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segunda-feira, 24 de junho de 2013

APOCALIPSE 12:4 — A MULHER GRÁVIDA E O DRAGÃO — PARTE 3 - ESTUDO 007


 
Dragão

ESTE ESTUDO É PARTE DE UMA SÉRIE DE ESTUDOS APRESENTADOS EM NOSSA IGREJA ATENDENDO À SOLICITAÇÃO DE UM DOS NOSSOS MEMBROS ACERCA DE “QUEM” PODERIA SER A MULHER MENCIONADA EM APOCALIPSE 12:1? NO FINAL DESSE ESTUDO VOCÊ ENCONTRARÁ OS LINKS PARA OS OUTROS ESTUDOS DESSA SÉRIE.

A sua cauda arrastava a terça parte das estrelas do céu, as quais lançou para a terra; e o dragão se deteve em frente da mulher que estava para dar à luz, a fim de lhe devorar o filho quando nascesse — Apocalipse 12:4.

Antíoco IV  Epifânio

O verso 4 dá continuidade aos acontecimentos no céu, onde o dragão arrasta um terço das estrelas do mesmo e as lança na terra. É óbvio que tal linguagem não pode ser interpretada de forma literal. De fato, tal linguagem nos faz lembrar Daniel 8:10 onde um pequeno chifre —  Antíoco Epifânio IV — chega a lançar algumas “estrelas” do céu sobre a terra e pisa sobre as mesmas. A descrição de tamanho evento cataclísmico serve apenas para nos indicar o tamanho gigantesco e o poder impressionante do dragão. O fato de João descrever que o dragão é capaz de arrastar uma terça parte das estrelas do céu e lançá-las por terra tem a intenção de indicar um número bem maior do que podemos imaginar. É bom que se diga que João não está tratando aqui da queda dos seres angelicais, mas apenas descrevendo a gigantesca parada que acontece nos céus. Mesmo assim, o quadro pintado por João guarda certa relação com a queda dos anjos

2 Pedro 2:4
Ora, se Deus não poupou anjos quando pecaram, antes, precipitando-os no inferno, os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo.

Judas 6
E a anjos, os que não guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu próprio domicílio, ele tem guardado sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do grande Dia

e comparar com 
Apocalipse 9:1

O quinto anjo tocou a trombeta, e vi uma estrela caída do céu na terra. E foi-lhe dada a chave do poço do abismo.
 
Herodes o Grande

O dragão se mantém de prontidão diante da mulher para devorar o filho que ela está para dar a luz, assim que o mesmo nascer. Isso explica toda a violência que o filho da comunidade celestial teve que enfrentar durante seus poucos anos de vida na terra. Quando lemos os evangelhos, com atenção, não é difícil percebermos que o acintoso antagonismo voltado contra Jesus tinha uma inspiração que ia muito além das meras discordâncias políticas ou teológicas. Como devemos lembrar, tudo começou com a tentativa brutal de Herodes, o Grande, de tentar matar a criança que tinha menos de dois anos de idade — ver Mateus 2. A perseguição continuou durante toda sua vida, culminando com sua traiçoeira crucificação, como se o Santo, não passasse de um criminoso comum. Da mesma forma como Nabucodonosor “devorou” Israel — ver Jeremias 51:34 — assim também Satanás estava disposto a devorar o Filho de Deus. Ele assume sua posição e aguarda sua vítima.

 
Nabucodonosor.


Bóreas transportando Leto

A narrativa apresentada em Apocalipse 12 tem muitas vezes sido comparada com outras lendas, especialmente da mitologia grega. Mas essas comparações são superficiais. Quase nunca, ninguém se interessa em checar os fatos, e assim, as pessoas preferem aceitar a lenda como fato, o mito como história e a mentira como a verdade. Vejam por vocês mesmo se a história do nascimento de Apolo, como contada por Higino, tem alguma coisa a ver com a narrativa que temos diante de nós. De acordo como Higino: “Foi anunciado, em forma de uma profecia, para Píton, o filho da Terra, o grande dragão, que ele seria morto pelo filho de Zeus que a humana Leto estava gestando. Hera, a esposa de Zeus planejou que Leto desse a luz somente quando o sol não estivesse brilhando e, Píton podendo observar que Leto já estava bem adiantada em sua gravidez foi atrás dela para matá-la. Mas Bóreas — o vento norte — transportou Leto até Poseidon — deus dos mares — que a colocou na ilha de Ortygia e em seguida submergiu a mesma no oceano. Dessa forma, como Píton não conseguiu encontrar Leto, retornou para o Monte Parnaso. Na ilha, que foi trazida, outra vez para a superfície por Poseidon, Leto deu à luz a Apolo, o qual já estava de posse de todos seus poderes divinos e, apenas no quarto dia após seu nascimento, o mesmo foi ao Parnaso, onde encontrou e matou o dragão Píton”. Julgue o próprio leitor, e não se deixe enganar, se João no Apocalipse copiou a história de Higino! Todavia, não devemos deixar de admitir que as figuras principais representadas pela mulher, pela criança e pelo dragão estão presentes nas duas narrativas.

 
Poseidon

A intenção satânica de devorar o filho da mulher tão logo ele tivesse nascido serve para indicar que o nascimento de tal criança na terra representava o fim do poder e do domínio do Diabo tanto no céu quanto sobre a terra. Por isso, é da maior importância que o dragão consiga devorar a criança na terra, pois isso além de lhe possibilitar manter o domínio sobre a terra lhe abriria também as porta para tentar um ataque ao céu. As palavras de Apocalipse 12:4 podem ser comparadas com as de Lucas 10:18. E isso também deve nos conduzir a concluir que a narrativa da guerra no céu descrita nesse capítulo é uma apenas. Satanás e seus demônios são derrotados pela simples e objetiva intervenção de Miguel e seus anjos, sem a participação direta nem de Deus, nem de Jesus, o que nos indica que estamos mesmo, diante de duas realidades muito distintas: a do Criador e a da criatura.

A atitude do dragão, também serve para nos ensinar que a oposição que o filho de Deus teve que enfrentar enquanto viveu, brevemente, entre nós tinha sua origem nesse dragão maligno que a todos instigava, por todos os lados, para perseguirem e tentarem matar a Jesus. Começando com a perseguição movida pelo rei Herodes, o Grande — ver Mateus 2 — e que culminou com a sentença condenatória expedida pelo governador Pilatos, em tudo podemos ver a mão da antiga serpente chamada de Satanás e Diabo.

Jesus sofreu nas mãos de seus irmãos e nas mãos dos gentios conforme a firme denúncia feita por Estêvão:

Atos 4:26—27

Levantaram-se os reis da terra, e as autoridades ajuntaram-se à uma contra o Senhor e contra o seu Ungido; porque verdadeiramente se ajuntaram nesta cidade contra o teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, Herodes e Pôncio Pilatos, com gentios e gente de Israel.

Mas tudo isso foi, certamente, instigado pelo próprio Diabo

João 8:44

Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira.

Pedro segue nessa mesma linha e nos diz que somos chamados a seguir nos passos de Jesus

1 Pedro 2:21

Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos.

Além disso, Pedro nos diz:

1 Pedro 5:6

Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte.

Como seguidores de Jesus não podemos deixar nos enganar pensando que somos chamados para viver vidas de prosperidade, saúde inabalável, isenção de perseguição, etc. A verdade, é que somos chamados para enfrentar dias difíceis se queremos viver como discípulos verdadeiros do Senhor — ver 2 Timóteo 3:12 — sabendo que aquilo que nos aguarda no céu não dá para comparar com as dificuldades e os sofrimentos do tempo presente. Existem no Novo Testamento alguns versículos, realmente maravilhosos, que nos ensinam essa verdade e servem para nos consolar, animar, fortalecer, fundamentar e aperfeiçoar. Essas são algumas das promessas de Deus: Romanos 8:18; 2 Coríntios 4:17—18; Hebreus 13:12—14; 1 Pedro 5:10.
E o dragão se deteve em frente da mulher que estava para dar à luz, a fim de lhe devorar o filho quando nascesse.

Pelo teor da narrativa podemos concluir, de modo bastante seguro, que tal confrontação entre o dragão e a mulher acontece no céu, já que e nesse lugar — no céu — que os dois sinais são vistos — ver Apocalipse 12:1 e 3. Assim a expressão ἕστηκενéstiken — causar ou fazer ficar em pé, colocar, pôr e estabelecer e traduzida aqui por: “se deteve”, indica para um local específico no céu onde isso aconteceu. Mas a sequência da narrativa nos diz que depois de nascido o filho foi  ἡρπάσθη erpásthe — arrebatado para o céu – ver Apocalipse 12:5. Isso, por sua vez, indica que parte dessa confrontação terá lugar também na terra, até como já tivemos a oportunidade de notar acima, quando mencionamos a incansável perseguição do dragão ao Senhor Jesus durante toda sua vida, bem como contra sua Igreja após a ascensão de Jesus ao céu.

Quando o dragão é lançado para a terra, ele persegue a mulher — ver Apocalipse 12:13 — com o intuito de καταφάγῃkatafáge — devorar seu filho. Mas em vez de conseguir seu intento, suas ações é que são devoradas — literalmente engolidas — pela ação providencial de Deus conforme Apocalipse 12:16. Assim o primeiro ataque do dragão contra a mulher é confrontado pela primeira defesa da mulher feita pela Terra que é vista como sua — da mulher — protetora. O conflito entre a mulher e o dragão começou cedo, ainda no Jardim do Éden — ver Gênesis 3:15

Um Faraó do Egito

Esta idéia de “devorar” é certamente emprestada de Jeremias 51:34 onde se diz que o rei da Babilônia Nabucodonosor, comparado a um monstro marinho,  devorou a nação judaica. O Faraó do Egito, outro perseguidor implacável do povo de Deus, também é chamado de crocodilo enorme em Ezequiel 29:3, um dos muitos nomes atribuídos ao dragão como vimos em estudos anteriores. Mas Deus protegeu tanto a Seu filho como protegeu e protege a Igreja até os dias de hoje. Mesmo em meio a perseguições somo mais que vencedores por meio daquele que nos amou: Jesus Cristo

Romanos 8:32—37

32 Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?

33 Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica.

34 Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós.

35 Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?

36 Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro.

37 Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou.

A cruz parecia ao dragão o local de sua vitória definitiva sobre o filho de Deus, mas na realidade, representava sua estrondosa derrota — compare com Apocalipse 12:11.

OUTROS ESTUDOS EM APOCALIPSE 12

001 — INTRODUÇÃO – Literatura Apocalíptica e o Conceito de Quiasmo

002 — INTRODUÇÃO – Tema Central e Significado Perene

003 — APOCALIPSE 12:1A — VIU-SE UM GRANDE SINAL NO CÉU — UMA MULHER — PARTE 1 

004 — APOCALIPSE 12:1B — VIU-SE UM GRANDE SINAL NO CÉU  — UMA MULHER  — PARTE 2

005 — APOCALIPSE 12:2—3 — A MULHER E O DRAGÃO — PARTE 1

006 — APOCALIPSE 12:3 — A MULHER E O DRAGÃO — PARTE 2

007 — APOCALIPSE 12:4 — A MULHER E O DRAGÃO — PARTE 3

008 — APOCALIPSE 12:5 — A MULHER E O FILHO QUE ELA DEU À LUZ

009 — APOCALIPSE 12:6 — A FUGA DA MULHER E A PROVISÃO DIVINA

010 — APOCALIPSE 12:7 — A PELEJA NO CÉU — PARTE 1

011 — APOCALIPSE 12:8 — A PELEJA NO CÉU — PARTE 2

012 — APOCALIPSE 12:9 — O DRAGÃO, A ANTIGA SERPENTE, SATANÁS E O DIABO

013 — APOCALIPSE 12:10 — O DRAGÃO FOI EXPULSO DO CÉU

014 — APOCALIPSE 12:11 — VENCEDORES POR CAUSA DO SANGUE DO CORDEIRO E PORQUE NÃO AMARAM MAIS APRÓPRIA VIDA

015 — APOCALIPSE 12:12 — FESTA NOS CÉUS E DORES NA TERRA

016 — APOCALIPSE 12:13 — O DRAÇÃO FOI ATIRADO PARA A TERRA

017 — APOCALIPSES 12:14 — A MULHER FOGE PARA O DESERTO

018 — APOCALIPSES 12:15—18 — O DRAGÃO DESISTE DA MULHER E VAI PERSEGUIR O RESTANTE DO POVO DE DEUS — FINAL
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2014/05/apocalipse-121517-o-dragao-persegue-o.html

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.

domingo, 2 de dezembro de 2012

ENCONTROS DE PODER - 003 — LÍDER DE UM PRINCIPADO, REINADO OU MAGISTRADO - ἀρχῆ — archê



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Atenção esse artigo é parte de uma série onde pretendemos tratar dos alegados encontros de poder e de curas maravilhosas que nos são apresentadas todos os dias pelos pastores midiáticos. No final de cada estudo você encontrará links para outros estudos.

II. OS PODERES — PARTE 1

ἀρχῆ archê — líder de um principado, reinado ou magistrado
 
ἄρχων árchon — alguém que ocupa uma posição de autoridade

Para efeito desse nosso estudo as duas expressões ἀρχῆ arché e ἄρχων árchon serão estudadas juntas pelo fato da primeira expressão sempre impor o significado da segunda no Novo Testamento, conforme podemos ver nos versos a seguir. O uso normal desses termos denota arranjos que envolvem SERES HUMANOS:

  • Lucas 12:11 — Quando vos levarem às sinagogas e perante os governadores e as autoridades, não vos preocupeis quanto ao modo por que respondereis, nem quanto às coisas que tiverdes de falar. 
  • Romanos 8:38 — Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes. 
  • 1 Coríntios 15:24 — E, então, virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder. 
  • Efésios 1:21 — Acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir, não só no presente século, mas também no vindouro. 
  • Efésios 3:10 — Para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais. 
  • Efésios 6:12 — Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes. 
  • Colossenses 1:16 — Pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. 
  • Colossenses 2:10 — Também, nele, estais aperfeiçoados. Ele é o cabeça de todo principado e potestade. 
  • Colossenses 2:15 — E, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz. 
  • Tito 3:1 — Lembra-lhes que se sujeitem aos que governam, às autoridades; sejam obedientes, estejam prontos para toda boa obra. 
Outras duas passagens denotam o “cargo” ocupado por alguém:

  • Lucas 20:10 — Observando-o, subornaram emissários que se fingiam de justos para verem se o apanhavam em alguma palavra, a fim de entregá-lo à jurisdição e à autoridade do governador. 
  • Judas 6 — E a anjos, os que não guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu próprio domicílio, ele tem guardado sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do grande Dia.
Observando todas as passagens acima podemos confirmar o que falamos no início: a expressão ἄρχων árchondenota alguém que ocupa uma posição de autoridade ou governo e, com exceção de Daniel capítulos 10 e 12 e Judas verso 6, a mesma é utilizada, exclusivamente, para designar seres humanos que receberam algum de tipo incumbência administrativa ou de poder.

ἀρχῆ archê — líder de um principado, reinado ou magistrado é um termo mais abstrato para se referir ao poder. Trata-se de um uso mais psicológico para indicar a institucionalização ou a continuidade de um determinado poder através de uma posição ou cargo oficial. Em certas situações, ocasionalmente — como é o caso do uso feito pelo Novo Testamento — o uso de ἄρχων árchon — alguém que ocupa uma posição de autoridade se parece com o de ἀρχῆ arché. E mais adiante é nossa intenção mostrar que estes dois termos também foram usados para designar forças espirituais do mal.
A raiz ἀρχ arch — é usada apenas em palavras que denotam alguma forma de organização de poder no mundo helenista. A mesma era usada em palavras compostas para descrever, praticamente, qualquer posição de autoridade. Como exemplo podemos citar:

  • ἀρχιδεσμοφύλακος archidesmofílakos — carcereiro mor. 
  • ἀρχιγραμματεὺς archigrammateùs — escrivão mor. 

Outras vezes encontramos a expressão  ἀρχ arch — associada a um local como uma corte de justiça ou à prefeitura de uma cidade.

O massivo dicionário de Liddell-Scott-Jones-McKenzie[1] apresenta uma lista com mais de 200 títulos ou posições de poder, todas começando com o prefixo ἀρχ arch. Outra quantidade, também massiva de palavras, usa a mesma expressão como sufixo.

O uso normal dessas expressões fazia referência tanto às estruturas políticas, religiosas, financeiras, etc., quanto aos funcionários que trabalhavam nas mesmas e com os quais as pessoas tinham que lidar no dia-a-dia.

A influência helenista era tão imensa que mesmo na palestina judaica o governador do distrito de Jerusalém sob o governo de Antíoco IV Epifânio, era chamado de μεριδάρχην meridárchen — ver 1 Macabeus 10:65. O próprio Herodes, o Grande, dividiu seu reino entre seus filhos os quais eram chamados de τετρααρχοῦντος — tetraarchoûntos — tetrarca.

Não temos porque duvidar que Jesus e seus discípulos tinham bastante familiaridade com esses títulos, mesmo em suas formas gregas. Dizemos isso por causa das palavras cheias de sarcasmo proferidas por Jesus e registradas em Marcos 10:42 e Mateus 11:8 — os que exercem autoridade são os mesmos que habitam em palácios!

O fato que quase todos os usos das expressões ἀρχῆ archê — principados e ἄρχων árchonalguém em posição de autoridade que encontramos nos registros existentes antes da era cristã fazerem referências ao papel representado por algum ser humano no exercício de algum ofício deveria servir como um chamado de atenção para não usarmos esses termos como se, no Novo Testamento, os mesmos se referissem sempre a poderes demoníacos.

É curioso notarmos que nem Paulo ou qualquer outro autor do Novo Testamento se sente forçado a nos explicar o sentido em que utiliza tais termos. Cada autor de comentário que seja qualificado de fato para julgar tais usos no grego concorda com o seguinte: os autores bíblicos assumem um conteúdo para esses termos que é familiar aos leitores como parte das crenças que compunham o background da época. Tais crenças eram aceitas, de forma, praticamente universal.

É dentro desse universo da linguagem que as expressões ἀρχῆ archê — principados e ἄρχων árchonalguém em posição de autoridade são, de modo ocasional, usadas para designar poderes espirituais bons e maus. Originalmente, como mencionamos acima, esses termos eram usados para indicar seres humanos em posições de autoridades. Daí a transição para representar forças demoníacas parece algo natural na história dos acontecimentos. Como sabemos a concepção que os antigos tinham do κόσμος kósmos — mundo, não era de um planeta físico girando através de um espaço ao redor de um reator atômico chamado “sol”. Pelo contrário, eles entendiam que existiam uma unidade ou continuidade ininterrupta entre o céu e a terra onde seres espirituais se sentiam tão confortáveis em nosso planeta como os próprios seres humanos. Por esse motivo, não existe nenhum padrão distintivo no uso desses termos seja para seres humanos ou espirituais, com a exceção preponderante que os mesmos são usados, na maior parte das vezes, para se referir a seres humanos. O fato é que a linguagem do Novo Testamento é tão rica e complexa que torna impossível reduzir o uso desses termos a uma condição apenas. O que precisamos é de uma estrutura de interpretação que nos permita fazer justiça a essa forma “livre” utilizada pelos antigos que lhes permitia uma hora usar esses termos para se referir a seres humanos, outra hora para se referir a seres celestiais e em outros momentos, ainda, a estruturas de poder. E tudo isso sem a necessidade, em nenhum momento, de indicar, com clareza, o que eles estavam querendo realmente dizer.

No próximo estudo vamos analisar o uso da expressão ἐξουσίαexousía — autoridade.

LISTAS DOS ESTUDOS DE ENCONTROS DE PODER

001 — Introdução =

002 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = Expressões Diversas

003 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀρχῆ — arché e ἄρχων — árchon.

004 – A linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἐξουσίαις – exousías – potestades, autoridades.

005 – A linguagem de “Poder” no Novo Testamento = δυνάμεις — dunámeis — poderes.

006 – A linguagem de “Poder” no Novo Testamento = Θρόνοι— thrónoi — tronos.

007 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = κυριοτῆς — kuriotês — domínio.

008 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ὀνόματι — onómati — nome.

009 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἄγγελοs — ággelos — anjo.

010 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = δαιμονίον — daimoníon — demônioπνεῦμα τὸ πονηρὸν — pneûma tò poniròn — espírito malignoἀγγέλους τε τοὺς μὴ τηρήσαντας τὴν ἑαυτῶν ἀρχὴν— angélous te toùs me terèsantas tèn eautôn archèn — anjos, os que não guardaram o seu estado original ou anjos caídos.

011 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀγγέλους  τῶν ἐθνῶν — angélous tôn ethnôn — anjos das nações.

012 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀγγέλους  τῶν ἐθνῶν — angélous tôn ethnôn — anjos das nações — Parte 2.

013 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀγγέλους  τῶν ἐθνῶν — angélous tôn ethnôn — anjos das nações — Parte 3 — Final.

014 — A Evidência do Novo Testamento – Parte 1 — Introdução

015 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 2 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 2:6—8 — Parte 1

016 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 3 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 2:6—8 — Parte 2

017 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 3 — As Passagens Disputadas — Romanos 13:1—3

018 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 4 — As Passagens Disputadas — Romanos 8:31—39

019 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 5 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 15:24—27a — PARTE 1

020 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 6 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 15:24—27a — PARTE 2

021 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 7 — As Passagens Disputadas — Colossenses 3:13—15 — PARTE 1

022 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 8 — As Passagens Disputadas — Colossenses 3:13—15 — PARTE 2

023 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 9 — As Passagens Disputadas — Efésios 1:20—23 — AS REGIÕES CELESTIAIS — PARTE 1

024 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 10 — As Passagens Disputadas — Efésios 1:20—23 — AS REGIÕES CELESTIAIS — PARTE 2

025 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 11 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 3

026 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 12 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 4

027 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 13 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 5

028 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 14 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 6

029 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 15 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 7 — A DESTRUIÇÃO DA MORTE E DE SEUS ALIADOS

030 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 16 — As Passagens Disputadas — COLOSSENSES 1:16 — A CRIAÇÃO DE TODAS AS COISAS POR MEIO DE E PARA O PRÓPRIO CRISTO

031 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 16 — As Passagens Disputadas — COLOSSENSES 1:16 — TENTANDO DEFINIR OS PODERES

032 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 16 — As Passagens Disputadas — COLOSSENSES 1:16 — TENTANDO DEFINIR OS PODERES —PARTE 002

033 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 17 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 001

034 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 18 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 002

035 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 19 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 003

036 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 20 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 004

037 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 21 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 005

038 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 22 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 006

039 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 23 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 007

040 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 24 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 008

041 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 25 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 009

042 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 26 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 010

043 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 27 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 011 — O PRÍNCIPE DA POTESTADE DO AR
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Alexandros Meimaridis

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[1] Liddell, Henry George, Scott, Robert, Jones, Henry Stuart and McKenzie, Roderick, editors. A Greek–English Lexicon. Clarendon Press, Oxford, 1869.