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sexta-feira, 3 de março de 2017

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 016 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 011 — A DATA DA COMPOSIÇÃO


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Essa série pretende disponibilizar as informações mais importantes acerca de cada um dos 27 livros que compõem o Novo Testamento. Desde que lançamos nossa série de Introdução ao Antigo Testamento, muitos leitores têm nos questionando acerca de algum material semelhante com respeito ao Novo Testamento. Então, aproveitando que iniciamos uma série de estudos acerca dos manuscritos do Novo Testamento — tecnicamente chamada de “baixa crítica” — estamos usando essa oportunidade para lançar uma série que trate também do texto do Novo Testamento em si, e da interpretação geral do mesmo — “alta crítica”.

I. O EVANGELHO DE MATEUS

I. A Data da Composição do Evangelho de Mateus

A data em que os evangelhos que temos no Novo Testamento foram escritos é motivo de grandes debates entre os estudiosos. Isso se deve ao fato de que antes de fixar qualquer data, os especialistas estão interessados em determinar, acima de tudo, qual foi o evangelho que foi escrito primeiro. Essa discussão tem a ver com o chamado Problema Sinótico, que será objeto de nossa atenção mais adiante. Todavia, nosso interesse em tentar identificar uma data aproximada para a composição do Evangelho de Mateus, não pode ficar sujeita a discussões secundárias.

Como falamos antes, quando tratamos da autoria dos evangelhos — são todos anônimos — o mesmo se aplica quando vamos falar da data de composição de Mateus: as evidências que temos são escassas. Ideias como as defendidas por Burnett Hillman Streeter[1],  têm influenciado gerações de estudiosos dos evangelhos, especialmente quando argumenta a favor da existência de material secundário — não produzido pelo autor original — no Evangelho de Mateus. Suas afirmações não passam de opiniões desprovidas de fundamento — muita convicção, mas poucas provas. O que Streeter escreveu é controlado, em grande parte por pressuposições que dizem respeito ao valor relativo das fontes utilizadas pelo evangelista. Uma excelente resposta aos argumentos de Streeter pode ser encontrada na obra já mencionada de John A. T. Robinson, de Cambridge, intitulada: Rdating the New Testament.

Outra linha de argumentação semelhante a essa que acabamos de mencionar diz respeito ao conceito que, nós podemos encontrar no Evangelho de Mateus, materiais pontuais que apontam para interesses eclesiásticos ou explicativos que vão muito além do período da igreja primitiva — período que se estende até o ano 100. Mas, como aconteceu antes, a força dos argumentos apresentados está diretamente relacionada ao modo como interpretamos as passagens onde a igreja é mencionada. Se alguém que está trabalhando com o texto de Mateus achar que o Senhor Jesus não poderia ter antecipado o surgimentos da igreja, então qualquer coisa pode ser afirmada acerca das passagens em que a mesma é mencionada no evangelho objeto de nosso interesse. Inclusive, que as mesmas foram produzidas em outra época fora do período coberto pela igreja primitiva. Mas a realidade é que o caráter de Jesus nos permite entender que Ele, não somente enxergou a existência futura da igreja cristã, como fez provisões adequadas para a mesma.

A capacidade de Jesus de conhecer o futuro é tão ignorada por muitos estudiosos modernos do evangelho, a ponto das datas de composição de Mateus, Marcos e Lucas serem todas emboladas ao redor da discussão da data original da produção de Marcos. A negação da capacidade de Jesus enxergar o futuro é, geralmente, apresentada mediante o uso dos seguintes argumentos:

1. Como Cristo era incapaz de saber o futuro, assim é o argumento, segue-se que o Evangelho de Marcos foi produzido apenas alguns anos antes da destruição de Jerusalém. Para justificar esse argumento usam-se as seguintes referências: Marcos 13 e Mateus 24:15.

2. Mateus certamente fez uso de Marcos, portanto, foi escrito depois da queda de Jerusalém.

3. Uma vez que tanto Inácio de Antioquia — morto no ano 110 — como o Didaquê — ou Ensino dos Doze Apóstolos — parecem fazer menção ao Evangelho de Mateus, tal menção pode indicar que Mateus alcançou uma notoriedade maior que Marcos, apesar desse último ter sido escrito primeiro.

4. Portanto, a data mais provável para a composição de Mateus pode ser fixada entre os anos 80—100. Essa é a opinião de muitos estudiosos.

O próprio Streeter, mencionado acima, aponta para o ano 85, mas admite que não tem como provar, matematicamente, sua afirmação.

Todavia, se admitirmos que Jesus era capaz de prever o futuro, incluindo a queda de Jerusalém então, o suporte principal de sustentação acerca da data da composição de Marcos desaba e outros dados podem ser utilizados para a fixação das datas de composição, tanto de Mateus como de Marcos. Entretanto, temos que admitir que existe pouco ou quase nenhum material dentro dos próprios evangelhos que possa nos ajudar na fixação das datas de composição dos mesmos. Todas as tentativas, nunca deixarão de ser apenas suposições.  

Essa é uma questão que, por enquanto, precisar ser deixada como não resolvida. Assim, devemos afirmar que a definição de uma data precisa para a composição do Evangelho de Mateus afeta muito pouco nosso entendimento do mesmo.

OUTROS ESTUDOS ACERCA DA INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 001 — INTRODUÇÃO GERAL AOS EVANGELHOS — ESTUDO 001

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 002 — A FORMA LITARÁRIA DOS EVANGELHOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 003 — MOTIVOS PORQUE OS EVANGELHOS FORAM ESCRITOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 004 — O LUGAR OCUPADO PELOS QUATRO EVANGELHOS NO NOVO TESTAMENTO

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 005 —  A MELHOR FORMA DE ABORDAR OS QUATRO EVANGELHOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 006 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 001

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 007 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 002

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 008 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 003

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 009 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 004

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 010 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 005

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 011 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 006

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 012 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 007

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 013 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 008

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 014 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 009

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 015 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 010 — AUTOR — PARTE 002

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 016 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 011 — DATA DA COMPOSIÇÃO
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/03/introducao-ao-novo-testamento-estudo_3.html

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 017 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 012 — IDIOMA ORIGINAL
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/06/introducao-ao-novo-testamento-estudo.html

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 018 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MARCOS — PARTE 001 — CARACTERÍSTICAS — PARTE 001.
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/07/introducao-ao-novo-testamento-estudo_14.html

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[1] B. H. Streeter. The Four Gospels: A Study of the Origins. London, Macmillan, 1956.

sexta-feira, 11 de março de 2016

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 009 — A IMPORTANTE DISTINÇÃO ENTRE TEOLOGIA E RELIGIÃO — PARTE 002




Esse é um estudo especial que irá abordar temas de grande interesse, tais como: 1. Deus 2. Os seres humanos e o mundo criado 3. Jesus e Sua missão como o CRISTO. 4. O Espírito Santo. 5. A vida cristã. 6. A Igreja. 7. O futuro e etc. Esperamos que a mesma possa ajudar todos os nossos leitores a conhecerem melhor o que o Novo Testamento ensina acerca de tudo o que nos é importante.

INTRODUÇÃO GERAL

CONTINUAÇÃO:

A IMPORTANTE DISTINÇÃO ENTRE TEOLOGIA E RELIGIÃO — PARTE 002

A expressão teologia é, geralmente, menos abrangente do que a expressão religião. Isso é particularmente verdadeiro, quando usamos essa expressão num contexto cristão. Enquanto a expressão teologia não está restrita à doutrina, temos a tendência de entender a mesma como fazendo referência a algum sistema de crenças. Por outro lado, os conceitos envolvidos pela expressão religião são bem mais abrangentes e incluem não apenas crenças doutrinárias, mas tudo o que se relaciona com a vida religiosa das pessoas. Isso nos leva a perguntar o seguinte: até que ponto um conceito mais abrangente é útil e até mesmo válido quando estamos lidando com a teologia do Novo Testamento? Em primeiro lugar nós devemos afirmar que tal uso sempre cria uma sensação de vazio. Dizemos isso porque a combinação resultante — religião do Novo testamento — produz uma confusão enorme porque junta, num único tacho, um monte de ideias desconectadas umas das outras, as quais contribuíram, de um modo ou de outro, para a vida religiosa da Igreja Primitiva. Desse modo, a expressão religião do Novo Testamento não revela nenhum interesse em procurar estabelecer as relações existentes entre os temas mais diversos que encontramos no Novo Testamento, mas torna-se apenas um verdadeiro caleidoscópio das experiências e das atividades dos cristãos primitivos. Todavia, por outro lado, adotar tal expressão tem suas vantagens. Ela isenta o pesquisador de ter que lidar com muitas questões delicadas, porque a mesma está interessada apenas em apresentar uma narrativa descritiva das experiências e das atividades dos cristãos primitivos.
A abordagem a favor da religião do Novo Testamento contra a ideia apresentada pela teologia do Novo Testamento está, todavia, sujeita a críticas. Primeiro porque tal abordagem não deseja produzir nenhum tipo de padrão normativo para o trabalho de pesquisa. A mesma pode ter certo valor quando analisa o contexto dos cristãos primitivos, mas não devemos pressupor disso que ela tenha qualquer valor para os cristãos dos séculos posteriores. No máximo, tal abordagem reflete o interesse de um antiquário por materiais antigos. Como resultado disso, tal abordagem é incapaz de produzir qualquer resultado que seja autoritativo. Ela não consegue enxergar o Novo Testamento como revelação de Deus e, portanto, válido para todas as épocas. Também procura reduzir todo o Novo Testamento a algo parecido com a busca dos seres humanos por Deus durante os dois primeiros séculos da Era Cristã, algo que pode até ser repetido, em parte, nos séculos posteriores.

O estudo da teologia do Novo Testamento entende que todo o conteúdo dos ensinamentos que encontramos no Novo Testamento representam uma permanente revelação da parte de Deus, e que os mesmos se concentram naquilo que Deus tem para dizer aos seres humanos, em vez de se ocupar com aquilo que os seres humanos fizeram e continuam fazendo em sua alegada busca por Deus. Assim temos que: se uma revelação divina, do tipo autoritativo, encontra-se no Novo Testamento, o estudioso interessado em descobrir a verdade está circunscrito ao estudo do mesmo. Os estudiosos não têm a liberdade de escolher o que desejam e o que não desejam analisar. Todo o Novo Testamento precisa ser levado em consideração. É uma verdadeira situação de tudo ou nada. Além disso, aqueles que se dedicam a estudar o Novo Testamento precisam aceitá-lo em sua inteireza e não ficar escolhendo tópicos que lhes interessam e, com isso, desconsiderando outras partes do todo. Também não se deve concentrar num aspecto apenas — por exemplo, a Teologia do Apóstolo Paulo — excluindo todos os demais. Também não deve criar suas próprias ideias acerca da importância comparativa de diferentes ênfases. Todos os que se aproximam do Novo Testamento devem fazê-lo com a intenção de descobrir os fatores unificadores que existem no mesmo porque a revelação, por definição, não contém contradições.

Mesmo assim, nós temos que admitir que nem todos os que rejeitam a abordagem representada pela religião concordam que a abordagem feita pela teologia não representa, necessariamente, que estamos lidando com a revelação de Deus. Entres esses, muitos consideram como legítimo concentrar-se em algumas ideias ou conceitos, mas negam qualquer ideia de unidade. Mas se o Novo Testamento consiste apenas duma variedade de teologias em vez duma unidade apresentada a partir de diferentes perspectivas então, nós precisamos considerar se o valor do mesmo não está sendo modificado. Os defensores dessa abordagem acabam por colocarem-se a meio caminho entre as duas posições mencionadas no início da nossa discussão. Deve ficar evidente que a forma como o pesquisador encara o Novo Testamento terá profundo impacto no método de trabalho que ele escolher. Em estudos posteriores iremos falar acerca da centralidade da unidade para os estudos do Novo Testamento.

CONTINUA...

OUTROS ARTIGOS ACERCA DA TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 001

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sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 008 — MATEUS — PARTE 003 - ELEMENTOS ECLESIÁSTICOS



Essa série pretende disponibilizar as informações mais importantes acerca de cada um dos 27 livros que compõem o Novo Testamento. Desde que lançamos nossa série de Introdução ao Antigo Testamento, muitos leitores têm nos questionando acerca de algum material semelhante com respeito ao Novo Testamento. Então, aproveitando que iniciamos uma série de estudos acerca dos manuscritos do Novo Testamento — tecnicamente chamada de “baixa crítica” — estamos usando essa oportunidade para lançar uma série que trate também do texto do Novo Testamento em si, e da interpretação geral do mesmo — “alta crítica”.

I. O EVANGELHO DE MATEUS

D. Elementos Eclesiásticos

Mateus é o único dos quatro evangelistas que apresenta qualquer material que está relacionado com a ideia da Igreja. Esse é o único Evangelho onde encontramos a expressão grega ἐκκλησίαekklisía — igreja no sentido de assembléia ou povo reunido. No Novo Testamento não existe sequer um único caso em que a expressão ἐκκλησίαekklisía — seja usada para descrever um prédio ou uma construção de qualquer tipo. Isso é uma invencionice humana e das mais grotescas, diga-se de passagem.

Como acabamos de falar, sublinhando a expressão grega ἐκκλησίαekklisía — encontramos a expressão aramaica usada por Jesus קָהָלqahal comunidade ou até mesmo a expressão עֵדָה´edad — cuja tradução para o grego é συναγωγή — sunagogé — e significa sinagoga na LXX — SEPTUAGINTA. A palavra grega ἐκκλησίαekklisía — aparece com bastante frequência na LXX, geralmente como uma tradução preferencial para קָהָלqahal. Desse modo, Israel é chamado de יְהוה קהָל quehal YHVH ou ἐκκλησία του̂ κυρίουcomunidade de Deus.
A palavra mais comum usada para se referir a uma comunidade nos dias de Jesus era עֵדָה `edad que é traduzida pelo termo grego συναγωγή — sunagogé — ou sinagoga.


Se Jesus é o Messias, então é apenas natural que imaginemos ao nos referirmos à comunidade do Senhor Jesus, estejamos de fato, nos referindo a Sua comunidade messiânica, ou ao povo escatológico de Deus. De fato Jesus usa a expressão μου̂ moûminha, cuja posição na frase é bastante enfática. É a comunidade messiânica que pertence ao Messias.


Nesse contexto a igreja é apresentada, de modo especial, em sua capacidade disciplinadora. Mas devido o fato de Mateus ser o único a citar a palavra ἐκκλησίαekklisía — igreja, no sentido de assembléia nos lábios de Cristo, muitos estudiosos duvidam da originalidade da mesma. Como justificativa, alegam que a mesma surgiu do ambiente eclesiástico da igreja primitiva. Todavia, como vários autores já deixaram claro, entre os quais podemos citar O. Cullmann e A. Oepke, não existe nenhuma base segura o suficiente para se acreditar nessa ideia, como desposada por A. McNeille, R. Bultmann, e E. Schweizer. Por outro lado, temos que entender que, com exceção dos estudiosos modernos já citados, as palavras de Cristo, como registradas por Mateus receberam aceitação universal durante os anos da igreja primitiva.

Mas além dessa passagem, nós ainda podemos encontrar mais duas outras que demonstram o interesse especial de Mateus naquilo que estamos chamando de questões eclesiásticas. Lemos o seguinte em

Mateus 18:20

Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles.

Esse verso descreve a forma mais simples de uma igreja local, e essa descrição vai contra todo o besteirol das megaigrejas e da cultura de que sua igreja precisa crescer. Jesus enxerga a realidade de outra maneira. Em qualquer lugar onde estejam reunidos até mesmo, apenas, 2 ou 3 em nome de Jesus, o Senhor promete estar no meio deles. Difícil é encontrar Jesus nas megaigrejas.

Para terminar vamos ver as palavras de Jesus contidas na chamada grande comissão —

Mateus 28:18—20

18 Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra.

19 Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;

20 ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.

De acordo com os versos acima a missão da igreja consiste em fazer discípulos de todas as nações e de batizá-los em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Além disso, os crentes devem ser ensinados a guardar todas as coisas que Jesus nos ensinou. Diante disso, Jesus assegura para a igreja de todas as eras, sua constante, poderosa e confortadora presença. Amém.

OUTROS ESTUDOS ACERCA DA INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 001 — INTRODUÇÃO GERAL AOS EVANGELHOS — ESTUDO 001

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 002 — A FORMA LITARÁRIA DOS EVANGELHOS

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INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 013 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 008

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INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 016 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 011 — DATA DA COMPOSIÇÃO

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domingo, 18 de outubro de 2015

A PREGAÇÃO BASEADA NA BÍBLIA NÃO MUDA NUNCA EM SUA ESSÊNCIA


O artigo abaixo foi publicado pelo site da Editora Fiel e é de autoria de Peter Sanlon.

A Pregação Mudou Desde a Igreja Primitiva?
Peter Sanlon

A pregação expositiva sistemática e regular da Escritura tem um papel central em minha visão para o ministério eclesiástico normal. Quando prego através de cada livro da Bíblia para as minhas congregações, creio que estou continuando um ofício e uma tradição que tem suas raízes no Pentateuco, nos métodos de ensino judaicos e na Igreja Apostólica. O pouco espaço que tenho não me permite elucidar a natureza dessas primeiras florações da pregação expositiva; ao invés disso, foi–me pedido que compartilhasse algumas reflexões sobre a natureza de nossa obrigação para com a pregação da Igreja Primitiva pós-bíblica.

Os pregadores da Igreja Primitiva que eu vejo como mestres de ofício incluem Ambrósio, Jerônimo, Gregório de Nazianzo, Crisóstomo, Atanásio, Agostinho e Pedro Crisólogo. Contudo, quando leio os sermões desses praticantes da pregação expositiva, é impossível não notar que a pregação deles parece estranha àquilo que se pensa hoje como uma exposição. Como a pregação expositiva moderna pode ser dependente da pregação da Igreja Primitiva que parece tão estranha a nós?

Uma convicção comum aos antigos e modernos

Em primeiro lugar, é vital enfatizar a convicção que nós e os pregadores da patrística temos em comum. Tanto praticantes antigos quanto contemporâneos da pregação expositiva criam que a Escritura é verdadeira em tudo o que ela afirma. Além disso, ambos os grupos defendem que quando a Bíblia é pregada, o próprio Deus fala.

Em muitos lugares os Pais, como Tertuliano, afirmaram que o que quer que a Escritura ensine é a verdade.1 Agostinho também declarou: “Aprendi a render tal respeito e honra apenas aos livros canônicos da Escritura: apenas nesses creio decisivamente que os autores eram completamente livres de erro”.2 Tais afirmações explícitas da confiabilidade bíblica são valiosas na reconstrução da visão patrística da Escritura.

Todavia, as implicações que podem ser tiradas de como a Escritura foi usada por toda a vasta obra dos Pais da Igreja são, no mínimo, tão relevantes quanto. A pregação era o principal ponto em que a Bíblia era usada na Igreja Primitiva, e quando menções após menções são empilhadas sobre citações após citações, fica abundantemente claro que os pregadores antigos lidavam com a Escritura daquela maneira porque criam que ela era verdadeira e que através dela Deus falava aos seus ouvintes.

Como Agostinho pregou: “Tratemos a Escritura como Escritura: como Deus falando”.3 Sem tal convicção há pouca motivação para debruçar-se sobre o texto bíblico na preparação do sermão, como os Pais faziam.

Por que, então, os sermões da Igreja Primitiva parecem tão diferentes dos pregadores modernos ocidentais que compartilham do mesmo comprometimento para com o papel da Escritura no discurso de Deus? Os sermões da patrística sempre utilizam alegorias obscuras, presumem significado nos números e podem saltar por passagens bíblicas aparentemente aleatoriamente. Os sermões da patrística podem conter reflexões e excursões que aparentemente divergem grandemente do texto sendo considerado. A ideia de que a pregação expositiva moderna é descendente de tais homilias antigas seria, meramente, uma ilusão?

A pregação expositiva se relaciona com a cultura pagã

Pregação expositiva é um ofício, uma arte e uma disciplina pastoral que interage com a cultura pagã em geral e com a oratória pagã em especial.

Os pregadores da patrística (e os pregadores contemporâneos) comprometidos com a pregação expositiva têm visões radicalmente divergentes da erudição pagã. Alguns pregadores teciam citações de autores pagãos no tecido de suas exposições. Por exemplo, Ambrósio tem mais de cem citações de Virgílio em sermões de sua autoria a que temos acesso hoje, e usava o autor médico Galeno para ajudá-lo a explicar Gênesis. Tertuliano desacreditou o ensino pagão como inimigo da teologia. O fato de seu estilo de discurso se utilizar de técnicas retóricas forjadas nas escolas pagãs nos lembra que ninguém pode escapar completamente do seu contexto.

A frequência das citações de autores pagãos é a única e mais óbvia forma que o aprendizado pagão influenciou os sermões da patrística. Mais profundamente, a cultura pagã do mundo antigo era fascinada pelas palavras — seu sentido, formação e significado. O empilhamento nos sermões de citação bíblica após citação bíblica, assim como o uso de passagens bíblicas mais claras para interpretar passagens mais obscuras, eram técnicas que os pregadores aprenderam nas técnicas escolas pagãs usavam para interpretar Homero.

Assim como na Reforma, o contexto educacional dos pregadores da patrística moldou seus ministérios profundamente. O primeiro manual para o aprendizado da pregação foi escrito por Agostinho. Ele continua extensas seções refletindo sobre como se apropriar melhor das lições de oratória de Cícero. Agostinho via valor no discernimento pagão de como falar bem: “Por que aqueles que falam a verdade o fariam como se fossem estúpidos, enfadonhos e sonolentos?”.4 Apesar de elogiar algumas lições de Cícero, no fim Agostinho considerou que orar e ouvir bons pregadores era mais importante.5

Muito daquilo que faz os sermões da patrística parecerem diferentes dos sermões modernos surge do fato de que, em nossos ministérios de pregação expositiva, nós e nossos antepassados estamos (deliberadamente ou não) usando os melhores conhecimentos pagãos disponíveis sobre hermenêutica e comunicação. Os pregadores antigos criam que a Bíblia era uma palavra divina de rica verdade para os ouvintes. Eles buscavam significado em padrões de números porque a cultura pagã via beleza, verdade e significado residindo em mistérios profundos nos números. Se era assim com a matemática, os discursos persuasivos e a filosofia, pensavam, certamente deve ser muito mais com um texto inspirado pelo próprio Deus. O contexto do aprendizado secular moldou as abordagens dos pregadores antigos ao seu ofício.

O mesmo é verdadeiro quando se fala de questões práticas da pregação. Alguns pregadores escreviam seus sermões por completo e depois os liam. Outros, como Agostinho, meditavam na passagem durante a semana e depois falavam extemporaneamente. Muitas escolas de retórica ensinavam seus alunos a falar em público fazendo-lhes ler e memorizar discursos. Quintiliano, o orador pagão, argumentou que essa era uma maneira superficial e imatura de falar em público. Se um pregador concordasse com Quintiliano ou não acabava moldando sua prática com relação a falar a partir de um roteiro.

Seria um erro grave assumir que nossas abordagens modernas ao entendimento e à pregação da Bíblia são automaticamente superiores àqueles dos pregadores antigos. Também seria incorreto não observar o fato de que a pregação expositiva moderna é descendente da homilética da patrística e partilha de suas convicções fundamentais.

A pregação expositiva se desenvolve com a história da igreja

Outra razão pela qual os sermões da patrística parecem tão singulares é porque foram pregados por pessoas de dentro do contexto da história da igreja em que habitavam. No mundo antigo, alguns pregadores se beneficiaram ao fazer referências cruzadas de traduções iniciadas por Orígenes em sua Héxapla. Agostinho teve dúvida se deveria adotar a tradução bíblica mais erudita de Jerônimo ou continuar com a versão com a qual sua congregação estava mais familiarizada. Ele optou por manter a tradução menos precisa para a sua congregação por causa de sua sensibilidade pastoral, enquanto lentamente integrava a tradução de Jerônimo aos seus escritos acadêmicos.

Conforme a história da igreja progredia, também progrediam as ferramentas, e a forma de pregação expositiva se desenvolvia. Uma das áreas mais óbvias onde isso se aplicava era na história da salvação. Na Igreja Primitiva, os pregadores estavam muito conscientes de que havia um desenvolvimento dentro da história bíblica. Irineu desenvolveu uma teologia de “recapitulação” baseada nas repetições que se percebia dentro da história da salvação como a árvore em Gênesis 2 e o madeiro em que Cristo foi pendurado. A rejeição herética de Marcião do Antigo Testamento e interações com estudiosos judeus levaram muitos pregadores a pregar entre a semelhança e a unidade entre os Testamentos. A ênfase de Agostinho na graça na controvérsia pelagiana o levou a enfatizar a diferença entre a lei e o evangelho. Todas essas — e a aparente presença da prática da alegoria — eram tentativas primitivas dos pregadores de se dedicarem às passagens das Escrituras de maneira a fazer justiça à história da salvação por inteiro.

Dados os muitos desenvolvimentos na história da igreja que nos oferecem novas maneiras de articular a história da salvação e lhe dar nuances, é compreensível que os sermões da patrística possam parecer bem estranhos em suas interpretações teológicas. Na realidade, os grandes pregadores dos primeiros séculos estavam mapeando as possibilidades para configurar unidade e diversidade dentro do cânon — algo com o que nós temos dificuldade e diferimos ainda hoje.

Conclusão

A pregação expositiva mudou desde a igreja primitiva? Na questão de que a pregação expositiva deve se relacionar com a cultura pagã e desenvolver com a história da igreja, a resposta é sim. Se isso nos cegasse quanto às convicções centrais partilhadas a respeito da autoridade da Escritura e a paixão que leva os pregadores a usar o melhor material a que tem acesso na cultura e na teologia para pregar a Bíblia fielmente, nós não só estaríamos desonrando os santos que labutaram antes de nós, mas também deserdaríamos a nós mesmos de um tesouro que pode nos ajudar a aprimorar a nossa pregação — a pregação da Igreja Primitiva.

Tradução: Alan Cristie

Revisão: Vinícius Musselman Pimentel

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

O Artigo original poderá ser visto por meio do link a seguir:

http://www.ministeriofiel.com.br/artigos/detalhes/847/A_Pregacao_Mudou_Desde_a_Igreja_Primitiva?utm_source=inf-set-2015&utm_medium=inf-set-2015&utm_campaign=inf-set-2015

Autor


Peter Sanlon é ministro da St. Mark’s Church em Tunbridge Wells, Reino Unido. Ele é autor de "Augustine’s Theology of Preaching".

Notas:

1 - Tertuliano, A Carne de Cristo, 6.

2 - Agostinho, Epístola 82.3.

3 - Agostinho, Sermão 162C.15.

4 - Agostinho, A Doutrina Cristã, 4.3.

5 - Agostinho, A Doutrina Cristã, 4.32.

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quarta-feira, 9 de setembro de 2015

QUATRO ELEMENTOS DE UMA IGREJA CHEIA DO ESPÍRITO SANTO




O artigo abaixo é da autoria de Ronaldo Lima Cunha, um colaborador do Blog O Grande Diálogo.

Em Atos 2:42-47 lemos a respeito de como era a vida dos irmãos da igreja primitiva:

42 E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.

43 Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos.

44 Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum.

45 Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade.

46 Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração,

47 louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.

Antes, porém de falarmos sobre o texto é importante destacar que alguns comentaristas do livro de Atos dos Apóstolos nos alertam para tomarmos o cuidado de não acharmos que a igreja primitiva não tinha problemas, pois quando continuamos a leitura do livro de Atos e das cartas de Paulo, vemos uma igreja lutando contra o pecado, a imoralidade, a hipocrisia, os falsos mestres, as heresias, as divisões e rivalidades, a apostasia etc.

Porém, nada disso pode tirar o foco de que essa igreja descrita por Lucas vivia a verdadeira transformação própria de pessoas que foram regeneradas pela presença e plenitude do Espírito Santo.

Podemos destacar quatro elementos que a caracterizam como modelo de uma igreja viva e cheia do Espírito Santo.

I. A primeira delas é o comprometimento com a verdade: “e perseveravam na doutrina dos apóstolos” — v.42.

Um ponto importante para que os irmãos saibam é que quando se falava do termo igreja ou ekklesia no contexto histórico do Novo Testamento, a mesma podia significara qualquer assembleia de pessoas que se reunisse por qualquer motivo ou afinidades.

Em nosso caso, que estamos tratando da igreja primitiva,  a mesma não se refere a uma comunidade qualquer, mas de uma muito especial, criada pelo próprio Deus, reunindo todos aqueles que creram no evangelho de Jesus Cristo conforme

Atos 2:36-41

36 Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.

37 Ouvindo eles estas coisas, compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos?

38 Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.

39 Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar.

40 Com muitas outras palavras deu testemunho e exortava-os, dizendo: Salvai-vos desta geração perversa.

41 Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas.

O texto que acabamos de ler é um trecho da pregação do apóstolo Pedro anunciado àquelas pessoas as boas novas do evangelho da qual, por meio de Cristo, Deus nos reconcilia consigo mesmo para fazermos parte de sua família, pois  —

João 1:12

A todos quanto o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem em seu nome.

Essa é a verdade que une a igreja: que Cristo entregou-se por amor a ela e, comprando-a por alto preço, seu próprio sangue, nos deu a vida eterna.

Assim os que recebiam a Cristo perseveravam em obedecer a doutrina dos apóstolos, que é a própria Palavra de Deus. Esses irmãos testemunharam a vida de Jesus e foram comissionados a proclamaras verdades do reino de Deus.

Além da pregação do evangelho, a doutrina dos apóstolos conduzia o povo de Deus a —

2 Pedro 3:18
Crescer na graça e no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo

Levando-os a buscarem uma vida de santidade:

João 17:17
Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.

para sermos cada vez mais semelhantes com  a pessoa do Senhor Jesus.

Apesar de alguns hoje se autointitularem apóstolos, todas as pessoas que testemunharam a vida de Jesus estão mortas, mas seus escritos foram registrados na revelação completa de Deus, a Bíblia. E hoje perseverar na doutrina dos apóstolos significa tanto em buscarmos aprender mais das Escrituras, quanto ao fato de procurarmos não ser apenas ouvintes, mas praticantes dessas Palavras conforme —

Tiago 1:22

Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos.

II. A segunda característica dessa igreja cheia do Espírito Santo está em sua vida de comunhão entre os irmãos —

Atos 2:44

Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum.

Vejam que temos evidência de uma comunhão verdadeira. Eles não estavam “juntos” como se você estivesse espremido por milhares de pessoas no metrô em São Paulo, na hora do rush. Ou então quando você está fisicamente no mesmo lugar que outras pessoas, mas seu coração e pensamentos estão muito longe de quem está “junto” de você, como às vezes acontece em nossas igrejas. Estar de “corpo presente”, mas não vê a hora de acabar o culto para cuidar das coisas que “realmente importam”. Não era por medo, constrangimento nem para manter as aparências.Eles queriam estar juntos de verdade!

Aquela comunidade conhecia o que era o amor. Eles tinham sido alvos do amor de Deus, agora como irmãos, deveriam ter esse mesmo amor uns pelos outros, pois o amor é a evidência de uma igreja viva e verdadeira.

Da mesma forma nós que também fomos alvos desse mesmo amor devemos com a mesma medida amar nossos irmãos conforme lemos em —

1 João 3:16

Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos.

Não basta estarmos intelectualmente alicerçados na doutrina dos apóstolos, sem estarmos unidos uns com os outros em amor. Isso é ortodoxia morta e não é o que a Palavra de Deus nos ensina. O que Deus quer é que sejamos uma família unida, que aprendamos a perdoar uns aos outros e a se importar uns com os outros. Jesus nos diz o seguinte em —

João 13:34

Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros.

Porque será que existem pessoas que não querem mais viver em comunhão com os irmãos, não querem saber mais de igreja? Por que aumenta o número de crentes que se autodenominam “desigrejados”?

Alguns deles são de fato libertinos que não querem saber de igreja por não gostarem de se submeter a disciplina, a prestar contas de suas vidas, nem viver em comunhão e dão a desculpa da igreja ser uma instituição falida cheia de problemas e que não precisam dela para serem cristãos,afirmação essa que sabemos pelas Escrituras ser completamente falsa. Por outro lado sabemos que muitos outros são irmãos que saíram magoados de suas igrejas pela decepção, dor e sofrimento que sofreram e sentiram.

Muitas igrejas estão engessadas em suas tradições institucionais, sem o cuidado de uns pelos outros. Se tornaram lugares frios,repletas duma religiosidade morta.

A Palavra de Deus nos exorta que o relacionamento que temos uns com os outros define o relacionamento que temos com o próprio Deus conforme —

1 João 4:20

Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê.

Outra questão que lemos nesse trecho de Atos 2:44 é que eles tinham tudo em comum, vendiam seus bens e distribuíam à medida que alguém tinha necessidade. 

Essa atitude demonstra uma forma prática de abençoar aqueles que tinham alguma necessidade material. Como podemos dizer que amamos se temos pessoas em nosso meio precisando de ajuda e, tendo condições, não estendemos nossas mãos?


Romanos 12:15

Alegrai com os que se alegram e chorai com os que choram.


Romanos 12:5

Somos um só corpo.


Se um de nós está com problemas todos nós estamos! Jesus já nos alertou em Mateus 25 de como será o grande julgamento — 

Tive fome e não me destes de comer, etc.

ou conforme a exortação de —

Tiago 2:15-16

Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano,e qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso? 

Essas ações eram feitas de forma espontânea e generosa. Não tinha um mandamento explícito para isso, mas eles fizeram de forma voluntária.


III. O terceiro ponto que destacamos de uma igreja viva está em seu espirito de adoração.


Eles tinham verdadeiro temor a Deus. O adoravam de uma forma reverente, mas alegre, prazerosa, sem burocracias, rituais, sacerdotes etc. reunindo-se no templo e também nos lares para compartilhar a Ceia, cantar, aprender mais da Palavra de Deus e orar uns pelos outros. 

Por terem uma vida em comum, e não apenas um momento semanal de culto, de apertos de mão, tapinhas nas costas, ois e tchaus eles tinham intimidade, conhecendo as necessidades, as lutas e os problemas enfrentados pelos irmãos e podiam orar especificamente pelas necessidades uns dos outros e com isso agir até como uma resposta de oração, socorrendo algum irmão necessitado com um aconselhamento, uma visita para alguém enfermo ou suprindo uma necessidade material etc. 

Dessa forma, o culto prestado a Deus era um verdadeiro sacrifício de ações de graças —

Salmos 50:14

Oferece a Deus sacrifício de ações de graças e cumpre os teus votos para com o Altíssimo. 

aceito com alegria por Deus porque vinha de corações que amavam a Jesus não apenas com palavras, mas com suas próprias vidas, cheios de misericórdia, guardando os mandamentos de Deus, sendo que o principal deles é o amor a Deus e o amor uns pelos outros.


IV. E por fim, o quarto item a destacarmos foi o bom testemunho que os irmãos da igreja primitiva alcançaram com os de fora.


O objetivo deles não era de serem aprovados pelos homens. Eles buscavam agradar a Deus e agindo dessa forma eles conseguiram ganhar a simpatia de todo o povo que pode ver uma comunidade que não era perfeita, mas se baseava em relacionamentos verdadeiros nos seus objetivos de cultuar a Deus e cuidar uns dos outros. 

Não era uma igreja escandalosa e inoperante — como muitas das “igrejas” que vemos hoje — e dessa forma nós vemos como ela crescia. Não havia métodos de crescimento baseado em técnicas para atrair as pessoas como vemos hoje, nos quais muitos pastores adotam modelos empresariais de sucesso ministerial por meio do que os consultores de marketing entendem ser as formas mais eficazes para se crescer. Não! A evangelização era contínua, se dava de forma espontânea, pelo bom testemunho e pela pregação fiel das Escrituras, da mesma forma como Pedro fez em seu sermão de Atos 2 e assim Deus acrescentava dia a dia os que iam sendo salvos”... 

Aqueles que Deus acrescentava em sua igreja eram os que ouviam e criam no evangelho e viviam perseverando na doutrina dos apóstolos, amando e cuidando uns dos outros, cultuando a Deus em Espírito e em Verdade e testemunhando para o mundo o que era ser um cristão. 

A igreja de Cristo vivia em meio a uma geração perversa e rebelde a Deus, mas que não se contaminavam com as paixões mundanas. 

Agiam com integridade, cumprindo suas obrigações sociais e faziam tudo de forma excelente e feliz, não para o louvor de homens, mas para honra e glória de Deus!


Assim, encerramos essa mensagem com algumas perguntas:

1. Somos gratos a Deus pela nossa salvação por meio do sacrifício de Jesus? 

2. Temos consciência do privilégio de sermos parte da igreja de Cristo? 

3. Temos buscado seguir o exemplo da igreja primitiva para nos tornarmos uma igreja cheia do Espírito Santo? 

Que Deus nos abençoe e nos ajude a vivermos uma vida abundante de amor e comunhão com nossos irmãos! 

Ronaldo Lima Cunha 

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