sábado, 29 de agosto de 2015

VIVENDO A VIDA CRISTÃ — ESTUDO 005 — EMPECILHOS PARA VIVER A VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTE 001



A vida Cristã é um dos maiores mistérios da humanidade. Trata-se da própria presença do Espírito Santo habitando nos crentes verdadeiros para transformá-los, dia a dia, em pessoas cada vez mais parecidas com a pessoa do Senhor Jesus Cristo. Essa série de estudos pretende discutir a fundo essa questão e esperamos que a mesma possa não apenas abençoar, mas também impactar poderosamente a vida de cada um dos leitores.

II. EMPECILHOS PARA A VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTE 001

Empecilhos a Vida Cristã

É sempre possível, mesmo tendo as melhores das intenções, sermos enganados em alguma área vital da nossa crença — convicções. Esses tipos de enganos certamente irão produzir ações incorretas. Essas ações estarão em desacordo com a perfeita vontade de Deus. Cedo ou tarde esses enganos tornam-se verdadeiras barreiras à Vida Cristã.

Se vamos ser cristãos bem sucedidos nós precisamos honestamente procurar e, ao encontrarmos, derrubarmos essas barreiras. Deus só pode nos livrar através da verdade e para isto Ele exige de nós honestidade. Não é à toa que Satanás, nosso inimigo, é chamado de “aquele que barra o caminho” — 1 Tessalonicenses 2:18 — e de mentiroso, conforme — João 8:44. Abaixo segue uma pequena lista das mentiras e barreiras mais comuns levantadas pelo nosso adversário. Junto com as mentiras de Satanás fornecemos uma série de versículos bíblicos os quais constituem a resposta — verdade — de Deus para aquelas.

1. Que o homem em geral, e até mesmo o cristão em particular, não são importantes para Deus

Deuteronômio 4:20

Mas o SENHOR vos tomou e vos tirou da fornalha de ferro do Egito, para que lhe sejais povo de herança, como hoje se vê.

Deuteronômio 7:6—7

6 Porque tu és povo santo ao SENHOR, teu Deus; o SENHOR, teu Deus, te escolheu, para que lhe fosses o seu povo próprio, de todos os povos que há sobre a terra.

7 Não vos teve o SENHOR afeição, nem vos escolheu porque fôsseis mais numerosos do que qualquer povo, pois éreis o menor de todos os povos.

Deuteronômio 14:2

Porque sois povo santo ao SENHOR, vosso Deus, e o SENHOR vos escolheu de todos os povos que há sobre a face da terra, para lhe serdes seu povo próprio.

Deuteronômio 26:18—19

18 E o SENHOR, hoje, te fez dizer que lhe serás por povo seu próprio, como te disse, e que guardarás todos os seus mandamentos.

19 Para, assim, te exaltar em louvor, renome e glória sobre todas as nações que fez e para que sejas povo santo ao SENHOR, teu Deus, como tem dito.

Deuteronômio 28:9

O SENHOR te constituirá para si em povo santo, como te tem jurado, quando guardares os mandamentos do SENHOR, teu Deus, e andares nos seus caminhos.

Deuteronômio 29:13

Para que, hoje, te estabeleça por seu povo, e ele te seja por Deus, como te tem prometido, como jurou a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó.

Deuteronômio 32:12

Assim, só o SENHOR o guiou, e não havia com ele deus estranho.

Salmo 33:12

Feliz a nação cujo Deus é o SENHOR, e o povo que ele escolheu para sua herança.

Isaías 43:1, 7, 21

1 Mas agora, assim diz o SENHOR, que te criou, ó Jacó, e que te formou, ó Israel: Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu.

7 A todos os que são chamados pelo meu nome, e os que criei para minha glória, e que formei, e fiz.

21 Ao povo que formei para mim, para celebrar o meu louvor.

João 3:16

Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

Romanos 5:8

Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.

Efésios 1:18

Iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos.

Colossenses 1:16

Pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele.

Apocalipse 4:11

Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas.

Como os versos acima deixam bem evidente, o Deus Criador e Todo Poderoso, nos ama e se interessa por nós, apesar de nós virarmos as costas para ele de forma contínua.

OUTROS ARTIGOS ACERCA DE “VIVENDO A VIDA CRISTÔ

ESTUDO 001 — COMO RECONCILIAR O PASSADO

ESTUDO 002 — INTRODUÇÃO GERAL

ESTUDO 003 — UMA DESCRIÇÃO DA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA —PARTE 001

ESTUDO 004 — UMA DESCRIÇÃO DA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA —PARTE 002

ESTUDO 005 — EMPECILHOS PARA UMA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTE 001

ESTUDO 006 — EMPECILHOS PARA UMA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTE 002

ESTUDO 007 — EMPECILHOS PARA UMA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTE 003

ESTUDO 008 — EMPECILHOS PARA UMA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA —PARTE 004

ESTUDO 009 — EMPECILHOS PARA UMA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTES 005 e 006

ESTUDO 010 — EMPECILHOS PARA UMA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTES 007 e 008

ESTUDO 011 — EMPECILHOS PARA UMA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTES 009 e 010

ESTUDO 012 — EMPECILHOS PARA UMA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTES 011 e 012

ESTUDO 013 — EMPECILHOS PARA UMA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTES 013 a 015
Que abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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sexta-feira, 28 de agosto de 2015

COMO A IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS DESEJA CONTROLAR A PRÁTICA ESPORTIVA NO BRASIL

Ministro dos Esportes vinculado ao PRB que é controlado pela IURD

O artigo abaixo foi publicado pelo site Gnotícias e é de autoria de Johnny Bernardo

A IURD e o Esporte como estratégia de crescimento

Por Johnny Bernardo

Com pouco mais de 2 milhões de membros – oito milhões, segundo a IURD – a Igreja Universal do Reino de Deus elegeu o esporte como uma de suas várias estratégias de crescimento. Articulada pela Força Jovem Universal, a iniciativa ganhou contornos federais com a indicação de George Hinton (PRB-MG) como o novo ministro do Esporte, no lugar de Aldo Rebelo (PCB-SP). Além do governo federal, o PRB assume quatro secretarias de esporte: São Paulo, com Jean Madeira; Minas Gerais, com Carlos Henrique; Ceará, com David Durand; e Distrito Federal, com Leila Barros. Além de Brasília e Estados o PRB ampliou sua presença em diversos municípios a pouco menos de um ano para os Jogos Olímpicos Rio 2016.

Existente desde a fundação da IURD, em 1977, mas com crescimento expressivo apenas na última década, a Força Jovem Universal (FJU) é uma das apostas do crescimento da Igreja em um seguimento pouco explorado pela Igreja Católica. Grande parte do quadro eclesiástico da IURD advém de jovens alcançados e formados pela FJU – o que inclui ex-detentos. Edir Macedo foi sagaz ao perceber a baixa presença de jovens em seminários católicos e a sua capacidade de produção, quando direcionada. De fato, os jovens constituem hoje uma das maiores forças da IURD e com tendência de crescimento. A guinada Universal se dá em um momento de efervescência juvenil, com as Jornadas de Junho, os movimentos de inclusão da juventude brasileira. Uma estratégia!

Atuando em cinco frentes, a FJU diz ter “beneficiado mais de dois milhões de jovens em todo o país”. Além dos projetos Arcanjo, VPR (Visão, Planejamento e Realização), Uniforça e o Força Jovem Universitários (FJUni), a FJU possui o projeto Esportes. Segundo a organização, “quem faz parte do grupo Força Jovem Universal tem a oportunidade de praticar diversas atividades esportivas”. As atividades incluem exercícios físicos, futebol, basquete, vôlei, boxe, judô entre outras modalidades esportivas. Nas eleições 2014, a Igreja Universal – por meio de seu braço político, o PRB – promoveu uma expressiva articulação com a finalidade de uma possível participação no ministério e secretarias do esporte, respectivamente. O objetivo é colar a imagem da Igreja Universal nos Jogos Olímpicos e expandir sua presença entre os jovens, em uma tentativa de consolidação internacional.

"As opiniões ditas pelos colunistas são de inteira e única responsabilidade dos mesmos, as mesmas não representam a opinião do Gospel+ e demais colaboradores."

Por Johnny Bernardo
Johnny Bernardo é jornalista, pesquisador da religiosidade brasileira e das relações entre religião e sociedade, autor de dois livros (dentre os quais a Enciclopédia Temática de Religião), colunista do Gnotícias e do Núcleo Apologético de Pesquisas e Ensino Cristão (NAPEC), e está em fase de conclusão do licenciamento em Ciências Sociais pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP).

O artigo original poderá ser visto por meio do link abaixo:


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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COMO ESCAPAREMOS NÓS – PARTE 6



CONTINUAÇÃO

Hebreus 2:3b—4

A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram;

4  dando Deus testemunho juntamente com eles, por sinais, prodígios e vários milagres e por distribuições do Espírito Santo, segundo a sua vontade.

As Boas Novas da Salvação então são derivadas do próprio Senhor, cuja obra de medição é totalmente diferente daquela representada pelos anjos. Além disso, o Senhor Jesus é muito diferente dos intermediários humanos que evangelizaram os judeus por séculos. Mas a afirmação do nosso autor tem uma implicação bastante importante para os homens que nos trouxeram o evangelho depois da manifestação de Jesus, que era o Filho de Deus e o próprio Deus.

O verso acima trata duma importante questão que tem a ver com a sucessão apostólica. Segundo nosso autor a verdadeira sucessão apostólica é aquela que tendo se iniciado com Jesus prosseguiu com seus apóstolos e continua em nossos dias por meio de todos nós que estamos envolvidos na proclamação das Boas Novas. Esse é o resumo e a substância dessa passagem, como também afirma o apóstolo Paulo em —

1 Timóteo 2:5—7

5 Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem,

o qual a si mesmo se deu em resgate por todos: testemunho que se deve prestar em tempos oportunos.

7 Para isto fui designado pregador e apóstolo (afirmo a verdade, não minto), mestre dos gentios na fé e na verdade.

Do mesmo modo, o apóstolo Pedro, quando proclamou o evangelho para Cornélio lhe disse o seguinte —

Atos 10:36—42

36 Esta é a palavra que Deus enviou aos filhos de Israel, anunciando-lhes o evangelho da paz, por meio de Jesus Cristo. Este é o Senhor de todos.

37 Vós conheceis a palavra que se divulgou por toda a Judéia, tendo começado desde a Galiléia, depois do batismo que João pregou,

38 como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder, o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele;

39 e nós somos testemunhas de tudo o que ele fez na terra dos judeus e em Jerusalém; ao qual também tiraram a vida, pendurando-o no madeiro.

40 A este ressuscitou Deus no terceiro dia e concedeu que fosse manifesto,

41 não a todo o povo, mas às testemunhas que foram anteriormente escolhidas por Deus, isto é, a nós que comemos e bebemos com ele, depois que ressurgiu dentre os mortos;

42 e nos mandou pregar ao povo e testificar que ele é quem foi constituído por Deus Juiz de vivos e de mortos.

Essa sucessão na qual a mensagem de salvação foi primeiro anunciada pelo próprio Senhor Jesus e, que foi depois atestada por aqueles que a ouviram dos lábios do próprio Senhor, e que continua sendo transmitida de geração em geração alcançando os cantos mais remotos da terra é bem ilustrada, numa nota autobiográfica escrita por Irineu de Lion, da qual um fragmento foi preservado pelo historiador cristão Eusébio de Cesareia. Irineu que se manifestou durante a parte final da segunda metade do século II d.C., relembra os dias de sua mocidade, quando foi instruído acerca do evangelho por Policarpo de Esmirna — que foi martirizado entre 155 e 156 d.C. —, o qual tinha sido, por sua vez, discípulos do apóstolo João que tinha sido um dos apóstolos do próprio Senhor Jesus Cristo. Irineu escreve:

Eu me lembro dos acontecimentos daqueles dias, melhor do que me lembro de fatos mais recentes. Pois aquilo que meninos aprendem costuma crescer junto com suas mentes numa proximidade muito grande. Desse modo eu sou capaz de me lembra do exato lugar onde o bendito Policarpo costumava sentar e falar. Também me lembro de seus modos ao chegar e partir, e a forma como conduzia sua vida, sua aparecia física, seus discursos para o público, bem como suas narrativas acerca dos encontros que teve com o apóstolo João, e com outros que também haviam visto o Senhor. E à medida que se lembrava das palavras deles, e o que ouviu da parte deles acerca do Senhor, de seus milagres e de seus ensinamentos, tendo recebido tais informações da parte de testemunhas oculares acerca do “Verbo da Vida”, Policarpo relatou todas essas coisas em plena harmonia com as Escrituras. Essas coisas me foram contadas pela misericórdia de Deus para mim. Eu ouvi as mesmas com muita atenção e tomei notas, não em papel, mas no meu coração. E, de modo contínuo eu continuo a lembrar-me delas, por meio da graça de Deus, de modo fiel.[1]    


CONTINUA...

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[1] Eusébio. The History of The Church in Penguin Classics. Traduzido por G. A. Williams, revisada e ampliada por Andrew Louth,. Penguin Group, London, 1989

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 005


Concepção artística da filosofia existencialista humanista 



Esse é um estudo especial que irá abordar temas de grande interesse, tais como: 1. Deus 2. Os seres humanos e o mundo criado 3. Jesus e Sua missão como o CRISTO. 4. O Espírito Santo. 5. A vida cristã. 6. A Igreja. 7. O futuro e etc. Esperamos que a mesma possa ajudar todos os nossos leitores a conhecerem melhor o que o Novo Testamento ensina acerca de tudo o que nos é importante.

INTRODUÇÃO GERAL

CONTINUAÇÃO:

Mas não seria verdadeiro afirmar que a Teologia do Novo Testamento de Bultmann era de fato ou que pelo menos tinha a intenção de ser uma narrativa puramente histórica. Ele também introduziu elementos dogmáticos que bem distintos da dogmática da escola antiga de estudos do Novo Testamento. Bultmann era um homem do seu tempo. Então ele se inspirou bastante na filosofia existencial. Isso quer dizer que para Bultmann os textos teológicos matinha certa relevância contínua, mas precisavam ser reinterpretados. Para Bultmann o texto do Novo Testamento que estava disponível para ele tinha sido produzido em um meio que lançou mão de uma abordagem mitológica, comum àquela época, e por isso o mesmo precisava der “demitologizado”. Era com uma verdadeira “cebola” que precisava ter suas camadas removidas até se chegar ao cerne da mesma. Era assim que Bultmann enxergava o Novo Testamento, especialmente os Evangelhos. Somente quando se atingisse o cerne, ele acreditava, então estaríamos diante de verdade capazes de nos desafiar a tomar algum tipo de decisão. Nenhuma relação era vista — na opinião dele e seus seguidores até hoje — entre o Jesus histórico e o Cristo da fé. Essa dicotomia, certamente influenciou toda a teologia do doutor de Marburgo e Breslau.

Sem dúvida a teologia de Bultmann estava centrada não na Bíblia e muito menos no Novo Testamento, mas puramente no próprio ser humano. E o ser humano, o homem, o verdadeiro objeto da teologia de Bultmann. A consequência disso é óbvia: a teologia torna-se uma matéria sujeita aos caprichos da antropologia.

Mas devemos esclarecer que nem todos os discípulos de Bultmann eram tão céticos quanto ao Jesus Histórico como o afamado mestre. A Teologia do Novo Testamento escrita por Hans Conzelmann ainda mostra pesados resquícios das ideias de Bultmann, mas existem outras que oferecem abordagens onde se dá pleno valor às palavras de Jesus como encontradas no Novo Testamento. Na teologia de Conzelmann, Jesus aparece apenas um pouco mais próximo de um personagem histórico que na teologia de Bultmann. Mas a mesma continua dominada por uma tentativa incansável de reinterpretar o Novo Testamento, de acordo com os princípios da Filosofia Existencial, e nós temos a obrigação de questionar, até que ponto podemos chamar algo como isso de Teologia do Novo Testamento.
  
Durante o período em que a Teologia do Novo Testamento esteve sob a pesada influência da Filosofia Existencial surgiu um movimento paralelo que passou a dar uma atenção, cada vez maior, à chamada Teologia Bíblica. Essa havia sofrido grandes danos durante a época que podemos chamar do movimento acerca do “Jesus Histórico”. Todos os que tiverem interesse em conhecer melhor essa história poderão ler a obra de Bem Witherington II, The Jesus Quest — The Third Search for the Jew of Nazareth publicado pela Inter-Varsity Press.

Contra todos os movimentos fragmentários de vários outros movimentos, o movimento voltado para a teologia bíblica esforçou-se para identificar elementos de unidade dentro da variedade d Novo Testamento. Os mais notáveis entre esses expoentes são Oscar Cullmann, com sua ênfase no conceito de Heilsgeschichte, que enfatiza o fato que tanto os atos de Deus como Suas palavras, que interpretam e dão sentido a esses fatos, são fundamentais no processo de salvação, uma visão que lança um desafio às bases do existencialismo. Para Cullmann, a hitória tem uma importância enorme em qualquer abordagem que se faça com relação a Teologia do Novo Testamento. A obra prime de Cullmann encontra-se na área da Cristologia. O mesmo pode ser dito de Floyd Filson, que adota uma posição semelhante. Nenhum dos dois, todavia, chegou a produzir uma Teologia do Novo Testamento completa.

CONTINUA...

OUTROS ARTIGOS ACERCA DA TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 001

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 002

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 003

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 004

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 005

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 6

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 007
TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 008

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 009

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 010

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 011

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 012




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quarta-feira, 26 de agosto de 2015

EDUCAÇÃO CRISTÃ - ESTUDO 008 - A Igreja Cristã no Brasil no Século XXI — PARTE 003



Ministérios da Igreja

CONTINUAÇÃO

II – Igrejas — Corporativas e Institucionais 

Em segundo lugar, nossa incapacidade tem a ver com a institucionalização e o corporativismo das nossas igrejas denominacionais. Como nossas “matrizes” estrangeiras nós estamos muito próximos do abismo que confunde respeitabilidade com espiritualidade. Chegamos a um ponto em que já não somos mais cidadãos de segunda classe, quando comparados à igreja Católica Romana. O próprio “mercado” já nos reconhece como um alvo a ser atingido. Mas certamente estamos muito longe de sermos ou de continuarmos a ser dignos descendentes e representantes da verdadeira igreja. Ricardo Gouvêa resumiu de forma brilhante o quadro atual ao dizer: “o protestantismo tornou-se hoje uma tradição religiosa pesada, clericalizada, institucionalizada, sistematizada, e o ensino da palavra de Deus acaba muitas vezes perdido sob o entulho dos anos de reflexão escolástica, do ensino pragmático, do sensorialismo tolo, da pseudo-ortodoxia desespiritualizada e da prática ritualista. Hoje o protestantismo tornou-se tão tradicionalista quanto a igreja católica, e às vezes ouço alguém comentar que é quase como se fosse necessária uma nova reforma protestante.”[1] Sim, é necessário uma nova reforma. 

O leitor não precisa ir muito longe para constatar o que está escrito aqui. Uma leitura, mesmo superficial, de qualquer constituição ou estatuto de qualquer igreja, poderá facilmente constatar o corporativismo ali presente. Todas elas são escritas com o objetivo primário de proteger os interesses da classe dominante. A atitude demonstrada por Jesus ao lavar os pés dos discípulos não tem nenhum valor na cristandade do século XXI. Em vez de seguir o exemplo de Jesus —

João 13:13—15

13 Vós me chamais Mestre e Senhor e dizeis bem, porque eu o sou.

14 Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros.

15 Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também.

nossos líderes religiosos, se parecem mais com o personagem Sacripante, pessoa de índole  violenta, mau caráter e falsamente piedosa, do poema Orlando Innamorato, de Matteo-Maria Boiardo (1434-1494), e do poema Orlando Furioso, de Luigi Ariosto (1474-1533).

Olhe ao seu redor, não importa a que denominação você pertence e responda: os líderes da sua denominação estão servindo os irmãos — fazendo os serviços mais insignificantes como lavar os pés —, ou estão se servindo dos irmãos? Estão nossos líderes seguindo o ensino de Jesus quando ele disse:

Marcos 10:42 - 44

Sabeis que os que são considerados governadores dos povos têm-nos sob seu domínio, e sobre eles os seus maiorais exercem autoridade. Mas entre vós não é assim; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será servo de todos .

Não creio que estejamos vendo esta qualidade de serviço. Nossas lideranças se parecem muito mais com aqueles que buscavam os primeiros lugares nos banquetes e nas sinagogas. Note como se congratulam e como sempre convidam seus pares para estarem junto nas plataformas. Como fazem questão dos títulos de “pastor”, “reverendo”, “ancião” etc. Como se veem distintos dos irmãos. Esses pequenos, mas emblemáticos sinais demonstram de maneira clara que não estão seguindo o exemplo de Jesus. A falta da genuína fraternidade é a prova mais contundente do fracasso absoluto da cristandade.


III – Educação Cristã Padronizada — Programas X Pessoas 

Nada ressalta de maneira mais absoluta nossa incapacidade do que nossa abordagem da educação cristã e dos ministérios da igreja. Na maioria das nossas igrejas um planejamento dos ministérios educacionais da igreja é completamente inexistente. Não se pensa nada de novo. Ao se iniciar um trabalho, se importam os formatos já conhecidos —quase tudo que está disponível nos dias de hoje é diretamente importado das terras do tio Sam — e utilizados nas igrejas de origem. Os modelos importados,[2] não entendem que as necessidades dos ribeirinhos da Amazônia são muito diferentes das necessidades dos gaúchos que vivem na fronteira com o Uruguai. De acordo com Eugene Peterson “a espiritualidade e o ministério são sempre locais e específicos, e acontecem sob condições específicas para cada caso”.[3]


Ademais, não existe a formação de pessoas nas igrejas locais para administrarem e ministrarem às mais diversas necessidades. Isto se deve, diretamente, à incapacidade dos nossos pastores, já que é competência dos mesmos o “aperfeiçoamento dos santos visando o desempenho do seu serviço para a edificação do corpo de Cristo — Efésios 4:12”. Mas isto não lhes foi ensinado no seminário, e muito menos lhes foram fornecidas as ferramentas para se atingir tais objetivos. Nossos pastores refletem a imagem dos seus mestres. São vaidosos e se consideram distintos dos irmãos que compõe o rebanho, não apenas no aspecto funcional — reconhecido pelas escrituras pois temos funções diferentes dentro do corpo de Cristo, a igreja — mas também posicional — desconhecido das escrituras já que todos nós, independente da função, estamos posicionados “em Cristo.

Tudo isto nos leva a uma educação cristã padronizada onde os programas são mais importantes que as pessoas, já que são, na maior parte das vezes, impostos de cima para baixo. A vaidade humana tem total supremacia sobre as necessidades das pessoas. Tudo começa com a incapacidade que temos de determinar quais são as necessidades das pessoas às quais pretendemos ministrar. Não conhecendo as necessidades nada podemos fazer para satisfazê-las. Não admira que estejamos perdendo desde crianças até adultos da terceira idade.

Nossos programas padronizados não levam em conta que cada grupo — crianças, adolescentes, jovens, adultos solteiros, adultos casados sem filhos, adultos casados com filhos, pessoas de meia e da terceira idade e isto para não falar nas mães solteiras, viúvas, órfãos, pessoas separadas ou divorciadas e etc., têm suas próprias características e necessidades e anseiam por ter suas necessidades individuais satisfeitas. Sem conhecer as necessidades não conseguimos estabelecer os alvos certos. Ou seja, estamos atirando a esmo, sem chances reais de acertar os alvos corretos. Sem os alvos apropriados, não importa os programas e pouco importam os métodos e os materiais utilizados e são totalmente irrelevantes, os métodos de organização e administração, que possamos ter. Os mesmos não atingirão o alvo certo e jamais satisfarão as necessidades reais das pessoas. A apatia enfrentada pelas denominações tradicionais tem um diagnóstico preciso: não estamos satisfazendo as necessidades das pessoas. 

No outro lado da moeda isso também explica o porque do grande sucesso das novas igrejas, como as que mencionamos em outro artigo da série. Em um país miserável e de miseráveis, em um país de desempregados, em um país onde a insegurança é palpável, em um país onde o sistema de medicina do estado e o sistema previdenciário encontram-se em completa falência faz muito sentido oferecer soluções mágicas para a falta de dinheiro ou bens, a falta de emprego, de saúde e de segurança. As técnicas de embromação se multiplicam tão ou mais velozmente do que a multiplicação do desespero das pessoas. Desta maneira, essas formas de religiões pseudocristãs, apesar de condenarem de maneira veemente as religiões afro-brasileiras, o espiritismo e a idolatria patrocinada pela igreja Romana, acabam por oferecer soluções mágicas e imediatas iguais àquelas das formas religiosas que condenam. A confusão é imensa. Mas será que está tudo perdido? Não, se pensasse assim não estaria aqui escrevendo estas linhas e desejando compartilhar uma forma de retornarmos ao ponto onde as pessoas voltem a ser nossa prioridade número um. Somente quando entendermos qual é o propósito distinto e singular de Deus para nossos dias, e que este propósito de Deus tem tudo a ver com pessoas, poderemos então iniciar uma caminhada no sentido de reconstruir a igreja, ou como já foi mencionado anteriormente efetuarmos uma nova reforma.

CONTINUA...

OUTROS ESTUDOS ACERCA DE EDUCAÇÃO CRISTÃ

001 — A EXCELÊNCIA DA VIDA PESSOAL DAQUELES QUE DESEJAM ENSINAR — PARTE 001

002 — A EXCELÊNCIA DA VIDA PESSOAL DAQUELES QUE DESEJAM ENSINAR — PARTE 002

003 —A EXCELÊNCIA DA VIDA PESSOAL DAQUELES QUE DESEJAM ENSINAR — PARTE 003

004 — A IMPORTÂNCIA DA ALIANÇA COM DEUS

005 — OS ALVOS DA EDUCAÇÃO CRISTÃ

006 — A IGREJA NO PRINCÍPIO DO SÉCULO XXI – PARTE 001 — INTRODUÇÃO — OS COLONIZADORES VÊM EM NOME DE DEUS

007 — A IGREJA NO PRINCÍPIO DO SÉCULO XXI – PARTE 002 — NOSSAS ESCOLAS TEOLÓGICAS

008 — A IGREJA NO PRINCÍPIO DO SÉCULO XXI – PARTE 003 — IGREJAS CORPORATIVISTAS E INSTITUCIONALIZADAS E EDUCAÇÃO CRISTÃ PADRONIZADA

009 — A IGREJA NO PRINCÍPIO DO SÉCULO XXI – PARTE 004 — CONSUMISMO E CELEBRITISMO

010 — O PROPÓSITO SINGULAR DE DEUS PARA OS NOSSOS DIAS

011 — A PALAVRA IGREJA NO NOVO TESTAMENTO

012 — A EXPRESSÃO GREGA “EM CRISTO” — ἐν Χριστῷ

013 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA

014 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 002

015 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 003
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/09/educacao-crista-estudo-015-o-que-o-novo.html
016 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 004 — A IGREJA COMO PLENITUDE
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/12/educacao-crista-estudo-016-o-que-o-novo.html
017 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 005 — A UNIDADE DA IGREJA CRISTÃ
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/01/educacao-crista-estudo-017-o-que-o-novo.html
018 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 006 — HUMILDADE E AMOR EM MEIO À DIVERSIDADE DE DONS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/01/educacao-crista-estudo-018-o-que-o-novo.html
019 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 007 — A IGREJA COMO MISTÉRIO DE DEUS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/02/educacao-crista-estudo-019-o-que-o-novo.html
020 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 008 — COMO A IGREJA É FORMADA OU CRIADA?
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/03/educacao-crista-estudo-020-o-que-o-novo.html
021 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — PARTE 009 — QUANDO A IGREJA COMEÇOU?
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/03/educacao-crista-estudo-021-o-que-o-novo.html
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Alexandros Meimaridis 
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[1] Ricardo Quadros Gouvêa na introdução do livro de Emil Brunner O Equívoco sobre a Igreja, São Paulo, Editora Novo Século Ltda, 2000.
[2] Talvez os casos mais clamorosos sejam os representados por Rick Warren e seu livro “Uma Igreja com Propósitos” — recomendado pelo já falecido Pastor Ary Velloso como sendo “o melhor, mais prático e o mais rico ensino sobre o crescimento da igreja depois do livro de Atos dos Apóstolos — e por Cezar Castellanos e seu livro “Sonha e Ganharás o Mundo” — recomendado pela pastora e missionária Valnice Milhomens. Estes dois livros representam modelos de evangelização que disputam os corações dos pastores brasileiros. Um é originário da Califórnia nos Estados Unidos e o outro nos chega diretamente de Bogotá na Colômbia.
[3] Peterson, Eugene, O Pastor Desnecessário, Rio de Janeiro, Editora Textus, 2001.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

EVANGÉLICOS JÁ NÃO CRESCEM TANTO QUANTO ANTES



O artigo abaixo foi publicado pela Revista Cristianismo Hoje e assinado pela Redação da revista.

JÁ NÃO CRESCE TANTO

Declínio nas estatísticas de avanço numérico do segmento evangélico sinaliza crise da Igreja.
Escrito por Da Redação

Há coisa de cinco anos, evangélicos de todo o Brasil entraram em festa. Pela primeira vez, desde que o país foi achado pelos portugueses, a fé católica perderia sua hegemonia. Esta, pelo menos, era a previsão de pastores, líderes e pesquisadores diante dos números promissores sobre o avanço da Igreja Evangélica no país. “O Brasil é do Senhor”, frase bradada dos púlpitos e nos programas evangélicos na TV, sintetizava a virada de mesa que aconteceria em breve. Quem cresse e vivesse, veria – e a base para tanto ufanismo eram as estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, que a cada década realiza o Censo da população nacional. No levantamento do ano 2010, chegou-se à cifra de 42,3 milhões de crentes, ou 22,2% do povo brasileiro. O processo fora mais avassalador ainda nas comparações anteriores, que mostravam um avanço de seis vezes do segmento em duas décadas. Em seu estudo A dinâmica das filiações religiosas no Brasil entre 2000 e 2010, o pesquisador José Eustáquio Diniz, da Escola Nacional de Ciências Estatísticas, chegou a dizer que o Brasil poderia ser um país de maioria evangélica já por volta de 2030: “Apenas pelo efeito da inércia demográfica, haverá crescimento da população evangélica.”

Na mesma onda foram muitos pastores e institutos de pesquisa evangélicos. O Departamento de Pesquisas do ministério Servindo Pastores e Líderes (Sepal) divulgou uma estimativa, em 2011, segundo a qual os evangélicos representariam mais da metade da população brasileira já em 2020. “Eles serão aproximadamente 109,3 milhões, para uma população de 209,3 milhões,” previu o teólogo e pesquisador Luis André Bruneto. O entusiasmo era corroborado por grandes manifestações, como a Marcha para Jesus (que, em 2009, levou às ruas de São Paulo quase 2 milhões de pessoas), pela maciça presença midiática dos pastores e pela crescente influência evangélica em setores como a política partidária, entre outros. “O Instituto Superior de Estudos da Religião fez, na década de 90, uma extensa pesquisa sobre a abertura de templos. Eram cinco por semana, só no Rio de Janeiro”, observa o pastor presbiteriano André Mello, na época integrante da equipe do Iser.

Acontece que, se a matemática é uma ciência exata, a dinâmica demográfica, muitas vezes, caminha na direção oposta, e aí não há fé capaz de fechar a equação. Os números relativos à religiosidade do povo brasileiro do Censo 2010 só foram fechados e divulgados mais de dois anos depois, e o festejado crescimento dos evangélicos, que se acelerou de maneira sem paralelo no mundo contemporâneo entre os anos 1980 e 2000, caiu bastante. Os números ainda são ascendentes, mas tendem à estabilização – e até ao encolhimento, como especulam alguns pesquisadores –, o que contraria frontalmente as previsões mais ufanistas. “Entre 1991 e 2000, o aumento médio foi de 120%”, lembra o bispo emérito da Igreja Metodista Paulo Ayres Mattos. Dali em diante, o avanço caiu pela metade. “Isso não pode ser ignorado de forma alguma para quem trabalha com rigor e seriedade as mutações no campo religioso brasileiro”.  Doutor em Teologia e professor da Universidade Metodista de São Paulo, Ayres é estudioso do movimento pentecostal brasileiro e avalia que o fato mais importante dos dados religiosos do último Censo é a diminuição comparativa do crescimento evangélico.

DESCONCENTRAÇÃO

Há diversas razões para essa perda do ímpeto de crescimento, que pôde ser sentida no dia 4 de junho, quando apenas cerca de 200 mil pessoas, na avaliação da Polícia Militar, prestigiaram a mesma Marcha para Jesus nas ruas da capital paulista. “As pesquisas atuais falam em fechamento de templos e dissolução de associações evangélicas por divergências ou luta por poder”, acrescenta André Mello. Tal fragmentação das igrejas, e seu consequente enfraquecimento, é apenas um dos motivos do quadro atual. Ela se verifica tanto na igrejinha da esquina, da qual o pastor assistente saiu para abrir seu próprio empreendimento religioso, até grandes grupos, como a Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd). Nadando de braçada na explosão evangélica dos anos oitenta e noventa (ver quadro), a denominação de Edir Macedo começou a sofrer a concorrência – é, o termo usado pelos estudiosos é este mesmo, que remete à ideia de disputa por mercado – de grupos saídos de suas entranhas, como a Igreja Mundial do Poder de Deus, fundada e liderada por Valdemiro Santiago, ex-pastor da Universal e atual desafeto do antigo chefe. O estrago é um dos motivos do encolhimento da Iurd, de 2,1 milhões de fiéis, há quinze anos, para os cerca de 1,8 milhão encontrados em 2010. De maneira análoga, diversas denominações têm sofrido fraturas e cizânias que, no médio prazo, acabam dificultando as coisas tanto para a igreja que fica como para aquela que se forma.

“As pessoas, hoje, têm mais liberdade para escolher e combinar diversas opções em seu próprio cardápio religioso, como num balcão de comida a quilo”, continua Paulo Ayres. Para ele, o quadro sinaliza as transformações sociais que melhoraram a situação econômica de boa parte da população nos últimos anos, como as classes C e D. “Isso possibilitou às pessoas resolverem seus problemas mediante meios mais racionais, sem buscar o recurso de soluções milagrosas”. Além disso, o bispo metodista aponta outros fatores, como o aparecimento mais visível dos evangélicos sem igreja e o aumento percentual de pessoas sem religião, ateus e agnósticos no cenário nacional. De fato, o IBGE encontrou 9.218.000 brasileiros que se enquadram na difusa categoria “evangélica não determinada”, que inclui os chamados desigrejados – gente que, apesar da origem evangélica, em determinado momento da vida assumiram uma fé “não institucional”, para usar o termo moderninho. “Tudo isso confirma um dado já identificado anteriormente, trabalhado com bastante competência por sociólogos da religião como Paul Freston”, cita.

Autor de um artigo polêmico, publicado na revista Ultimato em 2011 e no qual questionava as previsões entusiasmadas que anunciavam a quebra da antiga hegemonia religiosa do catolicismo, Freston cunha uma expressão para se referir ao esvaziamento da ideia de pertencimento religioso, antes tão cara aos evangélicos que era comum se ver, nos bancos das igrejas, sucessivas gerações de crentes. “Vários fatores podem estar por trás dessa ‘desdenominacionalização’. São aspectos negativos – como o individualismo e a falta de compromisso – e outros positivos, como a melhora econômica e a consequente diminuição da necessidade de uma relação clientelista numa igreja com liderança forte”. Inglês naturalizado brasileiro e colaborador nos programas de pós-graduação da Universidade Federal de São Carlos, Freston, que atualmente leciona no Canadá, chama a atenção para os subgrupos do universo evangélico brasileiro, lembrando que o fenômeno os atinge em diferentes graus. “As análises se complicam com as mudanças internas do segmento. Segundo o Censo, 60% dos evangélicos são pentecostais; 18% são de missão (ou seja, integrantes de igrejas históricas ou tradicionais); e 22% estão entre os ‘evangélicos não determinados’.”

Ele considera que o espantoso o aumento desta última categoria atrapalha as comparações com os Censos anteriores. Quem seriam eles? “Será que são neopentecostais decepcionados com as suas igrejas, mas que ainda se consideram evangélicos? Ou pentecostais clássicos, de terceira ou quarta geração, em processo de ‘despentecostalização’? Ou crentes de igrejas históricas que perderam a sua identidade denominacional? Ou uma soma de tudo isso e muito mais? De qualquer forma, diminui a porcentagem do mundo evangélico que se diz pentecostal ou que declara adesão a uma denominação categorizada como tal”, descreve o professor. Por outro lado, o Censo anuncia mudanças demográficas no Brasil que não favorecem o movimento, como o acelerado envelhecimento da população e a redução da taxa de fecundidade. Numa coisa, porém, Freston é categórico: “Os dados desmentem claramente as previsões absurdas que circularam de que haveria uma maioria evangélica até 2020. Estas previsões fazem um grande desserviço à comunidade evangélica.”

O avanço da Igreja Evangélica brasileira, alavancado pela explosão pentecostal e neopentecostal de vinte anos atrás, estará perto de bater no teto? “No momento, parecem precoces e arriscadas quaisquer conjecturas desse tipo”, comenta Ricardo Mariano, doutor em Sociologia e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Em seu trabalho Mudanças no campo religioso brasileiro no Censo 2010, ele menciona que os sem religião, demograficamente insignificantes até 1970, já chegam a 15,3 milhões de brasileiros. “Eles quintuplicaram de tamanho entre 1980 e 2010, formando o terceiro maior ‘grupo religioso’ do país”, diz no estudo. Ao mesmo tempo, a expansão dos pentecostais na última década pesquisada, de 44%, não chega nem à metade das médias de crescimento obtidas nos dois decênios anteriores, como em 1991 (aumento de 111%) e em 2000, da ordem de 115,4%. O que parece certo, ainda conforme Mariano, é a perda de musculatura de grandes igrejas. “Em 2000, cinco denominações concentravam 85% dos pentecostais. Uma década depois, essa cifra declinou para 75,4%. Tal desconcentração denominacional é decorrente tanto da queda numérica de igrejas como Congregação Cristã no Brasil e Universal quanto do aumento da diversificação institucional do pentecostalismo.”

“QUANTO MAIS CRESCE, MENOS CRESCE”

No caso da Assembleia de Deus, a desaceleração é evidente. Embora fragmentada em diversas convenções e usada até como nome de fantasia para empreendimentos religiosos individuais, as Assembleias de Deus constituem a maior confissão religiosa do país depois do catolicismo – nada menos que 12,3 milhões de brasileiros disseram aos pesquisadores do IBGE que pertencem a uma igreja com essa placa na entrada. “Elas cresceram 245% na década de 1990 a 2000, mas avançaram ‘apenas’ 46% depois disso”, frisa Gedeon Freire de Alencar, membro da Rede Latinoamericana de Estudos do Pentecostalismo (Relep). Em sua tese de doutorado em Ciências da Religião, ele usou como objeto de estudo a denominação fundada há pouco mais de cem anos por missionários suecos. “Uma constatação óbvia se apresenta aos estudiosos: a de que, quanto mais cresce, menos cresce”, prossegue Alencar.

Luis Bruneto, diretor de Pesquisas do Projeto Brasil 21 da Sepal, admite que a previsão de alguns anos, feita ainda com base nos dados do período entre 1991 e 2000, continha erros e precisa de uma releitura. “O crescimento anual dos evangélicos mostrou-se aquém do previsto. O aumento perdeu força”. Segundo ele, o avanço do secularismo na sociedade brasileira, o utilitarismo do discurso evangélico, os escândalos envolvendo pastores e líderes e a falta de higidez teológica e doutrinária ajudam a explicar o atual momento histórico. “Durante anos, a liderança evangélica nacional tem afirmado, categoricamente, que o país experimenta um avivamento espiritual, dados os números tão expressivos. Mas, será mesmo?”, indaga. Bruneto invoca a falta de influência bíblica e profética da Igreja em diversas áreas da vida brasileira, como a política, a segurança pública, o desenvolvimento social e a ética, para exemplificar o paradoxo.

De menos de um por cento da população no início do século passado (ver quadro), o grupo religioso que mais cresceu na história do Brasil está representado em todas as mais de 5,6 mil cidades do país e ainda apresenta índices de expansão bem maiores do que os da população em geral. Mas as oscilações em seu crescimento precisam, ao menos, ser interpretadas como sinal de alerta. “Resta saber o que isso tem representado, na prática, em termos de transformação pessoal e coletiva”, insiste Bruneto. Para Paul Freston, em um futuro próximo, esse enfoque será cada vez mais necessário. “Se não recuperarmos a capacidade de interagir com o texto bíblico, de deixá-lo falar a nós e, a partir disso, tirar as implicações individuais, eclesiásticas e nacionais necessárias, nos mostraremos irrelevantes”, alerta. “A Igreja Evangélica brasileira de 2030 ou 2040 precisará de líderes mais diversos nos seus dons, profundos no seu conhecimento e sabedoria e transparentes nas suas vidas”. Quanto aos fiéis, a recomendação é simples, mas não necessariamente fácil de cumprir: “Precisamos redescobrir o verdadeiro sentido de ser evangélico, que é a vontade de sermos profundamente bíblicos em toda a nossa existência.”

“IMAGEM DESOLADORA”

Pesquisa realizada em junho pelo instituto Gallup mostrou que a maior nação evangélica do mundo já não é mais a mesma. Hoje, os americanos têm menos confiança na religião organizada do que nunca antes, e isso é sinal inquietante de que a Igreja pode deixar de ser um pilar da liderança moral na cultura dos Estados Unidos. Nos anos 1980, a Igreja e a religião organizada compunham a instituição que gozava de maior confiança na América. Agora, no geral, são os militares, as empresas de pequeno porte e a polícia que atraem mais credibilidade do cidadão americano. A Igreja desceu para a quarta posição. “Quase todas as organizações estão em baixa nesse quesito, mas a imagem formada da religião é particularmente desoladora”, avalia a autora do relatório do Gallup, Lydia Saad.

O dado de maior influência no resultado, segundo a pesquisadora, é a crescente quantidade de americanos que se desligam do que se chama de organização religiosa. Outra pesquisa, esta do Instituto Pew, especializado em levantamentos de natureza religiosa, apontou que 23% dos americanos não se identificam com nenhuma religião. Há, também, um declínio crescente de credibilidade nas igrejas Católica e Protestante. O descrédito em ambas cresceu, em pouco mais de trinta anos, na ordem de 50%. Escândalos sexuais e financeiros envolvendo pastores famosos, assim como a denúncia de casos de pedofilia entre o clero católico, colaboraram para essa rejeição.  

O PERIGO DA IRRELEVÂNCIA: ENTREVISTA COM PAUL FRESTON

Doutor em Sociologia e professor catedrático de Religião e Política na Balsillie School of International Affairs e na Wilfrid Laurier University, no Canadá, Paul Freston é um dos mais respeitados estudiosos do movimento evangélico brasileiro. Ele conversou com CRISTIANISMO HOJE.

CRISTIANISMO HOJE - O senhor já provocou polêmica ao contrariar previsões mais otimistas de que o Brasil teria maioria evangélica em sua população. Hoje, ainda pensa assim?

PAUL FRESTON – Não mudei de previsão. Continuo achando que, dentro de duas a três décadas, o crescimento do segmento evangélico irá, basicamente, parar.
Uma de suas preocupações é em relação ao que chama de irrelevância da Igreja devido à ausência de implicações individuais, eclesiásticas e nacionais do texto bíblico. Já chegamos a este ponto?
Não, mas estamos a caminho. Se não houver essa capacidade até o momento do fim do crescimento, aí sim, seremos irrelevantes. O crescimento numérico que ainda se observa nos dá uma relevância, por assim dizer, inercial. Mas depois, precisaremos mostrar mostrá-la de outras formas.

Qual o perfil eclesiástico que terá, então, maior sucesso?

Acredito que as igrejas que tiverem maior solidez teológica e oferecerem ensino mais aprofundado da Palavra de Deus, além de visões atraentes de discipulado, terão mais espaço. Igrejas que não estiverem preocupadas apenas com sucesso numérico, mas que adotarem perfis mais variados dentro da sua liderança, tanto clerical como leiga. Quanto a quais denominações se adequarão a esse perfil, isso vai depender da situação de cada igreja até lá.

MAIORIA FEMININA E MAIS IDOSA

A frequência a cultos religiosos no Brasil é maior para mulheres (57%) do que para homens (43%). Em relação à faixa etária, 58% dos frequentadores habituais têm mais de 50 anos
(Fonte: Novo Panorama das Religiões, estudo da Fundação Getúlio Vargas)

O avassalador crescimento dos evangélicos verificado a partir de 1980 é demonstrado na comparação com a série histórica. Desde o primeiro estudo que os contabilizou, um ano após a instauração da República, os números da população evangélica brasileira são estes:

1890 – 143.000

1940 – 1.075.000

1950 – 1.740.000

1960 – 2.825.000

1970 – 4.800.000

1980 – 7.900.000

1991 – 13.200.000

2000 – 26.200.000

2010 – 42.275.000

Fonte: IBGE

O artigo original poderá ser visto por meio desse link aqui:


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Alexandros Meimaridis

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