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segunda-feira, 21 de agosto de 2017

ARQUEOLOGIA E AS DESCOBERTAS EM ZEUGMA



O artigo abaixo foi publicado no site do blog 247 e é da autoria de Luis Pelegrini.

ZEUGMA DOS MOSAICOS. NOVAS DESCOBERTAS NA “POMPEIA TURCA”

No início dos anos 2000, durante as obras de construção da barragem da usina hidrelétrica de Birecik, no sul da Turquia, foram encontradas as ruínas da cidade greco-romana de Zeugma, fundada no século 3 antes de Cristo. Chamados às pressas, os arqueólogos ficaram estupefatos: ante os seus olhos apareceu um dos maiores e mais bem preservados conjuntos de mosaicos greco-romanos de todos os tempos. Superfícies de pisos e paredes inteiramente recobertas por mosaicos feitos com peças de pedras e vidros coloridos com motivos, figuras mitológicas e personagens daquela época, bem como cenas da literatura e do teatro. Há pouco, novas descobertas confirmaram a riqueza do patrimônio artístico de Zeugma.

Por: Luis Pellegrini

Zeugma, às margens do rio Eufrates, revela a enorme influência da arquitetura, da estética e da mitologia gregas na cultura romana, que dominava a região na época em que os mosaicos foram produzidos, por volta do Século 1 depois de Cristo. A antiga cidade de Zeugma, também conhecida como Seleukia-do-Eufrates foi fundada em 300 a.C. por Seleuco – um dos generais de Alexandre, o Grande – que nomeou a cidade em homenagem a si próprio. Em 64 a.C. a cidade foi conquistada pelo Império Romano e teve o seu nome mudado para Zeugma.


Junto à alegria e a admiração despertadas pela grande descoberta, ela também fez com que os arqueólogos fossem tomados por uma grande angústia. Os mosaicos encontram-se a aproximadamente 500 metros do leito do rio e, com a construção da barragem, toda aquela imensa área seria completamente alagada pelas águas do Eufrates, cujo nível, como estava previsto, subiria cerca de 10 centímetros por dia por um período de 6 meses, até que a represa estivesse cheia. Havia total urgência para salvar tudo aquilo que fosse possível, e os trabalhos dos arqueólogos começaram quase que imediatamente.

Uma equipe internacional de arqueólogos liderada pelo professor Kutalmis Gorkay, da Universidade de Ancara, passou a atuar nas escavações nas encostas que ladeiam o rio. E, a cada dia, mais aumentava o estupor: grupos de mosaicos, em ótimo estado de conservação, surgiam em toda a parte, já que naqueles tempos eram utilizados como revestimento de luxo do piso de casas de representantes da elite local, muito provavelmente patrícios romanos (proprietários de terras, comerciantes e proprietários de escravos) que controlavam as magistraturas da política romana em suas colônias.


As escavações descobriram casas, edifícios públicos e praças de mercado, todas decoradas com maravilhosos mosaicos. Foi decidida então a construção de um museu para abrigar, preservar e exibir as peças encontradas. Assim, em 9 de setembro de 2011 foi aberto ao público o Museu de Mosaicos de Zeugma. O museu possui mais de 8 mil metros quadrados com várias salas de exposição e de conferências entre outras instalações. Suas dimensões e a riqueza da coleção que ele abriga superaram as do Museu Nacional Bardo, em Tunis, até então considerado o maior museu de mosaicos do mundo.

As escavações prosseguem até os dias de hoje, ainda lideradas pelo professor Kutalmis Görkay. Como imagens falam muito mais que palavras, oferecemos abaixo uma galeria de fotos de Zeugma e de alguns dos mosaicos nela encontrados. No final, um vídeo documenta a memorável e bem mais recente descoberta da “Casa das Musas”. Realizada por arqueólogos franceses e turcos, os tesouros nela contidos são realmente de tirar o fôlego.



Galeria de imagens


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Realizados há dois mil anos e ainda quase intactos, os mosaicos de Zeugma continuam sendo descobertos pelos arqueólogos.


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Mosaicos muito ricos, como o da foto, decoravam as casas dos moradores mais abastados de Zeugma. A maior parte das figuras retratadas são de deuses e heróis da mitologia greco-romana.

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“Esses mosaicos eram produzidos pela imaginação dos donos da casa. Eles não eram simplesmente retirados de um catálogo de amostras”, explica o arqueólogo chefe professor Kutalmis Gorkay.


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Cada conjunto de mosaicos era pensado para passar um recado específico ao observador. Por exemplo, se o dono da casa fosse um tipo intelectual, seus mosaicos seriam do tipo daqueles encontrados na Casa das Três Musas.

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A comunidade internacional dos arqueólogos foi fortemente motivada a colaborar com as escavações quando soube que a área de Zeugma seria inundada pela construção de uma represa.


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Parte de mosaico após trabalho de restauro no museu de Zeugma.


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Os gregos deram à cidade o nome de Seleucia, quando ela foi fundada no século 3 antes a. C.


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O Império Romano conquistou a cidade em 64 d.C., mudando o seu nome para Zeugma (que significa “ponte” ou “travessia” em grego).


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Os romanos dominaram a cidade até o ano 253 d. C., quando ela foi tomada pelos persas da dinastia dos sassânidas.


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Representação de Oceanus e Tethys, duas divindades marítimas greco-romanas.


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Representação de Posseidon, o deus grego do mar, brandindo o seu tridente e conduzindo o seu carro.


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Detalhe de mosaico guardado no museu de Zeugma.


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Esta é uma representação de Tália, a musa grega da poesia.

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Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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quarta-feira, 12 de julho de 2017

SÉRIE “3%” DO NETFLIX E A ILUSÃO DA MERITOCRACIA



Uma mentira muito em voga em nossos dias tem a ver com a chamada meritocracia. Nessa ideologia se defende que qualquer indivíduo pode prosperar em sua vida, em todos os aspectos, se tiver mérito para isso. De fato, tal prosperidade é automática para os que têm o mérito necessário. Todavia, tal ensinamento afronta o que é ensinado pelas escrituras sagradas. Se é por mérito, então não pode ser pela graça de Deus. Refletindo sobre isso, o apóstolo Paulo nos diz o seguinte:

Romanos 11:6

E, se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça.

O artigo a seguir é de autoria do Professor e Doutor Wilson Roberto Vieira Ferreira e analisa a nova série brasileira do NETFLIX, chamada “3%”, que retrata o Brasil atual de maneira surpreendente. A temática da meritocracia é a base para série, que inclui também ideias de golpes, corrupção e ambição. Todas essas coisas são apenas humanas e chamam nossa atenção para o vazio e a apatia experimentada pela maioria das pessoas. Como diria o Eclesiastes: Tudo é vaidade e correr atrás do vento.

Série brasileira "3%" é o "Black Mirror" do Brasil atual
Wilson Roberto Vieira Ferreira


Enquanto a crítica especializada estrangeira é só elogios à série brasileira “3%” (2016-), no Brasil a crítica torce o nariz. Complexo de vira-latas? Mais do que isso. A aposta da Netflix em uma produção sci-fi em língua portuguesa reafirma o interesse estratégico da plataforma de streaming no mercado brasileiro, ameaçando o mainstream da Globo e do negócio da TV aberta. Mas há algo além: enquanto a crítica brasileira tenta enquadrar a série no cânone das distopias “teens” como “Jogos Vorazes” e “Divergente”, “3%” fez mais do que isso, confundindo a todos – ao invés das tradicionais distopias hollywoodianas, a série apresenta uma desconcertante “hipo-utopia”: um espelho sombrio do Brasil atual apontado para o futuro. Uma alegoria política na qual a meritocracia transforma-se em religião, única esperança em um País transformado em um deserto rochoso com centros urbanos dominados pela desigualdade, miséria e violência. E um processo seletivo criado pela elite é a miragem de ascensão social na direção de uma terra supostamente utópica e longe do deserto brasileiro, na qual apenas 3% chegarão.

Com segunda temporada já em produção, a primeira série brasileira produzida para a plataforma de streaming Netflix gerou um fenômeno que muitos chamam de “complexo de vira-latas”.

Enquanto a série 3% (2016-) é elogiada pela crítica especializada estrangeira (aprovação de 7,8 no IMDB, elogios do indieWIRE, um dos sites de cinema mais respeitados do mundo, além de elogios rasgados de Henry Jenkins, um dos maiores pesquisadores em mídia), aqui no Brasil é descartada como produto abaixo da qualidade das outras séries Netflix. Uma espécie de "Jogos Vorazes piorado", série com “ideia atrasada”, “série nacional que constrange” e assim por diante. 

Uma flagrante má vontade que não percebe que o argumento da produção surgiu em uma websérie com três episódios lançada em 2011 criada por Pedro Aguillera, Jotagá Crema e Dani Libardi – portanto, antes dos primeiros Jogos Vorazes.

Enquanto a crítica estrangeira vê a série 3% como bem vinda e considera um "novo olhar sul americano para a ficção científica", gênero que sempre teve o monopólio norte-americano, aqui no Brasil os críticos limitam-se a dizer que a série “não entrega o que promete”.


Por que essas reações tão desiguais? Esse humilde blogueiro acredita que a questão vai além do “complexo de vira-latas”. Os críticos nacionais parecem se prender aos cânones hollywoodianos do gênero (reality shows ou games mortais em sociedades distópicas com muitos efeitos especiais e altíssima tecnologia) e passam a acreditar que uma série como 3% tenta imitar os congêneres da Netflix – por isso acham que a série não entregou o que prometeu.

A aposta da Netflix

Mas esse argumento “vira-lata” é apenas um álibi: a motivação está em outra cena. A série 3% dá um importante passo para a produção audiovisual nacional. A opção da Netflix em apostar em uma produção inteira em língua portuguesa, com atores e produção nacionais fora do circuito da Globo e Globo Filmes reafirma o interesse estratégico da plataforma de streaming no Brasil.

Não é à toa que as críticas mais ácidas partiram do portal G1 da Globo – o grupo sabe que os dias da TV aberta (pelo menos no modelo atual de venda de espaço publicitário) está com seus dias contados diante dos interesses de gigantes como Google, Facebook e a própria Netflix no mercado brasileiro.

Mas há algo mais incômodo para uma parte dos críticos brasileiros: o fato da série 3% ser estranha e difícil de ser enquadrada no gênero “distopia”, como Jogos Vorazes ou Divergente. Ela está mais próxima da estranheza da série inglesa Black Mirror.


Isso porque, como veremos, 3% enquadra-se numa tendência chamada pelos estudiosos de cinema e audiovisual de “ficção científica do Sul” – filmes latino-americanos, de países periféricos à Zona do Euro ou originados nos BRICs cujas produções mostram um futuro que não é figurado nem pelo olhar distópico e muito menos pelo utópico: o futuro é mostrado pelo desconcertante ponto de vista da hipo-utopia. Alta tecnologia convivendo com favelas, deterioração urbana, precarização do trabalho e muito lixo que acaba se confundindo com os próprios seres humanos – sobre o conceito de “hipo-utopia” e “ficção científica do Sul” clique aqui:


A série nacional 3% incomoda porque projeta no futuro de forma hiperbólica e expressionista as mazelas que já estão no presente, no Brasil atual – o momento em que a meritocracia se transforma em religião em contextos de extrema desigualdade, miséria e injustiças. E como pessoas que não têm qualquer outra alternativa se submetem à humilhação e resignação tentando acreditar em um sistema supostamente justo, no qual “você faz o seu próprio mérito”.

A Série

No primeiro episódio é apresentada toda a mitologia que domina aquele mundo futuro. Nos créditos de abertura vemos um mapa brasileiro com o recorte do litoral do Pará. Uma seta sai da região amazônica até chegar a um ponto distante no alto mar brasileiro – uma localidade chamada Maralto.

A região da Amazônia (e pressupõe-se que todo o País) se transformou em um gigantesco deserto rochoso, com grandes áreas urbanas deterioradas, miseráveis e violentas. As ruas não passam de perigosas vielas nas quais vemos homens, mulheres e crianças maltrapilhas se arrastando em lugar escasso de recursos.

Aos 20 anos de idade, todo cidadão recebe a chance de se inscrever no chamado Processo: um rigoroso processo seletivo que consiste principalmente de provas cognitivas, morais e psicológicas que oferece somente a 3% dos aprovados a oportunidade de ascender ao Maralto, região onde as oportunidades de vida são supostamente justas e abundantes.


A mitologia que envolve o Processo diz que um “Casal Fundador” criou Maralto, uma sociedade utópica que se perpetua através da meritocracia na qual uma elite desfruta de uma ordem onde todos os problemas ambientais e sociais foram resolvidos por meio de altíssima tecnologia.

Mas entre os 97% condenados à miséria no Continente, cresce um movimento denominado “A Causa”, grupo revolucionário que denuncia a injustiça de todo o sistema. Seu objetivo é infiltrar militantes da Causa no Processo para sabotá-lo.

Ainda nessa primeira temporada não fica claro o plano da causa – se a sabotagem é apenas uma vingança pelas mortes e injustiças cometidas nas várias edições do Processo ou há um projeto político maior.

Muito além das distopias “teens”

O interessante (e inovador) na série 3% é que o Processo vai muito mais além das distopias teens como Jogos Vorazes ou Divergente. Tem muito mais a ver com os processos seletivos corporativos atuais – por isso, todo gestor de RH deveria assistir a essa série.

Pressões psicológicas, salas e corredores claustrofóbicos, dilemas ou escolhas impossíveis marcam os testes em ambientes cleans, de simplicidade asséptica em branco, cinza e azul, lembrando bastante outro filme brasileiro hipo-utópico: 1,99 – Um Supermercado que Vende Palavras (2001) de Marcelo Mazagão (sobre o filme, clique aqui:


Que a má vontade da crítica brasileira qualificou, como “produção pobre” fora do padrão Netflix.

O chefe do Processo, Ezequiel (João Miguel), observa a todos através de dezenas de câmeras como uma espécie de reality show, avaliando, ao lado de psicólogos, reações, atitudes e comportamentos – principalmente a capacidade de resignação, resiliência e a fé cega no ideário meritocrático que legitima todas as provas.


A chave crítica de 3% em relação à injustiça de todo o Processo está na observação de uma das protagonistas, Michele (Bianca Comparato), ao ver como candidatos tentam ludibriar testes, enganar concorrentes ou corromper as provas. Para Michele, as pessoas não são más. Na verdade o propósito do Processo é criar situações absurdas (humilhação, dilemas impossíveis, medo etc.) para extrair de cada um o pior da natureza humana.

Na verdade, os 3% que restam não são os “melhores” – são aqueles que conseguiram esconder melhor o pior que habita dentro de todos nós.

Se o papel da sociedade é criar dispositivos éticos e morais que “sublimem” essa “sombra” psíquica, ao contrário o Processo atiça o pior da nossa natureza para premiar aqueles que melhor disfarçaram o Mal.

Essa visão acerca da natureza do Mal coincide com a própria filosofia gnóstica: o Mal não está na natureza humana, mas no Demiurgo que cria um cosmos que se alimenta dessa sombra psíquica humana ao criar os absurdos dilemas impostos ao homem. Na literatura, O Processo de Franz Kafka é um dos exemplos descritivos do absurdo que aprisiona o homem no interior de armadilhas propositalmente criada por um Demiurgo que não nos ama.

O Mal não está no homem mas na criação (do Demiurgo)


Um espelho do presente

O incômodo da série brasileira, que parece ter calado fundo nos críticos da mídia corporativa, é que o mundo de 3%  parece estar muito mais no presente do que no futuro.

Enquanto os candidatos acreditam cegamente nos mantras da meritocracia (que Ezequiel recita a cada discurso de parabéns aos candidatos sobreviventes), na cúpula que envolve o comando do Processo e o Conselho do Maralto há uma trama envolvendo golpes, corrupção e ambição – o inimigo político de Ezequiel, Matheus (Sérgio Mamberti) trama um golpe para retirá-lo do comando através da sua espiã Aline (Viviane Porto) que a todo custo procura deficiências comprometedoras na gestão de Ezequiel.

Enquanto isso, entre as vielas miseráveis do Continente, a Meritocracia virou uma religião e o Casal Fundador de Maralto ganhou status de Messias que virá um dia salvá-los – vemos espécies de Pastores fazendo pregações para pessoas desesperançadas ao melhor estilo das atuais igrejas evangélicas.

Assim como Distrito 9 (metáfora em ficção científica do apartheid racial da África do Sul), 3% partilha da mesma hipo-utopia: Continente e Maralto são projeções em hipérbole do Brasil atual. Enquanto a elite política-judicial-midiática se engalfinha numa guerra fratricida, no andar de baixo a massa de desempregados e pobres crê na ascensão social pelo mérito e na justiça dos processos seletivos corporativos.

Acredito que a maior perplexidade dos críticos de cinema desses tristes trópicos foi perceber que 3% contrariou aquilo que esperavam: ao invés de algum tipo de “Jogos Vorazes” tupiniquim, viram um “Black Mirror” do Brasil atual.

O trailer oficial da série poderá ser visto por meio do link abaixo:


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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domingo, 26 de março de 2017

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 014 — A HISTÓRIA — A BUSCA PELO JESUS HISTÓRICO — PARTE 004


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Esse é um estudo especial que irá abordar temas de grande interesse, tais como: 1. Deus 2. Os seres humanos e o mundo criado 3. Jesus e Sua missão como o CRISTO. 4. O Espírito Santo. 5. A vida cristã. 6. A Igreja. 7. O futuro e etc. Esperamos que a mesma possa ajudar todos os nossos leitores a conhecerem melhor o que o Novo Testamento ensina acerca de tudo o que nos é importante.

INTRODUÇÃO GERAL

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO E A HISTÓRIA

A BUSCA PELO JESUS HISTÓRICO — O FIM DA VELHA ESCOLA — PARTE 004

c. DIVERSIDADE DENTRO DO MOVIMENTO DA VELHA ESCOLA DA BUSCA PELO JESUS HISTÓRICO

De acordo com o estudioso Karl Adams em sua obra The Christ of Faith[1] depois dos ensinamentos de Strauss — ver estudo anterior na lista abaixo — nós podemos observar o surgimento de três tipos diferentes de abordagens quanto à busca pelo Jesus Histórico pela velha escola:

1. A abordagem mitológica.

2. A abordagem representada pelas chamadas vidas liberais de Jesus.

3. A abordagem escatológica.

Apesar do próprio Strauss ter abandonando a abordagem mitológica na segunda edição de sua obra em 1864, a mesma ainda continuou como uma abordagem básica para a velha escola da busca pelo Jesus histórico. Isso foi possível devido à continuada influência da ideia representada pelo filósofo Hegel que defendia o conceito que a força criativa seminal da história não estava centrada em qualquer personagem histórico, e sim em ideias. Desse modo, o cristianismo não é o resultado da vida e da obra de Jesus de Nazaré, mas da ideia da união entre Deus e o homem. Todavia, a abordagem mitológica não teve muitos adeptos depois de Strauss. A mesma ficaria aguardando o surgimento do teólogo Rudolf Karl Bultmann — 1884 a 1976 — para ser, novamente, explorada sob a ótica do existencialismo.

A segunda imagem de Cristo que emergiu da escola velha da busca pelo Jesus histórico foi aquela representada pelas vidas liberais de Cristo. Ao contrário da visão mitológica de Strauss e da ênfase hegeliana, esse grupo enfatizava que a história não é feita de ideias, mas de personalidades. Desse modo, para esse pessoal, o fator mais importante para explicar a existência do cristianismo era a personalidade de Jesus. Mas, diziam eles, para que a verdadeira personalidade de Jesus possa vir à tona é necessário que a mesma seja redescoberta pela utilização das ferramentas da moderna ciência da história. Afinal, não podemos nos esquecer que eles ainda representavam a velha escola da busca pelo Jesus histórico. Qualquer elemento sobrenatural ou miraculoso precisava ser descartado. Era necessário que Jesus fosse entendido como um ser humano comum — independentemente de quão extraordinário ou único ele pareça ter sido. Daí, podemos entender o alvo principal da escola liberal de teologia, de provar como não histórico qualquer coisa que seja sobrenatural ou misteriosa na vida de Jesus. Como resultado disso, a imagem de Jesus que surge é típica do liberalismo teológico: Jesus se parece mais com o filósofo grego Sócrates do que consigo mesmo. Os autores de maior destaque dessa bordagem são facilmente identificáveis como sendo: Adolf Von Harnack, Wilhelm Herrmann e Ernst Troeltsch.

A terceira abordagem é representada pela chamada imagem escatológica de Jesus. Essa escola rejeitou tanto a abordagem mitológica quanto a da visão liberal, porque percebia nas mesmas pressuposições dogmáticas, que fazia com seus proponentes enxergassem naquilo que produziam suas próprias pressuposições. Por seu lado, eles defendiam que uma leitura objetiva e factual das fontes conduziria o leitor — mais é uma pressuposição! — a enxergar a Jesus de uma perspectiva escatológica. Apesar da evidente pressuposição, essa escola se considerava como a única verdadeiramente fiel à pesquisa histórica em busca de Jesus. Representantes importantes dessa escola são:Willhelm Bousset, Albert Schweitzer, Julius Wellhausen e outros. Como afirma Karl Adam na obra mencionada acima: “com a ajuda espinhosa de uma crítica textual, eles tentaram descobrir a pedra fundamental livrando-se, com isso, de todo e qualquer extrato secundário ou terciário”. Mas, de forma patética, muito pouco de qualquer pedra fundamental foi descoberta. Não demorou muito para que o valor da abordagem escatológica fosse reconhecido pelo fato de chamar a atenção para um elemento negligenciado, mas à mesma faltava autenticidade em sua exagerada ênfase que pendia rigorosamente para um lado. Alguns elementos da abordagem escatologia, estão reaparecendo nas teologias de Wolfhart Pannenberg e Jürgen Moltmann.

Até aqui vimos como a velha escola da busca pelo Jesus histórico desejava ser objetiva e desprovida de pressuposições com o objetivo de redescobrir o verdadeiro Jesus da história. Para realizar seus intentos, essas pessoa tiveram que romper com a ortodoxia e abandonarem os dogmas das igrejas patrísticas, medievais e da Reforma. Foi o iluminismo que trouxe a mudança radical da perspectiva dogmática para a perspectiva histórica. Mas o resultado obtido foi muito diversificado e bastante contraditório. Os diversos tipos de abordagem foram apresentadas acima, mas, por falta de tempo, não podemos analisar as subdivisões dentro de cada uma dessas abordagens. Como disse Joachim Jeremias: “A imagem racionalista de Jesus como um pregador da moralidade; a visão dos idealista acerca do homem ideal; os estetas exaltaram a Jesus como mestre das palavras e os socialistas como um amigo dos pobres e um reformador social; ao mesmo tempo em que pretensos estudioso o transformaram apenas num personagem de ficção”[2] Jeremias prossegue dizendo que:”Jesus foi modernizado. Essas vida de Jesus são fruto exclusivo da criatividade dos seus autores. ... O dogma foi substituído pela psicologia e pela fantasia”. Além disso, Carl Braaten em sua obra History e Hermeneutics[3], nos apresenta uma análise devastadora da velha escola da busca pelo Jesus histórico. Ele diz:

“Os biógrafos de Jesus do século XIX eram como cirurgiões plásticos reconstruindo a face de seus pacientes às suas imagens e semelhanças, ou como um artista que pinta a si mesmo no quadro que está criando. Existia, em muitos casos, uma semelhança inequívoca entre o que escreviam acerca da religião de Jesus com suas próprias condições religiosas. Também acontecia do autor geralmente conseguir encontrar o que estava procurando. Quer dizer, ele descobria muitas coisas acerca de Jesus, alegadamente em cima da sua pesquisa puramente histórica, na justa medida em que necessitava das informações para fazer avançar sua própria teologia. Não existe nada que possa promover mais o ceticismo de uma pessoa quando considera os estudos do Novo Testamento, do que a comparação, facilmente feita, entre aquilo que o pesquisador alega ter descoberto historicamente, com sua necessidade teológica daquele mesmo momento”.

Nessa parte final da nossa análise acerca da busca pelo Jesus histórico realizada pela velha escola, nós ignoramos intencionalmente o filósofo dinamarquês Sören Kierkegaard, apesar dele ter vivido naquele período, entre 1813—1855. Assim procedemos porque Kierkegaard não teve sobre a velha escola nenhum impacto que possamos considerar como sendo notável. Sua influência só foi plenamente sentida durante o período chamado de neo-ortodoxia, no qual se sobressai a pessoa do teólogo Karl Barth. Outro importante autor que não foi mencionado é o russo Martin Kähler que escreveu O Jesus Histórico e o Cristo Bíblico Histórico. O título original na língua alemã as duas palavras — historie e geschichte — que se tornaram muito importantes nas fases subsequentes da busca pelo Jesus histórico. Os dois, todavia, serão citados na próxima fase da busca.

A busca pelo Jesus histórico da velha escola demonstrou o verdadeiro espírito do Iluminismo e do início da chamada ciência histórico-crítica aplicada à teologia. Hoje fica evidente — como demonstramos nos artigos dessa série —que a alegação de que eles desejavam ser objetivos e sem desposarem nenhuma pressuposição, era de fato, o único mito nessa história toda. Tudo o que a velha escola da busca pelo Jesus histórico conseguiu fazer foi criar um Cristo ebionita, o que é equivalente a dizer o seguinte: eles criaram um Cristo humano. A divindade de Jesus foi negada com base na PRESSUPOSIÇÃO com a qual o movimento se originou. Jesus foi considerado apenas como um ser humano natural típico, do qual todos os elementos divinos e sobrenaturais foram retirados logo de cara. Desse modo o termo histórico foi substituído na velha escola da busca pelo Jesus histórico por mero historicismo. Ou seja, uma história distorcida sem a presença da pregação.

A velha escola da busca pelo Jesus histórico criou o ambiente necessário para os desenvolvimentos posteriores da busca numa espécie de gangorra teológica. É praticamente impossível entendermos Karl Barth e Rudolf Bultman, se não levarmos em conta o background na velha escola e do liberalismo.Os dois tentaram fugir do impasse representado pelas posições da velha escola e do liberalismo, mas tudo o que conseguiram foi apenas desenvolver uma visão do evangelho que paira sobre a história como um disco voador que nunca aterrissa na História.

Rever a história da velha escola acerca da busca pelo Jesus histórico nos ensina uma importante lição. Existe um relacionamento inevitável entre a Palavra e Cristo, entre a Escritura e o Cristo revelado na Palavra. Não é difícil notarmos como a chamada alta crítica — do Iluminismo — minou a autoridade das Escrituras e influenciou a busca pelo Jesus histórico pela escolha velha. Sempre que alguém perde a fé na Palavra revelada de Deus, o passo seguinte é também a perda do reconhecimento do Cristo da Palavra.

É nossa convicção que nós podemos aprender a lição da história e pela graça de Deus alcançarmos uma convicção ainda maior da estratégica interrelação entre a história e a pregação. Jesus de Nazaré e os eventos acerca da sua pessoa como revelados nas Escrituras têm um significado eterno. O próprio Evangelho, a pregação, está arraigada na história: na própria pessoa de Jesus, o Filho encarnado de Deus que morreu na cruz por nós naquela sexta-feira e que ressuscitou para nossa justificação no domingo da ressurreição.
  
CONTINUA...

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[1] Adam, Katl. The Christ of Faith. Pantheon, New York, 1957.
[2] Jeremias, Joachim. The Problem of the Historical Jesus. Fortress Press, Philadelphia, 1972.
[3] Braaten, Carl. New Directions in Theology Today: Volume II History and Hermeneutics. Westminster Press, Philadelphia, 1974.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 013 — A HISTÓRIA — A BUSCA PELO JESUS HISTÓRICO — PARTE 003


1-S6840-C1837 David F.Strauss / Holzstich Strauss, David Friedrich evang. Theologe (Leben-Jesu-Forschung) ...
David F. Strauss tentou explicar o Jesus histórico associando-o a mitos variados. 

Esse é um estudo especial que irá abordar temas de grande interesse, tais como: 1. Deus 2. Os seres humanos e o mundo criado 3. Jesus e Sua missão como o CRISTO. 4. O Espírito Santo. 5. A vida cristã. 6. A Igreja. 7. O futuro e etc. Esperamos que a mesma possa ajudar todos os nossos leitores a conhecerem melhor o que o Novo Testamento ensina acerca de tudo o que nos é importante.

INTRODUÇÃO GERAL

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO E A HISTÓRIA

A BUSCA PELO JESUS HISTÓRICO — A VELHA ESCOLA — PARTE 003

b. A VISÃO MÍTICA DE DAVID FRIEDRICH STRAUSS

David Friedrich Strauss representa a abordagem acerca do Jesus histórico da perspectiva mítica — Jesus como mito — ainda na velha escola. Por meio duma interpretação mítica, Strauss procurou romper a barreira representada pelos naturalistas, por um lado e, pelos supernaturalistas, pelo outro. Em certo sentido, Strauss foi o precursor das ideias de Rudolph Bultmann conhecidas como a “demitologização” do Novo Testamento. Strauss viveu entre os anos 1808 — 1874 e morreu um século depois da publicação dos chamados Fragmentos de Reimarus. Seu trabalho mais importante intitulado Leben Jesu — Vida de Jesus — foi publicado originalmente entre os anos 1835—36, e recebeu sucessivas edições posteriores. Entre Reimarus e Strauss muitos livros intitulados ”Vida de Jesus” tinham sido publicados, pois a antiga escola da busca pelo Jesus histórico se via na obrigação de explicar os acontecimentos narrados nos evangelhos que tinham sido desfigurados pelo iluminismo e pelo naturalismo. Tal explicação era devida, para o período que cobria, principalmente, os primeiros trinta anos da vida de Jesus, numa tentativa de justifica o modo pelo qual o menino tinha se tornado o pai do homem Jesus. Strauss estudou sob a direção de F. C. Baur e foi influenciado pela teologia liberal e evolutiva de Schleiermacher e acabou abraçando a filosofia de Hegel.

No prefácio de seu livro Leben Jesu, Strauss fez questão de frisar que a ortodoxia supernaturalista sustentava duas pressuposições básicas: 1) os evangelhos relatam a história; e 2) tal história é uma história sobrenatural. No primeiro movimento da busca pelo Jesus Histórico da velha escola, Reimarus defendeu a ideia que o Cristianismo não tinha se originado a partir duma série de eventos sobrenaturais e sim dum conjunto de circunstâncias naturais. Para Reimarus, isso “provava” que a fé cristã era uma fraude. Strauss concordava com Reimarus acerca do fato do Cristianismo ser uma religião natural, mas discordava quanto ao caráter fraudulento da mesma. Strauss também discordava dos racionalista de sua época os quais, a um só tempo, rejeitavam o caráter da história sobrenatural dos evangelhos, mas mantinha a ideia que os mesmos registravam a história do ponto de vista natural. Segundo Strauss a ciência dos seus dias não podia sentir-se satisfeita com essas medidas paliativa e de acomodação. As perguntas precisavam continuar com o propósito de identificar se os evangelhos eram históricos e, exatamente em que medida, eram históricos. Strauss admitia que não se sentia adequadamente qualificado para oferecer as respostas necessárias, mas sabia que não existia ninguém tão qualificado quanto ele para essa missão. Diante dessa afirmação de autoexaltação, Strauss sentiu-se confortável com a ideia e a autoridade para abolir, por completo, a pressuposição de número 1 mencionada acima! De acordo com Strauss os racionalistas e os naturalistas não tinham sido críticos o suficiente nessa questão. A abordagem histórica, segundo Strauss, exigia — como pressuposto???? — que os evangelhos fossem vistos como literatura mitológica em vez de história natural. Dessa forma, Strauss entendia que sua própria abordagem sacrificava a realidade histórica dos evangelhos — considerados mitológicos —, mas preserva a verdade religiosa contida nos mesmos.

Strauss também enfatizava o objetivo básico do Iluminismo de praticar a mais pura ciência, sem adotar nenhum tipo de pressuposto. Strauss pretendia que não desejava evitar a seriedade da verdadeira busca científica, caracterizada por ser uma busca objetiva e sem pressuposições. Ele afirmava que havia aprendido cedo em seus estudos filosóficos a libertar seus sentimentos e seu intelecto dos dogmas e das pressuposições religiosas. Para os teólogos que consideravam algo absurdo alguém declara-se cristão enquanto abria mão das pressuposições mais básicas da fé, Strauss dizia que aquelas pessoas defendiam pressuposições que não eram científicas.   

A introdução de considerações mitológicas na discussão acerca do Jesus histórico na velha escola é a contribuição singular de Strauss na mesma. Como discípulo de Hegel, Strauss procurava enfatizar ideias em vez de eventos ou personalidades como a verdadeira chave para se entender a história. De acordo com essa abordagem, uma pessoa é importante para introduzir uma ideia na história, mas uma veze que uma ideia foi introduzida na mesma, a pessoa já não mais importante. A ilustração que podemos usar para explicar como essa ideia de Strauss funciona na prática está relacionada com a ideia mitológica relacionada ao chamado Papai Noel. Mesmo que nunca tenha existido um verdadeiro Papai Noel, o fato é que a ideia por trás do mito tem vida própria, independentemente de quem pretende fingir ser o próprio velhinho. Para Strauss, a fé cristã deveria ser entendida, exatamente dessa maneira. É uma ideia baseada em mitos e não história verdadeira.

Para Strauss a existia de Jesus se explica apenas como o elemento que surgiu para introduzir as ideias acerca do cristianismo na história da humanidade. Desse modo, são as ideias e não a pessoa de Jesus que deve ocupar o lugar central na chamada fé cristã. Uma vez que as ideias de Jesus foram projetadas para dentro da história, o próprio Jesus já não é mais relevante nem para mensagem e nem mesmo para as ideias em si. Na abordagem mitológica da velha escola na busca pelo Jesus histórico, a fé cristã pode ser explicada sem necessitar de nenhuma referência à pessoa de Jesus. De repente, como num passe de mágica, a fé cristã torna-se anônima!  

Como discípulo de Hegel, Strauss também concebeu a essência do Cristianismo como a união entre Deus e o ser humano. Uma vez que essa ideia acerca da união entre Deus e o ser humano entrou na história, torna dispensável o evento que deu origem à mesma. O conceito da união entre Deus e o ser humano entrou no consciente da humanidade por meio de Jesus de Nazaré. Mas agora que a mesma está projetada na história, Jesus e sua história não são mais necessários.  

E foi desse modo que a interpretação mitológica de Jesus e do Cristianismo foi oferecida por Strauss como a solução para a investigação histórica acerca de Jesus. Para Strauss, a capacidade de acessarmos a verdadeira história acerca da pessoa de Jesus encontra-se muito prejudicada porque a mesma está coberta de mitos. Strauss duvidava da confiabilidade dos quatro evangelhos. Dessa forma ele apelava para que os estudos à busca do Jesus histórico prosseguissem. Ele admitia que sua resposta não era definitiva. O surgimento da chamado hipótese do documento “Q” — do alemão quelle que significa fonte — alimentou a busca da escola antiga na busca pelo Jesus histórico como Strauss desejava.

Apesar de tudo, Strauss ainda acreditava que os evangelhos, apesar de estarem imersos em diversas camadas de mitos, ainda continham conceitos religiosos e ideias aproveitáveis. Sendo assim, apesar dos evangelhos serem considerados como documentos não históricos, ainda assim e, apesar da mitologia que envolve os mesmos, possuem um significado religioso por causa das ideias que encontramos nos mesmos. E, o Cristianismo não passa da ideia da união de Deus com a raça humana. Com isso Strauss desejava destruir o valor da pregação derivada da história.  

CONTINUA...

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sábado, 2 de maio de 2015

DESCOBERTOS MOSAICOS GRECO-ROMANOS DO SÉCULO I d..C.


Mosaicos de Zeugma (Foto: Zeugma Archaeology Project/Divul)
Os arqueólogos turcos escavaram os surpreendentes mosaicos em casas da cidade antiga de Zeugma

O material abaixo foi publicado no site da Revista Casa Vogue e além de revelar uma série de belos mosaicos encontrados na moderna Turquia, também nos mostra com a idolatria naqueles dias era rampante, ao ponto das pessoas terem imagens de deuses da mitologia greco-romana enfeitando suas casas. Os mosaicos estão bem preservados e suas cores, apesar dos séculos continuam, vibrantes como poderá ser observado pela coleção de fotos abaixo. Isso vem comprovar a imensa luta que os primeiros cristãos tiveram que travar com a idolatria que não existia apenas nos muito e muitos templos, mas que também se encontrava dentro das próprias casas das pessoas mais abastadas.

Mosaicos romanos de 2 mil anos são encontrados

Obras de arte decoravam casas de luxo na antiga cidade de Zeugma, na Turquia

POR NILBBERTH SILVA; FOTOS ZEUGMA ARCHAEOLOGY PROJECT/DIVULGAÇÃO

Arqueólogos descobriram três novos mosaicos de vidro da época do Império Romano na cidade de Zeugma, no sul da atual Turquia. O anúncio foi feito no início do mês de novembro por Kutalmış Görkay, diretor do projeto de escavações e professor da Universidade de Ancara.

A descoberta é a oportunidade para ver arte de gregos e romanos escondida há cerca de 2 mil anos. Os mosaicos, que decoravam o piso das casas de luxo, conta com as imagens de deuses, musas e cenas da literatura. O plano dos arqueólogos é restaurar e conservar o trabalho de agora em diante.

O local da escavação quase foi destruído no ano 2000, quando o governo começou a construir uma represa nas proximidades. O resultado da busca é um apanhado de obras de arte extremamente bem preservadas. Veja fotos abaixo:

Mosaicos de Zeugma (Foto: Zeugma Archaeology Project/Divul)
Personagens da mitologia grega decoravam pisos das casas luxuosas

Mosaicos de Zeugma (Foto: Zeugma Archaeology Project/Divul)
"Eles eram produtos da imaginação do dono da casa", contou o chefe das escavações Kutalmış Görkay ao site Archaelogy.org. "Não era como escolher a partir de um catálogo"

Mosaicos de Zeugma (Foto: Zeugma Archaeology Project/Divul)
“Eles pensavam em cenas específicas para causarem impressões específicas", conta o arqueólogo. "Por exemplo, se você estivesse no nível intelectual de discutir literatura, poderia selecionar uma cena com as Três Musas"

Mosaicos de Zeugma (Foto: Zeugma Archaeology Project/Divul)  
Os arqueólogos passaram a pesquisar a cidade depois que ela foi ameaçada de destruição por uma enchente


 Mosaicos de Zeugma (Foto: Zeugma Archaeology Project/Divul)
A foto mostra uma das peças antes do salvamento


Mosaicos de Zeugma (Foto: Zeugma Archaeology Project/Divul)
Oceanus e Thetys, duas divindades greco-romanas


Mosaicos de Zeugma (Foto: Zeugma Archaeology Project/Divul)
Imagem do deus do mar Posseidom em sua carruagem marinha


Mosaicos de Zeugma (Foto: Zeugma Archaeology Project/Divul)
Os gregos conquistaram a cidade no século 3 a.C.


Mosaicos de Zeugma (Foto: Zeugma Archaeology Project/Divul)
Os romanos a conquistaram no ano 64 a.C. e mantiveram até 253 d.C., quando ela foi tomada pelo Império Sassânida

Mosaicos de Zeugma (Foto: Zeugma Archaeology Project/Divul)
O nome Zeugma significa "Ponte" ou "Cruzamento" em grego antigo


Mosaicos de Zeugma (Foto: Zeugma Archaeology Project/Divul)
Imagem representa Thalia, a musa da poesia e comédia


Mosaicos de Zeugma (Foto: Zeugma Archaeology Project/Divul)
Essa imagem mostra um mosaico que estava debaixo d'água após o salvamento e restauro

O artigo original do site da Casa Vogue poderá ser visto por meio do link abaixo:


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