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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

ENCONTRADO EM JERUSALÉM SELO DO REI EZEQUIAS

Photo

Nós já tivemos a oportunidade de afirmar muitas vezes a seguinte verdade: quem crê na Bíblia não precisa de nenhuma prova adicional de que a mesma É a Palavra do Deus vivo e verdadeiro.

Todavia, os ataques à Bíblia não cessam e quanto mais tempo passa, mais indivíduos vêm na possibilidade de contradizer as Escrituras, uma oportunidade de ganhar dinheiro vendendo seriados “históricos”, livros, artigos e outras coisas semelhantes.

No entanto para a desgraça e condenação absolutas dessas pessoas a arqueologia não para de descobrir elementos que confirmam a historicidade da Bíblia, e sua veracidade. Esse é o caso com a descoberta do chamado “Selo do rei Ezequias” descoberto em Jerusalém. Ezequias, é claro, era parte da longa lista de reis “lendários” assim denominados por esses verdadeiros otários dos quais apenas podemos sentar e rir deles por suas tolices.

O artigo abaixo foi publicado pelo site da Thomson Reuters.

Marca rara de selo do rei bíblico Ezequias é encontrada em Jerusalém

JERUSALÉM (Reuters) - Arqueólogos israelenses descobriram uma marca do selo do rei bíblico Ezequias, que ajudou a transformar Jerusalém em uma metrópole na antiguidade.

A inscrição circular em uma peça de argila de menos de um centímetro de comprimento pode muito bem ter sido feita pelo próprio rei, disse Eilat Mazar, da Universidade Hebraica de Jerusalém, que dirigiu a escavação onde a peça foi encontrada.

Ezequias reinou aproximadamente no ano 700 a.C. e foi descrito na Bíblia como um monarca ousado –"... de modo que não houve ninguém semelhante a ele, entre todos os reis de Judá, nem antes nem depois dele" (2 Reis, 18:5)– e que se dedicou a eliminar a idolatria em seu reino.

"Essa é a primeira vez que a impressão de um selo de um rei israelita ou da Judéia veio à luz em uma escavação arqueológica científica", afirmou Mazar.

A impressão na argila, conhecida como bula, foi descoberta junto ao pé da parte sul de um muro que cerca a Cidade Velha de Jerusalém, uma região rica em relíquias do período do primeiro dos dois templos judeus antigos.

O artefato estava enterrado em uma área de descarte de dejetos que remonta aos tempos de Ezequias, e provavelmente foi atirado de um edifício real adjacente, segundo Mazar, contendo escritos em hebreu antigo e o símbolo de um sol com duas asas.

A bula foi catalogada inicialmente e armazenada, juntamente com 33 outras, após uma primeira inspeção que não conseguiu detectar sua verdadeira identidade.

Só cinco anos mais tarde, quando um membro da equipe a examinou sob uma lupa e discerniu pontos entre algumas letras, é que seu significado ficou claro.

Os pontos ajudam a separar as palavras "Pertencente a Ezequias (filho de) Acaz, rei de Judá".

Mazar afirmou que a parte de trás da impressão na argila tem sinais de barbantes finos que eram usados para amarrar papiros.

"Sempre surge a pergunta 'quais são os fatos reais por trás das histórias bíblicas?'", disse. "Aqui temos a chance de chegar tão perto quanto possível da própria pessoa, do próprio rei".
Por Ari Rabinovitch

O artigo original poderá ser visto por meio do seguinte link:


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sábado, 11 de julho de 2015

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS — ESTUDO 004 - OS PERGAMINHOS



Codex Vaticanus - Manuscrito em forma de livro feito de pergaminho - páginas de couro

Essa é uma série estritamente acadêmica, mas não existe na mesma absolutamente nada que impeça a leitura por todas as pessoas. De fato queremos incentivar que todos possam ler esses artigos compartilhar os mesmos com todos os seus contatos, parentes e conhecidos.

CONTINUAÇÃO...

II OS PERGAMINHOS

A história dos pergaminhos – material feito do couro de animais diversos — é, provavelmente, a mais complicada de todos os materiais usados para se escrever. A explicação histórica, tanto acerca do material em si, como também do próprio nome procedem da História Natural de Plínio[1] que cita outro autor da antiguidade — Marco Terêncio Varrão — o qual conta uma história acerca de um rei do Egito — provavelmente Ptolomeu V — que embargou toda exportação de papiro para a cidade de Pérgamo na Ásia Menor — provavelmente durante o reinado de Eumenes III —, com o objetivo de impedir que a biblioteca daquela cidade pudesse rivalizar com a grande biblioteca em Alexandria. Os cidadãos de Pérgamo, desenvolveram então o pergaminho como material de escrita. O nome pergaminho, provavelmente é derivado da própria cidade de Pérgamo.

A dificuldade com essa história é que, de fato, materiais de escrita feitos de couro de animais já existiam muito antes de Pérgamo vir a existir como cidade.

O pergaminho deve, realmente, ser considerado como o resultado de um longo e gradual processo de desenvolvimento. O couro tem sido usado como material de escrita por, pelo menos, quatro mil anos. Do próprio Egisto nós temos um fragmento em couro de um rolo manuscrito que data da sexta dinastia – c. de 2300 a.C., que indica em seu texto o uso do couro como material de escrita datando de vários séculos antes desse próprio documento. Temos ainda um importante rolo de couro dos dias de Ramsés II, e um terceiro rolo ainda, que apesar de não podermos precisar sua data, é possível que o mesmo seja do tempo da invasão do Egito pelos Hicsos, que antecederam Ramsés por vários séculos.

Mas o couro em si, não é, tecnicamente, um pergaminho. O couro era preparado deixando o mesmo secar ao sol, mas o resultado final não era material muito apropriado para a escrita. Era pouco flexível, não aceitava bem as tintas e muito exemplares continuavam com pelos e suas raízes.

Já o pergaminho era um material bastante distinto, que exigia uma preparação laboriosa para torná-lo macio, e bastante flexível. Do modo ideal era necessário começar com a pele de um animal recém nascido, ou até mesmo, não nascido. Primeiro o couro era lavado e limpo, tanto quanto possível, de todos os pelos. Em seguida o mesmo era imergido numa solução de cal, estendido numa estrutura apropriada e raspado ainda outra vez. Essa raspagem era uma parte vital do processo. Se algum pedaço de carne ficasse grudado na pele, o mesmo apodreceria e faria com que a pele tivesse um mau cheiro insuportável. Depois o pedaço de couro era vergastado, coberto com giz, em seguida o mesmo era alisado com o uso de pedras pome e deixado para secar, enquanto ainda estava preso à estrutura que o esticava. Todos esses processos exigiam um grande esforço e o uso de materiais especiais, do que os utilizados na simples produção de couro curtido. Mas o resultado final de toda essa trabalheira era um material de escrita que continua a ser bastante valorizado até os nossos dias.

Certamente o papiro era o melhor material de escrita conhecido na Antiguidade. Era mais macio que o couro curtido e até mesmo que o papiro. Além disso, aceitava a escrita em suas duas faces. Sua maciez permitia escrever com grande rapidez e precisão sobre sua superfície. Não havia no uso do papiro nenhuma preocupação com as que existiam com relação ao uso do papiro. Além disso o mesmo era durável, e sua coloração clara servia para um excelente contraste entre o background e a tinta.

Com tudo isso, não estamos querendo dizer que o papiro era o material perfeito para a escrita. O mesmo era bem mais denso que o papiro, fazendo com que o volume escrito fosse sempre bem mais pesado. Além disso, suas páginas tinham a tendência de criar “orelhas”. Em cima de tudo isso o mesmo era extremamente caro quando comparado com outros materiais.

Como acontecia também com o papiro, também existiam diferenças nas faces duma folha de pergaminho. O lado da carne era sempre mais escuro que o lado dos pelos, mas aceitava melhor a tinta. A diferença de tonalidade fazia com que os escribas organizassem seus cadernos de tal maneira que duas folhas provindas dos pelos ficassem sempre uma de frente para a outra. O mesmo acontecia com o lado das folhas que procediam do lado da carne. Estudiosos acreditam que os gregos preferiam ter a página oriunda do lado da carne como a página esquerda, enquanto que os manuscritos romanos preferiam a página do lado dos pelos no lado esquerdo do caderno.

Outra desvantagem dos pergaminhos, da nossa própria perspectiva, é que os mesmo podiam ser apagados e utilizados novamente. Alguns consideram isso uma vantagem. A maciez e solidez do pergaminho permitiam que tinta, especialmente fresca, fosse facilmente removida. Tinta seca dava mais trabalho, mas também podia ser removida. Junte essa característica com o preço de um pergaminho novo e você terá ampla s razões para justificar o surgimento dos palimpsestos[2]. São muitos os preciosos volumes que fora destruídos por meio desse recurso, deixando a escrita original quase ilegível, ou até mesmo completamente ilegível. Por outro lado se tais pergaminhos não tivessem sido apagados e reescritos talvez não teríamos o material contido nos mesmos. Que pode dizer?

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COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 003 – MATERIAL DE ESCRITA ANTIGO — O PAPIRO — FINAL

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COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 013 – OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 005

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS — PARTE 014 — OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 006

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[1] Pliny, the old – Gaius Plinius Secundus. Natural History: A Selection — in Penguin Classics. Penguin Books, London, Reprint Edition 1993.
.   
[2] Palimpsesto — Manuscrito em pergaminho que, após ser raspado e polido, era novamente aproveitado para a escrita de outros textos — prática comum na Idade Média. Modernamente, a técnica tem permitido restaurar os caracteres primitivos. 

domingo, 7 de junho de 2015

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS — MATERIAIS DE ESCRITA - ESTUDO 003 - OS PAPIROS - FINAL



Papiro P86

Essa é uma série estritamente acadêmica, mas não existe na mesma absolutamente nada que impeça a leitura por todas as pessoas. De fato queremos incentivar que todos possam ler esses artigos compartilhar os mesmos com todos os seus contatos, parentes e conhecidos.

CONTINUAÇÃO...

O que se fazia com as folhas de papiro depois que estavam prontas, dependia do propósito para o qual as mesmas tinham sido produzidas. Folhas soltas de papiro eram, geralmente, vendidas para serem usadas para registros diversos, memorandos, treinamento de escrita e etc. Alguns argumentam que papiros de qualidade muito baixa eram usados apenas como “papeis” de embrulho. Mas nosso interesse está centrado em seu uso para produzir livros. Quando se trabalhava com papiro, o rolo era, sem sombra de dúvida, a melhor forma de usar tal material. As folhas individuais eram unidas pelas suas bordas. Plínio afirma que as melhores folhas eram geralmente colocadas no início do rolo. Não sabemos se o motivo de tal procedimento era porque as mesmas eram mais resistentes ou porque deixavam o rolo mais bonito e mais valioso na hora de comercializá-lo. Ainda de acordo com Plínio, o rolo padrão era composto de 20 folhas o que somadas se estendiam por cerca de 5 metros. Mas existiam papiros mais longos com certeza. Um desses casos é o papiro Harris I que está no Museu Britânico catalogado sob o número EA9999.61. Esse rolo tem quase 40 metros de comprimento.

Papyrus; Hieratic text. Published by Peet, Great Tomb Robberies (1930).
Papiro Harris I

Os rolos também permitiam uma série de curvas contínuas o que evitava colocar estresse em qualquer ponto do papiro. Um codex — montagem em forma de livro — precisava ter dobras firmes e bem definidas com relação a um conjunto de folhas simples ou no máximo duas. A dobra definida tornava-se num ponto de extrema fragilidade como é fácil deduzir. Até mesmo o papiro P66 que está quase intacto, apresenta muitos pontos quebrados em sua espinha. Até onde esse autor sabe, somente o papiro P5 possui porções escritas tanto da parte da frente quanto de verso de suas folhas dobradas. Mas a impressão que temos é que essas folhas não estavam unidas ou que as mesmas pertenciam a algum conjunto central de páginas.

 Papiro P66

Papiro P5

Todos os rolos eram produzidos de acordo com certos padrões desenvolvidos ao longo do tempo. Por exemplo: todas as tiras horizontais de uma determinada folha eram colocadas no mesmo lado do rolo, pois somente um dos lados apenas deveria receber a escrita, e era mais fácil escrever numa única direção. Abaixo temos uma reprodução do Papiro Rhind no qual podemos perceber, com certa clareza, as linhas entre as tiras retiradas da casca da planta. O Papiro Rhind que foi adquirido em 1858 por A. Henry Rhind, e é um papiro fragmentado de um documento egípcio que apresenta esboços de operações matemáticas. O mesmo foi escrito por um escriba de nome Ahmose e data, provavelmente, do período em que o país estava dominado pelos Hicsos. Com isso a idade provável do mesmo é de 3.700 anos. Alguns acreditam que o mesmo é uma cópia de algum documento ainda mais antigo que pertencia, originalmente, à XII Dinastia — de 1991 a 1782 a. C. Isso faz desse papiro um dos documentos matemáticos mais antigos em existência.


O consenso entre aqueles que escrevem acerca de papiros é que — com exceção dos papiros opistografos, ou seja, papiros escritos na frente e no verso da folha — o normal era escrever nos rolos apenas no lado da folha onde as tiras estavam colocadas na horizontal. Isso é verdadeiro para os papiros gregos, mas nos papiros egípcios era comum escrever-se dos dois lados. Outros papiros têm sido encontrados onde o resumo do conteúdo está escrito do lado de fora do rolo, enquanto o conteúdo está escrito na parte de dentro dos mesmos.

A maioria dos rolos eram montados de tal maneira que, as linhas de escrita eram paralelas ao maior comprimento do papiro. Com isso queremos dizer que: se ==== representa uma linha de texto, então um rolo típico teria a aparência que mostramos abaixo:

+---------------------------------------------+
| ===  ===  ===  ===  ===  ===  ===  ===  === |
| ===  ===  ===  ===  ===  ===  ===  ===  === |
| ===  ===  ===  ===  ===  ===  ===  ===  === |
| ===  ===  ===  ===  ===  ===  ===  ===  === | 
+---------------------------------------------+      

O historiador romano Suetónio, no entanto, alega que na Roma pré-imperial os documentos oficiais eram escritos conforme o formato a seguir.

+----------+
| ===  === |
| ===  === |
| ===  === |
| ===  === |
| ===  === |
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| ===  === |
| ===  === |
+----------+


Mas tal afirmação é difícil de ser confirmada porque não existem documentos disponíveis nesse formato. Pelo menos que sejam conhecidos.

Alguns são da opinião que no princípio da produção de papiros, os mesmos costumavam ter suas folhas costuradas umas nas outras. Mas isso causava mais prejuízos que benefícios. Os fabricantes de rolos e livros logo perceberam as vantagens de colar as folhas. Partindo de descrições antigas e de ilustrações disponíveis, parece que desde cedo se tornou prática comum enrolar os papiros em pedaços de madeiras. Figuras da Torá judaica sugerem que a mesma estava enrolada em dois pedaços de madeira. Infelizmente temos pouquíssimos exemplos dessas madeiras disponíveis para análise. Os títulos dos materiais contido no papiro eram, geralmente, escritos na própria madeira onde o rolo era colocado.

Papiro Oxy 208
Papiro altamente fragmentado

O maior problema com os papiros era sua fragilidade. A umidade era suficiente para destruí-los por completo. Esse é o motivo porque os papiros sobreviveram apenas no Egito ou em outras regiões desérticas, como o deserto próximo ao Mar Morto na Palestina. Mas se no tempo seco os mesmos estão protegidos da umidade, eles tendem a ficar quebradiços com o passar do tempo. Por isso, seria praticamente impossível fabricar um volume de papiro que se torna-se referência. Infelizmente o mesmo não duraria tanto tempo assim. Por outro lado, temos poucos, se de fato existirem, papiros que podem ser considerados palimpsestos — papiros ou qualquer outro material que foram apagados e depois reescritos por cima.

O papiro foi utilizado como material de escrita durante um período que se estendeu por 3.000 anos. Podemos afirma com toda certeza, que as primeiras produções cristãs escritas foram produzidas sobre esse tipo de material. Mas à medida que a igreja cresceu e passou a ter maior disponibilidade financeira a tendência foi passar a produzir os escritos cristãos em materiais mais duráveis como os pergaminhos, por exemplo. Nossas Bíblias grafadas em papiros e que continuam preservadas até hoje datam do século VIII d.C. Acredita-se que a produção de papiro para uso comercial teve seu fim por volta do século X d.C. Mesmo assim, a igreja romana continuou a usar papiros para seus registros e para as bulas papais até o século XI d.C. O último documento dessa natureza que tem sua data preservada foi produzido e assinado pelo papa Vitório II em 1057.[1]    

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[1] Deuel, Leo. Testaments of Time: The Serach for Lost Manuscripsts and Records. Alfred A. Knopf, New York, 1965.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS — ESTUDO 002




CONTINUAÇÃO...

A. O Papiro

A descrição mais antiga que temos de como o papiro era preparado como material de escrita é encontrada na História Natural escrita por Plínio. Segundo Plínio: “O papiro — como material de escrita — é produzido a partir da planta do papiro partindo-se a casca do caniço com uma agulha em finas tiras. O único cuidado necessário nesse processo é o de tentar fazer com que as tiras sejam as mais largas possíveis. O material de melhor qualidade vem do centro do caniço, com o material mais distante do centro tendo uma qualidade inferior. As tiras são então colocadas sobre uma mesa e umedecidas com água retirada do rio Nilo, que quando a mesma esta lamacenta serve como uma espécie de cola. As tiras são então colocadas perfiladas na vertical pelo comprimento das mesmas, sobre a mesa, e cortadas para que fiquem todas de um mesmo tamanho. Por sobre essa camada de tiras outra camada é colocada, dessa vez na horizontal. Essas também são aparadas para que fiquem todas do mesmo tamanho. Esse conjunto de tiras sofre então uma forte pressão e depois é colocada no sol para secar”.

Existe na afirmação acima uma parte questionável já que não temos nenhuma evidência de que a água do rio Nilo poderia ser usada da forma como foi descrita por Plínio, apesar de que certo material coletado do rio Nilo podia servir mesmo como uma espécie de cola. Independentemente disso, a descrição básica está correta. As tiras eram cortadas, colocadas lado a lado, e recebiam uma nova camada de tiras na direção oposta. As duas camadas recebiam algum tipo de cola, eram prensadas uma contra a outra e colocadas no sol para secar.
As “folhas” de papiro vinham em todo tipo de tamanhos. Tudo dependia do tamanho do caniço que podia ser aproveitado para e execução da tarefa. Os maiores papiros conhecidos medem cerca de 66 centímetros de largura, mas o tamanho mais comum é a metade disso, ou seja, 33 centímetro. Não é incomum encontrar-se pedaços pequenos de papiro, do tamanho de um cartão de crédito que resultavam de sobras ou da apara de alguma aresta.

O papiro de melhor qualidade era o que podia ser cortado numa camada, a mais fina possível, de tal maneira que, depois de ter a água retirada por vário métodos de pressão, o produto final era flexível e até mesmo translúcido, como se fosse uma folha moderna de papel de boa qualidade, apesar de não poder ser dobrado com a mesma facilidade.
A planta de papiro é uma espécie de cana, alta e com uma espécie de “penacho” no topo composto por folhas e pequenas flores. A mesma cresce dentro da água em regiões alagadiças. A altura que a cana pode atingir depende da espécie e das condições ambientais, mas geralmente as mesmas costumam ser bem altas.

Uma apresentação moderna em espanhol de como os papiros eram fabricados poderá ser vista por meio de um vídeo pelo link abaixo:


CONTINUA...
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domingo, 5 de abril de 2015

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS — ESTUDO 001


Edição moderna do Novo Testamento impressa em papel e encadernada

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Introdução

Um dos maiores problemas que enfrentamos na exposição bíblica surge da percepção de quão pouco, realmente, a vasta maioria da s pessoas — sejam crentes ou não — entendem o Novo Testamento, no que diz respeito a como ele foi produzido e como chegou até nós. O intuito dessa série, quase enciclopédica é tentar dar um basta no besteirol existente ao redor desse assunto, trazendo para a luz os fatos realmente importantes de como os manuscritos do Novo Testamento foram produzidos, compilados e preservados até a invenção da imprensa, o que será objeto de outras partes dessa série.

Hoje queremos começar com as informações mais básicas, envolvendo os materiais que eram utilizados para se escrever nos dias em que o Novo Testamento começou a ser escrito.

I. Materiais de Escrita no Mundo Antigo Nos dias do Novo Testamento

Planta de Papiro




Pequeno Rolo de Pergaminho - feito de couro  - pronto para ser escrito

Todos os manuscritos bíblicos, com algumas pequenas exceções compostas por versículos escritos em amuletos ou potes de barro, foram grafados nos seguintes materiais: papiros, pergaminhos e papel. Cada uma desses materiais tinha suas próprias vantagens e desvantagens. Os pergaminhos — produzidos a partir de peles de animais — eram de longe os mais duradouros, mas eram também muito mais caros, e era uma dificuldade enorme conseguir uma série de páginas que tivessem as mesmas medidas e a mesma tonalidade.

Folha de papiro pronta para ser manuscrita

Já os papiros, por sua vez, eram bem mais baratos, mas se desgastavam com grande facilidade. Uma vez que os papiros eram extremamente sensíveis à umidade os mesmos eram facilmente destruídos em ambientes úmidos. Uma única exceção são os papiros que continuam sendo descobertos no Egito — lugar onde a umidade é muito baixa — mas mesmo esses estão sendo descobertos e recuperados muito danificados pelo tempo.

Papel feito de tecido que permitia receber tintas coloridas - c. 1200 d.C

Quanto ao papel, o mesmo não se tornou disponível até recentemente, e apesar do mesmo ser mais barato que o pergaminho quando as indústrias de fabricação de papel foram estabelecidas, o investimento era enorme o que fazia que existissem bem poucas fábricas de papel, que naqueles dias, diga-se de passagem produziam o chamado “papel” de retalhos de tecido. Sendo assim os primeiros papeis não eram baratos, quando comparados com o custo moderno quando o papel é feito de polpa de madeira.

A seguir discutiremos com maior profundidade a produção e o uso de papiros.

CONTINUA...

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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

MÁSCARA EGÍPCIA FEITA DE PAPIRO GUARDAVA FRAGMENTO DE UMA CÓPIA DO EVANGELHO DE MARCOS


A MÁSCARA CONTINHA FRAGMENTOS DE UM PAPIRO ANTIGO

O material abaixo foi publicado pela revista Galileu.

Cientistas encontram cópia mais antiga do Evangelho em uma múmia egípcia

Um grupo de cientistas encontrou a cópia mais antiga do Evangelho em um papiro reutilizado para construir a máscara de uma múmia egípcia, revelou à Agência Efe Craig Evans, doutor em Estudos Bíblicos e um dos responsáveis pela descoberta.

Trata-se de um fragmento do Evangelho de São Marcos, localizado há três anos e que, agora, especialistas consideram como o primeiro manuscrito do Novo Testamento da Bíblia de que se tem conhecimento.

Os cientistas acham que a origem do papiro remonta ao primeiro século de nossa era, entre o ano 80 e 90 d.C., o que representa uma grande novidade. Até então, as cópias mais antigas datavam do século II depois de Cristo.

Os especialistas acreditam que alguém escreveu o fragmento de texto no papiro e, depois, outras pessoas reciclaram o material, muito caro na época, para elaborar a máscara funerária.

As máscaras de papel eram utilizadas pelas pessoas pobres do Egito, não tendo relação com as feitas em ouro e joias para cobrir os rostos dos grandes faraós, explicou Evans.

Acredita-se que São Marcos escreveu seu evangelho em Roma, acompanhado de São Pedro. Mas como a cópia viajou da atual capital italiana ao Egito? O caminho não é assim tão longo, garante o pesquisador.

"No Império Romano, o correio tinha a mesma velocidade de hoje em dia. Uma carta escrita em Roma pode ser lida no Egito semanas depois. Marcos escreveu seu evangelho no final dos anos 60 d.C, portanto, era possível encontrar uma cópia no Egito 20 anos depois", defende.

Para determinar a data dos papiros, os cientistas usaram uma técnica que permite descolar o papel das máscaras sem danificar a tinta. Dessa forma, os textos podem ser lidos com a mesma clareza.

Esse evangelho é uma das centenas de documentos que estão sendo analisados pela equipe de Evans, composta por mais de 30 especialistas.

"Estamos recuperando antigos documentos do primeiro, do segundo e do terceiro século depois de Cristo. Não só documentos bíblicos, mas também textos gregos clássicos ou cartas pessoais", explicou Evans, que revelou que alguns deles pertencem do poeta grego Homero, autor de grandes obras clássicas como "Ilíada" e "Odisseia".

No caso do fragmento do evangelho de São Marcos, foram analisadas também o design do projeto e as decorações da máscara, assim como o estilo da escrita e a datação do material, através do uso do isótopo carbono-14.

No final do ano, as descobertas serão divulgadas em uma revista especializada. Só então o público conhecerá qual o trecho do evangelho de São Marcos está escondido nos papiros da máscara egípcia.

A reportagem original da revista GalileuI, poderá ser vista por meio desse link aqui:


NOSSO COMENTÁRIO

Ficamos verdadeiramente penalizado por todos esses que fendem que os manuscritos dos livros do Novo Testamento foram inventados pela Igreja Católica Apostólica Romana por volta do século IV d.C.

Essa pessoa agora terão que lidar com um fragmento do evangelho de Marcos produzido entre os anos 80 a 90 d.C.

Que Deus abençoe a todos

Alexandros Meimaridis

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quarta-feira, 16 de abril de 2014

MAIS UMA MENTIRA ACERCA DE JESUS



Karen King examina o fragmento: análise não prova que Cristo era casado
Karen King examina o fragmento: análise não prova que Cristo era casado

Quantas são as mentiras assacadas contra o Senhor Jesus Cristo. Creio que devem passar dos milhares. Normalmente são anunciadas em letras grandes, apenas para depois serem desmentidas em letras bem pequenininhas que ninguém conseguirá encontrar mesmo. Então a lembrança da mentira é a que fica.

Um caso não muito velho foi a sensacional “descoberta” da urna mortuária da família de Jesus, com direito a um documentário do National Geographic dirigido por James Cameron — Titanic, a série O Exterminador do Futuro — que não demorou muito para ser denunciada como uma fraude e frustrou a expectativa de todos de faturarem com um filme de longa metragem abordando o tema.

O mesmo acontece agora com uma notícia divulgada pela agência France Press e publicada pelo Correio Braziliense acerca de uma fantasiosa referência feita por Jesus com relação a uma suposta esposa que o Senhor tinha. Quanta bobagem e quanto tempo perdido. Mas, assim mesmo, segue a notícia conforme publicada no jornal de Brasília.

Análises apontam que papiro que fala da esposa de Jesus não é falso.

Acredita-se que o fragmento seja proveniente do Egito e contém escritos que afirmam: "Jesus disse-lhes: 'Minha esposa...'"


Washington - Um pedaço de papiro antigo que contém uma menção à esposa de Jesus não é uma falsificação, de acordo com uma análise científica do controverso texto, declararam nesta quinta-feira (10/4) pesquisadores americanos.

Acredita-se que o fragmento seja proveniente do Egito e contém escritos na língua copta, que afirmam: "Jesus disse-lhes: 'Minha esposa...'". Outra parte diz ainda: "Ela poderá ser minha discípula".
A descoberta do papiro, em 2012, provocou um rebuliço. Pelo fato de a tradição cristã afirmar que Jesus não era casado, o documento atiçou os debates sobre o celibato e o papel das mulheres na Igreja. O jornal do Vaticano declarou que o papiro era uma farsa, juntamente com outros estudiosos, que duvidaram de sua autenticidade baseados em sua gramática pobre, texto borrado e origem incerta.

Nunca antes um evangelho se referiu a Jesus como casado, ou tendo mulheres como discípulos. Mas uma nova análise científica do papiro e da tinta, bem como da escrita e da gramática, mostrou que o documento é antigo. "Nenhuma evidência de fabricação moderna ('falsificação') foi encontrada", declarou a Harvard Divinity School em um comunicado.

O fragmento provavelmente remonta a uma data entre os séculos VI e IX, mas poderia ter sido escrito até mesmo no segundo século da Era Comum, segundo os resultados do estudo publicados na Harvard Theological Review.

A datação por radiocarbono do papiro e uma análise da tinta utilizando espectroscopia Micro-Raman foram realizadas por especialistas da Universidade de Columbia, da Universidade de Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

"A equipe concluiu que a composição química do papiro e os padrões de oxidação são consistentes com papiros antigos, ao comparar o fragmento do Evangelho da Esposa de Jesus (Gospel of Jesus' Wife - GJW, em inglês) com um fragmento do Evangelho de João", declarou o estudo.

"O teste atual suporta, assim, a conclusão de que o papiro e a tinta do GJW são antigos", esclareceu.

Origem desconhecida

A origem do papiro é desconhecida. Karen King, historiadora da Harvard Divinity School, o recebeu de um colecionador - que pediu para permanecer anônimo - em 2012.

King, uma historiadora do cristianismo primitivo, declarou que a ciência mostrar que o papiro é antigo não prova que Jesus era casado.

"A questão principal do fragmento é afirmar que as mulheres que são mães e esposas podem ser discípulas de Jesus — um tema que foi muito debatido no início do cristianismo, num momento em que a virgindade celibatária se tornou cada vez mais valorizada", explicou King em um comunicado.

"Este fragmento do evangelho fornece uma razão para reconsiderar o que pensávamos que sabíamos, ao se perguntar o papel que as declarações sobre o estado civil de Jesus desempenharam historicamente nas controvérsias cristãs sobre casamento, celibato e família".

O fragmento mede quatro por oito centímetros.
Pedaço de papiro traz a inscrição: “Jesus disse a eles, minha esposa” (Foto: Karen L. King/Harvard/Divulgação)

King declarou que a data do documento — escrito séculos depois da morte de Jesus — significa que o autor não conhecia Jesus pessoalmente. Sua aparência bruta e os erros gramaticais sugerem que o escritor tinha apenas uma educação elementar, acrescentou.

Leo Depuydt, professor de Egiptologia da Universidade Brown, escreveu um artigo, também publicado na Harvard Theological Review, descrevendo por que acredita que o documento é falso. "O fragmento do papiro parece perfeito para um esquete do Monty Python" (famoso grupo de comediantes britânicos), declarou. Ele apontou erros gramaticais e o fato de as palavras "minha esposa" parecerem ter sido enfatizadas em negrito, o que não é utilizado em outros textos coptas antigos.

"Como um estudante de copta convencido de que o fragmento é uma criação moderna, sou incapaz de fugir à impressão de que existe algo quase engraçado no uso das letras em negrito", escreveu.
King publicou uma refutação às críticas de Depuydt, dizendo que o fato de a tinta estar borrada era comum e que as letras abaixo de "minha esposa" eram ainda mais escuras.

O artigo original publicado pelo Correio Braziliense poderá ser visto por meio desse link aqui:


NOSSO COMENTÁRIO.

Para nós são suficientes as palavras da própria Dra. King da Universidade de Harvard, que: apesar do documento ser antigo, não quer dizer que a afirmação seja verdadeira. E não é mesmo. Trata-se de mais uma invencionice, provavelmente gnóstica de gente que escrevia porque queria aparecer, como é o caso do mais do que falso “Testamento de Judas”, um livro escrito 400 anos depois dos acontecimentos que pretende narrar como testemunha ocular.

O papiro agora revelado foi escrito entre os séculos VI e IX a.D., mas pode ser mais antigo. Esse “pode” não passa de pura especulação de quem quer, provavelmente, faturar com o mesmo.

Bem, temos certeza que do mesmo jeito que a notícia surgiu em forma de estardalhaço, a mesma de seu “sepultamento” colocado em alguma nota bem próxima do rodapé de uma página par do jornal, com a seguinte afirmação: “Documento que fala da esposa de Jesus provado falso”.

E vai ficar tudo por isso mesmo.

Grande abraço e que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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