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quarta-feira, 9 de setembro de 2015

QUATRO ELEMENTOS DE UMA IGREJA CHEIA DO ESPÍRITO SANTO




O artigo abaixo é da autoria de Ronaldo Lima Cunha, um colaborador do Blog O Grande Diálogo.

Em Atos 2:42-47 lemos a respeito de como era a vida dos irmãos da igreja primitiva:

42 E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.

43 Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos.

44 Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum.

45 Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade.

46 Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração,

47 louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.

Antes, porém de falarmos sobre o texto é importante destacar que alguns comentaristas do livro de Atos dos Apóstolos nos alertam para tomarmos o cuidado de não acharmos que a igreja primitiva não tinha problemas, pois quando continuamos a leitura do livro de Atos e das cartas de Paulo, vemos uma igreja lutando contra o pecado, a imoralidade, a hipocrisia, os falsos mestres, as heresias, as divisões e rivalidades, a apostasia etc.

Porém, nada disso pode tirar o foco de que essa igreja descrita por Lucas vivia a verdadeira transformação própria de pessoas que foram regeneradas pela presença e plenitude do Espírito Santo.

Podemos destacar quatro elementos que a caracterizam como modelo de uma igreja viva e cheia do Espírito Santo.

I. A primeira delas é o comprometimento com a verdade: “e perseveravam na doutrina dos apóstolos” — v.42.

Um ponto importante para que os irmãos saibam é que quando se falava do termo igreja ou ekklesia no contexto histórico do Novo Testamento, a mesma podia significara qualquer assembleia de pessoas que se reunisse por qualquer motivo ou afinidades.

Em nosso caso, que estamos tratando da igreja primitiva,  a mesma não se refere a uma comunidade qualquer, mas de uma muito especial, criada pelo próprio Deus, reunindo todos aqueles que creram no evangelho de Jesus Cristo conforme

Atos 2:36-41

36 Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.

37 Ouvindo eles estas coisas, compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos?

38 Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.

39 Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar.

40 Com muitas outras palavras deu testemunho e exortava-os, dizendo: Salvai-vos desta geração perversa.

41 Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas.

O texto que acabamos de ler é um trecho da pregação do apóstolo Pedro anunciado àquelas pessoas as boas novas do evangelho da qual, por meio de Cristo, Deus nos reconcilia consigo mesmo para fazermos parte de sua família, pois  —

João 1:12

A todos quanto o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem em seu nome.

Essa é a verdade que une a igreja: que Cristo entregou-se por amor a ela e, comprando-a por alto preço, seu próprio sangue, nos deu a vida eterna.

Assim os que recebiam a Cristo perseveravam em obedecer a doutrina dos apóstolos, que é a própria Palavra de Deus. Esses irmãos testemunharam a vida de Jesus e foram comissionados a proclamaras verdades do reino de Deus.

Além da pregação do evangelho, a doutrina dos apóstolos conduzia o povo de Deus a —

2 Pedro 3:18
Crescer na graça e no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo

Levando-os a buscarem uma vida de santidade:

João 17:17
Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.

para sermos cada vez mais semelhantes com  a pessoa do Senhor Jesus.

Apesar de alguns hoje se autointitularem apóstolos, todas as pessoas que testemunharam a vida de Jesus estão mortas, mas seus escritos foram registrados na revelação completa de Deus, a Bíblia. E hoje perseverar na doutrina dos apóstolos significa tanto em buscarmos aprender mais das Escrituras, quanto ao fato de procurarmos não ser apenas ouvintes, mas praticantes dessas Palavras conforme —

Tiago 1:22

Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos.

II. A segunda característica dessa igreja cheia do Espírito Santo está em sua vida de comunhão entre os irmãos —

Atos 2:44

Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum.

Vejam que temos evidência de uma comunhão verdadeira. Eles não estavam “juntos” como se você estivesse espremido por milhares de pessoas no metrô em São Paulo, na hora do rush. Ou então quando você está fisicamente no mesmo lugar que outras pessoas, mas seu coração e pensamentos estão muito longe de quem está “junto” de você, como às vezes acontece em nossas igrejas. Estar de “corpo presente”, mas não vê a hora de acabar o culto para cuidar das coisas que “realmente importam”. Não era por medo, constrangimento nem para manter as aparências.Eles queriam estar juntos de verdade!

Aquela comunidade conhecia o que era o amor. Eles tinham sido alvos do amor de Deus, agora como irmãos, deveriam ter esse mesmo amor uns pelos outros, pois o amor é a evidência de uma igreja viva e verdadeira.

Da mesma forma nós que também fomos alvos desse mesmo amor devemos com a mesma medida amar nossos irmãos conforme lemos em —

1 João 3:16

Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos.

Não basta estarmos intelectualmente alicerçados na doutrina dos apóstolos, sem estarmos unidos uns com os outros em amor. Isso é ortodoxia morta e não é o que a Palavra de Deus nos ensina. O que Deus quer é que sejamos uma família unida, que aprendamos a perdoar uns aos outros e a se importar uns com os outros. Jesus nos diz o seguinte em —

João 13:34

Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros.

Porque será que existem pessoas que não querem mais viver em comunhão com os irmãos, não querem saber mais de igreja? Por que aumenta o número de crentes que se autodenominam “desigrejados”?

Alguns deles são de fato libertinos que não querem saber de igreja por não gostarem de se submeter a disciplina, a prestar contas de suas vidas, nem viver em comunhão e dão a desculpa da igreja ser uma instituição falida cheia de problemas e que não precisam dela para serem cristãos,afirmação essa que sabemos pelas Escrituras ser completamente falsa. Por outro lado sabemos que muitos outros são irmãos que saíram magoados de suas igrejas pela decepção, dor e sofrimento que sofreram e sentiram.

Muitas igrejas estão engessadas em suas tradições institucionais, sem o cuidado de uns pelos outros. Se tornaram lugares frios,repletas duma religiosidade morta.

A Palavra de Deus nos exorta que o relacionamento que temos uns com os outros define o relacionamento que temos com o próprio Deus conforme —

1 João 4:20

Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê.

Outra questão que lemos nesse trecho de Atos 2:44 é que eles tinham tudo em comum, vendiam seus bens e distribuíam à medida que alguém tinha necessidade. 

Essa atitude demonstra uma forma prática de abençoar aqueles que tinham alguma necessidade material. Como podemos dizer que amamos se temos pessoas em nosso meio precisando de ajuda e, tendo condições, não estendemos nossas mãos?


Romanos 12:15

Alegrai com os que se alegram e chorai com os que choram.


Romanos 12:5

Somos um só corpo.


Se um de nós está com problemas todos nós estamos! Jesus já nos alertou em Mateus 25 de como será o grande julgamento — 

Tive fome e não me destes de comer, etc.

ou conforme a exortação de —

Tiago 2:15-16

Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano,e qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso? 

Essas ações eram feitas de forma espontânea e generosa. Não tinha um mandamento explícito para isso, mas eles fizeram de forma voluntária.


III. O terceiro ponto que destacamos de uma igreja viva está em seu espirito de adoração.


Eles tinham verdadeiro temor a Deus. O adoravam de uma forma reverente, mas alegre, prazerosa, sem burocracias, rituais, sacerdotes etc. reunindo-se no templo e também nos lares para compartilhar a Ceia, cantar, aprender mais da Palavra de Deus e orar uns pelos outros. 

Por terem uma vida em comum, e não apenas um momento semanal de culto, de apertos de mão, tapinhas nas costas, ois e tchaus eles tinham intimidade, conhecendo as necessidades, as lutas e os problemas enfrentados pelos irmãos e podiam orar especificamente pelas necessidades uns dos outros e com isso agir até como uma resposta de oração, socorrendo algum irmão necessitado com um aconselhamento, uma visita para alguém enfermo ou suprindo uma necessidade material etc. 

Dessa forma, o culto prestado a Deus era um verdadeiro sacrifício de ações de graças —

Salmos 50:14

Oferece a Deus sacrifício de ações de graças e cumpre os teus votos para com o Altíssimo. 

aceito com alegria por Deus porque vinha de corações que amavam a Jesus não apenas com palavras, mas com suas próprias vidas, cheios de misericórdia, guardando os mandamentos de Deus, sendo que o principal deles é o amor a Deus e o amor uns pelos outros.


IV. E por fim, o quarto item a destacarmos foi o bom testemunho que os irmãos da igreja primitiva alcançaram com os de fora.


O objetivo deles não era de serem aprovados pelos homens. Eles buscavam agradar a Deus e agindo dessa forma eles conseguiram ganhar a simpatia de todo o povo que pode ver uma comunidade que não era perfeita, mas se baseava em relacionamentos verdadeiros nos seus objetivos de cultuar a Deus e cuidar uns dos outros. 

Não era uma igreja escandalosa e inoperante — como muitas das “igrejas” que vemos hoje — e dessa forma nós vemos como ela crescia. Não havia métodos de crescimento baseado em técnicas para atrair as pessoas como vemos hoje, nos quais muitos pastores adotam modelos empresariais de sucesso ministerial por meio do que os consultores de marketing entendem ser as formas mais eficazes para se crescer. Não! A evangelização era contínua, se dava de forma espontânea, pelo bom testemunho e pela pregação fiel das Escrituras, da mesma forma como Pedro fez em seu sermão de Atos 2 e assim Deus acrescentava dia a dia os que iam sendo salvos”... 

Aqueles que Deus acrescentava em sua igreja eram os que ouviam e criam no evangelho e viviam perseverando na doutrina dos apóstolos, amando e cuidando uns dos outros, cultuando a Deus em Espírito e em Verdade e testemunhando para o mundo o que era ser um cristão. 

A igreja de Cristo vivia em meio a uma geração perversa e rebelde a Deus, mas que não se contaminavam com as paixões mundanas. 

Agiam com integridade, cumprindo suas obrigações sociais e faziam tudo de forma excelente e feliz, não para o louvor de homens, mas para honra e glória de Deus!


Assim, encerramos essa mensagem com algumas perguntas:

1. Somos gratos a Deus pela nossa salvação por meio do sacrifício de Jesus? 

2. Temos consciência do privilégio de sermos parte da igreja de Cristo? 

3. Temos buscado seguir o exemplo da igreja primitiva para nos tornarmos uma igreja cheia do Espírito Santo? 

Que Deus nos abençoe e nos ajude a vivermos uma vida abundante de amor e comunhão com nossos irmãos! 

Ronaldo Lima Cunha 

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link: 
Desde já agradecemos a todos.    

domingo, 12 de julho de 2015

PARÁBOLAS DE JESUS - LUCAS 14:15—24 — A PARÁBOLA DO GRANDE BANQUETE — SERMÃO 033


Concepção artística do "Grande Banquete"

Esse artigo é parte da série "Parábolas de Jesus" e é muito recomendável que o leitor procure conhecer todos os aspectos das verdades contidas nessa série, com aplicações para os nossos dias. No final do artigo você encontrará links para os outros artigos dessa série.


A Parábola do Grande Banquete – Lucas 14:15—24.

15 Ora, ouvindo tais palavras, um dos que estavam com ele à mesa, disse-lhe: Bem-aventurado aquele que comer pão no reino de Deus.

16 Ele, porém, respondeu: Certo homem deu uma grande ceia e convidou muitos.

17 À hora da ceia, enviou o seu servo para avisar aos convidados: Vinde, porque tudo já está preparado.

18 Não obstante, todos, à uma, começaram a escusar-se. Disse o primeiro: Comprei um campo e preciso ir vê-lo; rogo-te que me tenhas por escusado.

19 Outro disse: Comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-las; rogo-te que me tenhas por escusado.

20 E outro disse: Casei-me e, por isso, não posso ir.

21 Voltando o servo, tudo contou ao seu senhor. Então, irado, o dono da casa disse ao seu servo: Sai depressa para as ruas e becos da cidade e traze para aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos.

22 Depois, lhe disse o servo: Senhor, feito está como mandaste, e ainda há lugar.

23 Respondeu-lhe o senhor: Sai pelos caminhos e atalhos e obriga a todos a entrar, para que fique cheia a minha casa.

24 Porque vos declaro que nenhum daqueles homens que foram convidados provará a minha ceia.

Introdução

A. Estamos expondo as Parábolas proferidas por Jesus e neste bloco estamos falando de parábolas que aparecem exclusivamente no Evangelho de Lucas e em uma porção do Evangelho de Lucas que descreve a última viagem de Jesus para Jerusalém.

B. Lucas 14 e 15 nos apresentam a graça de Deus oferecida em toda a sua majestade.

C. Esta parábola foi proferida por Jesus em dia de sábado quando ele havia entrado para comer na casa de um fariseu.

D. Era costume dos judeus se reunirem em uma casa para uma refeição após a reunião que acontecia nos sábados pela manhã nas sinagogas.

E. Aparentemente era casa de alguém que possuía bens, pois no verso 15 nos lemos que a comida estava servida sobre uma mesa e mesas eram artigos de luxo naqueles dias.

F. É neste contexto que vamos encontrar a Jesus. Provavelmente reclinado sobre um sofanete e participando de um banquete.

G. A Parábola do Grande Banquete é motivada pelo comentário de um dos convidados – ver verso 15, baseado no comentário de Jesus em Lucas 14:13—14.

I. O Pano de Fundo da Parábola do Grande Banquete

A. Um dos motivos mais encantadores do Antigo Testamento é o fato de que Deus requeria que os sacrifícios fossem oferecidos no local apropriado — primeiro no Tabernáculo e depois no Templo em Jerusalém — e aquele que trazia o sacrifício tinha o direito de receber uma porção do mesmo de volta, o qual deveria ser consumido “na presença de Deus”. Assim Deus demonstrava que tinha prazer na comunhão com seu povo, pois a refeição é um momento realmente sagrado. Meu pai costumava dizer que o tempo que gastamos ao redor da mesa nós não envelhecemos.

B. Este é o motivo porque no Salmo 23:5 nos lemos:

Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários, unges-me a cabeça com óleo; o meu cálice transborda.

C. Mas certamente a passagem mais impressionante do Antigo Testamento que trata desta questão do Grande Banquete é —

Isaías 25:6—9

6 O SENHOR dos Exércitos dará neste monte a todos os povos um banquete de coisas gordurosas, uma festa com vinhos velhos, pratos gordurosos com tutanos e vinhos velhos bem clarificados.

7 Destruirá neste monte a coberta que envolve todos os povos e o véu que está posto sobre todas as nações.

8 Tragará a morte para sempre, e, assim, enxugará o SENHOR Deus as lágrimas de todos os rostos, e tirará de toda a terra o opróbrio do seu povo, porque o SENHOR falou.

9 Naquele dia, se dirá: Eis que este é o nosso Deus, em quem esperávamos, e ele nos salvará; este é o SENHOR, a quem aguardávamos; na sua salvação exultaremos e nos alegraremos.

D. No período entre os testamentos os judeus ensinavam que o Messias, quando viesse, daria um grande banquete, mas os cegos, os aleijados, os coxos e todos os impuros ficariam de fora. Os gentios não eram sequer mencionados.

E. A comunidade de Qumran também mencionava um banquete onde somente as pessoas dignas seriam convidadas e isto de acordo com uma rígida hierarquia.

F. É óbvio que estas visões dos judeus do período intertestamental bem como as dos judeus da comunidade de Qumran nada tinham a ver com a profecia de Isaías.

G. A postura assumida pelos judeus dos dias de Jesus foi diretamente contraditada pelo Senhor conforme lemos em —

Lucas 13:28—34

28 Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes, no reino de Deus, Abraão, Isaque, Jacó e todos os profetas, mas vós, lançados fora.

29 Muitos virão do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul e tomarão lugares à mesa no reino de Deus.

30 Contudo, há últimos que virão a ser primeiros, e primeiros que serão últimos.

31 Naquela mesma hora, alguns fariseus vieram para dizer-lhe: Retira-te e vai-te daqui, porque Herodes quer matar-te.

32 Ele, porém, lhes respondeu: Ide dizer a essa raposa que, hoje e amanhã, expulso demônios e curo enfermos e, no terceiro dia, terminarei.

33 Importa, contudo, caminhar hoje, amanhã e depois, porque não se espera que um profeta morra fora de Jerusalém.

34 Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir teus filhos como a galinha ajunta os do seu próprio ninho debaixo das asas, e vós não o quisestes!

II. A Parábola em si – versos 16 – 23.

A. Como já vimos, Jesus estava participando em um banquete na casa de um fariseu quando um comentário seu motivou um dos convidados a exclamar — Bem-aventurado aquele que comer pão no reino de Deus — verso 15!

B. Em vez de simplesmente dizer amém concordando com o comentário, Jesus conta então a Parábola do Grande Banquete.

A. Verso 16

A. Uma grande ceia — refeição vespertina — ou banquete certamente é dado por alguém poderoso o qual espera que seus iguais compareçam.

B. Note que o organizador da festa convidou a muitos, ou seja, a festa devia ser bastante grande.

C. Era obrigação do anfitrião nestas ocasiões suprir carne aos seus convidados. O tipo e a quantidade de animais abatidos tinham a ver com a quantidade de pessoas que haviam confirmado presença. Frangos, patos, cabritos, carneiros, bois? Tudo dependia de quantos se comprometeram a estar lá.

D. Aqueles que aceitavam o convite estavam obrigados a comparecer ao evento.

E. Uma vez sabendo quantos convidados atenderiam, o anfitrião dava andamento aos preparativos. Quando tudo estava pronto e ainda quente o anfitrião então...

B. Verso 17

A. Enviava seu servo para avisar os convidados que tudo estava preparado e a ceia estava pronta para ser consumida.

B. O presente do imperativo — vinde — indica que os convidados que já haviam concordado em comparecer deveriam agora vir sem demora.

C. Para os ouvintes de Jesus naquele momento a implicação era óbvia: A hora do Banquete Messiânico havia chegado.

D. Mas em vez de virem imediatamente, os convidados começaram a inventar desculpas esfarrapadas para não comparecer.

IV. Versos 18 – 20 – Os Três Convidados Importantes

A. Verso 18 — O primeiro certamente era um homem experiente na compra e venda de campos! Todo mundo sabia que sua desculpa não passava de uma deslavada mentira!

B. Naqueles dias ninguém sequer começava a discutir a compra de um campo sem antes determinar sua exata localização, se tinha água ou não, quantas árvores tinha e etc. Até as pedras visíveis eram contadas! Muitas vezes o comprador estava até ciente da capacidade produtiva do campo em questão. Quando Abraão comprou o campo de Efrom, que estava em Macpela fronteiro a Manre, comprou o campo, a caverna e todo o arvoredo que nele havia e todo seu limite ao redor! —

Gênesis 23:16—17

16 Tendo Abraão ouvido isso a Efrom, pesou-lhe a prata, de que este lhe falara diante dos filhos de Hete, quatrocentos siclos de prata, moeda corrente entre os mercadores.

17 Assim, o campo de Efrom, que estava em Macpela, fronteiro a Manre, o campo, a caverna e todo o arvoredo que nele havia, e todo o limite ao redor
 
C. Uma desculpa moderna equivalente seria eu ligar para um irmão para dizer que não poderia comparecer ao banquete em seu salão de festas porque havia acabado de comprar uma casa numa região de alto custo pelo telefone e, agora, estava saindo para vê-la! Quem acreditaria em uma história dessas?

D. O porte da ofensa é grande porque o convidado prefere ir ver um campo, o que ele poderia fazer em qualquer outro dia, em uma cultura onde as amizades são de suprema importância.

E. Verso 19 – O segundo convidado era certamente um agricultor experimentado especialmente no que diz respeito a pares de bois puxadores de arados.

F. No Oriente Médio, até os dias de hoje, só existem duas maneiras de se comprar um par de bois de arado nas pequenas vilas: 1) A primeira é ir até o mercado local onde em uma das suas extremidades sempre se encontra um pequeno campo no qual os bois podem ser experimentados; 2) A outra é tomar conhecimento de que fulano está querendo vender um par de bois de arado e os interessados vão até o campo do vendedor para checar in loco como os bois se comportam e até para experimentá-los se for o caso. Agora se para um par o cuidado é este imagine para cinco pares.

G. A desculpa é uma invenção mentirosa e grandemente ofensiva ao anfitrião porque o convidado estava dando mais importância aos animais do que a amizade.

H. A desculpa moderna seria o João ligar para a Vera para avisá-la que enquanto estava em Jundiaí havia fechado a compra de 5 carros, em Alfenas pelo telefone, e que estava indo para lá para examiná-los. Mesmo a Vera acharia que o João havia pirado de vez.

I. Verso 20 — Vamos chamar esse terceiro de o noivo perdidamente apaixonado. Ele também dá uma desculpa esfarrapada. Certamente o casamento não havia acontecido naquele dia. O anfitrião saberia da festa e não marcaria seu grandioso banquete para a mesma data.

J. A resposta do apaixonado é mais breve porque como é costume no Oriente Médio se fala o menos possível acerca das mulheres.

V. Verso 21

A. O anfitrião como não poderia deixar de ser, sente-se ultrajado. Mas sua resposta é graciosa e não vingativa.

B. Os convidados importantes achavam que poderiam estragar a festa do anfitrião boicotando a mesma. Eles não contavam que o anfitrião poderia convidar os parias da sociedade para o banquete. Isto seria uma grande humilhação!

C. De fato este foi algo que os judeus que se achavam mais dignos sempre reclamaram de Jesus —

Lucas 15:2

E murmuravam os fariseus e os escribas, dizendo: Este recebe pecadores e come com eles.

VI. Verso 22

A. Apesar dos parias terem sido convidados e de terem ocupado lugar à mesa ainda assim havia lugares sobrando.

VI. Verso 23

A. O convite então é estendido aos estrangeiros, os quais devem ser amorosamente constrangidos a vir e participar.

VII. Verso 24

A. O Senhor Jesus finaliza a parábola falando que o mesmo que aconteceu com os convidados especiais acontecerá com a geração que o rejeitou!

Conclusão:

I. O que os primeiros ouvintes de Jesus poderiam ter entendido desta história?

O banquete = O banquete Messiânico que dá início à nova era Messiânica.

Os convidados originais = Os líderes de Israel que tinham o direito de ser os primeiros convidados.

Os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos = os párias da sociedade em Israel.

Os convidados dos caminhos e dos atalhos = todos os gentios.

II. As Implicações Teológicas:

A. Jesus Cristo é o único agente a convidar as pessoas para participar no banquete Messiânico da salvação.

B. Muitos virão do Oriente e do Ocidente para tomar acento nesse banquete como foi prometido pelo profeta Isaías e explicitamente ensinado por Jesus – ver Lucas 13:28—29.

C. As desculpas que as pessoas dão para não virem ao banquete são estúpidas e insultuosas. Os convidados originais têm seus imitadores em todas as épocas.

D. Pessoas que em nenhuma hipótese podem recompensar o anfitrião são convidadas e aceitam o convite, mesmo que relutantemente!

E. O povo de Israel é muito pouco para o grande Salvador providenciado por Deus. Por este motivo Ele é também o Salvador de todos os gentios —

Isaías 49:5—7

5 Mas agora diz o SENHOR, que me formou desde o ventre para ser seu servo, para que torne a trazer Jacó e para reunir Israel a ele, porque eu sou glorificado perante o SENHOR, e o meu Deus é a minha força.

6 Sim, diz ele: Pouco é o seres meu servo, para restaurares as tribos de Jacó e tornares a trazer os remanescentes de Israel; também te dei como luz para os gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra.

7 Assim diz o SENHOR, o Redentor e Santo de Israel, ao que é desprezado, ao aborrecido das nações, ao servo dos tiranos: Os reis o verão, e os príncipes se levantarão; e eles te adorarão por amor do SENHOR, que é fiel, e do Santo de Israel, que te escolheu.

F. Aqueles que se recusam a entrar ficarão de fora. Não existe segunda chance.

G. Temos que tomar cuidado de não repetir o erro daqueles convidados originais e acharmos que Deus não vai fazer nada se nós não participarmos. Se nos recusarmos a participar, Deus seguirá em frente com pessoas estranhas.

H. A hora passa velozmente. Lugares reservados estão reservados somente até certa hora! Aqueles que acharem que poderão vir à hora que quiserem poderão ficar extremamente chocados com as palavras “nuca vos conheci”.

I. Os convidados precisam ser convidados! Não existem penetras neste banquete nem participação à distância.

J. A graça de Deus é de graça mesmo, mas ela não é barata! Exige sacrifícios e abnegação da nossa parte —

Lucas 14:25—35

25 Grandes multidões o acompanhavam, e ele, voltando-se, lhes disse:

26 Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo.

27 E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo.

28 Pois qual de vós, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para a concluir?

29 Para não suceder que, tendo lançado os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem zombem dele,

30 dizendo: Este homem começou a construir e não pôde acabar.

31 Ou qual é o rei que, indo para combater outro rei, não se assenta primeiro para calcular se com dez mil homens poderá enfrentar o que vem contra ele com vinte mil?

32 Caso contrário, estando o outro ainda longe, envia-lhe uma embaixada, pedindo condições de paz.

33 Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo.

34 O sal é certamente bom; caso, porém, se torne insípido, como restaurar-lhe o sabor?

35 Nem presta para a terra, nem mesmo para o monturo; lançam-no fora. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.
  


OUTRAS PARÁBOLAS DE JESUS PODEM SER ENCONTRADAS NOS LINKS ABAIXO:

001 – O Sal

002 – Os Dois Fundamentos

003 – O Semeador

004 – O Joio e o Trigo =

005 – O Credor Incompassivo

006 — O Grão de Mostarda e o Fermento

007 — Os Meninos Brincando na Praça

008 — A Semente Germinando Secretamente

009 e 010 — O Tesouro Escondido e a Pérola de Grande Valor

011 — A Eterna Fornalha de Fogo

012 — A Parábola dos Trabalhadores na Vinha

013 — A Parábola dos Dois Irmãos

014 — A Parábola dos Lavradores Maus — Parte 1

014A — A Parábola dos Lavradores Maus — Parte 2

015 — A Parábola das Bodas —

016 — A Parábola da Figueira

017 — A Parábola do Servo Vigilante

018 — A Parábola do Ladrão

019 — A Parábola do Servo Fiel e Prudente

020 — A Parábola das Dez Virgens

021 — A Parábola dos Talentos

022 — A Parábola das Ovelhas e dos Cabritos

023 — A Parábola dos Dois Devedores

024 — A Parábola dos Pássaros e da Raposa

025 — A Parábola do Discípulo que Desejava Sepultar Seu Pai

026 — A Parábola da Mão no Arado

027 — A Parábola do Bom Samaritano — Completo

027A — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 1

027B — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 2 — Os Ladrões e o Sacerdote

027C — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 3 — O Levita

027D — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 4 — O Samaritano

027E — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 5 — O Socorro

027F — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 6 — O transporte até a hospedaria

027G — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 7 — O pagamento final

027H — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 8 — O diálogo final entre Jesus e o doutor da Lei

028 — A Parábola do Rico Tolo —

029 — A Parábola do Amigo Importuno —

030 — A Parábola Acerca de Pilatos e da Torre de Siloé

031 — A Parábola da Figueira Estéril

032 — A Parábola Acerca dos Primeiros Lugares

033 — A Parábola do Grande Banquete

034 — A Parábola do Construtor da Torre e do Grande Guerreiro

035 — Introdução a Lucas 15 — Parábolas Acerca da Condição Perdida da Raça Humana — Parte 001

036 — Introdução a Lucas 15 — Parábolas Acerca da Condição Perdida da Raça Humana — Parte 002

037A — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 001

037B — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 002

037C — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 003

037D — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 004 — A Influência do Antigo Testamento

037E — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 005 — Características Cristológicas da Parábola da Ovelha Perdida

037F — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 006 — A importância das pessoas perdidas.
Que Deus Abençoe a todos. 

Alexandros Meimaridis 

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Desde já agradecemos a todos.