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sábado, 2 de janeiro de 2016

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS — ESTUDO 008



Essa é uma série estritamente acadêmica, mas não existe na mesma absolutamente nada que impeça a leitura por todas as pessoas. De fato queremos incentivar que todos possam ler esses artigos compartilhar os mesmos com todos os seus contatos, parentes e conhecidos.

ESTUDO 008 — ARQUÉTIPOS E AUTÓGRAFOS — PARTE 003 — FINAL

CONTINUAÇÃO...

Uma complicação adicional é que o arquétipo de um documento do Novo Testamento específico pode divergir, quando comparado, ao seu autógrafo. A melhor ilustração que temos para isso pode ser encontrada nas epístolas paulinas. Podemos afirmar, quase com certeza absoluta que, muito cedo — certamente antes do tempo do surgimento dos papiros mais antigos — a maioria das cartas de Paulo já estavam agregadas em algum tipo de coleção — com Hebreus e as Pastorais sendo exceções possíveis. Mas a maioria das epístolas já estavam agregadas em coleções, no máximo, durante a metade do século II d.C. — por esse motivo é, perfeitamente possível — talvez até mesmo provável — que essa coleção seja o arquétipo e que a próprias epístolas individuais  não são sequer a fonte da qual corre o rio textual.

Desse modo temos a afirmação de Gunther Zuntz[1], onde ele afirma que tanto Inácio quanto Policarpo aparentemente estavam familiarizados com o corpus paulino, mas o autor de 1 Clemente não. Isso o leva a concluir o seguinte: Assim temos que, mais ou menos, o ano 100 d.C, é a data provável em que o corpus paulino foi reunido e publicado, com tal, pela primeira vez. Isto é, de quarenta a cinquenta anos depois que as epistolas foram originalmente escritas. Nesse caso, como acontece de forma tão comum na tradição que envolve autores da antiguidade, ‘Arquétipo’ e ‘Original’ não são documentos idênticos.

Mesmo que esse não seja o caso aqui, e cada uma dessas cartas possua um arquétipo individual, isso não quer dizer que o arquétipo seja um descendente puro do original. Diversos documentos são considerados, pelo menos por alguns críticos de forma, como sendo documentos compostos. Esse é, aparentemente, o caso de 2 Coríntios, acerca da qual, muitas autoridades acreditam que duas cartas distintas foram utilizadas para produzir o documento que temos diante de nós conhecido como 2 Coríntios. Dessa forma, se isso for mesmo verdade, a cópia mais antiga que temos e chamamos de 2 Coríntios não se trata de um autógrafo e sim de algo que é chamado de fusão ou mistura. Falando francamente, mesmo que conseguíssemos recuperar os textos completos que foram usados para criar 2 Coríntios, estaríamos diante da inusitada situação que, as passagens de 2 Coríntios, que não fossem encontradas nos textos originais, dificilmente poderiam ser consideradas canônicas. Aqui teríamos muito material para longos debates. Mas, no momento tudo não passa de suposição.

Todavia devemos notar que não é responsabilidade, nem parte da missão do crítico textual desembaraçar as partes de 2 Coríntios ou de qualquer outro documento antigo que se encontre na mesma situação. A missão do crítico textual é procurar reconstruir o arquétipo. Se formos afortunados nosso trabalho acabará por produzir um documento que é idêntico ao autógrafo original — ou então tão próximo que realmente não faz nenhuma diferença. Mas não faz mesmo nenhuma diferença se o autógrafo e o arquétipo são muito próximos ou muito distantes um do outro? Nossa missão é reconstruir o texto mais antigo que esteja disponível. O crítico textual precisa estar consciente que o arquétipo pode não ser o autógrafo original. Além disso, ele deve considerar como é possível, por exemplo, que a existência de um corpus paulino, possa afetar a leitura de qualquer uma das epistolas contidas no mesmo. É muito possível que certas cartas tenham sido ajustadas para se encaixarem numa antologia, assim como certas passagens foram adaptadas para se encaixar em certos lecionários.  

Existem muitas possibilidades que em todo o Novo Testamento, mas apenas o corpo paulino sofre com esse problema. O livro dos Atos dos Apóstolos e o Apocalipse são livros isolados e únicos, que nunca foram incorporados a nenhum tipo de corpus. As chamadas epístolas católica ou gerais, não foram agregadas em um corpus até bem mais tarde. Chegamos a essa conclusão pelo fato de 1 Pedro e 1 João serem universalmente aceitas logo, mas as outras 5 demoraram bastante para receberem o reconhecimento devido — 2 Pedro, 2 e 3 João, Judas e Tiago. Um exemplo típico disso pode ser encontrado, por exemplo, no chamado Papiro 72 que tem as cartas de 1 e 2 Pedro e Judas, junto com materiais não canônicos. Mas esse mesmo documento não tem 1 João, apesar dessa epístola já ser considerada canônica quando o documento P72 foi compilado, e Judas ainda se encontrava entre as epistolas questionadas. Os evangelhos foram agrupados, muito provavelmente, bem antes das epístolas católicas ou gerais. Eles foram aceitos como uma coleção canônica produzida lá pelo final do século III d.C., quando o documento Papiro 45 foi escrito. Mas todos os quatro evangelhos circulavam amplamente antes dessa data final. Assim temos que: enquanto é possível que a coleção final dos quatro evangelhos tivesse certa influência em tempos posteriores, a mesma não pode ser considerada como um arquétipo.

Por outro lado, cada documento do Novo Testamento pode ter sofrido do problema que chamamos de “qual cópia”. Isso é mais óbvio no corpus paulino. Pelo que sabemos Paulo ditou a maioria, senão todas as suas cartas. Note bem o que é possível de acontecer numa situação como essa, pois a mesma é muito semelhante ao que vimos na primeira parte dessa série acerca de autógrafos e arquétipos. Paulo ditava um primeiro manuscrito. Aqui estamos diante de duas possibilidades:

1. Paulo usava dois escribas para escreverem o que ditava, apesar dele fazer referência constante a apenas um, chamado Tércio.

2. Se existia apenas uma cópia, então era necessário que alguém, poderia ser o próprio Tércio, fizesse uma segunda cópia, que certamente teria pequenas variações, para ser distribuída ou mesmo para ser arquivada por Paulo.

A segunda cópia, certamente tinha uma aparência melhor, e certamente deveria conter certas correções de erros causados pelo ditado e pela forma como as palavras eram entendidas por Tércio. Então resta perguntar: qual cópia Paulo enviava aos destinatários? A carta ditada originalmente ou a cópia? Não sabemos, mas podemos supor que ele optaria por enviar a cópia que tinha uma aparência melhor. Então surge a questão: qual das duas cópias pode ser considerada como autógrafo original? E qual delas foi usada como base para a edição canônica posterior? Realmente, creio que ninguém sabe a resposta correta quanto a essas questões.

Outros autores do Novo Testamento escreveram cartas, que foram patrocinadas por terceiros. Devemos mesmo acreditar que Lucas teria entregue o Evangelho de Lucas e o Livro de Atos para Teófilo sem guardar um cópia de cada para si mesmo? Isso seria mesmo algo inacreditável. Mas qual dessas duas primeiras cópias tornou-se o Evangelho Canônico? E as diversas cópias do mesmo sofreram algum tipo de contaminação cruzada? A resposta não é óbvia. Mas é, todavia, muito importante.

Devemos notar, incidentalmente, que estudiosos clássicos, criaram um esquema de notas que usam para distinguir o que eles consideram o autógrafo de um arquétipo. O autógrafo é indicado pelo uso de algum tipo de símbolo. Algumas vezes usa-se a letra “o” para distinguir o autógrafo original e o símbolo de aspas simples para indicar um arquétipo. No caso do Novo Testamento a maioria dos estudiosos não se atreve a ir além de reconhecer algum arquétipo. Isso nunca foi tentado com um possível original. O consenso é que os originais estão, definitivamente, perdidos.       

OUTROS ARTIGOS DE COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 001 – MATERIAL DE ESCRITA ANTIGO

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 002 – MATERIAL DE ESCRITA ANTIGO — O PAPIRO

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 003 – MATERIAL DE ESCRITA ANTIGO — O PAPIRO — FINAL

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 004 – MATERIAL DE ESCRITA ANTIGO — OS PERGAMINHOS

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 005 – MATERIAL DE ESCRITA ANTIGO — PAPEL E BARRO

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 006 – ARQUÉTIPOS E AUTÓGRAFOS — PARTE 001

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 007 – ARQUÉTIPOS E AUTÓGRAFOS — PARTE 002

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 008 – ARQUÉTIPOS E AUTÓGRAFOS — PARTE 003 – FINAL

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 009 – OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 001

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 010 – OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 002

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 011 – OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 003

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 012 – OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 004

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 013 – OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 005

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS — PARTE 014 — OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 006
Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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[1] Zuntz, Gunther. Text of the Epistles: Disquisition Upon the Corpus Paulinum (Schweich Lectures on Biblical Archaeology). Oxford University Press, Oxford, 1946.

sábado, 4 de maio de 2013

2 Coríntios 1:1—11— Sermão # 1 — A Escola do Sofrimento


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Essa é uma série cujo propósito é estudar, com profundidade, a Segunda Epístola de Paulo aos Coríntios. No final de cada estudo você irá encontrar links para outros estudos. A Série tem o título Geral de: Sermões na Segunda Epístola de Paulo aos Coríntios.


Introdução.

·       Paulo estava em Filipos quando escreveu esta Epístola para a Igreja de Corinto.

Mapa com a localização de Filipos 
·     A cidade de Filipos ficava na região da Macedônia na Grécia. Esta cidade foi fundada por Felipe II da Macedônia, Pai de Alexandros, o grande, no ano 358 a.C. Filipos foi a primeira cidade do continente europeu a ouvir a pregação de um missionário cristão — ver Atos 16:6—40.

 
Mapa com a localização de Corinto

Templo de Afrodite
 
·       A cidade de Corinto ficava na região do Peloponeso na Grécia. Esta cidade foi destruída pelos romanos em 146 a.C. e reconstruída em 46 d.C. A cidade era tão pervertida que a expressão "Coríntio" era sinônimo de "imoral" e "depravado". Na antiga Corinto havia um templo dedicado ao culto de Afrodite – Vênus para os romanos — a deusa do amor. Nesse templo havia mil prostitutas cultuais, que atraíam adoradores de todo o mundo antigo. Havia também um outro templo dedicado a Apolo. Em Corinto Paulo fundou uma igreja — ver Atos 18.1—18.

Templo de Apolo
 Apesar desta Epístola ter o título de “Segunda Epístola de Paulo aos Coríntios” é evidente, pela leitura da correspondência entre Paulo e os coríntios, que existiram outras cartas que foram perdidas — ver 2 Coríntios 2:4 que descreve uma carta que nem de longe pode ser considerada a Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios. 

·        Esta epístola que estamos estudando deve ter sido motivada pelo regresso de Tito a Filipos vindo de Corinto. Aparentemente Paulo teria enviado Tito a Corinto com a carta cujo conteúdo ele sabia iria causar grande tristeza e estava, por este motivo, preocupado com a reação daqueles irmãos. O retorno de Tito trouxe notícias de que os irmãos em Corinto haviam reagido bem ao tom severo de Paulo — ver 2 Coríntios 7:6—9.

De todas as Epístolas escritas pelo apóstolo Paulo, 2 Coríntios, tem sido apontada como a mais humana e a que melhor descreve a mente do apóstolo, sua visão e compreensão da Igreja cristã, bem como sua experiência pastoral como alguém que está realmente preocupado pelo bem estar espiritual do povo de Deus. É nesta Epístola que vamos descobrir tudo o que está envolvido na relação entre um pastor e seu rebanho. 
O apóstolo Paulo manteve uma relação bastante tumultuada com a igreja em Corinto. Havia muitos problemas naquela igreja, incluindo-se aí, pessoas que não gostavam do apóstolo Paulo e que procuravam denegrí-lo e prejudicá-lo de todas as maneiras. É para essa igreja e para essas pessoas que ele abre seu coração.

A Escola do Sofrimento


I. O início da Epístola – 2 Coríntios 1:1—2.
O Apóstolo Paulo 
Paulo se identifica como o autor desta Epístola e escreve aos coríntios revestido de autoridade apostólica. Seu companheiro, Timóteo também é mencionado no início e a carta é destinada aos irmãos em Corinto bem como a todos os santos que se encontram “em toda a Acaia — província romana que, juntamente com a Macedônia, formavam a Grécia — ver Atos 19.21. O apóstolo prossegue desejando a graça e a paz de Deus, o Pai, e do Senhor Jesus sobre todos os irmãos.
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Em suas outras epístolas, após a identificação e saudações costumeiras, o apóstolo Paulo costuma louvar e agradecer a Deus a bondade demonstrada pelos destinatários — ver Efésios 1:3; Filipenses 1:3; Colossenses 1:3 e 1 Tessalonicenses 1:2. Não é o caso aqui em 2 Coríntios. Nesta epístola o apóstolo inicia falando de si mesmo e dos seus sofrimentos bem como da graça de Deus que o sustentava.
A. A intensidade dos sofrimentos exposta. 
Normalmente nós imaginamos as pessoas de uma maneira muito diferente daquilo que elas realmente são. Os coríntios certamente experimentaram isto com relação ao apóstolo Paulo. 
Imagine como elas se sentiram quando ele lhes disse que havia descoberto que seguir a Cristo implicava em receber exatamente o mesmo tratamento que Cristo havia recebido. Paulo deixa isto bem claro em:

2 Coríntios 1:5 
Com efeito, sabemos por experiência que quanto mais participantes dos sofrimentos de Cristo, com maior facilidade poderemos consolar o próximo — J. B. Philips – Cartas às Igrejas Novas. 
Paulo diz em 2 Coríntios 1:8 que havia passado por uma experiência que o havia feito desesperar da própria vida. Ou seja, ele havia chegado no “fim da corda”!

B. A natureza dos sofrimentos do apóstolo — 2 Coríntios 1:5. 
·       Paulo chama seus sofrimentos de “sofrimentos de Cristo”. Com isso ele está querendo dizer que existem certos tipos de sofrimentos pelos quais temos que passar simplesmente por sermos seguidores ou discípulos de Jesus. Como crentes nós:

1.    Compartilhamos a vida do Senhor Jesus — Paulo diz: “Logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim — Gálatas 2:20. 

2.    Vivemos do mesmo modo que o Senhor viveu i.e. vivemos para a glória de Deus. Jesus disse: Eu não procuro a minha própria glória — João 8:50. 

3.  Temos os mesmos interesses que o Senhor Jesus. Jesus disse: Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos — Marcos 10:45.
  
4.    Sofremos do mesmo modo que o Senhor sofreu. O apóstolo Paulo diz: Agora, me regozijo nos meus sofrimentos por vós; e preencho o que resta das aflições de Cristo, na minha carne, a favor do seu corpo, que é a igreja – Colossenses 1:24. E o autor da Epístola aos Hebreus nos convida a todos, dizendo: Saiamos, pois, a ele, fora do arraial, levando o seu vitupério — Hebreus 13:13. 

C. A medida dos sofrimentos do apóstolo Paulo — 2 Coríntios 1:8. 
Paulo não mede as palavras para descrever a medida dos seus sofrimentos por ser seguidor do Senhor Jesus, ele diz: Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a natureza da tribulação que nos sobreveio na Ásia, porquanto foi acima das nossas forças, a ponto de desesperarmos até da própria vida — 2 Coríntios 1:8. 
Não sabemos ao que exatamente Paulo está se referindo no verso acima, mas em 2 Coríntios 11:23 a 28 existe um catálogo dos sofrimentos experimentados pelo apóstolo. Todavia o que nos chama mais atenção neste catálogo, não são as coisas que Paulo chama de “exteriores” e sim sua diária preocupação com as igrejas espalhadas por toda a bacia do Mediterrâneo. Aqui temos que notar que Paulo menciona estas coisas como fatos apenas. Não existe nele, absolutamente, nenhum traço de autopiedade do tipo “coitadinho de mim”.

D. A adequação do conforto experimentado. 
O verbo grego παρακλήσεως parakléseos — que significa encorajar, consolar e confortar aparece, em diversas formas, nada menos do que 10 vezes nos versos 3 a 7 de 2 Coríntios 1. Nossas palavras em português, “conforto e consolação”, são definidas da seguinte maneira pelo Dicionário Aurélio Século XXI: 
1. Confortar — Dar forças, fortificar. 
2. Consolar — Aliviar ou suavizar a aflição, o sofrimento ou o padecimento de. 
O Conforto e consolação experimentados pelo apóstolo Paulo era suficientemente adequados para as situações enfrentadas como podemos ver em seguida. 
3. O poder consolador vinha de Deus — 2 Coríntios 1:4 e 10. 
Este é um privilégio que somente o crente possui: por maior que seja a dificuldade, por mais intenso que seja o sofrimento, a graça de Deus será sempre proporcionalmente maior. O testemunho dos cristãos durante todos os séculos tem sido no sentido que: Deus não nos protege necessariamente das situações difíceis impedindo as mesmas de nos alcançarem e sim nos concedendo graça suficiente para triunfarmos no meio delas.

O apóstolo Paulo faz uma lista, em Romanos 8:33—36, das muitas dificuldades a que estamos sujeitos. Mas ele termina a lista com estas palavras: Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou - Romanos 8:37. 
4. As orações que haviam sustentado Paulo — 2 Coríntios 1:11. 
O apóstolo reconhece uma grande dívida aos irmãos pelas orações feitas a favor dele. Aqui ele demonstra sua graça e generosidade acreditando que mesmo em Corinto, havia pessoas que o sustentavam em oração. 
Como estimar o alcance das nossas orações? Não podemos. Somente a eternidade irá nos revelar o que foi alcançado por nossas orações. 
Nem todos têm recursos para contribuir, nem todos têm as forças para fazer o trabalho que precisa ser feito, mas todos nós temos o tempo e a oportunidade para orar. Além do mais temos o direito de orar. Jesus chegou a ensinar uma parábola – ver Lucas 18:1—8 — para nos ensinar acerca do dever de “orar sempre e nunca esmorecer”. 

E. O Ministério enriquecido — 2 Coríntios 1:4 e 9. 
Em tudo o que o apóstolo havia experimentado ele podia enxergar duas coisas claramente: 
1. Todo o sofrimento havia produzido uma capacidade cada vez maior de ser útil às outras pessoas. O sofrimento havia capacitado o apóstolo a demonstrar uma simpatia cada vez maior por outros que estavam sofrendo ao mesmo tempo em que ele podia testemunhar como a consolação de Deus havia funcionado em sua própria vida. Que diferença faz quando alguém se aproxima de nós, em meio ao sofrimento, e nos diz: “eu sei o que você está passando, eu já passei pela mesma coisa e eu também sei como a graça de Deus é mais que suficiente em todas estas coisas”! 
2. Em segundo lugar, todo o sofrimento tinha ensinado o apóstolo Paulo a não confiar em si mesmo e em nada mais a não ser exclusivamente em Deus – 2 Coríntios 1:9! Como é fácil esquecer nossa incapacidade especialmente quando estamos tão envolvidos no trabalho do Senhor sem depender realmente d’Ele. Quando abandonamos nossas orações, quando negligenciamos os ministérios do Espírito Santo. Graças a Deus pela escola do sofrimento, pois ela nos mostra nossas limitações e nos ajuda a voltar para nosso Pai.  

F. As descobertas apropriadas – 2 Coríntios 1:3 e 11. 
Através do sofrimento o apóstolo Paulo pode descobrir as duas verdades seguintes: 
1. Paulo descobriu novos nomes para seu Senhor: “Pai de Misericórdia e Deus de toda a consolação” — verso 3. Somente através do sofrimento é que novas facetas e novos aspectos do caráter e da graça de Deus podem ser marcados em nossas almas de maneira permanente. Não existe nenhuma outra maneira de experimentarmos estas realidades a menos que passemos pelas dificuldades que Deus usa para nos ensinar. 
2. A segunda descoberta foi uma nova canção em seu coração. Note como ele inicia 2 Coríntios 1:3 dizendo: “bendito”. Esta é uma palavra de louvor, de bendição. Não existe aqui nenhum traço de autopiedade. Tudo o que encontramos em Paulo é uma atitude de louvor, de ações de graças e de adoração. Paulo também reconhece que os coríntios e outros também tinham a prerrogativa de se alegrarem e oferecerem ações de graças a Deus — verso 11.  

Conclusão. 
1.  Nesta primeira mensagem de 2 Coríntios, Paulo nos informa que todos nos experimentamos muitos sofrimentos por sermos seguidores de Jesus e não precisamos que nenhum outro irmão se “empenhe”, visando aumentar estes sofrimentos. 
2. Quanto cuidado devemos ter meus irmãos e irmãs no trato de uns para com os outros, para que não sejamos nós os responsáveis por colocar “a última palha que irá fazer o jumento arriar”. 
3. Não devemos menosprezar a importância de nossas orações diante de Deus a favor uns dos outros, pois como diz Tiago: Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo — Tiago 5:16b. 
4. Está enfrentando problemas ultimamente? Não se envergonhe. Vá e conte tudo a Jesus. Ele sabe, por experiência própria, tudo o que você está passando – ver 
Hebreus 4:15—16 
15 Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. 
16 Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna. 
5. Precisamos manter diante de nós a lembrança das palavras de Jesus quando disse: Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer - João 15:5. 
6. Quem espera e quem promete, que a vida cristã deve ser um mar de rosas, se esquece que as rosas possuem muitos espinhos! 
7. As três ideias mais mencionadas nesta passagem são: tribulação ou sofrimento, conforto ou consolação e ações de graças. 
OUTRAS MENSAGENS EM 2 CORÍNTIOS PODEM SER ACESSADAS POR MEIO DOS LINKS ABAIXO

001 — A Escola do Sofrimento – 2 Coríntios 2:1—11

002 — Os Críticos do Apóstolo Paulo — 2 Coríntios 1:12 — 2:11

003 — Como Paulo Entendia o Ministério Cristão — 2 Coríntios 2:12 — 3:3

004 — A Confiança que Paulo Tinha em Sua Mensagem— 2 Coríntios 3:4—18 — Parte 1

005 — A Confiança que Paulo Tinha em Sua Mensagem— 2 Coríntios 4:1—6 — parte 2

006 — Batalhas e Bênçãos — 2 Coríntios 4:7—15

Que Deus abençoe a todos.
Alexandros Meimaridis
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