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quinta-feira, 27 de outubro de 2016

A ORAÇÃO DO “PAI NOSSO" - SERMÃO 009 — O REINO DE DEUS — Mateus 6:10


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Essa série tem por objetivo expor de maneira ampla, bíblica, literária, histórica e teologicamente, a oração que chamamos de “Oração do Pai Nosso”. Nosso desejo é enriquecer a vida de todos por meio desses esboços de mensagens que também estão disponíveis em áudio. Na parte final desse artigo o leitor encontrará os links para os outros esboços e para os áudios à medida que forem sendo publicados. 


Uma Exposição Bíblica, Literária e Teológica de Mateus 6:9—13 


Introdução:

A. Nas duas últimas mensagens nós tivemos a oportunidade de considerar a petição de Jesus que diz: SANTIFICADO SEJA O TEU NOME.

1. Na primeira mensagem nós vimos as implicações que existem em tal petição, no que diz respeito ao fato de Deus demonstrar a santidade de Seu Nome através de atos de juízo divino.

2. Na segunda mensagem, nós vimos como Deus apenas é capaz de reconciliar as exigências de Sua santidade e Sua justiça com o grande amor que ele tem por nós.

Ver lista de todos os estudos dessa série mais embaixo.   

B. O local e o momento histórico em que isso aconteceu foi quando Jesus foi crucificado na Cruz do Calvário, satisfazendo assim a santidade ofendia de Deus e Sua justiça e provando, ao mesmo tempo, o imenso amor que Deus nutre por nós suas criaturas perdidas, ao perdoar todos os nossos pecados.

C. Também vimos como tal santidade, justiça e amor foram ilustrados na vida do profeta Oséias e de uma prostituta de nome Gômer. Os que tiverem interesse em conhecer melhor essa história basta ler os primeiros capítulos do livro do profeta Oséias.  

D. Hoje queremos voltar nossa atenção para a segunda petição de Jesus que diz:

VENHA O TEU REINO

E. Para entender melhor essa petição é importante entendermos um pouco de filosofia da história.

I. TRÊS VISÕES DISTINTAS DA HISTÓRIA

A. Primeira Visão

1. A primeira dessas visões nos diz que: A HISTÓRIA NÃO TEM NENHUM SIGNIFICADO. Se existe um Deus, então ele é como um relojoeiro que fabrica um relógio, dá corda no mesmo e depois o abandona até que a falta de corda o faça parar por completo. 

2. Deus abandonou o universo à sua própria sorte e à medida que o sol vai se esfriando, a vida na terra será insustentável. Mas, por favor, não se desespere, o ponto de esfriamento do sol que ira impedir a vida no planeta terra está estimado para ocorrer apenas daqui a dois ou três bilhões de anos! Esse processo de esfriamento é científico e recebe o nome de “ENTROPIA DO UNIVERSO”. Isso quer dizer que um dia a temperatura de todo o universo será uma só. Quando isso acontecer o universo será frio demais para sustentar qualquer vida em qualquer lugar. Diante disso, é apenas lógico, assim nos dizem, concluir que a HISTÓRIA NÃO TEM NENHUM PROPÓSITO OU SIGNIFICADO.

3. Mas a ideia é antiga: William Shakespeare em sua, Macbeth, em seu quinto ato, na cena quinta coloca essas palavras na boca do protagonista:

Macbeth: Deveria ter morrido mais tarde. Haveria então lugar para uma tal palavra!...O amanhã, o amanhã, o amanhã avança em pequenos passos, de dia para dia, até a última sílaba da recordação e todos os nossos ontens iluminaram para os loucos o caminho da poeira da morte. Apaga-te, apaga-te, tocha fugaz! A vida nada mais é do que uma sombra que passa, um pobre histrião que se pavoneia e se agita uma hora em cena e, depois, nada mais se ouve dele. É uma história contada por um idiota, cheia de fúria e tumulto, nada significando.

B. A Segunda Visão
  
A Segunda visão era promovida já nos dias de Jesus pela filosofia grega, que acreditava que a história é uma série de eventos se movendo em círculos. O que já aconteceu, tornará a acontecer. Assim, concluíam os gregos: Nossas vidas podem estar cheias de fúria e tumulto — alô? Dr. Shakespeare? — mas tudo isso não tem nenhum significado.

C. A Terceira Visão

1. A terceira visão pode ser encontrada na Bíblia.

a. De acordo com o Antigo Testamento a história é como uma flecha que se move em direção a um alvo chamado de: “O Dia do SENHOR”, de acordo com

Amós 5:18

Ai de vós que desejais o Dia do SENHOR! Para que desejais vós o Dia do SENHOR? É dia de trevas e não de luz.

b. No Novo Testamento esse alvo é chamado de Reino de Deus conforme

Marcos 1:15

O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho.
  
2. Essa é a única visão em que a História tem rumo e significado. Mesmo que muitas vezes não consigamos perceber nem entender o que está, realmente acontecendo, nós, os crentes, temos plena certeza que existe UM que sabe!

3. Aqueles que adotam essa terceira visão da história podem viver suas vidas em um confiança calma e segura que AQUELE que segura o leme da História não cochila nem se distrai. É com base nessa confiança que Jesus nos ensina a orar dizendo: VENHA O TEU REINO. Todas as pessoas serão levada às margens da eternidade para comparecer diante de Deus gostem ou não dessa ideia, ou acreditem ou não nela.

4. Mas, dentro dessa nossa esperança enquanto oramos: “VENHA O TEU REINO”, precisamos entender que o Reino de Deus é algo muito paradoxal.

II. TRÊS PARADOXOS ACERCA DO REINO DE DEUS.

O que é um paradoxo: Por definição nós podemos dizer que um paradoxo afirma uma verdade de duas formas opostas que não podem ser reconciliadas de forma lógica. Assim temos que:

Toda a questão que trata do Reino de Deus torna-se muito complexa por causa das afirmações paradoxais de Jesus acerca do reino que dominam a discussão. A literatura é vasta e os títulos podem ser contados na casa dos milhares.

Quais são então esses paradoxos?

A. O PRIMEIRO PARADOXO

1. O primeiro paradoxo em termos do Reino de Deus é que: ESSE REINO JÁ VEIO NA PESSOA DE JESUS, mas ao mesmo tempo é UM REINO AINDA FUTURO.

2. Esse paradoxo pode ser ilustrado da seguinte maneira: primeiro temos a afirmação de Jesus em

Lucas 11:20

Se, porém, eu expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente, é chegado o reino de Deus sobre vós.

3. Por outro lado Jesus nos ensina a orar dizendo: VENHA O TEU REINO.

4. Dessa maneira podemos concluir que o Reino de Deus é algo presente agora, mas não ainda.

B. O SEGUNDO PARADOXO

1. O segundo paradoxo afirma que o Reino de Deus está PRÓXIMO, e mesmo assim, o mesmo ainda está LONGE.

2. Esse paradoxo pode ser ilustrado pelo seguinte:

3. Paulo no Novo Testamento costuma expressar uma confiança de que o fim de todas as coisas estava PRÓXIMO. Por exemplo:

Romanos 13:12

Vai alta a noite, e vem chegando o dia. Deixemos, pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz.

1 Coríntios 7:29—30

29  Isto, porém, vos digo, irmãos: o tempo se abrevia; o que resta é que não só os casados sejam como se o não fossem;

30  mas também os que choram, como se não chorassem; e os que se alegram, como se não se alegrassem; e os que compram, como se nada possuíssem.

1 Coríntios 10:11 —

Estas coisas lhes sobrevieram como exemplos e foram escritas para advertência nossa, de nós outros sobre quem os fins dos séculos têm chegado.

4. Por outro lado, na parábola das dez minas, Jesus procura dissuadir seus discípulos de pensarem que o Reino de Deus estava para se manifestar imediatamente — ver Lucas 19:11—27.

5. Nessa parábola Jesus ensina seus discípulos e todos nós por extensão que: a vinda do Reino de Deus ainda estava num futuro não especificado, mas enquanto aguardavam, os discípulos tinhas obrigações e responsabilidades que precisavam cumprir. O REINO ESTÁ PRÓXIMO, NO ENTANTO AINDA ESTÁ LONGE.

C. O TERCEIRO PARADOXO

1. O terceiro paradoxo envolvendo a vinda do Reino de Deus tem a ver com a série de sinais que Jesus deu aos discípulos — ver, por exemplo, Lucas 21:5—36 — que descrevem a aproximação do Reino e, para finalizar, a sessão Jesus diz que apenas o Pai tem domínio sobre tais detalhes de quando, exatamente, o Reino chegará —

Marcos 13:32

Mas a respeito daquele dia ou da hora ninguém sabe; nem os anjos no céu, nem o Filho, senão o Pai.

2. Assim temos que o TEMPO ou MOMENTO da vinda do Reino de Deus é desconhecido e impossível de ser sabido e, no entanto, eis aqui alguns SINAIS que antecedem a chegada do mesmo. 


Conclusão

A. Jesus nos manda orar dizendo: “VENHA O TEU REINO”. Isso deve ser feito porque o Reino de Deus dá propósito e direção para a história. No entanto...

B. O Novo Testamento faz as seguintes afirmações acerca do Reino de Deus:

1. O mesmo já está presente em nosso meio, mas não ainda.

2. O mesmo está próximo, mas ainda encontra-se distante.

3. Existem sinais da proximidade do mesmo, mas é impossível saber com exatidão quando o mesmo irá chegar.

4. Como são tolos aqueles que pretendem saber mais do que o próprio Jesus!

D. Qual é o propósito desse ensino paradoxal vindo da parte do Senhor? Eu creio, por um lado, que Jesus nos mandou orar: “VENHA O TEU REINO” para nunca nos esquecermos dessa realidade: DEUS ESTÁ O TEMPO TODO NO CONTROLE, INDEPENDENTEMENTE DAS DIFICULDADES, DAS TRAGÉDIAS E SOFRIMENTOS QUE TENHAMOS QUE ENFRENTAR. Nossa oração é uma manifestação aberta e constante da nossa inabalável confiança no controle e na soberania de nosso Deus sobre a História. Portanto devemos sempre dizer: “VENHA O TEU REINO”.  

F. O segundo motivo, eu creio, tem a ver com o ensinamento de Jesus em Marcos 13:33—37

33 Estai de sobreaviso, vigiai e orai; porque não sabeis quando será o tempo.

34 É como um homem que, ausentando-se do país, deixa a sua casa, dá autoridade aos seus servos, a cada um a sua obrigação, e ao porteiro ordena que vigie.

35 Vigiai, pois, porque não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã;

36 para que, vindo ele inesperadamente, não vos ache dormindo.

37 O que, porém, vos digo, digo a todos: vigiai!

G. Devemos então, meus irmãos e irmãs, sempre orar: “VENHA O TEU REINO”, enquanto nos mantemos expectantes e vigilantes. 

H. Na próxima mensagem iremos falar das características do Reno de Deus para nós e para a eternidade.  

I. Enquanto isso, continuemos orando: “VENHA O TEU REINO” e nos mantenhamos VIGILANTES todo o tempo.

OUTRAS MENSAGENS DA SÉRIE DO PAI NOSSO

001 — INTRODUÇÃO A MATEUS 6:9—15

002 — O PAI NOSSO — PARTE 001 — MATEUS 6:9

003 — O PAI NOSSO — PARTE 002 — MATEUS 6:9

004 — O PAI NOSSO — PARTE 003 — MATEUS 6:9

005 — O PAI NOSSO — PARTE 004 — MATEUS 6:9a — PAI NOSSO QUE ESTÁS NOS CÉUS

006 — O PAI NOSSO — PARTE 005 — INTRODUÇÃO À ESTRUTURA DO PAI NOSSO — Mateus 6:9—13

007 — O PAI NOSSO — PARTE 006 — SANTIFICADO SEJA TEU NOME — Mateus 6:9

008 — O PAI NOSSO — PARTE 007 — A RELAÇÃO DA SANTIDADE DE DEUS COM A JUSTIÇA E O AMOR — Mateus 6:9

009 — O PAI NOSSO — PARTE 008 — O REINO DE DEUS — PARTE 001 — Mateus 6:10

010 — O PAI NOSSO — PARTE 009 — O REINO DE DEUS — PARTE 002 — Mateus 6:10
Que Deus abençoe a todos. 

Alexandros Meimaridis

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Os comentários não representam a opinião do Blog O Grande Diálogo; a responsabilidade é do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

sábado, 25 de abril de 2015

EVANGÉLICOS LANÇAM LINHA ERÓTICA E PARTICIPAM DE FEIRA


Divulgação

Já afirmamos, por diversas vezes, que não existe mais nada que possa nos impressionar do besteirol produzido pelos chamados evangélicos. Não é diferente na área sexual.

Primeiro foi o R. R. Soares dono da Igreja Internacional da graça de Deus com o “milagre” da restauração da virgindade não de uma mas de várias mulheres de sua igreja. O escândalo sobre esse fato poderá ser vista por meio desse link aqui:


Depois veio o caso da Igreja Universal do Reino de Deus, onde as irmãs eram convidadas a levarem tubos do lubrificante KY para serem ungido para garantires bom desempenho do esposo e até mesmo uma gravidez desejada. Esse escândalo poderá ser visto por meio desse link aqui:


Ainda podemos mencionar aqui o lançamento do livro “Guia de Sex Shops Para Evangélicos”. O Escândalo do lançamento desse livro poderá ser visto por meio desse link aqui:


Com a imoralidade rampante dentro das igrejas evangélicas, com pastores adulterando, se divorciando e casando-se novamente, enquanto mantêm firmes as rédeas de seus falsos ministérios e são congratulados por outros famosos, não é de espantar que a sem-vergonhice esteja atingindo níveis estratosféricos. E como o exemplo vem de cima, se entre a pastorada evangélica as coisas são assim, já podemos imaginar o que está acontecendo no meio do povo que tem esses senhores e senhoras como exemplo a ser seguido  

Agora, temos mais uma grande novidade nessa área. Em uma edição das muitas feiras voltadas para a área de sex shops, foi notada a participação de uma empresa que produz produtos exclusivamente para evangélicos. Apesar de ainda não estar na linha de produção, falou-se até em fabricar vibradores para viúvas evangélicas. O aberrante vídeo poderá ser visto por meio do link abaixo:


Tudo é apresentado com maior naturalidade, mas é impossível deixar de notar o excesso de malícia por parte tanto da entrevistadora quanto da entrevistada.

Enquanto isso, a Bíblia continua valendo e nos ensinando:

Romanos 13:12

Vai alta a noite, e vem chegando o dia. Deixemos, pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz.

2 Coríntios 7:1

Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus.

Efésios 5:3—8

3 Mas a impudicícia e toda sorte de impurezas ou cobiça nem sequer se nomeiem entre vós, como convém a santos;

4 nem conversação torpe, nem palavras vãs ou chocarrices, coisas essas inconvenientes; antes, pelo contrário, ações de graças.

5 Sabei, pois, isto: nenhum incontinente, ou impuro, ou avarento, que é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus.

6 Ninguém vos engane com palavras vãs; porque, por essas coisas, vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.

7 Portanto, não sejais participantes com eles.

8 Pois, outrora, éreis trevas, porém, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz

Tiago 1:21

Portanto, despojando-vos de toda impureza e acúmulo de maldade, acolhei, com mansidão, a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar a vossa alma.

Que Deus tenha misericórdia de todos nós.

Alexandros Meimaridis

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domingo, 2 de fevereiro de 2014

ENCONTROS DE PODER — 017 — UMA EXEGESE ROMANOS 13:1—3 - AS AUTORIDADES SUPERIORES


 
Atenção esse artigo é parte de uma série onde pretendemos tratar dos alegados encontros de poder e de curas maravilhosas que nos são apresentadas todos os dias pelos pastores midiáticos. No final de cada estudo você encontrará links para outros estudos.


Texto Base: Romanos 13:1—3

1  Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores — ἐξουσίαις ὑπερεχούσαις exousíais uperexoúsais; porque não há autoridade — ἐξουσία exousía —  que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas.

2  De modo que aquele que se opõe à autoridade — ἐξουσία exousía — resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação.

3  Porque os magistrados — ἄρχοντεςárxontes —  não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade — τὴν ἐξουσίαν tèn exousían ? Faze o bem e terás louvor dela.

Não iremos nos envolver em todos os problemas existentes nesses versículos — já existem comentários demais disponíveis em português tratando dos mesmos[1] — mas iremos nos concentrar apenas em identificar quem são os magistrados — ἄρχοντεςárxontes — e a autoridade — ἐξουσία exousía.

Praticamente todos os comentaristas concordam que a expressão magistrados — ἄρχοντεςárxontes — que temos no verso 3 diz respeito a seres humanos, uma vez que os mesmos portam a espada do verso 4, e recolhem os impostos mencionados no verso 6. Em todas essas ações os mesmos funcionam como “ministros ou servos” a serviço de Deus. Por esse motivo, eles merecem todo nosso respeito e consideração de acordo com o verso 7. Por analogia é possível esperarmos que as autoridades superiores — ἐξουσίαις ὑπερεχούσαις  — exousíais uperexoúsais — também sejam autoridades humanas, especialmente diante da descoberta que os termos Archon, Archontes e Exousiais são intercambiáveis em muitos contextos. Nesse sentido, a orientação de Paulo seria muito semelhante com aquela de Pedro que encontramos em

1 Pedro 2:13—17

13 Sujeitai-vos a toda instituição humana — ἀνθρωπίνῃ κτίσειanthropíne ktísei — por causa do Senhor, quer seja ao rei, como soberano,

14 quer às autoridades, — ἡγεμόσινheyemósin — como enviadas por ele, tanto para castigo dos malfeitores como para louvor dos que praticam o bem.

15 Porque assim é a vontade de Deus, que, pela prática do bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos;

16 como livres que sois, não usando, todavia, a liberdade por pretexto da malícia, mas vivendo como servos de Deus.

17 Tratai todos com honra, amai os irmãos, temei a Deus, honrai o rei.

As semelhanças são tantas com o texto de Paulo que muitos acreditam que as palavras de Pedro foram o primeiro comentário ao que Paulo escreveu em Romanos 13. Se isso for fato, então Pedro interpreta, claramente, a expressão grega — ὑπερεχούσαις uperexoúsaiscomo se referindo a altas autoridades humanas, e não a alguma autoridade sobre-humana. Dessa forma, aqueles que defendem que estamos lidando com seres angelicais nesses contextos têm sua posição muito enfraquecida.

Mas, aqui precisamos mencionar que quando Paulo fala dessa autoridades ele sempre tem no background a ideia de que por trás dessas autoridades se encontram seres angélicos sobre-humanos. Mas como alguns têm argumentado, de forma bastante sólida, diga-se de passagem, nenhuma visão, seja moderna ou secular poderia estar na mente de Paulo. Se agirmos assim, começaremos a ler coisas que não estavam, realmente, na mente do apóstolo. Então, como Paulo usa uma mesma expressão ἐξουσία exousía autoridade, para se referir tanto a autoridades humanas como também sobre-humanas devemos entender que ele age dessa maneira de propósito e não pretende traçar uma linha de demarcação clara entre uma e a outra.

Como já tivemos oportunidade de ver antes, se o apóstolo Paulo pressupõe a noção judaica da existência de representantes angélicos para cada nação diante do conselho celestial, ele nunca se sente compelido a deixar isso muito claro para nós. Mas Paulo, certamente, aceita o conceito greco-romano da existência de forças espirituais por trás de todas as instituições, conceito esse cuja noção judaica acerca da existência de “Anjos das Nações” é uma espécie de adaptação. O próprio Celso em sua tentativa de atacar a fé cristã afirmou que deveríamos adorar os demônios uma vez que os mesmos se encontram por trás de todas as autoridades que existem. Temos então uma dificuldade muito grande em entender, exatamente, qual era a verdadeira posição de Paulo acerca de todas essas coisas. A pergunta que precisamos fazer é: a expressão grega ἐξουσία exousía autoridade, se refere a poderes espirituais? Não temos dúvidas que Paulo tem em mente, em parte, autoridades humanas ao usar o termo exousía, pois a mesma é usada em justaposição com a expressão archontes nesse mesmo verso, onde todos concordam que tal expressão identifica seres humanos. Esse é o motivo que leva muitos comentaristas a entender as palavras usadas por Paulo nesses versos como parte da sua preocupação de como os cristãos devem comportar-se, de modo prático, diante dessas autoridades. Uma situação semelhante é descrita em Mateus 17:24—27 onde os discípulos são instruídos a pagar o imposto por conveniência, mesmo não sendo obrigados a fazê-lo.

Por fim cremos que é seguro afirmarmos o seguinte: enquanto Paulo teria, certamente, afirmado a existência de poderosos seres espirituais por trás das expressões físicas dos governos, ele não está preocupado com essa dimensão de poder nesse contexto. Sua preocupação tem a ver com o questões práticas do dia a dia da igreja no que diz respeito ao comportamento dos cristãos diante da burocracia do estado e daqueles que o representam — as exousiai — no breve intervalo de trevas antes que brilhe a Luz de Deus, conforme

Romanos 13:11—12

11 E digo isto a vós outros que conheceis o tempo: já é hora de vos despertardes do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto do que quando no princípio cremos.

12 Vai alta a noite, e vem chegando o dia. Deixemos, pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz.

13 Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedices, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes;

14 mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências.

Dessa forma, é o contexto que se torna todo-importante em nos ajudar a determinar a identidade dos poderes mencionados em Romanos 13:1—3. No estudo anterior concluímos que tais poderes em 1 Coríntios 2:6—8 nos pareciam tanto humanos como sobre humanos. No estudo de hoje concluímos que os mesmos são apenas humanos. Já no estudo seguinte — onde iremos tratar de Romanos 8:38—39 — os poderes têm mesmo uma aparecia de forças espirituais.

LISTAS DOS ESTUDOS DE ENCONTROS DE PODER

001 — Introdução =

002 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = Expressões Diversas

003 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀρχῆ — arché e ἄρχων — árchon.

004 – A linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἐξουσίαις – exousías – potestades, autoridades.

005 – A linguagem de “Poder” no Novo Testamento = δυνάμεις — dunámeis — poderes.

006 – A linguagem de “Poder” no Novo Testamento = Θρόνοι— thrónoi — tronos.

007 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = κυριοτῆς — kuriotês — domínio.

008 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ὀνόματι — onómati — nome.

009 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἄγγελοs — ággelos — anjo.

010 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = δαιμονίον — daimoníon — demônioπνεῦμα τὸ πονηρὸν — pneûma tò poniròn — espírito malignoἀγγέλους τε τοὺς μὴ τηρήσαντας τὴν ἑαυτῶν ἀρχὴν— angélous te toùs me terèsantas tèn eautôn archèn — anjos, os que não guardaram o seu estado original ou anjos caídos.

011 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀγγέλους  τῶν ἐθνῶν — angélous tôn ethnôn — anjos das nações.

012 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀγγέλους  τῶν ἐθνῶν — angélous tôn ethnôn — anjos das nações — Parte 2.

013 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀγγέλους  τῶν ἐθνῶν — angélous tôn ethnôn — anjos das nações — Parte 3 — Final.

014 — A Evidência do Novo Testamento – Parte 1 — Introdução

015 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 2 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 2:6—8 — Parte 1

016 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 3 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 2:6—8 — Parte 2

017 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 3 — As Passagens Disputadas — Romanos 13:1—3

018 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 4 — As Passagens Disputadas — Romanos 8:31—39

019 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 5 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 15:24—27a — PARTE 1

020 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 6 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 15:24—27a — PARTE 2

021 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 7 — As Passagens Disputadas — Colossenses 3:13—15 — PARTE 1

022 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 8 — As Passagens Disputadas — Colossenses 3:13—15 — PARTE 2

023 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 9 — As Passagens Disputadas — Efésios 1:20—23 — AS REGIÕES CELESTIAIS — PARTE 1

024 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 10 — As Passagens Disputadas — Efésios 1:20—23 — AS REGIÕES CELESTIAIS — PARTE 2

025 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 11 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 3

026 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 12 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 4

027 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 13 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 5

028 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 14 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 6

029 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 15 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 7 — A DESTRUIÇÃO DA MORTE E DE SEUS ALIADOS

030 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 16 — As Passagens Disputadas — COLOSSENSES 1:16 — A CRIAÇÃO DE TODAS AS COISAS POR MEIO DE E PARA O PRÓPRIO CRISTO

031 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 16 — As Passagens Disputadas — COLOSSENSES 1:16 — TENTANDO DEFINIR OS PODERES

032 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 16 — As Passagens Disputadas — COLOSSENSES 1:16 — TENTANDO DEFINIR OS PODERES —PARTE 002

033 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 17 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 001

034 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 18 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 002

035 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 19 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 003

036 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 20 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 004

037 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 21 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 005

038 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 22 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 006

039 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 23 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 007

040 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 24 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 008

041 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 25 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 009

042 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 26 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 010

043 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 27 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 011 — O PRÍNCIPE DA POTESTADE DO AR
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/02/encontros-de-poder-043-evidencia-do.html

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.


[1] Entre esses comentários podemos citar os seguintes autores: João Calvino, John Stott, William Hendriksen, D. Martin Lloyd-Jones, C. E. B. Cranfield, Karl Barth e etc.