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domingo, 28 de junho de 2015

JOSÉ COMO TIPO DE CRISTO - ESTUDO 033 - JOSÉ E JESUS FORAM FALSAMENTE ACUSADOS



Essa é uma série cujo propósito é estudar, com profundidade, a vida de José como um Tipo do Senhor Jesus Cristo. No final de cada estudo você irá encontrar links para outros estudos. A Série tem o título Geral de: José como Tipo de Cristo.

José Como Tipo de Cristo — Estudos 033

33. José Foi Acusado Falsamente — Gênesis 39:13—18.

Gênesis 39:13—18

13 Vendo ela que ele fugira para fora, mas havia deixado as vestes nas mãos dela,

14 chamou pelos homens de sua casa e lhes disse: Vede, trouxe-nos meu marido este hebreu para insultar-nos; veio até mim para se deitar comigo; mas eu gritei em alta voz.

15 Ouvindo ele que eu levantava a voz e gritava, deixou as vestes ao meu lado e saiu, fugindo para fora.

16 Conservou ela junto de si as vestes dele, até que seu senhor tornou a casa.

17 Então, lhe falou, segundo as mesmas palavras, e disse: O servo hebreu, que nos trouxeste, veio ter comigo para insultar-me;

18 quando, porém, levantei a voz e gritei, ele, deixando as vestes ao meu lado, fugiu para fora.

Como não havia nenhuma possibilidade de uma acusação séria vingar contra José, a mulher de Potifar optou por uma narrativa bastante modificada dos fatos para causar o maior impacto possível sobre seu duplamente chocado marido. Ela lança mão da nojenta “carta” de discriminação racial associando-a com uma decisão do próprio Potifar: “trouxe-nos meu marido este hebreu para insultar-nos”. Sua insinuação é que Potifar teria trazido José para tentá-la! Note que o José, que era o mordomo do seu senhor, é agora chamado de “servo” e a pretensa ofensa torna-se coletiva, atingindo toda a casa de Potifar. Tudo isso faz parte de um esquema muito bem montado e de uma tática psicologicamente ajustada para provocar a reação desejada da parte daquele que tinha o poder para agir. Mas na continuação ela não deseja prosseguir ofendendo o próprio Potifar então reduz sua acusação transformando a ofensa em algo pessoal, contra ela apenas ao dizer: “veio ter comigo para insultar-me”. Para Potifar A expressão dela é deliberadamente dúbia ou ambígua. Pode ser entendida literalmente — insultar — ou como um eufemismo para “intercurso sexual”. Para seus empregados ela revela a alegada intenção de José com toda clareza: “veio até mim para se deitar comigo”.

A narrativa mentirosa da mulher de Potifar produz o feito desejado, até certo ponto. Potifar “furiosos” manda prender José e colocá-lo na cadeia. Essa atitude de Potifar é inesperada, porque estupradores — mesmo diante de tentativas frustradas — eram executados quando as duas partes eram cidadãos livres —

Deuteronômio 22:23—27

23 Se houver moça virgem, desposada, e um homem a achar na cidade e se deitar com ela,

24 então, trareis ambos à porta daquela cidade e os apedrejareis até que morram; a moça, porque não gritou na cidade, e o homem, porque humilhou a mulher do seu próximo; assim, eliminarás o mal do meio de ti.

25 Porém, se algum homem no campo achar moça desposada, e a forçar, e se deitar com ela, então, morrerá só o homem que se deitou com ela;

26 à moça não farás nada; ela não tem culpa de morte, porque, como o homem que se levanta contra o seu próximo e lhe tira a vida, assim também é este caso.

27 Pois a achou no campo; a moça desposada gritou, e não houve quem a livrasse.

Um escravo que atacasse a esposa de seu senhor não deveria esperar por sorte melhor. Mas, por razões que não são de todo claro, José escapa de ser condenado à pena de morte. É possível que José tenha tido a oportunidade de contar seu lado da história para seu senhor e que isso tenha sido suficiente para convencer Potifar, que sua mulher não estava contando todos os fatos. Diante disso é provável que José tenha recebido uma condenação mais branda.

Nosso narrador, todavia, não está interessado em explicar o que aconteceu. Sua atenção está concentrada no fato que José foi colocado “no lugar onde os presos do rei estavam encarcerados” — Gênesis 39:20 — porque foi ali que José fez contatos importantes que acabaram por conduzi-lo para fora da prisão.

Assim como José foi acusado de forma falsa. O Senhor Jesus teve que experimentar, exatamente a mesma situação. Jesus, o homem mais doce que já viveu sobre a terra, alguém que é descrito pelo autor de Hebreus como:

Hebreus 7:26

Com efeito, nos convinha um sumo sacerdote como este, santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores e feito mais alto do que os céus.

Mas nenhuma dessas suas altas qualidades impediu que Jesus fosse tratado com toda brutalidade de um “verdadeiro criminoso”.

Quando a turba veio prender Jesus, o próprio Senhor protestou contra aquela situação como uma forma de marcar, definitivamente, a culpa de seus inimigos e perseguidores. Jesus disse:

Mateus 26:55

Naquele momento, disse Jesus às multidões: Saístes com espadas e porretes para prender-me, como a um salteador? Todos os dias, no templo, eu me assentava convosco ensinando, e não me prendestes.

E quem eram os inimigos de Jesus:

Mateus 26:3—4

Então, os principais sacerdotes, e os anciãos do povo se reuniram no palácio do sumo sacerdote, chamado Caifás; e deliberaram prender Jesus, à traição, e matá-lo.

Junto com esses estavam também os escribas — que tinham muitos fariseus entre suas fileiras —

Mateus 16:21

Desde esse tempo, começou Jesus Cristo a mostrar a seus discípulos que lhe era necessário seguir para Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto e ressuscitado no terceiro dia.

Literalmente Mateus usa em 26:3—4 a expressão ἀρχιερεῖς archiereîs — sumo sacerdote, como representante de toda casta sacerdotal. Ele também usa a expressão πρεσβύτεροι τοῦ λαοῦ presbúteroi toû laoû — como os representantes de todo o povo já que pela idade e experiência eram reputados como tais por toda a nação de Israel.
Não deixemos nos enganar, na grande maioria das vezes, os piores e mais violentos inimigos do verdadeiro crente são aquele que ocupam posições de liderança e que deveriam, acima de tudo, ser exemplo para o rebanho e não perseguidores do mesmo

1 Pedro 5:1—4

1 Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu, presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e ainda co-participante da glória que há de ser revelada:

2 pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade;

3 nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho.

4 Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória.

Olhe ao seu redor e veja que tipo de pastores e líderes você consegue enxergar: servos ou dominadores e tiranos?

Uma vez na casa do sumo sacerdote, Jesus foi submetido a um julgamento de “mentirinha”, com falsas testemunhas para acusá-lo como fez a mulher de Potifar. Era um jogo de cartas marcadas e a sentença, como vimos acima, já havia sido passada antes mesmo de Jesus ser preso. O “jogo de cena” do sumo sacerdote completou a farsa —

Marcos 14:55—65

55 E os principais sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam algum testemunho contra Jesus para o condenar à morte e não achavam.

56 Pois muitos testemunhavam falsamente contra Jesus, mas os depoimentos não eram coerentes.

57 E, levantando-se alguns, testificavam falsamente, dizendo:

58 Nós o ouvimos declarar: Eu destruirei este santuário edificado por mãos humanas e, em três dias, construirei outro, não por mãos humanas.

59 Nem assim o testemunho deles era coerente.

60 Levantando-se o sumo sacerdote, no meio, perguntou a Jesus: Nada respondes ao que estes depõem contra ti?

61 Ele, porém, guardou silêncio e nada respondeu. Tornou a interrogá-lo o sumo sacerdote e lhe disse: És tu o Cristo, o Filho do Deus Bendito?

62 Jesus respondeu: Eu sou, e vereis o Filho do Homem assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo com as nuvens do céu.

63 Então, o sumo sacerdote rasgou as suas vestes e disse: Que mais necessidade temos de testemunhas?

64 Ouvistes a blasfêmia; que vos parece? E todos o julgaram réu de morte.

65 Puseram-se alguns a cuspir nele, a cobrir-lhe o rosto, a dar-lhe murros e a dizer-lhe: Profetiza! E os guardas o tomaram a bofetadas.

OUTROS ESTUDOS ACERCA DE JOSÉ COMO TIPO DE CRISTO

Estudo 001 — José como Tipo De Cristo — Introdução

Estudo 002 — José como Tipo De Cristo — A Infância de José

Estudo 003 — José como Tipo De Cristo — Os Irmãos e Os Nomes de José

Estudo 004 — José como Tipo De Cristo — José Como Pastor dos Seus Irmãos

Estudo 005 — José com Tipo De Cristo — José Como o Filho Amado de Seu Pai

Estudo 006 — José com Tipo De Cristo — Jesus, o Filho e Deus Pai

Estudo 007 — José com Tipo De Cristo — José e a Túnica Talar de Distinção
Estudo 008 — José com Tipo De Cristo — O Ódio que os Irmãos de José Tinham Dele

Estudo 009 — José com Tipo De Cristo — José era Odiado por Causa de Suas Palavras

Estudo 010 — José com Tipo De Cristo — José Estava Destinado a Um Futuro Extraordinário

Estudo 011 — José com Tipo De Cristo — José Antecipa Sua Glória Futura

Estudos 012 e 013 — José como Tipo de Cristo — José Sofre nas Mãos de Seus Irmãos e Vai a Busca Deles a Pedido de Jacó

Estudos 014 e 015 — José como Tipo de Cristo — José Busca Fazer o Bem a Seus Irmãos, e É Enviado De Hebrom Para a Região de Siquém

Estudo 016 — José como Tipo de Cristo — José Vai Até a Região de Siquém

Estudos 017 e 018 — José como Tipo de Cristo — José se Torna um Viajante Errante Nos Campos e Campinas da Palestina

Estudos 019 — José como Tipo de Cristo — A Conspiração contra José

Estudos 020 — José como Tipo de Cristo — As palavras de José são Desacreditadas

Estudos 021 e 022 — José como Tipo de Cristo — José é Insultado e Humilhado e José é Lançado num Poço

Estudos 023 e 024 — José como Tipo de Cristo — José é Retirado Vivo do Poço e Os Irmãos de José Misturam Ódio com Hipocrisia

Estudos 025 e 026A — José como Tipo de Cristo — José é Vendido por Seus Irmãos e o Sangue de José é Derramado
Estudos 026B — José como Tipo de Cristo — O Futuro de Israel Profetizado em Gênesis 38

Estudos 027 e 028 — José se Torna um Servo — Jose se Torna Próspero

Estudos 029 — O Senhor de José Estava Muito Feliz com Ele

Estudos 030 — José Como Servo Foi Uma Bênção Para os Outros

Estudos 031 — José Era Uma  Pessoa Consagrada aos Outros

Estudos 032 — José Foi Duramente Tentado, Mas Resistiu à Tentação

Estudos 033 — José Foi Acusado Falsamente

Estudos 034 — José Não Tentou Se Defender das Falsas Acusações

Estudos 035 — José Sofreu nas Mãos dos Gentios

Estudo 036 e 37 — José Ganha o Reconhecimento do Carcereiro e José Foi Numerado com outros Transgressores.

Estudo 038 — José Como Instrumento de Bênção e de Condenação.

Estudo 039 — José Dá Evidências De Seu Conhecimento Quanto Ao Futuro.

Estudo 040 — As Predições de Jose se Tornam Realidades.

Estudo 041A — José Gostaria de Ser Lembrado

Estudo 041B — José Gostaria de Ser Lembrado




Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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sábado, 13 de setembro de 2014

A QUEM PERTENCE A TERRA DA PALESTINA - A QUESTÃO POLÍTICA



A quem realmente pertence a terra da Palestina? Aos judeus? Ao povo palestino? A quem foram, realmente, feitas as promessas referentes à Terra de Canaã que encontramos no Antigo Testamento? Em pleno século XXI precisamos entender que existem dois lados desta questão. O primeiro é aquele representado pela questão política e o segundo é o representado pela questão religiosa, que inclui as implicações teológicas introduzidas pelo Novo Testamento, i isso faz muita diferença na forma como o Antigo Testamento deve ser interpretado.

Ùm pouco de história - Um pouco de história torna-se necessário aqui, porque como alguém já disse: “ignorar a história é sujeitar-se a cometer os mesmos erros do passado”. Não queremos cometer, dentro das nossas possibilidades, nenhum erro. Precisamos estar abertos para conhecer a verdadeira história e, reconhecer e abandonar eventuais erros de perspectiva que, por ignorância ou cegueira, tenhamos adotado no passado e que estejamos ainda persistindo em manter.

Para compreendermos melhor as questões envolvidas nas discussões acerca da Terra de Canaã – Palestina – nós precisamos retornar aos primórdios do século XIX e analisarmos os movimentos chamados de “Sionismo Cristão” e de “Sionismo Judaico”. Uma definição simplista do significado de “Sionismo Cristão” é: Cristãos que apoiam, de forma irrestrita, o Sionismo Judaico. Em 1975, a Assembléia Geral das Nações Unidas, passou a resolução de número 3379 que definiu o “Sionismo” como uma forma de racismo e de justificativa para a prática de discriminação racial. O Sionismo Cristão contemporâneo é, em sua maior parte, uma reação irracional ao aumento do volume da crítica que está sendo feita à forma de “apartheid” praticada pelo Estado judeu na região da Palestina nos dias de hoje. Esta reação irracional teve início com o final da chamada “Guerra dos Seis Dias”, de 1967. Esta guerra, iniciada por Israel[1], culminou com a anexação dos seguintes territórios:

1. A parte leste da cidade de Jerusalém. Ocupação esta que já dura 47 anos.

 2. A região da Cisjordânia. Ocupação esta que já dura 47 anos.

 3. A região sul do Líbano – devolvida a seus legítimos donos, no início do século XXI, 35 anos depois do confisco de 1967.

 4. As Colinas de Golan – território que pertence à Síria e que continua ocupado até esta data, 47 anos depois.

 5. A Faixa de Gaza. “Desocupada” oficialmente em 2005, mas sujeita a novas invasões ao bel prazer das autoridades israelenses, como vimos durante as várias ações genocidas que ocorreram em entre Dezembro de 2008 e Julho de 2014. Para aqueles que ainda acreditam na propaganda judaica de que o problema ali são os “foguetes do Hamas” basta dizer o seguinte:

1. Quantos judeus foram mortos fora da faixa de Gaza nos dias das ofensivas judaicas mencionada acima? Números são muito disputáveis e variam de algumas dezenas até uma centena. Este reduzido número de vítimas fatais, levanta suspeitas também acerca dos alegados “milhares” de foguetes do Hamas, lançados contra o território israelense.

2. Quantos Palestinos foram mortos dentro da faixa de Gaza no mesmo período? Aproximadamente 9000! Israel alega ter matado menos de 7000 palestinos. como se isso fosse significativo ou mudasse o tamanho do genocídio.

3 Quantos judeus foram feridos fora da faixa de Gaza nos dias da ofensiva judaica mencionada acima? Novamente, como os números não interessam a Israel pela disparidade dos mesmos quando comparados com os feridos em Gaza, tudo o que podemos afirma é que não podemos aceitar nenhum dos números oferecidos pelas autoridades israelenses porque os mesmos incluem os "ferido" psicologicamente, algo que infla o número de feridos consideravelmente. Por esse parâmetros os feridos apenas na faixa de Gaza seria 1.800.000 de pessoas.

4. Quantos Palestinos foram feridos dentro da faixa de Gaza no mesmo período? Aproximadamente 12000. Sem contar os "feridos" psicologicamente.

5. A Península do Sinai que pertencia aos egípcios. Esta península foi devolvida pelos israelenses após os acordos de paz assinados entre o Egito e Israel, entre o assassino confesso Menachem Begin e Anuar Sadat.

Ainda no ano de 1967, a Assembléia Geral das Nações Unidas passou a resolução de número 242 que condenou a ocupação israelense da Cisjordânia. Após esta condenação, toda a comunidade internacional removeu seus embaixadores e fechou suas embaixadas em Jerusalém. Nesta mesma ocasião um grupo de cristãos sionistas, que mantinham uma entidade chamada de Embaixada Cristã Internacional, mudou sua sede para a cidade de Jerusalém, com a intenção explícita de apoiar as ações ofensivas e criminosas de Israel. Como dizem os próprios judeus, os chamados cristãos messiânico são uma verdadeira farsa!

Os cristãos sionistas se vêm como defensores e apologistas do povo judeu em geral e da nação política de Israel em particular. Tal defesa é manifestada por ferrenha oposição a todos que, de alguma maneira, sejam percebidos como críticos ou hostis para com o moderno Estado de Israel. Por esse motivo, todos os movimentos antissionistas têm sido identificados como sendo também antissemitas, o que não passa, evidentemente, de uma afirmativa ridícula e absurda. De forma curiosa e surpreendente, tais afirmativas não são acompanhadas, de nenhuma maneira, por palavras ou atos de compaixão para com o povo palestino que, diga-se de passagem, também é parte dos povos semitas, exatamente com o são os judeus. É difícil dizer quantas organizações sionistas cristãs existem neste início de século XXI, mas o número escala as centenas.

O movimento sionista, seja cristão seja judeu obteve uma estrondosa vitória com a decisão das Nações Unidas de dividir a Palestina, criando um estado árabe e outro judeu em 1947. Quando da decisão das Nações Unidas, o quadro populacional na Palestina era como segue:

1. Na parte que deveria ser o Estado Árabe – 749,000 árabes e 9.250 judeus.

2. Na parte que deveria ser o Estado Judeu – 497,000 árabes e 498,000 judeus.[2]

Em 17 de Maio de 1948, o Estado Judeu, chamado de Israel, declarou sua independência e ato contínuo iniciou uma série de guerras, que duram até os dias de hoje, que visam remover, seja via limpeza étnica – genocídio – ou via migração forçada, todos os árabes daquilo que considera ser seu território. De fato, o sonho de Theodore Herzl e de outros sionistas judeus e cristãos era um estado judaico que se estendesse desde as margens do rio do Egito no Oeste até as margens do rio Eufrates no Leste. Esta ideia é derivada da promessa feita a Abraão e contida em Gênesis 15:18.

Antes de prosseguir é desejo deste autor estabelecer o fato de que este trabalho está baseado nas seguintes premissas:

1. O autor se opõe a todo tipo de antissemitismo, lembrando que o povo palestino e os árabes também são constituídos por descendentes de Sem, além de serem descendentes diretos do patriarca Abraão. Críticas, portanto, feitas ao Estado Moderno de Israel, não devem ser interpretadas como afirmações antissemitas. O autor irá considerar tais afirmações como puras tolices.

2. Que o Estado de Israel tem o direito, como também a nação Palestina, de existir – autodeterminação dos povos - dentro de fronteiras seguras e reconhecidas pela comunidade internacional. Esta continua sendo, como nos dias de Theodore Herzl, uma questão essencialmente política e não se trata de matéria de fé.

A questão política inclui o seguintes itens:

1. Existem muitos fatos concernentes aos acontecimentos contemporâneos da Palestina que não são informados às pessoas, em geral, e muito menos aos cristãos, em particular.

2. Existe, pelo que podemos notar, um silêncio criminoso por parte dos Evangélicos com relação ao gigantesco abismo que encontramos entre o alegado mandato bíblico para a criação de uma nação para o povo judeu e, isto que aí está representado pelo Estado de Israel moderno. Em outras palavras, o que estamos querendo dizer é que: se o Estado de Israel e os sionistas – cristãos e judeus – desejam usar a Bíblia para reivindicar a posse da Terra Santa a favor do povo judeu então, a Nação de Israel precisa aderir, sem demora e sem hesitação, ao padrão bíblico de justiça e santidade nacionais, conforme ensinadas na Lei de Moisés e reclamadas pelos profetas de Isaías até Malaquias. Além disso, uma coisa que poucos sabem é que existem numerosos grupos de judeus de todas as ordens que são frontalmente contrários à existência de uma nação política e pagã como é o moderno Estado de Israel. Qualquer coisa menor do que um alinhamento automático às exigências bíblicas de justiça e santidade, constitui-se em um verdadeiro travesti da verdade pretendida – ver Levítico 25:23 caso existam dúvidas acerca do verdadeiro dono daquela terra.

Levítico 25:23

Também a terra não se venderá em perpetuidade, porque a terra é minha; pois vós sois para mim estrangeiros e peregrinos.

3. Os textos que advertem o povo judeu, habitando na Terra Prometida, contra os maus tratos praticados contra os estrangeiros habitando em suas terras, valem contra todos os que alegam que a Terra de Israel lhes pertence por aliança perpétua – ver Levítico 19:34 e Deuteronômio 10:19. Agora responda, caro leitor, como é que você percebe a forma com Israel está tratando aqueles que considera “estrangeiros”, e que estão habitando em suas terras?

Levítico 19:34

Como o natural, será entre vós o estrangeiro que peregrina convosco; amá-lo-eis como a vós mesmos, pois estrangeiros fostes na terra do Egito. Eu sou o SENHOR, vosso Deus.

Deuteronômio 10:19

Amai, pois, o estrangeiro, porque fostes estrangeiros na terra do Egito.

4. O Estado Sionista de Israel, como vimos acima, ocupou os territórios que pertenciam aos árabes e isto tem gerado muitas situações terríveis. Organizações judaicas, muitos judeus famosos e seus pares palestinos e de muitas outras nacionalidades, têm denunciado os seguintes crimes praticados diuturnamente pelo Estado judeu contra o povo palestino:

a. O roubo de terras e de água. Enquanto cidades e vilas palestinas têm água corrente somente duas horas por semana, as colônias judaicas implantadas nos territórios ocupados exibem belos gramados e piscinas.

b. A destruição de centenas de vilas palestinas para a instalação de colônias judaicas ilegais.Não existe nenhuma justificativa plausível para esse hediondo crime.

c. O abuso permanente dos direitos humanos pelo Estado de Israel, mediante à prática de: “estados de sítio” – com palestinos sendo proibidos de circular dentro de seu próprio território por dias e semanas até – prisões, detenções, torturas e deportações, além do genocídio geral e dos homicídios seletivos praticados contra cidadãos palestinos que Israel faz questão de qualificar como “terroristas”.

d. O cerco militar – terrestre, aéreo e marítimo – imposto à faixa de Gaza é o acontecimento mais desumano destes dias em toda a face da Terra.

Enquanto as questões alistadas acima, e muitas outras, permanecerem sem solução, o problema irá apenas se agravar.

Não temos a pretensão de querer resolver a questão política, mas já consideramos uma vitória, se algum dos leitores se interessar por pesquisar os materiais produzido por órgãos ou indivíduos independentes, tais como:

1. O material – artigos, entrevistas e livros – produzidos por Noam Chomsky, estadunidense de ascendência judaica e professor titular do Massachusetts Institute Technology – MIT. Muito material do professor Chomsky está disponível em português.

2. O material produzido por Norman Finkelstein, estadunidense de ascendência judaica e ex-professor da Universidade de Columbia em Nova Iorque. Seu livro “A Indústria do Holocausto” – disponível em português - é um “tour-de-force” contra uma das mentiras mais bem contadas e repetidas do século XX: a de que o sofrimento dos judeus é, de forma particular, único e de que os judeus são, em si mesmos, um povo singular.Ora tal afirmação não passa de puro chauvinismo e explica as ações do Estado de Israel contra a população palestina.

3. O material produzido pelo cineasta e produtor australiano John Pilger. Seus documentários são apresentados de forma regular através da rede ITV e, quando não irritam por demais a elite britânica submissa aos interesses do Estado de Israel, são também mostrados nos canais da estatal BBC de Londres.

4. O material produzido pelo site “The Palestinian Chronicle”, que publica artigos assinados por árabes e israelenses e por outros jornalistas estrangeiros.

5. O material produzido pelo jornalista britânico Robert Fisk e disponível em muitos jornais, até mesmo no Estadão e na Folha de São Paulo, onde aparecem, de vez em quando.

6. O material produzido pelos sítios “Culture-Counter”, “Saloon”, "Information Clearing House",  entre outros, repletos de artigos escritos por jornalistas internacionais das mais variadas nacionalidades.

7. O material produzido e publicado no Blog do estadunidense e também de ascendência judaica, Michael A. Hoffman II. Curiosamente, Chomsky, Finkelstein, Hoffman, e até mesmo historiadores judeus como Illan Pape e Shlomo Sand e uma infinidade de outros judeus que se opõe ao que está acontecendo nos dias de hoje na Palestina, têm sido chamados de “antissemitas” pelos sionistas – judeus e cristãos. Outros rotulam esses críticos de judeus que se auto-odeiam.

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Que Deus abençoe a todos,

Alexandros Meimaridis 

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Desde já agradecemos a todos.

NOTAS

[1] O autor recomenda a leitura do extenso material produzido pelo jornalista e produtor cinematográfico John Pilger, de nacionalidade australiana e disponível em seu site homônimo.

[2] Guia do Terceiro Mundo produzido Conselho Editorial Internacional. Editora Terceiro Mundo, Rio de Janeiro, 1984.