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sábado, 2 de abril de 2016

AVIVAMENTO, TEOLOGIA DA PROSPERIDADE E CRESCIMENTO DA IGREJA


Charles Finney, defensor da ideia que a salvação depende do próprio ser humano e não de Deus

Ansiando por Avivamento

Michael Horton

Muito do que distingue a cultura norte americana - o culto da celebridade, da juventude e da inovação - nasceu na trilha de serragem dos avivalistas. O culto da Próxima Grande Coisa - quer fosse uma nova banda de rock, modismo de dieta, movimento político ou explosão espiritual ou cruzada religiosa - não é resultado simplesmente de nosso cativeiro à cultura; o fenômeno cultural mais amplo talvez nunca tivesse surgido não fossem os avivamentos. Numa sociedade anterior à televisão, os avivamentos não eram apenas influenciados pela cultura popular. Eram a cultura popular.

Há duas maneiras de entender os avivamentos. A primeira é ver o avivamento como uma “surpreendente obra de Deus”, uma “bênção extraordinária de Deus sobre seus meios ordinários de graça”. Foi assim que Jonathan Edwards via, conforme Ian Murray sumariza.[1] Deus é totalmente livre para impedir ou enviar o avivamento conforme ele deseja.

A segunda abordagem vê o avivamento como algo dentro de nosso controle - algo que pode ser encenado e gerenciado com resultados previsíveis. Se seguir os passos certos, você consegue os resultados certos. Basicamente, esta é uma abordagem tecnológica à religião. Como um gênio da garrafa, até Deus está sujeito às leis de causa e efeito. Nas palavras do evangelista do século Dezenove, Charles Finney (principal promotor desse segundo ponto de vista): “Um avivamento não é milagre nem depende em qualquer sentido de um milagre. É simplesmente o resultado filosófico do uso correto dos meios como qualquer outro efeito”. O impulso radical protestante por evidências extraordinárias e métodos extraordinários tornou-se especialmente marcante com Charles Finney. Finney definiu suas “novas medidas” como “induções suficientes para converter os pecadores”.[2]

Ironicamente, sob o verniz do derramamento do Espírito, essa espécie de avivamento era mais como o deísmo: Deus estabeleceu estas leis e agora depende de nós. Sinto a mesma espécie de coisa quando me deparo com evangelistas da prosperidade. Por mais que se fale em milagres, essas maravilhas acabam sendo totalmente naturais. Siga os passos que mando e você conseguirá o seu milagre. Será que Deus realmente é necessário nesse esquema, exceto como arquiteto original que estabeleceu tudo desse jeito?

Era feita constante pressão sobre a engenhosidade do evangelista para manter a temperatura emocional. Não era necessário somente a experiência inicial de conversão, mas uma perpétua experiência de tremedeira e abalos. “O avivamento pode diminuir ou acabar”, advertia Finney, “a não ser que os cristãos sejam frequentemente reconvertidos”.[3] Um avivamento podia ser planejado, encenado e manejado. A Grande Comissão dizia apenas “Ide”, de acordo com Finney.

Ela não prescrevia fórmulas. Não as admitia... e o objetivo dos discípulos era tornar conhecido o evangelho da maneira mais efetiva... a fim de obter a atenção do maior número possível. Ninguém pode encontrar qualquer forma de fazer isso estabelecida na Bíblia.[4]

Assim como o novo nascimento está inteiramente nas mãos do indivíduo, por meio de quaisquer “excitamentos” propensos a “induzir o arrependimento”, a igreja é concebida principalmente como uma sociedade de reformadores da moral. Em uma carta sobre avivamento, Finney escreveu o seguinte: “Ora, a grande empreitada da igreja é reformar o mundo - acabar com toda espécie de pecado. A igreja de Cristo foi originalmente organizada como corpo de reformadores… para reformar as pessoas individuais, comunidades e governos”. Se as igrejas não querem seguir isso, elas terão simplesmente de ser deixadas para trás.[5] Noutras palavras, têm de pensar como um movimento e não uma igreja.

John Williamson Nevin, contemporâneo reformado de Finney, contrastou o que chamou de “sistema do banco” (precursor do chamado ao altar) e o “sistema do catecismo”:

A antiga fé presbiteriana em que eu nasci, foi baseada na ideia de uma religião familiar do pacto, ser membro da igreja por meio do ato santo de Deus no batismo, e seguir a isso num treinamento catequético regular dos jovens, com referência direta a eles virem à mesa do Senhor. Numa palavra, tudo procedia sobre a teoria de religião sacramental e educativa.[6]

Esses dois sistemas, concluiu Nevin, “no fundo envolvem duas teorias da religião diferentes”.

A conclusão de Nevin tem sido provada pela história subsequente. Perto do final de seu ministério, ao considerar a condição de muitos que haviam experimentado os seus avivamentos, o próprio Finney indagava se esse anseio infindo por experiências cada vez maiores poderia conduzir à exaustão espiritual.[7] De fato, sua preocupação era justificada. A região onde os avivamentos de Finney eram especialmente dominantes hoje é referida por historiadores como “distrito queimado e apagado”, um berço de desilusão e proliferação de seitas esotéricas.[8]

Eventualmente, o ideal de uma experiência de conversão mensurável não apenas aumentou, como também era posta em oposição ao crescimento constante e real, o qual não se podia fazer uma fórmula padronizada de medidas. Havia passos e sinais óbvios que eram marcas verificáveis do fato de uma pessoa realmente estar “por dentro”. A rotina dos procedimentos de conversão acabaram sendo - como os das fábricas na Revolução Industrial - calculada, medida e reproduzida. Foi isto que aconteceu ao avivamentismo anglo-americano.

Cada despertamento sucessivo ou novo avivamento dizia ser radical, dispensando a bagagem do passado que pesa em sobrecarga à missão. Em relação à história da igreja, esses movimentos são, na verdade, radicais. Contudo, não tem sido nada contraculturais, especialmente no contexto americano. Os valores da democracia e da livre empresa - fundamentados na escolha individual - tornaram-se o próprio evangelho no Segundo Grande Despertamento.

O movimento de crescimento da igreja era tão culturalmente (e até mesmo politicamente) atado quanto seus críticos têm argumentado. No entanto, um dos mais alardeados críticos do movimento - o movimento emergente - não parece menos preso aos modismos culturais. Mais uma vez ouvimos as mensagens usuais de “entre nessa ou seja deixado para trás”. Temos de começar tudo de novo, dizem, com igrejas de ministérios comuns comparados a telefones públicos: ainda existem, mas ninguém os utiliza. Como na maioria das rebeliões, isso reflete reações sem discernimento para com o que identifica, quem sabe legitimamente, como sendo consumismo impensado. É fácil simplesmente mudar de partido político. Não requer esforço determinar nossas convicções doutrinárias, simpatias culturais e morais, e práticas eclesiais simplesmente por antíteses. “Tudo tem de mudar!” Acabem com os pastores que pregam sermões; vamos fazer um diálogo com a Bíblia como um dos parceiros da conversa. Compartilhamos nossa jornada. Em qualquer caso, não se trata de frequentar a igreja e sim de ser igreja, não sobre ouvir o evangelho, mas ser o evangelho. O discernimento informado é algo de que o evangelicalismo, através de todas as suas “tribos”, agora parece carecer desesperadamente.

Há muitos hoje que pensam como Edwards, mas agem como Finney. Em Head and Heart (Cabeça e Coração), o historiador católico Garry Wills observa:

A reunião no acampamento marcou o modelo para o credenciamento dos ministros evangélicos. Eram validados pela reação da multidão. O credenciamento organizacional, a pureza doutrinária e a educação pessoal eram inúteis aqui - de fato, alguns ministros mais cultos tinham até de fingir ignorância. O pastor era ordenado pelo seu inferior, pelos convertidos que ele conseguia. Isso era um procedimento ainda mais democrático do que a política eleitoral, onde um candidato representava um ofício e gastava algum tempo fazendo campanha. Esta era uma proclamação espontânea e instantânea realizada pelo Espírito. Essa religião faça você mesmo pedia um ministério “realize por você mesmo”.[9]

Wills repete a conclusão de Richard Hofstadter de que “o sistema de estrelas não nasceu em Hollywood, mas na trilha de serragem dos avivalistas”.[10]

Existem numerosas instruções no Novo Testamento sobre ofícios da igreja e as qualificações dos oficias, pregação, os sacramentos, oração pública e disciplina. Em marcante contraste, não há instruções sobre avivamentos - nem mesmo exemplos. Encontramos no livro de Atos o relato da obra extraordinária do Espírito por meio dos apóstolos. Por todo o relato de Lucas, encontramos a expressão, “E se espalhava a Palavra de Deus”. Era assim que o jardim de Deus crescia. O ministério deles, junto com os sinais e maravilhas que o certificavam, permanecem como as marcas indeléveis da verdade da sua mensagem para nós hoje. Como a Sexta-feira Santa e a Páscoa, Pentecostes foi um evento não repetível na história da redenção, e é um presente que continua frutificando, por meio do ministério corriqueiro.

Muitas das razões que damos para a necessidade de avivamento (letargia no evangelismo e missões, falta de uma experiência genuína da graça de Deus, frieza na oração, aumento dos vícios e da infidelidade, dos males sociais, etc.) são problemas que o ministério comum precisa tratar a cada semana. O anseio por avivamento não somente pode levar-nos a tratar esse ministério como inócuo; pode sutilmente justificar um estado inaceitável no ínterim. Outra questão é a extensão à qual um anseio por avivamento tem sido entretecido na religião civil. O antídoto ao nervo moral decaído e ao fervor patriótico é o avivamento. Entre outros problemas, isso transforma o evangelho em meio para se atingir um fim. A missão da igreja não é mais entregar a Cristo com todos os seus benefícios salvíficos aos pecadores; é principalmente agir como “alma da nação”, conduzi-la adiante e para cima até seu destino excepcional.

Este tem sido o ciclo vicioso do avivalismo evangélico desde então: um pêndulo que oscila entre entusiasmo e desilusão, ao invés de manter firme maturidade em Cristo mediante a participação na vida ordinária da comunidade do pacto. A pregação regular de Cristo a partir de toda a Escritura, Batismo, Santa Ceia, orações de confissão e louvor, e todos os demais aspectos da comunhão cristã ordinária são vistos como comuns demais. Se concordamos com isso depende em grande parte se cremos que é Deus que salva os pecadores ou se achamos que salvamos a nós mesmos com a ajuda de Deus.

Impelidos para lá e para cá com todo vento de doutrina e muitas vezes nenhuma doutrina, aqueles que foram criados no evangelicalismo se acostumaram ao super e a eventos cataclísmicos de intensa experiência espiritual que, no entanto, se desgastam. Quando as experiências acabam, frequentemente existe muito pouco para impedi-los de tentar formas diferentes de terapias espirituais ou de caírem totalmente fora da corrida religiosa.

Não será surpresa que eu prefira a primeira abordagem: avivamento como uma bênção extraordinária de Deus sobre seus meios ordinários de graça. Olhando em retrospectiva para a história da igreja, vemos alguns momentos notáveis em que - contra todas as condições humanas - o Espírito abençoou o ministério de sua Palavra de maneiras extraordinárias. Se o Senhor for enviar outra bênção dessa espécie, devemos nos deleitar em sua surpreendente graça.

Os pregadores de avivamento do passado, mais notavelmente Edwards e Whitefield - e em grande extensão João Wesley - ainda acreditavam que o avivamento era uma bênção extraordinária sobre os meios ordinários da graça de Deus. No livro de Atos encontramos muitos exemplos de experiências óbvias de conversão - frequentemente associadas a fenômenos extraordinários. Porém, é sempre mediante o ministério da Palavra. Mesmo quando um anjo apareceu ao centurião romano, Cornélio, em Atos 10, a mensagem era mandar chamar a Pedro para que ele viesse pregar o evangelho a ele, à sua casa e aos seus soldados. Ouvindo a mensagem, Cornélio e muitos outros creram e foram batizados. Assim, mesmo na era do extraordinário ministério dos apóstolos, os meios ordinários da graça estão na frente e no centro.

Porém, mesmo que seja visto como obra gratuita de Deus e que não tenhamos o direito de exigir nem o poder para controlar, será que o foco no avivamento não contribui para nossa insatisfação com as bênçãos ordinárias de Deus em seus meios ordinários? Estou inclinado a pensar que este é - e tem sido o caso. Observamos esse perigo até mesmo no primeiro Grande Despertamento. Tem sido dito que George Whitefield foi a primeira celebridade dos Estados Unidos. Isso não denigre o seu caráter. De muitas formas, Whitefield demonstrou notável humildade. Para cima e para baixo pela costa Atlântica, porém, os seus eventos de avivamento dividiam as igrejas. Questionar os métodos inovadores que estavam sendo empregados seria apagar o Espírito. Denúncias de diversos pastores como sendo não convertidos, simplesmente por eles terem questionado o avivamento, dividiam até os calvinistas coloniais.

Assim, enquanto temos toda razão ao destacar avivamentos como entendiam Edwards e Whitefield, em contraste ao avivalismo que veio a ser identificado com Finney e o Segundo Grande Despertamento, quero insistir na questão mais profunda: Será que o anseio intenso por avivamento é, em si mesmo, parte do problema, alimentando a expectação febril pelo Próximo Grande Evento? Já não é suficientemente notável que o próprio Jesus Cristo fale conosco sempre que a sua Palavra é pregada a cada semana? Não é milagre bastante que um jardim viçoso esteja florescendo no deserto dessa presente época do mal? Não basta a maravilha de que o Espírito ainda esteja ressuscitando aqueles que estão espiritualmente mortos para a vida, mediante essa pregação do evangelho? Será o batismo de água um compromisso externo, o qual fazemos em resposta a uma decisão que nós fizemos de nascer de novo? Ou não seria um meio da graça milagrosa de Deus? Não é suficiente que os que pertencem a Cristo estejam crescendo na graça e no conhecimento de sua Palavra, fortalecidos na fé pela administração regular da Ceia, comunhão na doutrina, oração e louvor, dirigidos por presbíteros e servidos por diáconos? Não tende esse anseio por avivamento a dar a impressão de que entre os avivamentos há calmarias em que o Espírito não está ativo, pelo menos no mesmo poder ou grau de poder através desses meios que Cristo designou?

Da perspectiva do Novo Testamento, o que acontece todo dia nas igrejas através da América e por todo o mundo é o que realmente importa em termos de arrependimento e fé. O problema é que muitas igrejas que anseiam o avivamento querem isso para consertar nossos males espirituais como nação, mas, sem saber, são propagadores da secularização das pessoas nos bancos das igrejas a cada semana. Não é apenas este ou aquele avivamento, a meu ver, mas o próprio anseio por avivamento que trabalha contra o meio paciente, difícil, frequentemente entediante, no entanto, maravilhosamente efetivo que Deus ordenou para a expansão de seu reino.  O pragmatismo passa a ser a norma. Passado e presente têm de ser esquecidos. Deus está fazendo algo completamente novo entre nós, que não pode ser limitado a vasos antigos. É este modo de pensar que nos tira da pregação fiel, da administração dos sacramentos, e da responsabilidade mútua pela vida e doutrina na comunhão dos santos.

Notas:

[1] Ian Murray, Revival and Revivalism: The Making and Marring of American Evangelicalism, 1750 – 1850 (Edinburgh: Banner of Truth, 1994). Acho persuasiva e útil sua distinção entre avivamento e avivamentismo. No entanto, fica aberta e pergunta se a ênfase anterior também não prejudicou o ministério ordinário.

[2] Ironicamente, Finney tinha ponto de vista ex opere operato das próprias novas medidas que jamais permitiram o batismo e Ceia. Quanto à carga pelagiana, a Systematic Theology (Minneapolis: Bethany, 1976) de Finney nega explicitamente o pecado original e insiste em que o poder da regeneração está nas mãos do próprio pecador, rejeitando qualquer noção substitutiva da expiação em favor das teorias de influência moral e governo moral, considerando a doutrina da justificação por justiça de outrem como sendo “impossível e absurda”. Na verdade, Roger Olson, em sua defesa do Arminianismo, vê a teologia de Finney como estando muito além do âmbito arminiano (Arminian Theology [Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 2006], 27). É assim ainda mais notável que Finney tenha ocupado lugar tão distinto entre os evangélicos, como ilustra o tributo a ele no Centro Billy Graham (em Wheaton, Illinois). Não nos admira que a religião norte-americana pareceu a Bonhoeffer como sendo “Protestantismo sem a Reforma”.

[3] Charles G. Finney, Revivals of Religion (Old Tappan, NJ: Revell, n.d.), 321.

[4] Citado por Michael Pasquarello III, Christian Preaching: Trinitarian Theology of Proclamation (Grand Rapids: Baker Academic, 2007), 24.

[5] Charles Finney, Lectures on Revival (2nd ed.; New York: Leavitt, Lord, 1835), 184 – 204. “Lei, recompensas e castigos - essas coisas e afins estão no coração e alma da persuasão moral... Meus irmãos, se os corpos eclesiásticos, faculdades, e seminários apenas avançassem - quem não lhes desejaria a bênção de Deus? Mas se eles não progridem - se nós não ouvimos deles nada senão queixas, denúncias, repreensões com respeito a quase todos os ramos de reforma, o que poderá ser feito?”

[6] John Williamson Nevin, The Anxious Bench (London: Taylor & Francis, 1987), 2 – 5.

[7] Veja Keith J. Hardman, Charles Grandison Finney: Revivalist and Reformer (Grand Rapids, Baker, 1990), 380 – 94

[8] Veja, por exemplo, Whitney R. Cross, The Burned-Over District: The Social and Intellectual History of Enthusiastic Religion in Western New York, 1800 – 1850 (Ithaca, NY: Cornell University Press, 1982).

[9] Garry Wills, Head and Heart: American Christianities (New York: Penguin, 2007), 294.

[10] Ibid., 302.

Este artigo é um trecho do livro Simplesmente Crente, lançamento de Março/2016 da Editora Fiel.

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

Michael Horton

Michael Horton é professor de Apologética e Teologia Sistemática na Westminster Seminary California (EUA).

O artigo original poderá ser visto por meio desse link aqui:


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Alexandros Meimaridis

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domingo, 28 de fevereiro de 2016

NATANAEL RINALDI: UM DEFENSOR DA VERDADEIRA FÉ EM CRISTO

 
Natanael Rinaldi

O artigo abaixo é da autoria do irmão Johnny Bernardo.

Perdemos o apologista Natanael Rinaldi
Por Johnny Bernardo em 24 de fevereiro de 2016        

A morte do Pastor e apologista Natanael Rinaldi (às 4h30 da manhã de hoje, 24/2), põe fim ao ciclo da “apologética combativa” no Brasil. Advogado por profissão, Rinaldi foi um dos principais responsáveis pela difusão e crescimento da Apologética no país. Era o ano de 1983 quando o Dr. Walter Martin veio ao Brasil para proferir uma série de palestras. “Suas reuniões, tanto no Rio de Janeiro como em São Paulo, causou um impacto de tal dimensão que ele viu-se persuadido a iniciar uma extensão do seu ministério em nosso país”, lembra o também Pastor e apologista Paulo Romeiro em prefácio do volume II da Série O Império das Seitas (Editora Betânia, 1992, p.10). Um ano depois é aberto em São Paulo o escritório do Instituto Cristão de Pesquisas (ICP) que teve como primeiro presidente o Dr. Aristóteles Alencar e o Pr. Dr. Natanael Rinaldi como o segundo secretário da filial norte-americana no Brasil.

De segundo secretário do ICP, Natanael Rinaldi assumiu a direção do instituto alguns anos depois, fato que contribuiu com a expansão do instituto no território nacional. Apologista combativo começou sua trajetória na área após alguns embates com adeptos da Igreja Adventista do Sétimo Dia, grupo religioso que abordaria com maior profundidade ao longo de seu ministério. No ICP organizou palestras, simpósios, seminários e colaborou com a criação, em 1996, da revista Defesa da Fé, da qual também fez parte nosso amigo Jamierson Oliveira. Também foi o responsável pela criação do programa de rádio Defesa da Fé, que ia ao ar em diversas emissoras do Brasil. Segundo editor da DF, Oliveira descreve o Pastor Rinaldi como um “teólogo respeitadíssimo, com uma carreira de mais de 60 anos de defesa da fé cristã”. Em 2000 foi publicada a primeira edição da Bíblia Apologética Cristã, tendo Jamierson Oliveira como editor e Natanael Rinaldi como Coordenador Teológico.

Com o início da segunda fase da atuação do ICP assume a direção do instituto o Pr. Antônio Fonseca. Rinaldi é mantido como presidente de honra e, anos depois, devido à idade avançada, diminuiu o ritmo de viagens e atividades internas para se dedicar aos trabalhos da Igreja Evangélica da Paz (IEP), com sede em Santos e ao programa Consultando a Bíblia (programa este que resultaria no recente lançamento de um livro com o mesmo nome). Apesar da diminuição das atividades o Pastor Natanael Rinaldi continuou contribuindo com a Apologética brasileira, seja como articulista em alguns eventos, publicação de artigos em portais como CACP, e realização da Conferência Apologética Natanael Rinaldi, na igreja-sede da IEP. Não obstante o esforço de Rinaldi, sua honrada participação na direção do ICP, e seu desejo obstinado de defesa da fé, entre o final da década de 90 e inicio do século XXI a imagem da Apologética brasileira sofreu um revés com uma série de desentendimentos e disputas no âmbito do Instituto Cristão de Pesquisas.

Além das disputas internas dentro do instituto outros fatores contribuíram com o término da fase combativa, como uma mudança de enfoque na área. A nova fase é marcada por uma apologética com maior ênfase teológica e menos combativa, a exemplo do enfoque editorial de institutos como o Núcleo Apologético de Pesquisas e Ensino Cristão (NAPEC); e da extinta revista Apologética Cristã, esta com edição de Jamierson Oliveira. Faço parte do NAPEC como articulista e também tive o privilégio de assinar algumas matérias de capa da Apologética Cristã. Portanto, sou testemunha da mudança de enfoque teológico e apologético que passou a vigorar na virada do século. Atualmente apenas o Centro Apologético Cristão de Pesquisas (CACP) mantém um enfoque apologético combativo, porém muito aquém do que já foi a Apologética. Em busca de um norte o instituto fez parceria com Natanael Rinaldi, razão pela qual conseguiu dar sustentabilidade ao trabalho desenvolvido quase que unilateralmente por seu fundador, o Pastor João Flávio Martinez.

Na verdade, os antigos e os novos apologistas brasileiros perderam seu referencial.  O Pastor e Doutor Natanael Rinaldi faleceu uma semana após sua esposa, Paulina Rinaldi. Que Deus console sua família, amigos e membros da Igreja Evangélica da Paz. A apologética não será mais a mesma.

Por Johnny Bernardo

Johnny Bernardo é jornalista, pesquisador da religiosidade brasileira e das relações entre religião e sociedade, colunista do Gnotícias e do Núcleo Apologético de Pesquisas e Ensino Cristão (NAPEC).

O artigo original poderá ser lido por meio desse link aqui:


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Alexandros Meimaridis

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quarta-feira, 27 de maio de 2015

DESAGRAVO CONTRA BÍBLIAS QUE ESPALHAM HERESIAS




Petição Pública Brasil Logotipo
Desagravo contra as "bíblias" do Thalles Roberto e "apostólica" do Ap. Estevam Hernandes e outras publicações disseminadoras de heresias com o selo da SBB

Para: Orgãos Diretivos da Sociedade Bíblica do Brasil - SBB


Prezados dirigentes, conselheiros e membros da Assembleia Administrativa, da Diretoria e do Conselho Consultivo da Sociedade Bíblica do Brasil.

Nós, cristãos evangélicos abaixo-assinados, recebemos com extrema preocupação notícias referentes a publicações inadequadas produzidas em parceria com a Sociedade Bíblica Brasileira e, por esta conta, levamos às instancias dirigentes desta nobre instituição nossas preocupações a fim de que sejam tomadas as medidas cabíveis a fim de corrigir os erros introduzidos a seguir.

Reconhecemos a excelência dos serviços prestados pela SBB na promoção e difusão da Bíblia e sua mensagem no território nacional e louvamos a Deus por sua missão que reconhece o texto sagrado como instrumento de transformação e desenvolvimento integral do ser humano.

Como cristãos evangélicos, temos esta instituição na mais alta conta e reconhecemos que o selo da SBB em qualquer publicação representa uma chancela de qualidade e excelência, digna de recomendação, sem qualquer restrição.

E, justamente por pensarmos assim, e tendo contribuído para o reforço desta mesma percepção junto aos nossos irmãos em Cristo, assistimos com extrema preocupação a participação da SBB em projetos que consideramos deletérios para o Reino de Deus.

Acreditamos ser uma temeridade a participação desta instituição na consultoria, na co-edição, na promoção, na impressão oficializada e pública e no oferecimento da chancela do selo SBB a projetos de publicações de Bíblias comentadas, anotadas, temáticas e outras em parceria com instituições já dadas por inidôneas pela maioria dos evangélicos, promotoras de heresias e até tidas como seitas por denominações protestantes históricas.

Entre outras publicações deletérias, citamos publicações, tais como, a Bíblia Apostólica comentada por Estevam Hernandes, a IDE, a Bíblia do Thalles Roberto e outras como exemplos de grande inadequação aos propósitos do Reino de Deus.

Apenas para nos ater a alguns exemplos, nas publicações citadas, temos na Bíblia apostólica, um prefácio de Rene Terra Nova, onde o mesmo escreveu:

“Creio que é chegado um tempo de unidade no Reino, um tempo no qual precisamos nos apegar ainda mais à Verdade, Jesus, para vermos o manto apostólico sendo estabelecido sobre nossa nação [...] esta Bíblia será como uma bússola que fará com que você caminhe sempre e sempre em direção à Verdade Maior, Jesus. E nada melhor do que um apóstolo para conduzi-lo por estas linhas de decisão [...] E você será adestrado para este tempo profético e apostólico que estamos vivendo através desta Bíblia que está em suas mãos“.

Em textos de divulgação, o senhor Terra Nova relativiza a importância dos princípios da Reforma Protestante para esses dias e afirma que o tempo e a visão de Deus para este tempo da Igreja é a tal visão apostólica e celular, inomináveis heresias para a maioria dos evangélicos.

E, no mesmo texto, o autor segue com descarada exaltação humana e idolatria à figura do comentador da referida publicação, uma atitude lamentável que não encontra lugar junto às Sagradas Escrituras:

“Estevam é um líder incansável! Tenho visto isso na sua vida e história, que se tornou uma espécie de GPS apostólico, pois muitos não tinham coragem de romper e adotar a nomenclatura (de apóstolo). Depois que ele abriu o caminho, todos estão logrando êxito em muitas áreas dos seus ministérios. Por trás, porém, existe esse estimulador de valores, um homem que treinou muitos generais de guerra no mundo espiritual.”

Será que a SBB concorda que a direção da Igreja de Cristo é agora o GPS apostólico iniciado por Estevam Hernandes; ou ainda estaria Cristo assentado no trono e no governo de Sua Igreja?

Vale lembrar à diretoria da SBB que tudo acima é apenas uma introdução ao conjunto de anotações de Estevam Hernandes ao texto bíblico, as quais, promovem diversas heresias incluindo: a teologia da prosperidade, a confissão positiva, a existência de unções extraordinárias e a sua transferência a discípulos de apóstolos modernos, a autoridade dos apóstolos modernos para liberar bênçãos, amaldiçoar pessoas e para o estabelecimento de novos dogmas para a Igreja e, por fim, o poder de apóstolos para retificar o texto bíblico. Como se isto não fosse absurdo o bastante, as referidas anotações da autoria de Estevam Hernandes pretendem oferecem subsídios bíblicos para a equiparação (e até a superação) de poder dos tais "apóstolos" modernos, àqueles santos instituídos por nosso Senhor Jesus Cristo. Segue ainda, na mesma obra, equívocos grotescos relativos a batalha espiritual e a descabida ênfase na obtenção de ofertas monetárias, sendo que a publicação chancelada pela Sociedade Bíblica do Brasil oferece dezenas de esboços de pregação para este fim arrecadador, alguns destes quase infames na sua ênfase mercantilista no culto ao Senhor.

Já na “Bíblia do Thalles Roberto ”, além dos erros acima apontados, já que se trata de publicação derivada, se encontra junto ao texto sagrado diversas letras e musicas, da autoria do referido "ídolo" gospel, cheias de futilidade, carnalidade e com graves equívocos doutrinários, bem como, a promoção de valores mundanos. Ademais, acha-se inacreditável quantidade de fotografias, testemunhos e textos de exaltação da carreira do artista gospel, coisa que não tem lugar no contexto cristão, tanto mais neste excelso invólucro, a nossa Bíblia.

Para além da eventual participação ativa da SBB no projeto e na edição destes materiais, acreditamos que a simples presença do selo da SBB nestas publicações, a acusação de impressão do material em suas gráficas, do uso da versão traduzida do texto bíblico ou, ainda, a mera divulgação de sua co-produção nas peças promocionais destas obras transferem às mesmas e às instituições a estas associadas o prestígio e a confiança que a SBB goza junto a comunidade cristã evangélica. Neste sentido, a Sociedade Bíblica do Brasil termina por qualificar, testificar e aprovar implicitamente as heresias e inadequações diversas constantes nestas obras, transformando tais publicações em poderosos veículos de disseminação de blasfêmias entre o povo cristão.

Compreendemos os desafios impostos pelo mercado e a necessidade de recursos exigidos para manter esta obra. Temos ciência das eventuais tentações de ordem financeira, contudo, a SBB não precisa e não merece esta mácula nos anais de sua história.

A fim de manter a credibilidade desta instituição entre os líderes cristãos que indicam as suas publicações e confirmam a sua seriedade, rogamos que a SBB revise as políticas comerciais que levaram a sua direção executiva a fomentar tais parcerias e a produzir este tipo de material, resguardando esta nobre instituição de associações temerárias.

O mercado editorial está inundado de Bíblias Temáticas, comentadas e anotadas de propósito edificante, mas também com muitas de propósito duvidoso. Neste ritmo que caminha o segmento editorial evangélico, não estamos longe de acharmos nas livrarias a “bíblia da prostituta evangélica", ladeada da "bíblia do gay cristão", da "do bom ladrão" e da "bíblia do cachorro crente". Instituições como a SBB precisam encontrar a boa medida no caso das Bíblias Temáticas e Anotadas e ser a referencia para o segmento, jamais um exemplo de mais imundícia.

Lembramos aos mesmos dirigentes que o propósito da SBB está em conformidade com a diretiva bíblica e que a sua missão de promover a sã doutrina deve estar acompanhada da refutação de heresias, conforme Tito 1:9.

Da mesma forma, cabe a todo o cristão zelar pela sã doutrina herdada, bem como denunciar o pecado da blasfêmia, sob pena de se associar com a iniquidade, conforme Levítico 5:1.

No Amor de Cristo, abaixo assinamos em petição e encaminhamos às instâncias diretivas da Sociedade Bíblica do Brasil.

A petição original poderá ser vista por meio desse link aqui:


E você poderá assinar a petição diretamente por meio desse link aqui:


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

APOCALIPSE: INTRODUÇÃO E AS CARTAS ÀS SETE IGREJAS DA ÁSIA — SERMÃO 008 -APOCALIPSE 2:12-17 – UMA CARTA PARA A IGREJA EM PÉRGAMO — PARTE 001



O objetivo dessa série é apresentar os três primeiros capítulos do Livro do Apocalipse. Neles vamos encontrar uma REVELAÇÃO muito especial da pessoa de Jesus Cristo. Cremos que é disso que a Igreja dos nossos Dias precisa: Um encontro pessoal e profundo com o Senhor que diz de si mesmo: Eu sou o Alfa e Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso. No Final de cada estudo o leitor encontrará os links para os estudos seguintes:

LIVRO DO APOCALIPSE — INTRODUÇÃO E AS CARTAS ÀS SETE IGREJAS DA ÁSIA  

Texto: Apocalipse 2:12—17  

Introdução.

A. O tema principal da igreja em Pérgamo é: A VERDADE. 
B. Esse é um aspecto da fé cristã que tem sido deixado de lado pela vasta maioria das pessoas nesse mundo que se chamam de cristãs. É um problema antigo. Paulo diz o seguinte a esse respeito: 
2 Timóteo 4:3—4 
3  Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; 
4  e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas. 
C. Nos dias da Reforma Protestante do século XVI, houve uma séria tentativa de se restabelecer o reino da VERDADE nos corações das pessoas. 
a. Lutero disse: A paz, se possível, mas a verdade, a qualquer preço. 
b. Calvino disse: Cabe a nós submeter o nosso juízo e entendimento à verdade de Deus conforme testemunhada pelo Espírito. 
c. Zwinglio disse: E, quanto à verdade, não podemos abandoná-la, mesmo que isso implique na perda de nossa vida, pois não vivemos para esta geração, nem para servir aos príncipes, mas para o Senhor. 
D. E assim poderíamos seguir citando um reformador após o outro acerca de quanto eles valorizavam a verdade. 
E. Mas da Reforma Protestante até os dias de hoje, a VERDADE foi, novamente, deixada de lado, e como o homem não muda, nós iremos ver que a situação dos dias de hoje é muito semelhante àquela vivida pela igreja em Pérgamo. 
F. Como aconteceu com as cartas dirigidas a Éfeso e a Esmirna, essa também começa com uma afirmação acerca do conhecimento de Jesus que diz: Conheço o lugar em que habitas — Apocalipse 2:12. Novamente temos grande consolação nessas palavras porque Jesus não apenas conhece nossas obras — como em Éfeso — Jesus conhece nossas dificuldades e tribulações — como em Esmirna — mas Jesus conhece também o lugar onde vivemos. 
G. Ele sabe que aqui onde vivemos nós estamos cercados por pessoas não cristãs, sabe que sofremos pressões por todos os lados, que existem muitas doutrinas estranhas sendo ensinadas e muitas seitas estrangeiras se espalhando pela cidade. 
H. Então vamos começar nosso estudo dessa importante carta e de seu tema tão crucial para todos nós: 
A CARTA ENVIADA À IGREJA EM PÉRGAMO — PARTE 001 
I. Pérgamo 
A. A cidade de Pérgamo era muito conhecida na Antiguidade com um grande centro das religiões pagãs. A cidade existe até os dias de hoje e seu nome moderno é Bergama.


Cidade moderna de Bergama, antiga Pérgamo
B. Em Pérgamo estava ocorrendo uma grande batalha, não entre o bem e o mal, mas entre a VERDADE e a mentira! 
C. A cidade de Pérgamo estava localizada cerca de 90 quilômetros ao norte de Esmirna. A cidade não era, como as duas anteriores, uma cidade portuária. De fato estava a mais de 20 quilômetros da costa no vale do rio Caicus. 
D. Qualquer visitante de Pérgamo não poderia deixar de notar a grande quantidade de altares e templos que existiam espalhados por toda a cidade. A sensação em Pérgamo era a mesma experimentada pelo Apóstolo Paulo quando visitou Atenas, conforme lemos em —  
Atos 17:16  
Enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu espírito se revoltava em face da idolatria dominante na cidade. 

Entrada da Acrópole de Pérgamo

E. A acrópole de Pérgamo estava localizada numa colina íngreme com 300 metros de altura em relação ao vale do rio Caicus e, próximo do topo da colina, existia um gigantesco altar construído para honra o deus grego Zeus.

 
F. Outras divindades eram adoradas, especialmente os deuses gregos Dionísio — o deus do vinho — e Asclépio ou Esculápio — o “deus salvador” — ou deus da Cura. As ruínas de seu gigantesco templo ainda podem ser vistas até os dias de hoje. Apesar de ter se iniciado na cidade grega de Epidavros, o culto a Esculápio estava agora centrado em Pérgamo. 


Templo de Esculápio em Pérgamo

II. O Culto Imperial 
A. A adoração aos imperadores romanos teve início em Pérgamo no ano 29 a.C., quando a cidade foi autorizada a edificar um templo para o imperador romano César Augusto. Como acontecia com o culto a Esculápio, o culto ao imperador romano tinha seu centro na cidade de Pérgamo. 
B. Não é difícil notarmos que em Pérgamo o anticristo era muito mais importante que o próprio Cristo. O que Jesus tinha para dizer para sua igreja que se encontrava oprimida no meio de tanta falsidade? 
III. A Preocupação Número um de Cristo era com a Verdade 
A. O Cristo ressuscitado dentre os mortos e exaltado à destra de Deus, está profundamente preocupado com a VERDADE. Tanto com a preservação, quanto com a difusão da mesma. Esse é o tema central dessa carta. 
B. Jesus elogia a Igreja em Pérgamo ao dizer: conservas o meu nome e não negaste a minha fé — Apocalipse 2:13. 
C. Mas junto com o elogio, vem uma repreensão, porque apesar de se manterem fiéis ao Senhor, eles também toleravam a existência de certos falsos profetas na Igreja. 
D. A acusação de Cristo é bem clara: Tenho, todavia, contra ti algumas coisas, pois que tens aí os que sustentam a doutrina de Balaão — Apocalipse 2:14. 
E. Essa tolerância permitia a mistura da VERDADE do Evangelho com diversas falsas doutrinas que não podiam ser aceitas nem toleradas, pois as mesmas acabam por destruir a verdadeira fé das pessoas. 
F. Jesus deseja que nos apeguemos com todas as nossas forças à VERDADE. 
IV. Temos que Ter Amor Pela VERDADE 
A. Temos que notar que para Jesus, o AMOR e a VERDADE estão no mesmo nível. 
B. Não é incomum encontrando pessoas argumentando que o Amor deve estar acima de tudo, até mesmo da VERDADE. Mas essas pessoas não entendem que a VERDADE é tão importante quanto o AMOR, porque Jesus é a própria personificação tanto do AMOR quanto da VERDADE. Portanto, não podemos e nem devemos priorizar o primeiro sobre a segunda, mas aceitar o que a Bíblia nos ensina acerca dessas coisas. 
C. Deve ser evidente para todos nós que Jesus não compartilha com a falta de preocupação de certas pessoas com respeito à VERDADE. 
D. Além de chamar a si mesmo de a VERDADE, Jesus também disse o seguinte: 
João 8:12 
De novo, lhes falava Jesus, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida. 
E. Jesus detesta tanto o desvio de alguns quanto a indiferença dos outros pelos ensinamentos errados — ver Apocalipse 2:14 —15. 
F. É por esse motivo que Cristo demanda que a Igreja em Pérgamo se arrependa: Portanto, arrepende-te — Apocalipse 2:16. 
V. A Verdade Realmente Importa? 
A. Será que a situação em Pérgamo era mesmo tão séria como Cristo parece indicar? 
B. O que Cristo quer nos ensinar é que existem realidades com respeito às quais não podemos abrir mão da manutenção das mesmas a qualquer custo, mas isso não envolve todas as situações da vida cristã. Algumas coisas são de fato importantes e cruciais e outras nem tanto. 
C. Rupert ou Pedro Meldenius no século XVII disse o seguinte: Nós devemos preservar a unidade nas coisas essenciais, a liberdade nas não essenciais e o amor em todas as coisas. 
D. O que seriam verdades essenciais para os crentes em Pérgamo? E essas verdades valem também para nós hoje? 
F. Falaremos mais acerca disso na próxima mensagem. 
Conclusão:

A. No dia em que Jesus compareceu diante de Pilatos, esse lhe fez a seguinte pergunta:

João 18:38

Perguntou-lhe Pilatos: Que é a verdade? Tendo dito isto, voltou aos judeus e lhes disse: Eu não acho nele crime algum.

B. É óbvio que Pilatos não esperou pela resposta de Jesus. Mas a resposta é a seguinte: Existem dois aspectos acerca do que é VERDADE.

1. Primeiro nós temos o fato de que a VERDADE é a própria Palavra do Deus Vivo, como revelada na Bíblia, segundo as Palavras do próprio Cristo:

João 17:17

Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.

2. Essa é a Palavra Escrita de Deus.

3. Porém mais importante ainda que a Palavra Escrita de Deus é a Palavra Viva de Deus, que é o próprio Senhor Jesus Cristo. Jesus disse isso acerca de si mesmo:

João 14:6

Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.

C. O amor sem a verdade não passa de sentimentalismo. E a verdade sem amor não passa de uma cruel opressão. Precisamos tanto do Jesus que é AMOR, quanto do Jesus que é a VERDADE.

D. Jesus nos prometeu o seguinte:

João 8:31—32

31 Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos;

32 e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.

E. Um dos maiores problemas da igreja moderna é que desobedecemos de forma aberta aos ensinamentos claros das Escrituras, enquanto estamos prontos para brigar por coisas que não são essenciais. Quando iremos aprender?

Que Deus abençoe a todos.



OUTRAS MENSAGENS ACERCA DO APOCALIPSE: INTRODUÇÃO E CARTAS ÀS SETE IGREJAS

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APOCALIPSE 1:1—20 — SERMÃO 002 — UMA VISÃO DE JESUS CRISTO — PARTE 001

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APOCALIPSE 2:12—17 — SERMÃO 012 — UMA CARTA PARA A IGREJA EM PÉRGAMO — PARTE 005 FINAL

APOCALIPSE 2:18—29 — SERMÃO 013 — UMA CARTA PARA A IGREJA EM TIATIRA — PARTE 001

APOCALIPSE 2:18—29 — SERMÃO 014 — UMA CARTA PARA A IGREJA EM TIATIRA — PARTE 002

APOCALIPSE 2:18—29 — SERMÃO 015 — UMA CARTA PARA A IGREJA EM TIATIRA — PARTE 003

APOCALIPSE 2:18—29 — SERMÃO 016 — UMA CARTA PARA A IGREJA EM TIATIRA — PARTE 004

APOCALIPSE 2:18—29 — SERMÃO 017 — UMA CARTA PARA A IGREJA EM TIATIRA — PARTE 005

APOCALIPSE 2:18—29 — SERMÃO 018 — UMA CARTA PARA A IGREJA EM TIATIRA — PARTE 006 — FINAL

APOCALIPSE 3:1—6 — SERMÃO 019 — UMA CARTA PARA A IGREJA EM SARDES — PARTE 001

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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