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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

SPOTLIGHT: NOVO FILME TRAZ MAIS DENÚNCIAS DE PEDOFILIA DENTRO DA IGREJA CATÓLICA ROMANA, INCLUSIVE NO BRASIL

SPOTLIGHT: TRAGAM A HISTÓRIA PARA A LUZ. QUEBREM O SILÊNCIO.

O artigo abaixo foi publicado pelo site Gnotícias e é de autoria de Tiago Chagas. Por favor, ao ler o mesmo, note os números que são citados.

Filme “Spotlight” narra bastidores da pedofilia na Igreja Católica; Casos brasileiros são citados.

Publicado por Tiago Chagas em 8 de janeiro de 2016

O escândalo que revelou a prática de pedofilia por dezenas de padres ao redor do mundo começou com uma investigação jornalística que terminou em uma premiada reportagem. E a história dessa reportagem agora ganhou as telonas.

O filme “Spotlight – Segredos Revelados” estreou nos cinemas brasileiros na última quinta-feira, 07 de janeiro, narrando a história que resultou na acusação de 249 padres por abusarem sexualmente de mais de 1500 vítimas somente na região de Boston, além da renúncia de um cardeal, que terminou transferido para o Vaticano.

No filme, casos de abusos sexuais em quatro cidades brasileiras também são mencionados: Franca (SP), Arapiraca (AL), Mariana (MG) e Rio de Janeiro (RJ).

“Spotlight” revela os bastidores do jornal norte-americano The Boston Globo, que descobriu o esquema de acobertamento de casos de pedofilia na Igreja Católica, incluindo acordos judiciais sem registro e com imposição de silêncio às partes.

A produção foi indicada a três prêmios no Globo de Ouro, como “Melhor Filme – Drama”, “Melhor Diretor” e “Melhor Roteiro”, além de já ter sido premiada como “Filme do Ano” pelas entidades American Film Institute e National Board of Review, além de prêmios equivalentes pelas associações de críticos de cinema de Nova York e Los Angeles.

O ator Mark Ruffalo (conhecido pelo papel de Hulk nos filmes de “Os Vingadores”) interpreta o protagonista da história, jornalista Mike Rezende, que foi criado na tradição católica. “Antes, padres eram dispensados da obrigação legal de ter de reportar abusos sexuais, mas hoje a lei estadual mudou”, disse o jornalista em entrevista à Folha de S. Paulo, revelando que a reportagem da qual participou gerou impacto social e legal na cidade.

Veja o trailer legendado em português por meio do link abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=I7TYGRwZbE4

Brasil

Sobre os casos brasileiros mencionados no filme, a Folha apurou que o padre de Franca, José Afonso Dé, 82 anos, foi condenado a 82 anos de prisão pelo abuso de quatro adolescentes nos anos 2010, mas recorre da sentença em liberdade.

Na cidade de Arapiraca, o monsenhor Luiz Marques Barbosa, 87 anos, recebeu sentença de 21 anos de prisão. Durante o processo, um vídeo em que ele aparecia fazendo sexo oral em um adolescente vazou, o que ampliou a revolta popular. Após a condenação, Barbosa passou apenas 15 dias preso, porque a Justiça aceitou seu pedido para recorrer em liberdade da condenação.

Outros dois padres de Arapiraca, Edilson Duarte e Raimundo Gomes foram condenados a quatro anos e quatro meses de prisão cada um. O primeiro ainda recorre em liberdade, enquanto o segundo morreu em 2014 após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

O artigo original poderá ser visto por meio do seguinte link:


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Alexandros Meimaridis

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quinta-feira, 2 de abril de 2015

BEATOS CATÓLICOS VOLTAM A CHAMAR A ATENÇÃO


O material abaixo foi publicado pelo site da Revista ISTOÉ.

Os beatos que atraem multidões

Quem são os videntes católicos que afirmam ver e conversar com Maria e reúnem milhares de pessoas pelo País

Helena Borges (helenaborges@istoe.com.br)

Aos 43 anos, o advogado carioca Pedro Siqueira tem, à primeira vista, um cotidiano comum. Casado, pai de um menino de 3 anos, ele trabalha na Advocacia-Geral da União (AGU), é fã de esportes e enfrenta diariamente os problemas de quem vive em uma grande cidade. A diferença é que Siqueira afirma ver e falar com Nossa Senhora. O advogado chega a reunir dez mil pessoas em celebrações nas quais reza o terço e profere mensagens que são atribuídas a Maria. E ele não é o único. No interior do Espírito Santo, a pacata cidade de Serra, com pouco mais de 400 mil habitantes, também virou ponto de peregrinação porque no jardim de uma casa são recolhidas folhas com desenhos e mensagens feitos por formigas a pedido de Nossa Senhora, segundo Maria Aparecida D’Ávilla, 56 anos, que cuida do santuário. Dona de casa, ela diz que vê e fala com a Virgem nas situações mais corriqueiras, como durante as compras no supermercado. Na Bahia, Pedro Regis, 45 anos, é seguido por multidões de até 50 mil pessoas quando narra, em tempo real, palavras que afirma receber da mãe de Jesus. Casado e pai de duas filhas, ele já deu palestras sobre o fenômeno na França, em Portugal e Israel. Juntos, esses três videntes lideram, ao ano, peregrinações de mais de um milhão de fiéis pelo Brasil.

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Além da particularidade do contato direto com a mãe de Jesus, eles têm em comum o fato de serem católicos “leigos”, que não fazem parte da hierarquia da Igreja. Isso não quer dizer que entrem em conflito com padres ou bispos. Ao contrário, costumam contar com a compreensão dos representantes oficiais. O papa João Paulo II (1920-2005), por exemplo, era devoto de Nossa Senhora de Fátima, à qual se referia como “Senhora da Mensagem”. O pontífice chegou a se encontrar com Irmã Lúcia (1907-2005), uma dos três jovens que dizem ter visto Maria na Cova da Iria, em Portugal, em 1917. Já o papa Francisco não se diz contra, mas adota uma postura mais cautelosa em relação aos videntes. “Eventos extrassensoriais acontecem. Há inúmeros relatos de pessoas que os sentem ou presenciam. Ninguém os pressupõem”, afirma dom Aldo di Cillo Pagotto, arcebispo da Paraíba.

O carioca Siqueira diz ver Nossa Senhora desde criança. Segundo o advogado, ela surge de uma janela espiritual que se abre no teto, veste bata e véu em tons claros, tem os pés descalços, os cabelos escuros e mantém o olhar muito sereno. Em volta dela, anjos e uma aura colorida descem até o plano terreno, sem tocar o chão. Essas experiências já renderam três livros sobre fé católica e suas vivências espirituais.

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Para não confundir a intenção de ajudar o próximo com a pretensão de ser considerado um clérigo ou santo, o baiano Pedro Regis faz questão de ter um padre ao seu lado sempre que organiza suas orações. Regis conta que muitas pessoas relatam curas de doenças ou resolução de problemas após irem aos encontros promovidos por ele. “Mas se teve algum milagre, foi de Nossa Senhora. Sou apenas um instrumento. Sou pecador, como todas as pessoas”, diz. Nesses eventos, uma cruz é carregada pela multidão e, após as orações, ele repete o que afirma ouvir de Maria. As aparições começaram aos 18 anos, quando Regis passou mal na rua e uma jovem o ajudou a voltar para casa – ela seria Maria. Desde então, ele contabiliza ter recebido mais de quatro mil mensagens da mãe de Jesus.

Na região metropolitana de Vitória (ES), Serra também virou local de peregrinação. Lá, em um jardim, que já ganhou fama de santuário, as folhas caem na grama e são atacadas por formigas, que formam com suas pequenas mordidas desenhos do perfil de Nossa Senhora ou mensagens creditadas a ela. O acontecimento já levou zoólogos da Universidade Federal do Espírito Santo a realizarem testes nos rastros deixados – eles concluíram que o tipo de marca não é característica de uma mordida de formiga, mas sim de perfurações por objetos pontiagudos. A dona de casa capixaba Maria Aparecida, destinatária das mensagens deixadas nas folhas, afirma ver Maria em diferentes situações. “Ela é de poucas palavras, mas é brava. De vez em quando fico até sem graça, porque bem no dia em que as folhas são lidas na missa ela me manda uma mensagem de correção”, diz, referindo-se às celebrações realizadas na igreja ao lado do jardim. Duas vezes por mês algumas folhas são lidas por um padre.

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A igreja tem uma postura cautelosa em relação aos videntes. Quando aparecem relatos de fiéis que viram e ouviram santos e anjos ou receberam revelações da Virgem Maria, o bispo da região designa uma comissão para analisar o caso, composta por padres, psicólogos e médicos. Observam-se, então, as condições psicológicas e de saúde da pessoa e se o tipo de mensagem que ela está passando vai ao encontro dos princípios cristãos. Só após esse processo, que leva anos, o Vaticano se posiciona a favor ou contra a “credencial”. O coordenador do curso de pós-graduação em ciência da religião da Universidade Federal de Juiz de Fora, Emerson Silveira, afirma que não é possível falar de um católico brasileiro com um perfil único. “Há aqueles ligados à Teologia da Libertação e às Comunidades Eclesiais de Base, que colocam em segundo plano ou não prezam a crença em milagres e intervenções de santos, anjos ou Virgem Maria”, diz. Se as mensagens são reais ou não, afirma Silveira, quem julga é a multidão que os segue. O teólogo Afonso Murad, doutor pela Pontíficia Universidade Gregoriana, em Roma (ITA), conta que esse tipo de contato com o divino é aceito com maior facilidade no País pela influência do movimento carismático forte. Mas essa abertura não é necessariamente 100% positiva, já que é preciso ter crivo para aceitar ou refutar algum evento como milagre. “Quando aparecem videntes fanáticos, com mensagens apocalípticas e moralistas que não estão em sintonia com o evangelho e a caminhada da Igreja, não devem ser aceitos como legítimos.”

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Foto: Pedro Dias/Ag. Istoé, Airam Asil; Gabriel Lordello/Mosaico Imagem; PAULO NOVAIS/EFE; Manuel Romano/NurPhoto; Jeremy Horner/Getty Images

O artigo original do site da ISTOÉ poderá ser visto por meio desse link aqui:


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domingo, 10 de agosto de 2014

CATÓLICOS E EVANGÉLICOS E O NEGÓCIO BILIONÁRIO DA FÉ



O artigo abaixo foi publicado pelo site do Correio Braziliense e é de autoria de Diego Amorim.

No Brasil, igrejas católicas e evangélicas movem R$ 21,5 bilhões ao ano

Do total arrecadado, 72% vêm de doações. A maior parte do dinheiro está aplicada em poupança, imóveis e CDBs. Se as instituições fossem uma empresa, ocupariam, juntas, o 18º lugar no ranking nacional

Por Diego Amorim

 “Não podeis servir a
Deus e ao dinheiro”

Lc 16, 13

“Porque a raiz de todos os
males é o amor ao dinheiro”

I Tim 6,10

A relação das religiões cristãs com o dinheiro, ao menos abertamente, nunca se deu de maneira confortável. Antes de a chamada teologia da prosperidade apresentar aos fiéis a ideia de que graça divina e riqueza são diretamente proporcionais, o tema só aparecia nos sermões se fosse para ser abominado. Os primeiros padres definiam o dinheiro, ainda nos idos dos anos 200, como “excremento do diabo”, sempre associado à vaidade e ao orgulho, pecados mortais capitais.

O fato de os assuntos financeiros figurarem na lista dos mais sensíveis para os líderes de igrejas, porém, não impediu que, ao longo da história, as religiões cristãs acumulassem um patrimônio bilionário. Mesmo com tanto tabu em torno das sagradas finanças, padres, bispos e pastores precisaram aprender a contar dinheiro e a se convencer de que, sem ele, a manutenção dos templos, a caridade e a própria missão de evangelizar ficariam impossibilitadas.

A partir de hoje, o Correio destrincha a economia movimentada pela fé no Brasil, revelando como instituições religiosas, favorecidas pela imunidade tributária, administram o constante volume de ofertas, dízimos e recursos de outras naturezas. Por dia, as igrejas do país — a maioria católicas e evangélicas — arrecadam, em média, quase R$ 60 milhões. Somente em 2012, segundo dados exclusivos levantados pela Receita Federal, R$ 21,5 bilhões entraram nos cofres divinos. Em relação ao ano anterior, o recolhimento cresceu 4,3%, salto considerável diante do tamanho do montante.

Quadros desfavoráveis ou mesmo crises econômicas não costumam atingir a receita das igrejas. As doações respondem por 72% do dinheiro em caixa. O restante equivale a rendimentos gerados com aluguel ou vendas de bens, aplicações em renda fixa ou, em casos mais raros, operações na Bolsa de Valores.

Em geral, as igrejas têm aversão ao risco e, por isso, optam por políticas de investimento bastante conservadoras, não priorizando a rentabilidade. A sobra dos recursos doados às instituições, na maioria das vezes, cai na poupança ou é aplicada em Certificado de Depósito Bancário (CDB), os dois modelos mais simples de fazer o dinheiro render. Estratégias ousadas, como a compra e a venda de ações, normalmente são feitas em nome dos próprios líderes.

O artigo original do Correio Braziliense poderá ser acessado por meio desse link aqui:


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Alexandros Meimaridis

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