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domingo, 17 de setembro de 2017

Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade - Estudo 014 C


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Essa é uma série cujo propósito é estudar os conceitos bíblicos de vida, morte, estado intermediário e eternidade. No final de cada estudo você irá encontrar links para outros estudos. A Série tem o título Geral de: Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade.  

CONTINUAÇÃO...

UM CONCEITO UNIVERSAL: A CRENÇA NA VIDA DEPOIS DA MORTE

Nessa discussão nós também precisamos destacar que os materialistas precisam se manifestar não apenas com uma sólida evidência contra a vida consciente após a morte, mas que eles também precisam dar uma explanação plausível do como e do porque tal crença é tanto antropologicamente quanto geograficamente falando, universal. Até hoje nenhuma explicação ou teorias plausíveis foram apresentadas.

Quando nos voltamos para a história da filosofia — com uma quantidade de compêndios e coleções cada vez mais numerosas — para descobrirmos o que as melhores mentes humanas têm descoberto, nós nos damos conta que desde os filósofos gregos clássicos a te os dias de hoje, a imortalidade da alma tem sido aceita como razoável e, virtualmente, autoevidente. A lista desses filósofos inclui desde Sócrates até os maiores expoentes do tempo presente. O mesmo pode ser afirmado acerca dos grandes cientistas do passado e do presente acerca da crença na imortalidade. Nesse caso a lista se estende de Aristóteles até os cientistas dos nossos dias. É claro que, como acontece em qualquer áreas, sempre existirão exceções ao padrão geral.

Também estamos cientes que essa linha de argumentação pode ser considerada como uma forma de apelo às chamadas autoridades. Também estamos cientes que muitos mestres de lógica consideram qualquer apelo à autoridade como algo inválido. Todavia, quando questionamos em que base eles se recusam a aceitar o apelo às autoridades, de modo surpreendente, eles apelam para sua própria autoridade ou mesmo para a autoridade de terceiros! Hipocrisia explícita maior ainda está para ser observada. Esse é o motivo porque nos recusamos a nos deixar convencer por esses clichês ridículos. Autoridade e fé encontram-se na base de todo tipo de conhecimento, porque todos os sistemas têm início com suposições baseadas em algum tipo de autoridade. Filosofia e ciência estritamente empíricas existem apenas em livros de tória. A realidade é algo distinto.

Ainda assim é comum ouvirmos bobagens do tipo:

1. Apenas pessoas ignorantes e sem estudo suficiente acreditam na vida depois da morte.

2. A ciência já provou que não existe vida depois da morte.

3. Filósofo não podem jamais aceitar o conceito de vida depois da morte.

Será que devemos mesmo acreditar que todos os filósofos e cientistas que acreditavam na vida depois da morte eram pessoas ignorantes e incultas? Será que esses homens e mulheres aceitariam um conceito acerca do qual não existisse nenhuma evidência? Será que os materialistas dos nossos dias são mais inteligentes do que toda a humanidade que os antecedeu? Em que base eles desprezam algo que tem sido crido pela humanidade por milênios?

Estudiosos da história da Igreja, como C. S. Lewis e outros, têm ensinado que: os documentos cristãos mais antigos indicam com clareza a crença que a parte não material dos seres humanos sobrevive à morte do corpo.

É impossível negar que nos últimos dois mil anos da nossa história, com algumas exceções é claro, os cristãos têm crido na imortalidade da alma. Teólogos clássicos tanto da Europa quanto das Américas têm defendido esse conceito bíblico. Católicos e protestantes não têm apenas defendido tal ensinamento, mas o mesmo tem sido proclamado dos mais diversos púlpitos ao redor do mundo.

As coisas mudaram de fato quando os materialistas assumiram o controle da educação e isso fez com que, lamentavelmente, alguns teólogos adotassem o discurso em voga para não darem a impressão que estavam querendo nadar contra a maré.

Desejosos de ganharem a aprovação geral no meio acadêmico, teólogos modernistas adotaram o materialismo como método de analisar as escrituras e como isso, se viram forçados a negar qualquer manifestação sobrenatural, primeiro na Bíblia — negando os milagres — e depois nos seres humanos — negando a imortalidade dos mesmos. Dessa forma, a Bíblia foi reduzida a ser apenas um livro em muitos outros, enquanto os seres humanos foram reduzidos a serem apenas animais no meio de muitos outros animais.

O que podemos dizer desses teólogos modernos? Seguem algumas sugestões:

1. Primeiro, o relacionamento entre a religião e o materialismo não é possível, porque o materialismo não pode nuca gerar princípios morais, valores ou significados, que são essenciais para qualquer religião. Para os materialistas somos apenas animais.

2. É necessário que os mesmos parem de alegar que encontram fontes para o materialismo dentro da própria Bíblia. Em vez disso, eles deveriam deixar que os autores bíblicos falem por si mesmos.

3. Em terceiro lugar é importante que sejam honestos. Sem o elemento sobrenatural tanto a Bíblia quanto os seres humanos perdem seu significado.

4. Depois, eles não deveriam usar linguagem religiosa para manipular as pessoas. Imitando os rabinos de todas as épocas, os teólogos modernistas adoram redefinir as palavras para fazê-las dizerem exatamente o contrário do que tem sido o entendimento das mesmas.


OUTROS ARTIGOS ACERCA DE VIDA, MORTE, ESTADO INTERMEDIÁRIO E ETERNIDADE
Estudo 001 — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — Introdução à Hermenêutica ou Interpretação das Escrituras Sagradas
Estudo 002 — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — Introdução à Hermenêutica ou Interpretação das Escrituras Sagradas — Parte 002
Estudo 003 — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — Introdução à Hermenêutica ou Interpretação das Escrituras Sagradas — Parte 003
Estudo 004 — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — O Ser Humano Como Criatura de Deus — Parte 001
Estudo 005 — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — O Ser Humano Como Criatura de Deus — Parte 002
Estudo 006 — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — O Ser Humano Como Criatura de Deus — Parte 003
Estudo 007 — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — Unidade e Diversidade nos Seres Humanos — Parte 001
Estudo 008 — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — Termos Usados no Antigo Testamento — Parte 001
Estudo 009 — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — Termos Usados no Antigo Testamento — Parte 002
Estudo 010 — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — Termos Usados no Antigo Testamento — Parte 003
Estudo 011 — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — Termos Usados no Novo Testamento — Parte 001 — ψυχή — Psiché
Estudo 012 — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — Termos Usados no Novo Testamento — Parte 002 — πνεῦμα — pneûma — espírito, καρδίᾳ — Kardía — Coração, διανοίᾳ — dianoía; φρόνημα — frónema; νοήμα — noéma; νοῦς — nous — Mente.
Estudo 013 — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — Termos Usados no Novo Testamento — Parte 003 — ἔσω ἄνθρωπον — éso ánthropon = homem interior; νεφρόι — Nefroi = rins
Estudo 014 A — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — A Crença na Imortalidade como algo Universal — Parte 001

Estudo 014 B — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — A Crença na Imortalidade como algo Universal — Parte 002
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/05/vida-morte-estado-intermediario-e.html

Estudo 014 C — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — A Crença na Imortalidade como algo Universal — Parte 003.
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/09/vida-morte-estado-intermediario-e.html

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Alexandros Meimaridis

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quarta-feira, 4 de maio de 2016

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 010 — O LUGAR DO CANON NA TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO



Esse é um estudo especial que irá abordar temas de grande interesse, tais como: 1. Deus 2. Os seres humanos e o mundo criado 3. Jesus e Sua missão como o CRISTO. 4. O Espírito Santo. 5. A vida cristã. 6. A Igreja. 7. O futuro e etc. Esperamos que a mesma possa ajudar todos os nossos leitores a conhecerem melhor o que o Novo Testamento ensina acerca de tudo o que nos é importante.

INTRODUÇÃO GERAL

O LUGAR DO CANON DA TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO

Nos dois estudos anteriores nós já tivemos a oportunidade de discutir alguns aspectos de canonicidade. Naquela oportunidade mencionamos que muitos estudiosos não aceitam restringir a pesquisa referente a Jesus Cristo apenas aos textos contidos no Novo Testamento, mas desejam expandir a pesquisa para incluir, em pé de igualdade, toda a literatura não canônica. Como alega um defensor dessa tese, nenhum escrito do Novo testamento foi produzido com uma etiqueta de canônico. Partindo dessa premissa, esses estudiosos alegam que qualquer pessoa que aceita apenas os livros constantes do Novo Testamento está, na verdade, se submetendo a opinião dos pais da igreja que viveram entre os séculos II até IV da Era cristã. Mas as coisas não podem ser tão simples nem tão diretas assim, Tal afirmação é, na realidade, uma representação equivocada dos fatos.

É fato que o Canon do Novo Testamento foi reconhecido e aceito por bispos e teólogos do período mencionado acima, mas esse processo não teve início com eles. Nós podemos afirmar que o conceito da Teologia do Novo Testamento exige o reconhecimento da existência duma coleção literária de modo especial e preferencial. Adolf Schlatter disse o seguinte a esse respeito: “Ao canonizar certo grupo de manuscritos, as gerações que seguiram os apóstolos expressar, com clareza, o exato lugar de onde eles encontraram a palavra por meio da qual a igreja surgiu e também de onde recebe a seiva vital para sua existência através de todas as épocas”[1]. Desse modo é apenas correto entendermos que a Teologia do Novo Testamento encontra-se firmemente alicerçada num conjunto literário aceito como inspirado.

Uma segunda questão que precisamos abordar é se a expressão um Canon dentro do Canon é correta e qual é o efeito da mesma para o estudo da Teologia do Novo Testamento? Em outras palavras, é possível um intérprete adotar somente parte do material contido no Novo Testamento ou ele está obrigado a utilizar todo o material existente nos vinte livros que compõem o Novo Testamento? A ideia do Canon dentro do Canon foi introduzida por E. Käsemann que foi forte defensor da mesma[2]. Ainda assim essa ideia não era completamente nova. Foi Martinho Lutero quem abriu essa estrada com sua argumentação que existiam livros no Novo Testamento que possuíam valor absoluto que era maior do que outros livros. Lutero considerava as epístolas aos Romanos e aos Gálatas superiores à epístola de Tiago, por exemplo. Para Lutero essa última era uma epístola de palha. Mesmo assim há estudiosos que negam que Lutero defendia a ideia de um Canon dentro Canon, como acontece com N. B. Stonehouse. Por outro lado, Rudolf Bultmann em sua Teologia do Novo Testamento[3] praticamente adota uma visão limitada do Canon ao se concentrar em Paulo e João. Já Werner Kümmel em sua Síntese Teológica do Novo Testamento[4] repete Bultmman, mas aceita o material referente aos ensinamentos de Jesus. Em todos esses casos não é difícil perceber que os limites da Teologia do Novo Testamento são estabelecidos não pelo próprio Novo Testamento, mas pelos seus intérpretes. Mas seria esse um procedimento legítimo?

Caso aceitemos uma função meramente descritiva atribuída à Teologia do Novo Testamento, essa última questão é irrelevante se algumas partes menores do Novo Testamento fossem suprimidas. Mas se existe qualquer sentido por meio do qual os processos de pensamento do Novo Testamento possam ser considerados como uma força normativas, então o intérprete não está autorizado a escolher o material que deseja utilizar e rejeitar o restante, como base para seu trabalho. Tal abordagem sempre estará sujeita a um severo escrutínio.

Outro aspecto que vale a pena ser levando nesse contexto é a ideia defendida por James D. G. Dunn[5] em seu livro acerca da unidade e da diversidade que encontramos no Novo Testamento. Para Dunn a própria igreja criou diversos Canons dentro do Canon ao adotar determinadas porções em sua atividades, especialmente aquelas que estão relacionadas a lecionários[6]. Mas devemos deixar claro que a existência de lecionários não pode ser usada como base para se determinar o escopo da Teologia do Novo Testamento. Sempre que uma denominação enfatiza mais uma parte das Escrituras do que outras é função primordial da Teologia do Novo Testamento oferecer o corretivo necessário. Nossa preocupação primária deve estar centrada em determinar que materiais escritos oferecem uma base sólida para nossos estudos e não podemos aceitar nenhuma abordagem que dependa duma abordagem seletiva dos livros do Novo Testamento.

Essa perspectiva deve também ser aplicada contra aqueles que não aceitam que Efésios, Colossenses e as Epístolas Pastorais sejam material originalmente produzido pelo apóstolo Paulo. Não é possível fazer Teologia do Novo Testamento quando tratamos o material paulino desse modo. Nenhuma Teologia do Novo Testamento terá uma base sólida se for edificada sobre a areia movediça da não aceitação do Canon. Nós aceitamos que todas as epístolas atribuídas a Paulo no Novo Testamento são da lavra do apóstolo dos gentios.

Mais adiante iremos discutir a questão pertinente à unidade do Novo Testamento. Por hora é suficiente afirmar que unidade no Novo Testamento representa a ideia do Canon. O Novo Testamento é uma coleção de livros autoritativos e, essa verdade, deve ser mantida com a maior clareza possível, para o bem tanto do estudioso como dos seus leitores. Com isso não estamos descartando a possibilidade de diversidade, pois reconhecemos que tal diversidade está bem presente no Novo Testamento. Mas essa diversidade dever ser sempre entendida como significando o seguinte: temos no Novo Testamento formas diversa por meio das quais a unidade do mesmo se manifesta. Não podemos aceitar nenhuma ideia de que o Novo testamento seja uma coleção fragmentária como defende Ernest Käsemann. Quando aceitamos ideias como essas é bem evidente que a Teologia do Novo Testamento resultante sempre será defeituosa. Dessa forma, a melhor coisa que alguém que pretende escrever ou estudar uma Teologia do Novo Testamento tenha bem sólida a ideia que todo o material que encontramos no Novo Testamento, sem exceção, é parte do Canon.

OUTROS ARTIGOS ACERCA DA TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 001

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TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 004

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TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 007
TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 008

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 009

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TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 011

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 012


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[1] Schlatter, A. Neutestamentliche Theologie. Stuggart, Calwer Verlag, 1922—1923.
[2] Käsemann, E. New Testament Questions of Today. SCM Press, London, 1969.
[3] Bultmann, Rudolf. Teologia do Novo Testamento. Academia Cristã, Santo Andre, 2008.
[4] Kümmel, Eernest Georg. Síntese Teológica do Novo Testamento. Co-edição da Editora Teológica e Paulus, São Paulo, 2003.
[5] Dunn, James D. G. Unity and Diversity in The New Testament – Na Inquiry Into The Character of Earliest Christianity. The Westminster Press, Philadelphia, 1980.
[6] Lecionários = Compilações de textos sagrados para leitura devocional em cultos ou cerimônias. Geralmente cobrem um período de três anos. 

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

CONSELHOS PARA AQUELES QUE PRETENDEM ESTUDAR TEOLOGIA


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John Frame é um teólogo reformado. Ele foi professor do Seminário Teológico de Westminster onde suas aulas de “Vida Cristã” eram concorridíssimas. Entre o massivo material apostilado — eram mais de 600 páginas — encontrava-se uma lista de conselhos para todos aqueles que desejam fazer seminário, especialmente para aqueles que pretendem seguir uma carreira acadêmica, em uma das muitas áreas da teologia.

No fundo, seus conselhos valem para todos os crentes em geral e é por esse motivo que estamos publicando seus conselhos abaixo:

1. Pense que é possível que você pode não ter sido chamado para ser um teólogo. O apóstolo Tiago nos lembra de que nem todos os que estão estudando teologia deveriam procurar ser mestres — ver Tiago 3:1. O mesmo vale para todos aqueles que se encontram dentro das congregações locais.

2. Lembre-se que vida cristã é uma vida de relacionamentos. Portanto, procure priorizar seu relacionamento com Cristo, com sua família e com sua congregação local mais do que a sua carreira. Você, certamente, irá influenciará mais pessoas por meio de sua vida do que pela sua teologia. As falhas evidentes em sua vida acabarão destruindo a influência de suas ideias, mesmo que as mesmas sejam verdadeiras.

3. Tenha sempre em mente que a tarefa fundamental da teologia é entender a Bíblia, a Palavra de Deus, e aplicá-la às necessidades das pessoas. Todas as outras coisas relacionadas ao estudo das Escrituras Sagradas, tais como: a sofisticação exegética, histórica e linguística, o conhecimento da cultura e da filosofia, devem estar subordinado à tarefa fundamental mencionada acima.  Se não estiver, você acabará sendo aclamado como um grande historiador, linguista, filósofo ou crítico da cultura, mas não como um teólogo.

4. Para poder cumprir de modo apropriado a tarefa central mencionada acima é necessário saber argumentar. Isso pode parecer algo óbvio, mas a verdade é que a maioria das pessoas, inclusive teólogos, não tem a menor ideia de como proceder nessas horas. A teologia é por sua própria natureza uma disciplina que exige capacidade argumentativa. Para isso é necessário possuir uma disciplina argumentativa na qual se domina um conhecimento da lógica e da persuasão que sejam suficientes para elaborar argumentos válidos e sadios. Não é bastante conhecer a história nem ter amplo conhecimento geral. É necessário saber usar esses elementos de forma construtiva na hora de argumentar.

5. Aprenda a formular bons argumentos em defesa daquilo que você crê. Não é suficiente citar estudiosos que concordam com vocês e criticar aqueles que discordam das suas ideias.

6. Quando escrever ou for falar, faça-o de modo claro e convincente. Seja breve. Os maiores teólogos sempre foram aqueles que pegaram os temas mais complexos e foram capazes de explicá-los da forma mais simples possível. Nunca pretenda que é especialista em qualquer assunto que seja. Nos dias de hoje, ninguém domina toda a informação pertinente a qualquer área que seja.

7. Procure cultivar uma vida devocional intensa e ignore os ciumentos que irão te chamar de “falso”. Como dizem as Escrituras: “Orem sem cessar — 1 Tessalonicense 5:17. Dedique-se à leitura da Bíblia não apenas como texto relevante às matérias teológicas, mas, principalmente, como verdadeiro alimento para satisfazer as mais profundas necessidades da tua alma. Aproveite todas as oportunidade para estar presentes aos cultos e outras reuniões com os irmãos conforme a orientação de Hebreus 10:25 — Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima. Cuide de sua formação espiritual.

8. Procure ser mais um pregador do que um teólogo. Existe muita discussão estéril no campo da teologia, mas a pregação da Palavra de Deus trata da edificação do povo de Deus, falando aos corações das pessoas. Esse deve ser seu maior alvo.

9. Todos os recursos que você possui te foram dados por Deus. Portanto, procure ser generoso com os mesmos. Invista tempo conversando com seus alunos e futuros alunos. Abra sua biblioteca e recicle seus livros, doando aqueles nos quais você não tocou nenhuma vez sequer no último ano. Direitos Autorais? Publique tudo na internet, de graça. Autorize cópias. Viva do seu ministério/magistério e deixes os negócios em segundo plano. 

10. Lembre-se, não se deixe intimidar quando tiver que criticar alguém. Quando tiver que fazê-lo não se precipite. A pior coisa é acusar alguém ou alguma organização e depois ter que pedir perdão pela precipitação. Procure conhecer bem o que essas pessoas e instituições estão ensinando e então faça sua crítica, de acordo com a ética bíblica. Seja severo, se precisar, mas procure ser sempre gentil e generoso.

11. Em qualquer debate evite se precipitar. Estude os dois lados da questão, pois, às vezes, os dois lados estão olhando para uma mesma questão, apenas de perspectivas diferentes. Procure ajudar as partes a enxergarem algo que estão deixando de fora.  Às vezes, dificuldades surgem por causa dos termos envolvidos com significados não muito precisos. Talvez exista uma alternativa melhor que as duas posições em questão. Lembre-se que, em questões não fundamentais, a tolerância é a atitude mais sábia.

12. Quando você achar que Deus colocou em teu coração algo para ser feito, não tenha a ilusão que as pessoas irão entender imediatamente. Não procure promover o que Deus falou com você como se fosse uma revelação válida para toda a Igreja. Procure evitar criar contendas e rivalidades que surgirem por causa do teu modo de pensar. Procure dialogar com todos sempre de maneira gentil, reconhecendo que é possível que você esteja errado e que tem humildade para reconhecer, se for esse o caso.

13. Não haja por impulso, especialmente no que diz respeito a críticas dirigidas a outras tradições religiosas. Lembre-se que sempre podemos aprender algo uns dos outros. Como diz o apóstolo Paulo: o homem de Deus deve ser “apto para ensinar” o que envolve tanto a capacidade de ensinar quanto a de aprender, pois sem aprender, como poderá ensinar?

14. Nunca assuma que tua própria tradição ou denominação é a única que está certa. É uma mentira pensar que nossa tradição contém toda a verdade e que nossa denominação está sempre certa. Não procure “converter” outro crente. Mantenha sempre diálogos cordatos. A verdade irá sempre triunfar. Esteja pronto para mudar.

15. Procure conhecer o material produzido pela tua própria denominação. Confissões de Fé, Catecismos, etc. Lembre-se que muitos desses materiais deveriam estar em museus e não regulando a vida das pessoas no século XXI. Esteja sempre pronto e disposto a criticar e reformar esses materiais os quais, em última instância, não passam de produtos humanos. Nunca aceite que tais materiais sejam colocados em pé de igualdade com as Sagradas Escrituras.

16. Foge daquelas coisas que Paulo chama de “contendas, invejas, iras, porfias, detrações, intrigas, orgulho e tumultos — 2 Coríntios 12:20. Nunca se compare com outros. Cada um deve servir o Senhor com os dons que recebeu. Do mesmo modo que irão existir pessoas que, do ponto de vista humano, são inferiores a você, também existirão aqueles que serão superiores e alguns, até mesmo, muito superiores.

17. Não se torne conhecido por atirar em tudo e em todos. Concentre sua munição para Satanás, o mundo, carne e os falsos mestres apenas.

18. Lembre-se de manter em permanente xeque seus desejos sexuais. Mantenha distância de qualquer forma de pornografia, especialmente daquela que chamamos de virtual, pois a mesma termina sempre de modo carnal. Como teólogos não estamos imunes a nada nesse mundo!

19. Procure se envolver sempre com uma igreja local. Todos nós precisamos dos meios da graça como qualquer outro cristão. E isso é tanto mais verdadeiro, quando estamos estudando em uma universidade ou seminário que não mantém os mesmos valores que você. Nada melhor que a comunhão com irmãos e irmãs para nos ajudar a manter a perspectiva teológica apropriada.

20. Procure uma escola que ensine a Bíblia de verdade. Nunca se envolva com escolas denominacionais que estejam mais interessadas em preservar seus erros do que ensinar a VERDADE. 

21.  Aprenda a demonstrar apreciação pela sabedoria de todos, até mesmo, daqueles cristãos, considerados, totalmente leigos. Não seja um daqueles teólogos que tem sempre algo negativo a dizer quando uma pessoa mais simples descreve sua caminhada com o Senhor. Não se esqueça que tais pessoas, muitas vezes, conhecem melhor a intimidade do Senhor do que eu e você.

22.  Uma das grandes bobagens é deixarmos nos empolgar com toda e qualquer novidade em política, cultura, hermenêutica e até mesmo teologia, e pensar que devemos reconstruir toda nossa teologia para que reflita o tempo em que estamos vivendo.

23.  Mantenha-se sempre consciente que na área da teologia, como em qualquer área nesse mundo, é possível encontrar “tendências” que não estão de acordo com as Escrituras Sagradas. Não é algo incomum surgirem novidades e muitos cristãos se envolvem com as mesmas apenas porque todo mundo está fazendo o mesmo. Compare o que está sendo proposto, com o verdadeiro ensino das Sagradas Escrituras. Não se deixe levar por nada, senão pela direção do Espírito Santo.

24. Procure não rejeitar nenhuma ideia inovadora apenas porque a mesma é isso mesmo: inovadora. Além do mais é um grave erro rejeitar uma ideia apenas porque ela não soa bem dentro do universo em que você está inserido. Aprenda a discernir entre uma ideia e suas próprias impressões acerca da mesma. O valor da ideia está nela mesma e não como você a percebe.

25. Cuidado com aqueles que usam metáforas e termos técnicos extrabíblicos. Nunca assuma que tais expressões têm sempre um sentido cristalino. Olhando mais de perto, você irá notar que não é esse o caso.

26. Procure desenvolver suas habilidades de análise — crítica — para responder aos que são críticos. Estudiosos da Bíblia que são agnósticos, liberais e até mesmo ateus cometem, geralmente, mais erros com relação às Escrituras do que as pessoas comuns.

27. Sempre respeite os mais velhos. Nada pode ser mais prejudicial para um teólogo principiante do que não dar ouvidos àqueles que se encontram por décadas no campo. Isso não quer dizer que você não pode nem deve discordar. Discordar pode ser saudável para todos, desde que se mantenha o respeito e a consideração. 1 Timóteo 5:1 é um bom versículo para se meditar nessas horas.

28. Uma tendência clara em teólogos principiantes é se enxergarem como algum novo reformador, como Lutero ou Calvino. Mas a verdade é que a maioria de nós não foi escolhida por Deus para sermos líderes de uma nova Reforma. Mas se acontecer de você receber tal chamado, faça o que Deus espera que você faça e deixe os rótulos para os outros colocarem em você. 

29. Procure decidir em que área você deseja focar sua carreira. A área teológica está cada vez mais dividida em pequenos compartimentos e já não é mais possível ter um conhecimento enciclopédico sobre todos os assuntos. Aprenda a dizer não desde cedo. Quanto ante melhor. Isso poderá evitar grandes dores de cabeça no futuro. 

30. Mantenha sempre teu senso de humor. Aprenda a rir de si mesmo e dos erros que faz. Quando perdemos nosso senso de humor perdemos junto com ele nosso senso de proporção. E no estudo da teologia nada é mais importante do que o senso de proporção. 

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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