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domingo, 16 de março de 2014

EXISTIAM CAMELOS NOS DIAS DE ABRAÃO?



Uma notícia publicada no New York Times no mês de fevereiro de 2014 intitulada — Camels had No Business in Genesis ou Canelos não Existiam no Livro de Gênesis — e que pode ser vista em seu original por meio desse link aqui:


nos apresenta mais uma desesperada tentativa de arqueólogos desejosos de tentar negar a veracidade das Escrituras Sagradas. Mas atacar a Bíblia é uma coisa, provar é algo completamente diferente.

A notícia publicada pelo NYT está baseada na falta de descoberta de ossos de camelos para o período dos patriarcas. Ora a falta de ossos, como já explicamos em outros artigos, é parte duma pressuposição falsa baseada naquilo que chamamos de “Lei do Silêncio”. Arqueólogos estadunidenses nos dizem que você será incapaz de encontrar ossos de bisões datando 4 mil anos nos Estados Unidos, apesar de milhões dos mesmos terem vivido naquele país naqueles dias.

Mas o fato é que nós temos evidências arqueológicas de que camelos existiam no Egito, na Síria e na Mesopotâmia muito tempo antes de Abraão aparecer em cena[1]. Uma vez que o próprio Abraão procedeu da Mesopotâmia de UR e de Harã, não é difícil aceitarmos o fato que ele bem poderia ter levado os camelos em sua viagem para Canaã. Além do mais, a Bíblia não diz que os camelos existiam, nem que eram usados de forma abundante em Canaã. A Bíblia também não menciona que os mesmos eram usados pelos filisteus. Por outro lado, a palavra גָּמָלgamal — camelo, é mencionada 25 vezes no livro do Gênesis sempre em contextos que envolvem Abraão, Isaque e Jacó.

O Dr. Andrew Steinmann, que é professor de Hebraico na Universidade de Concordia em Chicago afirma que o erro por parte dos arqueólogos da Universidade de Tel-Aviv encontra-se em uma leitura equivocada das Escrituras. Sim, isso pode acontecer até mesmo com doutores arqueólogos! Imagine o quanto isso não acontece com pastores mal preparados nos estudos bíblicos pertinentes. Segundo o Dr. Steinmann os arqueólogos judeus ASSUMEM que a Bíblia afirma que o uso de camelos no livro do Gênesis era algo muito comum em Canaã nos dias de Abraão, mas o fato é que a Bíblia não faz tal tipo de afirmação!

Arqueólogos céticos têm, muitas vezes, tentando desacreditar as Sagradas Escrituras, com base da “Lei do Silêncio” que surge de escavações arqueológicas e de afirmações feitas por pessoas que não são autoridades bíblicas e nem conhecem o próprio idioma hebraico como deveriam.

Esse método de tentar desacreditar a Bíblia foi utilizado, de modo muito proeminente, pelos liberais do século XIX e volta e meia retorna ás manchetes já que o mesmo ajuda a vender jornais e livros. Exemplos dessa tática podem ser observadas no seguinte: como não existem evidências EXTRA-BÌBLICAS de que se escrevia em hebraico antes do ano 1.000 a.C, então esses “doutores” argumentam que Moisés não poderia ter escrito o Pentateuco, e mais, como não temos evidências EXTRA-BÌBLICAS para os hititas, para UR dos Caldeus, para os filisteus e até mesmo para o Rei Davi, isso prova que nenhum deles realmente existiu.

Mas a verdade é que em todos esses casos e muitos outros subsequentes, outros arqueólogos supriram inúmeras provas EXTRA-BÌBLICAS e fizeram a “Lei do Silêncio” ruir por completo. Mesmo assim a mesma continua, como nesse caso, sendo usada na tentativa de desacreditar a Bíblia. O problema é que uma notícia para desacreditar a Bíblia merece sempre um longo texto, além de uma chamada na capa dos jornais e das revistas. Mas quando essas falsas notícias são desacreditadas, a informação aparece em uma pequena nota, preferencialmente numa página par, próxima do fim da mesma e resumida a poucas linhas! Temos que dar aos céticos algum crédito por sua insistência, porque a mesma tem resultado em benefícios a favor da veracidade das Escrituras Sagradas. Mas de todas as formas, também temos que afirmar que nessas questões — de tentar desacreditar a Bíblia — os seres humanos são useiros e vezeiros em lançar mão de um duplo padrão.

Para Meditar:

Provérbios 20:10

Dois pesos e duas medidas, uns e outras são abomináveis ao SENHOR.

Provérbios 20:23

Dois pesos são coisa abominável ao SENHOR, e balança enganosa não é boa.

Que deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:



Desde já agradecemos a todos. 




[1] Kitchen. K. A., Ancient Orient and Old Testament. InterVarsity Press, Chicago, 1966.

quinta-feira, 28 de março de 2013

JOSÉ COMO TIPO DE CRISTO — Estudo 001 - Introdução



Essa é uma série cujo propósito é estudar, com profundidade, a vida de José como um Tipo do Senhor Jesus Cristo. No final de cada estudo você irá encontrar links para outros estudos. A Série tem o título Geral de: José como Tipo de Cristo.

Introdução

A história de José é sem sombra de dúvida a mais interessante e a mais dramática de todas as histórias que encontramos no Livro do Gênesis. Esse autor não conhece ninguém, crente ou não crente, que não se encante com a beleza dessa narrativa chegando, não poucas vezes, ao próprio derramamento de lágrimas tamanho o impacto que a narrativa causa sobre nossos sentidos.

Uma das maiores características da história de José, quando comparada com a dos outros patriarcas, é a riqueza de detalhes que encontramos na mesma. Mas a história não é apenas dele, e sim de todos os patriarcas que vieram compor as doze tribos do povo de Israel. Por esse motivo, a mesma serve para despertar um profundo interesse a todos os descendentes dos patriarcas, que podem encontrar nela profundas lições de conforto e admoestação.

A verdade, como sabemos, é muitas vezes mais estranha que a ficção e a história de José não é diferente nesse quesito. Todavia, quando nos aproximamos dessas narrativas precisamos nos lembrar que estamos lidando com as Sagradas Escrituras, ou seja, com a verdade em sua forma mais pura e direta. O drama que temos diante de nós trata, com minúcias, da maravilhosa providência de Deus, um tema muito querido por nós os reformados, mas que tem sofrido muitos ataques de todos os lados nos últimos tempos. Até mesmo de dentro de igrejas chamadas evangélicas pessoas têm se levantado para afirmarem, categoricamente, que não acreditam, nem aceitam a doutrina reformada da providência divina. Eles imaginam que fomos nós que inventamos tal doutrina, e fazem tais afirmações por não conhecerem direito as Sagradas Escrituras. É nossa convicção que não existe outra história em toda a Bíblia onde os ensinamentos acerca da providência divina sejam mais claros e óbvios, do que nessa narrativa da história de José.

Passo a passo nós podemos observar o esmerado cuidado de Deus, à medida que Israel e seus filhos irão iniciar o processo que culminará em uma completa escravidão do povo de Israel, como Deus já havia advertido a Abraão – ver Gênesis 15:12—13.

Apesar do capítulo 37 iniciar afirmando “esta é a história de Jacó” – ver Gênesis 37:2 – não é difícil percebermos que se trata, na realidade, da história de José. Mas isso não deve nos levar a pensar que José seja considerado pelas Escrituras Sagradas como mais importante que seus antecessores. Afinal de contas, יהוה - YHVH – o ETERNO – nunca lhe apareceu como fez com Jacó – ver Gênesis 35:1, 9; 48:3 - com Isaque – ver Gênesis 26:1-2, 24 - e com o próprio Abraão – ver Gênesis 17:1; 18:1. A história de José tem seus próprios méritos, mas não existe nenhuma intenção, por parte do autor, de transformá-lo em alguém mais importante que seus ancestrais. Mesmo no Novo Testamento, José é mencionado apenas 9 vezes – ver João 4:5; Atos 7:9, 13—14, 18; Hebreus 11:21—22 e Apocalipse 7:8. Já Abraão, por exemplo, é citado 78 vezes, Jacó 25 vezes e Isaque 18 vezes.

Abraão tipifica nossa ELEIÇÃO, enquanto Isaque tipifica nossa ADOÇÃO e Jacó é um claro exemplo do CONFLITO que existe na vida de todo crente – entre a carne e o Espírito Santo – ver Gálatas 5:17 – bem como, a DISCIPLINA divina – Hebreus 12:5—8 - que visa nos fortalecer nessa luta diária. Já a vida de José nos ensina que o SOFRIMENTO antecede a GLÓRIA. Um dos principais assuntos relativos à vida de José é que os verdadeiros crentes são chamados para sofrer – ver Filipenses 1:29. Nosso caráter precisa ser submetido a diversos testes. Ao mesmo tempo a história de José nos ensina que Deus, o nosso Deus, é o Senhor da Providência e Ele intervém na história da humanidade, todas as vezes que o tempo que Ele mesmo determinou é chegado – ver Gálatas 4:3—5. Mas a vida de José como um tipo — tanto dos cristãos como do próprio Cristo — não para nesse exemplo da vida cristã.

Talvez as características mais marcantes de José e que, definitivamente, o diferenciam dos outros patriarcas, sejam as semelhanças da sua vida com a vida de Jesus, onde José funciona como um tipo do Senhor, com mais de cem pontos de contato ou similaridades entre suas vidas. É certo que Abraão é um tipo do próprio Deus, como o pai que oferece seu próprio filho para ser sacrificado. Isaque é um tipo de Cristo como o próprio filho oferecido para ser sacrificado. Mas com José as similaridades são múltiplas e muito variadas, apesar de como já dissemos, o Novo Testamento não reconhecer essas similaridades como tipológicas, onde José funciona como tipo de Jesus, que é o antítipo. Como exemplo genérico, do que estamos falando, nós podemos dizer que assim como José era um homem justo, que sofreu antagonismo e perseguição e teve que sofrer muito por causa de sua justiça, mas que no fim do processo triunfa sobre tudo e sobre todos, assim também com Jesus, o Justo, o Salvador da humanidade, que teve que passar por experiências semelhantes, porém multiplicadas em intensidade, até triunfar sobre tudo e todos, por meio da Sua gloriosa ressurreição.

O filósofo Blaise Pascal

O filósofo e pensador Blaise Pascal em sua obra prima “Pensamentos”, diz o seguinte acerca desse fato: “Jesus Cristo é pré figurado por José: ele é o filho amado enviado pelo pai aos seus irmãos; o inocente vendido por vinte moedas de prata, mas que se torna senhor e salvador dos seus irmãos, de estranhos e salvador de todo o mundo – ver Gênesis 41:56. Nada disso teria acontecido se seus irmãos não tivessem planejado fazer-lhe mal, rejeitando-o e vendendo-o como escravo. Na prisão de Potifar, nós vamos encontrar José, o inocente, no meio de dois malfeitores — como Jesus foi crucificado também no meio de dois malfeitores. José predisse o futuro daqueles dois homens, apesar dos dois terem sido enviados para a prisão pelo próprio Faraó, um iria viver enquanto o outro não. Na cruz o mesmo acontece. Os dois homens eram criminosos e estavam sendo crucificados pelos mesmos crimes. Todavia, Jesus salva um enquanto o outro segue seu caminho de justa condenação por seus crimes. José pediu para que aquele que seria salvo se lembrasse dele quando estivesse em liberdade. Enquanto isso, aquele que foi salvo por Jesus pediu que o Senhor se lembrasse dele quando estivesse no Seu reino.[1] A providência divina é realmente maravilhosa quando percebida pelos olhos da fé.

José é o último na lista de santos que ocupam lugar preeminente na lista que encontramos no Livro do Gênesis. O número desses santos pode variar de autor para autor, mas todos concordam que os seguintes devem fazer parte da lista: Adão, Abel, Noé, Abraão, Isaque, Jacó e José. A história de José é a mais extensa, mas isso é fácil de explicar. Sua história é o elo de ligação entre a narrativa do Gênesis e aquela que encontramos no Livro do Êxodo. Seria impossível entendermos os primeiros capítulos do Êxodo sem as informações contidas nos últimos capítulos de Gênesis. A história de José, vendido para os egípcios aos dezessete anos, serve de pano de fundo para nos ajudar a entender como um punhado de descendentes de Jacó se transformou na numerosa nação de Israel.

Também existem paralelos entre as histórias de Jacó e de José. Por exemplo: as duas histórias começam com os pais sendo enganados e os filhos mostrando-se traiçoeiros – ver Gênesis capítulos 27 e 37. Ambas incluem uma separação de 20 anos com o irmão mais novo vivendo no exílio – ver Gênesis 31:38; 37:2 e 41:46. As duas histórias terminam com a reconciliação entre os irmãos – ver Gênesis 33:1—15; 45:1—5. A repetição dos fatos não poderia ser mais óbvia.



OUTROS ESTUDOS ACERCA DE JOSÉ COMO TIPO DE CRISTO

Estudo 001 — José como Tipo De Cristo — Introdução

Estudo 002 — José como Tipo De Cristo — A Infância de José

Estudo 003 — José como Tipo De Cristo — Os Irmãos e Os Nomes de José

Estudo 004 — José como Tipo De Cristo — José Como Pastor dos Seus Irmãos

Estudo 005 — José com Tipo De Cristo — José Como o Filho Amado de Seu Pai

Estudo 006 — José com Tipo De Cristo — Jesus, o Filho e Deus Pai

Estudo 007 — José com Tipo De Cristo — José e a Túnica Talar de Distinção

Estudo 008 — José com Tipo De Cristo — O Ódio que os Irmãos de José Tinham Dele

Estudo 009 — José com Tipo De Cristo — José era Odiado por Causa de Suas Palavras

Estudo 010 — José com Tipo De Cristo — José Estava Destinado a Um Futuro Extraordinário

Estudo 011 — José com Tipo De Cristo — José Antecipa Sua Glória Futura

Estudos 012 e 013 — José como Tipo de Cristo — José Sofre nas Mãos de Seus Irmãos e Vai a Busca Deles a Pedido de Jacó

Estudos 014 e 015 — José como Tipo de Cristo — José Busca Fazer o Bem a Seus Irmãos, e É Enviado De Hebrom Para a Região de Siquém

Estudo 016 — José como Tipo de Cristo — José Vai Até a Região de Siquém

Estudos 017 e 018 — José como Tipo de Cristo — José se Torna um Viajante Errante Nos Campos e Campinas da Palestina

Estudos 019 — José como Tipo de Cristo — A Conspiração contra José

Estudos 020 — José como Tipo de Cristo — As palavras de José são Desacreditadas

Estudos 021 e 022 — José como Tipo de Cristo — José é Insultado e Humilhado e José é Lançado num Poço

Estudos 023 e 024 — José como Tipo de Cristo — José é Retirado Vivo do Poço e Os Irmãos de José Misturam Ódio com Hipocrisia

Estudos 025 e 026A — José como Tipo de Cristo — José é Vendido por Seus Irmãos e o Sangue de José é Derramado

Estudos 026B — José como Tipo de Cristo — O Futuro de Israel Profetizado em Gênesis 38

Estudos 027 e 028 — José se Torna um Servo — Jose se Torna Próspero

Estudos 029 — O Senhor de José Estava Muito Feliz com Ele

Estudos 030 — José Como Servo Foi Uma Bênção Para os Outros

Estudos 031 — José Era Uma  Pessoa Consagrada aos Outros

Estudos 032 — José Foi Duramente Tentado, Mas Resistiu à Tentação

Estudos 033 — José Foi Acusado Falsamente

Estudos 034 — José Não Tentou Se Defender das Falsas Acusações

Estudos 035 — José Sofreu nas Mãos dos Gentios

Estudo 036 e 37 — José Ganha o Reconhecimento do Carcereiro e José Foi Numerado com outros Transgressores.

Estudo 038 — José Como Instrumento de Bênção e de Condenação.

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.


[1]  Pascal, Blaise. Pensamentos. Editora Nova Cultural Ltda, São Paulo, 2005.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

HISTÓRIA DO ANTIGO TESTAMENTO – PARTE 1 — OS PATRIARCAS DA NAÇÃO DE ISRAEL.



Este estudo é parte de uma breve introdução ao Antigo Testamento. Nosso interesse é ajudar todos os leitores a apreciarem a rica herança que temos nas páginas da Antiga Aliança. No final de cada estudo o leitor encontrará direções para outras partes desse estudo 

INTRODUÇÃO AO ANTIGO TESTAMENTO

Capítulo 3 – Quando Ocorreram os Eventos Narrados do A. T.?

I. Quais são os Acontecimentos descritos pelo Antigo Testamento? — ver no final dessa série a tabela contendo os: Períodos Arqueológicos da História do Antigo Oriente Próximo.

Todos os eventos narrados no Novo Testamento ocorrem em um século apenas. O mesmo não aconteceu com a história narrada no Antigo Testamento. A história bíblica do Antigo Testamento, desde que se torne possível identificar um período histórico, mesmo que seja de maneira aproximada, estende-se durante quase dois milênios. Durante este longo período de tempo, a nação israelita manteve contato com inúmeros povos e com muitas nações diferentes. Entre estes povos, o Antigo Testamento menciona com freqüência: os assírios, os babilônios, os egípcios, os arameus e muitos outros povos importantes. É nosso interesse nesse capítulo situarmos, historicamente falando, quando ocorreram os eventos narrados no Antigo Testamento em relação ao todo da História da Humanidade.

Conforme mencionamos acima, a primeira data aproximada que pode ser estabelecida, com relativa certeza, acerca das narrativas contidas no Antigo testamento diz respeito aos patriarcas da nação de Israel. E será exatamente com eles que iremos iniciar. Os primeiros 11 capítulos do Livro do Gênesis serão analisados mais adiante em outra série de estudos.

A. Os Patriarcas da Nação de Israel.

As datas que iremos mencionar doravante são todas aproximadas, pois os historiadores não possuem provas suficientes, até o momento, que permitam determinar as datas exatas dos acontecimentos que iremos discutir aqui. Devido às grandes dificuldades enfrentadas pelos historiadores e arqueólogos que tornam impossível traçar uma cronologia mais definida, eles acabaram por dividir os milênios, antes da era cristã, em períodos, baseados na “tecnologia” disponível em cada época. A divisão consolidada hoje em dia segue o seguinte cronograma:

·       Idades da pedra: 

Ø  Paleolítico: Período pré-histórico que principia no final do plistoceno[1], com o aparecimento dos mais antigos fósseis humanos, e se caracteriza pela presença de artefatos de osso e/ou de pedra fragmentada ou lascada, datando do final deste período notáveis desenhos e pinturas rupestres; divide-se esse período em 3 fases: inferior, médio e superior, conforme os graus de complexidade dos artefatos. Este período é também chamado de período da pedra lascada ou idade da pedra lascada. 

Ø  Mesolítico: Período pré-histórico intermediário, com características culturais próprias do paleolítico e do neolítico, ocorrido no final do plistoceno, após as últimas glaciações. 

Ø  Neolítico: Período do holoceno[2] em que os vestígios culturais do homem pré-histórico se caracterizam pela presença de artefatos de pedra polida - ainda não era utilizado o bronze - e pelo aparecimento da agricultura; período da pedra polida; idade da pedra polida. 

Ø  Calcolítico: período de transição entre o Neolítico e a Idade do Bronze.


·       Idade do Bronze. 

·       Idade do Ferro. 

Os termos acima, especialmente “Idade do Bronze” e “Idade do Ferro”, são utilizados pelos arqueólogos de forma bastante ampla. A utilização destes termos e, especialmente, a fixação de datas, não indicam que as mudanças de pedra para bronze e do bronze para ferro foram súbitas, ou que apenas o bronze era usado na Idade do Bronze e que só o ferro era usado na Idade do Ferro. De qualquer maneira e, em termos gerais, as datas são fixadas como seguem:

·       3300 a.C. é a data fixada pelos arqueólogos para o período aproximado em que o conhecimento do uso do bronze espalhou-se pelo antigo Oriente Próximo. 

Resultado de imagem para artefato de bronze
         Artefato de bronze

·       1200 a.C. corresponde à data aproximada em que os povos do antigo Oriente Próximo descobriram os maiores benefícios do uso do ferro. 




 Os períodos acima são, por sua vez, divididos da seguinte maneira:

1. O período que vai entre 3300 a 2000 a.C. é conhecido como Antiga Idade do Bronze. Durante este período temos a invenção da escrita com o consequente início dos registros da História da Humanidade. Os sumérios, os inventores da escrita, começaram a usar extensivamente a escrita cuneiforme na mesopotâmia. Conforme vimos na série anterior sobre a “GEOGRAFIA DA BÍBLIA”, os egípcios já utilizavam os hieróglifos – escrita sagrada – desde aos dias do período que cobre o Antigo Império.

Politicamente falando, na região da Síria-Palestina, as cidades-estado começaram a crescer e, com elas, as necessidades de comunicação, viagens e comércio tornaram-se cada vez maiores. Na Mesopotâmia, durante este período, uma série de cidades-estado mais fortes ganharam dominância durante os períodos das antigas dinastias sumerianas. Mais para o final da Antiga Idade do Bronze, o primeiro império semítico assumiu o pleno controle de toda a região sul da Mesopotâmia, tendo como base a cidade de Acade – datas aproximadas estão fixadas entre 2334—2193 a.C. No Egito, além da utilização da escrita, o período que estamos chamando de Antiga Idade do Bronze, viu o florescimento do período do Antigo Império egípcio, que foi a era das grandes pirâmides e marcou o apogeu da cultura egípcia. De forma marcante, ao nos aproximarmos do encerramento da Antiga Idade do Bronze, todas as principais características da civilização e da cultura humanas estavam presentes tanto no Egito quanto na Mesopotâmia.

2. É impossível determinar com precisão as datas entre as quais viveram os patriarcas da nação de Israel - Abraão, Isaque e Jacó. Todavia existe um consenso entre os historiadores de que as mesmas podem ser localizadas, de maneira mais ampla, durante a Média Idade do Bronze – entre 2000—1500 a.C. De acordo com o professor John Bright, em sua obra “História de Israel”, estes quinhentos anos foram um período da história do antigo Oriente Próximo que foi marcado pelo movimento de grupos étnicos e novos impérios tomando o lugar de antigos poderes do início da Idade do Bronze. Na Mesopotâmia, por exemplo, depois de uma breve renascença da cultura sumeriana – durante a Dinastia de Ur III — entre 2112—2004 a.C. — a nação passou a ser controlada por um novo grupo semítico, os amoritas. Este povo dominou a Mesopotâmia logo no começo da Média Idade do Bronze, a partir de várias cidades-estado fortes em um delicado equilíbrio de poder. De repente, um único individuo da cidade da Babilônia, conseguiu consolidar sua força e estabelecer um império por toda a Mesopotâmia. Este indivíduo chamava-se Hamurabi e ele chegou ao poder em 1792 a.C. Hamurabi estabeleceu o antigo império da babilônia, que durou quase 200 anos, até 1595 a.C. Hamurabi gravou seu nome na história através de um código de leis — Código de Hamurabi. Existem certas semelhanças entre algumas leis do Código de Hamurabi e aquelas que encontramos no conjunto de leis registradas no Pentateuco.

Hamurabi e seu código 

Enquanto isto, na outra extremidade do Crescente Fértil, no Egito, depois de um período de escuridão e confusão chamado de primeiro período intermediário — entre 2200—2000 a.C., o país voltou a florescer durante o período do chamado Médio Império — entre 2000—1700 a.C.

As características marcantes do Médio Império egípcio foram um abundante tempo de paz e muita estabilidade. Durante esta época o Egito manteve um intenso intercâmbio com a região do Levante - a região costeira da Palestina - resultando na aquisição de considerável riqueza. Como havia acontecido antes com a Mesopotâmia, mais próximo ao fim da Média Idade de Bronze, o Egito também sucumbiu ao domínio de grupos semitas. Os egípcios acabaram perdendo o controle de sua nação quando os hicsos[3], povo semita provavelmente vindo da Síria-Palestina, assumiu o controle do Delta ao norte do país. Não se sabe se os hicsos invadiram a região e tomaram o poder ou se eles já vinham aumentando sua força gradualmente. Os Hicsos governaram o Egito por aproximadamente 150 anos durante o que foi chamado de segundo período intermediário — entre 1700—1540 a.C. Esta foi a primeira vez na história do Egito em que o país foi conquistado e dominado por estrangeiros.

Os hicsos

Abrão viveu, provavelmente, durante este tempo de grandes deslocamentos. Ele mesmo foi um indivíduo que saiu de Ur dos Caldeus para Harã, e de lá, para a terra de Canaã. Abrão não foi o único a tentar se estabelecer em Canaã. Vários outros grupos e tribos de origem semita estavam também tentando o mesmo. Existem registros arqueológicos de que durante o terceiro milênio — entre 3000—2000 a.C. — os chamados cananeus já estivessem fundando cidades-estado nas planícies costeiras e nos vales da terra de Canaã. É bastante possível que a maioria destes povos tivessem a mesma origem amorita que aqueles que haviam se estabelecido na Mesopotâmia.

A família de Abrão saiu de Ur dos caldeus, ao sul da Mesopotâmia, ainda liderados pelo pai deste e que se chamava Terá. A princípio a família se estabeleceu em uma localidade próxima do rio Eufrates, chamada Harã, que ficava na região noroeste da Mesopotâmia. O pai de Abrão faleceu em Harã e Abrão - cujo nome foi mais tarde mudado para Abraão — foi chamado por Deus a viajar, pela fé, para terras desconhecidas – ver Hebreus 11:8.

Já em Canaã, Deus apareceu várias vezes a Abraão. Nessas teofanias, Deus fez uma aliança com ele e prometeu dar-lhe um grande número de descendentes bem como a terra de Canaã por herança. Para um amorita migrante entre tantos outros, estas promessas tinham um caráter único. De fato Deus prometeu abençoar a todas as famílias da terra através da descendência de Abrão. De acordo com a promessa de Deus e, depois de muitos anos e de maneira miraculosa, Abraão e sua esposa Sara tiveram um filho deles mesmos, independente do fato dela já ter noventa anos de idade e Abraão estava com cem anos. A promessa acerca desse filho foi até ao detalhe do nome, com o qual o mesmo deveria ser chamado: Isaque – ver Gênesis 17:19 e 18:14.

Viagens de Abraão

Isaque casou com uma de suas primas, Rebeca, e com ela teve filhos gêmeos – Esaú e Jacó. Esaú era o primogênito, mas coube a Jacó tornar-se o filho das promessas patriarcais. Jacó teve o nome mudado para Israel. Ele teve doze filhos de quatro mulheres diferentes – duas esposas e duas concubinas. O filho favorito de Jacó era José que era o filho primogênito de Raquel a quem Jacó amava profundamente. José, por causa da inveja e dos ciúmes que levantava nos irmãos, foi traído por estes e vendido como escravo para uma caravana de midianitas ou ismaelitas que se dirigia ao Egito. Uma vez no Egito, José foi abençoado por Deus e, de forma miraculosa, chegou a um alto cargo político naquela terra estrangeira. José assumiu uma autoridade tão grande no Egito, que somente o Faraó, quando estivesse sentado no seu trono, seria superior a ele – ver Gênesis 41:40. Durante diversos períodos de seca, os filhos de Israel viajaram para o Egito à procura de comida para a família que haviam deixado em Canaã. Em uma destas viagens foram amorosamente confrontados pelo irmão que haviam traído. Eles estavam realmente com medo, mas José tinha somente palavra de paz para eles – ver Gênesis 44:1—5. José providenciou comida para eles e os salvou. Atendendo ao chamado de José, Israel e todos os seus filhos se mudaram de Canaã para Gósen, na região nordeste do Delta do Egito.

Isaque e Abraão

Jacó lutando com o anjo

Não é possível datar esses acontecimentos com precisão, mas de modo geral podemos dizer que ocorreram em alguma época durante a Média Idade do Bronze – entre 2000 - 1550 a.C. É possível que parte da história dos patriarcas seja coincidente com o período do domínio dos hicsos sobre o Egito – entre 1700 - 1550 a.C. Alguns especulam que o faraó dos dias de José era realmente um soberano hicso. Assim, o “novo rei” mencionado em Êxodo 1:8 seria um soberano egípcio que teria subido ao trono após a expulsão dos hicsos. É bastante provável que expressão “novo rei” refere-se a um rei de outra dinastia. Se os judeus estivesse mesmo associados aos hicsos isto ajudaria a explicar a maneira brutal com que foram tratados durante os vários séculos seguintes. Os egípcios usaram e abusaram dos judeus durante este tempo. Eles foram obrigados a construir cidades para o faraó e a sustentar a economia com o trabalho escravo.

Escravidão no Egito

Que Deus abençoe a todos.

Outros artigos acerca da Introdução ao Antigo Testamento

A. O Texto do Antigo Testamento

001 – O CÂNON DO ANTIGO TESTAMENTO

002 – A INSPIRAÇÃO DA BÍBLIA

003 – A TRANSMISSÃO TEXTUAL DA BÍBLIA — Parte 1 = Os Escribas e O Texto Massorético — TM

004 – A TRANSMISSÃO TEXTUAL DA BÍBLIA — Parte 2 = O Texto Protomassorético e o Pentateuco Samaritano

005 – A TRANSMISSÃO TEXTUAL DA BÍBLIA — Parte 3 = Os Manuscritos do Mar Morto e os Fragmentos da Guenizá do Cairo

006 - A TRANSMISSÃO TEXTUAL DA BÍBLIA — Parte 4 = A Septuaginta ou LXX

007 - A TRANSMISSÃO TEXTUAL DA BÍBLIA — Parte 5 = Os Targuns e Como Interpretar a Bíblia

B. A Geografia do Antigo Testamento

001 – INTRODUÇÃO E MESOPOTÂMIA

002 – O EGITO

003 – A SÍRIA—PALESTINA

B. A História do Antigo Testamento

001 – OS PATRIARCAS DA NAÇÃO DE ISRAEL

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.


O material contido neste estudo foi, em parte, adaptado e editado das seguintes obras, que o autor recomenda para todos os interessados em aprofundar os conhecimentos acerca do Antigo Testamento:


Bibliografia

Aharoni, Yahanan; Avi-Yonah, Michael; Rainey, Anson F. e Safrai, Ze’ev. Atlas Bíblico. Casa Publicadora das Assembléias de Deus – CPAD, Rio de Janeiro, 1998,

Arnold, Bill T. e Beyer, Bryan E. Descobrindo o Antigo Testamento. Editora Cultura Cristã, São Paulo, 2001.

Bright, John. História de Israel. Paulus, São Paulo, 6ª Edição, 1980.  

Durant, Will. The History of Civilization Volume 1 – Our Oriental Herritage. Simon and Schuster, New York, 1963.
Heródoto de Halicarnassus. The Histories. Penguin Books Ldt, Middlisex, reprinted, 1986.

Hallo, William W. e Simpson, William Kelly. The Ancient Near East: A History. Nova York, Harcourt Brace Jovanovich, 1971.

Howard, Jr. David M. “Philistines” em People of the Old Testament World, org. Alfred Hoerth, Gerald L. Mattingly e Edwin M. Yamauchi. Baker Book House, Grand Rapids, 1994.

King, Philip J. American Archaeology in the Mideast: A History of the American Schools of Oriental Research. ASOR, Philadelphia, 1983.

Millard, Alan; Stanley, Brian e Wrigth, David. Atlas Vida Nova da Bíblia e História do Cristianismo. Sociedade Religiosa Edições Vida Nova, São Paulo, reimpressão, 1998.

Schoville, Keith N. Biblical Arcaheology in Focus. Baker Book House, Grand Rapids, 1978.

Wilson, John A. The Culture of Ancient Egypt. Chicago University Press, Chicago, 1951.


__________Britannica Atlas. Encyclopaedia Britannica Inc., Chicago, 1996.

Enciclopédias

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Softwares

Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário Aurélio Século XXI. Edição Eletrônica, São Paulo, 2004. 



[1] Adjetivo geológico que faz referência aos terrenos que formam o sistema inferior da era quaternária.

[2]  Diz-se da época geológica mais recente do período quaternário, que se inicia após o período glacial

[3]  Hicsos: povo da Antiguidade, originário da Síria, que se estabeleceu na metade oriental do delta do Nilo, no séc. XVIII a.C.