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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

REFORMA PROTESTANTE: 499 ANOS. APRENDEMOS ALGUMA COISA?


Lutero diante da Dieta de Worms - Concepção artística

O artigo abaixo é de autoria do irmão presbiteriano Lucas Freitas e tem a intenção de nos ajudar a refletir o quanto aprendemos com a Reforma Protestante que completa 499 anos em 31 de outubro de 2016. Por meio de comparações precisas, Lucas nos mostra o quão distante dos princípios e ideais da Reforma Protestante se encontram os chamados evangélicos nessa segunda década do século XXI.

Reforma Protestante e o movimento evangélico brasileiro
Lucas Freitas 

O movimento evangélico brasileiro, ao menos no discurso, afirma seu vínculo histórico com a Reforma Protestante do século XVI, contudo, seus desdobramentos práticos em nosso país, infelizmente, têm estado bem distantes de tal realidade e promovido inúmeros ensinos distorcidos que desembocam em atitudes equivocadas, que corrompem a verdade da Escritura, a saúde da igreja e a vida dos que estão e se aproximam desta de um modo geral.

Foi o saudoso Bispo Robinson Cavalcanti quem disse:

“Qual o jovem cristão hoje que pode minimamente discorrer sobre Lutero, Calvino, Melanchton ou Beza? Qual é o fiel de hoje que conhece os catecismos ou as confissões de fé como as de Westminster, de Augsburgo ou XXXIV Artigos da Religião? Em relação à Reforma o nosso protestantismo é como um computador primitivo, não possui memória, apenas uma vaga lembrança.”

Infelizmente nos dias atuais promovemos muito mais a experiência, os resultados e os relacionamentos, enquanto que a fé, a confessionalidade, o ensino robusto e o amor à Escritura como palavra pela qual Cristo governa Sua igreja são deixados de lado, rotulados como “chatos e dispensáveis” ou enquadrados dentre as atividades que “não empolgam ninguém”. Não é difícil presenciar, eu mesmo já o fiz, pessoas dentro das igrejas evangélicas brasileiras que não têm a menor ideia das suas origens como cristãos, que ao ouvirem o termo “Reforma” confundem o movimento do século XVI com uma possível reforma aqui ou ali na construção do templo. Claro que não estou falando de irmãos novos na fé que ainda carecem de conhecimento básico, estou falando de moços, moças, homens, mulheres, gente adulta inteligente, que frequenta igreja por 2, 3, 5, até 10 anos. É claro também, que não estou generalizando, existe um sem número de igrejas sérias em nosso país e o movimento de retorno às Escrituras e à ortodoxia tem crescido consideravelmente, porém, a quantidade de cristãos protestantes brasileiros que tem pouca ou nenhuma informação a respeito de quem são, de onde vêm suas raízes e porque recebem o nome de ‘cristãos protestantes’ ainda assim é alarmante.

E você, sabe do que se trata a Reforma Protestante?

A Reforma Protestante foi o movimento que lutou contra o clericalismo e o hierarquismo que dominavam a Igreja Católica Romana no final do século XV, início do século XVI, e, por conseguinte, grande parte da estrutura social da época, hasteando com toda força a bandeira da doutrina bíblica do sacerdócio universal dos crentes e da suprema autoridade das Escrituras Sagradas sobre a vida do cristão. Numa época onde apenas clérigos, nobre e reis podiam ler e escrever, os reformadores espalharam escolas e universidades pela Europa balizados na ideia de que todo ser humano fora criado a imagem e semelhança de Deus e tem o direito a alfabetização e ao aprendizado, e que toda atividade é santa perante Deus e pode ser feita de forma excelente para Sua glória. No anseio de formar gente para servir a Deus e aos homens em todas as áreas da vida, contrapondo em absoluto a prática católica romana da época, algumas das instituições fundadas pelos reformadores na área da educação foram as Universidades de Genebra, Zurique, Utrech, Amsterdã, Harvard, Yale, Princeton, Brown, Dartmouth e Rutgers. Os Puritanos restauraram Oxford e Cambridge. A Reforma foi muito mais que um movimento religioso, os reformadores lançaram as bases para uma nova sociedade, empoderando cristãos a se especializarem nos dons que tinham para servir a quem quer seja, onde quer que fosse para a glória de Deus. Estavam abertos os portões para uma grande revolução na história da humanidade.

Michael Horton em seu livro “O cristão e a cultura” mostra com veemência o quanto nossos pais criam que Deus é Senhor de toda a nossa vida! Horton descreve esta imensa mudança que o mundo experimentou com a Reforma Protestante nas figuras de Lutero e Calvino:

Martinho Lutero persuadiu o governo a proclamar a educação universal compulsória tanto para meninas como para meninos, pela primeira vez na história ocidental. Com seus associados ele criou um sistema de educação pública na Alemanha. O cristianismo era religião da Palavra, e aqueles que dependiam de imagens religiosas e só “ouviram falar” eram, a princípio espiritualmente empobrecidos. Mas eram também culturalmente empobrecidos e esse era um ponto igualmente importante. Com esse propósito o colega de Lutero, Melanchthon, declarou: “A finalidade última que confrontamos não é apenas a virtude particular, mas o interesse do bem público.”

Calvino argumentava na seguinte linha: Visto que é necessário preparar as gerações futuras a fim de não deixar a igreja num deserto para os nossos filhos, é imperativo que se estabeleça um colégio para se instruir os filhos e prepará-los tanto para o ministério quanto para o governo civil.” (Ordenanças de 1541)

Os reformadores acreditavam que todo homem tem direito de ser respeitado, valorizado e ensinado. Não é o fato se ser Rei, governante, nobre, professor, enfermeiro, gari ou um pastor que confere maior santidade e um lugar mais importante a alguém junto de Deus, afinal, é muito possível encontrar um pastor relapso, preguiçoso e desonesto para com os estudos da Escritura Sagrada e suas atividades pastorais, que traz desonra e vergonha para Deus, e, uma dona de casa caprichosa e amorosa que faz seu trabalho com afinco e orgulho, que traz glória para Deus. Não é o que fazemos que traz mais ou menos glória para Deus, e sim como fazemos. Somos cristãos em todos os momentos, em todos os lugares, fazendo todas as coisas, não apenas quando estamos de batina ou de terno e gravata encaixotados dentro de um “templo” religioso. Ideias como essas revolucionaram nações inteiras na Europa e serviram como grandes fogueiras que deixaram o velho continente em chamas e o corpo de inúmeros mártires cristãos em cinzas neste período da história.

Foram os reformadores que tiveram a coragem de tomar a autoridade da igreja das mãos da tradição e do clero e entregá-la de volta às Sagradas Escrituras, foram eles que nos lembraram novamente que somos salvos apenas pela graça, mediante a fé, e que a obra da salvação e qualquer movimento de avivamento nunca foi e nunca será protagonizado e provocado por algum homem, e que todo aquele que crê, só crê porque o Espírito Santo o convenceu do pecado da justiça e do juízo. Os reformadores nos lembraram que glorificamos a Deus não apenas nos monastérios e nos templos, e que não precisamos demonizar o mundo, a criação e tudo que neles há. Foi a cidade de Genebra, pelas mãos de um reformador, a primeira cidade na Europa a ter saneamento básico, polícia, água encanada, hospitais e o parto de infantes regulamentado e assistido por profissionais da área. Boa parte da noção ocidental de democracia, república, arte, justiça, liberdade de imprensa, direitos humanos, defesa de minorias e educação vem do movimento reformista. Foram os reformadores que traduziram a Escritura para diversas línguas. Se a Bíblia Sagrada hoje pode ser lida em português e tantos outros idiomas, é porque homens e mulheres sofreram muito, a ponto de derramarem o próprio sangue por esta causa. A fundamentação e o aperfeiçoamento de línguas como o alemão e o francês estão ligados profundamente a obras do período da reforma como a tradução da Bíblia Sagrada para o alemão e As Institutas da Religião Cristã, respectivamente.

O escritor Alister McGrath em seu livro “Origens Intelectuais da Reforma” faz um questionamento interessante, ele pergunta: a Reforma Protestante alcançou seu objetivo? O motivo principal que era reformar o que já estava criado foi alcançado? Creio que uma resposta sensata diante desta questão seria não. Não era intenção de Martinho Lutero dividir a igreja, antes, sua proposta era reformá-la! No entanto isso não aconteceu, a Igreja Católica Romana se fechou, excomungou-o como herege, veio a contrarreforma e o protestantismo começou a se expandir, tomar forma e ganhar contornos cada vez mais robustos. É importante não atribuir status canônico aos reformadores e suas obras, são homens como todos nós, que tiveram suas falhas como quaisquer outros, contudo, foram escolhidos por Deus para uma missão grandiosa que marcaria o planeta para todo sempre. A reforma da igreja como pensavam os primeiros reformadores, em certo sentido, foi um fracasso, mas nos apontou caminhos, trouxe luz a muitas mazelas escondidas do seio de uma instituição religiosa gigantesca e fundamentou filosófica e teologicamente a prática da Igreja de Cristo daquele momento em diante.

A reforma protestante charge

O que Lutero e Cia nunca imaginaram que aconteceria

Numa breve leitura do cenário do protestantismo atual no Brasil é possível perceber um retrocesso preocupante em relação a grande parte do que foi a luta do movimento reformado. Vejamos alguns pontos:

— Grandes denominações centradas na figura de uma única pessoa, prática que faz alusão a uma espécie de papismo e atenta contra o princípio protestante do sacerdócio universal dos crentes.

— Tradicionalismo ou denominacionalismo exacerbado que em diversos momentos toma o lugar das Escrituras Sagradas no governo da igreja.

— Redemonização do mundo, que fere o princípio que a criação é boa e bela e Deus, em sua missão (MissioDei) a está reconciliando consigo mesmo por meio de Seu Filho Jesus, utilizando-se muitas vezes de Seus santos espalhados pelo mundo.

— Isolacionismo, ou seja, a ideia de que para ser santo deve-se evitar o contato com o mundo, que fere o ensino reformado de santidade ativa no mundo.

— Teologia da prosperidade que fere contundentemente a memória e os ensinos dos mártires e com toda certeza seria escorraçada pelos reformadores.

— Teologia dos que são cabeça e não cauda, que dominam ao invés de serem dominados, chamada teologia do domínio, nega o chamado do cristão ao serviço sacrificial.

— Alienação política ou a política feita em causa própria, fere a ideia do exercício político a serviço de toda nação para glória de Deus e não a serviço de uma minoria para glória de um grupo.

— Insensibilidade e afastamento social contrasta com as obras de misericórdia e amor que eram pontos centrais do ensino e da vida dos reformadores.

— Preconceito com o conhecimento científico, principalmente em relação às ciências humanas e com os estudos em geral, completamente antagônico aos títulos de mestres e doutores de inúmeros mestres reformadores que, diga-se de passagem, tinham como meta a educação e a construção de universidades.

Olhar no retrovisor da história nesse momento de comemoração dos 499 anos de Reforma Protestante é extremamente necessário. Para onde estamos indo como povo de Deus espalhados por esse mundo? O que temos acrescentado, qual a nossa contribuição aos de fora da igreja? Que tipo de evangelho tem sido pregado do alto de nossos púlpitos? Temos honrado o sangue de tantos e tantos mártires da causa do evangelho? Os reformadores se sentiriam parte das igrejas evangélicas atuais? É a glória de Deus que estamos buscando acima de todos os outros interesses como igreja de Cristo em solo brasileiro?

É necessário que nesse 31 de Outubro de 2016, deixemos o Halloween Gospel de lado e dediquemos mais tempo para o estudo de onde viemos, do que diziam, escreviam e de como viviam os fundadores do movimento ao qual, pelo menos no discurso, dizemos fazer parte. Conforme disse acima, a reforma protestante nos apontou caminhos, caminhos preciosos desbravados a duras penas, à custa de muito sangue e trabalho. Cabe a nós, em nossa geração, contextualizar todas estas realidades e fundamentados no temor do Senhor, na Bíblia Sagrada e no exemplo destes piedosos e fiéis homens de Deus, glorificarmos o nome de Cristo Jesus em todas as esferas da vida, o tempo todo e em todos os lugares. Sejamos corajosos! Que Deus abençoe a igreja brasileira e que nos lembremos hoje, mais do que nunca, de um dos principais lemas da Reforma que diz: igreja reformada sempre se reformando.

Que Deus nos alcance!

Lucas Freitas é:

Aprendiz da vida e dos caminhos que ela faz, estudante presbiteriano agraciado e um proclamador falho daquele que deve ser proclamado. Alcançado pelo cuidado do Pai.

O artigo original poderá ser acessado por meio desse link aqui:


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.    

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segunda-feira, 21 de abril de 2014

ORDENAÇÃO FEMININA: 7 RAZOES FAVORÁVEIS




Nosso terceiro artigo tratando da ordenação de mulheres é uma transcrição do material compilado pelo site “Cristianismo Subversivo” publicado pelo irmão Hermes C. Fernandes. Nele nós vamos encontrar alistadas 7 razões a favor da ordenação de mulheres.

NOTE BEM: O ARTIGO ABAIXO NÃO REPRESENTA, NECESSARIAMENTE, A POSIÇÃO DO BLOG O GRANDE DIÁLOGO E ESTÁ SENDO PUBLICADO DENTRO DO NOSSO INTERESSE DE OFERECER AOS NOSSOS LEITORES A OPORTUNIDADE DE CONHECER AS DIVERSAS POSIÇÕES ACERCA DESSE DELICADO ASSUNTO.


Por Hermes C. Fernandes

Aproveitando o mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, resolvi escrever um artigo sobre o tão polêmico tema. Respeitando os discordantes, quero expor aqui as razões pelas quais defendo a ordenação feminina, tanto ao pastorado, quanto ao diaconato.

1 – Em Cristo acabam as distinções étnicas, sociais e sexistas

“Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.” Gálatas 3:28
Se Deus pode incluir judeus e gentios no ministério, por que não incluiria tanto homens quanto mulheres? Se vamos manter a distinção entre sexos, deveríamos também manter a distinção entre dias, meses, anos, entre judeus e gentios, entre animais limpos e impuros, etc.

2 – A atividade pastoral é, antes de tudo, um dom – O argumento usado por Pedro para justificar a inclusão dos gentios na igreja foi o dom do Espírito que lhes fora concedido da mesma maneira como aos judeus. Como os apóstolos poderiam impedir a sua inclusão? Semelhantemente, a igreja deve reconhecer o dom pastoral que tem sido concedido a indivíduos do sexo feminino. Ordenar nada mais é do que reconhecer o dom. Negar-se a reconhecer o dom conferido por Deus é o mesmo que resistir a Deus. Confira:

“Portanto, se Deus lhes deu o mesmo dom que a nós, quando havemos crido no Senhor Jesus Cristo, quem era então eu, para que pudesse resistir a Deus? E, ouvindo estas coisas, apaziguaram-se, e glorificaram a Deus, dizendo: Na verdade até aos gentios deu Deus o arrependimento para a vida.” Atos 11:17-18
Se os líderes atuais reconhecessem o dom pastoral que Deus tem concedido à mulheres, toda discussão cessaria. Alguns, mesmo reconhecendo o dom, negam o título. Algumas denominações preferem chamá-las de ‘missionárias’, ‘doutoras’, mas jamais ‘pastoras’. Chega a ser ridículo. Em contrapartida, encontramos muitos homens que ostentam o título sem jamais terem sido vocacionados para o desempenho do pastorado. Patético e lamentável.

3 – O Dom de Profecia é dado tanto a homens quanto a mulheres

“E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões. E também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito.” Joel 2:28-29

De acordo com o discurso de Pedro no dia de Pentecostes, tal profecia cumpriu-se cabalmente quando o Espírito foi profusamente derramado sobre os 120 discípulos reunidos no cenáculo. Ora, se as mulheres devem manter-se caladas na igreja, conforme interpretam alguns a instrução paulina, logo, como elas poderiam profetizar? Por linguagem de sinais? Lemos em Atos 21:8-9 que Filipe, um dos sete diáconos originais, também reconhecido como evangelista, tinha quatro filhas que profetizavam. E o que seria “profetizar” dentro do contexto neotestamentário? Paulo responde: “o que profetiza fala aos homens, para edificação, exortação e consolação” (1 Coríntios 14:3). Os mesmos que se manifestam contrários à ordenação feminina dizem que o exercício do dom de profecia está ligado à atividade pastoral. O pastor é o profeta da igreja. Através da pregação, ele edifica, exorta e consola. Ora, ora… Seguindo a mesma linha de raciocínio, uma mulher que tenha recebido de Deus tal dom, estaria habilitada pelo Espírito a exercer o ministério pastoral.

4 – O sacerdócio universal dos crentes

Alguém poderá argumentar que embora encontremos profetizas nas Escrituras, jamais encontramos sacerdotisas. Mas peraí… Cristo não substitui o sacerdócio levítico por um eterno, onde todos somos igualmente sacerdotes?

“Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo (…) Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.” 1 Pedro 2:5,9

Eis um dos pilares da reforma protestante. Todos os crentes são sacerdotes, sem importar seu gênero. Manter a distinção entre clero e leigos é um ranço indesejável que herdamos do romanismo. E como sacerdotes, temos duas atribuições: a) oferecer sacrifícios espirituais a Deus b) anunciar as virtudes d’Aquele que nos chamou das trevas para a luz. Homens e mulheres estão igualmente incumbidos disso. Ora, por que razão deveríamos privar mulheres de celebrar os sacramentos/ordenanças (Leia-se Ceia e Batismo)? Conheço denominações em que as mulheres podem ensinar, pregar, trabalhar na secretaria, evangelizar, mas não podem celebrar a ceia ou o batismo. Isso não faz o menor sentido. Quem está habilitado a anunciar as virtudes do Deus vivo e a oferecer sacrifícios espirituais também está habilitado a partir o pão e batizar. Questão de coerência. O problema é que os homens não querem abrir mão da proeminência. Durante a celebração da primeira eucaristia, Jesus despiu-Se diante dos discípulos, cingiu-se de uma toalha e lavou-lhes os pés. Alguns entendem que o lava-pés seria uma cerimônia complementar da Ceia do Senhor. Mesmo que não encaremos como uma ordenança, não podemos fazer vista grossa ao fato de que foi durante a Ceia que Ele nos deu tal exemplo. Escrevendo a Timóteo, Paulo diz que antes de inscrever uma viúva para ser socorrida pela igreja, dever-se-ia verificar se a mesma praticou toda a boa obra, inclusive lavar os pés aos santos (1 Tm. 5:10). À esta altura, o lavar os pés dos irmãos havia se tornado numa prática constante na igreja. Jesus deixara o exemplo aos Seus discípulos homens, porém, mesmo as mulheres o observavam. Isso fazia parte da diaconia, exercida tanto por homens quanto por mulheres.

5 – Foi a uma mulher que Jesus confiou o primeiro “ide” após Sua ressurreição

Jesus poderia ter aparecido primeiramente aos Seus discípulos homens, mas preferiu aparecer primeiro a uma mulher, a quem confiou Seu primeiro “ide” (Jo.20:17). É possível que os discípulos tenham se sentido desprestigiados por isso. - Por que a uma mulher, e não diretamente a nós? Talvez isso indicasse a importância que Jesus atribuía ao gênero feminino na difusão do Evangelho.


6 – Há evidências de que havia liderança feminina na igreja primitiva

“Recomendo-lhes nossa irmã Febe, serva da igreja em Cencréia. Peço que a recebam no Senhor, de maneira digna dos santos, e lhe prestem a ajuda de que venha a necessitar; pois tem sido de grande auxílio para muita gente, inclusive para mim. Saúdem Priscila e Áquila, meus colaboradores em Cristo Jesus. Arriscaram a vida por mim. Sou grato a eles; não apenas eu, mas todas as igrejas dos gentios. Saúdem também a igreja que se reúne na casa deles. Saúdem meu amado irmão Epêneto, que foi o primeiro convertido a Cristo na província da Ásia. Saúdem Maria, que trabalhou arduamente por vocês. Saúdem Andrônico e Júnias, meus parentes que estiveram na prisão comigo. São notáveis entre os apóstolos, e estavam em Cristo antes de mim.” Romanos 16:1-7

Quanta informação valiosa numa simples saudação! No texto original, Febe é chamada “diaconisa na igreja em Cencréia”. De acordo com o testemunho do autor patrístico Teodoreto de Ciro (393 – 466 d.C.), Febe era uma pregadora itinerante cuja fama correu o mundo todo. “Ela era conhecida não apenas entre os Gregos e Romanos, mas entre os bárbaros também”. E Febe não foi a única. Uma pedra tumular foi achada em 1903 no Monte de Oliveiras com esta inscrição: "Aqui jaz a serva e virgem noiva de Cristo, Sofia, a diaconisa, a segunda Febe". Isso demonstra que Febe tornou-se numa espécie de referência de liderança feminina na igreja primitiva.

Em sua recomendação, Paulo dá testemunho de que Febe teria sido de grande auxílio para muita gente, inclusive para ele mesmo. O texto original nos fornece uma compreensão um pouco mais acurada: "Porque ela tem sido indicada, realmente por minha própria ação, uma oficial presidindo sobre muitos."

O termo traduzido como “auxílio” é prostatis (Rom. 16:2). Esta palavra não é traduzida dessa maneira em nenhum outro lugar nas Escrituras gregas. Foi uma palavra comum e clássica que significava "padroeira ou protetora, uma mulher colocada por cima dos outros". É a forma feminina do substantivo masculino prostates, que significa "defensor" ou "guardião" quando se refere aos homens. Em 1 Timóteo 3:4-5,12 e 5:17, o verbo proistemi é usado a respeito das qualificações dos bispos e diáconos quando Paulo ordenou aos homens a "governarem" bem as suas casas, que incluiu cuidar das suas necessidades. O que foi que significou para homens, deve significar o mesmo para as mulheres. O que foi que estes bispos e diáconos fizeram para as suas casas, Febe fez para a igreja e Paulo. As posições foram idênticas.

Se nós recusarmos a admitir que Febe "governou", ou "liderou", ou foi uma "defensora", ou "guardiã", então nós precisamos rebaixar os diáconos para qualquer nível em que Febe estava ministrando. Se Febe só "auxiliou”, então é só isso que os diáconos fizeram. Seria muito inconsistente traduzir a palavra como "governador" quando se refere aos homens e "auxílio" quando se refere as mulheres.

Entre os que recebem a saudação paulina, destacam-se Priscila e Áquila, responsáveis por ensinar o Evangelho com mais precisão a Apolo, um dos mais eloquentes pregadores da época. Propositadamente, Paulo menciona Priscila antes de Áquila, o que poderia soar indelicado, para indicar sua importância ministerial. Um pouco mais adiante, Paulo nos revela dois personagens curiosos, a saber, Andrônico e Júnias, “notáveis entre os apóstolos”. Se, de fato, ambos, marido e mulher, eram considerados “apóstolos”, não sobra margem pra discutir sobre a legitimidade da liderança feminina na igreja primitiva.

7 – Porque está comprovada a capacidade feminina em exercer qualquer papel antes atribuído somente aos homens

Tenho sido testemunha do flagrante sucesso obtido por mulheres no exercício do ministério pastoral. Algumas obtiveram êxito onde homens falharam. Eu poderia citar vários casos do meu conhecimento. Depois de todas as conquistas das mulheres na segunda metade do século XX pra cá, seria, no mínimo, anacrônico acreditar em sua incompetência para a liderança eclesiástica. Muito antes da revolução cultural, em tempos bíblicos elas já demonstravam suas habilidades como rainhas, juízas, profetizas, e, diga-se de passagem, até pastoras. Vide Ester, Débora, Ana e Raquel. Por que razão Deus as privaria do privilégio de serem instrumentos do Seu amor para cuidar do Seu rebanho particular?

O artigo original do Hermes poderá ser visto por meio desse link aqui:


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Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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