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sábado, 7 de novembro de 2015

A ORAÇÃO DO PAI NOSSO - SERMÃO 003 — O Pai Nosso — Parte 2 — Mateus 6:9



Essa série tem por objetivo expor de maneira ampla, bíblica, literária, histórica e teologicamente, a oração que chamamos de “Oração do Pai Nosso”. Nosso desejo é enriquecer a vida de todos por meio desses esboços de mensagens que também estão disponíveis em áudio. Na parte final desse artigo o leitor encontrará os links para os outros esboços e para os áudios à medida que forem sendo publicados 


Uma Exposição Bíblica, Literária e Teológica de Mateus 6:9—13



Introdução:

A. Em nossa apresentação da “Oração do Pai Nosso”, nós temos afirmado e reafirmado que através dela Jesus mudou, por completo, o modelo ou paradigma de oração usado pelos Judeus.

B. Essas mudanças podem ser facilmente vistas no seguinte:

1. Enquanto os Judeus gostavam de orar em pé nas praças e nas sinagogas para serrem vistos por todos — ver Mateus 6:5. Jesus, por sua vez nos ordena orar em secreto e nos garante que essa é a oração que Deus ouve e atende – ver Mateus 6:6.

Mateus 6:5—6

5 E, quando orardes, não sereis como os hipócritas; porque gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem vistos dos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa.

6 Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.

2. Os judeus tinham por costume orar três vezes ao dia, ao passo que em Cristo nós somos livres para orar quantas vezes quisermos durante o dia.

3. Os judeus tinham um conjunto fixo de 18 orações, além do Shemá. Jesus passava noites inteiras em oração, o que indica que ele não estava limitado a repetir, ad infinitum, orações decoradas. Suas orações refletiam a profunda comunhão que tinha com o Pai.

4. Os judeus oravam exclusivamente em hebraico, a única língua que eles achavam Deus entendia. Jesus nos ensina que Deus é Espírito e devemos orar na língua do nosso coração. Jesus ensinou seus discípulos a orar na língua aramaica, porque essa era a língua que eles usavam no dia a dia. O Novo Testamento registra várias orações dos apóstolos feitas na língua grega.

5. Jesus ensinou seus discípulos a orarem a Deus como Pai — Abba em aramaico. Como iremos ver hoje, o uso dessa expressão representava o rompimento definitivo com a língua e a cultura hebraica por parte de Jesus Cristo.

6. Vamos então passar a análise de como os judeus se referiam a Deus como Pai e a diferença, fundamental, que o ensinamento de Jesus trouxe a esse entendimento.

PAI NOSSO

I. Como os Judeus Usavam a Expressão Pai no Antigo Testamento

A. Já mencionamos que em 2 orações das chamadas tefillah — orações diárias — os judeus iniciavam a mesma com a expressão “Pai Nosso” que traduz a expressão hebraica “Abinu”.

B. A palavra hebraica para pai em sua raiz mais simples é אָב`ab — Pai. Nesse sentido a expressão é usada mais de 1200 vezes no Antigo Testamento. De todas essas vezes, apenas 12 fazem referência a Deus como “Pai do povo de Israel”. Essa paternidade foi forjada quando da libertação do povo da escravidão do Egito como podemos ler em:

Deuteronômio 7:6—8

Porque tu és povo santo ao SENHOR, teu Deus; o SENHOR, teu Deus, te escolheu, para que lhe fosses o seu povo próprio, de todos os povos que há sobre a terra. Não vos teve o SENHOR afeição, nem vos escolheu porque fôsseis mais numerosos do que qualquer povo, pois éreis o menor de todos os povos, mas porque o SENHOR vos amava e, para guardar o juramento que fizera a vossos pais, o SENHOR vos tirou com mão poderosa e vos resgatou da casa da servidão, do poder de Faraó, rei do Egito.

Deuteronômio 14:2

Porque sois povo santo ao SENHOR, vosso Deus, e o SENHOR vos escolheu de todos os povos que há sobre a face da terra, para lhe serdes seu povo próprio.

Isaías 63:15—16

Atenta do céu e olha da tua santa e gloriosa habitação. Onde estão o teu zelo e as tuas obras poderosas? A ternura do teu coração e as tuas misericórdias se detêm para comigo! Mas tu és nosso Pai, ainda que Abraão não nos conhece, e Israel não nos reconhece; tu, ó SENHOR, és nosso Pai; nosso Redentor é o teu nome desde a antiguidade.

Isaías 64:8

Mas agora, ó SENHOR, tu és nosso Pai, nós somos o barro, e tu, o nosso oleiro; e todos nós, obra das tuas mãos.

C. Apesar do fato que nem todos esses versos usam a expressão “Pai”, é bem evidente que foi nisso mesmo que Deus se tornou — PAI — quando adotou o povo hebreu como Seu povo.

D. Os judeus se dirigiam a Deus como Pai de forma litúrgica onde era chamado de Abinu — Pai nosso — ou de Abi — Meu Pai. Mas nunca, nunca se referiam a Deus usando a forma familiar אַבָא`aba`— Pai pois consideravam a expressão vulgar e despretensiosa para ser usada com relação ao Deus Todo Poderoso.  

E. Agostinho diz em seu Comentário no Sermão Montanha o seguinte: “Entretanto, em nenhuma parte do Antigo Testamento encontramos nenhum mandamento ordenando ao povo de Israel que se dirigisse a Deus como Pai ou o invocasse como Pai nosso”.

F. O uso que os judeus faziam da expressão pai estava restrita às seguintes formas:

1. Como uma símile, i.e., “Isto é como Aquilo” com, por exemplo, em —

Salmos 103:13

Como um pai se compadece de seus filhos, assim o SENHOR se compadece dos que o temem.

2. E, ocasionalmente como uma metáfora, como vimos nos versos de Isaías acima.

G. Mas não existe nenhuma referência onde Deus seja, diretamente, referido, como Pai no Antigo Testamento, por algum de todos os personagens que encontramos em suas páginas.

H. No Antigo Testamento a expressão Pai é usada apenas para designar o que Deus é com relação ao povo de Israel, mas para Jesus, quando ele chama Deus de Pai em aramaico, Ele o faz usando tal expressão como um título.

I. Ao agir assim Jesus estava no limite da impiedade ao se dirigir a Deus de forma que os judeus consideravam imprópria — uma forma nunca vista e nunca praticada. Mas essa foi a expressão que Jesus usou: ABBA — Pai.

J. Mas quando Jesus usou o termo infantil ABBA, Ele o fez como uma expressão de confiança e obediência para com o Pai. Os judeus apenas pretendiam manter um relacionamento com Deus. O relacionamento de Jesus era íntimo e verdadeiro. Esse é o motivo porque Ele deseja usar esse termo pueril de “papai” para se referir a Deus!

II. A Expressão Aramaica ABBA

A. A expressão aramaica Abba manifesta um profundo relacionamento entre duas pessoas. Como já dissemos é um termo infantil cujo significado é “papai”. Esse é o motivo porque a igreja primitiva adotou essa expressão em suas orações. A mesma expressa o nível — a profundidade — do relacionamento que existe entre o crente e Deus por meio de Jesus Cristo.

B. Era costume da Igreja Primitiva sempre orar o Pai Nosso antes da celebração da Santa Ceia!

C. A igreja primitiva também procurava desestimular o uso da expressão ABBA por aqueles que não eram ainda convertidos.

D. Em nossos dias existe um grande debate acerca da validade do uso da expressão Pai para nos referirmos a Deus:

1. Em primeiro lugar nós temos os mulçumanos que alegam que chamar Deus de “Pai, Meu Pai ou Nosso Pai”, faz com que o adorador use um modelo humano para se referir a Deus — mesmo problema dos judeus nos dias de Cristo. De acordo com o Islamismo esse tipo de prática, certamente, irá degenerar em grossa idolatria. Eles dizem: “Deus é Deus e não devemos nos referir a Ele usando termos humanos. Podemos usar adjetivos, mas nunca metáforas”. Assim, nós podemos chamar Deus de:

a. Rahman ou misericordioso.

b. Raheen ou compassivo.

c. Akbar ou Todo Poderoso.

d. `Allim ou onisciente.

2. Mas nunca podemos chamá-lo de “Pai”.

E. Mas o fato que temos diante de nós é que Jesus nos ordenou chamar Deus de Pai. A pergunta que precisamos fazer aqui é a seguinte: Jesus, em algum momento de seus ensinamentos definiu a expressão “Pai”?

III. Como Jesus Definiu Expressão Aramaica ABBA

A. Creio que muitos de vocês já pensaram na resposta apropriada. Sim, Jesus definiu o termo Pai quando contou a Parábola do Filho Pródigo ou dos Dois Filhos Perdidos . Naquela parábola Jesus rompeu com todos os conceitos patriarcais da cultura de seus dias para nos apresentar uma figura de um pai que vai muito além daquilo que se esperava de um pai humano.

B. Na parábola do Filho Pródigo, Jesus não descreve um pai como era conhecido naqueles dias, mas, pelo contrário, ele cria uma nova imagem de Pai, a qual pretende usar como modelo para Deus.

C. A impressão que eu tenho é que Jesus se inspirou para criar a Parábola do Filho Pródigo na narrativa de Oséias 11:1—11, onde Deus se descreve a si mesmo como um pai compassivo enquanto Israel se debate na terrível angústia causada pelo pecado.

D. Me chama muito a atenção de

Oséias 11:9

Não executarei o furor da minha ira; não tornarei para destruir a Efraim, porque eu sou Deus e não homem, o Santo no meio de ti; não voltarei em ira.

E. Nos versos de Oséias 11:1—8 nós vemos um Deus terno e pai amoroso que tem um filho, extremamente rebelde. O pai tem todo o direito de reagir com ira e castigo, mas ele opta por agir de forma amorosa.

F. A partir de Oséias 11 não é difícil entendermos que é possível que Jesus tenha se inspirado nessa narrativa para criar sua magnífica Parábola do Filho Pródigo.

G. Para Jesus, Deus é acima de tudo um Pai amoroso e o próprio Jesus nos dá uma demonstração clara disso na Parábola do Filho Pródigo. Essa é a única forma lícita de entendermos o sentido que Jesus queria dar para a expressão “Pai Nosso” e qualquer outra definição é uma rejeição do ensinamento de Jesus e uma traição à Sua pessoa.

H. A advertência islâmica permanece com uma possibilidade real, mas quando permitimos que o próprio Jesus defina o termo “Pai”, então a comunidade cristã evita a idolatria e pode usar e expressão de forma metafórica sabendo, exatamente, o que ela significa: que temos um Deus amoroso, compassivo, onisciente, Todo Poderoso e etc., com o qual mantemos um profundo relacionamento

I. O segundo aspecto desse debate será discutido na próxima mensagem.

Conclusão

A. A expressão aramaica Abba é a primeira palavra que as crianças aprendem em lugares tais como a Síria, a Palestina, o Líbano e Jordânia, apesar da língua oficial desses países todos ser o arábico.

B. Jesus inaugurou um novo modelo de oração ao ensinar seus discípulos a orarem em aramaico, que era a língua dos seus corações.

C. Com isso Jesus colocou de lado a “preciosa herança sagrada dos judeus” representada pela língua e pela cultura hebraica, assumindo o papel que o próprio Deus lhe havia conferido, de tornar-se o Salvador do mundo conforme lemos em —

Isaías 49:6

Sim, diz ele: Pouco é o seres meu servo, para restaurares as tribos de Jacó e tornares a trazer os remanescentes de Israel; também te dei como luz para os gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra.

D. Porque Jesus é o Salvador do Mundo Inteiro, todas as línguas e culturas são válidas diante de Deus como formas de expressar oração e adoração genuínas. Deus seja louvado.

E. A palavra escolhida por Jesus para iniciar o novo modelo de oração foi ABBA — PAI — que é um título que nos afirma e reafirma o profundo relacionamento que temos com Deus, o Nosso Pai. Daí o apóstolo Paulo concluir o capítulo 8 de Romanos com essas palavras:

Romanos 8:31—39

31 Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?

32 Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?

33 Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica.

34 Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós.

35 Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?

36 Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro.

37 Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou.

38 Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes,

39 nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.


OUTRAS MENSAGENS DA SÉRIE DO PAI NOSSO

001 — INTRODUÇÃO A MATEUS 6:9—15

002 — O PAI NOSSO — PARTE 001 — MATEUS 6:9

003 — O PAI NOSSO — PARTE 002 — MATEUS 6:9

004 — O PAI NOSSO — PARTE 003 — MATEUS 6:9

005 — O PAI NOSSO — PARTE 004 — MATEUS 6:9a — PAI NOSSO QUE ESTÁS NOS CÉUS

006 — O PAI NOSSO — PARTE 005 — INTRODUÇÃO À ESTRUTURA DO PAI NOSSO —
Mateus 6:9—13

007 — O PAI NOSSO — PARTE 006 — SANTIFICADO SEJA TEU NOME — Mateus 6:9

008 — O PAI NOSSO — PARTE 007 — A RELAÇÃO DA SANTIDADE DE DEUS COM
A JUSTIÇA E O AMOR — Mateus 6:9

009 — O PAI NOSSO — PARTE 008 — O REINO DE DEUS — PARTE 001 — Mateus 6:10

010 — O PAI NOSSO — PARTE 009 — O REINO DE DEUS — PARTE 002 — Mateus 6:10
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/01/a-oracao-do-pai-nosso-sermao-010-o.html
011 — O PAI NOSSO — PARTE 010 — A VONTADE DE DEUS

Que Deus abençoe a todos 
Alexandros Meimaridis 

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sexta-feira, 28 de agosto de 2015

COMO ESCAPAREMOS NÓS – PARTE 6



CONTINUAÇÃO

Hebreus 2:3b—4

A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram;

4  dando Deus testemunho juntamente com eles, por sinais, prodígios e vários milagres e por distribuições do Espírito Santo, segundo a sua vontade.

As Boas Novas da Salvação então são derivadas do próprio Senhor, cuja obra de medição é totalmente diferente daquela representada pelos anjos. Além disso, o Senhor Jesus é muito diferente dos intermediários humanos que evangelizaram os judeus por séculos. Mas a afirmação do nosso autor tem uma implicação bastante importante para os homens que nos trouxeram o evangelho depois da manifestação de Jesus, que era o Filho de Deus e o próprio Deus.

O verso acima trata duma importante questão que tem a ver com a sucessão apostólica. Segundo nosso autor a verdadeira sucessão apostólica é aquela que tendo se iniciado com Jesus prosseguiu com seus apóstolos e continua em nossos dias por meio de todos nós que estamos envolvidos na proclamação das Boas Novas. Esse é o resumo e a substância dessa passagem, como também afirma o apóstolo Paulo em —

1 Timóteo 2:5—7

5 Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem,

o qual a si mesmo se deu em resgate por todos: testemunho que se deve prestar em tempos oportunos.

7 Para isto fui designado pregador e apóstolo (afirmo a verdade, não minto), mestre dos gentios na fé e na verdade.

Do mesmo modo, o apóstolo Pedro, quando proclamou o evangelho para Cornélio lhe disse o seguinte —

Atos 10:36—42

36 Esta é a palavra que Deus enviou aos filhos de Israel, anunciando-lhes o evangelho da paz, por meio de Jesus Cristo. Este é o Senhor de todos.

37 Vós conheceis a palavra que se divulgou por toda a Judéia, tendo começado desde a Galiléia, depois do batismo que João pregou,

38 como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder, o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele;

39 e nós somos testemunhas de tudo o que ele fez na terra dos judeus e em Jerusalém; ao qual também tiraram a vida, pendurando-o no madeiro.

40 A este ressuscitou Deus no terceiro dia e concedeu que fosse manifesto,

41 não a todo o povo, mas às testemunhas que foram anteriormente escolhidas por Deus, isto é, a nós que comemos e bebemos com ele, depois que ressurgiu dentre os mortos;

42 e nos mandou pregar ao povo e testificar que ele é quem foi constituído por Deus Juiz de vivos e de mortos.

Essa sucessão na qual a mensagem de salvação foi primeiro anunciada pelo próprio Senhor Jesus e, que foi depois atestada por aqueles que a ouviram dos lábios do próprio Senhor, e que continua sendo transmitida de geração em geração alcançando os cantos mais remotos da terra é bem ilustrada, numa nota autobiográfica escrita por Irineu de Lion, da qual um fragmento foi preservado pelo historiador cristão Eusébio de Cesareia. Irineu que se manifestou durante a parte final da segunda metade do século II d.C., relembra os dias de sua mocidade, quando foi instruído acerca do evangelho por Policarpo de Esmirna — que foi martirizado entre 155 e 156 d.C. —, o qual tinha sido, por sua vez, discípulos do apóstolo João que tinha sido um dos apóstolos do próprio Senhor Jesus Cristo. Irineu escreve:

Eu me lembro dos acontecimentos daqueles dias, melhor do que me lembro de fatos mais recentes. Pois aquilo que meninos aprendem costuma crescer junto com suas mentes numa proximidade muito grande. Desse modo eu sou capaz de me lembra do exato lugar onde o bendito Policarpo costumava sentar e falar. Também me lembro de seus modos ao chegar e partir, e a forma como conduzia sua vida, sua aparecia física, seus discursos para o público, bem como suas narrativas acerca dos encontros que teve com o apóstolo João, e com outros que também haviam visto o Senhor. E à medida que se lembrava das palavras deles, e o que ouviu da parte deles acerca do Senhor, de seus milagres e de seus ensinamentos, tendo recebido tais informações da parte de testemunhas oculares acerca do “Verbo da Vida”, Policarpo relatou todas essas coisas em plena harmonia com as Escrituras. Essas coisas me foram contadas pela misericórdia de Deus para mim. Eu ouvi as mesmas com muita atenção e tomei notas, não em papel, mas no meu coração. E, de modo contínuo eu continuo a lembrar-me delas, por meio da graça de Deus, de modo fiel.[1]    


CONTINUA...

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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[1] Eusébio. The History of The Church in Penguin Classics. Traduzido por G. A. Williams, revisada e ampliada por Andrew Louth,. Penguin Group, London, 1989

segunda-feira, 23 de março de 2015

JOSÉ COMO TIPO DE CRISTO – GÊNESIS 39:5 - ESTUDOS 030 – JOSÉ COMO SERVO TORNOU-SE UMA BÊNÇÃO PARA OS OUTROS



Essa é uma série cujo propósito é estudar, com profundidade, a vida de José como um Tipo do Senhor Jesus Cristo. No final de cada estudo você irá encontrar links para outros estudos. A Série tem o título Geral de: José como Tipo de Cristo.

José Como Tipo de Cristo — Estudos 030

E, desde que o fizera mordomo de sua casa e sobre tudo o que tinha, o SENHOR abençoou a casa do egípcio por amor de José; a bênção do SENHOR estava sobre tudo o que tinha, tanto em casa como no campo — Gênesis 39:5

A confiança que Potifar tinha em José resultou em grandes בָרַךְ barak — bênção para ele mesmo e para todas as suas propriedades, por um simples fato: o SENHOR abençoou a casa do egípcio por amor de José. Esse verso, certamente antecipa como José se tornou o “salvador” do mundo quando passou a governar o todo o Egito —

Gênesis 41:49, 55—57

49 Assim, ajuntou José muitíssimo cereal, como a areia do mar, até perder a conta, porque ia além das medidas.

55 Sentindo toda a terra do Egito a fome, clamou o povo a Faraó por pão; e Faraó dizia a todos os egípcios: Ide a José; o que ele vos disser fazei.

56 Havendo, pois, fome sobre toda a terra, abriu José todos os celeiros e vendia aos egípcios; porque a fome prevaleceu na terra do Egito.

57 E todas as terras vinham ao Egito, para comprar de José, porque a fome prevaleceu em todo o mundo.

Não temos dúvidas que José tipifica Cristo na promessa feita por Deus a Abrão que através dele, i.e., de seus descendentes seriam abençoadas todas as famílias da terra —

Gênesis 12:3

Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra.

Da mesma maneira o Pai confiou ao Filho todos os interesses da trindade que incluíam: a manifestação do caráter divino, a glorificação do nome de Deus e a vindicação do trono eterno do Senhor sobre todos os reinos da terra. E qual foi o resultado final alcançado pelo Amado – ver Efésios 1:6 — do Pai ao assumir a forma de servo para desempenhar esse custoso trabalho — da redenção dos seres humanos? Da mesma forma como Deus abençoou Potifar e sua casa por amor de José, que é um tipo de Jesus, assim também o Egito precisa ser reconhecido como um tipo do mundo inteiro. E certamente a bênção que Deus derramou sobre a humanidade através de Jesus não pode ser comparada com as bênçãos que Deus derramou sobre Potifar e sua casa. Jesus veio a esse mundo e assumiu a forma de servo, sendo ele o próprio filho de Deus e Deus mesmo —

Filipenses 2:5—8

5 Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,

6 pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus;

7 antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana,

8 a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.
O próprio Jesus revelou o motivo porque tinha vindo a esse mundo em

Lucas 19:10 — Ele veio para salvar.

Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido.

Em outra passagem Jesus nos fala dum outro aspecto de sua vinda —

Marcos 10:45

Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.

Ele veio para servir. E esse é o desafio diário que nós temos que encarar: negarmos a nós mesmos para servir uns aos outros, como Jesus nos ensinou e demonstrou:

Marcos 10:42—45 —

42 Mas Jesus, chamando-os para junto de si, disse-lhes: Sabeis que os que são considerados governadores dos povos têm-nos sob seu domínio, e sobre eles os seus maiorais exercem autoridade.

43 Mas entre vós não é assim; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva;

44 e quem quiser ser o primeiro entre vós será servo de todos.

45 Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.

Esse é o exemplo maior que Jesus nos deixou. Somente quando servimos uns aos outros é que, realmente, contamos para o Reino de Deus!
OUTROS ESTUDOS ACERCA DE JOSÉ COMO TIPO DE CRISTO

Estudo 001 — José como Tipo De Cristo — Introdução

Estudo 002 — José como Tipo De Cristo — A Infância de José

Estudo 003 — José como Tipo De Cristo — Os Irmãos e Os Nomes de José

Estudo 004 — José como Tipo De Cristo — José Como Pastor dos Seus Irmãos

Estudo 005 — José com Tipo De Cristo — José Como o Filho Amado de Seu Pai

Estudo 006 — José com Tipo De Cristo — Jesus, o Filho e Deus Pai

Estudo 007 — José com Tipo De Cristo — José e a Túnica Talar de Distinção
Estudo 008 — José com Tipo De Cristo — O Ódio que os Irmãos de José Tinham Dele

Estudo 009 — José com Tipo De Cristo — José era Odiado por Causa de Suas Palavras

Estudo 010 — José com Tipo De Cristo — José Estava Destinado a Um Futuro Extraordinário

Estudo 011 — José com Tipo De Cristo — José Antecipa Sua Glória Futura

Estudos 012 e 013 — José como Tipo de Cristo — José Sofre nas Mãos de Seus Irmãos e Vai a Busca Deles a Pedido de Jacó

Estudos 014 e 015 — José como Tipo de Cristo — José Busca Fazer o Bem a Seus Irmãos, e É Enviado De Hebrom Para a Região de Siquém

Estudo 016 — José como Tipo de Cristo — José Vai Até a Região de Siquém

Estudos 017 e 018 — José como Tipo de Cristo — José se Torna um Viajante Errante Nos Campos e Campinas da Palestina

Estudos 019 — José como Tipo de Cristo — A Conspiração contra José

Estudos 020 — José como Tipo de Cristo — As palavras de José são Desacreditadas

Estudos 021 e 022 — José como Tipo de Cristo — José é Insultado e Humilhado e José é Lançado num Poço

Estudos 023 e 024 — José como Tipo de Cristo — José é Retirado Vivo do Poço e Os Irmãos de José Misturam Ódio com Hipocrisia

Estudos 025 e 026A — José como Tipo de Cristo — José é Vendido por Seus Irmãos e o Sangue de José é Derramado
Estudos 026B — José como Tipo de Cristo — O Futuro de Israel Profetizado em Gênesis 38

Estudos 027 e 028 — José se Torna um Servo — Jose se Torna Próspero

Estudos 029 — O Senhor de José Estava Muito Feliz com Ele

Estudos 030 — José Como Servo Foi Uma Bênção Para os Outros

Estudos 031 — José Era Uma  Pessoa Consagrada aos Outros

Estudos 032 — José Foi Duramente Tentado, Mas Resistiu à Tentação

Estudos 033 — José Foi Acusado Falsamente

Estudos 034 — José Não Tentou Se Defender das Falsas Acusações

Estudos 035 — José Sofreu nas Mãos dos Gentios

Estudo 036 e 37 — José Ganha o Reconhecimento do Carcereiro e José Foi Numerado com outros Transgressores.

Estudo 038 — José Como Instrumento de Bênção e de Condenação.

Estudo 039 — José Dá Evidências De Seu Conhecimento Quanto Ao Futuro.

Estudo 040 — As Predições de Jose se Tornam Realidades.

Estudo 041A — José Gostaria de Ser Lembrado

Estudo 041B — José Gostaria de Ser Lembrado




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Alexandros Meimaridis

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