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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

ENCONTROS DE PODER — 036 — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 004 — OS RISCOS DO PAGANISMO


Resultado de imagem para PAGANISMO

Atenção esse artigo é parte de uma série onde pretendemos tratar dos alegados encontros de poder e de curas maravilhosas que nos são apresentadas todos os dias pelos pastores midiáticos. No final de cada estudo você encontrará links para outros estudos.

Continuação...

Em Gálatas 4:8—11 lemos —

8 Outrora, porém, não conhecendo a Deus, servíeis a deuses que, por natureza, não o são;

9 mas agora que conheceis a Deus ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como estais voltando, outra vez, aos rudimentos fracos e pobres, aos quais, de novo, quereis ainda escravizar-vos?

10 Guardais dias, e meses, e tempos, e anos.

11 Receio de vós tenha eu trabalhado em vão para convosco.

Nessa passagem Paulo faz uma referência direta ao passado pagão dos gálatas ao afirmar: Outrora, porém, não conhecendo a Deus, servíeis a deuses que, por natureza, não o são. Tendo agora tomado conhecimento do Deus Vivo, Paulo mostra-se chocado que os gálatas estejam querendo retornar às práticas pagãs que adotavam anteriormente: mas agora que conheceis a Deus ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como estais voltando, outra vez, aos rudimentos fracos e pobres, aos quais, de novo, quereis ainda escravizar-vos? Todavia, o abandono da fé cristã pela volta ao paganismo não era, no entender de Paulo, uma volta literal ao paganismo e sim a adoção fútil dum cristianismo judaizado que exigia a prática da circuncisão e da observância da lei de Moisés — conforme o verso 10 acima.

Talvez, por causa da metáfora acerca da infância que temos em Gálatas 3:23 — 4:7, a melhor forma de traduzir a expressão grega στοιχεῖα — stoicheîa — seja por algo semelhante a “superstições infantis”. Crenças em vários deuses estava entre as “coisas rudimentares” que lhes havia sido permitidas enquanto era menores —

Deuteronômio 4:19

Guarda-te não levantes os olhos para os céus e, vendo o sol, a lua e as estrelas, a saber, todo o exército dos céus, sejas seduzido a inclinar-te perante eles e dês culto àqueles, coisas que o SENHOR, teu Deus, repartiu a todos os povos debaixo de todos os céus.  

Mas retornar a essas infantilidades quando já se encontravam na idade adulta seria equivalente a deixar-se aprisionar, novamente, como escravos. Essa leitura seria semelhante a de  —

Hebreus 5:12

Pois, com efeito, quando devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade de alguém que vos ensine, de novo, quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus; assim, vos tornastes como necessitados de leite e não de alimento sólido.

que trata do “ABC” da fé cristã. Desse modo temos que as chamadas “coisas rudimentares” são os elementos básicos que constituem os cultos, as praticas cerimoniais, as crenças e o comportamento tanto de judeus como de gentios, nos dias de Paulo. É possível que tais práticas religiosas fossem inevitáveis, mas retornar para tais práticas, depois de ter experimentado a liberdade incomparável da fé em Cristo, seria algo, verdadeiramente catastrófico.

στοιχεῖα — stoicheîa — em Gálatas nos parece então, fazer referência a todas as práticas básicas, a crenças, a rituais e celebrações que são fundamentais para a existência religiosa dos povos, sejam eles judeus ou gentios. Em

Gálatas 4:3

Assim, também nós, quando éramos menores, estávamos servilmente sujeitos aos rudimentos do mundo.

Paulo usa o termo para incluir os gentios numa discussão acerca do judaísmo e de suas práticas de então, para que os mesmos não ficassem de fora de uma discussão tão importante, por maior que fosse o desprezo que os judeus nutriam por tais situações. Mas o fato que permanece é que, para Paulo, naqueles dias, judeus e gentios não eram em nada diferentes uma vez que se encontravam todos debaixo da ira de Deus.

Romanos 11:32

Porque Deus a todos encerrou na desobediência, a fim de usar de misericórdia para com todos.

Gálatas 3:22

Mas a Escritura encerrou tudo sob o pecado, para que, mediante a fé em Jesus Cristo, fosse a promessa concedida aos que creem.

Os gentios como os judeus, também tinham se encontrado sob a guarda de noções religiosas equivocadas que os impediam tanto de conhecer a Deus como de serem conhecidos por Ele.

Gálatas 4:9 desenvolve o mesmo tipo de pensamento, mas de forma reversa: tendo sido escravo durante a infância a tais crenças, doutrinas e práticas elementares, eles correm o risco de se venderem outra vez para a velha escravidão, ao adotarem a lei judaica, a qual não é diferente, em tipo, daquilo que antes os escravizava. Agora, uma vez que eles experimentaram a vida pelo Espírito de Deus, libertados de qualquer lei, vivendo a partir de um coração no qual o próprio Senhor Jesus Cristo habita, como poderiam desejar retornar para uma vida sob regras e regulamentos de uma lei heterônima. Assim podemos concluir esse verso afirmado que  στοιχεῖα — stoicheîa — aqui aponta para práticas religiosas comuns observadas tanto por judeus como por gentios, todas igualmente inadequadas.

LISTAS DOS ESTUDOS DE ENCONTROS DE PODER

001 — Introdução =

002 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = Expressões Diversas

003 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀρχῆ — arché e ἄρχων — árchon.

004 – A linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἐξουσίαις – exousías – potestades, autoridades.

005 – A linguagem de “Poder” no Novo Testamento = δυνάμεις — dunámeis — poderes.

006 – A linguagem de “Poder” no Novo Testamento = Θρόνοι— thrónoi — tronos.

007 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = κυριοτῆς — kuriotês — domínio.

008 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ὀνόματι — onómati — nome.

009 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἄγγελοs — ággelos — anjo.

010 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = δαιμονίον — daimoníon — demônioπνεῦμα τὸ πονηρὸν — pneûma tò poniròn — espírito malignoἀγγέλους τε τοὺς μὴ τηρήσαντας τὴν ἑαυτῶν ἀρχὴν— angélous te toùs me terèsantas tèn eautôn archèn — anjos, os que não guardaram o seu estado original ou anjos caídos.

011 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀγγέλους  τῶν ἐθνῶν — angélous tôn ethnôn — anjos das nações.

012 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀγγέλους  τῶν ἐθνῶν — angélous tôn ethnôn — anjos das nações — Parte 2.

013 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀγγέλους  τῶν ἐθνῶν — angélous tôn ethnôn — anjos das nações — Parte 3 — Final.

014 — A Evidência do Novo Testamento – Parte 1 — Introdução

015 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 2 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 2:6—8 — Parte 1

016 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 3 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 2:6—8 — Parte 2

017 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 3 — As Passagens Disputadas — Romanos 13:1—3

018 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 4 — As Passagens Disputadas — Romanos 8:31—39

019 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 5 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 15:24—27a — PARTE 1

020 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 6 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 15:24—27a — PARTE 2

021 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 7 — As Passagens Disputadas — Colossenses 3:13—15 — PARTE 1

022 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 8 — As Passagens Disputadas — Colossenses 3:13—15 — PARTE 2

023 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 9 — As Passagens Disputadas — Efésios 1:20—23 — AS REGIÕES CELESTIAIS — PARTE 1

024 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 10 — As Passagens Disputadas — Efésios 1:20—23 — AS REGIÕES CELESTIAIS — PARTE 2

025 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 11 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 3

026 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 12 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 4

027 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 13 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 5

028 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 14 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 6

029 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 15 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 7 — A DESTRUIÇÃO DA MORTE E DE SEUS ALIADOS

030 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 16 — As Passagens Disputadas — COLOSSENSES 1:16 — A CRIAÇÃO DE TODAS AS COISAS POR MEIO DE E PARA O PRÓPRIO CRISTO

031 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 16 — As Passagens Disputadas — COLOSSENSES 1:16 — TENTANDO DEFINIR OS PODERES

032 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 16 — As Passagens Disputadas — COLOSSENSES 1:16 — TENTANDO DEFINIR OS PODERES —PARTE 002

033 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 17 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 001

034 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 18 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 002

035 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 19 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 003

036 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 20 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 004

037 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 21 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 005

038 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 22 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 006

039 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 23 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 007

040 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 24 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 008

041 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 25 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 009

042 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 26 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 010

043 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 27 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 011 — O PRÍNCIPE DA POTESTADE DO AR
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/02/encontros-de-poder-043-evidencia-do.html



044 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 28 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 012 — AS FORÇAS ESPIRITUAIS DO MAL — PARTE 001

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis.

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Desde já agradecemos a todos.      

domingo, 18 de outubro de 2015

A PREGAÇÃO BASEADA NA BÍBLIA NÃO MUDA NUNCA EM SUA ESSÊNCIA


O artigo abaixo foi publicado pelo site da Editora Fiel e é de autoria de Peter Sanlon.

A Pregação Mudou Desde a Igreja Primitiva?
Peter Sanlon

A pregação expositiva sistemática e regular da Escritura tem um papel central em minha visão para o ministério eclesiástico normal. Quando prego através de cada livro da Bíblia para as minhas congregações, creio que estou continuando um ofício e uma tradição que tem suas raízes no Pentateuco, nos métodos de ensino judaicos e na Igreja Apostólica. O pouco espaço que tenho não me permite elucidar a natureza dessas primeiras florações da pregação expositiva; ao invés disso, foi–me pedido que compartilhasse algumas reflexões sobre a natureza de nossa obrigação para com a pregação da Igreja Primitiva pós-bíblica.

Os pregadores da Igreja Primitiva que eu vejo como mestres de ofício incluem Ambrósio, Jerônimo, Gregório de Nazianzo, Crisóstomo, Atanásio, Agostinho e Pedro Crisólogo. Contudo, quando leio os sermões desses praticantes da pregação expositiva, é impossível não notar que a pregação deles parece estranha àquilo que se pensa hoje como uma exposição. Como a pregação expositiva moderna pode ser dependente da pregação da Igreja Primitiva que parece tão estranha a nós?

Uma convicção comum aos antigos e modernos

Em primeiro lugar, é vital enfatizar a convicção que nós e os pregadores da patrística temos em comum. Tanto praticantes antigos quanto contemporâneos da pregação expositiva criam que a Escritura é verdadeira em tudo o que ela afirma. Além disso, ambos os grupos defendem que quando a Bíblia é pregada, o próprio Deus fala.

Em muitos lugares os Pais, como Tertuliano, afirmaram que o que quer que a Escritura ensine é a verdade.1 Agostinho também declarou: “Aprendi a render tal respeito e honra apenas aos livros canônicos da Escritura: apenas nesses creio decisivamente que os autores eram completamente livres de erro”.2 Tais afirmações explícitas da confiabilidade bíblica são valiosas na reconstrução da visão patrística da Escritura.

Todavia, as implicações que podem ser tiradas de como a Escritura foi usada por toda a vasta obra dos Pais da Igreja são, no mínimo, tão relevantes quanto. A pregação era o principal ponto em que a Bíblia era usada na Igreja Primitiva, e quando menções após menções são empilhadas sobre citações após citações, fica abundantemente claro que os pregadores antigos lidavam com a Escritura daquela maneira porque criam que ela era verdadeira e que através dela Deus falava aos seus ouvintes.

Como Agostinho pregou: “Tratemos a Escritura como Escritura: como Deus falando”.3 Sem tal convicção há pouca motivação para debruçar-se sobre o texto bíblico na preparação do sermão, como os Pais faziam.

Por que, então, os sermões da Igreja Primitiva parecem tão diferentes dos pregadores modernos ocidentais que compartilham do mesmo comprometimento para com o papel da Escritura no discurso de Deus? Os sermões da patrística sempre utilizam alegorias obscuras, presumem significado nos números e podem saltar por passagens bíblicas aparentemente aleatoriamente. Os sermões da patrística podem conter reflexões e excursões que aparentemente divergem grandemente do texto sendo considerado. A ideia de que a pregação expositiva moderna é descendente de tais homilias antigas seria, meramente, uma ilusão?

A pregação expositiva se relaciona com a cultura pagã

Pregação expositiva é um ofício, uma arte e uma disciplina pastoral que interage com a cultura pagã em geral e com a oratória pagã em especial.

Os pregadores da patrística (e os pregadores contemporâneos) comprometidos com a pregação expositiva têm visões radicalmente divergentes da erudição pagã. Alguns pregadores teciam citações de autores pagãos no tecido de suas exposições. Por exemplo, Ambrósio tem mais de cem citações de Virgílio em sermões de sua autoria a que temos acesso hoje, e usava o autor médico Galeno para ajudá-lo a explicar Gênesis. Tertuliano desacreditou o ensino pagão como inimigo da teologia. O fato de seu estilo de discurso se utilizar de técnicas retóricas forjadas nas escolas pagãs nos lembra que ninguém pode escapar completamente do seu contexto.

A frequência das citações de autores pagãos é a única e mais óbvia forma que o aprendizado pagão influenciou os sermões da patrística. Mais profundamente, a cultura pagã do mundo antigo era fascinada pelas palavras — seu sentido, formação e significado. O empilhamento nos sermões de citação bíblica após citação bíblica, assim como o uso de passagens bíblicas mais claras para interpretar passagens mais obscuras, eram técnicas que os pregadores aprenderam nas técnicas escolas pagãs usavam para interpretar Homero.

Assim como na Reforma, o contexto educacional dos pregadores da patrística moldou seus ministérios profundamente. O primeiro manual para o aprendizado da pregação foi escrito por Agostinho. Ele continua extensas seções refletindo sobre como se apropriar melhor das lições de oratória de Cícero. Agostinho via valor no discernimento pagão de como falar bem: “Por que aqueles que falam a verdade o fariam como se fossem estúpidos, enfadonhos e sonolentos?”.4 Apesar de elogiar algumas lições de Cícero, no fim Agostinho considerou que orar e ouvir bons pregadores era mais importante.5

Muito daquilo que faz os sermões da patrística parecerem diferentes dos sermões modernos surge do fato de que, em nossos ministérios de pregação expositiva, nós e nossos antepassados estamos (deliberadamente ou não) usando os melhores conhecimentos pagãos disponíveis sobre hermenêutica e comunicação. Os pregadores antigos criam que a Bíblia era uma palavra divina de rica verdade para os ouvintes. Eles buscavam significado em padrões de números porque a cultura pagã via beleza, verdade e significado residindo em mistérios profundos nos números. Se era assim com a matemática, os discursos persuasivos e a filosofia, pensavam, certamente deve ser muito mais com um texto inspirado pelo próprio Deus. O contexto do aprendizado secular moldou as abordagens dos pregadores antigos ao seu ofício.

O mesmo é verdadeiro quando se fala de questões práticas da pregação. Alguns pregadores escreviam seus sermões por completo e depois os liam. Outros, como Agostinho, meditavam na passagem durante a semana e depois falavam extemporaneamente. Muitas escolas de retórica ensinavam seus alunos a falar em público fazendo-lhes ler e memorizar discursos. Quintiliano, o orador pagão, argumentou que essa era uma maneira superficial e imatura de falar em público. Se um pregador concordasse com Quintiliano ou não acabava moldando sua prática com relação a falar a partir de um roteiro.

Seria um erro grave assumir que nossas abordagens modernas ao entendimento e à pregação da Bíblia são automaticamente superiores àqueles dos pregadores antigos. Também seria incorreto não observar o fato de que a pregação expositiva moderna é descendente da homilética da patrística e partilha de suas convicções fundamentais.

A pregação expositiva se desenvolve com a história da igreja

Outra razão pela qual os sermões da patrística parecem tão singulares é porque foram pregados por pessoas de dentro do contexto da história da igreja em que habitavam. No mundo antigo, alguns pregadores se beneficiaram ao fazer referências cruzadas de traduções iniciadas por Orígenes em sua Héxapla. Agostinho teve dúvida se deveria adotar a tradução bíblica mais erudita de Jerônimo ou continuar com a versão com a qual sua congregação estava mais familiarizada. Ele optou por manter a tradução menos precisa para a sua congregação por causa de sua sensibilidade pastoral, enquanto lentamente integrava a tradução de Jerônimo aos seus escritos acadêmicos.

Conforme a história da igreja progredia, também progrediam as ferramentas, e a forma de pregação expositiva se desenvolvia. Uma das áreas mais óbvias onde isso se aplicava era na história da salvação. Na Igreja Primitiva, os pregadores estavam muito conscientes de que havia um desenvolvimento dentro da história bíblica. Irineu desenvolveu uma teologia de “recapitulação” baseada nas repetições que se percebia dentro da história da salvação como a árvore em Gênesis 2 e o madeiro em que Cristo foi pendurado. A rejeição herética de Marcião do Antigo Testamento e interações com estudiosos judeus levaram muitos pregadores a pregar entre a semelhança e a unidade entre os Testamentos. A ênfase de Agostinho na graça na controvérsia pelagiana o levou a enfatizar a diferença entre a lei e o evangelho. Todas essas — e a aparente presença da prática da alegoria — eram tentativas primitivas dos pregadores de se dedicarem às passagens das Escrituras de maneira a fazer justiça à história da salvação por inteiro.

Dados os muitos desenvolvimentos na história da igreja que nos oferecem novas maneiras de articular a história da salvação e lhe dar nuances, é compreensível que os sermões da patrística possam parecer bem estranhos em suas interpretações teológicas. Na realidade, os grandes pregadores dos primeiros séculos estavam mapeando as possibilidades para configurar unidade e diversidade dentro do cânon — algo com o que nós temos dificuldade e diferimos ainda hoje.

Conclusão

A pregação expositiva mudou desde a igreja primitiva? Na questão de que a pregação expositiva deve se relacionar com a cultura pagã e desenvolver com a história da igreja, a resposta é sim. Se isso nos cegasse quanto às convicções centrais partilhadas a respeito da autoridade da Escritura e a paixão que leva os pregadores a usar o melhor material a que tem acesso na cultura e na teologia para pregar a Bíblia fielmente, nós não só estaríamos desonrando os santos que labutaram antes de nós, mas também deserdaríamos a nós mesmos de um tesouro que pode nos ajudar a aprimorar a nossa pregação — a pregação da Igreja Primitiva.

Tradução: Alan Cristie

Revisão: Vinícius Musselman Pimentel

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

O Artigo original poderá ser visto por meio do link a seguir:

http://www.ministeriofiel.com.br/artigos/detalhes/847/A_Pregacao_Mudou_Desde_a_Igreja_Primitiva?utm_source=inf-set-2015&utm_medium=inf-set-2015&utm_campaign=inf-set-2015

Autor


Peter Sanlon é ministro da St. Mark’s Church em Tunbridge Wells, Reino Unido. Ele é autor de "Augustine’s Theology of Preaching".

Notas:

1 - Tertuliano, A Carne de Cristo, 6.

2 - Agostinho, Epístola 82.3.

3 - Agostinho, Sermão 162C.15.

4 - Agostinho, A Doutrina Cristã, 4.3.

5 - Agostinho, A Doutrina Cristã, 4.32.

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.   

quarta-feira, 9 de abril de 2014

2 Coríntios 7:4 – 16 - Tudo Vai Bem Quando Termina Bem - Sermões na Segunda Epístola de Paulo aos Coríntios - Sermão 012


COMUNHÃO E CONFIANÇA!

Esse esboço de sermão é parte da série "Exposição da 2 Epístola de Paulo aos Coríntios" e é muito recomendável que o leitor procure conhecer todos os aspectos das verdades contidas nessa exposição, com aplicações para os nossos dias. No final do artigo você encontrará um link para outros estudos dessa série.

Sermões na Segunda Epístola de Paulo aos Coríntios

Sermão # 12 – 2 Coríntios 7:4 – 16.

Tudo Vai Bem Quando Termina Bem
Introdução Geral.

A. O propósito desta epístola era restabelecer a comunhão e a confiança entre Paulo e os irmãos em Corinto.
B. A comunhão entre eles havia sido profundamente abalada por alguns detratores de Paulo.
1. Detratores judeus que não apreciavam a liberdade que possuímos em Cristo e que desejavam manter o povo escravizado à Antiga Aliança.
2. Detratores pagãos que queriam continuar com suas vidas dissolutas ao mesmo tempo em que pretendiam ser cristãos.
C. Os versículos 4—16 de 2 Coríntios 7, que são o objeto da nossa exposição hoje, são realmente um resumo de toda esta situação.
D. E a conclusão não poderia ser melhor – ver 2 Coríntios 7:16!
Tudo Vai Bem Quando Termina Bem

 Introdução à Mensagem.

A. Alguns, no seio da comunidade cristã em Corinto, haviam se levantado e criticado duramente o apóstolo Paulo. Esta crítica tinha a forma de impor obrigações que estavam abolidas, tais como a guarda do sábado e a circuncisão por um lado e a sugestão de práticas de libertinagem por outro lado.
B. A comunidade em Corinto, em vez de assumir uma posição correta, de defender a verdade como ensinada por Paulo e de se recusar ouvir estes falsos mestres, acabou por sucumbir a estes ensinamentos e tornou-se repreensível.
C. Paulo escreveu uma carta aos Coríntios, carta esta que não chegou até nós, para repreender os Coríntios acerca dos erros que estavam cometendo.
I. A Repreensão Administrada por Paulo.
A. Paulo menciona, 2 vezes, uma carta enviada aos Coríntios em 2 Coríntios 7:8.
B. Não possuímos nenhuma evidência desta carta a não ser estas duas menções contidas no verso acima.
C. Paulo provavelmente estava na Macedônia, na Grécia, na cidade de Filipos quando escreveu esta carta e enviou a mesma através do seu companheiro de ministério Tito.
D. Quando lemos este trecho que fala da sua admoestação ou repreensão duas verdades emergem:
1. A Correção que a Vida dos Coríntios Demandava.
A. Deve parecer óbvio que todos os cristãos e mesmo todas as igrejas precisam, aqui e ali, de correção. Mas a grande tragédia que percebemos é que a vasta maioria dos cristãos e a absoluta totalidade das igrejas tendem a se ressentir diante de quaisquer palavras de correção ou repreensão.
B. O Livro de Provérbios está cheio de palavras acerca de duas verdades:
a. A primeira é que o sábio recebe a repreensão ou correção e procura aprender com a mesma.
b. A segunda é que somente os tolos resistem ou se ressentem da correção ou repreensão.
C. Qual é o propósito em sermos corrigidos? O propósito de sermos corrigidos é nos tornar melhores crentes. A correção é, portanto, completamente necessária.
D. Os irmãos em Corinto precisavam ser corrigidos, mas ao mesmo tempo em que Paulo lhes escreve corrigindo-os, fica bem evidente...
2. Sua Compaixão e Amor Pelos Irmãos em Corinto.
A. Embora sabendo que era necessário corrigi-los, Paulo o faz com grande relutância como fica evidente por suas palavras em
2 Coríntios 7:8
Porquanto, ainda que vos tenha contristado com a minha carta, não me arrependo, embora já me tivesse arrependido por ver que aquela carta vos contristou, ainda que por pouco tempo.
B. Paulo se refere em 2 Coríntios 7:5 — Porque, mesmo quando chegamos à Macedônia, a nossa carne não teve repouso algum; antes, em tudo fomos atribulados: por fora combates, temores por dentro — às grandes angústias que havia experimentado na Macedônia enquanto aguardava ouvir notícias acerca da carta que havia enviado aos Coríntios pelas mãos de Tito. Paulo fala de tribulações de dois tipos:
a. “Lutas por fora” que é uma referência à persistente resistência ao seu ministério de pregação.
b. “Temores por dentro” o que expressa sua enorme preocupação para com aqueles a quem ele havia enviado a carta com as correções necessárias.
II. Os Motivos de Paulo são Revelados.
A. Todas as vezes que uma correção é administrada é da maior importância que os verdadeiros motivos sejam claramente estabelecidos. As piores coisas que podem existir quando administramos uma correção são:
1. Falta de informação precisa acerca da motivação por trás da correção.
2. O uso de dois pesos e duas medidas para tratar situações idênticas ou mesmo semelhantes.
B. Para evitar estes abismos é necessário...
1. Agir de Forma Genuinamente Espiritual.
C. A motivação de Paulo está expressa em 2 Coríntios 7:12. Note os seguintes fatos:
 2 Coríntios 7:12
Portanto, ainda que vos tenha escrito, não foi por causa do que fez o agravo, nem por causa do que sofreu o agravo, mas para que o vosso grande cuidado por nós fosse manifesto diante de Deus.
1. Paulo não está preocupado com os ofensores que eram os judeus, os pagãos e os irmãos em Corinto.
2. Paulo não está preocupado com o ofendido, que era ele mesmo.
3. Paulo detona os personalismos e as personalidades. Estas coisas são irrelevantes. O que é importante é aquilo que é espiritual.
D. Paulo desejava restabelecer a confiança mútua, pois era somente desta maneira que ele poderia beneficiar espiritualmente aqueles irmãos. Sua preocupação estava centrada no prejuízo que eles estavam sofrendo e não no prejuízo que ele, Paulo, estava sofrendo.
E. Paulo sabia que a grande maioria dos cristãos em Corinto ainda tinha um profundo respeito por ele. Mas este respeito e carinho haviam sido minados pelas fofocas, pelas conversas escusas e por todo tipo de críticas da parte daqueles que se opunham à verdade como pregada por Paulo.
F. O desejo de Paulo era que os cristãos em Corinto pudessem redescobrir a verdadeira condição deles diante de Deus e a verdadeira qualidade deles diante de Deus: novas criaturas, livres no Espírito Santo, Povo de Deus, Filhos de Deus!
G. Os Coríntios ao Receberem a Carta de Paulo Reagiram de Maneira Positiva.
1. Os cristãos em Corinto reagiram à carta de Paulo com uma atitude de sincera tristeza e arrependimento —
2 Coríntios 7:9—10
9 Agora, folgo, não porque fostes contristados, mas porque fostes contristados para o arrependimento; pois fostes contristados segundo Deus; de maneira que por nós não padecestes dano em coisa alguma.
10 Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte.

III. O Resultado Final Alcançado.
A. Paulo Louva a Igreja em Corinto
1. O louvor de Paulo está expresso em 2 Coríntios 7:7 e novamente em 2 Coríntios 7:11. Estes versos nos mostram a importância de ficarmos sempre do lado da verdade independente de que lado ela esteja!
2 Coríntios 7:7


E não somente com a sua vinda, mas também pela consolação com que foi consolado de vós, contando-nos as vossas saudades, o vosso choro, o vosso zelo por mim, de maneira que muito me regozijei.



2 Coríntios 7:11


Porque quanto cuidado não produziu isso mesmo em vós que, segundo Deus, fostes contristados! Que apologia, que indignação, que temor, que saudades, que zelo, que vingança! Em tudo mostrastes estar puros neste negócio.

B. Paulo Expressa Sentir Orgulho pela Igreja de Corinto
Paulo manifesta seus sentimentos de forma franca em
2 Coríntios 7:4
Grande é a ousadia da minha fala para convosco, e grande a minha jactância a respeito de vós; estou cheio de consolação e transbordante de gozo em todas as nossas tribulações.
Em 2 Coríntios 7:14 ele reafirma seus sentimentos para com eles conforme expressados a Tito.
Porque, se nalguma coisa me gloriei de vós para com ele, não fiquei envergonhado; mas, como vos dissemos tudo com verdade, também a nossa glória para com Tito se achou verdadeira.
 C. Conforto, Consolação e Confiança Plenamente Restaurada.
1. Paulo deixa claro que a chegada de Tito trazendo as boas notícias foi usado por Deus como forma de conforto e consolação —
2 Coríntios 7:6
Mas Deus, que consola os abatidos, nos consolou com a vinda de Tito.
E as boas notícias diziam respeito não só à maneira como haviam reagido à carta de Paulo, mas também à maneira como haviam tratado o próprio Tito —
2 Coríntios 7:15
E o seu entranhável afeto para convosco é mais abundante, lembrando-se da obediência de vós todos e de como o recebestes com temor e tremor.
2. Paulo manifesta o resultado experimentado pelo retorno de Tito trazendo verdadeiras boas notícias —
2 Coríntios 7:13
Por isso, fomos consolados pela vossa consolação e muito mais nos alegramos pela alegria de Tito, porque o seu espírito foi recreado por vós todos.
3. O resultado final foi que a confiança perdida estava plenamente restaurada —
2 Coríntios 7:16
Regozijo-me de em tudo poder confiar em vós.
Conclusão.
1. Devemos estar sempre prontos a sermos corrigidos, pois a correção visa nos fazer melhores crentes —
Hebreus 12:5—6
5 E já vos esquecestes da exortação que argumenta convosco como filhos: Filho meu, não desprezes a correção do Senhor e não desmaies quando, por ele, fores repreendido;
6 porque o Senhor corrige o que ama e açoita a qualquer que recebe por filho.
2. Precisamos entender que personalismos e partidarismos são sempre danosos. É a verdade que deve nos interessar acima de tudo. Opinião é como nariz, todo mundo tem direito de ter um. Mas somente a verdade deve prevalecer!
3. Para refletir: como será que o Senhor Jesus nos vê, tanto como indivíduos como quanto comunidade? Será que ele tem palavras de louvor reservadas para nós? Quando ele nos vê na vida familiar e nos afazeres do dia-a-dia como será que ele reage?

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http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2014/04/2-corintios-74-16-tudo-vai-bem-quando.html

Grande Abraço e que Deus possa abençoar a todos.
Alexandros Meimaridis
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