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quarta-feira, 17 de junho de 2015

NÃO ESTOU OFENDIDO - Por Augustus Nicodemus Lopes



Diante de tanta papagaiada estrelada por senadores e outros políticos da república, associados a tantos falsos pastores midiáticos acerca de representação de uma cena de crucificação feita por uma transexual durante a parada GLBT de 2015, as sábias palavras do irmão Augustus devem servir para todos que amam e conhecem verdadeiramente o senhor Jesus.

Segue o artigo do irmão Augustus:

Quando vi as imagens da transexual "crucificada" na parada gay não me senti ofendido, como cristão. É óbvio que discordei da estratégia de marketing dos organizadores e sem dúvida percebi que o alvo era mesmo a provocação aos cristãos. Embora o episódio tenha sido justificado como sendo uma forma de expor a humilhação sofrida pelos gays, a impressão que dá é outra.

Mas, afora isto, não me senti provocado, atingido ou ofendido. Por uma razão simples. Ali não estava acontecendo uma profanação de objetos sagrados para mim - no caso, a cruz - simplesmente por que para mim uma cruz de madeira nada tem de sagrada nela. Meu cristianismo evangélico reformado não tem templos sagrados, objetos sagrados, imagens sagradas, símbolos sagrados ou líderes sagrados. Por isto não ficamos explodindo bombas quando zombam de Lutero, Zuínglio ou Calvino, quando tripudiam sobre a Bíblia ou quando picham as igrejas. E por isto eu não me sinto ofendido quando alguém usa uma cruz de madeira para suas manifestações anticristãs ou para outros objetivos.

As coisas que considero santas estão muito além do alcance dos homens, para que estes possam profaná-las. O meu Salvador está nos céus, o meu Deus é rei do universo, minha morada é celestial, a Palavra de Deus está escrita nos céus e é eterna, o pão e o vinho nada mais são que representações materiais daquele que se assenta no trono do universo. Realmente, não há nada no meu cristianismo que esteja ao alcance de quem deseja me ofender através da profanação.

Claro, para quem a cruz é sagrada, as imagens são sagradas, os templos são sagrados, seus líderes são sagrados... estes ficarão ofendidos. Eu os entendo. Devemos respeitar toda crença. Mas, no meu caso, uma transexual pendurada numa cruz provoca, no máximo, a confirmação do que eu já sei, que nenhum pecador consegue se livrar de Deus, ou daquilo que ele pensa que é Deus.

Só me vem à mente o Salmo 2:

1 Por que se enfurecem os gentios e os povos imaginam coisas vãs?

2 Os reis da terra se levantam, e os príncipes conspiram
contra o SENHOR e contra o seu Ungido, dizendo:

3 Rompamos os seus laços e sacudamos de nós as suas algemas.

4 Ri-se aquele que habita nos céus; o Senhor zomba deles.

5 Na sua ira, a seu tempo, lhes há de falar e no seu furor os confundirá.

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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domingo, 26 de outubro de 2014

CHARLES SPURGEON: A APARÊNCIA DA PIEDADE SEM PODER – UM SERMÃO – PARTE 003 — O FORMALISMO RELIGIOSO


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O material abaixo é parte de um sermão pregado por Charles Spurgeon que foi publicado em forma de e-book por:

Fonte: Spurgeongems.org - Título Original: The Form Of Godliness Without The Power

OEstandarteDeCristo.com

Tradução: Camila Rebeca Almeida

Revisão: William Teixeira

A Aparência de Piedade Sem Poder

(Sermão Nº 2088)

Pregado na manhã do Dia do Senhor, 2 de junho de 1889,

por C.H. Spurgeon, no Tabernáculo Metropolitano, Newington.

“Tendo aparência de piedade, mas negando-lhe o poder. Afasta-te também desses.” (2 Timóteo 3:5 – tradução literal do inglês)

II. Em segundo lugar, devemos observar a TOLICE ÍMPIA desta conduta hipócrita. Aqueles que descansam na mera demonstração de piedade estão agindo de uma forma impudente e vou tentar expô-la.

Primeiro, eles degradam o próprio nome de Cristo. Irmãos, se não há poder espiritual na piedade, ela não vale nada. Queremos ausência de nuvens sem chuva. De fingidos e meros pretensos temos mais do que suficiente. Aqueles que não têm o poder da piedade mostram-nos uma imagem muito prejudicial da religião. Eles fazem a religião de nosso Senhor ser comparável a um espetáculo em uma feira, com figuras refinadas e alta percussão do lado de fora e interiormente nada digno de consideração por um momento. O melhor do espetáculo está do lado de fora.

Ou se há algo dentro, é um baile de máscaras, onde todos atuam com peças emprestadas, mas ninguém é o que parece ser. Gracioso Senhor, nunca permita que nós possamos agir de modo a fazer com que o mundo pense que o nosso Redentor não é nada mais do que um hábil diretor de teatro, onde nada é real, mas tudo é pantomima[1]1. Irmãos e irmãs, se vocês oram em absoluto, orem a Deus para torná-los completamente verdadeiros. Que vocês sejam feitos de metal verdadeiro! Seria melhor para vocês que nunca tivessem nascido do que vocês desonrarem a Cristo entre os filhos dos homens, levando-os a concluírem que a religião é toda uma peça de atuação.

A tolice disto é ilustrada pelo fato de que não existe um valor em tal forma morta. A aparência de piedade sem o poder não é digna da dificuldade que esta apresenta para ser elaborada e mantida. Joias de imitação são bonitas e brilhantes. Mas se você as leva ao joalheiro, ele não dará nada por elas. Há uma religião que é toda colar de joias, uma piedade que brilha, mas não é ouro. E no dia em que vocês desejarem realizar algo a partir dela, serão miseravelmente desapontados.

Uma aparência de piedade unida a um coração profano não tem valor para Deus. Eu li que o cisne não era autorizado a ser oferecido sobre o altar de Deus, porque, apesar de suas penas serem brancas como a neve, sua pele é escura. Deus não aceitará aquela moralidade externa que esconde impureza interior. Deve haver um coração puro, bem como uma vida limpa. O poder da piedade deve trabalhar interiormente, ou então Deus não aceitará a nossa oferta. Não há nenhum valor para o homem ou para Deus em uma religião que é uma aparência morta.

Consequentemente, não há utilidade em mera formalidade. Se a sua religião não tem vida espiritual, qual é o uso dela? Você poderia ir para casa em um cavalo morto? Será que você caça com cachorros mortos? Alguém gostaria de ir para a batalha com um capacete de papelão? Quando a espada cair sobre ele, qual seria o uso de um capacete assim? Que clamor foi levantado por espadas ruins! A falsa religião é em algo melhor? No profundo inverno, vocês podem se aquecer diante de um fogo pintado? Poderiam jantar a imagem de uma festa quando vocês estão com fome? Deve haver vitalidade e substancialidade ou então a aparência é totalmente inútil. E pior do que inútil, pois ela pode lisonjeá-los em mortal presunção. Além disso, não há nenhum conforto nela. A aparência sem o poder não tem nada nela para aquecer o coração, para elevar os espíritos, ou para fortalecer a mente no dia da doença, ou na hora da morte. Ó Deus, se a minha religião tem sido uma mera aparência, o que farei na enchente do Jordão? Minha confissão refinada desaparecerá em absoluto e nada virá dela com o que eu possa enfrentar o último inimigo. Pedro chamou os hipócritas de “fontes sem água” [2 Pedro 2:17]. Vocês estão com sede e alegremente espionam um poço, ele é bem cercado com um meio-fio e equipado com um guincho e um balde. Vocês se apressam para retirar água. O que foi? Será que o balde veio vazio? Vocês tentam de novo. Como é amargo o vosso desapontamento! Um poço sem água é um escárnio. É um mero poço de destruição, uma ilusão mortal. São alguns de vocês possuidores de uma religião que nunca lhes rende uma gota de consolo? Ela é uma escravidão para vocês? Vocês seguem a Cristo como um escravo segue o seu mestre? Fora com essa religião!

A piedade que é digna de se ter é uma alegria para um homem, é a sua escolha, o seu tesouro, seu tudo. Quando ela não lhe rende regozijo deliberado, ainda assim ele a valoriza como a única fonte de onde a alegria dele é esperada. Ele segue a Cristo com amor, a partir do desejo de seu coração por Ele e não a partir da força do hábito, ou pelo poder do medo.

Ter a aparência de piedade sem o poder dela é falta de constância em sua religião. Vocês nunca viram uma miragem, talvez. Mas aqueles que têm viajado no Oriente, quando voltam para casa, certamente falam sobre elas. É um dia muito quente e sedento e vocês estão andando em um camelo. De repente, levantam-se diante de uma cena bonita. Bem perto de vocês estão ribeiros de águas, fluindo entre camas de vimes e bancos de canas e juncos. Acolá estão palmeiras e laranjeiras. Sim, e uma cidade ergue-se em uma colina, coroada com minaretes e torres. Vocês estão alegres e pedem ao seu guia para levá-los mais perto da água, que brilha no sol. Ele severamente responde: “Não faça caso, é uma miragem. Não há nada ali, senão areia ardente”. Vocês mal podem acreditar nele. Parece tão real! Mas eis que tudo se foi, como um sonho noturno. E assim é a esperança que é construída sobre a aparência de piedade sem o poder. As formigas brancas comerão toda a substância de uma caixa e ainda a deixam de pé até que um toque faz com que toda a estrutura caia em pó, cuidado com uma confissão da qual a substância tenha sido devorada. Não acreditem em nada que não tenha o selo da eternidade sobre ele.

Tenha cuidado, pobre Criança, você pode soprar a sua bolha e a luz do sol pode pintá-la com o arco-íris. Mas em um instante ela se vai, e nem um traço dela permanece. Seu mundo transitório de beleza é para você e suas crianças companheiros e não para os homens. Na realidade, este tipo de religião está em oposição a Cristo. É Janes e Jambres mais uma vez, o mago da hipocrisia está tentando fazer milagres que pertencem apenas a Deus. Na aparência, ele produziria as mesmas maravilhas como o dedo de Deus. Mas ele falha. Queira Deus que nós nunca sejamos culpados de resistir à Verdade de Deus por meio de uma profissão [de fé] mentirosa. Os homens falsos produzem graves prejuízos à verdadeira piedade. Pois, como Eúde, eles vêm com uma pretensa mensagem de Deus e com sua espada afiada em ambos os lados, eles atacam a piedade vital em seu próprio coração. Ninguém pode fazer tanto dano à Igreja de Deus, quanto o homem que está dentro de seus muros, mas não dentro de sua vida.

Esta piedade nominal, que é desprovida de poder, é uma coisa vergonhosa. Eu concluo com isso. É uma coisa vergonhosa para esta vida, pois o Senhor Jesus a abomina. Quando passou pela figueira, que era tão precoce com suas folhas, mas tão vazia de frutos, Ele ali viu a semelhança do professo vanglorioso que não tem santidade real e Ele disse: “Nunca mais nasça fruto de ti!” [Mateus 21:19]. Sua Palavra murchou-a de uma vez, isso permaneceu como um terrível emblema do fim de uma falsa confissão. Quanta vergonha estará sobre um infrutífero professo sem vida na eternidade, quando os segredos de todos os corações serão revelados! Que vergonha e desprezo eterno o aguardarão quando sua falsidade for detectada e sua baixeza deverá preencher todas as santas mentes com horror! Ó, acautelai-vos do Inferno do falso professo!

Eu terei acabado quando eu adicionar algumas palavras de instrução. A aparência de piedade é mui preciosa. Que aqueles que sentem o poder da piedade o honrem e o usem. Não desprezem isso, porque os outros o têm danificado. Venham adiante e façam uma confissão aberta da religião. Mas assegurem que vocês têm o poder dela. Clamem a Deus para que vocês nunca usem uma luva que seja maior do que sua mão, quero dizer, que nunca possam ir além do que é real e verdadeiramente seu próprio. Será melhor para vocês irem a Deus como uma alma perdida e clamarem por misericórdia, do que professarem a si mesmos salvos quando vocês não o são.

No entanto, confessem a Cristo, sem falta ou medo. Não tenham vergonha de Jesus por causa dos maus modos dos Seus discípulos. Considerem o mau cheiro dos falsos professos como parte da cruz que vocês devem suportar por seu Senhor. Pois, estar associado a alguns que não são verdadeiros parece inevitável nesta vida, no entanto, escolhamos cuidadosamente nossa companhia.

Agora, uma palavra de discriminação. Aqueles a quem o meu texto não tem nada a dizer serão os primeiros a levá-lo para casa para si. Quando eu anuncio com meu coração um sermão fiel, certas almas trêmulas, a quem eu de bom grado consolo, estão seguras em pensar que eu quero me destinar a elas. A pobre mulher, em profunda aflição, vem a mim, clamando: “Senhor, eu não tenho nenhum sentimento”. Caro coração, ela tem dez vezes mais sentimento. Outro suspira: “Eu tenho certeza que eu sou um hipócrita”. Eu nunca encontrei com um hipócrita que se achava assim. E eu nunca encontrarei.

“Ó”, disse outro, “Eu me sinto condenado”. Aquele que se sente condenado pode esperar por perdão. Se vocês têm medo de si mesmos eu não tenho receio de vocês. Se vocês tremem diante da Palavra de Deus, vocês têm uma das mais seguras marcas de eleitos de Deus. Aqueles que temem estar enganados raramente estão enganados. Se vocês se examinarem e permitirem que a Palavra de Deus vos examine, está tudo bem convosco. O comerciante falido teme ter seus livros examinados. O homem sensato ainda paga um contador para revisar seus negócios. Use a discriminação e nem se absolvam e nem se condenem sem razão.

Se o Espírito de Deus o leva a chorar em segredo pelo pecado e a orar em segredo por Graça Divina; se Ele o leva a buscar santidade; se Ele o leva a confiar somente em Jesus, então você conhece o poder da piedade e nunca a negou. Você que clama: “Ó, que eu sentisse mais do poder do Espírito Santo, pois sei que Ele pode me consolar, santificar e fazer-me viver a vida do Céu na terra!” Você não é atingido pelo texto ou sermão. Pois, você não tem negado o poder. Não, não, este texto não pertence a você, mas para outra classe completamente diferente de pessoas.

Deixe-me dar-lhes uma palavra de admoestação. Aprendam com o texto que há algo na piedade que vale a pena aspirar. A “aparência” da piedade não é tudo, há um “poder” bendito. O Espírito Santo é o poder e Ele pode operar em vocês para que queiram e efetuem a boa vontade de Deus. Venham a Jesus Cristo, queridas almas. Não venham ao ministro, nem à Igreja, em primeiro lugar. Mas venham a Jesus. Venham e prostrem-se aos Seus pés e digam: “Senhor, eu não serei consolado, se que Tu me consoles”. Venham e levem tudo em primeira mão de Seu Senhor crucificado. Em seguida, vocês conhecerão o poder da piedade. Acautelai-vos da religião de segunda mão, ela nunca é digna de ser carregada para casa. Obtenham a vossa piedade direto do Céu, pelo lidar pessoal de sua própria alma com o seu Salvador. Professem apenas o que vocês possuem e descansem apenas no que vos foi dado do alto. Sua vida celeste, ainda pode ser muito débil, mas o grão de mostarda crescerá. Você pode ser o menor em Israel, mas é melhor do que ser o maior na Babilônia.

[Adaptado de The C. H. Spurgeon Collection, Version 1.0, Ages Software. Veja todos os 63 volumes de sermões CH Spurgeon em Inglês Moderno, e mais de 525 traduções em espanhol, acesse: www.spurgeongems.org. (até página 22 do livro original)

OUTRAS PARTES DESSA MENSAGEM PODERÃO SER VISTAS POR MEIO DOS LINKS ABAIXO

Charles Spurgeon – A APARÊNCIA DA PIEDADE SEM PODER – PARTE 001


Charles Spurgeon – A APARÊNCIA DA PIEDADE SEM PODER – PARTE 002 — OS FALSOS IRMÃOS



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Alexandros Meimaridis

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[1] Pantomima: é um teatro gestual que faz o menor uso possível de palavras e o maior uso de gestos através da mímica. Fonte: pt.wikipedia.org

terça-feira, 2 de setembro de 2014

MAÇONARIA: SEGREDOS REVELADOS



O material abaixo foi publicado pela revista ISTOÉ.

Impeachment na maçonaria

O líder máximo dos maçons entrega à biblioteca livros com os segredos da organização e pode ser afastado, algo inédito

Por Wilson Aquino

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SEGREDOS REVELADOS
Marcos José da Silva, o grãomestre: traição ao juramento

O sigilo que cerca os rituais, códigos e tradições são a marca da maçonaria que, ao longo dos séculos, protegeu com um manto de silêncio as particularidades do seu universo. Recentemente, uma pessoa resolveu quebrar essa regra, justamente a autoridade máxima do Grande Oriente do Brasil (GOB) – a maior associação maçônica e mais antiga no País –, o soberano grão-mestre-geral da Ordem, Marcos José da Silva. Ele, simplesmente, registrou na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, 21 livros secretos que explicam os ritos misteriosos da irmandade. A iniciativa acarretou uma reação à altura: pela primeira vez, um presidente da instituição poderá sofrer impeachment. Para se ter uma ideia da gravidade da situação, o GOB foi fundado no Brasil em 1822, tem 60 mil membros e nunca antes na história da maçonaria algo similar havia acontecido.

A assembleia que decide o destino e possível punição de Silva está marcada para o sábado 18, no Templo Nobre do GOB, em Brasília. Mas a briga já começou. O grão-mestre-geral recorreu ao Supremo Tribunal Federal Maçônico (STFM) – as instituições maçônicas reproduzem em quase tudo a sociedade civil – e conseguiu liminar para retirar o assunto da pauta. Porém, os 600 maçons que estiverem presentes à assembleia podem deliberar o contrário e manter a votação para abertura do processo de impeachment. O delito cometido por Silva está previsto em dois artigos do código penal maçônico: o 73, inciso XIV, condena quem “facilitar ao profano (não maçom) o conhecimento de símbolo, ritual, cerimônia ou de qualquer ato reservado a Maçom” e o artigo 74, inciso I, pune a traição ao juramento maçônico no qual figura o sigilo.

Mas por que justamente o grão-mestre teria ferido um dos princípios básicos da organização? Há algumas versões. Os defensores de Silva sustentam que ele registrou os livros secretos para evitar que outra pessoa com interesses escusos o fizesse. Seria uma iniciativa para proteger a associação de oportunistas no futuro. Os maçons favoráveis ao afastamento de Silva, por sua vez, veem má-fé e cobiça, pois agora ele figura como organizador das obras que revelam os segredos maçônicos. Isso, na prática, lhe confere os direitos autorais sobre a mesma. Ou seja, ele passou a ter direito a comissão de 5% sobre o preço de capa de eventuais livros baseados no conteúdo registrado por ele. Essa tese é reforçada pelo raciocínio de que Silva poderia ter feito o registro em nome do GOB e não no dele próprio. Os livros secretos não estão disponíveis para qualquer um manuseá-los. Mas, além de alguém poder reivindicar na Justiça o direito de vê-los, os funcionários da Biblioteca Nacional já têm acesso ao material. Não há mais sigilo.

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Fiel ao estilo da maçonaria, o registro das obras foi feito na moita, assim como a denúncia efetivada por uma pessoa ligada ao GOB e que trabalha na Biblioteca Nacional. “Como maçom, me sinto ultrajado e decepcionado. Se um aprendiz mostra o livro dos rituais a um profano, ele é sumariamente expulso”, esbraveja um dos deputados da Soberana Assembleia Federal Legislativa da instituição, que vai participar da sessão e por isso preferiu não se identificar. “Isso é uma aberração. O que sustenta a irmandade é o sigilo em torno dos seus ritos e a tradição. Até porque esses ritos são usados por maçonarias de outros países”, surpreende-se o professor de história da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Marco Morel, autor do livro “O Poder da Maçonaria.”

A conservação secreta dos conhecimentos e métodos de trabalho dos maçons é um dos mais rígidos princípios da doutrina. Tanto que ao ser iniciado na maçonaria, num ritual secular no qual o postulante permanece vendado na sessão até que seu nome seja aceito pelo grupo, o novato faz um juramento em que se compromete a “nunca revelar qualquer dos mistérios da maçonaria e nunca os escrever, gravar, imprimir ou empregar outros meios pelos quais possa divulgá-los”. Na Idade Média, a violação dos mistérios seria punida com castigos terríveis, descritos no juramento: “Se violar este juramento, seja-me arrancada a língua, o pescoço cortado e meu corpo enterrado na areia do mar...” Mas os tempos mudaram e, hoje, o grão-mestre-geral poderá ser no máximo punido como qualquer presidente corrupto.

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O material original da ISTOÉ poderá ser visto por meio do seguinte link:


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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

A ALMA CATÓLICA DOS EVANGÉLICOS NO BRASIL


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O artigo abaixo foi escrito e publicado originalmente em 2006, mas seu conteúdo provou não ter sido afetado pelo tempo. Pelo contrário, sentimos que várias das características citadas pelo irmão Augustus, não só permanecem como se espalharam ainda mais e se tornaram, praticamente a única regra a ser seguida. Convidamos todos a fazerem uma leitura, atenta, do material abaixo.

Por Augustus Nicodemus Lopes

Os evangélicos no Brasil nunca conseguiram se livrar totalmente da influência do Catolicismo Romano. Por séculos, o Catolicismo formou a mentalidade brasileira, a sua maneira de ver o mundo ("cosmovisão"). O crescimento do número de evangélicos no Brasil é cada vez maior – segundo o IBGE, seremos 40 milhões esse ano de 2006 – mas há várias evidências de que boa parte dos evangélicos não tem conseguido se livrar da herança católica.

É um fato que conversão verdadeira (arrependimento e fé) implica numa mudança espiritual e moral, mas não significa necessariamente uma mudança na maneira como a pessoa vê o mundo. Alguém pode ter sido regenerado pelo Espírito e ainda continuar, por um tempo, a enxergar as coisas com os pressupostos antigos. É o caso dos crentes de Corinto, por exemplo. Alguns deles haviam sido impuros, idólatras, adúlteros, efeminados, sodomitas, ladrões, avarentos, bêbados, maldizentes e roubadores. Todavia, haviam sido lavados, santificados e justificados "em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus" (1Co 6.9-11) sem que isso significasse que uma mudança completa de mentalidade houvesse ocorrido com eles. Na primeira carta que lhes escreve, Paulo revela duas áreas em que eles continuavam a agir como pagãos: na maneira grega dicotômica de ver o mundo dividido em matéria e espírito (que dificultava a aceitação entre eles das relações sexuais no casamento e a ressurreição física dos mortos – capítulos 7 e 15) e o culto à personalidade mantido para com os filósofos gregos (que logo os levou à formar partidos na igreja em torno de Paulo, Pedro, Apolo e mesmo o próprio Cristo – capítulos 1 a 4). Eles eram cristãos, mas com a alma grega pagã.

Da mesma forma, creio que grande parte dos evangélicos no Brasil tem a alma católica. Antes de passar às argumentações, preciso esclarecer um ponto. Todas as tendências que eu identifico entre os evangélicos como sendo herança católica, no fundo, antes de serem católicas, são realmente tendências da nossa natureza humana decaída, corrompida e manchada pelo pecado, que se manifestam em todos os lugares, em todos os sistemas e não somente no Catolicismo. Como disse o reformado R. Hooykas, famoso historiador da ciência, “no fundo, somos todos romanos” (Philosophia Liberta, 1957). Todavia, alguns sistemas são mais vulneráveis a essas tendências e as absorveram mais que outros, como penso que é o caso com o Catolicismo no Brasil. E que tendências são essas?

1) O gosto por bispos e apóstolos – Na Igreja Católica, o sistema papal impõe a autoridade de um único homem sobre todo o povo. A distinção entre clérigos (padres, bispos, cardeais e o papa) e leigos (o povo comum) coloca os sacerdotes católicos em um nível acima das pessoas normais, como se fossem revestidos de uma autoridade, um carisma, uma espiritualidade inacessível, que provoca a admiração e o espanto da gente comum, infundindo respeito e veneração. Há um gosto na alma brasileira por bispos, catedrais, pompas, rituais. Só assim consigo entender a aceitação generalizada por parte dos próprios evangélicos de bispos e apóstolos auto-nomeados, mesmo após Lutero ter rasgado a bula papal que o excomungava e queimá-la na fogueira. A doutrina reformada do sacerdócio universal dos crentes e a abolição da distinção entre clérigos e leigos ainda não permearam a cosmovisão dos evangélicos no Brasil, com poucas exceções.

2) A ideia que pastores são mediadores entre Deus e os homens – No Catolicismo, a Igreja é mediadora entre Deus e os homens e transmite a graça divina mediante os sacramentos, as indulgências, as orações. Os sacerdotes católicos são vistos como aqueles através de quem essa graça é concedida, pois são eles que, com as suas palavras, transformam, na Missa, o pão e o vinho no corpo e no sangue de Cristo; que aplicam a água benta no batismo para remissão de pecados; que ouvem a confissão do povo e pronunciam o perdão de pecados. Essa mentalidade de mediação humana passou para os evangélicos, com algumas poucas mudanças. Até nas igrejas chamadas históricas os crentes brasileiros agem como se a oração do pastor fosse mais poderosa do que a deles, e que os pastores funcionam como mediadores entre eles e os favores divinos. Esse ranço do Catolicismo vem sendo cada vez mais explorado por setores neopentecostais do evangelicalismo, a julgar por práticas já assimiladas como “a oração dos 318 homens de Deus”, “a prece poderosa do bispo tal”, “a oração da irmã fulana, que é profetisa”, etc.

3) O misticismo supersticioso no apego a objetos sagrados – O Catolicismo no Brasil, por sua vez influenciado pelas religiões afro-brasileiras, semeou misticismo e superstição durante séculos na alma brasileira: milagres de santos, uso de relíquias, aparições de Cristo e de Maria, objetos ungidos e santificados, água benta, entre outros. Hoje, há um crescimento espantoso entre setores evangélicos do uso de copo d’água, rosa ungida, sal grosso, pulseiras abençoadas, pentes santos do kit de beleza da rainha Ester, peças de roupa de entes queridos, oração no monte, no vale; óleos de oliveiras de Jerusalém, água do Jordão, sal do Vale do Sal, trombetas de Gideão (distribuídas em profusão), o cajado de Moisés... é infindável e sem limites a imaginação dos líderes e a credulidade do povo. Esse fenômeno só pode se explicado, ao meu ver, por um gosto intrínseco pelo misticismo impresso na alma católica dos evangélicos.

4) A separação entre sagrado e profano – No centro do pensamento católico existe a distinção entre natureza e graça idealizada e defendida por Tomás de Aquino, um dos mais importantes teólogos da Igreja Católica. Na prática, isso significou a aceitação de duas realidades co-existentes, antagônicas e frequentemente irreconciliáveis: o sagrado, substanciado na Santa Igreja, e o profano, que é tudo o mais no mundo lá fora. Os brasileiros aprenderam durante séculos a não misturar as coisas: sagrado é aquilo que a gente vai fazer na Igreja: assistir Missa e se confessar. O profano – meu trabalho, meus estudos, as ciências – permanece intocado pelos pressupostos cristãos, separado de forma estanque. É a mesma atitude dos evangélicos. Falta-nos uma mentalidade que integre a fé às demais áreas da vida, conforme a visão bíblica de que tudo é sagrado. Por exemplo, na área da educação, temos por séculos deixado que a mentalidade humanista secularizada, permeada de pressupostos anticristãos, eduque os nossos filhos, do ensino fundamental até o superior, com algumas exceções. Em outros países os evangélicos têm tido mais sucesso em manter instituições de ensino que além de serem tão competentes como as outras, oferecem uma visão de mundo, de ciência, de tecnologia e da história oriunda de pressupostos cristãos. Numa cultura permeada pela ideia de que o sagrado e profano, a religião e o mundo, são dois reinos distintos e frequentemente antagônicos, não há como uma visão integral surgir e prevalecer a não ser por uma profunda reforma de mentalidade entre os evangélicos.

5) Somente pecados sexuais são realmente graves – A distinção entre pecados mortais e veniais feita pelo romanismo católico vem permeando a ética brasileira há séculos. Segundo essa distinção, pecados considerados mortais privam a alma da graça salvadora e condenam ao inferno, enquanto que os veniais, como o nome já indica, são mais leves e merecem somente castigos temporais. A nossa cultura se encarregou de preencher as listas dos mortais e dos veniais. Dessa forma, enquanto se pode aceitar a “mentirinha”, o jeitinho, o tirar vantagem, a maledicência, etc., o adultério se tornou imperdoável. Lula foi reeleito cercado de acusações de corrupção. Mas, se tivesse ocorrido uma denúncia de escândalo sexual, tenho dúvidas de que teria sido reeleito, ou que teria sido reeleito por uma margem tão grande. Nas igrejas evangélicas – onde se sabe pela Bíblia que todo pecado é odioso e que quem guarda toda a lei de Deus e quebra um só mandamento é culpado de todos – é raro que alguém seja disciplinado, corrigido, admoestado, destituído ou despojado por pecados como mentira, preguiça, orgulho, vaidade, maledicência, entre outros. As disciplinas eclesiásticas acontecem via de regra por pecados de natureza sexual, como adultério, prostituição, fornicação, adição à pornografia, homossexualismo, etc., embora até mesmo esses estão sendo cada vez mais aceitáveis aos olhos evangélicos. Mais um resquício de catolicismo na alma dos evangélicos?

O que é mais surpreendente é que os evangélicos no Brasil estão entre os mais anti-católicos do mundo. Só para ilustrar (e sem entrar no mérito dessa polêmica) o Brasil é um dos poucos países onde convertidos do catolicismo são rebatizados nas igrejas evangélicas. O anti-catolicismo brasileiro, todavia, se concentrou apenas na questão das imagens e de Maria, e em questões éticas como não fumar, não beber e não dançar. Não foi e não é profundo o suficiente para fazer uma crítica mais completa de outros pontos que, por anos, vêm moldando a mentalidade do brasileiro, como mencionei acima. Além de uma conversão dos ídolos e de Maria a Cristo, os brasileiros evangélicos precisam de conversão na mentalidade, na maneira de ver o mundo. Temos de trazer cativo a Cristo todo pensamento e não somente os nossos pecados. Nossa cosmovisão precisa também de conversão (2Coríntios 10.4-5).

Quando vejo o retorno de grandes massas ditas evangélicas às práticas medievais católicas de usar no culto a Deus objetos ungidos e consagrados, procurando para si bispos e apóstolos, imersas em práticas supersticiosas, me pergunto se, ao final das contas, o neopentecostalismo brasileiro não é, na verdade, um filho da Igreja Católica medieval, uma forma de neo-catolicismo tardio que surge e cresce em nosso país onde até os evangélicos têm alma católica.

O artigo original poderá ser visto por meio desse link aqui:


Além da alma católica o povo evangélico também possui uma “alma judaica e judaizante”. Por isso aproveitamos essa oportunidade para recomendar a leitura do nosso artigo “JUDAIZANTES MODERNOS” por meio desse link aqui:


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Alexandros Meimaridis

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