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quinta-feira, 23 de junho de 2016

A ORAÇÃO DO PAI NOSSO - SERMÃO 007 — SANTIFICADO SEJA TEU NOME — Mateus 6:9



Essa série tem por objetivo expor de maneira ampla, bíblica, literária, histórica e teologicamente, a oração que chamamos de “Oração do Pai Nosso”. Nosso desejo é enriquecer a vida de todos por meio desses esboços de mensagens que também estão disponíveis em áudio. Na parte final desse artigo o leitor encontrará os links para os outros esboços e para os áudios à medida que forem sendo publicados.

A ORAÇÃO DO “PAI NOSSO”

Uma Exposição Bíblica, Literária e Teológica de Mateus 6:9—15


 Introdução:

A. Nossa fé cristã têm muitos aspectos que são exclusivos:

1. Nós somos a única fé que está baseada exclusivamente em relacionamentos: com Deus, com Jesus Cristo, com o Espírito Santo, uns com os outros e com as pessoas e o mundo ao nosso redor. A Bíblia é bastante clara nesse sentido:

João 17:3

E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.

2. Nossa fé também é exclusiva quanto à forma de salvação. Existe apenas um Salvador, Jesus, e ele é o único caminho para Deus. Jesus disse:

João 14:6

Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.

3. Outra característica exclusiva da nossa fé Cristã é que nosso Deus é o único Deus que se apresenta como um Deus que é Santo. Como um Deus Santo, Ele é o único que pode santificar coisas e pessoas. Assim sendo, Deus é o único que pode “Santificar” Seu próprio nome conforme a petição de Jesus e, somente Ele, pode pegar pecadores como nós e nos santificar a ponto de sermos chamados de santos. Mas o nome santo de Deus pode ser profanado por nós os pecadores:

Levítico 22:32

Não profanareis o meu santo nome, mas serei santificado no meio dos filhos de Israel. Eu sou o SENHOR, que vos santifico.

Note a relação entre o nome de Deus e a questão da santidade de Deus e nossa santificação.

Efésios 1:1

Paulo, apóstolo de Cristo Jesus por vontade de Deus, aos santos que vivem em Éfeso, e fiéis em Cristo Jesus.


4. Esse é nosso tema de hoje: a santificação do nome de Deus através da petição ensinada por Jesus:

SANTIFICADO SEJA O TEU NOME

I. Os Judeus e o Nome de Deus

A. Os Judeus receberam no Monte Sinai o seguinte mandamento:

Êxodo 20:7

Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão, porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão.

B. Desde o momento em que Deus se manifestou a Moisés a primeira vez no monte Sinai, no evento que chamamos da “Sarça Ardente”, Deus anunciou seu nome ao povo de Israel. Alguns versículos são importantes aqui:

Êxodo 3:6

Disse mais: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó. Moisés escondeu o rosto, porque temeu olhar para Deus.

Êxodo 3:14

Disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós outros.

C. O hebraico era, como todas as outras línguas do Oriente Médio, uma língua consonantal. Isso que dizer que o mesmo era escrito usando, exclusivamente consoantes. No primeiro versículo acima Deus afirma que ser — no tempo presente — o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, apesar dos três já estarem mortos há séculos. No segundo verso, o Senhor se apresenta como  אֶהְיֶה אֲשֶׁר אֶהְיֶה — expressão que é traduzida por EU SOU O QUE SOU. Com isso Deus se revela como alguém sempre presente, independentemente do tempo.

D. Os dois versos acima nos ensinam que o SENHOR, o Deus que se revelou a Moisés é eterno. Daí entendemos que a melhor maneira de se traduzir o nome próprio de Deus, representado pelo tetragrama יהוה YHVHseja pela expressão ETERNO. A versão de Almeida Revista e Atualizada (ARA) traduz o tetragrama pela expressão SENHOR. Mas insistimos que a expressão que traduz melhor os conceitos de Deus de Abraão, Isaque e Jacó e EU SOU O QUE SOU, é ETERNO.

E. Os judeus receberam um mandamento para não “usar esse nome de Deus יהוה YHVH — O Eterno, em vão”.

Êxodo 20:7

Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão, porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão.

F. Diante desse mandamento, um argumento que prevaleceu entre os judeus era que eles não podiam saber quando isso poderia acontecer — usar o nome de Deus em vão. Por esse motivo, eles decidiram nunca fazer uso do nome representado pelo tetragrama יהוה YHVH — O Eterno, porque assim não correriam nenhum risco de quebrar o terceiro mandamento. 

G. Eles passaram a usar outros nomes dados por Deus mesmo, mas sobre os quais não pesava o terceiro mandamento. Entre esses nomes nós vamos encontrar os seguintes:

אֱלֹהִים — `Elohim — traduzido por Deus na ARA.

אֵל עֶלְיוֹן  — El `Eleyon — traduzido por Deus Altíssimo na ARA.

אֵל שַׁדַּי  — El Shadday — traduzido por Deus Todo Poderoso na ARA.

 אֲדֹנָי — Adonay — traduzido por Senhor na ARA.

 יהוה — YHWH — o tetragrama é traduzido por SENHOR na ARA.

Existem vários outros nomes atribuídos ao Deus verdadeiro no Antigo Testamento. Existem, inclusive, várias combinações com o tetragrama יהוה YHVH — O Eterno.

H. Durante séculos os Judeus se recusaram a pronunciar o nome inefável de Deus יהוה YHVH — O Eterno, traduzido por “SENHOR” e cujo significado é “EU SOU”, de onde derivamos a expressão “O ETERNO”. Com isso, perdemos e pronúncia verdadeira desse Nome ficando apenas com seu significado: “O ETERNO”.

II. O Surgimento do Curioso Nome Jeová e Seus Cognatos — Jehovah, Javé, Iavé, Iahweh e etc.

A. Como dissemos o hebraico era uma língua consonantal.

B. Por volta do ano mil depois de Cristo, a vasta maioria dos judeus já não sabia mais ler o hebraico em sua forma original, como língua consonantal.

C. Por esse motivo um grupo de estudiosos judeus, encarregados de fazer as cópias dos manuscritos na língua consonantal, resolveu “inventar” uma séria de “notações” que pudessem servir como “vogais”, de tal maneira que as pessoas pudessem voltar a ler o hebraico, especialmente o hebraico contido no Antigo Testamento.

D. O trabalho desses homens conhecidos como massoretas ficou pronto e podemos ver o resultado, por exemplo, num nome muito comum usado para Deus que teria as duas formas seguintes:

אלהים — sem as notações vocálicas.

אֱלֹהִים — com as notações vocálicas.

E. Disso surgiu um grande problema: o que fazer com o nome de Deus representado pelo tetragrama יהוה YHVH? De que maneira o mesmo poderia ser vocalizado, mas ainda assim garantir que as pessoas não iriam pronunciar o nome inefável.
F. A solução um tanto engenhosa foi fundir a consoantes do tetragrama יהוה com algumas da vogais de outro nome de Deus: אֲדֹנָי — Adonay. O resultado ficou, então assim: יְהוָה.

G. A pesar da combinação, o nome deveria continuar sendo lido como ADONAY.

H. Todavia, pessoas de fora do círculo judaico, mas que tinham acesso ao texto hebraico já vocalizado passaram a ler a expressão יְהוָה — como sendo YeHVaH ou algo semelhante.  Daí surgiram nomes tais quais Jehovah ou Jeová e todos os seus cognatos.

I. Na realidade esse nome não existe de verdade, já que se trata de combinação das consonantes do tetragrama — יהוה  com as vogais de outro nome de Deus: אֲדֹנָי — Adonay.

J. Em tempos mais recentes os judeus aboliram a forma יְהוָה — lida como Adonay, e passaram a adotar apenas a expressão חַ שְׁמ  ­— ha Shem — O NOME.

III. Jesus e a Santidade do Nome de Deus

A. Jesus viveu no tempo em que os judeus se recusavam terminantemente a usar o nome inefável de Deus representado pelo tetragrama יהוה. Esse é o motivo porque os judeus se escandalizaram quando Jesus usou o nome aplicando-o diretamente a si mesmo quando disse o seguinte:

João 8:58—59

58 Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade eu vos digo: antes que Abraão existisse, EU SOU.

59 Então, pegaram em pedras para atirarem nele; mas Jesus se ocultou e saiu do templo.

B. Mas aqui em Mateus 6, ainda cedo em seu ministério, Jesus não queria ofender os judeus e, por isso, ele faz uso do nome de Deus naquilo que chamamos de forma passiva, ao dizer: SANTIFICADO SEJA TEU NOME.

C. Jesus usa essa forma passiva por dois motivos:

1. Primeiro porque esse era o costume da época.

2. Porque Jesus sabia que não existe ninguém a não ser o próprio Deus que seja capaz de “santificar” Seu próprio nome. Nenhum ser humano tem competência para isso.

D. Dentro do contexto da oração do Pai nosso, qual é o significado do nome de Deus? O nome de Deus aqui representa o ponto de aproximação onde é possível os seres humanos se comunicarem com Deus

E. Se não conhecemos o Nome de Deus como podemos nos relacionar com Ele?

F. O Nome de Deus também nos revela quem Ele é: o ETERNO, o EU SOU SEMPRE PRESENTE. O autor de Hebreus descreveu essa realidade dizendo:
Hebreus 13:8

Jesus Cristo, ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre.

IV. A Relação Entre a Santidade de Deus e a Santidade do Povo de Deus

A. Porque Deus é Santo, espera-se que o povo de Deus também seja santo:

Deuteronômio 7:6

Porque tu és povo santo ao SENHOR, teu Deus; o SENHOR, teu Deus, te escolheu, para que lhe fosses o seu povo próprio, de todos os povos que há sobre a terra.


Deuteronômio 26:18

E o SENHOR, hoje, te fez dizer que lhe serás por povo seu próprio, como te disse, e que guardarás todos os seus mandamentos.


João 14:15

Se me amais, guardareis os meus mandamentos.


Conclusão

A. Para terminar façamos uma última leitura Bíblica que irá nos ajudar a concluir o que Jesus queria dizer ao nos ensinar a orar dizendo: Santificado seja o Teu nome.

2. A passagem é Isaías 6:1—10 e a mesma diz o seguinte:

1 No ano da morte do rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo.

2 Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobria o rosto, com duas cobria os seus pés e com duas voava.

3 E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória.

4 As bases do limiar se moveram à voz do que clamava, e a casa se encheu de fumaça.

5 Então, disse eu: ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos!

6 Então, um dos serafins voou para mim, trazendo na mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz;

7 com a brasa tocou a minha boca e disse: Eis que ela tocou os teus lábios; a tua iniqüidade foi tirada, e perdoado, o teu pecado.

8 Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim.
9 Então, disse ele: Vai e dize a este povo: Ouvi, ouvi e não entendais; vede, vede, mas não percebais.

10 Torna insensível o coração deste povo, endurece-lhe os ouvidos e fecha-lhe os olhos, para que não venha ele a ver com os olhos, a ouvir com os ouvidos e a entender com o coração, e se converta, e seja salvo.

C. Dessa passagem nós podemos tirar as seguintes conclusões:

1. Isaías vê o SENHOR demonstrar sua Santidade — Isaías 6:1—4.

2. Isaías é imediatamente convencido de sua própria pecaminosidade diante da gloriosa presença do Deus SANTO — ver Isaías 6:5.

3. Apesar de não estar dito de forma expressas, Deus, sempre Deus, manda um anjo purificar — santificar — o profeta com uma brasa retirada do altar — ver Isaías 6:6—7.

4. Depois de purificado ou santificado Deus desafia o profeta com um chamado missionário — Isaías 8a.

5. O profeta purificado ou santificado responde ao chamado de Deus dizendo: eis-me aqui, envia-me a mim — Isaías 6:8b.

D. Todas as vezes que oramos: “Santificado seja o Teu Nome”, nós estamos pedindo que Deus intervenha demonstrando Sua santidade. E como precisamos orar cada vez mais essa oração: SANTIFICADO SEJA O TEU NOME.  

E. É minha mais profunda convicção que tanto a passagem de Isaías 6:1—10, quanto a de Ezequiel 36:16—23 estão por trás do pedido de Jesus quando disse: SANTIFICADO SEJA O TEU NOME.

F. De que maneira amor e santidade podem funcionar juntos? O primeiro nos atrai para perto de Deus e a segunda tende a nos afastar do Senhor, como aconteceu com o profeta Isaías.   

G. Na próxima mensagem nós vamos ver como AMOR e SANTIDADE podem andar juntos.

Que Deus abençoe a todos.

OUTRAS MENSAGENS DA SÉRIE DO PAI NOSSO

001 — INTRODUÇÃO A MATEUS 6:9—15

002 — O PAI NOSSO — PARTE 001 — MATEUS 6:9

003 — O PAI NOSSO — PARTE 002 — MATEUS 6:9

004 — O PAI NOSSO — PARTE 003 — MATEUS 6:9

005 — O PAI NOSSO — PARTE 004 — MATEUS 6:9a — PAI NOSSO QUE ESTÁS NOS CÉUS

006 — O PAI NOSSO — PARTE 005 — INTRODUÇÃO À ESTRUTURA DO PAI NOSSO —
Mateus 6:9—13

007 — O PAI NOSSO — PARTE 006 — SANTIFICADO SEJA TEU NOME — Mateus 6:9

008 — O PAI NOSSO — PARTE 007 — A RELAÇÃO DA SANTIDADE DE DEUS
COM A JUSTIÇA E O AMOR — Mateus 6:9

009 — O PAI NOSSO — PARTE 008 — O REINO DE DEUS — PARTE 001 — Mateus 6:10

010 — O PAI NOSSO — PARTE 009 — O REINO DE DEUS — PARTE 002 — Mateus 6:10
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/01/a-oracao-do-pai-nosso-sermao-010-o.html


011 — O PAI NOSSO — PARTE 010 — A VONTADE DE DEUS
Alexandros Meimaridis 

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sábado, 17 de novembro de 2012

COMO O TETRAGRAMA יהוה — YHVH — VIROU O CURIOSO NOME “JEOVÁ”.



Uma das maiores mistificações literárias do meio evangélico tem a ver com a invenção da expressão, no mínimo curiosa, que é representada pelo nome “Jeová” e seus vários clones, tais como: Javé, Iavé, Iaweh, Iahveh etc. Como surgiu esse nome que serve até para designar toda uma denominação pseudocristã chamada de “Testemunhas de Jeová”?

I. יהוה YHVH — O Eterno — SENHOR

Na literatura do antigo Oriente Próximo existem 19 registros catalogados entre os séculos IX e V a.C., da expressão hebraica יהוה e todas elas fazem referência ao Deus de Israel.

No Antigo Testamento a forma abreviada יהYH — aparece 50 vezes, a grande maioria em passagens poéticas. O nome יהוה YHVH — O Eterno — SENHOR, aparece cerca de 6.800 vezes em todos os livros do Antigo Testamento, com exceção dos livros de Ester, Eclesiástico e Cantares de Salomão. A palavra aparece a primeira vez em Gênesis 2:4 e esse nome é invocado pela primeira vez em Gênesis 4:26. É chamado algumas vezes de “o tetragrama (tetra=quatro e grama=letra)” o que é uma referência às 4 consoantes hebraicas que o compõe יהוה. Apesar do nome יהוה YHVH — O Eterno — SENHOR ser usado amplamente no livro do Gênesis existem duas passagens específicas no livro de Êxodos — ver Êxodo 3:13—15 e 6:2—3 - que trazem uma revelação especial acerca deste nome.

Êxodo 3:13—15 – O verso 14 de Êxodos 3 é um dos mais intrigantes de toda a Bíblia. O nome fornecido por Deus atendendo a um pedido de Moisés é: אֶהְיֶה אֲשֶׁר אֶהְיֶה — Esse nome é traduzido na versão Revista e Atualizada de Almeida por “EU SOU O QUE SOU”. Esse nome consiste da repetição de uma forma do verbo “ser” em hebraico — היה. A forma é a primeira pessoa do singular doo verbo ser — SOU — acrescida do pronome pessoal — EU. Alguns estudiosos têm sugerido que a resposta de Deus é na verdade uma recusa em fornecer o nome verdadeiro de Deus. Isto se deve ao fato que naqueles tempos acreditava-se que a pessoa que conhecia o verdadeiro nome de uma divindade tinha poder sobre essa mesma divindade. Para esses estudiosos a resposta de Deus a Moisés teria sido “EU SOU O QUE SOU e não é assunto seu saber qual é Meu nome”. Todavia uma análise mais abrangente do Antigo Testamento nos mostra, claramente, que essa posição está errada. Todas as vezes que o Deus verdadeiro se manifesta no Antigo Testamento Ele faz questão de dizer Seu nome – ver, por exemplo, Gênesis 35:11; Êxodos 3:6. Ademais, o fato que יהוה YHVH — O Eterno — SENHOR é usado em associação com a expressão “o Deus de vossos pais” — Êxodo 3:15 — sugere que Ele era um Deus conhecido. É muito difícil aceitarmos que a repetição desse nome por quase 6.800 vezes no Antigo Testamento, seja apenas uma confirmação da recusa de Deus querer fornecer Seu verdadeiro nome.

Historicamente falando, teólogos cristãos têm defendido a ideia que o que Deus realmente queria expressar ao utilizar esse nome era o conceito de “Eu serei Deus para vocês”. A força do nome não está no fato que Deus é ou que Deus está presente, e sim, no fato que Ele será um Deus fiel a eles na história subsequente —ver Êxodo 3:16—17. O uso da mesma forma verbal em Êxodos 3:12; 4:12—15 sugere essa mesma verdade. Ver também Êxodos 6:7 e 29:45.

Deus vai ser Deus com e para Seu povo em todas as ocasiões e em todos os lugares. Esta fórmula sugere a fidelidade divina. O povo de Israel não precisava se preocupar com um Deus caprichoso e arbitrário. Pode se esperar que Deus sempre será aquilo que Ele é. Os israelitas deveriam entender sua história a partir desse nome יהוה YHVH — O Eterno — SENHOR e esse nome a partir da sua história.

Mas na prática, qual deveria ser o significado deste nome יהוה YHVH — O Eterno — SENHOR que fora dado para o povo de Israel? Antes de mais nada devemos deixar bem claro que existem dois extremos que precisam ser evitados. Em primeiro lugar devemos evitar o conceito que o nome é uma mera “etiqueta” de identificação. Em segundo lugar precisamos evitar os conceitos envolvidos na esfera da “mágica”, onde a simples pronúncia do nome implica em poder sobre a divindade representada. Talvez este último seja um dos principais motivos porque Deus ordenou que: “Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão, porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão – Êxodo 20:7”.

O nome que Deus mesmo deu ao Seu povo tem várias implicações. Em primeiro lugar torna Deus distinto de todas as outras criaturas que têm nome, incluindo-se aí, todos os falsos deuses! Indo além, todos aqueles que têm nome tornam-se parte da comunidade das pessoas que possuem nomes. Deus decidiu, ao fornecer Seu nome, se unir à comunidade histórica de Seu povo. E mais do que isso, ao associar o nome יהוה YHVH — O Eterno — SENHOR aos antepassados (Eu Sou o Deus de teus pais), Ele demonstra que é o Deus da história. A história do povo de Deus se funde com a história de Deus mesmo. E nesse contexto Deus se compromete a fazer parte da história do povo de Israel.

Mas a doação do nome יהוה YHVH — O Eterno — SENHOR implica também um relacionamento. O fato de que Deus se revelou usando este nome abre a possibilidade, ou melhor, demonstra o desejo de que Deus buscava manter certa intimidade com Seu povo. Todos os relacionamentos que não envolvem nomes são distantes. Para se ter intimidade é necessário mencionar o nome. Na esfera humana o apelido, dado em casa, demonstra claramente esses fatos. É a menção do nome que torna a comunicação possível. O citar o nome cria a possibilidade da disponibilidade. Ao dar Seu nome יהוה YHVH — O Eterno — SENHOR, Deus se torna acessível. Deus e Seu povo podem agora se encontrar e falar um com o outro. No entanto, porque o nome não é a uma pessoa, nem um identificador e nem representativo do caráter — erros por demais cometidos —  a distinção entre Deus e Seu povo se mantém. Ainda existe um mistério envolvendo aquele que se chama por יהוה YHVH — O Eterno — SENHOR.

Acima de tudo, porém, a doação do nome representa que Deus se identifica em toda a extensão possível com Seu povo como demonstrado pelo contexto do encontro entre Deus e Moisés — ver Êxodo 3:7. A manifestação suprema dessa identificação ocorre em Jesus — ver Hebreus 2:14—18; 4:14—16; 7:25—27; 10:19—25.

Para ajudar os leitores a reconhecerem os versículos onde o tetragrama יהוהYHVHo ETERNO é usado no nosso texto em português, os tradutores da versão Almeida Revista e Atualizada – ARA – usam, de maneira consistente, a expressão “SENHOR” grafada com todos os caracteres maiúsculos e em versalete.

II. Como o TETRAGRAMA יהוה YHVH — O Eterno virou “JEOVÁ”?

O autor precisa advertir o leitor que a expressão hebraica vocalizada como יְהוָה – é uma combinação das consoantes do nome “ETERNO” representados pelo tetragrama יהוהYHVH com as vogais da expressão hebraica אֲדֹנָי Adonay – cujo significado é soberano, e que é comumente traduzida por “Senhor” nas Bíblias na versão de Almeida Revista e Atualizada — ARA.  A combinação das consoantes de uma palavra com as vogais de outra foi a responsável pela “invenção” deste curioso nome que encontramos disperso no meio da cristandade, que pode ser grafado, entre outras, das seguintes maneiras: Jeová, Javé, Iavé, Iaweh, Iahveh etc. Esses nomes não existem e só podemos rir da ignorância daqueles que insistem em usá-los como se tivessem  realmente origem Bíblia. Mas como surgiu esse nome?

Os judeus usavam, tradicionalmente, a forma אֲדֹנָיAdonay — que é traduzida por Senhor ou Deus na ARA. Esse é o nome que os judeus usam para se referirem a Deus, de forma preferencial, quando estão lendo as Escrituras Sagradas, como forma reverente e em obediência ao mandamento contido em Êxodo 20:7 que diz: “Não tomarás o nome do יהוה YHVH — O Eterno, teu Deus, em vão, porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão.” Os judeus entenderam que a melhor maneira de se garantir contra uma eventual transgressão desse mandamento era nunca pronunciar esse nome do SENHOR e assim, esse nome foi substituído pela expressão אֲדֹנָי AdonaySenhor, em todas as manifestações verbalizadas, quando eles estão lendo as Escrituras do Antigo Testamento. Mas, na sua forma escrita, o nome inefável de Deus — יהוהYHVH — foi preservado.

Cabe aqui uma explicação e um fato de enormes proporções. O Hebraico, como acontece com muitas línguas do Oriente Médio, era uma língua consonantal. Isto quer dizer que a mesma era constituída de consoantes apenas. Não existiam vogais na língua hebraica original. As pessoas aprendiam a “enxergar” os sons vogais em meio às consoantes. Mas as vogais não estavam lá, de forma física. Com o passar dos séculos, por volta do ano 1000 da Era Cristã, a vasta maioria dos chamados judeus, era incapaz de ler as Escrituras do Antigo Testamento, porque não conseguiam mais “enxergar” as vogais em meio às consoantes. Visando resolver esta dificuldade, um grupo de estudiosos judeus das Escrituras do Antigo Testamento, chamados de massoretas, resolveram “inventar” um código de sinais que pudesse funcionar como vogais, associado às consoantes. Esta prática transformou o hebraico da seguinte maneira: o que era — אלהים - lhym — virou אֱלֹהִים Elohiymmediante a adição dessas pequenas marcas associadas às consoantes. Dessa maneira, os judeus e todos os outros, puderam aprender a ler o hebraico, auxiliados por este conjunto de sinais vocálicos inventado pelos massoretas. Todavia, existia um problema que precisava ser tratado com a maior urgência. Este problema tinha a ver com o que fazer com o tetragrama יהוה YHVHque representava o nome inefável de Deus. Como já falamos acima, os judeus não pronunciavam este nome, substituindo-o em suas leituras pelo nome אֲדֹנָי Adonay — Senhor. Mantendo esta tradição, eles decidiram fundir as consoantes do tetragramaיהוה — YHVH com algumas vogais do nome — אֲדֹנָי Adonay e o resultado visível é este: יְהוָה que deve ser lido, obrigatoriamente, como אֲדֹנָי Adonay e de nenhuma outra maneira. Foi esta combinação, das consoantes do tetragrama — YHVH com as vogais do nome Adonaye+o+aque vez surgir o curioso nome YeHoVaH, que foi transliterado por  “Jeová” e seus clones – Yaohu, Javé, Jehovah, Iahweh etc. Nenhum desses nomes existe, realmente, na Bíblia. Tudo não passa, em última instância, de uma grande tolice inventada por pessoas ignorantes que não entendem a história da evolução da língua hebraica. O autor lamenta que tanta dor e escravidão sejam exercidas por uma liderança cega e ignorante sobre uma multidão de pessoas que chama a si mesma de “Testemunhas de Jeová”. O nome Jeová é compatível à combinação das consoantes do nome do irmão Nathanael – NTHNL – com as vogais do nome da irmã Odete – OEE – o que produz o curioso nome NoTHeNel. Eu conheço a Odete e conheço o Nathanael, mas este ser chamado NoTHeNeL, não sei quem é. De modo semelhante eu sei quem é o יהוה YHVH — O Eterno e sei também quem o  אֲדֹנָי Adonay Senhor. Mas este tal de “Jeová”, não faço ideia de quem seja.   

יהוהYHVH – esse tetragrama representa o nome inefável de Deus e deve ser traduzido, de forma apropriada, pela expressão “ETERNO”. Nossos tradutores, todavia, optaram pela expressão SENHOR em versalete — com todos os caracteres maiúsculos. A primeira edição da tradução da “Bíblia na Linguagem de Hoje” trazia a expressão ETERNO. Por motivos que este autor desconhece tal prática foi abandonada na segunda edição da — Nova Tradução na Linguagem de Hoje — o que pode ser considerado como algo muito lamentável.

Os judeus modernos preferem chamar o Deus Eterno pela expressão שֵׁם הָ ha Shem – que significa “o Nome”, em suas verbalizações no dia a dia.

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

A TRANSMISSÃO DO TEXTO DA BÍBLIA – PARTE 1 - ANTIGO TESTAMENTO



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Ecriba

Este estudo é parte de uma breve introdução ao Antigo Testamento. Nosso interesse é ajudar todos os leitores a apreciarem a rica herança que temos nas páginas da Antiga Aliança. No final de cada estudo o leitor encontrará direções para outras partes desse estudo.

INTRODUÇÃO AO ANTIGO TESTAMENTO - O Que é o Antigo Testamento? — pARTE 3

IV. Transmissão Textual: Como a Bíblia chegou até nós?

Graças ao trabalho de inúmeros indivíduos fiéis ao longo de muitos séculos nós podemos ler a Bíblia hoje. Estes indivíduos são tecnicamente chamados de escribas. Estes homens copiaram, à mão, a Palavra de Deus, tomando grande cuidado para manter a exatidão daquilo que copiavam.

A. O cuidado dos escribas com os textos do Antigo Testamento.

1. Os escribas no mundo antigo.
Os escribas tiveram um papel essencial no mundo antigo. A transmissão fiel de informações precisas era um dos aspectos mais importante das sociedades da Antiguidade. Os reis contavam com os escribas para registrar os editos reais. Oficiais administrativos precisavam dos escribas para registrar transações importantes. Os erros podiam ter implicações políticas, econômicas ou de outra natureza de grande seriedade.

Os escribas da antiguidade, que copiavam os textos bíblicos criam que estavam copiando as palavras do próprio Deus. Consequentemente, tomavam grande cuidado no intuito de preservar as cópias que haviam recebido. Um dos mais importantes grupos de escribas foi o dos Massoretas.

2. Os Massoretas

Os Massoretas — 500—1000 d.C — trabalharam para preservar os textos do Antigo Testamento que haviam recebido. Eles queriam assegurar um entendimento correto dos textos, bem como sua transmissão com fidelidade, para as gerações futuras. Eles foram chamados de Massoretas por causa da trosm - massora – tradição textual, desenvolvida por estes homens, e que era um complexo sistema de símbolos que eles haviam desenvolvido para ajudá-los a alcançar seus objetivos.
Os Massoretas seguiram três passos para garantir a precisão textual:

a. Primeiro desenvolveram um sistema para escrever as vogais, já que as línguas hebraica e aramaica são línguas consonantais, i.e., não possuem vogais e todas as letras de seus alfabetos são consoantes. Mesmo sendo línguas consonantais, no entanto, tanto o hebraico como o aramaico possuíam certas consoantes que soavam como vogais. O que os Massoretas fizeram foi desenvolver um sistema complexo de vogais - a, e, i, o, u e vogais com sons mais abertos ou mais fechados - visando preservar, na escrita, as tradições orais que haviam recebido das gerações anteriores.

b. Em segundo lugar, os Massoretas desenvolveram um sistema de acentuação para o texto hebraico. Estes acentos ajudavam o leitor a pronunciar o texto corretamente, mas, além disso, mostravam a relação entre várias palavras e frases de uma mesma sentença. Dessa maneira eles ajudaram a esclarecer diversas passagens difíceis. 

c. Em terceiro lugar, os Massoretas desenvolveram um sistema de anotações detalhadas do texto. Estas anotações ofereciam um meio pelo qual era possível verificar a precisão do texto copiado. Nos dias de hoje podemos produzir cópias de documentos idênticas usando em computador ou uma máquina copiadora. Os Massoretas tinham que fazer tudo à mão.

A palavra hebraica usada para “escriba” significa literalmente “contador” e isto porque os escribas contavam, absolutamente tudo, no texto. Eles sabiam, por exemplo, que a תּוֹרָה torahinstrução ou os primeiros cinco livros do Antigo Testamento - continha 400.945 palavras! Eles também nos informam que o versículo de Levítico 8:8 representa o exato meio da תּוֹרָה torah - instrução.  Eles sabiam que a palavra que ficava exatamente no meio da תּוֹרָה torah - instrução era a palavra “buscou” em Levítico 10:16. Sabiam também que a letra que ficava exatamente no meio da תּוֹרָהtorah - instrução era uma das letras da palavra traduzida por “ventre” em Levítico 11:42. Estas informações podem parecer apenas curiosas, mas para os Massoretas essas eram informações vitais para a preservação cuidadosa da Palavra de Deus. Devemos ser gratos a Deus pela dedicação destes homens, que através dos séculos se empenharam para preservar incorrupta a Palavra de Deus.

B. A transmissão nas línguas Originais - Hebraico e Aramaico.

A maior parte do texto do Antigo Testamento foi escrita originalmente em hebraico. Pequenas porções que podem ser encontradas em Gênesis 31:47b; Esdras 4:8— 6:18; 7:12—16; Jeremias 10:11b e Daniel 2:4b—7:28, foram escritas em aramaico. Tanto o hebraico quanto o aramaico são línguas semíticas que pertencem à mesma família do acádio — que era a língua falada pelos Sírios, Assírios e pelos Babilônios — do amorita, do fenício, do ugarítico,do amonita, do moabita e do árabe.
Várias cópias em hebraico, do Antigo Testamento, chegaram até nossos dias. Três destas cópias são de maior importância para os nossos estudos. Esses são: O Texto Massorético, o Pentateuco Samaritano, e os Manuscritos do Mar Morto.

1. O texto Massorético.

A expressão “Texto Massorético” – TM - refere-se a um grupo de manuscritos hebraicos do Antigo Testamento, datados desde os primeiros séculos da Idade Média, e que são todos concordes entre si. Estes manuscritos possuem um padrão elevado de uniformidade textual, devido ao trabalho coerente e meticuloso dos escribas judeus do período medieval, conhecidos como Massoretas, que adotaram um rígido sistema para preservar, o texto da Bíblia Hebraica, sem corrupções e sem alterações significativas.

Hoje em dia, todas as edições impressas da Bíblia Hebraica, bem como todas as traduções modernas - incluindo-se ai a nossa versão de Almeida Revista e Atualizada – ARA - são baseadas no TM. A estrutura consonantal do TM remonta ao período do Segundo Templo — c. 450 a.C. a 70 d.C. Após a destruição do Templo e da cidade de Jerusalém, os judeus se reuniram na cidade de Jâmnia para resolver a situação canônica de certos livros do Antigo Testamento que ainda tinham sua autoridade disputada. Deste concílio surgiu um texto que foi recebido pelos judeus como oficial. Este concílio, em Jâmnia, aconteceu perto do final do primeiro século e, desde 100 d.C., todas as comunidade judaicas adotaram-no como a forma textual definitiva e oficial das Escrituras Sagradas para os judeus. O texto bíblico do Antigo Testamento, tanto de judeus quanto de cristãos, baseia-se no TM estabelecido há muitos séculos pelos escribas na época antiga e, mais tarde, pelos Massoretas, durante o período medieval. 

O texto atual da Bíblia Hebraica passou por um processo de definição textual desde os primeiros séculos do período medieval, quando os Massoretas procuravam padronizar, uniformizar e transmitir, para as futuras gerações de escribas, um texto que fosse correto e livre de corrupções textuais. Os manuscritos do TM conhecidos hoje em dia apresentam um número reduzido de variantes e que são, em sua totalidade, insignificantes. O texto bíblico preparado pela atividade massorética, e que é a base de todas as edições modernas da Bíblia, é exatamente o mesmo há mais de 1000 anos, desde que os primeiros Massoretas surgiram por volta do século VII.

O tipo textual do TM possui muitas testemunhas antigas que atestam sua antiguidade e seu uso pelos judeus e pelos primeiros cristãos. Essas testemunhas incluem: os targumim — comentários acerca de passagens bíblicas; a Peshita — tradução das Escrituras para o Siríaco antigo ou Aramaico; as traduções gregas de Áquila, de Símaco e de Teodocião; as recensões[1] da LXX feitas por Luciano e por Orígenes; a Vulgata Latina e os vários manuscritos encontrados no deserto da Judéia, e que são conhecidos como Manuscritos do Mar Morto, descobertos a partir de 1947 em Khirbet ou ruínas de Qumran, Wadi Murabba’at, Nahal Hever e Massada. A tudo isto, nós devemos somar as milhares de citações rabínicas antigas e medievais, que também refletem o texto do TM.
A partir de 1450 d. C. com o surgimento da imprensa inventada por Johannes Gutenberg[2], o TM vem sendo impresso de forma contínua, por editores tanto cristãos como por judeus. Todas as primeiras edições críticas da Bíblia Hebraica — edições que discutem leituras variantes em um mesmo texto — surgidas desde o século XVIII, assim como as edições de Benjamin Kennicott (1776—1780) de Giovanni Bernardo Rossi (1784—1788), e a de Christian David Ginsburg (1908—1926), baseiam-se na forma textual estabelecida e transmitida pelos escribas e Massoretas.

Além das edições mencionadas acima, atualmente, existem outras cinco versões, que seguem determinados manuscritos massoréticos pertencentes ao período do auge da atividade massorética. Entre estas podemos citar:
  • Bíblia Hebraica Kittel – símbolo = BHK.
  • Bíblia Hebraica Stuttgartensia – símbolo = BHS.
  • Bíblia Hebraica Leningradensia – símbolo = BHL.
  • Bíblia Hebraica Quinta – símbolo BHQ. Esta versão está sendo editada atualmente pelas Sociedades Bíblicas Unidas e está prevista, para ser publicada completa, em 2020. Enquanto a mesma vem sendo publicada em fascículos. Esta versão deverá suceder a Bíblia Hebraica Stuttgartensia – BHS.
  • Bíblia Hebraica do Hebrew University Bible Project – símbolo = HUBP[3].
As três primeiras Bíblias Hebraicas mencionadas acima, estão todas baseadas no Códice[4] de Leningrado, chamado: B 19a (L). E a última, da lista acima, está baseada no Códice de Aleppo chamado de Códice A.
O Códice de Leningrado B 19a - designado pela letra L - foi produzido em 1008 d.C. Estudiosos acreditam que o mesmo tenha sido copiado de um manuscrito produzido por Aaron ben Moseh ben Asher. Este manuscrito contém todo o Antigo Testamento. 

O Códice de Aleppo - designado pela letra A - foi produzido por volta do ano 940 a.D. Foi originalmente encontrado em Jerusalém e de lá, levado para a cidade do Cairo no Egito. Do Cairo foi levado para Aleppo, no norte da Síria. É desta cidade que o manuscrito toma emprestado seu nome. Maimônides[5] costumava referir-se a este código, como o mais fidedigno - digno de fé; merecedor de crédito - de todos os que ele conhecia. Originalmente, o Códice A, continha o Antigo Testamento inteiro em 380 fólios – folhas escritas na frente e no verso - mas uma turba invadiu a sinagoga sefardita[6] em 1498, e no processo, mais ou menos um terço do manuscrito foi destruído, restando somente 294 fólios, atualmente. Depois da destruição o manuscrito começa com a última palavra de Deuteronômio 28:17 itravmw(vu)misheadeteka – tua amassadeira  Este manuscrito encontra-se, atualmente, na Universidade de Jerusalém sob os cuidados do Instituto Ben Zvi.

OUTROS ESTUDOS DESSA SÉRIE PODEM SER ENCONTRADOS NOS LINKS ABAIXO:

001 – O CÂNON DO ANTIGO TESTAMENTO

002 – A INSPIRAÇÃO DA BÍBLIA

003 – A TRANSMISSÃO TEXTUAL DA BÍBLIA — Parte 1 = Os Escribas e O Texto Massorético — TM

004 – A TRANSMISSÃO TEXTUAL DA BÍBLIA — Parte 2 = O Texto Protomassorético e o Pentateuco Samaritano

005 – A TRANSMISSÃO TEXTUAL DA BÍBLIA — Parte 3 = Os Manuscritos do Mar Morto e os Fragmentos da Guenizá do Cairo
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2012/09/a-transmissao-do-texto-da-biblia-parte-3.html


006 - A TRANSMISSÃO TEXTUAL DA BÍBLIA — Parte 4 = A Septuaginta ou LXX

007 - A TRANSMISSÃO TEXTUAL DA BÍBLIA — Parte 5 = Os Targuns e Como Interpretar a Bíblia

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis



Parte do material contido neste estudo foi adaptado e editado das seguintes obras, que o autor recomenda para todos os interessados em aprofundar os conhecimentos acerca do Antigo Testamento:
 

Bibliografia

Arnold, Bill T. e Beyer, Bryan E. Descobrindo o Antigo Testamento. Editora Cultura Cristã, São Paulo, 2001.

Confort, Philip Wesley (Editor). A Origem da Bíblia. Casa Publicadora das Assembléias de Deus, Rio de Janeiro, 4ª Edição, 2003.

Champlin, R. N, editor. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Editora Hagnos, São Paulo, SP.

Francisco, Edson de Faria. Manual da Bíblia Hebraica – Introdução ao Texto Massorético. Sociedade Religiosa Edições Vida Nova, São Paulo, 1ª Edição, 2003.

Geisler, Norman e Nix, William. Introdução Bíblica – Como a Bíblia chegou até nós. Editora Vida, São Paulo, 2ª Impressão, 1977.

Walton, John H. Chronological Charts of The Old Testament. The Zondervan Corporation, Grand Rapids, 1978.

Würthwein, Ernst. The Text of the Old Testament. William B. Eerdmans Publishing Company, Grand Rapids, Reprinted, 1992.

Enciclopédias
__________The New Encyclopaedia Britannica. Encyclopaedia Britannica Inc., Chicago, 15th Edition, 1995.

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Desde já agradecemos a todos.


[1] Recensões: 1) Recenseamento e, 2) Cotejamento do texto de uma edição com o respectivo manuscrito. 

[2] Johann Gensfleisch Zum Laden Zum Gutemberg, artesão alemão nascido no século XIV em Mainz na Alemanha, veio a falecer, provavelmente, em 3 de Fevereiro 1468 também em Mainz. Gutemberg foi o responsável pela invenção da imprensa moderna, mediante a utilização de tipos móveis esculpidos em madeira e revestidos de metal e tinta à base de óleo. Sua invenção foi única, e sua técnica não era conhecida nem na China, nem na Coréia do século XV. Até nos dias de hoje, podemos ver pequenas gráficas, usando a tecnologia inventada por Gutenberg.

[3] Este projeto publicou, até o ano de 2003, somente os livros do profeta Isaías — entre 1975 e 1995 — e do profeta Jeremias — 1997. Nestas edições, em seus aparatos críticos, são citadas várias fontes judaicas antigas e medievais, bem como a LXX, os manuscritos do Mar Morto, outros manuscritos massoréticos, a literatura talmúdica e a literatura rabínica medieval. 

[4] Chamam-se de “Códice” os manuscritos antigos montados em forma de “livros” modernos utilizando “cadernos” de oito, dez ou doze folhas. A forma alternativa aos códices eram os rolos de papiro ou mesmo de pergaminho — couro de ovelhas, cabras, veados, etc ou vellum — couro de bois.

[5] Moses Maimônides rabino judeu nascido em 30 de Março de 1135 a.D. em Córdoba na Espanha e falecido em 13 de Dezembro de 1204 no Egito.

[6] Do hebraico tardio “sepharadh”, naturais de Sepharadh, provável região da Ásia Menor e que, posteriormente, os emigrantes asiáticos, identificaram com a Península Ibérica. Chamam-se de sefarditas os judeus descendentes dos primeiros israelitas de Portugal e da Espanha, expulsos, respectivamente, em 1496 e 1492. São também chamados de sefaraditas. Na sEspanha eram chamados de Marranos ou porcos.