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quinta-feira, 13 de agosto de 2015

UM ESTUDO SOBRE O PECADO — PARTE 014 — PECADO PARA A MORTE — PARTE C — INTERPRETAÇÕES CENTRADAS NOS DIFERENTES TIPOS DE PESSOAS QUE PODEM COMETER O PECADO IMPERDOÁVEL



Essa é uma série cujo propósito é estudar, com profundidade, os ensinamentos da Bíblia acerca do pecado, com uma ênfase especial na questão do chamado “pecado para a morte”. Os demais estudos dessa série poderão ser acessados por meio dos links alistados no final desse estudo.  

14C. Pecado Para a Morte — PARTE C

3 - Interpretações centradas em diferentes tipos de pessoas.

A passagem de João 3:18—21 é na opinião de vários estudiosos a que melhor explica a diferença entre “pecado não para a morte e pecado para  morte”. O texto de 1 João 5:16 atribui o pecado não para a morte a um “irmão”, i.e. a alguém que pertence à comunidade Joanina e que merece receber a intercessão de outros cristãos. Aqui temos que notar que o escritor cristão John Stott, no seu comentário nas Epístolas Joaninas, acredita que João não está se referindo literalmente a um irmão na fé, mas que João teria usado esse termo duma forma mais abrangente querendo significar “vizinho”, ou em relação a um cristão nominal, membro da igreja e que professe ser um “irmão”, mas não é irmão de verdade. Para dar sustentação à sua posição, Scott cita o uso que João faz da palavra “irmão” em — 

1 João 2:9—11: 

Aquele que diz estar na luz e odeia a seu irmão, até agora, está nas trevas. Aquele que ama a seu irmão permanece na luz, e nele não há nenhum tropeço. Aquele, porém, que odeia a seu irmão está nas trevas, e anda nas trevas, e não sabe para onde vai, porque as trevas lhe cegaram os olhos. 

Neste contexto fica implícito que João pode estar se referindo àquele que odeia a seu irmão, como sendo alguém que pertence à comunidade, mas que não é irmão genuíno. Na opinião de Stott tanto o “irmão” que comete pecado não para a morte como aquele outro — que não é chamado diretamente de irmão — e que comete o pecado para a morte são incrédulos e perdidos, sendo que para o primeiro, existe a possibilidade de salvação, o que é negado ao segundo. Essa interpretação parece boa e pode até mesmo ser aceita de modo geral, não fosse um pequeno detalhe. Pessoas incrédulas, perdidas ou não cristãs, sejam pagãos ou judeus, não são o assunto tratado por João em suas epístolas, conforme até já mencionamos anteriormente. Não existe nenhum motivo que indique ou justifique João introduzir um assunto tão diverso daquele que ele vinha tratando durante toda a epístola, que eram os problemas causados por falsos irmãos que haviam abandonado a comunidade e tornaram-se inimigos da mesma, exatamente agora no final da epístola. 

No dualismo Joanino a vida eterna é possuída somente por aqueles que acreditam no nome do filho de Deus e o pecado para a morte é um pecado que só pode ser cometido por não irmãos, i.e., por aqueles que não acreditam no nome do filho de Deus. É neste sentido e baseado nas palavras de Jesus em —

João 16:8—9

Quando ele vier (o Espírito Santo), convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: do pecado, porque não creem em mim. 

que João pode estar se referindo ao que ele chama de pecado para a morte. Outras passagens do Evangelho de João enfatizam essa verdade: 

João 8:17—21

Também na vossa lei está escrito que o testemunho de duas pessoas é verdadeiro. Eu testifico de mim mesmo, e o Pai, que me enviou, também testifica de mim. Então, eles lhe perguntaram: Onde está teu Pai? Respondeu Jesus: Não me conheceis a mim nem a meu Pai; se conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai. Proferiu ele estas palavras no lugar do gazofilácio, quando ensinava no templo; e ninguém o prendeu, porque não era ainda chegada a sua hora. De outra feita, lhes falou, dizendo: Vou retirar-me, e vós me procurareis, mas perecereis no vosso pecado; para onde eu vou vós não podeis ir.

E novamente:

João 15:20 – 23

Lembrai-vos da palavra que eu vos disse: não é o servo maior do que seu senhor. Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros; se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa. Tudo isso, porém, vos farão por causa do meu nome, porquanto não conhecem aquele que me enviou. Se eu não viera, nem lhes houvera falado, pecado não teriam; mas, agora, não têm desculpa do seu pecado. Quem me odeia odeia também a meu Pai.       

Nessas duas passagens Jesus esta se referindo às pessoas incrédulas, e cuja atitudes de incredulidade estavam colocando-as na perdição e sem nenhuma desculpa possível que fosse aceitável. 

Em toda a extensão da primeira epístola de João aqueles que não crêem são sempre “ex-irmãos” que abandonaram a comunidade. Esses podem até pensar que são cristãos, mas na estimativa do apóstolo João eles não possuem a verdadeira vida — 1 João 3:12—18 —; são estes que abandonaram a comunhão (koinonia) com o Pai e o Filho — 1 João 1:2—3. De acordo com João aqueles que abandonam a comunhão são caracterizados como pertencendo ao reino das trevas, da mentira, do maligno e da morte. Dessa maneira faz sentido o autor desencorajar orações por este tipo de pessoas. Provavelmente João achava que orações por essas pessoas eram inúteis. Jesus mesmo, em Sua oração sacerdotal, se recusou a orar pelo mundo — João 17:9 — e de acordo com 1 João 4:5 estas pessoas pertencem ao mundo.

A parte final da primeira epístola de João visa encorajar os seguidores do autor, que são todos aqueles que possuem a vida verdadeira. A intenção de João é deixar claro para seus discípulos que o pecado não pode destruir todas as oportunidades para que a verdadeira vida se manifeste. Mas ao mesmo tempo em que insiste nesta verdade, João não tira os olhos de cima dos seus adversários e insiste que seus discípulos não devem orar pelos adversários, da mesma maneira que em 2 João 10—11 insiste que tais pessoas não devem sequer ser saudadas ou recebidas nos lares. 

Por se recusarem a crer em Jesus como o Cristo encarnado, bem como Filho de Deus — ver1 João 2:22; 3:23; 4:2—3; 5:1, 5, 10 — eles preferem as trevas em vez da luz. Essas pessoas que abandonaram a comunhão (koinonia) são os exemplos vivos e contínuos daqueles que Jesus mesmo condenou – ver João 3:18— 21. Ao mencionar a recusa dessas pessoas de crerem em Jesus como sendo “o pecado para a morte”, João está trazendo sobre eles a herança judaica do pecado deliberado, que não pode ser perdoado porque vai contra a Lei de Deus e envolve uma blasfêmia contra o nome de Deus. Por outro lado, João também está trazendo sobre eles a herança cristã do pecado imperdoável contra o Espírito Santo, que é atribuir ao diabo aquilo que pertence ao Cristo. Note bem, não estamos aqui contradizendo o que falamos anteriormente. Continuamos afirmando que João não está necessariamente falando dos mesmos pecados referidos tanto pela tradição judaica como pela tradição cristã. Estamos apenas querendo dizer que essas tradições suprem o fundo histórico necessário bem como a terminologia que permite a João passar um julgamento severo sobre essas pessoas. João está levando em conta que seus leitores conhecem tanto o fundo histórico como a terminologia e como essas se aplicam às pessoas que abandonaram a koinonia. João deseja que seus leitores resistam a qualquer tentação que os conduza a demonstrar uma afeição desordenada por estas pessoas orando por elas.

A conclusão a que estamos chegando, que João caracteriza o pecado para a morte como sendo a atitude de pessoas que tendo convivido na koinonia cristã se afastaram dessa mesma koinonia e passaram a atacá-la, está em perfeita harmonia com o dualismo Joanino mencionado há pouco. As tentativas de atribuir o pecado para a morte a algum tipo de pecado dentro da comunidade cristã decorre de uma compreensão equivocada de que esse pecado pode se cometido por um irmão verdadeiro. O que temos que nos lembrar é que o assunto central das Epístolas de João é a atitude de ex-irmãos cristãos que, tendo uma vez abandonado a koinonia, agora se voltam contra essa mesma koinonia procurando destruí-la.   

Conforme mencionamos antes essas pessoas são verdadeiros “anticristos”. Ao negarem o Filho mostravam que não possuíam também ao Pai — ver 1 João 2:22 —23; 2 João 9. Eles eram filhos do diabo e não filhos de Deus — ver 1 João 3:10. É verdade que essas pessoas foram a um tempo membros da congregação visível e passaram por irmãos verdadeiros. Mas abandonaram a comunidade e sua saída é uma prova contundente de que eles nunca foram dos “nossos” — ver 1 João 2:19. Uma vez que estas pessoas rejeitaram o Filho de Deus, abriram mão também da vida eterna — ver 1 João 5:12. O pecado que essas pessoas haviam cometido era, sem sombra de dúvida, o pecado acerca do qual João desaconselhava orar: o pecado para a morte.


OUTROS ESTUDOS SOBRE O PECADO

O PECADO — ESTUDO —001 — TERMOS GREGOS E HEBRAICOS E PALAVRAS INTRODUTÓRIAS

O PECADO — ESTUDO —002 — A QUEDA — UMA INTERPRETAÇÃO DE GÊNESIS 3 — PARTE 1

O PECADO — ESTUDO —003 — A QUEDA — UMA INTERPRETAÇÃO DE GÊNESIS 3 — PARTE 2

O PECADO — ESTUDO —004 — A QUEDA PROPRIAMENTE DITA — UMA INTERPRETAÇÃO DE GÊNESIS 3 — PARTE 3 — FINAL

O PECADO — ESTUDO 005 — A VERDADEIRA LIBERDADE

O PECADO — ESTUDO 006 — PECADO E LIVRE ARBÍTRIO

O PECADO — ESTUDO 007 — A BÍBLIA E O PELAGIANISMO

O PECADO — ESTUDO 008 — O PECADO E A SOBERANIA DE DEUS

O PECADO — ESTUDO 009 — HISTÓRIA E QUEDA

O PECADO — ESTUDOS 010 E 011 — O PECADO ORGINAL E A DEPRAVAÇÃO TOTAL

O PECADO — ESTUDOS 012 — PECADO E A GRAÇA DE DEUS

O PECADO — ESTUDOS 013ª — PECADO E  O CASTIGO PARTE A

O PECADO — ESTUDOS 013B — PECADO E O CASTIGO PARTE B — JESUS NO GETSÊMANI — PARTE 001

O PECADO — ESTUDOS 013C — PECADO E O CASTIGO PARTE C — JESUS NO GETSÊMANI — PARTE 002

O PECADO — ESTUDOS 013D — PECADO E O CASTIGO PARTE D — JESUS NO GETSÊMANI — PARTE 003

O PECADO — ESTUDOS 013E — PECADO E O CASTIGO PARTE E — JESUS NO GETSÊMANI — PARTE 004

O PECADO — ESTUDOS 013F — PECADO E O CASTIGO PARTE F — JESUS NO GETSÊMANI — PARTE 005

O PECADO — ESTUDOS 014A — O PECADO PARA A MORTE — PARTE A — INTRODUÇÃO — QUESTÕES HERMENÊUTICAS

O PECADO — ESTUDOS 014B — O PECADO PARA A MORTE — PARTE B —DIFERENTES TIPOS DE PENAS E CASTIGOS PARA O PECADO IMPERDOÁVEL

O PECADO — ESTUDOS 014C — O PECADO PARA A MORTE — PARTE C —DIFERENTES TIPOS DE PESSOAS QUE PODEM COMETER O  PECADO IMPERDOÁVEL
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/08/um-estudo-sobre-o-pecado-parte-014_13.html

Que Deus abençoe a todos. 

Alexandros Meimaridis 

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quarta-feira, 4 de março de 2015

PARÁBOLAS DE JESUS - LUCAS 11:5—8 — A PARÁBOLA DO AMIGO IMPORTUNO — SERMÃO 029



Esse artigo é parte da série "Parábolas de Jesus" e é muito recomendável que o leitor procure conhecer todos os aspectos das verdades contidas nessa série, com aplicações para os nossos dias. No final do artigo você encontrará links para os outros artigos dessa série.

Sermão 029

A PARÁBOLA DO AMIGO IMPORTUNO

LUCAS 11:5—8

5 Disse-lhes ainda Jesus: Qual dentre vós, tendo um amigo, e este for procurá-lo à meia-noite e lhe disser: Amigo, empresta-me três pães,

6 pois um meu amigo, chegando de viagem, procurou-me, e eu nada tenho que lhe oferecer.

7 E o outro lhe responda lá de dentro, dizendo: Não me importunes; a porta já está fechada, e os meus filhos comigo também já estão deitados. Não posso levantar-me para tos dar;

8 digo-vos que, se não se levantar para dar-lhos por ser seu amigo, todavia, o fará por causa da importunação e lhe dará tudo o de que tiver necessidade.

Introdução

A. Essa parábola está colocada no Evangelho de Lucas na sequência da chamada “Oração do Pai Nosso”.

B. Mas no caso de Lucas, em vez de continuar com uma exortação para que os homens se amem uns aos outros como fez Mateus, ele introduz uma parábola que tem a intenção de nos ensinar a sermos perseverantes em oração, na mesma linha da parábola do Juiz Iníquo de Lucas 18:1—8.

C. Lucas é o único dos evangelistas a apresentar essa parábola.


I. O Princípio Básico — Orai Sem Cessar

A. O apóstolo Paulo encapsulou o conteúdo dessa parábola ao exortar os crentes em Tessalônica com as seguintes palavras:

1 Tessalonicenses 5:17

Orai sem cessar.

II. O Contexto

A. De forma breve, porém muito objetiva, Lucas descreve de forma empolgante uma delicada situação: um homem que já estava recolhido para dormir é subitamente acordado por um amigo batendo à sua porta à meia-noite! E o que ele queria? Eles estavam precisando, desesperadamente, de alguns pães para alimentar um terceiro que havia chegado a sua casa para ali hospedar-se. Levando em conta o fato de que já era muito tarde e que se tratava de uma cidade pequena, não era possível encontrar nenhum lugar onde um pão poderia ser comprado. Então o homem decide bater à porta do amigo.

B. Todavia, o amigo já estava recolhido junto com sua família por aquela noite. Mas o amigo do lado de fora de sua casa não está preocupado com isso. Ele está preocupado com seu amigo que chegou de viagem cansado. Ele não deseja, em nenhuma hipótese, faltar com as normas culturais da hospitalidade, mas também não deveria estar sentindo-se muito bem, em ter que procurar um amigo àquela hora para lhe pedir uns pães emprestados. Independentemente de tudo isso, ele se levanta e vai procurar o outro amigo que possa lhe emprestar uns três pães com os quais possa satisfazer a necessidade de seu hóspede.

C. O horário mencionado por Jesus — meia-noite — é emblemático. Ele pode significar que o homem tivesse acabado de chegar de uma longa viagem, cansado e muito faminto.

D. A história de Jesus é apenas muito humana. Todos os seus ouvintes podiam se identificar com a mesma, pois ela refletia uma situação verossímil. E sim, todos estavam como que nas pontas dos pés querendo saber como tal história iria terminar.

III. A Circunstância Imediata

A. Naqueles dias as casas eram pequenas e, geralmente, um único cômodo servia de sala durante o dia, e de quarto que acomodava a todos na hora de dormir.

B. As casas tinham uma porta que, geralmente ficava aberta o dia inteiro, mas ao anoitecer era costume do dono da casa trancar a porta, usando um tranca de madeira que impedia a porta de ser aberta. Depois do jantar, esteiras eram estendidas pelo chão onde todos se acomodavam para dormir. Dormia-se cedo e açodava-se mais cedo ainda. Portanto, à meia-noite quando o amigo importuno chegou, a família já devia estar dormindo a algumas horas e era extremamente complicado se levantar na escuridão para procurar qualquer coisa que fosse.

C. Foi nessas condições que o hospedeiro do viajante foi procurar seu amigo, despertando-lhe do sono e lhe fazendo o pedido:

Amigo, empresta-me três pães, pois um meu amigo, chegando de viagem, procurou-me, e eu nada tenho que lhe oferecer.

D. O uso da expressão “amigo” usada pelo importunador tinha como objetivo desarmar qualquer atitude de má vontade da parte do importunado, apesar dele não ter se mostrado muito solícito no primeiro momento, e com razão. Amigos verdadeiros não importunam seus amigos tão tarde da noite. Então a questão que fica no ar é: quem é o verdadeiro amigo: o que importuna para satisfazer as necessidades do seu hóspede ou o que é importunado?

E. Os pães solicitados, naqueles dias, não era maiores do que um pãozinho de 50 gramas que estamos acostumados a comprar em nossas padarias. Não era tão comprido, era geralmente arredondado e de acordo com o material usado podia ser mais pesado. Esse é o motivo porque Jesus compara um pão com uma pedra em

Mateus 7:9

Ou qual dentre vós é o homem que, se porventura o filho lhe pedir pão, lhe dará pedra?

F. Três pães como esses eram uma refeição satisfatória para um adulto, por mais faminto que estivesse.

G. A demorada explicação era outra tentativa de mover o amigo para que agisse com compaixão. De fato o importuno não tinha nenhuma alternativa para oferecer algo ao amigo faminto e cansado.

H. Os empréstimos de pães era algo comum naqueles dias entre vizinhos e conhecidos. O que era incomum era a hora em que o pedido foi feito. Pães tomados emprestados num dia eram devolvidos logo cedo na manhã seguinte que era a hora em que se assavam os pães que seriam usados pela família durante aquele dia.

I. A resposta do vizinho importunado é bem clara. Ele diz:

Não me importunes; a porta já está fechada, e os meus filhos comigo também já estão deitados. Não posso levantar-me para tos dar

J. O vizinho importunado não demonstra falta de condições e sim uma brutal falta de vontade em ajudar. Para atender pedido ele teria que se levantar, incomodar a esposa e os filhos, acender uma lâmpada, procurar os pães, destrancar a por e, só então, servir o amigo. Seria bem mais fácil se o amigo apenas fosse embora e desaparecesse na escuridão.   

IV. A Persistência

A. O vizinho necessitado, todavia, não lhe deu descanso. Continuou insistindo até que o processo mencionado acima aconteceu, e a porta finalmente foi aberta e os pães entregues ao vizinho importuno.  

B. É importante destacarmos que o vizinho importunado não atendeu ao pedido que lhe estava sendo feito por amizade ou qualquer outro motivo positivo. Ele cedeu por causa do grande incômodo que o outro estava lhe impondo. A persistência do vizinho foi o motivo verdadeiro porque o vizinho incomodado acabou cedendo.

C. A palavra “persistência”, apesar de não aparecer no texto é fundamental para o perfeito entendimento da conclusão da parábola.

Conclusão: os ouvintes originais desse diálogo são desafiados a considerar as seguintes verdades:

A. Jesus conta uma história em que a atitude de um determinado homem é colocada diante dos olhos e do ouvidos de todos que se encontravam ao redor de Jesus.

B: Esse homem se vê obrigado a mostrar hospitalidade para um amigo que o procurou muito tarde da noite. No meio dessa situação e sem ter o que oferecer para alimentar seu amigo, ele se levanta – era meia-noite — e vai em busca de uma solução.

C. Ele busca satisfazer a necessidade de seu hóspede com tanto empenho que se arrisca a perder a amizade do seu próprio vizinho a quem decide importunar naquela hora da noite. Ele insiste, porque no fundo, acredita que terá seu pedido atendido apesar das condições mais adversas possíveis.  

D. Jesus lança mão de algo que era bastante familiar aos seus ouvintes daquela época: a regra judaica dos contrastes. Essa regra era aplicada pelos mestres quando desejavam destacar algo maior, por meio do ensino de algo menor. Nesse contexto o homem decide importunar seu amigo porque sabe que será, finalmente, atendido. Assim Jesus nos ensina que podemos procurar a Deus em oração, porque ele não apenas ouve nossas orações, mas responde sempre de modo satisfatório para o nosso bem. Jesus deixa isso bem claro ao dizer:

Digo-vos que, se não se levantar para dar-lhos por ser seu amigo, todavia, o fará por causa da importunação e lhe dará tudo o de que tiver necessidade.

E. Ora, se um vizinho importunado à meia-noite se levanta para atender à necessidade de um amigo, mesmo a contragosto, quanto mais Deus, que é Pai, irá atender aos seus filhos que clamam a Ele de noite e de dia?

F. O ensinamento central da parábola é a “persistência”, mesmo que, como já dissemos tal palavra não é diretamente mencionada no texto. Mas podemos ver evidências da mesma por todos os lados.

G. A promessa de Deus não se limita a atender nossos pedidos. De fato, deus promete fazer o seguinte:

Efésios 3:20—21

20 Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós,

21 a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!

H. Deus sempre atende nossas orações como a única resposta apropriada para cada uma delas. Além do mais, Jesus nos manda orar em seu próprio nome, algo que equivale dizer que é o próprio Senhor Jesus quem está fazendo aquela oração!

I. Por fim, somos ensinado a terminar nossas orações com a palavra  amém  cujo significado é: assim seja — conforme as palavras da nossa oração.


OUTRAS PARÁBOLAS DE JESUS PODEM SER ENCONTRADAS NOS LINKS ABAIXO:

001 – O Sal

002 – Os Dois Fundamentos

003 – O Semeador

004 – O Joio e o Trigo =

005 – O Credor Incompassivo

006 — O Grão de Mostarda e o Fermento

007 — Os Meninos Brincando na Praça

008 — A Semente Germinando Secretamente

009 e 010 — O Tesouro Escondido e a Pérola de Grande Valor

011 — A Eterna Fornalha de Fogo

012 — A Parábola dos Trabalhadores na Vinha

013 — A Parábola dos Dois Irmãos

014 — A Parábola dos Lavradores Maus — Parte 1

014A — A Parábola dos Lavradores Maus — Parte 2

015 — A Parábola das Bodas —

016 — A Parábola da Figueira

017 — A Parábola do Servo Vigilante

018 — A Parábola do Ladrão

019 — A Parábola do Servo Fiel e Prudente

020 — A Parábola das Dez Virgens

021 — A Parábola dos Talentos

022 — A Parábola das Ovelhas e dos Cabritos

023 — A Parábola dos Dois Devedores

024 — A Parábola dos Pássaros e da Raposa

025 — A Parábola do Discípulo que Desejava Sepultar Seu Pai

026 — A Parábola da Mão no Arado

027 — A Parábola do Bom Samaritano — Completo

027A — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 1

027B — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 2 — Os Ladrões e o Sacerdote

027C — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 3 — O Levita

027D — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 4 — O Samaritano

027E — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 5 — O Socorro

027F — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 6 — O transporte até a hospedaria

027G — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 7 — O pagamento final

027H — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 8 — O diálogo final entre Jesus e o doutor da Lei

028 — A Parábola do Rico Tolo —

029 — A Parábola do Amigo Importuno —

030 — A Parábola Acerca de Pilatos e da Torre de Siloé

031 — A Parábola da Figueira Estéril

032 — A Parábola Acerca dos Primeiros Lugares

033 — A Parábola do Grande Banquete

034 — A Parábola do Construtor da Torre e do Grande Guerreiro

035 — Introdução a Lucas 15 — Parábolas Acerca da Condição Perdida da Raça Humana — Parte 001

036 — Introdução a Lucas 15 — Parábolas Acerca da Condição Perdida da Raça Humana — Parte 002

037A — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 001

037B — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 002

037C — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 003

037D — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 004 — A Influência do Antigo Testamento

037E — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 005 — Características Cristológicas da Parábola da Ovelha Perdida

037F — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 006 — A importância das pessoas perdidas.
Que Deus abençoe a todos. 

Alexandros Meimaridis 

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Desde já agradecemos a todos.