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terça-feira, 6 de outubro de 2015

HOMILIA DO PAPA EM NEW YORK CAUSA CRÍTICAS E LEVANTA POLÊMICAS

Foto: Captura de tela Youtube

O artigo abaixo foi publicado no site acidigital.

Homilia do Papa Francisco nas Vésperas com sacerdotes e religiosas em Nova Iorque

NOVA IORQUE, 24 Set. 15 / 08:56 pm (ACI).

Após chegar à cidade de Nova Iorque, penúltima parada na sua viagem aos Estados Unidos, o Papa Francisco pronunciou uma homilia na oração das Vésperas com os sacerdotes, religiosas e religiosos de Nova Iorque na Catedral de São Patrício. Antes da homilia o Pontífice deu seus pêsames aos muçulmanos pela tragédia na Arábia Saudita onde faleceram mais de 700 pessoas.

“Dois sentimentos tenho hoje para com nossos irmãos islâmicos. Primeiro, minha saudação por celebrar-se hoje o Dia do Sacrifício. Tivesse querido que minha saudação fora mais calorosa segundo os sentimentos, que é minha proximidade, minha proximidade ante a tragédia que seu povo sofreu hoje em Meca. Neste momento de oração, me uno, unimo-nos na prece a Deus nosso Pai Todo-poderoso e misericordioso.

«Exultais de alegria, se bem que, por algum tempo, tenhais de andar aflitos por diversas provações» (1 Ped 1, 6). Estas palavras do Apóstolo lembram-nos uma coisa essencial: a nossa vocação é viver na alegria.

Esta linda catedral de São Patrício, construída ao longo de muitos anos com o sacrifício de tantos homens e mulheres, pode ser um símbolo da obra de gerações de sacerdotes, religiosos e leigos americanos que contribuíram para a edificação da Igreja nos Estados Unidos. Só no campo da educação, quantos sacerdotes e consagrados tiveram um papel central neste país, ajudando os pais a dar aos seus filhos o alimento que os nutre para a vida! Muitos fizeram-no à custa de sacrifícios extraordinários e com caridade heróica. Penso, por exemplo, em Santa Elizabeth Ann Seton, que fundou na América a primeira escola católica gratuita para meninas, ou em São João Neumann, fundador do primeiro sistema de educação católica nos Estados Unidos.

Nesta tarde, queridos irmãos e irmãs, vim rezar convosco, para que a nossa vocação continue a construir o grande edifício do Reino de Deus neste país. Sei que vós, como corpo sacerdotal, diante do povo de Deus, sofrestes muito num passado não distante suportando a vergonha por causa de muitos irmãos que feriram e escandalizaram a Igreja nos seus filhos mais indefesos... Com palavras do Apocalipse, digo-vos que estou ciente de que «vindes da grande tribulação» (cf. 7, 14). Acompanho-vos neste período de sofrimento e dificuldade; e também agradeço a Deus pelo serviço que realizais acompanhando o povo de Deus. Com o fim de vos ajudar a prosseguir no caminho da fidelidade a Jesus Cristo, deixai-me fazer duas breves reflexões.

A primeira diz respeito ao espírito de gratidão. A alegria de homens e mulheres que amam a Deus atrai a outros; sacerdotes e consagrados chamados a sentir e irradiar uma satisfação permanente com a sua vocação. A alegria brota dum coração agradecido. É verdade! Recebemos muito, tantas graças, tantas bênçãos; e alegramo-nos. Far-nos-á bem repassar com a memória as graças da nossa vida. Memória da primeira chamada, memória do caminho percorrido, memória de tantas graças recebidas..., e sobretudo memória do encontro com Jesus Cristo em tantos momentos durante o caminho. Memória do encanto que produz em nosso coração o encontro com Jesus Cristo. Peçamos a graça da memória para fazer crescer o espírito de gratidão. Talvez convenha perguntar-nos: Somos capazes de enumerar as bênçãos que vieram sobre nós?

A segunda reflexão tem a ver com o espírito de laboriosidade. Um coração agradecido é, espontaneamente, impelido a servir o Senhor e a abraçar um estilo de vida diligente. No momento em que nos damos conta de tudo aquilo que Deus nos deu, o caminho da renúncia a si mesmo a fim de trabalhar para Ele e para os outros torna-se um caminho privilegiado de resposta ao seu amor.

E, no entanto, se formos honestos, sabemos quão facilmente pode ser sufocado este espírito de trabalho generoso e sacrifício pessoal. Há duas maneiras para isso acontecer, sendo ambas exemplo da «espiritualidade mundana», que nos enfraquece no nosso caminho de serviço e degrada o enlevo do primeiro encontro com Jesus Cristo.

Podemos ficar encantados quando medimos o valor dos nossos esforços apostólicos pelo critério da eficiência, do funcionamento e do sucesso externo que governa o mundo dos negócios. Não digo que estas coisas não sejam importantes! Foi-nos confiada uma grande responsabilidade e o povo de Deus, justamente, espera resultados. Mas o verdadeiro valor do nosso apostolado é medido pelo valor que o mesmo tem aos olhos de Deus. Ver e avaliar as coisas a partir da perspectiva de Deus chama-nos para uma conversão constante ao primeiro tempo da nossa vocação e – nem é preciso dizê-lo – a uma grande humildade. A cruz mostra-nos uma maneira diferente de medir o sucesso: a nós cabe-nos semear, e Deus vê os frutos do nosso trabalho. E se, às vezes, os nossos esforços e o nosso trabalho parecem gorar-se e não dar fruto, estamos a trilhar a mesma via de Jesus Cristo; a sua vida, humanamente falando, acabou com um fracasso: o fracasso da cruz.

Um novo perigo surge quando nos tornamos ciosos do nosso tempo livre, quando pensamos que rodear-nos de comodidades mundanas ajudar-nos-á a servir melhor. O problema, com este modo de raciocinar, é que pode ofuscar a força da chamada diária de Deus à conversão, ao encontro com Ele. Pouco a pouco, mas seguramente vai diminuindo o nosso espírito de sacrifício, de renúncia e de laboriosidade. E afasta também as pessoas que padecem pobreza material, vendo-se obrigadas a fazer sacrifícios maiores do que os nossos. O repouso é uma necessidade, como o são os momentos de tempo livre e de restauração pessoal, mas devemos aprender a descansar de forma que aprofunde o nosso desejo de servir de modo generoso. A proximidade aos pobres, refugiados, imigrantes, doentes, explorados, idosos que sofrem a solidão, encarcerados e muitos outros pobres de Deus ensinar-nos-á outro tipo de repouso, mais cristão e generoso.

Gratidão e laboriosidade: são os dois pilares da vida espiritual que desejava partilhar convosco nesta tarde. Agradeço-vos pelas orações, atividades e sacrifícios diários que realizais nos diferentes campos do vosso apostolado. Muitos deles são conhecidos apenas de Deus, mas dão muito fruto na vida da Igreja.

De maneira especial, gostaria de expressar a minha admiração e gratidão às consagradas dos Estados Unidos. Que seria esta Igreja sem vós? Mulheres fortes, lutadoras; com aquele espírito de coragem que vos coloca na linha da frente a anunciar o Evangelho. A vós consagradas, irmãs e mães deste povo, quero dizer «obrigado», um «obrigado» grandíssimo… e dizer também que gosto muito de vós.

Sei que muitos de vós estais a enfrentar o desafio que supõe a adaptação a um programa pastoral em evolução. Como São Pedro, peço-vos que, perante qualquer prova que tenhais de enfrentar, não percais a paz e respondei como fez Cristo: deu graças ao Pai, tomou a sua cruz e seguiu em frente.

Queridos irmãos e irmãs, em breve cantaremos o Magnificat. Coloquemos nas mãos de Nossa Senhora a obra que nos foi confiada; unamo-nos a Ela agradecendo ao Senhor pelas grandes coisas que fez e pelas grandes coisas que continuará a fazer em nós e em todos aqueles que temos o privilégio de servir.

O artigo original poderá ser visto por meio desse link aqui:


NOSSO CONTRAPONTO

Discordamos de todas as formas da patética afirmação de Francisco I ao dizer: o fracasso da cruz. 

Não senhor Bergoglio, a cruz de Cristo não representou nenhum fracasso. Representou sim a mais retumbante vitória de Deus sobre o pecado, nossa carne pecaminosa e o próprio diabo com todas as suas hostes infernais —

Colossenses 2:11—15

11 Nele, também fostes circuncidados, não por intermédio de mãos, mas no despojamento do corpo da carne, que é a circuncisão de Cristo,

12 tendo sido sepultados, juntamente com ele, no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos.

13 E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos;

14 tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu- o inteiramente, encravando-o na cruz;

15 e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz.

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Alexandros Meimaridis

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PAPA FRANCISCO I CHAMA A CRUZ DE CRISTO DE VERDADEIRO FRACASSO


Caras amigas(os), irmãs(os) e leitoras(es) do blog O Grande Diálogo. Hoje queremos repercutir um artigo publicado pelo site acidigital que publicou uma transcrição da homilia do Papa Francisco I na celebração das vésperas na Catedral de São Patrício em Nova Iorque. Entre muitas afirmações controversas nada foi mais absurdo que o Papa ter declarado que a cruz de Cristo foi um verdadeiro fracasso. É lamentável que uma bobagem desse tamanho tenha sido proferida por ele, que se diz o próprio substituto de Cristo na Terra. Convidamos todos os leitores a tomarem conhecimento dessas palavras e tirarem suas conclusões se estamos mesmo diante de alguém que representa o Senhor Jesus Cristo. O artigo poderá ser acessado por meio do link abaixo: 

http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/10/homilia-do-papa-em-new-york-causa.html

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

PAPA DECLARA QUE A MORTE DE CRISTO NA CRUZ FOI UM “FRACASSO”


O artigo abaixo foi publicado pelo site Gospel Prime e é de autoria de Jarbas Aragão.

Papa afirma que morte de Jesus na cruz foi “fracasso”
Declarações do pontífice foram consideradas polêmicas
por Jarbas Aragão

A viagem do papa Francisco a Cuba e Estados Unidos teve um peso histórico, pois foi a primeira vez que um pontífice falou diante da Assembleia das Nações Unidas e do Congresso Americano.

A programação foi intensa e a maior parte de seus discursos foi feito em espanhol, língua nativa do argentino Jorge Mario Bergoglio, seu nome de batismo.

Como já tem se tornado tradição, Francisco fez declarações que geraram polêmicas e muitas críticas. Ao passar por Cuba, não condenou o regime ditatorial dos irmãos Castro nem a conhecida perseguição religiosa na ilha.

Limitou-se apenas a dizer que “Pessoas são mais importantes que ideologias”. Uma crítica considerada inócua diante do regime comunista e ateu sob o qual vivem os cubanos há décadas.

De acordo com o Christian Post, ao chegar ao solo americano, passou por Nova York, onde liderou uma cerimônia ecumênica, com representante de diferentes religiões. O tom de suas palavras foi de união de todos os credos no memorial erguido em memória dos mortos no atentado de 11 de setembro de 2001.

Em sua oração, invocou o “deus de amor”, e não mencionou o nome de Jesus, segundo informações do Washington Post.
Também fez um discurso polêmico, onde afirmou que os muçulmanos são “irmãos” dos cristãos e definiu a morte de Jesus na cruz como “fracasso”.  O texto completo da homilia poderá ser lido em outro artigo publicado no blog.

Diante do congresso americano, não tocou no assunto do momento nos EUA, que é a legalização do casamento gay. Em um país que debate intensamente se o governo deve continuar pagando por abortos, disse apenas que a humanidade deve “proteger e defender a vida humana em todos os estágios de seu desenvolvimento”.

Os conservadores esperavam que o papa falasse sobre essas questões claramente, mas isso não aconteceu. Seu assunto principal tem sido o clima no mundo, tópico abordado em sua encíclica mais recente, Ladato Si.

Os contrastes entre Francisco e seu antecessor, Bento 16, têm ficado cada vez mais evidentes. Na sua encíclica “Caritas in veritate”, Bento 16 defendeu a formação de uma Autoridade mundial para lidar com as crises financeiras.  Já Francisco, falou sobre a necessidade dessa autoridade global única, mas para cuidar das questões ambientais.

Enquanto Bento 16 disse em 2006, que o profeta Maomé só trouxe o mal, “como sua ordem para disseminar pela espada a fé que ele pregava”, Francisco disse repetidas vezes que “muçulmanos e cristãos são irmãos”.

Sobre o casamento gay, os dois papas também discordam amplamente. Francisco tem dito que não pode “julgar” e os chamou de “irmãos”. No jantar oficial do papa com Obama na Casa Branca estavam presentes vários ativistas gays católicos, além de transgêneros.

Já Bento 16, em 2013, afirmou que a união de homossexuais ameaçava “o futuro e a dignidade da humanidade”.

O artigo original poderá ser visto por meio desse link aqui:


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quinta-feira, 14 de maio de 2015

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 002



Esse é um estudo especial que irá abordar temas de grande interesse, tais como: 1. Deus 2. Os seres humanos e o mundo criado 3. Jesus e Sua missão como o CRISTO. 4. O Espírito Santo. 5. A vida cristã. 6. A Igreja. 7. O futuro e etc. Esperamos que a mesma possa ajudar todos os nossos leitores a conhecerem melhor o que o Novo Testamento ensina acerca de tudo o que nos é importante.

INTRODUÇÃO GERAL

CONTINUAÇÃO:

Durante todo o período que sucedeu, imediatamente, a reforma e até o raiar da doutrina filosófica chamada de Iluminismo, a teologia protestante ainda não havia chegado ao entendimento de que a Revelação de Deus era progressiva e, com isso, a Bíblia era usada apenas como um profundo poço contendo textos de prova que serviam para sustentar as posições doutrinárias mais diversas. Todas as confissões de fé produzidas depois da Reforma, inclusive as massivas decisões do Concílio de Trento da Igreja Católica Romana, se apegaram às Escrituras para provarem que seus sistemas doutrinários estavam certos.

A ideia de uma teologia do Novo Testamento era naqueles dias algo completamente impensável. Isso acontecia porque os estudiosos daqueles dias estavam acostumados a enxergarem Cristo de uma mesma maneira, independente de qual dos Testamentos — Antigo ou Novo — estivessem usando. A unidade das Bíblia como entendida por eles impedia o desenvolvimento de uma teologia focada exclusivamente no Novo Testamento. Mas a questão mais grave desse período dizia respeito ao fato de que não existia nenhuma consideração pelo background histórico sobre o qual a Teologia Cristã — não judaico cristã[1] — podia ser desenvolvida. Naqueles dias o contexto das afirmações encontradas nas Escrituras Sagradas era menos importante do que o conteúdo da Escrituras em si mesmas. Com isso, a exegese ou interpretação das Escrituras Sagradas estava sempre subordinada a considerações dogmáticas.

UM POUCO DE HISTÓRIA

Durante a Dieta de Worms, realizada em1521, Martinho Lutero fez a seguinte afirmação: “Minha fé não se fundamenta nem no Papa, nem nos concílios, mas somente nas Sagradas Escrituras e em argumentos inequívocos”. De modo semelhante, muitos outros reformadores fizeram afirmações parecidas proclamando as Escrituras Sagradas como a única autoridade em contraposição às doutrinas esposadas pela Igreja Católica Apostólica Romana — doravante sempre denominada pelo acrônimo ICAR. Foi assim que a Bíblia foi colocada no centro da vida das pessoas, bem como das igrejas, pelo menos da perspectiva hipotética, como a única regra de fé e prática. Não demoraria muito para que as confissões de fé viessem a ocupar um lugar — mano a mano — ao lado das Sagradas Escrituras. Tais confissões, quase todas verdadeiras abominações em nossa opinião, eram consideradas como a única interpretação 100% correta das Escrituras Sagradas. Daí não é difícil entendermos, porque cada denominação logo procurou desenvolver sua própria confissão a qual, em muitos casos e com o passar dos anos tornou-se mais importante que a própria Bíblia.

Todavia, é importante frisarmos que tanto para os reformadores originais como para a teologia protestante posterior, a chamada “Doutrina da Bíblia” estava plenamente de acordo com os ensinamentos da fé e das confissões da Igreja Antiga.

Mas o próprio Lutero já havia se dado conta, ao traduzir o Novo Testamento para o idioma alemão em Wartburg, entre os anos de 1521—1522 — de que existiam “contradições” nos textos sagrados — contradições essas que serão devidamente explicadas tanto nessa série como na série de INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO, bem como na série COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS — entre os manuscritos que estavam disponíveis para ele naqueles dias. A grande maioria desses manuscritos era relativamente recente, e haviam sido produzidos de forma massiva nos mosteiros bizantinos. Por outro lado, a própria falta de entendimento de Lutero, o fazia pensar que havia contradições entre as epístolas de Tiago e Hebreus por um lado e as epístolas paulinas por outro lado. Lutero escreveu sobre suas “descobertas” no prefácio da sua tradução finalizada em 1522. Mas as supostas descobertas de Lutero não tiveram nenhum impacto, porque a convicção de que Escrituras Sagradas eram em si mesmas a autoridade exclusiva para a vida tanto do crente quanto da igreja transformava-se, automaticamente, num gigantesco obstáculo para a aceitação das chamadas “contradições” de Lutero, por parte das igrejas protestantes. Essa também foi a razão preponderante, porque no âmbito da teologia protestante, mais de dois séculos se passaram após a morte de Lutero, até que surgisse uma exposição dos ensinamentos da Bíblia que fosse, totalmente, independente de qualquer tradição eclesiástica, mas que respeitasse a peculiaridade das Escrituras Sagradas. É fato que já no século XVII muitos já tinham produzido escritos bíblicos que receberam o nome de “Teologia da Bíblia”, mas todos esses livros não passavam de meras compilações de passagens bíblicas, com a finalidade de fundamentarem a dogmática considerada ortodoxa.          

CONTINUA...

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[1] Esse autor considera uma grande bobagem o uso, cada vez mais comum, da expressão judaico-cristã e outras semelhantes pelo seguinte fato: A fé cristã tem tudo a ver com a firmação de que Jesus é Deus. O judaísmo tem tudo a ver com a negação absoluta de que Jesus é Deus. Portanto, quanto antes aprendermos a separar a fé cristã do judaísmo, melhor será para todos nós. 

terça-feira, 7 de abril de 2015

PAPA É VISTO COMO UM VERDADEIRO REVOLUCIONÁRIO


Papa
Papa: Na Catedral de Nápoles, dia 21 de março, Francisco sofre o ataque das freiras de clausura liberadas para a ocasião

O material abaixo foi publicado pelo site da Revista Carta Capital

Internacional

Entrevista - Dom Matteo Zuppi

"A mensagem de Francisco é absolutamente subversiva"

Bispo auxiliar comenta a ação do papa para a renovação da Igreja, na qual enfrenta a resistência dos tradicionalistas.

Por Claudio Bernabucci, de Roma

Segundo o direito canônico, o papa adquire a potestade universal sobre a Igreja Católica ao ser eleito bispo de Roma e sucessor de São Pedro. O cuidado cotidiano da diocese romana, todavia, é delegado ao cardeal vigário e aos bispos auxiliares. Dentre eles dom Matteo Zuppi, ordenado por Bento XVI em 2012, tem a responsabilidade de supervisionar paróquias e igrejas do centro da cidade. Atento ao diálogo com a cultura laica e companheiro de importantes batalhas comuns, dom Matteo, 59 anos, tem um passado marcado pelo compromisso ao lado dos pobres e dos marginais, em que se destacam as experiências como pároco da Igreja de Santa Maria, em Trastevere, e como negociador internacional no processo de paz em Moçambique.

CartaCapital: Graças à sua experiência pastoral e a seu atual cargo, muito próximo dos vértices vaticanos, o senhor é a pessoa ideal para interpretar o significado da reforma da Cúria que Francisco está promovendo. Qual é a sua visão desse processo?

Matteo Zuppi: Seria um erro considerar a reforma como mera questão administrativa, visando redimensionar e agilizar a Cúria. Eu acredito na aposta em uma mudança espiritual. Francisco incita a Cúria, em primeiro lugar, a liberar-se de algumas distorções, definidas como doenças espirituais, que são provocadas pelo isolamento. Quando a Igreja se fecha, ele afirma, adoece. A esse propósito, o discurso mais claro e, por alguns aspectos, mais intransigente do papa foi aquele dirigido à Cúria na véspera do Natal, no qual ele listou 15 doenças espirituais. Ele afirma que a Cúria deve ser uma casa de espiritualidade e misericórdia, um corpo que aplica as escolhas evangélicas. Se nós viramos uma corte, caindo naquelas deformações que o papa indica (indiferença, vaidade, exibicionismo, dupla vida, maledicências etc.), juntamente com a perda de qualquer credibilidade, não teremos mais nada a dizer ao mundo. A reforma que o papa Francisco visa, portanto, é um processo profundo de mudança estrutural. Não só de pessoas nos diferentes cargos, mas de estilo e perspectiva. 

CC: Em recente entrevista, o papa falou da Cúria como a última corte da Europa. Uma afirmação muito forte, que transmitiu ao mundo inteiro a ideia de um corpo em profundo isolamento aristocrático em relação aos fiéis. Como o senhor acha, então, que Francisco, ao ser eleito, encontrou a Cúria Romana?

MZ: O estado da Cúria está refletido naquela descrição das 15 doenças espirituais, que foram explicitadas de maneira muito franca, não para castigar alguém em particular, mas para exercer espírito construtivo em relação a uma corporação humana, como a Cúria é, que precisa reencontrar o caminho certo. Evidentemente, Francisco está muito preocupado com essas degenerações, mas, com o espírito positivo que o caracteriza, está também esperançoso numa possível renovação.

CC: É evidente, para quem acompanha a evolução deste pontificado, que Francisco é muito amado pelas pessoas comuns, que são tocadas pela sua radical proximidade e se identificam com seu estilo simples e franco. Pelas mesmas razões, ele parece muito menos amado por alguns setores da Igreja. Eu conheço paróquias aqui em Roma que aplicam com muito entusiasmo o ensino do papa e outras que parecem fechadas nas próprias antigas e imóveis certezas. Com base em sua experiência, de onde nascem tais resistências?

MZ: Alguns padres têm dificuldade de acolher o recado de Francisco, por serem prisioneiros de uma concepção de Igreja fechada, tomados por aquelas deformações eclesiásticas de que falamos. Outros se contrapõem sem se contraporem, ativando uma espécie de greve branca. Para superar essas atitudes, nasce o estímulo do papa à clareza e ao falar franco. O método que ele propõe é o do comprometimento: implica o diálogo aberto, a procura constante da comunhão fraterna, que põe de lado as certezas dogmáticas para crescermos mutuamente e nos mantermos sempre vigilantes. Uma confrontação permanente para evitar a esclerose das consciências.

Matteo Zuppi
Matteo Zuppi, bispo auxiliar de Roma

CC: No estilo ou no conteúdo da ação papal, o que mais incomoda a quem resiste?

MZ: A procura, sua inquietação espiritual. Para aqueles que acham tudo já claro, esse é exercício inútil. A doutrina está clara, eles afirmam; trata-se apenas de vivê-la. Mas é exatamente através da vida que constatamos que as pessoas estão distantes da nossa doutrina tradicional e por isso temos de nos interrogar. Há certos padres que preferem a regra, para depois fazer o que lhes agrada. Eles acham que a atitude do papa nos torna inseguros e vulneráveis. Ou submissos à mentalidade corrente. Estão errados: o desafio é como apresentar as verdades de sempre aos homens de hoje, que as consideram distantes.

CC: Em outros termos, o senhor está dizendo que a Cúria, ou seja, o governo da Igreja, tornou-se, com o tempo, doente de todos aqueles males humanos de autorreferência e conservadorismo, minando assim sua natureza de instrumento a serviço da missão da Igreja...

MZ: Sim, certamente.
CC: O papa chegado “do fim do mundo” introduziu como nunca a questão da pobreza na reflexão da Igreja, redescobrindo a mensagem evangélica por excelência. Qual é a sua visão em relação a essa escolha?

MZ: Duas questões, a da teologia do povo e a das pobrezas (ou das periferias, incluindo as periferias existenciais), são cruciais para Francisco. Tocar os pobres e chorar com eles são posturas em que o papa insiste muito. Não se trata de uma questão pastoral, mas de mudar o nosso espírito para encontrar essa atitude nova. Para evitarmos virar funcionários da caridade, e sim para ser peregrinos cheios de compaixão por uma humanidade desesperada, que os pobres representam fisicamente. Além disso, com o nome Francisco escolhido por ele, não é possível esquecer os pobres.

CC: Podemos afirmar, então, que a Igreja, historicamente eurocêntrica, fez uma escolha clarividente e irreversível com a eleição de um papa do Sul do mundo?

MZ: A Igreja tem sido eurocêntrica sobretudo na gestão pastoral e na elaboração teológica, mas hoje não é mais assim. Penso no papel da Ásia, da África, da América Latina. Finalmente, nos demos conta disso. Buscamos agora uma Igreja com articulação diferente. Não devemos nutrir temores, porque isso representa o futuro.

CC: Cada vez que Francisco fala dos males da sua Igreja, parece que fala dos males do mundo. Observo uma fortíssima sincronicidade. Pelas suas declarações, não parece que o papa gosta da ordem das coisas existentes, e o manifesta com muita força...

MZ: Ele não gosta de jeito algum. Entre suas reflexões prioritárias, que Francisco repete incansavelmente nos discursos (como a globalização da indiferença, a divinização do dinheiro como manifestação do demônio, a cultura do descarte), a escolha dos pobres e para os pobres é fundamental. Essa me parece uma verdadeira revolução. Trata-se de recolocar os pobres no centro e defendê-los com compaixão e misericórdia. Essa é uma inversão de perspectiva muito corajosa que muda nossa relação com o mundo.

CC: Então, quando Francisco é hostilizado por certos ambientes, as chamadas elites conservadoras, que o definem como “comunista” para demonizá-lo, podemos observar que, de certa maneira, esse combate tem sentido, porque a mensagem que Francisco está dirigindo ao mundo é subversiva...

MZ: Efetivamente, a mensagem de Francisco é absolutamente subversiva. Por exemplo, na redefinição da função e do significado da riqueza material.

CC: Qual é sua interpretação da escolha do papa de convocar para os próximos meses um Jubileu extraordinário, apenas 15 anos após o anterior?

MZ: A decisão de convocar o Ano Santo no mesmo dia (8 de dezembro) em que foi fechado o Concílio Vaticano II, 50 anos atrás, e dedicá-lo à misericórdia indica com clareza o convite a dar continuidade àquele evento. A verdadeira escolha do Concílio e hoje, de novo, de Francisco é a misericórdia: não julgar, não cobrar o próximo, construir uma Igreja mãe e não madrasta. Será um Jubileu de meditação.

O artigo original do site da Carta Capital poderá ser visto por meio do seguinte link:


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