segunda-feira, 11 de julho de 2016

Gênesis — Estudo 040 — PARTE 35 — A ALIANÇA DE DEUS COM NOÉ — PARTE 003 - NOSSA RELAÇÃO COM AS LEIS DE DEUS




Este estudo é parte de uma Análise do Livro do Gênesis. Nosso interesse é ajudar todos os leitores a apreciarem a rica herança que temos nas páginas da História Primeva da Humanidade. No final de cada estudo o leitor encontrará direções para outras partes desse estudo. 
O Livro do Gênesis 
O Princípio de Todas as Coisas
Gênesis 1:1
בְּרֵאשִׁית בָּרָא אֱלֹהִים אֵת הַשָּׁמַיִם וְאֵת הָאָרֶץ        
     Eretz ha  ve-et  Hashamaim  et  Elohim    Bará     Bereshit
     Terra  a   e      céus      os  Deus      criou   princípio No
                                                                                        
IX. A História de Noé — Continuação. 


5. A Aliança de Deus com Noé – Gênesis 9 — Continuação. 

A Relação de Noé com a Lei de Deus

No Antigo Testamento existem três formas ou manifestações da Lei de Deus:

A Lei Cerimonial — Era a lei referente a todas as práticas ligadas ao culto a Deus da maneira como este era oferecido tanto no Tabernáculo no deserto, quanto no Templo em Jerusalém. Esta Lei foi completamente abolida pela morte de Jesus na cruz.

A Lei Civil — Era o conjunto de leis que deveriam regular a vida na terra de Israel e que também se encontram completamente abolidas, pois o estado moderno de Israel não é mais uma teocracia e sim um estado democrático, apesar de excessivamente militarizado. Todavia, mesmo tendo sido ordenadas por Deus para funcionar de forma específica naquele contexto, muito da lei civil dada ao povo de Israel possui princípios que são relevantes mesmo nas sociedades modernas.

A Lei Moral de Deus — Essa Lei tem sido objeto de enormes controvérsias. Tais controvérsias surgem porque essa Lei representava a vontade de Deus para todos os seres humanos indistintamente, mesmo que tenha sido dado para o povo de Israel, em particular. Esta Lei possuía valor temporário, pois seu fim era apontar para pessoa do Senhor Jesus. Essa Lei pode ser vista, por exemplo, nos Dez Mandamentos. Mas Jesus veio para cumprir não só a Lei Cerimonial e a Lei Civil, mas para cumprir de forma cabal a Lei Moral de Deus.

Mateus 5:17

Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir.

Depois de Jesus tem cumprido a totalidade da Lei de Deus, a mesma foi devidamente abolida conforme —

Romanos 10:4

Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê.



O problema de todos os que insistem em continuar guardando as leis do Antigo Testamento é que eles não creem e não entendem que a verdadeira justificação só é possível por meio de Jesus e não pela obediência a qualquer conjunto de leis. Quem crê em Jesus, sabe que tudo está devidamente satisfeito e abolido. A alegação dessas pessoas de que se abolirmos a Lei do Antigo Testamento, então, ficaremos como que “sem lei” é absurda. O Novo Testamento supre, com folga, os princípios necessários para vivermos nesse, como diz Paulo —

Tito 2:11—14

11 Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens,

12 educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente,

13 aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus,

14 o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniquidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras.

Note que nos versos acima não existe a menor ideia relacionada com a Lei de Deus como ensinada no Antigo Testamento, mas apenas à Graça de Deus, que chegou até nós em toda sua plenitude por meio do nosso bendito salvador Jesus Cristo.

Nos dias de Jesus a Lei Moral de Deus havia sido eclipsada tanto pelo casuísmo — o fim justifica os meios — quanto pela hipocrisia — faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço. Jesus arregaçou tanto o casuísmo quanto a hipocrisia. Jesus, como Deus, reformulou a Lei Moral voltando a colocar a responsabilidade para com a mesma de volta sobre os ombros de todos os seres humanos. Ele também expurgou certas inutilidades, como a guarda do Sábado, por exemplo.  

Como a antiga Lei Moral de Deus revelada no Antigo Testamento e que foi abolida pelo Senhor Jesus, assim também a nova Lei Moral de Deus, como revelada por Jesus em Mateus 5—7, por exemplo, é uma Lei que também se aplica a todos os seres humanos. Essa nova lei valerá até chegarmos à eternidade. Quando isso acontecer, essa lei também será abolida. Mesmo que a vasta maioria das pessoas considere o padrão do assim chamado “Sermão da Montanha” elevado demais, todas as pessoas possuem um senso daquilo que é certo e errado, daquilo que é verdadeiro e do que é falso. Assim a Lei Moral de Deus acaba recebendo vasto suporte em todos os lugares do mundo. E, como iremos ver em seguida, existem bons motivos para que seja assim.

Em primeiro lugar a Lei Moral de Deus é uma lei feita para proteger os mais fracos. A história humana nos ensina que uma imensa quantidade de pessoas, entre toda a população da terra, está sujeita a todos os tipos de exploração que possam ser implementados. A Lei Moral de Deus é uma verdadeira fortaleza contra essa situação, desde que a mesma seja ensinada às pessoas e estas mesmas pessoas se dediquem a praticar o que aprenderam. A Lei Moral de Deus protege os fracos dos poderosos, e os pobres dos ricos; protege também as mulheres e as crianças bem como as viúvas e os órfãos daqueles que, de outra forma, tenderiam tanto a negligenciar quanto a explorar estas pessoas.

A Lei que encontramos no Antigo Testamento contra a usura é única no mundo antigo —

Êxodo 22:25

Se emprestares dinheiro ao meu povo, ao pobre que está contigo, não te haverás com ele como credor que impõe juros.

Levítico 25:37

35 Se teu irmão empobrecer, e as suas forças decaírem, então, sustentá-lo-ás. Como estrangeiro e peregrino ele viverá contigo.

36 Não receberás dele juros nem ganho; teme, porém, ao teu Deus, para que teu irmão viva contigo.

37 Não lhe darás teu dinheiro com juros, nem lhe darás o teu mantimento por causa de lucro. 

O propósito dessa lei era ensinar aos israelitas que eles deveriam ter um coração inclinado a ajudar um semelhante que, por um motivo ou outro, estivesse passando por uma necessidade que poderia ser aliviada com algum tipo de empréstimo, fosse tal empréstimo monetário ou de alimentos. Sem essa lei, aqueles que se vissem complicados, por qualquer motivo possível, acabariam por perder tudo o que tinham, como vemos acontecer nos dias de hoje. O governo brasileiro, independentemente do partido que está no poder, faz sempre o jogo dos poderosos donos de bancos e dos rentistas que têm arrancado do povo brasileiro tanto aquilo que tem quanto o que não tem. O governo mente quando diz que o déficit de 2016 será de R$ 170 Bilhões. A esse valor precisa ser acrescentado o valor dos juros, da ordem de R$ 360 Bilhões. Esse dinheiro todo, resultado direto dos juros altos praticados no Brasil é destinado para aquele 1% mais rico entre os brasileiros. Neste fluxo de imoralidades em que se constituiu a legislação brasileira bancária, a última e mais terrível prática tem sido o desconto consignado dos benefícios dos aposentados, além é claro dos juros estratosféricos cobrados por cartões de crédito e cheques especiais.

Durante a história da humanidade, foram sempre os cristãos que levantaram suas vozes contra essa e outras imoralidades. Um caso típico é aquele representado pelo tráfico de ópio que era imposto pelos ingleses sobre a população chinesa. Os chineses fizeram duas guerras contra os ingleses para se livrarem deste flagelo — Guerras do Ópio. Perderam as duas. Somente com os protestos levantados pelas comunidades cristãs da Inglaterra é que este crime foi estancado. Mas o domínio inglês sobre Hong Kong permaneceu até o final do século XX.

Ainda na Inglaterra do século XVII e até parte do século XVIII as pessoas eram obrigadas a trabalhar jornadas de 16 a 18 horas por dia, sete dias da semana! Movimentos sindicais, inspirados pelos princípios da Lei Moral de Deus, conseguiram humanizar esta situação perversa.

A escravidão é outro caso. Foram os cristãos que lutaram para ver a mesma abolida como prática institucional entre os ingleses.


A Lei Moral de Deus como revelada na chamada lei do jubileu ainda constitui um imenso desafio para a vasta maioria de todos nós — ver Levítico 25:8—55. De acordo com o livro de Levítico o ano do jubileu deveria ser caracterizado por 4 principais aspectos a saber:

1. Não cultivar absolutamente nada deixando a terra descansar — ver Levítico 25:18—22.

2. O perdão de todas as dívidas e todos os débitos existentes. Existe um movimento moderno clamando para que os países ricos perdoem as dívidas dos países mais pobres. O Brasil perdoou algumas dividas pequenas, mas impagáveis, dando bom exemplo para o resto do mundo. Mas, infelizmente, alguns idiotas chiaram dizendo que isso estava ajudando a afundar o Brasil. Ora se as dívidas eram impagáveis, não podemos entender como perdoar as mesmas faria qualquer diferença para o nosso país.

3. A libertação de todos os escravos. Apenas para se ter uma ideia da importância dessa lei, ainda hoje no Brasil existe trabalho escravo.

4. A devolução de todas as propriedades aos seus proprietários originais.

O escritor menonita John Howard Yoder, em seu livro “The Politics of Jesus[1]” defende a ideia de que, o último ano da vida do Senhor Jesus teria sido um ano de jubileu. É uma teoria interessante porque intensifica, de maneira dramática, muitas das passagens dos evangelhos entre as quais podemos citar a oração do Pai Nosso com sua incômoda frase: e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores —

Mateus 6:12

E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores. 

Lucas 12:30—34

30 Porque os gentios de todo o mundo é que procuram estas coisas; mas vosso Pai sabe que necessitais delas.

31 Buscai, antes de tudo, o seu reino, e estas coisas vos serão acrescentadas.

32 Não temais, ó pequenino rebanho; porque vosso Pai se agradou em dar-vos o seu reino.

33 Vendei os vossos bens e dai esmola; fazei para vós outros bolsas que não desgastem, tesouro inextinguível nos céus, onde não chega o ladrão, nem a traça consome,

34 porque, onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.

CONTINUA...

OUTROS ARTIGOS ACERCA DO LIVRO DE GÊNESIS

001 — Introdução e Esboço

002 — Introdução ao Gênesis — Parte 2 — Teorias Acerca da Criação

003 — Introdução ao Gênesis — Parte 3 — A História Primeva e Sua Natureza

004 — Introdução ao Gênesis — Parte 4 — A Preparação para a Vida Na Terra

005 — Introdução ao Gênesis — Parte 5 — A Criação da Vida

006 — Introdução ao Gênesis — Parte 6 — O DEUS CRIADOR

007 — Introdução ao Gênesis — Parte 7 — OS NOMES DO DEUS CRIADOR, OS CÉUS E A TERRA

008 – Gênesis — A Criação de Deus - Parte 1 – A Criação de Deus Dia a Dia – O Primeiro Dia — Parte 1

009 – Gênesis — A Criação de Deus - Parte 8A – A Criação de Deus Dia a Dia – O Primeiro Dia — Parte 2

010 — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus - Parte 9 – A Criação de Deus Dia a Dia – O Segundo e o Terceiro Dia

011 — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus — Parte 10 — A Criação de Deus Dia a Dia — O Quarto Dia

012 — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus — Parte 11 — A Criação de Deus Dia a Dia — O Quinto Dia

013 — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus — Parte 12 — A Criação de Deus Dia a Dia — O Sexto Dia — Parte 1

013A — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus — Parte 12A — A Criação de Deus Dia a Dia — O Sexto Dia — Parte 2

014 — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus — Parte 13 — Teorias Evolutivas

015 — Estudo de Gênesis — Gênesis 2 — Parte 14 — GÊNESIS 2A

016 — Estudo de Gênesis — Gênesis 2 — Parte 15 — GÊNESIS 2B

017 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — Parte 16 — GÊNESIS 3A

018 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — Parte 17 — GÊNESIS 3B

019 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — Parte 18 — GÊNESIS 3C

020 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — O Livre Arbítrio — Parte 19

021 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — O Dois Adãos — Parte 20

022 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — A Era Pré-Patriarcal e a Mulher de Caim — Parte 21

023 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — Caim, O Primeiro Construtor de Uma Cidade — Parte 22

024 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — Caim, Como Assassino e Fugitivo da Presença de Deus — Parte 23

025 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — Caim, Como Primeiro Construtor de uma Cidade e Pseudo-Salvador da Humanidade — Parte 24

026 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — A Conclusão Acerca de Caim — Parte 25

027 — Estudo de Gênesis — Gênesis 5 — Sete e outros Patriarcas Antediluvianos — Parte 26

028 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — A Perversidade Humana, Os Filhos de Deus e as Filhas dos Homens— Parte 27A

029 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — OS Nefilim e os Guiborim — Os Gigantes e os Valentes — Parte 27B

030 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — A Maldade do Coração Humano— Parte 27C.

031 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — A Corrupção Humana Sobre a Face da Terra e Deus Pode se Arrepender? — Parte 27D.

032 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — Noé e a arca que ele construiu orientado por Deus — Parte 28A.

033 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — Noé e a arca que ele construiu orientado por Deus — Parte 28B.

034 — Estudo de Gênesis — Gênesis 7 — Noé e a arca que ele construiu orientado por Deus — Parte 29 — O Dilúvio Foi Global Ou Local?

035 — Estudo de Gênesis — Gênesis 8 — A promessa que Deus Fez a Noé e seus descendentes — Parte 30 — Nunca Mais Destruirei a Terra Pela Água

036 — Estudo de Gênesis —  O Valor Perene do Dilúvio para todas as Gerações — PARTE 001

037 — Estudo de Gênesis — O Valor Perene do Dilúvio para todas as Gerações — PARTE 002

038 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 001
039 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 002

040 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 003

041 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 004 — A NATUREZA DA ALIANÇA ENTRE DEUS E NOÉ

042 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 005 — OS FILHOS DE NOÉ — PARTE 001

043 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 006 — OS FILHOS DE NOÉ — PARTE 002 — OS NEGROS SÃO AMALDIÇOADOS?


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.



[1] Yoder, John Howard. The Politics of Jesus. William B. Eerdmans Publishing Company, Grand Rapids, 1994.

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