Mostrando postagens com marcador Indiferença. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Indiferença. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

JONATHAN EDWARDS: A AGONIA DE CRISTO — UM ESTUDO — PARTE 007


O material abaixo é parte de um livro escrito por Jonathan Edwards que foi publicado em forma de e-book por:

Fonte: CCEL.org │ Título Original: “Christ’s Agony”

As citações bíblicas desta tradução são da versão ACRF (Almeida Corrigida Revisada Fiel).

Tradução por Camila Almeida │ Revisão William Teixeira

facebook.com/oEstandarteDeCristo
Issuu.com/oEstandarteDeCristo

A AGONIA DE CRISTO

Por Jonathan Edwards

“E, posto em agonia, orava mais intensamente; e o Seu suor tornou-se em grandes gotas de sangue que corriam até ao chão.”

– Lucas 22:44 –

CONTINUAÇÃO...

Primeira Inferência: Nisto esta impiedade foi apenas uma amostra da maldade da humanidade; pois a corrupção de toda a humanidade é da mesma natureza, e a maldade que está no coração de um homem é da mesma natureza e tendência como em outro. Como na água, o rosto corresponde ao rosto, assim o coração do homem ao homem.

Segunda Inferência: É provável que Cristo morreu para fazer expiação por aquela verdadeira impiedade individual que operou os Seus sofrimentos, que o reprovou, escarneceu, esbofeteou, e o crucificou. Alguns de Seus algozes, por quem Ele orou para que pudessem ser perdoados, enquanto eles estavam no próprio ato de crucificar Jesus, foram posteriormente, em resposta à Sua oração, convertidos pela pregação de Pedro; como temos um relato no segundo capítulo de Atos.

Outra circunstância da agonia de Cristo que demonstra a força do Seu amor é o ingrato abandono dos Seus discípulos naquele momento. Os discípulos de Cristo estavam entre aqueles pelos quais Ele suportou essa agonia, e entre aqueles por quem Ele iria suportar os últimos sofrimentos, dos quais Ele agora tinha aquelas apreensões terríveis. No entanto, Cristo já os tinha despertado a um interesse nos benefícios desses sofrimentos. Seus pecados já haviam sido perdoados por meio daquele sangue que Ele estava para derramar, e eles já haviam recebido os benefícios infinitos por meio daquela moribunda compaixão e amor que Ele tinha por eles, e foram, por Seus sofrimentos, distinguidos de todos os demais do mundo. Cristo havia colocado uma maior honra sobre eles do que sobre quaisquer outros, fazendo-os Seus discípulos em um sentido mais honroso do que Ele havia feito a favor de qualquer outro. E ainda agora, quando Ele teve o terrível cálice colocado diante dEle, que Ele beberia por eles, e estava em tal agonia diante da visão disto, Ele não viu nenhum retorno por parte deles, senão a indiferença e ingratidão. Quando Ele apenas desejava que o assistissem, para que Ele fosse consolado com sua companhia, agora, neste momento, triste eles adormeceram; e mostraram que não havia preocupação suficiente sobre isso para induzi-los a manterem-se acordados com Ele, nem mesmo por uma hora, embora Ele desejasse isso, uma vez e outra vez. Mas ainda assim, este tratamento ingrato deles, por quem Ele devia beber o cálice da Ira que Deus havia posto diante dEle, não O desencorajou de tomá-lo, e bebê-lo por eles. Seu amor resistiu a eles; tendo amado os seus, amou-os até o fim. Ele não disse dentro de Si mesmo quando o cálice trêmulo estava diante dEle: “Por que devo suportar tanto por aqueles que são tão ingratos; por que eu deveria lutar aqui com a expectativa da terrível Ira de Deus a ser suportada por mim amanhã, por aqueles que nesse meio tempo não têm tanta preocupação por mim, como para manterem-se acordados comigo nem por uma hora quando eu desejo isso da parte deles?” Mas, ao contrário, com compaixões ternas e paternais Ele desculpa essa ingratidão de Seus discípulos, e diz em Mateus 26:41: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca”. E, seguiu, e foi apreendido, e escarnecido e açoitado e crucificado, e derramou a Sua alma na morte, sob o peso da terrível Ira de Deus na cruz por eles.

Terceira Inferência: A partir do que foi dito, podemos aprender as maravilhas da submissão de Cristo à vontade de Deus. Cristo, sendo uma Pessoa Divina, era o Soberano absoluto do céu e da terra, mas ainda assim Ele foi o mais maravilhoso exemplo de submissão à soberania de Deus que alguma vez já houve. Quando Ele teve tal visão da terribilidade de Seus últimos sofrimentos, e orou, se fosse possível que esse cálice passasse dEle, ou seja, se não houvesse uma necessidade absoluta disto para a salvação dos pecadores, ainda assim isso foi uma perfeita submissão à vontade de Deus. Ele acrescenta: “todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres”. Ele preferiu que a inclinação de Sua natureza humana, que tanto temia tais tormentos intensos, fosse crucificada, ao invés de que a vontade de Deus não fosse realizada. Ele se deleitava com o pensamento da vontade de Deus que estava sendo feita; e quando Ele foi e orou pela segunda vez, Ele não tinha mais nada a dizer, senão: “Pai meu, se este cálice não pode passar de mim sem eu o beber, faça-se a tua vontade”; e assim na terceira vez. O que são tais provas de submissão, em relação as que qualquer um de nós tem, por vezes, nas aflições que sofremos? Se Deus apenas em Sua providência indica que isto seja a Sua vontade para que participemos como um filho, quão dificilmente somos levados a ceder a ela, quão prontos para sermos insubmissos e perversos! Ou se Deus põe a mão sobre nós em alguma dor aguda do corpo, como estamos prontos a estar descontentes e impacientes; quando o inocente Filho de Deus, que não merecia o sofrimento pôde submeter-se calmamente a sofrimentos incompreensivelmente grandes, e disse uma e outra vez: que seja feita a vontade de Deus! Quando Ele foi trazido e estabelecido diante daquela fornalha terrível de ira na qual Ele devia ser lançado, a fim de que Ele pudesse olhar para isso e ter uma visão completa de Sua ferocidade, quando Sua carne encolheu diante disso, e Sua natureza esteve num tal conflito, que o Seu corpo foi todo coberto por um suor de sangue caindo em grandes gotas no chão, mas Sua alma calmamente entregou-se para que a vontade de Deus fosse feita, ao invés da vontade ou inclinação de Sua natureza humana.

Quarta Inferência: O que foi dito sobre este assunto também nos mostra a glória da obediência de Cristo. Cristo foi sujeito à lei moral como Adão era, e Ele também estava sujeito às leis cerimoniais e judiciais de Moisés; mas o principal comando que Ele havia recebido do Pai era que Ele deveria dar a Sua vida, que Ele deveria voluntariamente entregar a Si mesmo a aqueles terríveis sofrimentos na Cruz. Fazer isso era a Sua principal missão no mundo; e, sem dúvida, a principal ordenança que Ele recebeu, foi sobre aquilo que era a principal incumbência para que Ele fora enviado. O Pai, quando O enviou ao mundo, enviou-O com os comandos sobre o que Ele deveria fazer no mundo; e Sua maior ordenança dentre todas foi sobre isso,  a incumbência para a qual Ele foi principalmente enviado, foi para entregar a Sua vida. E, portanto, esta ordenança foi a principal prova da Sua obediência. Foi a maior prova de Sua obediência, porque era, de longe, a ordem mais difícil: todo o resto era fácil em comparação a isto. E a principal prova de que Cristo teve, se Ele obedecesse a esta ordem, foi no tempo de Sua agonia; por que ocorreu uma hora antes dEle ter sido preso, de acordo com Seus sofrimentos, quando Ele deveria ou render-se a eles, ou fugir deles. E então foi a primeira vez que Cristo teve uma visão completa da dificuldade desta ordem; que parecia tão grande a ponto de causar aquele suor de sangue. Em seguida, foi o conflito da fraca natureza humana com a dificuldade, depois foram as dolorosas lutas e batalhas com o julgamento pesado que Ele teve, e então Cristo obteve vitória sobre a tentação, provinda do medo de Sua natureza humana. Sua obediência resistiu em meio ao conflito. Então, podemos supor que Satanás foi especialmente solto para lidar com o medo natural que a natureza humana tinha de tais tormentos, e esforçar-se com o seu melhor para dissuadir Cristo de prosseguir em beber o cálice amargo; pois a essa altura, em direção a aproximar-se da vida de Cristo, Ele estava especialmente entregue nas mãos de Satanás, para ser tentado por ele, mais do que Ele foi imediatamente após o Seu batismo; pois Cristo diz, falando da época, Lucas 22:53: “Tenho estado todos os dias convosco no templo, e não estendestes as mãos contra mim, mas esta é a vossa hora e o poder das trevas”. Logo, Cristo, no momento de Sua agonia, esteve lutando não somente com visões assombrosas de Seus últimos sofrimentos, mas Ele também lutou, nesse suor sangrento, com os principados e potestades – argumentou Ele, nesse momento com o grande leviatã que trabalhou com o seu melhor para tentá-lo à desobediência. De modo que, em seguida, Cristo teve tentações em todos os sentidos para atraí-Lo para fora da obediência a Deus. Teve tentações de Sua fraca natureza humana, que temia extremamente tais tormentos; e Ele teve tentações de homens, que eram os Seus inimigos; e Ele teve tentações do abandono ingrato de Seus discípulos; e Ele teve tentações do Diabo. Ele também teve uma prova esmagadora da manifestação da própria Ira de Deus; quando, nas palavras de Isaías, agradou ao Senhor moê-lo e fazê-lo enfermar. Todavia, ainda assim, Ele não falhou, mas conseguiu a vitória sobre todos, e realizou esse grande ato de obediência naquele momento, ao mesmo Deus que se escondeu dEle, e demonstrou a Sua Ira a Ele pelos pecados dos homens, que Ele devia em breve sofrer. Nada poderia movê-Lo para longe de Sua obediência fiel a Deus, mas Ele insistiu em dizer: “Seja feita a Sua vontade”, expressando não apenas a Sua submissão, mas Sua obediência; não somente a Sua conformidade com a disposição da vontade de Deus, mas também com a Sua vontade perceptiva. Deus lhe havia dado este cálice para beber, e tinha ordenado a Ele que bebesse, e isso era motivo suficiente para que Ele O bebesse; portanto, Ele diz, na conclusão de Sua agonia, quando Judas veio com Seu bando: “não beberei eu o cálice que o Pai me deu?” (João 18:11). Cristo, no momento de Sua agonia, deu uma prova incrivelmente maior de obediência do que qualquer homem ou anjo já deu. Quanto mais além foi esta prova de obediência do segundo Adão do que a provação de obediência do primeiro Adão! Quão leve foi a tentação de nosso primeiro pai, em comparação a esta! E, no entanto o nosso primeiro fiador falhou, e nosso segundo não falhou, mas obteve uma vitória gloriosa, e seguiu, e tornou-se obediente até à morte e morte de cruz. Assim maravilhosa e gloriosa foi a obediência de Cristo, pela qual Ele operou a justiça para os crentes, e cuja obediência é imputada a eles. Não maravilha que esta seja uma doce punição semeada, e que Deus permaneça disposto a dar o céu como a Sua recompensa a todos os que creem nEle.

Quinta Inferência: O que foi dito mostra-nos a insensatez da segurança dos pecadores em serem tão destemidos diante da Ira de Deus. Se a Ira de Deus era tão terrível, que, quando Cristo somente a esperava, Sua natureza humana foi quase sobrecarregada com o temor dela, e Sua alma ficou assombrada, e Seu corpo todo em um suor sangrento; então quão insensatos são os pecadores, que estão sob a ameaça da mesma Ira de Deus, e são condenados a ela, e estão a cada momento expostos a isso; e, no entanto, em vez de manifestar intensa apreensão, estão calmos, leves e indiferentes; em vez de estarem tristes e mui pesados, andam com um coração tranquilo e descuidado; em vez de chorar em amarga agonia, muitas vezes estão felizes e contentes, e comem e bebem, e dormem tranquilamente, e prosseguem no pecado, provocando a Ira de Deus mais e mais, sem qualquer motivo de preocupação! Quão estúpidas e insensatas são essas pessoas! Deixem que tais pecadores insensíveis considerem que esta miséria, da qual eles estão em perigo devido a Ira de Deus, é infinitamente mais terrível do que a que ocasionou em Cristo a Sua agonia e suor sangrento. É mais terrível, tanto como isto difere em Sua natureza e grau, e também uma vez que difere na Sua duração. É mais terrível em Sua natureza e grau. Cristo sofreu aquilo enquanto confirmou a honra da lei Divina, era plenamente equivalente à miséria dos condenados; e em algum aspecto foi o mesmo sofrimento; pois era a Ira do mesmo Deus; mas ainda em outros aspectos, muito diferente. A diferença não surge a partir da Ira derramada sobre um e outro, pois é o mesmo furor, mas a partir da diferença de sujeito, o que pode ser melhor ilustrado a partir da própria comparação de Cristo. Lucas 23:31: “Porque, se ao madeiro verde fazem isto, que se fará ao seco?” Aqui, Ele chama a si mesmo de uma árvore verde, e os homens ímpios de secos, indicando que a miséria que virá sobre os homens ímpios será muito mais terrível do que os sofrimentos que vieram sobre Ele, e que a diferença decorre da natureza diferente do sujeito. A árvore verde e a seca são ambos lançados no fogo; mas as chamas secam, ainda mais intensamente, a árvore seca do que a verde.

Os sofrimentos que Cristo suportou diferem da miséria dos ímpios no inferno em natureza e grau em relação aos seguintes aspectos.

1. Cristo não sentiu os tormentos de uma consciência culpada, condenada.

2. Ele não sentiu nenhum tormento do reinado de corrupções e concupiscências interiores como as do condenado. Os ímpios no inferno são seus próprios algozes, seus desejos são seus algozes, e sendo sem restrições, (pois não há graça preventiva no inferno), seus desejos enraivecerão como chamas furiosas em seus corações. Eles serão atormentados com a violência desenfreada de um espírito de inveja e maldade contra Deus e contra os anjos e santos do céu, e um contra o outro. Ora, Cristo não sofreu nada disso.

3. Cristo não teve que considerar que Deus O odiava. Os ímpios no inferno tem isso para fazer Sua miséria perfeita, eles sabem que Deus odeia perfeitamente sem a menor piedade ou respeito a eles, o que preencherá as Suas almas com miséria inexprimível. Mas não foi assim com Cristo. Deus retirou Sua presença confortável de Cristo, e escondeu dEle o Seu rosto, e assim derramou a Sua Ira sobre Ele, quando O fez sentir os seus efeitos terríveis na Sua alma; mas ainda assim Ele sabia, ao mesmo tempo, que Deus não O odiava, mas O amava infinitamente. Ele clamou por que Deus O abandonou, mas, ainda assim, ao mesmo tempo, o chama de “Deus meu, Deus meu!”, sabendo que era ainda o Seu Deus, embora O tivesse abandonado. Mas os ímpios no inferno saberão que Ele não é o Seu Deus, mas o Seu juiz e inimigo irreconciliável.

4. Cristo não sofreu desespero, como o ímpio o faz no inferno. Ele sabia que haveria um fim de Seus sofrimentos em poucas horas; e que depois Ele deveria entrar na glória eterna. Mas será bem diferente com vocês que são impenitentes; se vocês morrerem em Sua condição atual, vocês estarão em desespero perfeito. Nestas considerações, a miséria dos ímpios no inferno será imensamente mais terrível em natureza e grau, do que aqueles sofrimentos com os temores os quais a alma de Cristo estava muito sobrecarregada.

5. Isto infinitamente diferirá na duração. Os sofrimentos de Cristo duraram apenas algumas horas, e não havia um fim eterno a eles, e a glória eterna sucedeu. Mas você que é, um pecador seguro, insensível, está todos os dias exposto a ser lançado na miséria eterna, um fogo que nunca se apaga. Se, então, o Filho de Deus esteve em tal assombro, na expectativa de que Ele devia sofrer por algumas horas, quão insensato é você que está continuamente exposto a sofrimentos imensamente mais terríveis em natureza e grau, e que devem sem qualquer fim, mas que serão suportados sem descanso dia e noite para todo o sempre! Se você tivesse um sentido pleno da grandeza daquela miséria a que você está exposto, e quão terrível é a Sua condição atual por conta disso, seria neste momento colocado em tão terrível agonia como a que Cristo sofreu; sim, se a sua natureza puder suportá-la, uma muito mais terrível. Agora veríamos você cair em um suor sangrento, chafurdando em Sua dor e gritando de terrível espanto.

Tendo, assim, me esforçado para explicar e ilustrar as duas proposições anteriormente mencionadas no início deste discurso, passarei agora a mostrar:

CONTINUA...




OUTRAS PARTES DESSE ESTUDO PODERÃO SER VISTAS POR MEIO DOS LINKS ABAIXO

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — ALGUMAS CITAÇÕES DESSE 
ESTUDO PARTE 001

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — ALGUMAS CITAÇÕES DESSE ESTUDO PARTE 002

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — ALGUMAS CITAÇÕES DESSE ESTUDO PARTE 003

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 004

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 005

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 006 —http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/08/jonathan-edwards-agonia-de-cristo-um.html

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 007 —http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/10/jonathan-edwards-agonia-de-cristo-um.html

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 008 —

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 009 —

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 010 — APLICAÇÃO 001

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 011 — APLICAÇÃO 002

UMA BREVE BIOGRAFIA DE JONATHAN EDWARDS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/08/jonathan-edwards-uma-breve-biografia.html

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.

terça-feira, 7 de abril de 2015

PAPA É VISTO COMO UM VERDADEIRO REVOLUCIONÁRIO


Papa
Papa: Na Catedral de Nápoles, dia 21 de março, Francisco sofre o ataque das freiras de clausura liberadas para a ocasião

O material abaixo foi publicado pelo site da Revista Carta Capital

Internacional

Entrevista - Dom Matteo Zuppi

"A mensagem de Francisco é absolutamente subversiva"

Bispo auxiliar comenta a ação do papa para a renovação da Igreja, na qual enfrenta a resistência dos tradicionalistas.

Por Claudio Bernabucci, de Roma

Segundo o direito canônico, o papa adquire a potestade universal sobre a Igreja Católica ao ser eleito bispo de Roma e sucessor de São Pedro. O cuidado cotidiano da diocese romana, todavia, é delegado ao cardeal vigário e aos bispos auxiliares. Dentre eles dom Matteo Zuppi, ordenado por Bento XVI em 2012, tem a responsabilidade de supervisionar paróquias e igrejas do centro da cidade. Atento ao diálogo com a cultura laica e companheiro de importantes batalhas comuns, dom Matteo, 59 anos, tem um passado marcado pelo compromisso ao lado dos pobres e dos marginais, em que se destacam as experiências como pároco da Igreja de Santa Maria, em Trastevere, e como negociador internacional no processo de paz em Moçambique.

CartaCapital: Graças à sua experiência pastoral e a seu atual cargo, muito próximo dos vértices vaticanos, o senhor é a pessoa ideal para interpretar o significado da reforma da Cúria que Francisco está promovendo. Qual é a sua visão desse processo?

Matteo Zuppi: Seria um erro considerar a reforma como mera questão administrativa, visando redimensionar e agilizar a Cúria. Eu acredito na aposta em uma mudança espiritual. Francisco incita a Cúria, em primeiro lugar, a liberar-se de algumas distorções, definidas como doenças espirituais, que são provocadas pelo isolamento. Quando a Igreja se fecha, ele afirma, adoece. A esse propósito, o discurso mais claro e, por alguns aspectos, mais intransigente do papa foi aquele dirigido à Cúria na véspera do Natal, no qual ele listou 15 doenças espirituais. Ele afirma que a Cúria deve ser uma casa de espiritualidade e misericórdia, um corpo que aplica as escolhas evangélicas. Se nós viramos uma corte, caindo naquelas deformações que o papa indica (indiferença, vaidade, exibicionismo, dupla vida, maledicências etc.), juntamente com a perda de qualquer credibilidade, não teremos mais nada a dizer ao mundo. A reforma que o papa Francisco visa, portanto, é um processo profundo de mudança estrutural. Não só de pessoas nos diferentes cargos, mas de estilo e perspectiva. 

CC: Em recente entrevista, o papa falou da Cúria como a última corte da Europa. Uma afirmação muito forte, que transmitiu ao mundo inteiro a ideia de um corpo em profundo isolamento aristocrático em relação aos fiéis. Como o senhor acha, então, que Francisco, ao ser eleito, encontrou a Cúria Romana?

MZ: O estado da Cúria está refletido naquela descrição das 15 doenças espirituais, que foram explicitadas de maneira muito franca, não para castigar alguém em particular, mas para exercer espírito construtivo em relação a uma corporação humana, como a Cúria é, que precisa reencontrar o caminho certo. Evidentemente, Francisco está muito preocupado com essas degenerações, mas, com o espírito positivo que o caracteriza, está também esperançoso numa possível renovação.

CC: É evidente, para quem acompanha a evolução deste pontificado, que Francisco é muito amado pelas pessoas comuns, que são tocadas pela sua radical proximidade e se identificam com seu estilo simples e franco. Pelas mesmas razões, ele parece muito menos amado por alguns setores da Igreja. Eu conheço paróquias aqui em Roma que aplicam com muito entusiasmo o ensino do papa e outras que parecem fechadas nas próprias antigas e imóveis certezas. Com base em sua experiência, de onde nascem tais resistências?

MZ: Alguns padres têm dificuldade de acolher o recado de Francisco, por serem prisioneiros de uma concepção de Igreja fechada, tomados por aquelas deformações eclesiásticas de que falamos. Outros se contrapõem sem se contraporem, ativando uma espécie de greve branca. Para superar essas atitudes, nasce o estímulo do papa à clareza e ao falar franco. O método que ele propõe é o do comprometimento: implica o diálogo aberto, a procura constante da comunhão fraterna, que põe de lado as certezas dogmáticas para crescermos mutuamente e nos mantermos sempre vigilantes. Uma confrontação permanente para evitar a esclerose das consciências.

Matteo Zuppi
Matteo Zuppi, bispo auxiliar de Roma

CC: No estilo ou no conteúdo da ação papal, o que mais incomoda a quem resiste?

MZ: A procura, sua inquietação espiritual. Para aqueles que acham tudo já claro, esse é exercício inútil. A doutrina está clara, eles afirmam; trata-se apenas de vivê-la. Mas é exatamente através da vida que constatamos que as pessoas estão distantes da nossa doutrina tradicional e por isso temos de nos interrogar. Há certos padres que preferem a regra, para depois fazer o que lhes agrada. Eles acham que a atitude do papa nos torna inseguros e vulneráveis. Ou submissos à mentalidade corrente. Estão errados: o desafio é como apresentar as verdades de sempre aos homens de hoje, que as consideram distantes.

CC: Em outros termos, o senhor está dizendo que a Cúria, ou seja, o governo da Igreja, tornou-se, com o tempo, doente de todos aqueles males humanos de autorreferência e conservadorismo, minando assim sua natureza de instrumento a serviço da missão da Igreja...

MZ: Sim, certamente.
CC: O papa chegado “do fim do mundo” introduziu como nunca a questão da pobreza na reflexão da Igreja, redescobrindo a mensagem evangélica por excelência. Qual é a sua visão em relação a essa escolha?

MZ: Duas questões, a da teologia do povo e a das pobrezas (ou das periferias, incluindo as periferias existenciais), são cruciais para Francisco. Tocar os pobres e chorar com eles são posturas em que o papa insiste muito. Não se trata de uma questão pastoral, mas de mudar o nosso espírito para encontrar essa atitude nova. Para evitarmos virar funcionários da caridade, e sim para ser peregrinos cheios de compaixão por uma humanidade desesperada, que os pobres representam fisicamente. Além disso, com o nome Francisco escolhido por ele, não é possível esquecer os pobres.

CC: Podemos afirmar, então, que a Igreja, historicamente eurocêntrica, fez uma escolha clarividente e irreversível com a eleição de um papa do Sul do mundo?

MZ: A Igreja tem sido eurocêntrica sobretudo na gestão pastoral e na elaboração teológica, mas hoje não é mais assim. Penso no papel da Ásia, da África, da América Latina. Finalmente, nos demos conta disso. Buscamos agora uma Igreja com articulação diferente. Não devemos nutrir temores, porque isso representa o futuro.

CC: Cada vez que Francisco fala dos males da sua Igreja, parece que fala dos males do mundo. Observo uma fortíssima sincronicidade. Pelas suas declarações, não parece que o papa gosta da ordem das coisas existentes, e o manifesta com muita força...

MZ: Ele não gosta de jeito algum. Entre suas reflexões prioritárias, que Francisco repete incansavelmente nos discursos (como a globalização da indiferença, a divinização do dinheiro como manifestação do demônio, a cultura do descarte), a escolha dos pobres e para os pobres é fundamental. Essa me parece uma verdadeira revolução. Trata-se de recolocar os pobres no centro e defendê-los com compaixão e misericórdia. Essa é uma inversão de perspectiva muito corajosa que muda nossa relação com o mundo.

CC: Então, quando Francisco é hostilizado por certos ambientes, as chamadas elites conservadoras, que o definem como “comunista” para demonizá-lo, podemos observar que, de certa maneira, esse combate tem sentido, porque a mensagem que Francisco está dirigindo ao mundo é subversiva...

MZ: Efetivamente, a mensagem de Francisco é absolutamente subversiva. Por exemplo, na redefinição da função e do significado da riqueza material.

CC: Qual é sua interpretação da escolha do papa de convocar para os próximos meses um Jubileu extraordinário, apenas 15 anos após o anterior?

MZ: A decisão de convocar o Ano Santo no mesmo dia (8 de dezembro) em que foi fechado o Concílio Vaticano II, 50 anos atrás, e dedicá-lo à misericórdia indica com clareza o convite a dar continuidade àquele evento. A verdadeira escolha do Concílio e hoje, de novo, de Francisco é a misericórdia: não julgar, não cobrar o próximo, construir uma Igreja mãe e não madrasta. Será um Jubileu de meditação.

O artigo original do site da Carta Capital poderá ser visto por meio do seguinte link:


OUTROS ARTIGOS ACERCA DA IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA





























































Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

JONATHAN EDWARDS: A AGONIA DE CRISTO — UM ESTUDO — PARTE 002


Concepção Artística

O material abaixo é parte de um livro escrito por Jonathan Edwards que foi publicado em forma de e-book por:

Fonte: CCEL.org │ Título Original: “Christ’s Agony”

As citações bíblicas desta tradução são da versão ACRF (Almeida Corrigida Revisada Fiel).

Tradução por Camila Almeida │ Revisão William Teixeira

facebook.com/oEstandarteDeCristo

Issuu.com/oEstandarteDeCristo

A AGONIA DE CRISTO

Por Jonathan Edwards

Algumas Citações deste Estudo — PARTE 002

“E, posto em agonia, orava mais intensamente; e o Seu suor tornou-se em grandes gotas de sangue que corriam até ao chão.”
– Lucas 22:44 –
Citações deste Sermão

“Quando o cálice terrível estava diante dEle, Ele não disse em Seu interior: “Por que eu, que sou tão grandiosa e gloriosa Pessoa, infinitamente mais honrado do que todos os anjos do céu, por que eu deveria ir mergulhar-me em tão terríveis e incríveis tormentos por vermes inúteis miseráveis que não podem ser proveitosos a Deus, ou a mim, e que merecem ser odiados por mim, e não ser amados? Por que eu, que tenho vivido desde toda a eternidade no gozo do amor do Pai, lançar-me-ei em tal fornalha por aqueles que nunca podem me recompensar por isso? Por que eu deveria me render a ser, assim, esmagado pelo peso da Ira Divina, por aqueles que não têm amor por mim, e são meus inimigos? Eles não merecem qualquer união comigo, e nunca fizeram e nunca farão, qualquer coisa para recomendarem-se a mim. Em que serei mais rico por salvar um número de inimigos miseráveis de Deus e meus, que merecem ter a Justiça Divina glorificada em Sua destruição?” Tal, porém, não era a linguagem do coração de Cristo, nessas circunstâncias; mas, pelo contrário, o Seu amor permaneceu firme, e Ele resolveu, mesmo assim, em meio a Sua agonia, entregar a Si mesmo à vontade de Deus, e tomar o cálice e o beber. Ele não fugiria para sair do caminho de Judas e daqueles que estavam com ele, mas Ele sabia que eles estavam vindo, mas na mesma hora entregou-se voluntariamente em Suas mãos.”

“Assim poderoso, constante e corajoso foi o amor de Cristo; e a provação especial do Seu amor acima de todas as outras em toda a Sua vida parece ter sido no momento da Sua agonia. Pois, embora Seus sofrimentos fossem maiores depois, quando Ele estava na cruz, ainda assim Ele viu claramente o que esses sofrimentos seriam, no momento de Sua agonia; e esta parece ter sido a primeira vez que Jesus Cristo teve uma visão clara do que eram estes sofrimentos; e depois disso a provação não foi tão grande, porque o conflito terminara. A Sua natureza humana estava em uma luta com o Seu amor pelos pecadores, mas o Seu amor havia conseguido a vitória. A coisa, mediante uma visão plena dos Seus sofrimentos, havia sido resolvida e concluída; e, portanto, quando o momento chegou, Ele realmente passou por esses sofrimentos.”

“Há duas coisas que tornam o amor de Cristo maravilhoso: 1. Que Ele esteve disposto a suportar sofrimentos que eram tão grandiosos e 2. Que Ele esteve disposto a suportá-los para fazer expiação por impiedade que era tão grande. “

“A maravilha do amor de Cristo ao morrer, aparece em parte em que Ele morreu por aqueles que eram tão indignos em si mesmos, como todos os homens têm o mesmo tipo de corrupção em Seus corações, e em parte porque Ele morreu por aqueles que não eram apenas tão ímpios, mas cuja iniquidade consistia em serem Seus inimigos; assim, Ele não apenas morreu pelos ímpios, mas pelos Seus próprios inimigos.”

“E ainda agora, quando Ele teve o terrível cálice colocado diante dEle, que Ele beberia por eles, e estava em tal agonia diante da visão disto, Ele não viu nenhum retorno por parte deles, senão a indiferença e ingratidão. Quando Ele só desejava que o assistissem, para que Ele fosse consolado com Sua companhia, agora, neste momento, triste eles adormeceram; e mostraram que não havia preocupação suficiente sobre isso para induzi-los a manterem-se acordados com Ele nem mesmo por uma hora, embora Ele desejasse isso, uma vez e outra vez. Mas ainda assim, este tratamento ingrato deles, por quem Ele devia beber o cálice da Ira que Deus havia posto diante dEle, não O desencorajou a de tomá-lo, e bebê-lo por eles. Seu amor resistiu a eles; tendo amado os seus, amou-os até o fim. Ele não disse dentro de Si mesmo quando o cálice trêmulo estava diante dEle: “Por que devo suportar tanto por aqueles que são tão ingratos; por que eu deveria lutar aqui com a expectativa da terrível Ira de Deus a ser suportada por mim amanhã, por aqueles que nesse meio tempo não têm tanta preocupação por mim, como para manterem-se acordados comigo nem por uma hora quando eu desejo isso da parte deles?” Mas, ao contrário, com compaixões ternas e paternais Ele desculpa esta ingratidão de Seus discípulos, e diz em Mateus 26:41: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca”. E, seguiu, e foi apreendido, e escarnecido e açoitado e crucificado, e derramou a Sua alma na morte, sob o peso da terrível Ira de Deus na cruz por eles.”

“Cristo, sendo uma Pessoa Divina, era o Soberano absoluto do céu e da terra, mas ainda assim Ele foi o mais maravilhoso exemplo de submissão à soberania de Deus que alguma vez já houve. Quando Ele teve tal visão de quão terríveis seriam Seus últimos sofrimentos, e orou, se fosse possível que esse cálice passasse dEle, ou seja, se não houvesse uma necessidade absoluta disto para a salvação dos pecadores, ainda assim isto foi uma perfeita submissão à vontade de Deus. Ele acrescenta: “todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres”. Ele preferiu que a inclinação de Sua natureza humana, que tanto temia tais tormentos intensos, fosse crucificada, ao invés de que a vontade de Deus não fosse realizada. Ele se deleitava com o pensamento da vontade de Deus que estava sendo feita; e quando Ele foi e orou pela segunda vez, Ele não tinha mais nada a dizer, senão: “Pai meu, se este cálice não pode passar de mim sem eu o beber, faça-se a tua vontade”; e assim na terceira vez.”

“Se Deus apenas em Sua providência indica que issa seja a Sua vontade para que participemos como um filho, quão dificilmente somos levados a ceder a ela, quão prontos para sermos insubmissos e perversos!”

“O Pai, quando O enviou ao mundo, enviou-O com os comandos sobre o que Ele deveria fazer no mundo; e Sua maior ordenança dentre todas foi sobre isso, que foi a incumbência para a qual Ele foi principalmente enviado, que foi para entregar a Sua vida. E, portanto, esta ordenança foi a principal prova da Sua obediência.”

“Cristo, no momento de Sua agonia, deu uma prova inconcebível e maior de obediência do que qualquer homem ou anjo já deu. Quanto mais além foi esta prova de obediência do segundo Adão do que a provação de obediência do primeiro Adão! Quão leve foi a tentação de nosso primeiro pai, em comparação a esta! E, no entanto o nosso primeiro fiador falhou, e nosso segundo não falhou, mas obteve uma vitória gloriosa, e seguiu, e tornou-se obediente até à morte e morte de cruz. Assim maravilhosa e gloriosa foi a obediência de Cristo, pela qual Ele operou a justiça para os crentes, e cuja obediência é imputada a eles. Não deve nos surpreender que essa seja uma doce punição semeada, e que Deus permaneça disposto a dar o céu como a Sua recompensa a todos os que creem nEle.”

“O que foi dito mostra-nos a insensatez da segurança dos pecadores em serem tão destemidos diante da Ira de Deus. Se a Ira de Deus era tão terrível, que, quando Cristo somente a esperava, Sua natureza humana foi quase sobrecarregada com o temor dela, e Sua alma ficou assombrada, e Seu corpo todo em um suor sangrento; então quão insensatos são os pecadores, que estão sob a ameaça da mesma Ira de Deus, e são condenados a ela, e estão a cada momento expostos a isso; e, no entanto, em vez de manifestar intensa apreensão, estão calmos, leves e indiferentes; em vez de estarem tristes e mui pesados, andam com um coração tranquilo e descuidado; em vez de chorar em amarga agonia, muitas vezes estão felizes e contentes, e comem e bebem, e dormem tranquilamente, e prosseguem no pecado, provocando a Ira de Deus mais e mais, sem qualquer motivo de preocupação! Quão estúpidas e insensatas são essas pessoas!”

“Os sofrimentos de Cristo duraram apenas algumas horas, e não havia um fim eterno a eles, e a glória eterna sucedeu. Mas você que é, um pecador seguro, insensível, está todos os dias exposto a ser lançado na miséria eterna, um fogo que nunca se apaga. Se, então, o Filho de Deus esteve em tal assombro, na expectativa de que Ele devia sofrer por algumas horas, quão insensato é você que está continuamente exposto a sofrimentos imensamente mais terríveis em natureza e grau, e que devem sem qualquer fim, mas que serão suportados sem descanso dia e noite para todo o sempre! Se você tivesse um sentido pleno da grandeza daquela miséria a que você está exposto, e quão terrível é a Sua condição atual por conta disso, seria neste momento colocado tão terrível agonia como a que Cristo sofreu; sim, se a sua natureza puder suportá-la, uma muito mais terrível. Agora veríamos você cair em um suor sangrento, chafurdando em Sua dor e gritando de terrível espanto.”

“Cristo, antes de Sua segunda oração, teve uma intimação da parte do Pai, que não era a Sua vontade de que o cálice passasse dele. A vinda do anjo do céu para fortalecê-lo deve ser assim entendida. Cristo em primeiro lugar, ora para que, se fosse a vontade do Pai, o cálice pudesse passar; mas isso não foi a Sua vontade; e então Deus imediatamente após isto envia um anjo para fortalecê-lo e encorajá-Lo a tomar o cálice, o que era uma indicação clara a Cristo que era a vontade do Pai que Ele deveria tomá-lo, e que Ele não passasse dele. E assim Cristo o recebeu; como é evidenciado a partir do relato que Mateus oferece sobre esta segunda oração. Mateus 26:42: “E, indo segunda vez, orou, dizendo: Pai meu, se este cálice não pode passar de mim sem eu o beber, faça-se a tua vontade”. E Lucas nos diz como, a saber, por ter Deus enviado um anjo. Mateus nos informa, como Lucas o faz, que em Sua primeira oração, Ele orou para que, se fosse possível o cálice passasse dEle; mas então Deus envia um anjo para significar que não era a Sua vontade, e para encorajá-Lo a tomá-lo. E então, Cristo tendo recebido essa indicação clara que não era a vontade de Deus que o cálice passasse dEle, rende-se à mensagem que recebeu, e diz: ó, Meu Pai, se é assim como Tu agora indicas, seja feita a Tua vontade. Portanto, podemos seguramente concluir que pelo que Cristo orava mais intensamente depois disso, não era para que o cálice passasse dEle, mas por outra coisa; pois Ele não iria orar mais fervorosamente, do que Ele fez antes, para que o cálice passasse dEle, depois de Deus ter sinalizado que não era Sua vontade que isso passasse dEle; supor isso seria uma blasfêmia.”

“Foi da vontade preceptiva de Deus que Ele tomasse esse cálice e bebesse; foi a ordem do Pai para Ele. O Pai lhe deu o cálice, e como que foi estabelecido diante dEle com a ordem que Ele deveria beber. Este foi o maior ato de obediência que Cristo devia executar. Ele ora por força e auxílio, para que a Sua pobre natureza humana fraca fosse apoiada, para que Ele não falhasse nesta grande prova, para que Ele não afundasse e fosse engolido, e que Sua força superasse em muito que Ele não aguentasse, e terminasse a obediência indicada. Esta foi a única coisa que Ele temia, do qual o apóstolo fala no capítulo 5 de Hebreus, quando Ele diz, “ele foi ouvido quanto ao que temia”. Quando Ele teve um senso tão extraordinário do horror dos Seus sofrimentos impressos em Sua mente, o medo disso O assombrava. Ele estava com medo de que Sua pobre fraca força fosse superada, e que Ele falhasse em uma tão grande provação, que Ele fosse engolido por aquela morte que Ele estava para morrer, e assim, não fosse salvo da morte; e, portanto, Ele se ofereceu com grande clamor e lágrimas, Àquele que era capaz de fortalecê-Lo, e apoiá-lo, e salvá-Lo da morte, para que a morte que devia sofrer não pudesse superar o Seu amor e obediência, mas que Ele pudesse vencer a morte, e ser salvo dela.”

“Se a coragem de Cristo falhasse no teste, e Ele não resistisse sob Seus sofrimentos de morte, Ele nunca teria sido salvo da morte, mas Ele teria afundado no lamaçal profundo; Ele nunca teria ressuscitado dentre os mortos, pois a Sua ressurreição dos mortos foi uma recompensa por Sua vitória. Se Sua coragem houvesse falhado, e Ele tivesse desistido, Ele teria permanecido debaixo do poder da morte, e por isso todos nós teríamos perecido, teríamos ainda permanecido em nossos pecados. Se Ele tivesse falhado, tudo teria falhado. Se Ele não tivesse superado esse conflito doloroso, nem Ele nem nós poderíamos ter sido libertados da morte, todos nós teríamos morrido juntos. Portanto, essa foi a preservação da morte que o apóstolo fala, que Cristo temia e orava, com grande clamor e lágrimas. Seu Ser superado pela morte era a única coisa que Ele temia, e por isso Ele foi ouvido quanto ao que temia.”

“Que Cristo em Sua agonia orou tão fervorosamente, para que a vontade de Deus fosse feita, ou seja, que Ele tivesse força para cumprir a Sua vontade, e não afundasse e falhasse em tais grandes sofrimentos, é confirmado pelas Escrituras do Antigo Testamento, particularmente a partir do Salmo 69. O salmista representa a Cristo neste salmo, como é evidente pelo fato de que as palavras do salmo são representadas como as palavras de Cristo em muitos lugares do Novo Testamento. Esse salmo é representado como a oração de Cristo a Deus quando Sua alma estava profundamente triste e assombrada, como foi em Sua agonia; como você pode ver no 1º e 2º versículos: “Livra-me, ó Deus, pois as águas entraram até à minha alma. Atolei-me em profundo lamaçal, onde se não pode estar em pé; entrei na profundeza das águas, onde a corrente me leva”. Mas, então, a única coisa que é representada como sendo o que Ele temia, estava falhando, e sendo oprimido, nesta grande provação: Versículos 14 e 15: “Tira-me do lamaçal, e não me deixes atolar; seja eu livre dos que me odeiam, e das profundezas das águas. Não me leve a corrente das águas, e não me absorva ao profundo, nem o poço cerre a Sua boca sobre mim”. Então, novamente no Salmo 22, que também é representado como a oração de Cristo sob Suas terríveis dores e sofrimentos, nos versículos 19, 20 e 21: ‘Mas tu, Senhor, não te alongues de mim. Força minha, apressa-te em socorrer-me. Livra a minha alma da espada, e a minha predileta da força do cão. Salva-me da boca do leão’.”

“Cristo, quando prestes a se envolver em terrível conflito, buscou, assim, sinceramente a ajuda de Deus para capacitá-lo a fazer a Sua vontade; pois Ele precisava da ajuda de Deus – a força de Sua natureza humana, sem a ajuda Divina, não era suficiente para sustentá-Lo completamente. Isto foi, sem dúvida, no que o primeiro Adão falhou em Sua primeira provação, de forma que quando a provação chegou, Ele não estava consciente de Sua própria fraqueza e dependência. Se Ele tivesse se inclinado para Deus, e clamado por Ele, por Sua ajuda e força contra a tentação, muito provavelmente teríamos permanecido criaturas inocentes e felizes até hoje.”

“Cristo ofereceu aqueles fortes clamores com a Sua carne, da mesma maneira que os sacerdotes de antigamente tinham o costume de oferecer orações com os Seus sacrifícios. Cristo misturou grande clamor e lágrimas, com Seu sangue, e por isso ofereceu o Seu sangue e Suas orações em conjunto, para que o efeito e o sucesso de Seu sangue fossem obtidos. Tais intensas orações agonizantes foram oferecidos com o Seu sangue, e Seu sangue infinitamente precioso e meritório foi oferecido com as Suas orações.”

“Cristo teve um extraordinário senso de Sua dependência de Deus, e de Sua necessidade de Sua ajuda para capacitá-Lo a fazer a vontade de Deus nesta grande provação. Embora Ele fosse inocente, ainda assim Ele precisava de ajuda Divina. Ele era dependente de Deus, como homem, e, portanto, lemos que Ele confiava em Deus. Mateus 27:43: “Confiou em Deus; livre-o agora, se o ama; porque disse: Sou Filho de Deus”. E quando Ele teve uma visão extraordinária do pavor daquela Ira que Ele devia sofrer, Ele viu o quanto isso estava além da força apenas de Sua natureza humana.”

“O apóstolo diz: “Ele foi ouvido quanto ao que temia”; em tudo o que Ele temia. Ele obteve a força e a ajuda de Deus, tudo o que Ele precisava, e foi realizado. Ele foi capaz de cumprir e de sofrer toda a vontade de Deus; e obteve todo o fim de Seus sofrimentos – uma plena expiação pelos pecados de todo o mundo, e para a salvação completa para cada um daqueles que foram dados a Ele na promessa da Redenção, e tudo o que glorifica o nome de Deus, que em Sua mediação foi projetado para realizar, nem um jota ou um til falhou. Aqui Cristo em Sua agonia foi, acima de todos os outros, antítipo de Jacó, em Sua luta com Deus por uma bênção; em que Jacó o fez, não como uma pessoa particular, mas como chefe de Sua posteridade, a nação de Israel, e pelo que Ele obteve aquele louvor de Deus: “como príncipe lutaste com Deus” [Gênesis 32:28], e disso, foi um tipo daquele que era o Príncipe dos príncipes.”

CONTINUA...


OUTRAS PARTES DESSE ESTUDO PODERÃO SER VISTAS POR MEIO DOS LINKS ABAIXO

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — ALGUMAS CITAÇÕES DESSE
ESTUDO PARTE 001

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — ALGUMAS CITAÇÕES DESSE ESTUDO PARTE 002

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — ALGUMAS CITAÇÕES DESSE ESTUDO PARTE 003

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 004

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 005

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 006 —http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/08/jonathan-edwards-agonia-de-cristo-um.html

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 007 —http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/10/jonathan-edwards-agonia-de-cristo-um.html

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 008 —

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 009 —

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 010 — APLICAÇÃO 001

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 011 — APLICAÇÃO 002

UMA BREVE BIOGRAFIA DE JONATHAN EDWARDS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/08/jonathan-edwards-uma-breve-biografia.html

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.

segunda-feira, 9 de março de 2015

COMO ESCAPAREMOS NÓS? — PARTE 001




COMO ESCAPAREMOS NÓS? — PARTE 001

Olhando para a igreja neste início do século XXI é quase impossível não notarmos o desleixo, a apatia, a falta de dedicação e interesse e o total descuido para com a obra e a santidade de Deus. Notamos principalmente um notável desprezo pela santidade de Deus. Para que ninguém diga que estamos exagerando, basta dizer que, chegamos ao cúmulo de vermos crentes se orgulhando de seus pecados em vez de estarem envergonhados pelos mesmos. Onde estamos querendo chegar? Somos por acaso mais fortes do que Deus? Será que o Senhor não vê todas as coisas? O salmista nos diz que o incrédulo se sente livre para praticar a iniquidade porque pensa no seu coração que “não há Deus” (Salmos 53:1).

Mas o que se passa dentro da cabeça daqueles que dizem que conhecem a Deus quando ignoram os mandamentos do Senhor? Que desculpa é possível apresentarem para justificarem a violação voluntária daquilo que Deus proibiu? No Antigo Testamento Deus ordenou aos Judeus que eles deveriam amá-lo. Tal amor foi qualificado da seguinte maneira:

Deuteronômio 10:12

Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força. – Deuteronômio 6:5”. Em outra passagem ainda no livro de Deuteronômio Moisés deixa bem claro o que o Senhor esperava do povo da antiga aliança: “Agora, pois, ó Israel, que é que o SENHOR requer de ti? Não é que temas o SENHOR, teu Deus, e andes em todos os seus caminhos, e o ames, e sirvas ao SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração e de toda a tua alma.

Não amar a Deus não é visto apenas como falta de amor pelo Criador. Antes, é visto como desprezo, desonra e ódio a Deus. E desprezar, desonrar e odiar a Deus coloca o ser humano em uma condição extremamente precária diante do Todo-Poderoso.  À medida que lemos o desenrolar da história narrada no Antigo Testamento percebemos as tristes consequências sofridas pelo povo de Israel devido à sua obstinação em desprezar a Deus e seus mandamentos. 

No Novo Testamento o autor de Hebreus nos adverte, de maneira categórica, do perigo que estamos correndo quando imitamos o povo de Israel em seu ódio para com Deus. Ele diz:

Hebreus 2:1—3

Importa que nos apeguemos, com mais firmeza, às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos. Se, pois, se tornou firme a palavra falada por meio de anjos, e toda transgressão ou desobediência recebeu justo castigo, como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?

O que o autor de Hebreus está nos dizendo é que aqueles que tiveram menos privilégios do que nós temos sofreram as consequências de sua desobediência. A eles Deus falou de várias maneiras através de seus profetas. A nós, Deus falou diretamente através de Seu filho amado. Se o pecado deles foi grande o nosso é enorme. Nossa condição é bem mais precária do que a dos judeus da antiga aliança porque a salvação que Deus nos oferece em Jesus é bem mais abrangente. Através de Jesus nós temos recebido uma verdadeira inundação de bênçãos através da graça de Deus. Vamos analisar de maneira mais detalhada estes três versículos.

Hebreus 3:1 — O autor de Hebreus inicia o capítulo dois com as palavras “Importa que nos apeguemos, com mais firmeza, às verdades ouvidas”. E por que é importante que nos apeguemos com mais firmeza? Porque a revelação que recebemos nos foi entregue diretamente pelo próprio Filho de Deus a quem Deus “constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo” e mais ainda porque Jesus —

Hebreus 1:2—3

2 nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo.

3 Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas.

Ou seja, a revelação que recebemos através de Jesus não veio por meio de nenhum intermediário, mas nos veio diretamente da própria pessoa de Deus. Esse é o motivo central porque devemos nos apegar a esta revelação com mais firmeza! Tendo sido faladas pelo próprio Deus tais palavras só poderiam mesmo ser caracterizadas como “verdades”. E nossa obrigação para com essas verdades é jamais nos desviarmos das mesmas. Mas talvez alguém poderia perguntar: “como podemos nos desviar das palavras de Jesus?”. Nós nos desviamos das palavras de Jesus quando nos tornamos indiferentes às mesmas e quando nos esquecemos delas. É com grande pesar que constatamos que a grande maioria daqueles que se dizem crentes estão, em relação à Palavra de Deus, exatamente como aquelas pessoas descritas na parábola do semeador, quando o Senhor disse que: “os semeados entre os espinhos, são os que ouvem a palavra, mas os cuidados do mundo, a fascinação da riqueza e as demais ambições, concorrendo, sufocam a palavra, ficando ela infrutífera — Marcos 4:18 – 19”. Aqui em Hebreus nós somos fortemente exortados a não permitir que nada, mas nada mesmo, possa concorrer pelas nossas afeições contra as palavras do Senhor Jesus.  Devemos nos lembrar das palavras do apóstolo Pedro quando disse: “Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna – João 6:68”.  Ou as palavras do apóstolo Paulo a Timóteo: “Permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus — 2 Timóteo 3:14—15. As palavras de Jesus são conforme ele mesmo ensinou: “as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida – João 6:63”. Diante de todas essas afirmações é realmente uma grande tolice não nos apegarmos com mais firmeza às verdades que nos vem diretamente do Senhor Jesus, seja pela própria boca do Senhor Jesus, seja pelos seus apóstolos. Em todo o tempo, em todos os lugares bem como em todas as situações das nossas vidas, nós precisamos entender que as palavras do Senhor são o que possuímos de mais precioso. Foi o próprio Deus quem ordenou o seguinte a Josué e nós faremos muito bem em prestar muita atenção e obediência a este mandamento:

Josué 1:7—9

Tão-somente sê forte e mui corajoso para teres o cuidado de fazer segundo toda a lei que meu servo Moisés te ordenou; dela não te desvies, nem para a direita nem para a esquerda, para que sejas bem-sucedido por onde quer que andares. Não cesses de falar deste Livro da Lei; antes, medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer segundo tudo quanto nele está escrito; então, farás prosperar o teu caminho e serás bem-sucedido. Não to mandei eu? Sê forte e corajoso; não temas, nem te espantes, porque o SENHOR, teu Deus, é contigo por onde quer que andares.

O objetivo maior de nos apegarmos com tanta firmeza às palavras do Senhor é para que “delas jamais nos desviemos”. A palavra grega traduzida por “nos desviemos” na versão Almeida Revista e Atualizada — doravante chamada de ARA —, é παραρυῶμεν pararuômen — e a mesma é derivada do verbo παραρρεω pararreo — e literalmente quer dizer “correr para fora”. Devemos destacar que essa é a única vez em que essa palavra ocorre em todo o Novo Testamento grego, e isto tem causado imensas discussões acerca do seu significado preciso entre os tradutores. Como curiosidade podemos mencionar que mesmo na Septuaginta — a Septuaginta, comumente identificada pelo símbolo LXX, é a tradução das escrituras hebraicas do Antigo Testamento e outros livros religiosos para o grego realizada no Egito sob o patrocínio do Ptolomeu II Filadelfo que viveu entre 285–246 a.C —, o verbo grego παραρρεω pararreo — ocorre também somente uma vez em Provérbios 3:21 onde lemos: “Filho meu, não se apartem estas coisas dos teus olhos; guarda a verdadeira sabedoria e o bom siso” – ARA. Neste contexto de Provérbios nós entendemos que o sábio escritor está incentivando seu filho a não ignorar nem desprezar o mandamento do Senhor e sim a mantê-lo em permanente evidência diante “dos olhos”. Quando passamos para o Novo Testamento, com relação à ocorrência em Hebreus 2:1, ficamos surpresos com as possibilidades aventadas pelos filólogos. Entre estas possibilidades podemos mencionar: correr, transbordar, passar — no sentido casual —, cair, passar — no sentido de ir embora —, escapar ou fugir — da mente —, esquecer e passar despercebido — como um ladrão —. As versões antigas do Novo Testamento como a Siríaca e a Arábica traduzem o termos grego παραρυῶμεν pararuômen — como “para que não venhamos a cair”.

Qual teria sido realmente a intenção do autor de Hebreus ao utilizar o termo grego παραρυῶμεν pararuômen —? Se unirmos o conceito manifestado no Antigo Testamento “não se apartar” — manter de maneira constante diante dos olhos — e procurarmos comprimir as possibilidades aventadas pelos estudiosos do Novo Testamento em passar — no sentido de deixar ir embora ou despercebido — e esquecer — que é o mesmo que deixar escapar ou fugir da mente — nós poderíamos concluir que a intenção do autor de Hebreus era nos incentivar a: “sermos extremamente cautelosos para que as verdades faladas pelo Senhor e pelos Seus apóstolos não passem por nós — como um rio que corre — sem que lhes dediquemos a atenção que merecem e sem que recebamos todos e cada um dos benefícios que as mesmas nos oferecem. Isto é, nós devemos no empenhar para nos apropriar destas verdades a ponto de podermos chama-las “nossas” - (Barnes)”.

Existe, portanto, um grande perigo acerca do qual o autor de Hebreus está nos advertido. Este perigo é que apesar de termos recebido a revelação do Deus único e verdadeiro por intermédio de Jesus Cristo e de Seus apóstolos nós acabemos, por nossa própria negligência, não nos beneficiando de todos os privilégios que tal revelação nos proporciona. Devemos estar bastante atentos às fontes desse grande perigo e nos guardarmos com atenção redobrada para não sermos vitimados pelas mesmas.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link: 


Desde já agradecemos a todos.

Bibliografia

Barnes, Albert. The Complete Works of Albert Barnes. Grand Rapids, William B. Eerdmans Publishing Company, 1980.

Rienecker, Fritz e Rogers, Cleon. Chave Lingüística do Novo Testamento Grego. São Paulo, Sociedade Religiosa Edições Vida Nova, 1985.