas como igualmente válidas. E, nesse cenário de pluralismo e relativismo, a exclusividade solicitada pela fé cristã acaba sendo confundida com intolerância.
O caminho para alcançar o coração dos universitários que estão longe de Deus, na opinião do secretário geral da ABUB, Reinaldo Percinoto, passa pelo estabelecimento de relacionamentos, que dificilmente são conquistados através do formato tradicional de atuação das igrejas. "Em primeiro lugar, precisamos ouvir as pessoas que se acham fora da comunidade cristã. E, também, trabalharmos criativamente para buscar pontos de contato que ajudem aqueles que estão ao nosso redor a construírem pontes entre a sua situação real e a mensagem do Evangelho. Claro que esses espaços são o estágio inicial, o ponto de partida, para ajudar as pessoas a se aproximarem do Reino de Deus, não o porto final", diz. Percinoto cita que esses espaços de oportunidade podem estar na própria cultura, através da música, do cinema e da literatura, por exemplo.

TRADIÇÃO ILEGÍTIMA

"Quando as pessoas descobrem que algumas verdades da Igreja, de fato, não são bem como aprenderam, há uma decepção que acaba afogando a fé", sintetiza o funcionário público Henrique Carneiro, 32 anos, membro da Primeira Igreja Batista em Dois Unidos, no Recife (PE). Aluno do curso de Ciências Contábeis da Universidade Federal de Pernambuco, ele acredita que ainda existe certo atrito entre os cristãos e os ateus, mas que há uma acomodação por ambas as partes. "Defendo que devamos respeitar a visão das pessoas sem religião, pois só assim poderemos conseguir influenciá-los de alguma maneira. É necessária uma aproximação, sem que haja uma imposição de verdades. Mas quem se dispõe a pregar aos intelectuais tem que conhecer não apenas de religião, mas de mundo", observa. "O movimento evangélico, no Brasil, cresceu muito, mas desaprendeu a pensar. Por isso, não consegue dialogar com as novas demandas, como o avanço do secularismo", concorda o professor Maruilson.

Para o pastor e professor de teologia Rubens Muzio, a superficialidade do Cristianismo praticado no país pode ser apontado como uma das principais alavancas do avanço do secularismo. "A tradição cristã do Brasil não tem raízes legítimas: ela começou com a colonização do país e com uma relação espúria entre Estado e Igreja", aponta. "Ser cristão, em última análise, era adotar a cultura portuguesa. Do ponto de vista de muitos ateus e agnósticos, essa atitude religiosa dominadora continua sendo uma afronta às outras visões de mundo da atualidade". Na opinião do teólogo, a maioria dos brasileiros não vivencia essa tradição no dia a dia – ao contrário: nos dias de hoje, continua Muzio, existe um pluralismo religioso intenso e violento. "Assim, quaisquer tentativas de se afirmar que há um único caminho para a eternidade serão vistas como desrespeito absoluto a toda autonomia e liberdade característica da vivência pós-moderna."

Já o pastor André Mello, da Igreja Presbiteriana da Trindade, em Florianópolis (SC), identifica que o crescimento dos ateus e agnósticos é um "fruto amargo" da fermentação de uma parte do movimento neopentecostal. "O modelo da teologia de negócios, da igreja-empresa ou da megaigreja gera, irremediavelmente, um rebanho de pessoas machucadas, apunhaladas e esfoladas em sua fé", sustenta. Estas pessoas, continua o religioso, fazem um movimento difícil, que é o abandono da religiosidade tradicional. "Esse movimento é acompanhado de grandes custos emocionais. Daí, quando se decepcionam, simplesmente não querem mais saber de igreja". Desta forma, um dos principais motores do crescimento do ateísmo e do agnosticismo em terras brasileiras está justamente dentro das comunidades cristãs.

Mello está preocupado com a escalada das coisas no Brasil. "A crise de diálogo e de comunicação das igrejas com esta geração é a mesma crise da classe política com a sociedade. As igrejas copiam o que há de melhor e pior na sociedade. No entanto, elas deveriam ser, apenas, diferentes". Para ele, o que já aconteceu lá fora pode repetir-se aqui. "De repente, alguém descobre que a frase 'Deus seja louvado' deve ser retirada das cédulas do real", diz ele, lembrando uma iniciativa do Ministério Público que visa a secularizar o dinheiro brasileiro. "Outras pessoas desejam que os crucifixos sejam retirados das repartições públicas e instituições bancárias. Alguns até questionam o uso de recursos públicos na restauração e recuperação de templos católicos antigos". O problema, ele diz, está mais nos erros dos grupos religiosos, que abrem espaço para a fermentação de sentimentos que levam a um sentimento antirreligioso. "O problema dessas pessoas não é com a religião organizada; o que as move é o ressentimento emocional contra o abuso religioso. Se os próprios pastores e igrejas não reagirem contra os excessos, outros reagirão."

O pior cenário, diz o ministro presbiteriano, seria uma soma da crise do Catolicismo romano europeu com a crise do evangelicalismo norte-americano. "Daí, teríamos um Brasil pós-religioso", comenta. "Sinceramente, não creio que é este o nosso caso. É mais fácil, no Brasil, o indivíduo optar por um novo caminho religioso do que por um ateísmo militante. "Mestre em missiologia e professor do Seminário de Educação Cristã (SEC), Diego Almeida lembra que o crescente grupo dos sem religião – sejam eles ateus, agnósticos, seculares ou decepcionados com a fé – não pode deixar de ser alvo dos esforços da Igreja. "Todo o mundo, hoje, é alvo de missões. Nosso país parece estar seguindo uma triste trilha já percorrida por europeus e norte-americanos, cujos povos têm se tornado cada vez mais secularizados". O missiólogo aponta que, mesmo de forma silenciosa, há um movimento em busca dessas pessoas decepcionadas com a religião ou não convencidas pelo Evangelho que lhes é pregado. "A Igreja não pode ficar parada frente ao crescimento desses grupos, que compreendem desde os que têm negado Deus aos que se afastam do convívio espiritual, que deveria ser saudável e terapêutico", alerta. (Colaborou nesta matéria: Carlos Fernandes).

O artigo original publicado pelo site da revista Cristianismo Hoje poderá ser visto por meio desse link aqui:


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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