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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

E A EUROPA? QUEM DIRIA QUE DEPOIS DE 2000 ANOS DE CRISTANDADE SE TRANSFORMARIA NESSE RIDÍCULO AMONTOADO DE PAÍSES.


Alemanha
Manifestação na Alemanha contra a "islamização do Ocidente"

Quando Paulo cruzou o Helesponto também chamado de Estreito de Dardanelos e passou da Ásia para a Europa, chegando à cidade de Filipos, teve início à pregação do Evangelho da Graça de Deus no continente europeu. Mas o que nos chama a atenção é que nesses dois mil anos de existência na Europa, a fé cristã conseguiu progredir muito pouco. Desde cedo a mesma foi tomada por falsos senhores que afastaram o povo do verdadeiro Senhor, que é Jesus Cristo. A subversão foi sempre muito escandalosa. Como prova do que estamos dizendo queremos apresentar duas afirmações muito importantes acerca desse desvio, praticamente sem volta, da fé cristã nisso que passou a ser chamado de cristandade. Quando usamos esse termo “cristandade” a nossa intenção é denunciar essa religião falsa, espalhada pelo mundo, que se auto-intitula de cristã. Eis as duas afirmações:

1. “A cristandade é um esforço da raça humana para voltar a andar de quatro, de se livrar do Cristianismo, mas fazê-lo de modo classudo sob o pretexto de que é a representação do verdadeiro Cristianismo, clamando que este é o Cristianismo aperfeiçoado.”[1]

2. “Como foi possível dentro da história do Cristianismo, o surgimento de uma sociedade, de uma cultura e de uma civilização até, que são o exato oposto daquilo que podemos ler na Bíblia, seja na lei de Deus, nos profetas, nos ensinos de Jesus ou nos escritos de Paulo?”[2]

Essas duas afirmações são suficientes para deixar claro o distanciamento experimentado pela chamada cristandade da Pessoa do Senhor Jesus Cristo, de Deus, o Pai e do Espírito Santo de Deus. E vemos isso, de forma muito característica no continente chamado Europeu. Um continente com quase 2000 anos de história “cristã”.

O artigo abaixo foi publicado no site da revista Carta Capital e é de autoria de Gianni Carta.  

A xenofobia cresce na Europa

A extrema-direita em toda a União pretende barrar ou expulsar imigrantes
Por Gianni Carta

Dois eventos na segunda-feira 15/12/2015 não poderiam ser mais colidentes. Em Paris, o presidente François Hollande finalmente inaugurou o Museu da Imigração, criado sete anos atrás. Em Dresden, na Saxônia, o Pegida, sigla para “Patriotas europeus contra a islamização do Ocidente”, aglutinou 15 mil manifestantes, entre eles vários jovens neonazistas. Em uníssono, a multidão gritava: “Basta com a Sharia (lei islâmica) na Europa”. Detalhe: na Saxônia há 2,1% de estrangeiros, dos quais 0,1% é de muçulmanos.

Um terceiro evento, marcado para sábado 20, em Milão, é também contraditório diante do simbólico gesto de Hollande. Trata-se de um encontro do Movimento Nacionalista dos Povos Europeus, composto de legendas e grupos de extrema-direita de toda a Europa. Os holofotes serão jogados sobre Udo Voigt, líder do Partido Nacional Democrata Alemão, ou NPD, e, desde maio, deputado em Bruxelas. Em 2004, Voigt, de 62 anos, foi condenado por ter dito: “Não há dúvidas, Hitler foi um grande estadista alemão”.

A xenofobia está, mais uma vez, em ascensão no Velho Continente. Em comum, a extrema-direita quer barrar ou expulsar imigrantes e aqueles em busca de asilo. Pretende pôr um fim no acordo de Schengen, que permite a livre circulação de cidadãos europeus por 26 países. Almejam a eliminação do euro e, por tabela, o naufrágio da União Europeia para, e assim, reaver maior autonomia nacional. A crise econômica, é claro, faz eleitores de diferentes tendências ideológicas migrar para os partidos de extrema-direita.

Por essas e outras, integrantes de partidos de centro-direita, como o UMP, e seu líder Nicolas Sarkozy, candidato à Presidência em 2017 na França, adotam o discurso. O principal alvo, quiçá o mais fácil no contexto de “perda de identidade”, é o estrangeiro. Motivo: ele oferece a face a uma mescla de temores. Resumiu na segunda-feira 15 Hollande: “Os estrangeiros são sempre acusados dos mesmos males... São sempre os mesmos preconceitos, as mesmas suspeitas invariavelmente impingidas”. Até numerosos cidadãos de países escandinavos, outrora considerados tolerantes, passaram a colocar estrangeiros na cruz.

Segundo enquetes de intenção de voto, o Partido do Povo Dinamarquês (PPD), de extrema-direita e liderado por Kristian Thulesen Dahl, estaria na dianteira nas eleições legislativas que poderão ocorrer a qualquer momento. O Partido Social-Democrata, da premier Helle Thorning-Schmidt, figura nas pesquisas em terceiro lugar com 19,8% dos votos. Em primeiro, o PPD, com 21,2%, seguido pelos Liberais, com 20,9%. Uma aliança entre PPD e Liberais não pode ser descartada. Na Noruega, o Partido do Progresso está no governo desde as legislativas de 2013. Siv Jensen, ministra das Finanças, faz campanha contra a “crescente islamização” do país. Já na Suécia, a legenda Democratas Suecos, igualmente anti-imigração, obteve um acréscimo de 13% dos votos no Parlamento em eleições realizadas há poucos meses. Por não conseguirem ter impacto sobre o governo, defrontaram-se com o impasse e um novo pleito foi marcado para março.

Desde as eleições legislativas de 2010, o Partido para a Liberdade (PVV), do controverso Geert Wilders, é o terceiro da Holanda. Com sua juba prateada, Wilders, de 51 anos, chama o Islã de “religião totalitária”. Não escasseiam líderes a condenar extrapolações da extrema-direita. No entanto, governos de centro-direita, e mesmo de centro-esquerda, são confrontados por outras siglas de suas alianças. A chanceler alemã,  Angela Merkel, condena o Pegida por “agitação e difamação”. Por sua vez, o ministro social-democrata da Justiça, Heiko Maas, chamou o movimento de “uma desgraça”. No entanto, a legenda de centro-direita da Bavária, União-Social Cristã (CSU), a integrar a aliança de Merkel, alega que Heiko Mass “denegriu maciços protestos pacíficos”. A CSU já havia causado polêmica ao dizer que estrangeiros deveriam falar alemão até em casa, mas acabou por retratar-se. Bernd Lucke, do Alternativa para a Alemanha (AfD), afirmou: “Várias das demandas deles são legítimas”.

O premier italiano de centro-esquerda, Matteo Renzi, dirige o país em aliança com a direita. O ministro do Interior e líder da Nova Centro-Direita, Angelino Alfano, anunciou a repressão a camelôs e feirantes de praias, quase sempre estrangeiros. Do seu canto, a Liga Norte deixou de ser separatista sob a liderança de Matteo Salvini, de 41 anos. No entanto, para Salvini o grande inimigo é o estrangeiro. O ex-premier Silvio Berlusconi flerta com Salvini para formar uma aliança nas próximas eleições, mas terá de deixar de fazer pactos com Renzi, como o da reforma do sistema eleitoral. Salvini, sublinhe-se, foi hábil ao não aceitar o convite para participar do encontro do Movimento Nacionalista dos Povos Europeus, em Milão. Rejeição nada apreciada por Roberto Fiore, anfitrião do evento e líder do Partido Força Nova. Ex-parlamentar em Bruxelas, quando substituiu Alessandra Mussolini, em 2009, Fiore simpatiza com o fascismo.

No caso do trabalhista Ed Milliband, líder da oposição britânica ao governo conservador do premier David Cameron, parece ser preferível, às vésperas de legislativas em 2015, evitar o delicado tema “imigração”. Diante da força crescente do Partido de Independência do Reino Unido (UKIP), de Nigel Farage, Cameron agendou um referendo para renegociar a permanência do país na União Europeia em 2017.

Na segunda, Hollande evocou imagens fortes de sucessivas ondas migratórias a pontuar a história da França. E, assim, lançou sua campanha para 2017. Não deu nomes aos bois, ou aos “demagogos”. Eles são Sarkozy e Marine Le Pen, a líder do Frente Nacional. Le Pen reconheceu o Holocausto negado pelo pai, mas luta contra a “islamização da França”. Como escreveu Carine Fouteau, do website Mediapart, se Hollande tivesse feito esse discurso a favor da imigração no início de seu mandato, as perspectivas seriam outras. Agora é tarde. “Hollande luta contra oponentes munidos de armas reais.” Segundo as pesquisas, Le Pen venceria Hollande no segundo turno.

O artigo original de Carta Capital, poderá ser visto por meio do seguinte link:


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos. 


[1]Søren Kierkegaard, The Instant, artigo publicado na imprensa Dinamarquesa em 1855.
[2] Jaques Ellul, La Subversion du Christianisme, Éditions du Seuil, Paris, 1984.

terça-feira, 29 de julho de 2014

ISRAEL ESTÁ COLHENDO O QUE PLANTOU EM GAZA


Palestinos em fuga por suas vidas.

O artigo abaixo foi escrito pela jornalista israelense Amira Haas e publicado no jornal israelense Haaretz. Hoje os mortos na faixa de Gaza passam de MIL e os feridos de 6000! Mas Israel insiste em dizer que é a vítima e que tem o direito de se defender.

COLHENDO O QUE NÓS PLANTAMOS EM GAZA

Aqueles que transformaram Gaza num campo de concentração para 1.8 milhão de pessoas, não deveriam se surpreender que seus habitantes estejam cavando túneis por baixo da terra.

Por Amira Hass

July 22, 2014 - "Haaretz"

Eu já levantei a bandeira branca. Já me cansei de procurar no dicionário pela palavra que descreve um menino ao qual falta metade da cabeça, enquanto seu pai grita: “Acorda, acorda, eu comprei um brinquedo novo para você” Como foi mesmo que Angela Merkel, a primeira ministra da grande Alemanha, disse? “Israel tem o direito de se defender”.

Eu continuo lutando com a necessidade de compartilhar detalhes do sem número de conversas que tive com amigos em Gaza, com o objetivo de documentar como é aguardar sua vez de ir para o matadouro. Por exemplo, a conversa que tive sábado pela manhã com J., do campo de refugiados de al-Bureij, enquanto seguia para Dir-alBalah, com sua esposa. Os dois têm cerca de 60 anos. Naquela manhã, sua velha mãe recebeu uma chamada telefônica e ouviu a gravação instruindo os residentes do campo de refugiados a irem para Dir-al-Balah.

Um livro escrito acerca da psicologia do exército israelense deveria ter um capítulo inteiro dedicado a esse sadismo, que está disfarçado sob a ideia de misericórdia: uma mensagem gravada exigindo que centenas de milhares de pessoas deixem seus lares que já são alvos, para outro local, igualmente perigoso cerca de 10 quilômetros de distância. Por que, eu perguntei a J., vocês estão indo embora. “O quê, por que”? Ele disse: “Nós temos uma pequena casa próxima da praia, com um pedaço de terra e alguns gatos. Nós vamos lá para alimentar os gatos. Depois que dermos comida para os gatos retornaremos. Nós vamos juntos. Se nosso carro for explodido, morreremos juntos”.

Se eu estivesse usando o chapéu de um analista, eu escreveria: Em contraste com o israelense “diplomático”, o Hamas não está forçando nenhum habitante de Gaza a permanecer em suas casas, nem a deixá-las. A decisão é deixada nas mãos dos próprios cidadãos. Para onde eles podem ir? “Já que temos mesmo que morrer, é algo mais digno morrer dentro de nossas próprias casas, em vez de morrermos enquanto estamos tentando fugir” me diz de modo direto o secular J.

Eu continuo convencida que uma frase como essa vale mais do que mil análises. Mas quando se trata de palestinos a maioria das pessoas prefere os resumos.

Eu estou farta de mentir para mim mesma — como se eu fosse capaz de, remotamente, reunir as informações necessárias para narrar aquilo que os jornalistas que estão lá dentro da Faixa de Gaza estão narrando. De qualquer forma, essas informações são importantes para um pequeno grupo da população que fala hebraico em Israel. Na maioria dos casos essas pessoas estão buscando notícias nos canais estrangeiros ou na internet. Eles não dependem, daquilo que é escrito em Israel para serem informados, por exemplo, acerca das curtas vidas de Jihad (11 anos), Wassim (8 anos) Shuhaibar ou seu primo Afnan (de 8 anos) que habitavam em Sabra, na Faixa de Gaza. Como eu eles também podem ler as notícias escritas pelo jornalista Jesse Rosenfeld no The Daily Beast.   

“Issam Shuhaibar, o pai de Jihad e Wassim, curvou-se próximo ao túmulo onde seus filhos foram sepultados, com seus olhos marejados, olhando perdidos para o nada. Seu braço tinha um curativo depois dele ter feito uma doação de sangue na tentativa de tentar salvar sua família. O sangue de seus filhos ainda manchava sua camisa”, escreve Rosenfeld. “Eles estavam alimentando galinhas quando o petardo os atingiu, ele disse. Eu ouvi um grande barulho no telhado e corri para encontrá-los. Eles eram apenas pedaços de carne, ele engasgou antes de desatar a chorar”, continua o artigo de Rosenfeld. Nós assassinamos essas crianças duas horas e meia depois que o cesar fogo terminou na última quinta feira. Dois outros irmãos, Oudeh (16 anos) e Bassel (8 anos) foram feridos. Bassel foi ferido gravemente.

O pai contou para Rosenfeld que houve um míssil de advertência. Antes do ataque eles ouviram o barulho do drone israelense marcando os locais a serem atingidos como se fosse uma “batida no telhado”. Então eu perguntei a Rosenfeld: “Se o míssil era uma míssil de misericórdia, como os que são enviados como tiros de advertência, porque a casa foi bombardeada logo em seguida”? Por pura sorte eu consegui encontrar a resposta para minha pergunta numa reportagem feita pela CNN. Uma câmera do canal estadunidense conseguiu capturar a imagem da explosão que veio logo depois do tiro de advertência: o mesmo derrubou parte da casa, causou um incêndio, muita fumaça e levantou muita poeira. Mas não foi a casa de Shuhaibar que foi atingida e sim outra casa. Isso deu ocasião para o exército israelense afirmar que a bomba que matou as crianças foi um foguete perdido do próprio Hamas. Mas eu chequei com Rosenfeld e outras pessoas e todas elas foram unânimes em afirmar que o míssil que matou as crianças foi o míssil de advertência do exército de Israel. Issam Shuhaibar é um policial palestino que recebe seu salário da Autoridade Palestina localizada em Ramalá.

Também desisti de tentar receber uma explicação das Forças de Ataque de Israel. Será que eles advertiram, por engano, a casa errada, e assim mataram aquelas crianças? (2 entre as 84 crianças mortas na manhã de domingo).

Eu estou cheia com os esforços fracassados de competir com a abundância de comentários orquestrados acerca dos objetivos e das ações do Hamas, vindos de pessoas que pretendem que estiveram sentadas com Mohammed Deif e Ismail Haniyeh, em vez de alguma fonte do Shin Bet — polícia israelense — ou das forças de ataque de Israel. Todos os que rejeitaram a proposta feita pelo Fatah de Yasser Arafat, para a criação de dois Estados, agora precisam lidar com Haniyeh, com o Hamas e com o BDS Movement — Freedom, Justice, Equality. Todos os que ajudaram a transformar Gaza em um campo de prisioneiros para 1.8 milhão de seres humanos não deveriam se surpreender com os túneis que estão sendo cavados. Todos aqueles que semearam o estrangulamento, o cerco e o isolamento, colhem agora os foguetes. Aqueles que têm, nos últimos 47 anos cruzado a linha verde, de forma sistemática, para expropriar as terras dos palestinos, ferindo e machucando a população civil palestina com ataques, tiroteios e o estabelecimento de colônias — possuem algum direito de virar os olhos e falar da prática de terror dos palestinos contra civis israelenses?

O Hamas tem, de forma cruel e assustadora, destruído o duplo padrão mental que Israel é “senhor”. Todas essas cabeças brilhantes da espionagem e do Shin Bet realmente não entendem que fomos nós mesmos – os israelenses – que criamos a receita perfeita para a nossa versão da Somália. Você querem evitar a escalada da violência? Agora é a hora: Libertem a Faixa de Gaza do cerco imposto, deixem as pessoas voltarem para o “mundo”, para a Cisjordânia, para suas famílias em Israel. Deixe-os respirar e eles descobrirão que viver é melhor do que morrer.

© 2014 Haaretz

O artigo original poderá ser visto por meio desse link aqui


Todos os comentários, especialmente os que são fruto de ódio, devem ser dirigidos diretamente para o site do jornal israelense Haaretz por meio do seguinte link:


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