Mostrando postagens com marcador Motivos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Motivos. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 10 de junho de 2015

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 003 – INTRODUÇÃO OS EVANGELHOS — OS MOTIVOS QUE LEVARAM ATÉ A PRODUÇÃO DOS EVANGELHOS



Essa série pretende disponibilizar as informações mais importantes acerca de cada um dos 27 livros que compõem o Novo Testamento. Desde que lançamos nossa série de Introdução ao Antigo Testamento, muitos leitores têm nos questionando acerca de algum material semelhante com respeito ao Novo Testamento. Então, aproveitando que iniciamos uma série de estudos acerca dos manuscritos do Novo Testamento — tecnicamente chamada de “baixa crítica” — estamos usando essa oportunidade para lançar uma série que trate também do texto do Novo Testamento em si, e da interpretação geral do mesmo — “alta crítica”.

I. OS EVANGELHOS

C. OS MOTIVOS PORQUE OS EVANGELHOS FORAM ESCRITOS

Como pretendemos discutir os propósitos que levaram à produção de cada um dos evangelhos de forma independente, quando estudarmos cada um deles especificamente, nosso interesse hoje é tratar dos motivos gerais que levaram à produção de cada um dos quatro evangelhos. Como já tivemos oportunidade de explicar, em outro estudo, o modelo do tipo de literatura representado pelos Evangelhos não existia antes dos mesmos. Eles representam um tipo de literatura exclusiva — chamada de Evangelho — e não devem ser confundidos, em nenhuma hipótese, com o que costumamos chara de biografias, sejam elas:

1. Autobiografias.

2. Biografias escritas por terceiros.

3. Biografias históricas.

4. Biografias romanceadas.

5. Biografias não autorizadas.

6. Etc.

O fator que determinou o surgimento específico desse tipo de literatura — os Evangelhos — foi o fato de que durante o tempo em que os apóstolos estavam vivos e eram capazes de autenticar, eles mesmos, os ensinamentos de Jesus ou acerca da vida e obra de Jesus, não havia necessidade de nenhum material escrito. Mas com o passar do tempo e com a expansão da Igreja, surgiu então a necessidade desses homens — apóstolos — colocarem, por escrito — eles mesmos ou outros guiados por eles — os elementos considerados imprescindíveis para que os seres humanos pudessem entender o esplendor que foi a visita do Deus ETERNO em pessoa a esse nosso mundo.

Uma coisa que precisamos ter sempre em mente é que no Oriente Médio a palavra de boca tinha maior peso e aceitação do que qualquer documento escrito. Por isso, era comum pensar em colocar algo por escrito apenas após o falecimento daqueles que podiam ser considerados testemunhas dos fatos, independentemente da natureza dos mesmos. Nesse sentido, é possível que um considerável número de anos tenham se passado entre os fatos acontecidos durante a vida e o ministério de Jesus e a decisão de colocar tais informações me forma escrita. A questão relativa quanto às datas prováveis em que cada um dos Evangelhos foi escrito será considerada mais adiante, quando analisarmos cada um dos Evangelhos individualmente. Nesse ponto, nós queremos nos dar ao direito de discordar da opinião de alguns estudiosos que gostam de alegar, mas sem provas,  que um período muito longo de tempo, onde a informação foi passada apenas por meio de tradições orais, até que os Evangelhos fossem escritos é necessário. Tal argumento serve para distanciar os Evangelhos de seus verdadeiros autores e atribuí-los a terceiros que não foram testemunhas oculares dos fatos narrados nos mesmos. Mas tal afirmação tola já foi, completamente, desmantelada pelo Dr. John A. T. Robinson da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, em sua ainda não superada obra Redating The New TestamentRedatando o Novo Testamento.[1]

Conforme mencionamos acima, a rápida e gigantesca expansão da Igreja Cristã por toda a Bacia do Mediterrâneo e além, talvez tenha sido o motivo central porque se tornou imperativo produzir narrativas da vida e obra de Jesus antes em vez de mais tarde. Considerando uma situação daquele tempo, nos lemos na introdução do Evangelho de Lucas — que não foi testemunha ocular dos fatos narrados — que antes dele escrever outros já tinham se dedicado a esse trabalho e já existiam registros escritos — provavelmente os Evangelhos de Marcos e Mateus. Todavia, é praticamente impossível determinarmos um ano preciso para a primeira produção dessa nova forma de literatura que chamamos de Evangelhos.

Por outro lado, existem muitos estudiosos que alegam que, uma demora propositada existiu na produção dos Evangelhos causada pelo que se acreditava seria a próxima vinda de Jesus, que nos evangelhos é chamada de:

1. παρουσίαparousía — Presença, Vinda, Chegada ou Advento.

2. ἐπιφάνεια  — epifáneia — Aparição, Manofestação.

3. Ἀποκάλυψις  — Apokálipsis — Revelação ou Ato de Tornar Descoberto ou Exposto.

Caso essa vinda tão imediata fosse mesmo aceita de modo geral, isso seria de fato, um grande desestímulo para qualquer produção literária, especialmente do tipo que encontramos nos Evangelhos. Por outro lado, quaisquer registros acerca da Igreja, só fariam sentido depois que a mesma estivesse estabelecida e tivesse sua perpetuidade garantida. Tudo isso é razoável, é provável, mas não existe nenhuma garantia que esteja certo.  Nós sabemos que algumas Epístolas do Novo Testamente foram produzidas antes dos Evangelhos serem escritos. Além disso, Jesus ensinou, de modo claro, que a sua παρουσίαparousía — Vinda, não aconteceria até que o Evangelho fosse pregado em todo mundo. Diante disso temos que nos perguntar com toda sinceridade: é pouco razoável pensarmos que alguns, muitos ou todos os pregadores não poderiam se beneficiar de registros históricos escritos acerca da vida e da obra do Senhor Jesus Cristo? Desse modo, podemos até inverter o que foi dito acima. A produção dos Evangelhos em vez de ser atrasada por causa da eminência da παρουσίαparousía — Vinda, pode mesmo ter sido incentivada e acelerada por causa dessa mesma vida.

Mas existem outros motivos que podem ser alegados a favor da opção “mais tarde” do que “mais cedo” para a produção dos Evangelhos. Um desses motivos teria sido a escassez e alto custo do material de escrita disponível — não deixe de ler nossa série acerca de “COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS”. Mas esse problema persistiu por muito tempo já que os papiros só foram completamente abandonados no século XI d.C. A decisão acerca disso segue pelo caminho que o estudioso adota acerca de como o material contido nos evangelhos foi compilado. Se o mesmo foi escrito por testemunhas oculares ou por pessoas sob a supervisão e a orientação de testemunhas oculares, então produção dos mesmos aconteceu antes. Mas se o autor — nesse caso desconhecido — teve que ficar juntando pedaços de histórias, de ensinamentos, de curas e etc., então é necessário que a data seja postergada para mais tarde ou, pior, bem mais tarde.

Falemos agora, brevemente, acerca dos motivos principais porque era necessário que os evangelhos fossem escritos, e quanto mais cedo melhor. A necessidade do uso dos mesmos em processos de discipulado deve ser evidente a todos. Sem querer diminuir a importância dada pelos judeus para a comunicação oral, cremos que é difícil aceitar que as pessoas de formação grega — a vasta maioria dos habitantes da bacia do Mar Mediterrâneo — tivessem a inclinação de aceitar algo falado como sendo superior a algo escrito. Não é difícil encontramos provas disso, dentro do próprio Novo Testamento onde Paulo escreve dizendo:

Colossenses 4:12—13

12 Saúda-vos Epafras, que é dentre vós, servo de Cristo Jesus, o qual se esforça sobremaneira, continuamente, por vós nas orações, para que vos conserveis perfeitos e plenamente convictos em toda a vontade de Deus.

13 E dele dou testemunho de que muito se preocupa por vós, pelos de Laodiceia e pelos de Hierápolis.

Colossenses 4:16

E, uma vez lida esta epístola perante vós, providenciai por que seja também lida na igreja dos laodicenses; e a dos de Laodiceia, lede-a igualmente perante vós.
    
Junto com as necessidades criadas pelo discipulado, podemos ajuntar as necessidades criadas pela apologética ou defesa da fé cristã, num mundo paganizado ao extremo. Deve ser óbvio que no meio do paganismo as pessoas teriam interesse em conhecer melhor quem havia sido Jesus. Disso surge a necessidade da existência de algum documento que tivesse autoridade suficiente, em si mesmo, para trazer convicção ao coração daquelas pessoas mergulhadas até o pescoço nas mais grossas idolatrias. Daí, a ideia de um registro permanente mais cedo, não parece algo tão distante.

Indo mais além, alguns argumentam que existia também uma necessidade litúrgica que clamava por algum tipo de material escrito acerca da vida, dos ensinamentos e das obras realizadas por Jesus. Independentemente de qual papel essa necessidade tenha realmente tido, o fato é que desde cedo, temos registros — o livro dos Atos dos Apóstolos está repleto deles — da importância de se usar passagens da vida de Jesus tanto na adoração quanto na evangelização. Na Palestina essa necessidade podia ser suprida diretamente pelos apóstolos, mas com a igreja se expandindo velozmente, tornava-se a cada dia mais urgente a necessidade de registros históricos verídicos e que pudessem ser recebidos pela autoridade que possuíam em si mesmos.

Por fim podemos dizer que apesar de reconhecer tanto a necessidade quanto a urgência para a produção de Evangelhos, temos que deixar bem claro que apenas quatro deles foram reconhecidos e aceitos como sendo legítimos e inspirados pelo Espírito Santo. Não tenho certeza de quantos “evangelhos” de mentirinha existem, mas várias dúzias deles foram produzidas. E porque não foram aceitos pela igreja? Porque são fantasiosos, falta-lhes sobriedade, pois narram coisas fantásticas — que tem feito a alegria dos produtores de Hollywood — além de estarem cheios de práticas supersticiosas, de exclusivismo machista — como o afamado Evangelho de Tomé — ou serem simplesmente documentos falsos — como é o caso do recente chamado “Evangelho de Judas” que foi escrito 400 anos depois dos fatos! Esses evangelhos estão classificados ou como apócrifos — que estavam escondidos até serem descobertos — ou como pseudoepigráficos — cuja autoria verdadeira não é a alegada no próprio livro, como acontece com o falso “Evangelho de Judas”, que não foi escrito por Judas, por razões óbvias e sim por um suposto filho dele. Mas não há evidências que Judas foi casado ou mesmo que teve filho ou filhos com alguma mulher. Além disso, está provado que o material é o do século V d. C., ou seja, está distante cerca de quase 400 ou mais não dos fatos que pretende narrar.  Por esses motivos e muito outros que o tempo e o espaço não nos permite discutir aqui e agora, a Igreja Cristã, sabiamente considerou todos eles com sendo espúrios. Mesmo assim, estudiosos como Joachim Jeremias acreditam que sepultados no meio do cipoal representado por esses falsos evangelhos, talvez nos seja possível descobrir alguma frase ou dito original de Jesus que não consta nos evangelhos canônicos. Sirvam-se e fiquem a vontade[2].   

CONTINUA...  

OUTROS ESTUDOS ACERCA DA INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 001 — INTRODUÇÃO GERAL AOS EVANGELHOS — ESTUDO 001

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 002 — A FORMA LITARÁRIA DOS EVANGELHOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 003 — MOTIVOS PORQUE OS EVANGELHOS FORAM ESCRITOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 004 — O LUGAR OCUPADO PELOS QUATRO EVANGELHOS NO NOVO TESTAMENTO

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 005 —  A MELHOR FORMA DE ABORDAR OS QUATRO EVANGELHOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 006 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 001

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 007 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 002

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 008 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 003

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 009 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 004

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 010 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 005

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 011 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 006

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 012 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 007

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 013 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 008

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 014 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 009

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 015 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 010 — AUTOR — PARTE 002



INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 016 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 011 — DATA DA COMPOSIÇÃO

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.


[1] Robinson, Jonh. A. T. Redating the New Testament. The Westminster Press, Philadelphia, 1988.
[2] Jeremias, J. Unknown Sayings of Jesus. Wipf & Stock Pub., Eugene, 2008.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

AMAI-VOS UNS AOS OUTROS – ESTUDO 029 - Efésios 5:18—20 e Colossenses 3:16 - Falando Entre Vós Com...


Assim como há muitos frutos existem muitas formas de louvor.

Esse artigo é parte da série "Amai-vos Uns aos Outros" e é muito recomendável que o leitor procure conhecer todos os aspectos dos mandamentos nos quais o Senhor nos ordena demonstrarmos amor uns pelos outros. No final do artigo você encontrará links para outros estudos dessa série.

VIVENDO A VIDA COMUM DOS SANTOS DE DEUS

Introdução Geral.

A. Nessa série, estamos falando acerca dos mandamentos que tratam das responsabilidades comuns que temos uns com os outros. Para facilitar nossa compreensão, dividimos estes mandamentos em quatro categorias: 
1. Mandamentos que enfatizam as relações interpessoais: Amar, receber, saudar, ter o mesmo cuidado, submeter, suportar, confessar pecados cometidos contra e, perdoar uns aos outros. 
2. Mandamentos negativos que nos ensinam o que não devemos fazer uns com os outros: Não julgar, não falar mal, não murmurar, não morder e devorar, não provocar, não invejar e não mentir uns aos outros. 
3. O terceiros grupo, que estamos estudando agora, trata dos mandamentos que enfatizam a necessidade que temos de edificação mútua. Já tivemos a oportunidade de falar acerca de como devemos: Edificar, ensinar, exortar e admoestar uns aos outros. 
B. Hoje estamos terminando esta categoria, que trata da edificação mútua, e queremos falar da responsabilidade que temos de... 
Falar entre nós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo. 
Introdução ao Estudo 
A. Durante sua longa história, o povo do Deus da Bíblia tem sido conhecido como um povo que canta: 
1. Os Israelitas quando foram libertados do Egito louvaram a Deus com o cântico que está registrado em Êxodo 15:1—21. 
2. Quando os israelitas estavam prontos para entrar na Terra Prometida, depois de 40 anos de rebeldias no deserto, Deus deu a Moisés um canto de exortação para que fosse ensinado ao povo — ver Deuteronômio 32:1—43. 
a. Os salmos foram usados tanto no culto público oferecido a Deus, quanto em práticas particulares entre Seu povo. 
3. Disto tudo podemos aprender que Deus considerou a música e as letras como uma maneira efetiva e prazerosa de edificar Seu povo ao mesmo tempo em que recebe louvores. 
4. Não deve nos surpreender, portanto, que Paulo ensine que devemos fazer uso da música para edificar uns aos outros e para louvar o Senhor. 
I. O Mandamento. 
Falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo — Efésios 5:19—20. 
Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração – Colossenses 3:16. 
II. Definição dos Termos: 
A. λαλοῦντες laloûntes — falando. Descreve a emissão de sons articulados e inteligíveis. 
2. ᾠδαῖς odaîs — entoando. Cantar em louvor de alguém. 
3. ψάλλοντες psállontes  — louvando. Fazer vibrar um instrumento, seja de corda seja de percussão. 
4. εὐχαριστοῦντες eucharistoûntes — dando graças. Agradecer verbalmente como manifestação da gratidão que está no coração.   
Falando entre nós com salmos, hinos e cânticos espirituais é um meio pelo qual nós podemos ensinar, exortar e admoestar uns aos outros ao mesmo tempo em que nos unimos uns aos outros para louvar a Deus com músicas e palavras. 
II. Exemplos Bíblicos 
Por volta da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam louvores a Deus, e os demais companheiros de prisão escutavam. De repente, sobreveio tamanho terremoto, que sacudiu os alicerces da prisão; abriram-se todas as portas, e soltaram-se as cadeias de todos — Atos 16:25—26. 
Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com a mente; cantarei com o espírito, mas também cantarei com a mente. E, se tu bendisseres apenas em espírito, como dirá o indouto o amém depois da tua ação de graças? Visto que não entende o que dizes; porque tu, de fato, dás bem as graças, mas o outro não é edificado – 1 Coríntios 14:15—17. 
III. Podemos Cantar Algo Que Vá Além do Saltério? 
A. Os dois textos que estamos usando como base desta mensagem, mencionam “salmos, hinos e cânticos espirituais”. Naqueles dias, estas expressões eram usadas com referência ao Saltério ou Livro dos Salmos que está nos nossos Antigos Testamentos. 
B. A pergunta que precisamos fazer é: podemos compor e cantar salmos, hinos e cânticos espirituais que vão além das palavras contidas no Livro dos Salmos? Existem dois princípios cristãos que creio podem nos ajudar a resolver esta questão: 
1. Jesus Cristo é a figura central da nossa fé: 
a. Ele é a figura central da pregação no Novo Testamento — 
Atos 11:20 
Alguns deles, porém, que eram de Chipre e de Cirene e que foram até Antioquia, falavam também aos gregos, anunciando-lhes o evangelho do Senhor Jesus. 
b. Ele é a figura central do ensino no Novo Testamento — 
1 Timóteo 6:3—5 
3 Se alguém ensina outra doutrina e não concorda com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino segundo a piedade, 
4 é enfatuado, nada entende, mas tem mania por questões e contendas de palavras, de que nascem inveja, provocação, difamações, suspeitas malignas, 
5 altercações sem fim, por homens cuja mente é pervertida e privados da verdade, supondo que a piedade é fonte de lucro. 
c. Ele era e ainda é objeto de adoração. 
d. Ele deve ser servido por nós — 
Romanos 16:17—18 
17 Rogo-vos, irmãos, que noteis bem aqueles que provocam divisões e escândalos, em desacordo com a doutrina que aprendestes; afastai-vos deles, 
18 porque esses tais não servem a Cristo, nosso Senhor, e sim a seu próprio ventre; e, com suaves palavras e lisonjas, enganam o coração dos incautos. 
e. Seus discípulos são chamados pelo Seu nome — cristãos — 
Atos 11:26 
Tendo-o encontrado, levou-o para Antioquia. E, por todo um ano, se reuniram naquela igreja e ensinaram numerosa multidão. Em Antioquia, foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos. 
f. Adultos e Crianças devem ser batizados em Seu nome — 
Atos 2:38—39 
38 Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo. 
39 Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar. 
g. Ele é a figura central na última ceia — 
1 Coríntios 10:16 
16 Porventura, o cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo? 
Por todos estes motivos, seria muito estranho aceitar a possibilidade de que os crentes do Novo Testamento teriam omitido a pessoa de Jesus de seus cânticos, quando Ele ocupava o centro de todas as outras coisas — ver Colossenses 3:16—17. Dizemos isso, no caso de os cristãos terem se limitado ao uso do saltério judaico 
2. Jesus introduz a “novidade” em todas as coisas: 
a. Os que creem em Jesus são chamados de novas criaturas — 
2 Coríntios 5:17 
E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas. 
b. Jesus é o mediador de uma Nova Aliança — 
Hebreus 9:15 
Por isso mesmo, ele é o Mediador da nova aliança, a fim de que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia sob a primeira aliança, recebam a promessa da eterna herança aqueles que têm sido chamados. 
c. Seus seguidores louvam-no com um novo cântico — 
Apocalipse 5:9—10 
9 e entoavam novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação. 
10 e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra. 
Apocalipse 14:3 
Entoavam novo cântico diante do trono, diante dos quatro seres viventes e dos anciãos. E ninguém pôde aprender o cântico, senão os cento e quarenta e quatro mil que foram comprados da terra. 
d. O povo de Deus foi ordenado cantar — 
Isaías 42:10 
Cantai ao SENHOR um cântico novo e o seu louvor até às extremidades da terra, vós, os que navegais pelo mar e tudo quanto há nele, vós, terras do mar e seus moradores. 
Salmos 33:3 
Entoai-lhe novo cântico, tangei com arte e com júbilo. 
Diante destes fatos, parece ser apenas lógico, que os cristãos devem criar novas canções para mútua edificação, louvor e ações de graças.
 IV. Implicações Contidas Neste Mandamento 
A. Este mandamento, que nos diz que devemos falar, louvar, entoar e dar graças entre nós possui as seguintes implicações: 
1. Ensino, exortação e admoestação podem ser comunicados, de modo efetivo, mediante uso de letras e músicas. 
2. A música é uma forma muito agradável de louvar a Deus ao mesmo tempo em que encoraja outros na fé. 
3. Quando cantamos uns para os outros é evidente que estamos cheios do Espírito Santo — ver Efésios 5:18. 
4. O canto deve fluir do coração que está agradecido a Deus — ver Efésios 5:20 e Colossenses 3:16. Por este motivo, as palavras usadas e os instrumentos são irrelevantes. O que importa é a atitude do coração. Está tudo nos motivos, naquilo que você é no íntimo. 
5. Assim, precisamos louvar de tal modo e em todas as situações, o Senhor Jesus seja honrado — 
Colossenses 3:17 
E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.
Conclusão:

Todos nós devemos nos envolver na obediência a esse mandamento recíproco de falar, entoar, louvar e dar graças juntos. Como acontece com todos os outros mandamentos de reciprocidade não dá para obedecer a este mandamento sem nos envolvermos uns com os outros, sem estarmos juntos sempre que possível.

1. Talvez alguns de vocês aqui, possam se interessar por estes mandamentos de reciprocidade e compor algumas músicas que todos cantemos e sejamos, desse modo, edificados.

2. Em alguns casos a melodia ajuda a Palavra a ser transmitida através do lirismo, do ritmo e da harmonia. Portanto, devemos nos dedicar a este ministério. Muitos de vocês aqui sabem tocar algum instrumento ou têm o dom de cantar. É hora de colocar estes dons em bom uso e, que uso poderia ser melhor, senão a edificação do povo de Deus e louvor ao Altíssimo?

3. Louvor ao Altíssimo é coisa muito séria. Longe de nós querer usar o louvor do Senhor para chamar a atenção para nós mesmos.

4. O Salmista disse

Salmos 147:1

Louvai ao SENHOR, porque é bom e amável cantar louvores ao nosso Deus; fica-lhe bem o cântico de louvor.

Salmos 146:2

Louvarei ao SENHOR durante a minha vida; cantarei louvores ao meu Deus, enquanto eu viver.

5. Os salmos nos ensinam que a música e os cânticos representam alegria e felicidade em conhecer Deus e desfrutar de seus benefícios.

Salmo 81:1—2

Cantai de júbilo a Deus, força nossa; celebrai o Deus de Jacó. Salmodiai e fazei soar o tamboril, a suave harpa com o saltério.

Salmos 91:1—5

Bom é render graças ao SENHOR e cantar louvores ao teu nome, ó Altíssimo, anunciar de manhã a tua misericórdia e, durante as noites, a tua fidelidade, com instrumentos de dez cordas, com saltério e com a solenidade da harpa. Pois me alegraste, SENHOR, com os teus feitos; exultarei nas obras das tuas mãos. Quão grandes, SENHOR, são as tuas obras! Os teus pensamentos, que profundos!

6. A música é uma forma muito eficiente de testemunho pessoal:

Salmos 28:6—7

Bendito seja o SENHOR, porque me ouviu as vozes súplices! O SENHOR é a minha força e o meu escudo; nele o meu coração confia, nele fui socorrido; por isso, o meu coração exulta, e com o meu cântico o louvarei.


Capa do LP SAVED by Bob Dylan

7. O poeta estadunidense descreveu sua salvação com as seguintes palavras no poema “SAVED” — Salvo. Note todos os elementos acerca dos quais acabamos de falar.

Eu estava cego pelo diabo
Já nasci arruinado
Frio, gelado, morto
Desde a hora que saí do ventre materno
Por Sua graça eu fui tocado
Por Sua Palavra eu fui curado
Por Sua mão eu fui libertado
Por Seu Espírito eu fui selado

Coro
Eu fui Salvo
Pelo sangue do Cordeiro
Salvo
Pelo sangue do Cordeiro
Salvo
Salvo
E eu estou tão feliz
Sim, Eu estou tão feliz
Tão feliz que
Eu quero te agradecer, Senhor
Eu quero apenas agradecer ao Senhor

Por Sua verdade eu estou justificado
Por Sua força eu posso suportar as dificuldades
Pelo Seu poder eu fui levantado
Em Seu amor eu estou seguro
Ele me comprou por um preço
Me livrou do abismo
Do vazio e da ira de Deus
E do fogo que arde ali

Coro

Ninguém havia para me salvar
Ninguém se atreveria a me resgatar
Eu estava indo em direção ao abismo pela última vez
Mas pela Sua misericórdia minha vida foi poupada
Por muito tempo eu fui impedido
Por muito tempo minha vida estava travada

Coro
8. A nossa comunhão pode ser grandemente encorajada através dos testemunhos dos irmãos e através dos louvores a Deus. Vamos nos empenhar prá valer?

9. Que o Deus, digno de receber todo louvor, nos ajude a sermos obedientes a este mandamento recíproco para nossa própria edificação e proveito e para Sua honra e glória, como ele mesmo deseja.

OUTROS ESTUDOS ACERCA DA VIDA COMUM DOS SANTOS DE DEUS.

001 — O Custo do Discipulado =

002 — Uma Proposta de Vida =

003 e 004 — Comunhão e Interdependência =

005 — Os Dons espirituais e a Vida Comum =

006 — Discipulado =

007 — O Amor ao Próximo =

008 — Amai-vos uns aos outros — Parte 1 — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS

009 — Amai-vos uns aos outros — Parte 2 — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS

010 — Romanos 15:1—7 — Acolhei-vos Uns aos Outros — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS — Parte 3

011 — Romanos 16:16 — Saudai-vos Uns Aos Outros — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS — Parte 04

012 — 1 Coríntios 12:24—25 — Tande o Mesmo Cuidado Uns Para Com os Outros — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS — Parte 05

013 — Efésios 5:18-21 — Sujeitai-vos ou Submetei-vos Uns Aos Outros — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS — Parte 06

014 — Efésios 4:1—3 — Suportai-vos Uns Aos Outros — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS — Parte 07

015 — Tiago 5:16 — Confessai Vossos Pecados uns Aos Outros — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS — Parte 08

016 — Colossenses 3:12—13 — Perdoai uns Aos Outros — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS — Parte 09

017 — Romanos 14:13 — Não Julgueis Uns Aos Outros — Parte A — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS — Parte 10A

018 — Romanos 14:13 — Não Julgueis Uns Aos Outros — Parte B — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS — Parte 10B

019 — Tiago 4:11 — Não faleis Mal uns dos Outros — AMAI-VOS UNS AOS AOS OUTROS — Parte 11

020 — Tiago 5:9 — Não Vos Queixeis uns dos Outros — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS — Parte 12

021 — Gálatas 5:14—15 — Não Vos Mordais nem Devoreis uns Aos Outros — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS — Parte 13

022 — Gálatas 5:25—26 — Não Provoqueis Uns aos Outros — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS — Parte 14

023 — Gálatas 5:25—26 — Não Invejeis Uns aos Outros — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS — Parte 15

024 — Colossenses 3:9—10 — Não Mintais uns aos Outros — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS — Parte 16

025 — Romanos 14:29 e 1 Tessalonicenses 5:11  — Edificar uns aos outros — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS — PARTE 17

026 — Colossenses 3:16  — Instruí-vos Mutuamente — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS — PARTE 18

027 — 1 Tessalonicense 5:1 e Hebreus 3:12—13  — Consolai-vos e Exortai-vos Uns aos Outros — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS — PARTE 19

028 — Romanos 15:14 e Colossenses 3:16 — Admoestai-vos ou Aconselhai-vos uns aos outros —  AMAI-VOS UNS AOS OUTROS – Parte 20 — SERMÃO 028

029 — Efésios 5:18—20 e Colossenses 3:16 — Falando entre vós com... — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS – Parte 21 — SERMÃO 029

030 — Gálatas 5:13—14 — Sede Servos Uns dos Outros — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS – Parte 22 — SERMÃO 030

031 — Gálatas 6:2 — Levai as Cargas Uns dos Outros — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS – Parte 23 — SERMÃO 031

032 — 1 Pedro 4:7—10 — Sede Mutuamente Hospitaleiros — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS – Parte 24 — SERMÃO 032

033 — Efésios 4:31—32 — Sede Benignos Uns Para Com Os Outros — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS – Parte 25 — SERMÃO 033

034 — Tiago 5:16 — Orai Uns Pelos Outros — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS – Parte 26 — SERMÃO 034
Grande Abraço e que Deus possa abençoar a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.