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sexta-feira, 4 de março de 2016

ENCONTROS DE PODER — ESTUDO 038 - AS VÃS FILOSOFIAS



A EVIDÊNCIA DO NOVO TESTAMENTO — PARTE 22 — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 006 - AS VÃS FILOSOFIAS

Atenção esse artigo é parte de uma série onde pretendemos tratar dos alegados encontros de poder e de curas maravilhosas que nos são apresentadas todos os dias pelos pastores midiáticos. No final de cada estudo você encontrará links para outros estudos.

Continuação...

Conforme dissemos no estudo anterior: Paulo sentia-se inferiorizado diante dos mestres que possuíam treinamento formal em oratória, mas ele ainda não percebia que, por meio da ação do Espírito Santo em sua vida e modo de falar e escrever, eles estava criando uma forma “livre de frescuras”, e honesta de falar e escrever que iria alterar, de modo irreversível, a história das cartas escritas”.

Podemos encontrar exemplo do que acabamos de falar em passagens tais como:

1 Coríntios 1:17—25

17 Porque não me enviou Cristo para batizar, mas para pregar o evangelho; não com sabedoria de palavra, para que se não anule a cruz de Cristo.

18 Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus.

19 Pois está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios e aniquilarei a inteligência dos instruídos.

20 Onde está o sábio? Onde, o escriba? Onde, o inquiridor deste século? Porventura, não tornou Deus louca a sabedoria do mundo?

21 Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação.

22 Porque tanto os judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria;

23 mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios;

24 mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus.

25 Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.

1 Coríntios 2:1—13

1 Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria.

2 Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado.

3 E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós.

4 A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder,

5 para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de Deus.

6 Entretanto, expomos sabedoria entre os experimentados; não, porém, a sabedoria deste século, nem a dos poderosos desta época, que se reduzem a nada;

7 mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, outrora oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória;

8 sabedoria essa que nenhum dos poderosos deste século conheceu; porque, se a tivessem conhecido, jamais teriam crucificado o Senhor da glória;

9 mas, como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.

10 Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito; porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus.

11 Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio espírito, que nele está? Assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus.

12 Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, e sim o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente.

13 Disto também falamos, não em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito, conferindo coisas espirituais com espirituais.

1 Coríntios 3:18—20

18 Ninguém se engane a si mesmo: se alguém dentre vós se tem por sábio neste século, faça-se estulto para se tornar sábio.

19 Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; porquanto está escrito: Ele apanha os sábios na própria astúcia deles.

20 E outra vez: O Senhor conhece os pensamentos dos sábios, que são pensamentos vãos.

2 Coríntios 10:4—5

4 Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas

5 e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo,

2 Coríntios 11:6

E, embora seja falto no falar, não o sou no conhecimento; mas, em tudo e por todos os modos, vos temos feito conhecer isto.
O argumento dos adversários de Paulo pode ser visto nas palavras do próprio apóstolo em —

1 Coríntios 10:10
As cartas, com efeito, dizem, são graves e fortes; mas a presença pessoal dele é fraca, e a palavra, desprezível.

Mas é tomar nota para o fato que esses acusadores ainda não haviam chegado a Corinto. A advertência de Paulo serve como um aviso antecipado para que os coríntios não deixem enganar por palavras arraigadas na esperteza humana, conforme lemos em —

Colossenses 2:4
Assim digo para que ninguém vos engane com raciocínios falazes.

A Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios serve com uma verdadeira vacina contra a heresia e não como um antibiótico que visa combater uma bactéria já instalada no organismo. De modo semelhante, as palavras de Paulo em —

Colossenses 2:8

Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo.

que é um dos versículos onde aparece o termo que estamos estudando, que é: στοιχεῖαstoicheîa — nós vemos que a intenção de Paulo é apenas oferecer um,a advertência e não apresentar qualquer tipo de reprimenda. Note cuidadosamente como Paulo se expressa, contrastando τὰ στοιχεῖα τοῦ κόσμου tà stoichêia toû kósmou — os rudimentos do mundo com κατὰ Χριστόνkatà Christón — segundo Cristo.

Mas devemos perguntar o seguinte: a que tipo de filosofias Paulo está fazendo referência no verso acima? As opiniões dos especialistas divergem com alguns sugerindo que Paulo está fazendo uma referência à filosofia conhecida como neo- pitagorianismo, comum naqueles dias; outros dizem que a referência diz respeito às chamadas religiões de mistérios — inventadas pelos gregos e adotadas em toda a bacia do Mediterrâneo — enquanto um terceiro grupo alega que Paulo está falando do sincretismo entre misticismo e especulações diversas, que teve início no século I, mas tornou-se amplamente difundido, somente, a partir do século II. A nossa opinião acerca dessa questão específica é a seguinte: uma vez que Paulo não faz referência a nenhuma filosofia — de fato ele fala de φιλοσοφίας — filosofias — filosofias — no leva a concluir que Paulo está fazendo referência à filosofia em geral, algo que permitia ao apóstolo dos gentios ocupar-se com deuses físico ou os primeiros princípios da natureza. Dessa forma, podemos afirmar que o pano de fundo representado pelo sincretismo é muito provável, enquanto as práticas ascéticas dos judaizantes cristãos estão na categoria de certeza absoluta.

CONTINUA...
LISTAS DOS ESTUDOS DE ENCONTROS DE PODER

001 — Introdução =

002 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = Expressões Diversas

003 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀρχῆ — arché e ἄρχων — árchon.

004 – A linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἐξουσίαις – exousías – potestades, autoridades.

005 – A linguagem de “Poder” no Novo Testamento = δυνάμεις — dunámeis — poderes.

006 – A linguagem de “Poder” no Novo Testamento = Θρόνοι— thrónoi — tronos.

007 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = κυριοτῆς — kuriotês — domínio.

008 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ὀνόματι — onómati — nome.

009 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἄγγελοs — ággelos — anjo.

010 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = δαιμονίον — daimoníon — demônioπνεῦμα τὸ πονηρὸν — pneûma tò poniròn — espírito malignoἀγγέλους τε τοὺς μὴ τηρήσαντας τὴν ἑαυτῶν ἀρχὴν— angélous te toùs me terèsantas tèn eautôn archèn — anjos, os que não guardaram o seu estado original ou anjos caídos.

011 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀγγέλους  τῶν ἐθνῶν — angélous tôn ethnôn — anjos das nações.

012 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀγγέλους  τῶν ἐθνῶν — angélous tôn ethnôn — anjos das nações — Parte 2.

013 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀγγέλους  τῶν ἐθνῶν — angélous tôn ethnôn — anjos das nações — Parte 3 — Final.

014 — A Evidência do Novo Testamento – Parte 1 — Introdução

015 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 2 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 2:6—8 — Parte 1

016 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 3 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 2:6—8 — Parte 2

017 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 3 — As Passagens Disputadas — Romanos 13:1—3

018 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 4 — As Passagens Disputadas — Romanos 8:31—39

019 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 5 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 15:24—27a — PARTE 1

020 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 6 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 15:24—27a — PARTE 2

021 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 7 — As Passagens Disputadas — Colossenses 3:13—15 — PARTE 1

022 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 8 — As Passagens Disputadas — Colossenses 3:13—15 — PARTE 2

023 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 9 — As Passagens Disputadas — Efésios 1:20—23 — AS REGIÕES CELESTIAIS — PARTE 1

024 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 10 — As Passagens Disputadas — Efésios 1:20—23 — AS REGIÕES CELESTIAIS — PARTE 2

025 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 11 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 3

026 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 12 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 4

027 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 13 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 5

028 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 14 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 6

029 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 15 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 7 — A DESTRUIÇÃO DA MORTE E DE SEUS ALIADOS

030 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 16 — As Passagens Disputadas — COLOSSENSES 1:16 — A CRIAÇÃO DE TODAS AS COISAS POR MEIO DE E PARA O PRÓPRIO CRISTO

031 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 16 — As Passagens Disputadas — COLOSSENSES 1:16 — TENTANDO DEFINIR OS PODERES

032 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 16 — As Passagens Disputadas — COLOSSENSES 1:16 — TENTANDO DEFINIR OS PODERES —PARTE 002

033 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 17 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 001

034 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 18 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 002

035 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 19 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 003

036 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 20 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 004

037 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 21 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 005

038 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 22 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 006

039 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 23 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 007

040 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 24 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 008

041 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 25 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 009

042 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 26 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 010

043 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 27 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 011 — O PRÍNCIPE DA POTESTADE DO AR
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/02/encontros-de-poder-043-evidencia-do.html



044 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 28 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 012 — AS FORÇAS ESPIRITUAIS DO MAL — PARTE 001

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis.

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Desde já agradecemos a todos.      

domingo, 18 de outubro de 2015

A PREGAÇÃO BASEADA NA BÍBLIA NÃO MUDA NUNCA EM SUA ESSÊNCIA


O artigo abaixo foi publicado pelo site da Editora Fiel e é de autoria de Peter Sanlon.

A Pregação Mudou Desde a Igreja Primitiva?
Peter Sanlon

A pregação expositiva sistemática e regular da Escritura tem um papel central em minha visão para o ministério eclesiástico normal. Quando prego através de cada livro da Bíblia para as minhas congregações, creio que estou continuando um ofício e uma tradição que tem suas raízes no Pentateuco, nos métodos de ensino judaicos e na Igreja Apostólica. O pouco espaço que tenho não me permite elucidar a natureza dessas primeiras florações da pregação expositiva; ao invés disso, foi–me pedido que compartilhasse algumas reflexões sobre a natureza de nossa obrigação para com a pregação da Igreja Primitiva pós-bíblica.

Os pregadores da Igreja Primitiva que eu vejo como mestres de ofício incluem Ambrósio, Jerônimo, Gregório de Nazianzo, Crisóstomo, Atanásio, Agostinho e Pedro Crisólogo. Contudo, quando leio os sermões desses praticantes da pregação expositiva, é impossível não notar que a pregação deles parece estranha àquilo que se pensa hoje como uma exposição. Como a pregação expositiva moderna pode ser dependente da pregação da Igreja Primitiva que parece tão estranha a nós?

Uma convicção comum aos antigos e modernos

Em primeiro lugar, é vital enfatizar a convicção que nós e os pregadores da patrística temos em comum. Tanto praticantes antigos quanto contemporâneos da pregação expositiva criam que a Escritura é verdadeira em tudo o que ela afirma. Além disso, ambos os grupos defendem que quando a Bíblia é pregada, o próprio Deus fala.

Em muitos lugares os Pais, como Tertuliano, afirmaram que o que quer que a Escritura ensine é a verdade.1 Agostinho também declarou: “Aprendi a render tal respeito e honra apenas aos livros canônicos da Escritura: apenas nesses creio decisivamente que os autores eram completamente livres de erro”.2 Tais afirmações explícitas da confiabilidade bíblica são valiosas na reconstrução da visão patrística da Escritura.

Todavia, as implicações que podem ser tiradas de como a Escritura foi usada por toda a vasta obra dos Pais da Igreja são, no mínimo, tão relevantes quanto. A pregação era o principal ponto em que a Bíblia era usada na Igreja Primitiva, e quando menções após menções são empilhadas sobre citações após citações, fica abundantemente claro que os pregadores antigos lidavam com a Escritura daquela maneira porque criam que ela era verdadeira e que através dela Deus falava aos seus ouvintes.

Como Agostinho pregou: “Tratemos a Escritura como Escritura: como Deus falando”.3 Sem tal convicção há pouca motivação para debruçar-se sobre o texto bíblico na preparação do sermão, como os Pais faziam.

Por que, então, os sermões da Igreja Primitiva parecem tão diferentes dos pregadores modernos ocidentais que compartilham do mesmo comprometimento para com o papel da Escritura no discurso de Deus? Os sermões da patrística sempre utilizam alegorias obscuras, presumem significado nos números e podem saltar por passagens bíblicas aparentemente aleatoriamente. Os sermões da patrística podem conter reflexões e excursões que aparentemente divergem grandemente do texto sendo considerado. A ideia de que a pregação expositiva moderna é descendente de tais homilias antigas seria, meramente, uma ilusão?

A pregação expositiva se relaciona com a cultura pagã

Pregação expositiva é um ofício, uma arte e uma disciplina pastoral que interage com a cultura pagã em geral e com a oratória pagã em especial.

Os pregadores da patrística (e os pregadores contemporâneos) comprometidos com a pregação expositiva têm visões radicalmente divergentes da erudição pagã. Alguns pregadores teciam citações de autores pagãos no tecido de suas exposições. Por exemplo, Ambrósio tem mais de cem citações de Virgílio em sermões de sua autoria a que temos acesso hoje, e usava o autor médico Galeno para ajudá-lo a explicar Gênesis. Tertuliano desacreditou o ensino pagão como inimigo da teologia. O fato de seu estilo de discurso se utilizar de técnicas retóricas forjadas nas escolas pagãs nos lembra que ninguém pode escapar completamente do seu contexto.

A frequência das citações de autores pagãos é a única e mais óbvia forma que o aprendizado pagão influenciou os sermões da patrística. Mais profundamente, a cultura pagã do mundo antigo era fascinada pelas palavras — seu sentido, formação e significado. O empilhamento nos sermões de citação bíblica após citação bíblica, assim como o uso de passagens bíblicas mais claras para interpretar passagens mais obscuras, eram técnicas que os pregadores aprenderam nas técnicas escolas pagãs usavam para interpretar Homero.

Assim como na Reforma, o contexto educacional dos pregadores da patrística moldou seus ministérios profundamente. O primeiro manual para o aprendizado da pregação foi escrito por Agostinho. Ele continua extensas seções refletindo sobre como se apropriar melhor das lições de oratória de Cícero. Agostinho via valor no discernimento pagão de como falar bem: “Por que aqueles que falam a verdade o fariam como se fossem estúpidos, enfadonhos e sonolentos?”.4 Apesar de elogiar algumas lições de Cícero, no fim Agostinho considerou que orar e ouvir bons pregadores era mais importante.5

Muito daquilo que faz os sermões da patrística parecerem diferentes dos sermões modernos surge do fato de que, em nossos ministérios de pregação expositiva, nós e nossos antepassados estamos (deliberadamente ou não) usando os melhores conhecimentos pagãos disponíveis sobre hermenêutica e comunicação. Os pregadores antigos criam que a Bíblia era uma palavra divina de rica verdade para os ouvintes. Eles buscavam significado em padrões de números porque a cultura pagã via beleza, verdade e significado residindo em mistérios profundos nos números. Se era assim com a matemática, os discursos persuasivos e a filosofia, pensavam, certamente deve ser muito mais com um texto inspirado pelo próprio Deus. O contexto do aprendizado secular moldou as abordagens dos pregadores antigos ao seu ofício.

O mesmo é verdadeiro quando se fala de questões práticas da pregação. Alguns pregadores escreviam seus sermões por completo e depois os liam. Outros, como Agostinho, meditavam na passagem durante a semana e depois falavam extemporaneamente. Muitas escolas de retórica ensinavam seus alunos a falar em público fazendo-lhes ler e memorizar discursos. Quintiliano, o orador pagão, argumentou que essa era uma maneira superficial e imatura de falar em público. Se um pregador concordasse com Quintiliano ou não acabava moldando sua prática com relação a falar a partir de um roteiro.

Seria um erro grave assumir que nossas abordagens modernas ao entendimento e à pregação da Bíblia são automaticamente superiores àqueles dos pregadores antigos. Também seria incorreto não observar o fato de que a pregação expositiva moderna é descendente da homilética da patrística e partilha de suas convicções fundamentais.

A pregação expositiva se desenvolve com a história da igreja

Outra razão pela qual os sermões da patrística parecem tão singulares é porque foram pregados por pessoas de dentro do contexto da história da igreja em que habitavam. No mundo antigo, alguns pregadores se beneficiaram ao fazer referências cruzadas de traduções iniciadas por Orígenes em sua Héxapla. Agostinho teve dúvida se deveria adotar a tradução bíblica mais erudita de Jerônimo ou continuar com a versão com a qual sua congregação estava mais familiarizada. Ele optou por manter a tradução menos precisa para a sua congregação por causa de sua sensibilidade pastoral, enquanto lentamente integrava a tradução de Jerônimo aos seus escritos acadêmicos.

Conforme a história da igreja progredia, também progrediam as ferramentas, e a forma de pregação expositiva se desenvolvia. Uma das áreas mais óbvias onde isso se aplicava era na história da salvação. Na Igreja Primitiva, os pregadores estavam muito conscientes de que havia um desenvolvimento dentro da história bíblica. Irineu desenvolveu uma teologia de “recapitulação” baseada nas repetições que se percebia dentro da história da salvação como a árvore em Gênesis 2 e o madeiro em que Cristo foi pendurado. A rejeição herética de Marcião do Antigo Testamento e interações com estudiosos judeus levaram muitos pregadores a pregar entre a semelhança e a unidade entre os Testamentos. A ênfase de Agostinho na graça na controvérsia pelagiana o levou a enfatizar a diferença entre a lei e o evangelho. Todas essas — e a aparente presença da prática da alegoria — eram tentativas primitivas dos pregadores de se dedicarem às passagens das Escrituras de maneira a fazer justiça à história da salvação por inteiro.

Dados os muitos desenvolvimentos na história da igreja que nos oferecem novas maneiras de articular a história da salvação e lhe dar nuances, é compreensível que os sermões da patrística possam parecer bem estranhos em suas interpretações teológicas. Na realidade, os grandes pregadores dos primeiros séculos estavam mapeando as possibilidades para configurar unidade e diversidade dentro do cânon — algo com o que nós temos dificuldade e diferimos ainda hoje.

Conclusão

A pregação expositiva mudou desde a igreja primitiva? Na questão de que a pregação expositiva deve se relacionar com a cultura pagã e desenvolver com a história da igreja, a resposta é sim. Se isso nos cegasse quanto às convicções centrais partilhadas a respeito da autoridade da Escritura e a paixão que leva os pregadores a usar o melhor material a que tem acesso na cultura e na teologia para pregar a Bíblia fielmente, nós não só estaríamos desonrando os santos que labutaram antes de nós, mas também deserdaríamos a nós mesmos de um tesouro que pode nos ajudar a aprimorar a nossa pregação — a pregação da Igreja Primitiva.

Tradução: Alan Cristie

Revisão: Vinícius Musselman Pimentel

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

O Artigo original poderá ser visto por meio do link a seguir:

http://www.ministeriofiel.com.br/artigos/detalhes/847/A_Pregacao_Mudou_Desde_a_Igreja_Primitiva?utm_source=inf-set-2015&utm_medium=inf-set-2015&utm_campaign=inf-set-2015

Autor


Peter Sanlon é ministro da St. Mark’s Church em Tunbridge Wells, Reino Unido. Ele é autor de "Augustine’s Theology of Preaching".

Notas:

1 - Tertuliano, A Carne de Cristo, 6.

2 - Agostinho, Epístola 82.3.

3 - Agostinho, Sermão 162C.15.

4 - Agostinho, A Doutrina Cristã, 4.3.

5 - Agostinho, A Doutrina Cristã, 4.32.

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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segunda-feira, 29 de junho de 2015

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 004 — CONSIDERAÇÕES METODOLÓGICAS — PARTE 003


Concepção artística do apóstolo Paulo

ESSA É UMA SÉRIE DE ESTUDOS QUE VISA ABORDAR DA MANEIRA COMO CONSIDERAMOS APROPRIADA A IMPORTANTE QUESTÃO RELATIVA À RESSURREIÇÃO DE CRISTO. TOMANDO COMO BASE AS OBRAS DE GEERHARDUS VOS E HERMAN RIDDERBOS. NOSSA INTENÇÃO É MOSTRAR A CENTRALIDADE DA RESSURREIÇÃO DE CRISTO NA TEOLOGIA PAULINA.

CONTINUAÇÃO...

No caso de Paulo, sem dúvida, o aspecto de como as Escrituras são interpretadas é sua mais forte característica. A preocupação, praticamente exclusiva que consumia as forças de Paulo, tanto de sua pregação como de seus escritos, tem a ver com a exposição ou a exegese da História da Redenção e a forma como a mesma atinge seu clímax na morte, sepultamento e ressurreição de Cristo. Da perspectiva do apóstolo Paulo, o lugar ocupado por Cristo na história da revelação está condicionado e ampliado pelo contexto específico da História da Redenção. Essa é uma perspectiva ímpar se queremos entender o que Paulo diz. É apenas quando apreciamos tal perspectiva, com todas suas implicações, que o verdadeiro sentido das funções da revelação tornam-se claras.

Uma dessas implicações é objeto de nosso maior interesse nesse momento. Da perspectiva da História da Redenção os crentes de hoje, em pleno século XXI, estão na mesma situação que o apóstolo estava no século I d.C. Juntamente com Paulo, todos nós olhamos para os eventos culminantes que envolvem a morte, a ressurreição e ascensão do Senhor Jesus, enquanto que, ao mesmo tempo, aguardamos “dos céus o seu Filho, a quem ele ressuscitou dentre os mortos, Jesus, que nos livra da ira vindoura — 1 Tessalonicenses 1:10. Esse é o único evento que continua pendente. E tal pendência mantém a tensão entre o “agora” e o “não ainda” que caracterizou a vida de Paulo e continua caracterizando a nossa, 20 séculos depois.

Desse modo, a continuidade entre Paulo e seus intérpretes está garantida. De uma forma específica todos nós estamos relacionados por causa dessa pendência na História da Redenção. Além disso, tendo em vista a correlação entre o ato redentor e a palavra de revelação que explica esse mesmo ato, a natureza teológica que vindica essa continuidade fica completamente aparente. Isso dá andamento à ideia que a própria teologia precisa estar completamente baseada no texto da Sagrada Escritura e que, como uma disciplina histórica a exegese bíblica é teologicamente normativa. Desse modo, se o interesse de Paulo é interpretar a história da redenção, então sua interpretação tem, necessariamente, o mesmo interesse apresentado pelo contexto comum a toda História da Redenção. A teologia, independentemente de qual seja seu escopo ou forma final, não pode ter nenhum interesse mais básico, do que seguir nos passos do apóstolo Paulo, interpretando e explicando a tensão existente na História da Redenção e que caracteriza a existência do crente, expondo e elucidando “a revelação do mistério guardado em silêncio nos tempos eternos e que, agora, se tornou manifesto e foi dado a conhecer por meio das Escrituras proféticas, segundo o mandamento do Deus eterno, para a obediência por fé, entre todas as nações, ao Deus único e sábio seja dada glória, por meio de Jesus Cristo, pelos séculos dos séculos. Amém!” — Romanos 16:25—27.

Resumindo: o conceito da teologia está condicionado pela narrativa da História da Salvação. Desse modo, é impossível dissociar a continuidade histórica que existe entre o apóstolo Paulo e todos os seus intérpretes.

CONTINUA...

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 001 — INTRODUÇÃO À HERMENÊUTICA.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 002 — PRINCÍPIOS METODOLÓGICOS — PARTE 001.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 003 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 002 — A RELAÇÃO ENTRE OS ATOS REDENTORES DE DEUS E A REVELAÇÃO DAS ESCRITURAS SAGRADAS

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 004 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 003 — A RELAÇÃO ENTRE PAULO E SEUS INTÉRPRETES MODERNOS

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 005 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 004 — PAULO, NÓS E A HISTÓRIA DA REDENÇÃO

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 006 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 005 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 01

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 007 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 006 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 002

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 008 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 007 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 003 — FINAL

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 009 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 001 — CRISTO, AS PRIMÍCIAS — PARTE 001

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 010 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 002 — CRISTO É AS PRIMÍCIAS E OS CRENTES SÃO A COLHEITA PLENA — PARTE 002

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 011 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 003 — CRISTO É O PRIMOGÊNITO DENTRE OS MORTOS — PARTE 003

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Que Deus Abençoe a Todos.

Alexandros Meimaridis

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quinta-feira, 21 de maio de 2015

JESUS E AS MULHERES - SERMÃO 003 – JESUS PREGAVA TANTO PARA HOMENS QUANTO PARA MULHERES

Concepção artística de Jesus pregando para homens e mulheres

Jesus e as mulheres é um tema importante dentro do contexto do Novo Testamento. As denominações históricas aos poucos vão se libertando de seus próprios preconceitos, ao passo que nas denominações evangélicas, em muitos casos, os homens abriram mão completamente de suas responsabilidades a favor das mulheres, o que tem proporcionado uma verdadeira inundação de bobagens sem fim. Nossa série de estudos procura entender o papel da mulher como visto e como foram tratadas pelo Senhor Jesus. Para isso convidamos todos os leitores a fazerem uma análise desapaixonada do material da mesma.

Texto: Vários  
Introdução.

A. Na mensagem anterior nós falamos acerca de uma realidade pouco comentada: o fato de que Jesus tinha discípulas. 
B. Ele tinha discípulas tanto no meio da multidão como também entre o pequeno grupo que viajava com ele, de cidade em cidade e de vila em vila, pregando o Evangelho. 
C. Falamos também como várias dessas mulheres discípulas ajudavam a sustentar o ministério de Jesus com suas próprias economias. 
D. Hoje queremos prosseguir em nossas descobertas da forma como Jesus percebia as mulheres, notando outro fato que também, muitas vezes nos passa despercebido, que é: Jesus costumava falar muito acerca de mulheres em suas pregações e ensinamentos. O costume rabínico era falar apenas de homens. Mulheres eram mencionadas apenas para serem ridicularizadas, humilhadas e etc. Lembre-se da alegada mulher pega em flagrante adultério — ver João 8! 
E. Muitas vezes, como iremos notar, Jesus selecionava imagens e criava parábolas com a intenção deliberada de comunicar sua mensagem para as mulheres que o ouviam, em um nível mais profundo do que o destinado aos homens. 
F. A seguir, vários exemplos retirados diretamente do Evangelho de Lucas onde Jesus prioriza sua intenção de comunicar não apenas com os homens, mas também com as mulheres.    

O ENSINO DE JESUS ERA VOLTADO TAMBÉM PARA AS MULHERES

I. Exemplos do Ensino de Jesus Voltado Para as Mulheres 
A. Na sua primeira pregação feita na sinagoga em Nazaré, Jesus narra duas histórias: 1) primeiro ele fala da viúva da cidade de Sarepta, algo que, sem nenhuma dúvida, estava dirigido, prioritariamente, para as mulheres; 2) Em seguida ele narra a história do general sírio, Naamã — 
Lucas 4:25—27 
Na verdade vos digo que muitas viúvas havia em Israel no tempo de Elias, quando o céu se fechou por três anos e seis meses, reinando grande fome em toda a terra; e a nenhuma delas foi Elias enviado, senão a uma viúva de Sarepta de Sidom. Havia também muitos leprosos em Israel nos dias do profeta Eliseu, e nenhum deles foi purificado, senão Naamã, o siro. 
B. Aqui devemos notar duas coisas que são muito importantes para nós ao estudarmos essa série sobre as mulheres, que é a relação do que Jesus descreve com o que Maria sua mãe cantou — como vimos na primeira mensagem dessa série — e que, provavelmente, ensinou para seu filho. Essas duas coisas são: 
1. Deus tem misericórdia de todos os que o temem — 
Lucas 1:50 
A sua misericórdia vai de geração em geração sobre os que o temem. 
2. Deus não tem misericórdia apenas sobre Abraão e seus descendentes, mas de Abraão e sua descendência: 
Lucas 1:55 
A favor de Abraão e de sua descendência 
C. Ademais devemos notar que os dois que foram ajudados pelos profetas Elias e Eliseu eram gentios — estrangeiros — e não judeus. 
D. Quando Jesus ensina sobre a novidade representada pelo reino dos céus, ele usa duas ilustrações: uma voltada para as mulheres e outra voltada para os homens —
Lucas 5:36—39 
Também lhes disse uma parábola: Ninguém tira um pedaço de veste nova e o põe em veste velha; pois rasgará a nova, e o remendo da nova não se ajustará à velha. E ninguém põe vinho novo em odres velhos, pois o vinho novo romperá os odres; entornar-se-á o vinho, e os odres se estragarão. Pelo contrário, vinho novo deve ser posto em odres novos e ambos se conservam. E ninguém, tendo bebido o vinho velho, prefere o novo; porque diz: O velho é excelente. 
E. Jesus demonstra profunda compaixão por pecadores arrependidos. Especialmente por aqueles que eram desprezados pelos hipócritas fariseus dos sus dias. Dois casos nos chamam a atenção: 
1. Primeiro temos a história da mulher na casa de Simão, fariseu — Lucas 7:36—50. 
2. Depois temos a história do fariseu e do publicano em Lucas 18:9—14. 
F. Jesus também ensinou duas parábolas para ilustrar o fato que Deus responde nossas orações: 
1. Primeiro temos a parábola do “Amigo Inoportuno” em Lucas 11:5—8. 
2. Depois temos a parábola do juiz iníquo que se recusa a julgar a causa de uma mulher em Lucas 18:1—8. 
G. A parábola do grão de mostarda está vinculada com a parábola do fermento — 
Lucas 13:18—21 — 18 
E dizia: A que é semelhante o reino de Deus, e a que o compararei? É semelhante a um grão de mostarda que um homem plantou na sua horta; e cresceu e fez-se árvore; e as aves do céu aninharam-se nos seus ramos. Disse mais: A que compararei o reino de Deus? É semelhante ao fermento que uma mulher tomou e escondeu em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado. 
H. Em Lucas 15 nós encontramos a parábola da ovelha perdida por um homem e a parábola da moeda perdida por uma mulher — Lucas15: 3—11. É curioso notar que por volta do segundo século d.C. um rabino judeu chamado Finéias, contou uma história semelhante da perda de uma moeda, mas o personagem principal da história é um homem e não uma mulher. Nessas duas parábolas devemos notar, todavia, um diferença sutil na reação do homem e da mulher: 
1. O homem diz o seguinte no final da sua parábola:
Lucas 15:6
E, indo para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida. Note que em nenhum momento ele admite qualquer culpa.

2. Já a mulher diz: 
Lucas 15:9 
E, tendo-a achado, reúne as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque achei a dracma que eu tinha perdido. Ela assume a culpa pela perda da dracma. 
I. Com isso Jesus exalta a humildade da mulher em reconhecer seu erro, ao passo que o homem, mais orgulhoso, não admite nenhuma culpa. 
J. Por fim Jesus usa uma mulher para ilustrar o verdadeiro ato de contribuir financeiramente com a obra de Deus em — 
Lucas 21:1—4 
1  Estando Jesus a observar, viu os ricos lançarem suas ofertas no gazofilácio. 
2  Viu também certa viúva pobre lançar ali duas pequenas moedas; 
3  e disse: Verdadeiramente, vos digo que esta viúva pobre deu mais do que todos. 
4  Porque todos estes deram como oferta daquilo que lhes sobrava; esta, porém, da sua pobreza deu tudo o que possuía, todo o seu sustento.

II. Jesus Ensina a Total Igualdade entre Homens e Mulheres no Reino dos Céus 
Lucas 20:34—36 
Então, lhes acrescentou Jesus: Os filhos deste mundo casam-se e dão-se em casamento; mas os que são havidos por dignos de alcançar a era vindoura e a ressurreição dentre os mortos não casam, nem se dão em casamento. Pois não podem mais morrer, porque são iguais aos anjos e são filhos de Deus, sendo filhos da ressurreição.
Conclusão:

A. Começando com sua primeira pregação, Jesus deixa claro que Deus se compadece tanto de homens como de mulheres, sem dar preferência para esses últimos. Diante de Deus e, porque estamos em Cristo, não podem mais existir distinções entre homens e mulheres!

B. Deve ficar evidente para todos que Jesus escolheu cuidadosamente seus elementos de ensino para falar tanto ao coração dos homens quanto aos corações das mulheres. Algo que era desprezado pelos rabinos e mestres judeus.

C. É marcante que esse cuidado de Jesus não tenha passado despercebido por aqueles que foram inspirados pelo Espírito Santo para registrar, por escrito, tais ensinamentos.

D. Lendo o Evangelho de Lucas eu consegui fazer uma lista de 27 paralelos entre homens e mulheres, começando com o aparecimento do Anjo Gabriel a Zacarias, pai de João Batista e também a Maria, mãe de Jesus e terminando com a retirada do corpo de Jesus da cruz e seu transporte até o túmulo, feito por homens e o corpo de Jesus sendo preparado para seu sepultamento pelas mulheres.

E. Como Jesus nos ensina, homens e mulheres são iguais no Reino dos Céus. Que tal começarmos a nos tratar dessa maneira, já que o Reino de Deus está dentro de cada um de nós.

Que Deus abençoe a todos.



Alexandros Meimaridis

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