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domingo, 20 de agosto de 2017

ATOS DOS APÓSTOLOS SERMÃO 032 – O INÍCIO DA PERSEGUIÇÃO COINCIDE COM O INICIO DA EXPANSÃO DA PREGAÇÃO DO EVANGELHO


Resultado de imagem para EXPANSÃO DA IGREJA
Império Romano durante o século I da Era Cristã

Esse material é parte de uma série de mensagens pregadas no Livro dos Atos dos Apóstolos. As mensagens cobrem todos os 28 capítulos do Livro de Atos e no final de cada mensagem, você poderá encontrar links para outras mensagens.

Texto: Atos 8:1—4
Introdução

A. As histórias de Estevão e Filipe são apresentadas de modo sequencial no livro de Atos.  

B. Devemos notar algumas similaridades e contrastes entre os dois:

1. Ambos pertenciam ao grupo de homens eleitos pela igreja para servir as mesas na distribuição diária — ver Atos 6:5.

2. Os dois eram pregadores evangelistas — ver Atos 6:10 e 8:5.

3. Estevão era mais polemista e apologético e por isso estava sujeito a sofrer violências. Foi apedrejado como vimos na mensagem anterior.

4. Filipe era mais irenista e, aparentemente não tinha interesse em polêmicas. Ainda estava vivo, 20 anos depois, conforme Atos 21:8.

5. Os dois eram capazes de praticar atos portentosos como confirmação da palavra pregada — ver Atos 6:8; 8:6.

6. Os dois contribuíram para pavimentar o caminho para a expansão do Evangelho:

7. Estevão contribuiu com seus ensinamentos acerca do Templo, da Lei e de Jesus Cristo.

8. Filipe contribuiu evangelizando os Samaritanos e um Etíope – veremos isso nas próximas mensagens.

C. Esses dois grupos são emblemáticos:

1. Os samaritanos eram considerados heréticos, além de uma raça misturada e eram odiados pelos judeus.

2. Os Etíopes eram considerados moradores do “fim do mundo”, as últimas pessoas pelas quais o Deus que habitava em Jerusalém teria qualquer tipo de interesse.

D. Atos 8 está preocupado com a evangelização dos povos. Esse é o motivo porque Lucas usa dois termos distintos para descrever esse progresso:

1. Em Atos 4:2 Lucas diz que os apóstolos καταγγέλλειν kattangélein —anunciavam em Jesus a ressurreição.

2. Em Atos 8:5, Lucas nos diz que Filipe anunciava-lhes a Cristo, mas aqui a palavra grega usada é ἐκήρυσσεν ekérussen — descreve o ato de proclamar como um arauto. Pode também descrever o ato de fazer uma pregação como em Atos 5:42.

3. Mas em Atos 8:12, 25, 35, 40 Lucas usa um novo termo εὐηγγελίσατο euengelísato — evangelizou.

E. Nos primeiros 4 versos de Atos 8, Lucas nos parece interessado em chamar nossa atenção para uma cadeia tripla de causas e efeitos, que estão, intimamente ligados com

 A EXPANSÃO DO EVANGELHO NOS PRIMEIROS DIAS.

I. A Morte de Estevão Produziu uma Grande Perseguição

A. A morte de Estevão foi apenas o início do processo de perseguição.

B. Todavia, devemos destacar que mesmo em meio à perseguição, alguns homens demonstraram imensa coragem ao tomarem e sepultarem o corpo de Estevão, deplorando profundamente a injustiça com que fora tratado — verso 3.

C. A perseguição por outro lado continuava:

1. Todos os cristãos foram dispersos de Jerusalém, com exceção dos apóstolos – verso 1.

2. A intenção de Paulo e de outros não era outra senão destruir a igreja por completo. Lucas usa a expressão ἐλυμαίνετο elumaíneto — assolar, devastar, arruinar. Incluídos nessa palavra estão os conceitos de brutalidade e crueldade sadística – verso 3

3. Seu desejo era liquidar a seita cristã, matando seus seguidores — ver Atos 9:1; 22:4; 26:10.

4. Saulo certamente estava com as mãos encharcadas com o sangue dos cristãos.

II. A Perseguição Causou uma Grande Dispersão

A. Jesus havia dito que sua igreja deveria ir pregando o Evangelho, começando em Jerusalém, e, através da Judéia, chegar até Samaria e daí, até os confins do mundo — ver Atos 1:8.

B. A perseguição aos cristãos era o método divino para fazer cumprir a grande comissão.

C. Nesse sentido, o sermão de Estevão era realmente profético, pois a partir dessa perseguição, Jerusalém e seu glorioso templo vão ficando cada vez mais distantes à medida que Jesus, juntamente com seu povo se afastam daquele lugar.

D. Nenhum tipo de culpa é colocado sob os apóstolos por terem ficado em Jerusalém. De fato era importante que eles ali ficassem para manter os vínculos entre o judaísmo e a nova fé em Cristo como uma continuação entre a Antiga e a Nova Aliança.

 III. A Dispersão por Sua Vez Causou uma Enorme Propagação do Evangelho

A. Os que foram dispersos iam por toda parte pregando o Evangelho — versos 4.

B. Até aqui, somente os apóstolos pregavam o evangelho e alguns evangelistas como Estevão e Filipe. Agora, essa é missão de todos os que foram dispersos.

C. A palavra usada para “pregando” a palavra é εὐαγγελιζόμενοι eúangelizómenoi — que quer dizer apenas “trazer ou compartilhar as boas novas”.

Conclusão

A. Falamos de como Lucas usou a expressão “evangelizou” cinco vezes em Atos 8. Isso é um excelente lembrete para todos nós:

1. Devemos estar sempre envolvidos no processo de evangelizar, i.e., no processo de compartilhar as boas novas acerca de Jesus com todas as pessoas sempre que uma oportunidade de nos oferecer — ver

2 Timóteo 4:2

Que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina.

2. Temos que nos lembrar que não pode haver evangelismo sem que exista um evangelho ou boas novas.

3. E o evangelho que temos para anunciar não existe sem a pessoa de Jesus Cristo e o que ele veio fazer a nosso favor e em nosso lugar.

4. Evangelismo efetivo e eficiente só acontece quando a igreja se concentra em evangelizar quando está espalhada, munida de uma confiança de felicidade na verdade contida na mensagem acerca de Jesus, ao mesmo tempo em que experimenta e confia em sua — do evangelho — relevância e poder.

B. Mas é impossível evangelizar quando estamos desatentos, desinteressados e mais preocupados na manutenção de nossos pequenos feudos e melindres uns com os outros.

C. Vamos entender dois princípios básicos aqui:

1. Todas as vezes que a igreja se reúne ela se reúne para se edificar. Esse é o motivo por que cada um de nós precisa se envolver nesse processo de edificação da igreja. Deus concedeu a cada membro, pelo menos um dom que deve ser usado para bem comum.

2. Primeira coisa a fazer é vir. Vir sempre e com a disposição de participar de se envolver – ver 
Hebreus 10:25.

3. Segunda coisa é se dispor a usar o dom que Deus te concedeu para o bem comum – ver 1 Pedro 4:10; 1 Coríntios 12:7.

4. Agora, quando nos dispersamos, nossa missão como igreja continua: nosso trabalho é compartilhar as boas novas do Evangelho com todos os que entramos em contato.

5. Precisamos compartilhar o evangelho de forma natural, por genuíno amor e interesse pelas pessoas. Não pode ser algo formal. Quanto mais informal, mais irá funcionar.

6. Está nas mãos, nas bocas e nos corações de vocês, compartilharem, espontaneamente, as boas novas acerca de Jesus. Acerca do perdão e da reconciliação com Deus. Acerca da comunhão dos crentes aqui e durante a vida eterna, etc.

Que o Deus Sábio e Todo Poderoso, nos conduza em nossas vidas:

Que ele nos ajude a edificar uns aos outros.

Que nos ajude a alcançar muitos e muitos que precisam da salvação em Jesus hoje mesmo.

OUTRAS MENSAGENS DO LIVRO DOS ATOS DOS APÓSTOLOS

SERMÃO 001 — INTRODUÇÃO AO LIVRO DOS ATOS DOS APÓSTOLOS — Lucas 1:1—4 e Atos 1:1—2

SERMÃO 002 — INTRODUÇÃO AO LIVRO DOS ATOS DOS APÓSTOLOS — PARTE 2 — Lucas 1:1—4 e Atos 1:1—2

SERMÃO 003 — A TRANSIÇÃO DO VOLUME ANTERIOR — Atos 1:1—5

SERMÃO 004 — A NOVA DIREÇÃO EXPLICADA — Atos 1:6—8

SERMÃO 005 — A ASCENSÃO DE JESUS — Atos 1:9—11

SERMÃO 006 — PERSEVERANDO UNÂNIMES — Atos 1:12—26

SERMÃO 007 — O DIA DO PENTECOSTES – PARTE 001 — Atos 2:1—4

SERMÃO 008 — O DIA DO PENTECOSTES – PARTE 002 — Atos 2:5—15

SERMÃO 009 — A PROFECIA DE JOEL — Atos 2:14—21

SERMÃO 010 — O PRIMEIRO SERMÃO — PARTE 001 — Atos 2:22—36

SERMÃO 011 — O PRIMEIRO SERMÃO — PARTE 002 — Atos 2:37—41

SERMÃO 012 — A VIDA DOS PRIMEIROS CRISTÃOS — Atos 2:42—47

SERMÃO 013 — A VIDA DOS PRIMEIROS CRISTÃOS — Atos 2:42—47 — PARTE 002

SERMÃO 014 — A CURA DE UM PARALÍTICO DE NASCENÇA — Atos 3:1—10

SERMÃO 015 — A EXALTAÇÃO DE JESUS E A CONDENAÇÃO DOS HOMENS — Atos 3:11—21

SERMÃO 016 — SALVAÇÃO E REFRIGÉRIO: BÊNÇÃOS DAS DUAS VINDAS DE JESUS— Atos 3:17—21

SERMÃO 017 — JESUS CUMPRE AS PROFECIAS DO ANTIGO TESTAMENTO — Atos 3:22—26

SERMÃO 018 — INÍCIO DAS PERSEGUIÇÕES — Atos 4:1—22

SERMÃO 019 — A IGREJA ORA EM COMUNHÃO — Atos 4:23—31

SERMÃO 020 — A IGREJA VIVE EM COMUNHÃO — Atos 4:32—37

SERMÃO 021 — ANANIAS E SAFIRA — Atos 5:1—11

SERMÃO 022 — A COMUNIDADE DOS CRENTES — Atos 5:12—16

SERMÃO 023 — PRISÃO, JULGAMENTO, AÇOITES = ALEGRIA E O PARECER DE GAMALIEL — Atos 5:17—42

SERMÃO 024 — DIVERSIDADE DE DONS = CRESCIMENTO DA IGREJA — Atos 6:1—7

SERMÃO 025 — UM HOMEM CHAMADO ESTÊVÃO — Atos 6:8—12

SERMÃO 026 — ACUSAÇÕES CONTRA UM HOMEM HONESTO — Atos 6:13—15

SERMÃO 027 — A DEFESA DE ESTÊVÃO E O DEUS DA GLÓRIA — Atos 7:1—8
SERMÃO 028 — A DEFESA DE ESTÊVÃO E A MOBILIDADE DE DEUS — Atos 7:9—16

SERMÃO 029 — A DEFESA DE ESTEVÃO — A Importância da Obediência — Parte 3 — Atos 7:17—43

SERMÃO 030 — A DEFESA DE ESTEVÃO — Três Acusações Devastadoras — Parte 4 — Atos 7:44—53

SERMÃO 031 — A DEFESA DE ESTEVÃO — Perseguição e Morte — Parte 5 — Atos 7:54—60

SERMÃO 032 – O INÍCIO DA PERSEGUIÇÃO COINCIDE COM O INICIO DA EXPANSÃO DA PREGAÇÃO DO EVANGELHO — Atos 8:1—4
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/08/atos-dos-apostolos-sermao-032-o-inicio.html

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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quarta-feira, 10 de junho de 2015

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 003 – INTRODUÇÃO OS EVANGELHOS — OS MOTIVOS QUE LEVARAM ATÉ A PRODUÇÃO DOS EVANGELHOS



Essa série pretende disponibilizar as informações mais importantes acerca de cada um dos 27 livros que compõem o Novo Testamento. Desde que lançamos nossa série de Introdução ao Antigo Testamento, muitos leitores têm nos questionando acerca de algum material semelhante com respeito ao Novo Testamento. Então, aproveitando que iniciamos uma série de estudos acerca dos manuscritos do Novo Testamento — tecnicamente chamada de “baixa crítica” — estamos usando essa oportunidade para lançar uma série que trate também do texto do Novo Testamento em si, e da interpretação geral do mesmo — “alta crítica”.

I. OS EVANGELHOS

C. OS MOTIVOS PORQUE OS EVANGELHOS FORAM ESCRITOS

Como pretendemos discutir os propósitos que levaram à produção de cada um dos evangelhos de forma independente, quando estudarmos cada um deles especificamente, nosso interesse hoje é tratar dos motivos gerais que levaram à produção de cada um dos quatro evangelhos. Como já tivemos oportunidade de explicar, em outro estudo, o modelo do tipo de literatura representado pelos Evangelhos não existia antes dos mesmos. Eles representam um tipo de literatura exclusiva — chamada de Evangelho — e não devem ser confundidos, em nenhuma hipótese, com o que costumamos chara de biografias, sejam elas:

1. Autobiografias.

2. Biografias escritas por terceiros.

3. Biografias históricas.

4. Biografias romanceadas.

5. Biografias não autorizadas.

6. Etc.

O fator que determinou o surgimento específico desse tipo de literatura — os Evangelhos — foi o fato de que durante o tempo em que os apóstolos estavam vivos e eram capazes de autenticar, eles mesmos, os ensinamentos de Jesus ou acerca da vida e obra de Jesus, não havia necessidade de nenhum material escrito. Mas com o passar do tempo e com a expansão da Igreja, surgiu então a necessidade desses homens — apóstolos — colocarem, por escrito — eles mesmos ou outros guiados por eles — os elementos considerados imprescindíveis para que os seres humanos pudessem entender o esplendor que foi a visita do Deus ETERNO em pessoa a esse nosso mundo.

Uma coisa que precisamos ter sempre em mente é que no Oriente Médio a palavra de boca tinha maior peso e aceitação do que qualquer documento escrito. Por isso, era comum pensar em colocar algo por escrito apenas após o falecimento daqueles que podiam ser considerados testemunhas dos fatos, independentemente da natureza dos mesmos. Nesse sentido, é possível que um considerável número de anos tenham se passado entre os fatos acontecidos durante a vida e o ministério de Jesus e a decisão de colocar tais informações me forma escrita. A questão relativa quanto às datas prováveis em que cada um dos Evangelhos foi escrito será considerada mais adiante, quando analisarmos cada um dos Evangelhos individualmente. Nesse ponto, nós queremos nos dar ao direito de discordar da opinião de alguns estudiosos que gostam de alegar, mas sem provas,  que um período muito longo de tempo, onde a informação foi passada apenas por meio de tradições orais, até que os Evangelhos fossem escritos é necessário. Tal argumento serve para distanciar os Evangelhos de seus verdadeiros autores e atribuí-los a terceiros que não foram testemunhas oculares dos fatos narrados nos mesmos. Mas tal afirmação tola já foi, completamente, desmantelada pelo Dr. John A. T. Robinson da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, em sua ainda não superada obra Redating The New TestamentRedatando o Novo Testamento.[1]

Conforme mencionamos acima, a rápida e gigantesca expansão da Igreja Cristã por toda a Bacia do Mediterrâneo e além, talvez tenha sido o motivo central porque se tornou imperativo produzir narrativas da vida e obra de Jesus antes em vez de mais tarde. Considerando uma situação daquele tempo, nos lemos na introdução do Evangelho de Lucas — que não foi testemunha ocular dos fatos narrados — que antes dele escrever outros já tinham se dedicado a esse trabalho e já existiam registros escritos — provavelmente os Evangelhos de Marcos e Mateus. Todavia, é praticamente impossível determinarmos um ano preciso para a primeira produção dessa nova forma de literatura que chamamos de Evangelhos.

Por outro lado, existem muitos estudiosos que alegam que, uma demora propositada existiu na produção dos Evangelhos causada pelo que se acreditava seria a próxima vinda de Jesus, que nos evangelhos é chamada de:

1. παρουσίαparousía — Presença, Vinda, Chegada ou Advento.

2. ἐπιφάνεια  — epifáneia — Aparição, Manofestação.

3. Ἀποκάλυψις  — Apokálipsis — Revelação ou Ato de Tornar Descoberto ou Exposto.

Caso essa vinda tão imediata fosse mesmo aceita de modo geral, isso seria de fato, um grande desestímulo para qualquer produção literária, especialmente do tipo que encontramos nos Evangelhos. Por outro lado, quaisquer registros acerca da Igreja, só fariam sentido depois que a mesma estivesse estabelecida e tivesse sua perpetuidade garantida. Tudo isso é razoável, é provável, mas não existe nenhuma garantia que esteja certo.  Nós sabemos que algumas Epístolas do Novo Testamente foram produzidas antes dos Evangelhos serem escritos. Além disso, Jesus ensinou, de modo claro, que a sua παρουσίαparousía — Vinda, não aconteceria até que o Evangelho fosse pregado em todo mundo. Diante disso temos que nos perguntar com toda sinceridade: é pouco razoável pensarmos que alguns, muitos ou todos os pregadores não poderiam se beneficiar de registros históricos escritos acerca da vida e da obra do Senhor Jesus Cristo? Desse modo, podemos até inverter o que foi dito acima. A produção dos Evangelhos em vez de ser atrasada por causa da eminência da παρουσίαparousía — Vinda, pode mesmo ter sido incentivada e acelerada por causa dessa mesma vida.

Mas existem outros motivos que podem ser alegados a favor da opção “mais tarde” do que “mais cedo” para a produção dos Evangelhos. Um desses motivos teria sido a escassez e alto custo do material de escrita disponível — não deixe de ler nossa série acerca de “COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS”. Mas esse problema persistiu por muito tempo já que os papiros só foram completamente abandonados no século XI d.C. A decisão acerca disso segue pelo caminho que o estudioso adota acerca de como o material contido nos evangelhos foi compilado. Se o mesmo foi escrito por testemunhas oculares ou por pessoas sob a supervisão e a orientação de testemunhas oculares, então produção dos mesmos aconteceu antes. Mas se o autor — nesse caso desconhecido — teve que ficar juntando pedaços de histórias, de ensinamentos, de curas e etc., então é necessário que a data seja postergada para mais tarde ou, pior, bem mais tarde.

Falemos agora, brevemente, acerca dos motivos principais porque era necessário que os evangelhos fossem escritos, e quanto mais cedo melhor. A necessidade do uso dos mesmos em processos de discipulado deve ser evidente a todos. Sem querer diminuir a importância dada pelos judeus para a comunicação oral, cremos que é difícil aceitar que as pessoas de formação grega — a vasta maioria dos habitantes da bacia do Mar Mediterrâneo — tivessem a inclinação de aceitar algo falado como sendo superior a algo escrito. Não é difícil encontramos provas disso, dentro do próprio Novo Testamento onde Paulo escreve dizendo:

Colossenses 4:12—13

12 Saúda-vos Epafras, que é dentre vós, servo de Cristo Jesus, o qual se esforça sobremaneira, continuamente, por vós nas orações, para que vos conserveis perfeitos e plenamente convictos em toda a vontade de Deus.

13 E dele dou testemunho de que muito se preocupa por vós, pelos de Laodiceia e pelos de Hierápolis.

Colossenses 4:16

E, uma vez lida esta epístola perante vós, providenciai por que seja também lida na igreja dos laodicenses; e a dos de Laodiceia, lede-a igualmente perante vós.
    
Junto com as necessidades criadas pelo discipulado, podemos ajuntar as necessidades criadas pela apologética ou defesa da fé cristã, num mundo paganizado ao extremo. Deve ser óbvio que no meio do paganismo as pessoas teriam interesse em conhecer melhor quem havia sido Jesus. Disso surge a necessidade da existência de algum documento que tivesse autoridade suficiente, em si mesmo, para trazer convicção ao coração daquelas pessoas mergulhadas até o pescoço nas mais grossas idolatrias. Daí, a ideia de um registro permanente mais cedo, não parece algo tão distante.

Indo mais além, alguns argumentam que existia também uma necessidade litúrgica que clamava por algum tipo de material escrito acerca da vida, dos ensinamentos e das obras realizadas por Jesus. Independentemente de qual papel essa necessidade tenha realmente tido, o fato é que desde cedo, temos registros — o livro dos Atos dos Apóstolos está repleto deles — da importância de se usar passagens da vida de Jesus tanto na adoração quanto na evangelização. Na Palestina essa necessidade podia ser suprida diretamente pelos apóstolos, mas com a igreja se expandindo velozmente, tornava-se a cada dia mais urgente a necessidade de registros históricos verídicos e que pudessem ser recebidos pela autoridade que possuíam em si mesmos.

Por fim podemos dizer que apesar de reconhecer tanto a necessidade quanto a urgência para a produção de Evangelhos, temos que deixar bem claro que apenas quatro deles foram reconhecidos e aceitos como sendo legítimos e inspirados pelo Espírito Santo. Não tenho certeza de quantos “evangelhos” de mentirinha existem, mas várias dúzias deles foram produzidas. E porque não foram aceitos pela igreja? Porque são fantasiosos, falta-lhes sobriedade, pois narram coisas fantásticas — que tem feito a alegria dos produtores de Hollywood — além de estarem cheios de práticas supersticiosas, de exclusivismo machista — como o afamado Evangelho de Tomé — ou serem simplesmente documentos falsos — como é o caso do recente chamado “Evangelho de Judas” que foi escrito 400 anos depois dos fatos! Esses evangelhos estão classificados ou como apócrifos — que estavam escondidos até serem descobertos — ou como pseudoepigráficos — cuja autoria verdadeira não é a alegada no próprio livro, como acontece com o falso “Evangelho de Judas”, que não foi escrito por Judas, por razões óbvias e sim por um suposto filho dele. Mas não há evidências que Judas foi casado ou mesmo que teve filho ou filhos com alguma mulher. Além disso, está provado que o material é o do século V d. C., ou seja, está distante cerca de quase 400 ou mais não dos fatos que pretende narrar.  Por esses motivos e muito outros que o tempo e o espaço não nos permite discutir aqui e agora, a Igreja Cristã, sabiamente considerou todos eles com sendo espúrios. Mesmo assim, estudiosos como Joachim Jeremias acreditam que sepultados no meio do cipoal representado por esses falsos evangelhos, talvez nos seja possível descobrir alguma frase ou dito original de Jesus que não consta nos evangelhos canônicos. Sirvam-se e fiquem a vontade[2].   

CONTINUA...  

OUTROS ESTUDOS ACERCA DA INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 001 — INTRODUÇÃO GERAL AOS EVANGELHOS — ESTUDO 001

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 002 — A FORMA LITARÁRIA DOS EVANGELHOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 003 — MOTIVOS PORQUE OS EVANGELHOS FORAM ESCRITOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 004 — O LUGAR OCUPADO PELOS QUATRO EVANGELHOS NO NOVO TESTAMENTO

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 005 —  A MELHOR FORMA DE ABORDAR OS QUATRO EVANGELHOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 006 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 001

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 007 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 002

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 008 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 003

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 009 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 004

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 010 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 005

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 011 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 006

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 012 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 007

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 013 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 008

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 014 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 009

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 015 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 010 — AUTOR — PARTE 002



INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 016 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 011 — DATA DA COMPOSIÇÃO

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.


[1] Robinson, Jonh. A. T. Redating the New Testament. The Westminster Press, Philadelphia, 1988.
[2] Jeremias, J. Unknown Sayings of Jesus. Wipf & Stock Pub., Eugene, 2008.