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domingo, 19 de fevereiro de 2017

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 015 — MATEUS — PARTE 010 - AUTOR - PARTE 002


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Essa série pretende disponibilizar as informações mais importantes acerca de cada um dos 27 livros que compõem o Novo Testamento. Desde que lançamos nossa série de Introdução ao Antigo Testamento, muitos leitores têm nos questionando acerca de algum material semelhante com respeito ao Novo Testamento. Então, aproveitando que iniciamos uma série de estudos acerca dos manuscritos do Novo Testamento — tecnicamente chamada de “baixa crítica” — estamos usando essa oportunidade para lançar uma série que trate também do texto do Novo Testamento em si, e da interpretação geral do mesmo — “alta crítica”.

I. O EVANGELHO DE MATEUS

H. O Autor do Evangelho de Mateus

Há vários elementos internos que corroboram a autoria do Evangelho de Mateus ao publicano assim chamado —

Mateus 9:9

Partindo Jesus dali, viu um homem chamado Mateus sentado na coletoria e disse-lhe: Segue-me! Ele se levantou e o seguiu.

Vejamos então algumas dessas evidências internas:

1. Mateus é o único dos evangelhos sinóticos — Mateus, Marcos e Lucas — que faz ume referência direta a Mateus com sendo um publicano ou coletor de taxas ou imposto.

Mateus 10:3

Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu.

Essa forma de referir-se a si mesmo é vista como uma maneira de demonstrar gratidão ao Senhor pelo chamado recebido que o libertou daquela vida de ganância e exploração de outras pessoas.

2. As passagens sinóticas do chamamento de Mateus dizem o seguinte:

Marcos 2:14

Quando ia passando, viu a Levi, filho de Alfeu, sentado na coletoria e disse-lhe: Segue-me! Ele se levantou e o seguiu.

Lucas 5:27

Passadas estas coisas, saindo, viu um publicano, chamado Levi, assentado na coletoria, e disse-lhe: Segue-me!

De acordo com os textos acima, o homem que Jesus chamou para segui-lo e que trabalhava na coletoria de taxas e impostos era chamado Levi. É evidente que os três evangelhos estão tratando da mesma história. O Evangelho de Mateus, como citado acima, identifica esse mesmo homem pelo nome de Mateus. As listas dos evangelhos sinóticos são unânimes em apontar entre os apóstolos um único homem de nome Mateus — Ver Mateus 10:2—4; Marcos 3:16—18; Lucas 6:13—16. Essa mesma lista é ainda confirmada por —

Atos 1:13

Quando ali entraram, subiram para o cenáculo onde se reuniam Pedro, João, Tiago, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, e Judas, filho de Tiago.

Já Mateus 10:13 citada a cima, identifica esse Mateus com o mesmo coletor de impostos. Assim o círculo se fecha de maneira conclusiva: Mateus e Levi são uma e a mesma pessoa.

3. Existem outras interpretações disponíveis acerca da identificação de Mateus, o publicano, mas elas se caracterizam ou por serem fantasiosas demais, ou por não apresentarem nenhum indício de prova concreta.

4. Outro elemento interno que chama nossa atenção é a concordância entre a atenção dedicada aos detalhes, algo essencial à função de Mateus como coletor de taxas, e a forma metódica como ele organizou o material em seu evangelho, algo que já foi discutido em detalhes em estudos anteriores.

5. Outra característica que nos chama a atenção é que, Mateus é o único dos evangelhos sinóticos que na narrativa acerca da controvérsia sobre o pagamento do tributo — Mateus 22:15—22; Marcos 12:13—17; Lucas 20:20—26 — chama, a princípio, a moeda utilizada para tal de νόμισμα — nómisma  — que é traduzida por moeda do tributo e cujo sentido literal é moeda estatal, enquanto Marcos e Lucas se referem à mesma como sendo apenas δηνάριον — denárion — era também uma moeda romana de parta usada para remunerar um dia de trabalho.

Concluído podemos afirmar que não existem questões objetivas e prova práticas que nos conduzam a rejeitar as fortes evidências externas a favor do fato que Mateus, o publicano, foi o autor do evangelho que leva seu nome. As provas internas também ajudam a corroborar nossa conclusão nesse sentido. Reconhecemos que tal conclusão é limitada por cauda das fontes que temos disponíveis, o que possibilita o surgimento de inúmeros argumentos e especulações diversas. Muitos estudiosos modernos rejeitam a autoria apostólica do Evangelho de Mateus, mas não têm nada melhor para nos oferecer.

OUTROS ESTUDOS ACERCA DA INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 001 — INTRODUÇÃO GERAL AOS EVANGELHOS — ESTUDO 001

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 002 — A FORMA LITARÁRIA DOS EVANGELHOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 003 — MOTIVOS PORQUE OS EVANGELHOS FORAM ESCRITOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 004 — O LUGAR OCUPADO PELOS QUATRO EVANGELHOS NO NOVO TESTAMENTO

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 005 —  A MELHOR FORMA DE ABORDAR OS QUATRO EVANGELHOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 006 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 001

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 007 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 002

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 008 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 003

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 009 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 004

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 010 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 005

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 011 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 006

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 012 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 007

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 013 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 008

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 014 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 009

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 015 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 010 — AUTOR — PARTE 002

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 016 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 011 — DATA DA COMPOSIÇÃO
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/03/introducao-ao-novo-testamento-estudo_3.html

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 017 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 012 — IDIOMA ORIGINAL
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/06/introducao-ao-novo-testamento-estudo.html

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 018 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MARCOS — PARTE 001 — CARACTERÍSTICAS — PARTE 001.
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/07/introducao-ao-novo-testamento-estudo_14.html

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Alexandros Meimaridis

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quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 014 — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 009


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O chamado de Mateus por Hendrick Terbrugghen .

Essa série pretende disponibilizar as informações mais importantes acerca de cada um dos 27 livros que compõem o Novo Testamento. Desde que lançamos nossa série de Introdução ao Antigo Testamento, muitos leitores têm nos questionando acerca de algum material semelhante com respeito ao Novo Testamento. Então, aproveitando que iniciamos uma série de estudos acerca dos manuscritos do Novo Testamento — tecnicamente chamada de “baixa crítica” — estamos usando essa oportunidade para lançar uma série que trate também do texto do Novo Testamento em si, e da interpretação geral do mesmo — “alta crítica”.

I. O EVANGELHO DE MATEUS

H. O Autor do Evangelho de Mateus

Creio que já afirmamos antes que todos os quatro Evangelhos que temos no Novo Testamento são anônimos, ou seja, não existe uma indicação precisa acerca do seu autor, e o Evangelho de Mateus não é exceção.

Todavia, temos registros de que por volta do ano 125 da Era Cristã esse evangelho já era atribuído a certo Mateus sob o título: DE ACORDO COM MATEUS.

Pelo título acima podemos concluir que algum tipo de autoria foi atribuída ao material, no caso específico, a autoria foi atribuída a certo Mateus. Mas devemos reafirmar que tal título não é, nem nuca foi parte do material original que foi produzido, rigorosamente, por alguém anônimo, mas que desde a mais remota antiguidade foi atribuído a Mateus, o apóstolo de Jesus.

Apesar de tudo o que acabamos de afirmar, é importante destacarmos alguns fatos:

1. Como o nome do autor não aparece no corpo do texto em si, então devemos aceitar, a princípio, que o mesmo foi produzido por um anônimo.

2. A ausência de paralelos em sua forma literária — ver estudos anteriores na lista publicada abaixo — também não nos ajuda a identificar o autor. Nem mesmo o Evangelho de Lucas, que fala em primeira pessoa nos versos iniciais nos permite identificar o médico amado como o autor do Evangelho que leva seu nome.

3. O testemunho mais antigo disponível é uma citação de Papias, um dos chamados Pais da Igreja — viveu entre 70 a 163 — que encontramos na História Eclesiástica de Eusébio[1]. A citação de Papias diz o seguinte: Mateus reuniu, de forma ordenada, na língua hebraica, as sentenças [de Jesus] e cada um as interpretava conforme sua capacidade.

Que Papias estivesse se referindo ao Mateus canônico na citação acima é algo que só foi contestado nos dias do liberal Schleiermacher em pleno século XIX. O argumento usado no século XIX para contestar a autoria de Mateus do Evangelho que lhe é atribuído se baseava no fato de que as cópias mais antigas disponíveis do mesmo estavam escritas em grego e não em língua hebraica como afirma Papias. Além disso, os liberais do século XIX também alegavam estranhar uma dependência gritante do Evangelho de Mateus do chamado Evangelho de Marcos.

Todavia, apesar da citação de Papias mencionar que Mateus reuniu o material de Jesus na língua hebraica não representa, necessariamente, que Papias alguma vez tenha visto qualquer escrito atribuído a Mateus que não fosse escrito na língua grega.

Os liberais do século XIX e continuando até nosso próprio século[2], inventaram e defendem, entre várias teorias, a seguinte, como forma de explicar a afirmação de Papias e a dependência de Mateus do Evangelho de Marcos: pare eles Mateus teria sido o autor duma fonte principal do Evangelho de Mateus, chamada de A Fonte dos Logia ou de Mateus Aramaico. Para esses críticos, sem apontarem evidências sólidas, o título Segundo Mateus não passa duma hipótese sem fundamento.

Diante disso, é importante estabelecermos o que sabemos com exatidão, antes de saltarmos para as conclusões como fazem os liberais. Da mesma tradição de onde Papias recolheu sua tradição podemos derivar apenas a correção do uso do nome Mateus. Disso podemos presumir que trata-se do mesmo Mateus citado em todas as listas dos 12 apóstolos — Mateus 10:3; Marcos 3:18; Lucas 6:15; Atos 1:13 —, mas que é designado como sendo cobrador de impostos ou publicano apenas no Evangelho de Mateus:

Mateus 10:3
Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu.  

De acordo com o estudioso Martin Hengel[3], utilizando a análise feita por R. T. France em sua obra Matthew — evanegslist and teacher[4], bem cedo, provavelmente antes do ano 100 d.C., as igrejas só aceitavam que fossem lidos em suas reuniões, materiais cuja autoria não estivesse clara, logo no início do texto. Isso era, particularmente importante, no que diz respeito aos evangelhos já que existiam dois, três e, possivelmente quatro, disponíveis e era importante caracterizá-los pelo nome do seu respectivo autor. Tais nomes, começaram a ser percebidos pelas comunidade cristãs com sendo os “títulos” dessas obras. De acordo com Hengel, chega a ser absurda a ideia de que os evangelhos poderiam ter circulado durante cerca de 60 anos, de forma anônima, e depois, subitamente, já no século II, terem recebido atribuições unânimes a certos autores. De acordo com Hengel, os quatro evangelhos canônicos — Mateus, Marcos, Lucas e João — jamais foram aceitos como sendo anônimos.

Outra distinção importante que precisamos reconhecer é que anonimato não é equivalente a pseudoautoria. Obras com falsas atribuições de autores — chamadas tecnicamente de pseudoepigráficas — tornarem-se um problema para a igreja ainda durante o século I. Isso motivou a mesma a rejeitar, unanimemente, a autoridade de qualquer obra sobre a qual pesasse a suspeita de ser pseudônima.

CONTINUA...

OUTROS ESTUDOS ACERCA DA INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 001 — INTRODUÇÃO GERAL AOS EVANGELHOS — ESTUDO 001

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 002 — A FORMA LITARÁRIA DOS EVANGELHOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 003 — MOTIVOS PORQUE OS EVANGELHOS FORAM ESCRITOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 004 — O LUGAR OCUPADO PELOS QUATRO EVANGELHOS NO NOVO TESTAMENTO

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 005 —  A MELHOR FORMA DE ABORDAR OS QUATRO EVANGELHOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 006 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 001

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 007 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 002

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 008 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 003

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 009 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 004

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 010 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 005

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 011 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 006

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 012 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 007

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 013 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 008

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 014 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 009

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 015 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 010 — AUTOR — PARTE 002

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 016 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 011 — DATA DA COMPOSIÇÃO
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INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 017 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 012 — IDIOMA ORIGINAL
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/06/introducao-ao-novo-testamento-estudo.htmll

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 018 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MARCOS — PARTE 001 — CARACTERÍSTICAS — PARTE 001.
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[1] Eusébio.  A História da Igreja de Cristo até Constantino. Penguin Books, London, 1989.
[
2] Gundry, Robert, H. Matthew: A Commentary on His Literary and Theological Art. William B. Eerdmans, Grand Rapids, 1982.

[3] Hengel, Martin. Studies in the gospel of Mark. Wipf & Stock Pub., Eugene, March, 2003.

[4] France. R. T. Matthew — evanegslist and teacher. Wipf & Stock Pub., Eugene, October, 2004.

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quarta-feira, 29 de abril de 2015

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 003 — CONSIDERAÇÕES METODOLÓGICAS — PARTE 002


A manifestação de Jesus não teria sentido sem a revelação do Senhor a Paulo

ESSA É UMA SÉRIE DE ESTUDOS QUE VISA ABORDAR DA MANEIRA COMO CONSIDERAMOS APROPRIADA A IMPORTANTE QUESTÃO RELATIVA À RESSURREIÇÃO DE CRISTO. TOMANDO COMO BASE AS OBRAS DE GEERHARDUS VOS E HERMAN RIDDERBOS. NOSSA INTENÇÃO É MOSTRAR A CENTRALIDADE DA RESSURREIÇÃO DE CRISTO NA TEOLOGIA PAULINA.

ATENÇÃO: O material contido nesses estudos foi, em grande parte, adaptado da notas de aula e da apostila fornecida pelo professor Dr. Richard B. Gaffin em sua aula de teologia que explorou a importância da ressurreição de Jesus para a Teologia Paulina. Todas as vezes que o material mostrou-se insuficiente devido os anos que já se passaram, os lapsos foram preenchidos pelo editor do Grande Diálogo. O Dr. Gaffin, além de professor tornou-se um amigo a quem tivemos a oportunidade de receber em nossa casa, acompanhado de sua esposa, quando morávamos na cidade da Filadélfia nos EUA.

CONTINUAÇÃO...

De acordo com Abraham Kuyper temos então a seguinte sequência, que para ele era inexorável: Escrituras Sagradas, igreja, dogma, dogmática — como teologia — e por causa da forma como a ênfase na descontinuidade é distribuída, isso faz com que Kuyper não apenas rejeite a teologia bíblia por considerar o nome impróprio, mas rejeite até mesmo o conceito que ela representa. Essa é meso uma discussão muito interessante. Todavia, não podemos deixar de afirmar que apesar de sua posição tão rigorosa, Kuyper aprova o foco material da teologia bíblica no que diz respeito ao interesse que a mesma demonstra no caráter histórico da Bíblia. Mas ele lamenta a falta de visão da teologia dogmática no uso de provas no que diz respeito à busca de um progresso verdadeiro no entendimento bíblico que resulta do estudo da histeria da revelação das Escrituras.

Quando comparamos Vos e Kuyper não é difícil identificarmos que a ênfase de um é o exato oposto da ênfase do outro. Seguem alguns exemplos:

1. A forma como Kuyper constrói seu argumento teológico é caracterizado por uma espécie de nivelamento de todos os autores bíblicos. Não existe nenhum esforço no sentido de levar em conta suas respectivas distinções. De fato, temos a nítida impressão que Kuyper caminha na direção oposta a isso.  

Enquanto Vos pensa em termos de uma inclinação sistemática e na qualidade da mente de Paulo no que diz respeito à sua capacidade altamente sintética e voltada para o ensino, Kuyper pensa que o apóstolo, juntamente com todos os outros autores bíblicos lançam mão daquilo que ele chama de “linguagem estilizada e simbolicamente estética do Oriente Médio”.

2. Kuyper procura enfatizar, exclusivamente, a descontinuidade entre os autores bíblicos e a atividade teológica das gerações cristãs subsequentes. Por outro lado, Vos faz uma descrição de Paulo como um teólogo e pensador específico, e suas repetidas referências ao sistema teológico adotado pelo apóstolo são formas de expressão completamente proibidas para Kuyper.

Os dois pontos indicados acima são mutuamente exclusivos em vários aspectos principais. Qual do dois estará certo? A posição assumida por Kuyper pode representar, de forma característica, a atitude reformada, especialmente no que diz respeito a relação de Paulo e a formulação dogmática. Mas por outro lado temos que admitir que a interpretação de Vos é mais apropriada para lidarmos com o apóstolo Paulo como escritor bíblico e como um instrumento da revelação divina.

A revelação bíblica possui um interesse histórico. As Escrituras Sagradas são um registro da história da revelação. A análise dessa história — análise que é bem-vinda pelo próprio Kuyper — tem deixado claro que a revelação é um fenômeno diferenciado, composto por atos e palavras que explicam os atos. Deus se Revela a Si mesmo tanto em atos redentores como em palavras de revelação que explicam seus atos. A relação orgânica entre esses dois aspectos da revelação tem se tornado cada vez mais evidente. A revelação por meio de palavras explicativas não se sustenta sozinha. Por esse motivo ela está sempre direcionada seja de forma implícita ou explícita a explicar os atos redentores de Deus. As palavras de Deus estão, invariavelmente, relacionadas a Seus atos. Os atos de redenção são a razão de revelação existir. Uma noção não bíblica e praticamente gnóstica da revelação surge todas as vezes, de modo inevitável, quando a mesma é considerada independente como a fonte supridora de verdades autoevidentes. De acordo com Vos: “a revelação está tão entrelaçada com a redenção que, se deixarmos de lado as considerações referentes à essa última, a revelação fica como que algo meramente suspenso no ar. Dessa forma nós podemos afirmar que a revelação é a autenticação ou a interpretação das ações redentoras de Deus. Geralmente nós podemos encontrar tanto a descrição de um ato quanto a revelação referente ao mesmo numa mesma passagem produzida por qualquer escritor bíblico ou instrumento da revelação. O que deve ser notado é que de passagem em passagem um desses dois aspectos será mais proeminente.

A estrutura básica do Canon do Novo Testamento reflete bem essa distinção: os Evangelhos representam os atos redentores de Deus, enquanto as epístolas servem como meio de interpretação desses mesmos atos. Que esse padrão é intencional é confirmado inclusive pelo Canon do herege Maricão quando ele editou o evangelho de Lucas, entrelaçando-o com as epístolas paulinas, com exceção das epístolas pastorais — 1 e 2 Timóteo e Tito. Esse fato prova que o Canon de Marcião está baseado no Canon da Igreja e não vice-versa.[1]

CONTINUA...  

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 001 — INTRODUÇÃO À HERMENÊUTICA.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 002 — PRINCÍPIOS METODOLÓGICOS — PARTE 001.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 003 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 002 — A RELAÇÃO ENTRE OS ATOS REDENTORES DE DEUS E A REVELAÇÃO DAS ESCRITURAS SAGRADAS

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 004 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 003 — A RELAÇÃO ENTRE PAULO E SEUS INTÉRPRETES MODERNOS

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 005 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 004 — PAULO, NÓS E A HISTÓRIA DA REDENÇÃO

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 006 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 005 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 01

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 007 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 006 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 002

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 008 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 007 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 003 — FINAL

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 009 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 001 — CRISTO, AS PRIMÍCIAS — PARTE 001

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 010 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 002 — CRISTO É AS PRIMÍCIAS E OS CRENTES SÃO A COLHEITA PLENA — PARTE 002

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 011 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 003 — CRISTO É O PRIMOGÊNITO DENTRE OS MORTOS — PARTE 003

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 012 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 004 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO DOS CRENTES SÃO EPISÓDIOS DE UM ÚNICO EVENTO

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 013 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO PASSADA DOS CRENTES — PARTE 001

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 014 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO PASSADA DOS CRENTES — PARTE 002
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/01/a-ressurreicao-de-cristo-dentre-os.html

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A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 009 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 001 — CRISTO, AS PRIMÍCIAS — PARTE 001

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 010 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 002 — CRISTO É AS PRIMÍCIAS E OS CRENTES SÃO A COLHEITA PLENA — PARTE 002

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 011 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 003 — CRISTO É O PRIMOGÊNITO DENTRE OS MORTOS — PARTE 003

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 012 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 004 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO DOS CRENTES SÃO EPISÓDIOS DE UM ÚNICO EVENTO

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 013 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO PASSADA DOS CRENTES — PARTE 001

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 014 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO PASSADA DOS CRENTES — PARTE 002



A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 015 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO PASSADA DOS CRENTES — PARTE 003

Que Deus Abençoe a Todos.

Alexandros Meimaridis

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[1] Para uma discussão mais ampla acerca da posição de Marcião ver a obra de Theodor Zahn. Geschichte des neutestamentlichen Kanons — Pesquisa na História do Canon do Novo Testamento em 2 Volumes. A. Deichert, Leipzig, 1904.