terça-feira, 14 de junho de 2016

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 011 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 003



ESSA É UMA SÉRIE DE ESTUDOS QUE VISA ABORDAR DA MANEIRA COMO CONSIDERAMOS APROPRIADA, A IMPORTANTE QUESTÃO RELATIVA À RESSURREIÇÃO DE CRISTO. TOMANDO COMO BASE AS OBRAS DE GEERHARDUS VOS E HERMAN RIDDERBOS. NOSSA INTENÇÃO É MOSTRAR A CENTRALIDADE DA RESSURREIÇÃO DE CRISTO NA TEOLOGIA PAULINA.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO NA SOTERIOLOGIA DE PAULO

Colossenses 1:15—20

15 Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação;

16 pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele.

17 Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste.

18 Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia,

19 porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude

20 e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus.

Como vimos no estudo anterior, Jesus é considerado com relação à ressurreição como os primeiros frutos e nós representamos a totalidade da colheita futura. Essa mesma realidade nos é apresentada nos versos acima, onde Cristo é referido como sendo o primogênito dos mortos. Nesse caso, nós somos os outros irmãos daquele que é o filho primogênito. A mesma verdade é referida por Paulo em —

Romanos 1:4

E foi designado Filho de Deus com poder, segundo o espírito de santidade pela ressurreição dos mortos, a saber, Jesus Cristo, nosso Senhor.

No entanto, nessa passagem de Colossenses acima, o verso 15 usa a mesma expressão πρωτότοκοςprotótokos — primogênito, para se referir a Cristo como o primogênito de toda a criação. Existem duas qualificações atreladas à interpretação dessa frase, independentemente de como a mesma deve ser interpretada de forma correta. A primeira é que a expressão πρωτότοκοςprotótokos — primogênito no verso 15 está focada no relacionamento de Cristo com a criação. A segunda é que Jesus não pode ser, em nenhuma hipótese, o primeiro ser a ter sido criado. Dizemos em nenhuma hipótese, pois tal afirmação é duramente negada pelo restante do texto. Cristo é o primogênito exatamente porque todas as coisas foram criadas por ele, conforme o verso 16.

Mantendo esses limites bem estabelecidos devemos entender a expressão primogênito em Colossenses 1:15 como derivada do uso que o Antigo Testamento faz dos termos primeiro e nascido que, na expressão primogênito, são usados no sentido de indicar a singularidade, o status especial e a dignidade de alguém, fazendo-o por esses motivos, recipiente de favores e bênção excepcionais. Tal uso é claramente demonstrado em —

Êxodo 4:22

Dirás a Faraó: Assim diz o SENHOR: Israel é meu filho, meu primogênito.

No verso acima a expressão primogênito indica que Israel, enquanto nação, pertence ao SENHOR no sentido de ser seu primogênito. O mesmo é verdadeiro acerca da afirmação do SENHOR que irá tornar Davi em Seu primogênito —

Salmos 89:27

Fá-lo-ei, por isso, meu primogênito, o mais elevado entre os reis da terra.

Esse aspecto da expressão primogênito explica bem o contexto imediato de Colossenses 1:15, pois coloca a ênfase sobre a atividade criadora de Cristo e Sua consequente exaltação sobre toda a Criação. Também serve bem ao propósito geral da epístola no sentido em que destaca a singularidade de Cristo, seja na redenção, seja na Criação[1].

Num primeiro momento, todavia, alguns argumentam que a expressão primogênito do verso 18 deve ser interpretada à luz de seu uso no verso 15. Argumentam que isso deve ser assim, não apenas pela proximidade dos dois usos, mas também pela estrutura paralela da passagem onde o primogênito de toda a criação corresponde a o primogênito de entre os mortos. Dessa forma, o verso 18 destaca a autoridade de Cristo sobre os mortos que serão ressuscitados.      

Todavia, existem diferenças notáveis nos dois versos onde as expressões estão inseridas. O paralelismo mencionado também precisa ser melhor observado. De modo específico, devemos notar, no verso 18, a existência da preposição grega ἐκek — traduzida por de, como uma identificação que não encontramos no verso 15. Tal expressão aponta tanto para uma identificação, quanto para uma solidariedade. Essas realidades existem apenas porque o próprio Jesus vem, ele mesmo, dentre os mortos, dos quais é o primogênito. Jesus experimenta essa condição elevada, porque ele mesmo procede dentre os mortos. Desse modo, é fácil perceber a relação de primogênito com primeiros frutos.

As outras expressões que encontramos no verso 18 confirmam esse entendimento de primogênito, ao mesmo tempo em que aprofundam sua ênfase principal. A expressão grega ἀρχήarché — princípio, que precede, imediatamente a expressão πρωτότοκοςprotótokos — primogênito, funciona como algo que vai muito além duma mera indicação de prioridade. A mesma possui grande força, no sentido de indicar cabeça e primado. Isso é especialmente verdadeiro quando a expressão princípio está relacionada com a expressão primogênito e as duas fazem referência à ressurreição de Cristo: Ele é o princípio desse gigantesco evento, a ressurreição de todos os mortos. Por isso, ele recebe a primazia e é o cabeça de todos os que serão resuscitados. Consequentemente, a proposta apresentada na clausula seguinte que diz ἐν πᾶσιν αὐτὸς πρωτεύωνpâsin autòs proteúon — para em todas as coisas ter a primazia, significa, literalmente, ser o primeiro e ocupar o primeiro lugar. Essas duas implicações, dificilmente, fariam referência a algo meramente temporal. Aqui estamos diante, na verdade, duma noção plena de preeminência e duma situação especial e extraordinária.

Finalmente, as perspectivas eclesiológicas e cósmicas, as quais governam o pensamento de Paulo nessa passagem, devem ser reconhecidas. Cristo é o princípio e o primogênito dentre os mortos e tem, em tudo, a preeminência. Essas ideias estão, solidamente, conectadas ao fato que Cristo é o cabeça do corpo, a igreja.

CONCLUSÃO: Colossenses 1:8, especialmente na parte em que designa Cristo como primogênito dentre os mortos, contém o mesmo pensamento básico que encontramos na expressão sendo ele as primícias dos que dormem. Ou seja, a união que existe entre Cristo e os crentes está representada pela ressurreição, da qual os dois participam. Além disso, aqui em Colossenses temos uma afirmação mais definida do que aquela que encontramos em 1 Coríntios 15:20—23, acerca da singularidade, da preeminência e do fato de Cristo ser o cabeça do corpo, com o qual está, solidariamente, vinculado. 
Vista em conjunto, essas duas passagens, nos ensinam que:

1. As primícias dos que dormem.

2. O primogênito dentre os mortos.

3. O princípio.

4. Aquele que é o primeiro.

5. O cabeça.

Se referem à pessoa de Cristo, como o segundo Adão, ressuscitado.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 001 — INTRODUÇÃO À HERMENÊUTICA.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 002 — PRINCÍPIOS METODOLÓGICOS — PARTE 001.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 003 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 002 — A RELAÇÃO ENTRE OS ATOS REDENTORES DE DEUS E A REVELAÇÃO DAS ESCRITURAS SAGRADAS

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 004 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 003 — A RELAÇÃO ENTRE PAULO E SEUS INTÉRPRETES MODERNOS

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 005 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 004 — PAULO, NÓS E A HISTÓRIA DA REDENÇÃO

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 006 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 005 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 01

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 007 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 006 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 002

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 008 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 007 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 003 — FINAL

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 009 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 001 — CRISTO, AS PRIMÍCIAS — PARTE 001

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 010 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 002 — CRISTO É AS PRIMÍCIAS E OS CRENTES SÃO A COLHEITA PLENA — PARTE 002

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 011 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 003 — CRISTO É O PRIMOGÊNITO DENTRE OS MORTOS — PARTE 003

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 012 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 004 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO DOS CRENTES SÃO EPISÓDIOS DE UM ÚNICO EVENTO

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 013 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO PASSADA DOS CRENTES — PARTE 001

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 014 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO PASSADA DOS CRENTES — PARTE 002


Que Deus Abençoe a Todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos. 



[1] Ver o comentário de F. F Bruce Commentary on Ephesians and Colossians  na série New International Commentary of the New Testament publicado por Eerdmans Publishing House de Grande Rapids. 

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