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quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

JONATHAN EDWARDS: A AGONIA DE CRISTO — UM ESTUDO — PARTE 008


Concepção artística de Cristo orando no getsêmane

O material abaixo é parte de um livro escrito por Jonathan Edwards que foi publicado em forma de e-book por:

Fonte: CCEL.org │ Título Original: “Christ’s Agony”

As citações bíblicas desta tradução são da versão ACRF (Almeida Corrigida Revisada Fiel).

Tradução por Camila Almeida │ Revisão William Teixeira

facebook.com/oEstandarteDeCristo
Issuu.com/oEstandarteDeCristo

A AGONIA DE CRISTO

Por Jonathan Edwards

“E, posto em agonia, orava mais intensamente; e o Seu suor tornou-se em grandes gotas de sangue que corriam até ao chão.”

– Lucas 22:44 –


CONTINUAÇÃO...

II. Que a alma de Cristo em Sua agonia no jardim esteve em uma grande e séria luta e conflito em Sua oração a Deus. O labor e esforço da alma de Cristo em oração era uma parte de Sua agonia, e foi, sem dúvida, uma parte indicada no texto, quando se diz que Cristo estava em agonia; pois, como já vimos, a palavra é usada especialmente nas Escrituras em outros lugares como esforço ou luta com Deus em oração. A partir deste fato, e a partir do evangelista mencionar o Seu ser posto em agonia, e Seu orar fervorosamente na mesma frase, bem podemos entender isso como menção ao o Seu esforço em oração, como parte de Sua agonia. As palavras do texto parecem expor como Cristo estava em agonia na oração: “E, posto em agonia, orava mais intensamente; e o Seu suor tornou-se em grandes gotas de sangue que corriam até ao chão”. Esta linguagem parece implicar, assim, quanto o trabalho e a seriedade da alma de Cristo foram tão grandes em Sua luta com Deus em oração, que Ele estava em uma pura agonia, e todo em um suor de sangue.

O que eu proponho agora, nesta segunda proposição, é com a ajuda de Deus, explicar esta parte da agonia de Cristo, que consistiu na agonia e luta de Sua alma em oração; o que é o mais digno duma investigação particular, sendo que, provavelmente, é apenas pouco compreendida; embora, como aparece na sequência, o correto entendimento disto é de grande utilidade e consequência na Divindade. Não é como eu concebo comumente bem compreendido o que se entende quando se diz no texto que Cristo orava mais intensamente; ou o que foi a coisa pelo que Ele lutou com Deus, ou qual foi o assunto desta fervorosa oração, ou qual foi a razão dEle ter tão sério em oração neste momento. E, portanto, para definir toda esta questão de uma forma clara, eu particularmente investigo:

1. De que natureza era essa oração.

2. Qual foi o assunto desta fervorosa oração de Cristo ao Pai.

3. Em que capacidade Cristo ofereceu esta oração a Deus.

4. Por que Ele foi tão sério em Sua oração.

5. Qual foi o sucesso dessa Sua luta sincera com Deus em oração; e depois fazer algum avanço.

I. De que natureza foi esta oração de Cristo.

Orações que são feitas para Deus podem ser de vários tipos. Alguns são confissões por parte do indivíduo, ou expressões de seu senso de sua própria indignidade diante de Deus, e são, portanto, os pronunciamentos de penitência a Deus. Outros são doxologias ou orações destinadas a expressar o sentimento que a pessoa tem da grandeza e glória de Deus. Tais são muitos dos salmos de Davi. Outros são discursos de agradecimento ou expressões de gratidão e louvor pelas misericórdias recebidas. Outros são pronunciamentos submissos, ou expressões de submissão e resignação à vontade de Deus, no qual aquele que aborda a Majestade do Céu exprime a conformidade de sua vontade com a vontade soberana de Deus; dizendo: “Seja feita, Senhor, a Tua vontade” como Davi, em 2 Samuel 15:26: “Se, porém, disser assim: Não tenho prazer em ti; eis-me aqui, faça de mim como parecer bem aos Seus olhos”. Outras são petições ou súplicas; através da qual a pessoa que ora pede a Deus e clama a Ele por algum favor desejado por ele.

Disso resulta a pergunta é: de qual desses tipos foi a oração de Cristo, que lemos no texto.

Resposta. Foi principalmente de súplica. Não foi penitencial ou confessional; pois Cristo não tinha pecado ou indignidade para confessar. Nem era uma doxologia ou uma ação de graças ou simplesmente uma expressão de submissão; pois nenhum deles concorda com o que é dito no texto, ou seja, que orava mais intensamente. Quando alguém diz orar fervorosamente, implica um sincero pedido de algum benefício, ou favor desejado; e não apenas uma confissão, ou submissão, ou ação de graças. Então, o que diz o apóstolo desta oração, em Hebreus 5:7: “O qual, nos dias da Sua carne, oferecendo, com grande clamor e lágrimas, orações e súplicas ao que o podia livrar da morte, foi ouvido quanto ao que temia”, mostra que era petição ou uma súplica sincera por algum benefício desejado. Não são confissões, ou doxologias, ou ações de graças ou resignações, que são chamadas de “súplicas” e “grande clamor”, mas petições por algum benefício desejado ardentemente. E, tendo, assim, resolvido a primeira questão, e mostrado que esta fervorosa oração de Cristo foi da natureza de uma súplica por algum benefício ou favor que Cristo ardentemente desejava, eu passo a investigar,

II. Qual foi o assunto desta súplica; ou que favor e benefício foi que Cristo tão ardentemente suplicou nesta oração da qual temos um relato no texto. Agora, as palavras do texto são expressam este assunto. Diz-se que Cristo, “posto em agonia, orava mais intensamente”, mas ainda assim, não é dito pelo que Ele orou tão fervorosamente. E aqui está a maior dificuldade em entender deste relato: o que foi aquilo pelo que Cristo tão ardentemente desejou, pelo que Ele tanto lutou com Deus naquele momento. E embora não seja expressamente dito no texto, as Escrituras não nos deixaram sem luz suficiente nesta questão. E quanto mais eficazmente para evitar erros, eu responderia,

1. Negativamente, aquilo pelo que Cristo orou tão fervorosamente, neste momento, não foi para que aquele cálice amargo que Ele tinha que beber passasse dEle. Cristo, antes, havia orado por isso, como no versículo seguinte, apenas um antes do texto, dizendo: “Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua”. É depois disso que nós temos um relato que Cristo, posto em agonia, orava mais intensamente; mas não devemos entender que, orava mais intensamente do que Ele tinha feito antes, que o cálice passasse dEle. Que esta não foi a única coisa que Ele tanto orou fervorosamente nesta segunda oração, as seguintes coisas parecem comprovar:

[1] Esta segunda oração foi depois que o anjo havia aparecido para Ele do céu, fortalecendo-O, para mais alegremente tomar o cálice e beber. Os evangelistas nos informam que quando Cristo veio ao jardim, começou a entristecer-se, e muito sobrecarregado, e que Ele disse que Sua alma estava cheia de tristeza até a morte, e que, em seguida, Ele foi e orou a Deus, que, se fosse possível o cálice passasse dEle. Lucas diz nos versículos 41 e 42: “E apartou-se deles cerca de um tiro de pedra; e, pondo-se de joelhos, orava, Dizendo: Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua”. E então, depois disso, é dito no versículo seguinte, que apareceu um anjo do céu que o fortalecia. Agora isso pode ser entendido não o contrário do que o anjo lhe apareceu, fortalecendo-O e incentivando-O a passar por Sua grande e difícil obra, tomar o cálice e bebê-lo. Assim devemos supor, que agora Cristo foi mais fortalecido e encorajado a continuar com Seus sofrimentos: e, portanto, não podemos supor que, depois disso, Ele oraria mais intensamente do que antes de ser liberto de Seus sofrimentos; e, claro, que era sobre outra coisa que Cristo mais intensamente orava, depois do fortalecimento do anjo, e não que o cálice passasse dEle. Ainda que Cristo pareça ter uma maior visão dos Seus sofrimentos dada a Ele após este fortalecimento do anjo do que antes, que causou a tal agonia, ainda assim, Ele foi mais fortalecido e capacitado a uma maior visão deles, Ele teve mais força e coragem para lidar com estas apreensões horríveis, do que antes. Sua força para suportar sofrimentos é aumentada com o senso dos Seus sofrimentos.

[2.] Cristo, antes de Sua segunda oração, teve uma intimação da parte do Pai, que não era a Sua vontade de que o cálice passasse dele. A vinda do anjo do céu para fortalecê-lo deve ser assim entendida. Cristo em primeiro lugar, ora para que, se fosse a vontade do Pai, o cálice pudesse passar; mas isso não foi a Sua vontade; e então Deus, imediatamente após isto, envia um anjo para fortalecê-lo e encorajá-Lo a tomar o cálice, o que era uma indicação clara para Cristo que era a vontade do Pai que Ele deveria tomá-lo, e que Ele não passasse dele. E assim Cristo o recebeu; como é evidenciado a partir do relato que Mateus oferece sobre esta segunda oração. Mateus 26:42: “E, indo segunda vez, orou, dizendo: Pai meu, se este cálice não pode passar de mim sem eu o beber, faça-se a tua vontade”. Ele fala como quem agora tinha uma indicação, uma vez que Ele orou antes, que esta não era a vontade de Deus. E Lucas nos diz como, a saber, por ter Deus enviado um anjo. Mateus nos informa, como Lucas o faz, que em Sua primeira oração, Ele orou para que, se fosse possível o cálice passasse dEle; mas então Deus envia um anjo para significar que não era a Sua vontade, e para encorajá-Lo a tomá-lo. E então, Cristo tendo recebido esta indicação clara que não era a vontade de Deus que o cálice passasse dEle, rende-se à mensagem que recebeu, e diz: ó, Meu Pai, se é assim como Tu agora indicas, seja feita a Tua vontade. Portanto, podemos seguramente concluir que pelo que Cristo orava mais intensamente depois disso, não era para que o cálice passasse dEle, mas por outra coisa; pois Ele não iria orar mais fervorosamente, do que Ele fez antes, para que o cálice passasse dEle, depois de Deus ter sinalizado que não era Sua vontade que isso passasse dEle; supor isto seria uma blasfêmia. E então,

[3] A linguagem da segunda oração, tal como é referida por Mateus: “Pai meu, se este cálice não pode passar de mim sem eu o beber, faça-se a tua vontade”, mostra que Cristo não ora, então, para que o cálice passasse dEle. Isto certamente não é orar mais fervorosamente para que o cálice passasse, é sim uma entrega a esta questão, e uma interrupção de instá-la mais, e submissão a isso como algo determinado pela vontade de Deus, feita conhecida pelo anjo. E,

[4] A partir do relato do apóstolo sobre esta oração, no capítulo 5 de Hebreus, as palavras do apóstolo foram estas: “O qual, nos dias da Sua carne, oferecendo, com grande clamor e lágrimas, orações e súplicas ao que o podia livrar da morte, foi ouvido quanto ao que temia”. O grande clamor e lágrimas de que o apóstolo fala, são, sem dúvida, o mesmo que Lucas fala no texto, quando Ele diz, “ele posto em agonia, orava mais intensamente”, pois esta foi a imagem mais nítida e séria do clamor de Cristo, o qual não temos qualquer relato em algum lugar. Mas, de acordo com o relato do apóstolo, aquilo que Cristo temia e pelo que clamou tão fortemente a Deus nesta oração, era algo que Ele foi ouvido, algo que Deus concedeu o Seu pedido, e, portanto, não era que o cálice passasse dEle. Tendo assim mostrado o que não foi pelo que Cristo orou nesta séria oração, eu prossigo para mostrar,


CONTINUA...




OUTRAS PARTES DESSE ESTUDO PODERÃO SER VISTAS POR MEIO DOS LINKS ABAIXO

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — ALGUMAS CITAÇÕES DESSE 
ESTUDO PARTE 001

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — ALGUMAS CITAÇÕES DESSE ESTUDO PARTE 002

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — ALGUMAS CITAÇÕES DESSE ESTUDO PARTE 003

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 004

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 005

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 006 —http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/08/jonathan-edwards-agonia-de-cristo-um.html

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 007 —http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/10/jonathan-edwards-agonia-de-cristo-um.html

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 008 —

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 009 —

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 010 — APLICAÇÃO 001

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 011 — APLICAÇÃO 002

UMA BREVE BIOGRAFIA DE JONATHAN EDWARDS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/08/jonathan-edwards-uma-breve-biografia.html

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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sexta-feira, 5 de junho de 2015

UM ESTUDO SOBRE O PECADO — PARTE 013E — PECADO E CASTIGO — PARTE E


Concepção artística de Jesus com Pedro, Tiago e João no Getsêmane.

Essa é uma série cujo propósito é estudar, com profundidade, os ensinamentos da Bíblia acerca do pecado, com uma ênfase especial na questão do chamado “pecado para a morte”. Os demais estudos dessa série poderão ser acessados por meio dos links alistados no final desse estudo.  

13F. Pecado e Castigo — PARTE E

CONTINUAÇÃO...

MARCOS 14:38—42

Verso 38

Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o Espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.

Vigiar e orar é uma combinação poderosa. Jesus repete a ordem dada no verso 34 acerca de vigiar, manter-se alerta, mas acrescenta que é necessário ocupar esse tempo com oração. Aqui existe uma indicação clara que não basta se manter acordado fisicamente. É necessário estarmos despertados espiritualmente para resistirmos às tentações. Jesus nos ensinou a orar dizendo:

Mateus 6:13

E não nos deixe cair em tentação.

O próprio Senhor estava sendo tentado e estava também usando os mesmos recursos que Ele estava recomendando aos discípulos.

Mas qual era a tentação que os discípulos estavam enfrentando? Era a de não serem leais a Jesus. Os discípulos juntamente com a grande maioria dos Judeus acreditavam e esperavam uma manifestação política do Reino de Deus, destruindo os Romanos e tornando os Judeus os senhores do mundo. Eles estavam até um pouco “preparados” para lutar por este Reino — ver Lucas 22:36—38 — mas neste mesmo contexto Jesus lhes reafirma que o propósito de Sua vinda não era reinar e sim cumprir as profecias acerca dos Seus sofrimentos — verso 37. Mas quando vissem seu Senhor, aprisionado, julgado, crucificado e morto; quando vissem Jesus submetido a todas estas coisas sem poder aparente para Se livrar, então “essa” seria a hora da grande tentação que os discípulos enfrentariam. É em vista dessa possibilidade que Jesus os exorta a vigiar e orar para que não caiam em tentação, mas tenham a força para vencê-la. Mas de fato nós sabemos que todos eles, sem exceção, sucumbiram a essa tentação. Na hora da prisão de Jesus todos os discípulos fugiram!

O Espírito — A parte não material dos seres humanos que é capaz de manter comunhão com Deus através da adoração e de receber a graça de Deus.

A Carne — Neste contexto, diz respeito à natureza humana com suas fragilidades físicas e psicológicas. Não deve ser confundida, neste contexto, com o conceito de carne como o assento da natureza pecaminosa contrária a Deus.

O Espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca. A mente, o coração, o Espírito, nossa parte não material está preparada e disposta a suportar as tentações — os testes—, mas a “carne”, nossos sentimentos, influenciados pelo medo do perigo, é fraca e normalmente nos engana quando as tentações aparecem. É como se Jesus estivesse dizendo para eles: apesar de vocês possuírem uma fé forte o suficiente e acreditarem agora que não irão me negar — ver Mateus 25:35 — a natureza humana é muito fraca e tende a se encolher na hora da tentação, por este motivo, vocês devem buscar auxílio lá do alto.

Verso 39

Retirando-se de novo, orou repetindo as mesmas palavras.

Isto não quer dizer que ele tivesse usado literalmente as mesmas palavras e sim que orou na mesma linha de pensamento. De fato Mateus indica outro conjunto de palavras, mas com a mesma intenção —

Mateus 26:42

Tornando a retirar-se, orou de novo, dizendo: Meu Pai, se não é possível passar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade.

É muito provável que nosso Senhor gastou um tempo considerável em oração e que os evangelistas tenham preservado a “essência” de suas palavras. Jesus, como o texto inteiro nos mostra deve ter retornado várias vezes aos discípulos para adverti-los e demonstrar Seu profundo interesse pelo bem estar deles. Cada vez que Jesus retornava Sua tristeza aumentava. Novamente Ele procura o lugar de oração, pois à medida que Seus sofrimentos se aproximavam, Ele sentia-se avassalado pelos mesmos. A oração era o recurso mais poderoso a Seu dispor. Jesus, mesmo sendo Deus, ao tomar a forma humana esvaziou-se — ver Filipenses 2:5—8 — não somente para servir de propiciação pelos nossos pecados, mas também para se tornar o exemplo perfeito da santidade entre os seres humanos. Para que isso fosse alcançado Ele precisava se submeter às condições comuns a toda humanidade, ou seja, Ele deveria viver como qualquer pessoa, ser sustentado como qualquer outra pessoa, sofrer como qualquer outra pessoa e ser fortalecido como qualquer outra pessoa; Ele não poderia tirar vantagem da Sua Santidade, nem da Sua Divindade, mas precisava se submeter ao lote comum a todas as pessoas piedosas. Assim sendo, Jesus não supria suas necessidades mediante atos de Sua Divindade, mas da forma ordinária e comum a todos os seres humanos; Ele se preservava dos perigos não como Deus — ver Mateus 26:53 — mas seguindo as formas comuns da prudência humana e da precaução. Jesus enfrentou as tentações como homem; recebeu conforto e consolação como homem. O próprio anjo enviado para ajudá-lo prova Sua humanidade acima de tudo —

Hebreus 1:14

Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para serviço a favor dos que hão de herdar a salvação?

Lucas nos diz em Lucas 22:44, que Jesus se encontrava em ἀγωνίᾳ agonía. Essa palavra é emprestada dos certames esportivos, especialmente dos eventos de luta livre, onde os atletas se esforçam física e mentalmente, muitas vezes, além do que se esperava. Neste contexto a palavra é usada para indicar extrema angústia mental e o enorme conflito produzido na natureza humana pelas perspectivas de calamidades avassaladoras.

O que tudo isto nos ensina é que o nosso pecado é algo terrível e não deve, em nenhuma hipótese, ser visto como algo inofensivo, engraçado ou insignificante. Foram nossos pecados que fizeram Jesus sofrer dessa maneira como estamos vendo. Por outro lado, Jesus nos deixa um exemplo a seguir. Ele não lançou mão de nenhum recurso que não esteja disponível a qualquer um de nós na nossa luta contra o pecado. A Bíblia nos desafia a considerarmos o exemplo de Jesus e a segui-lo de forma completa —

Hebreus 12:1—4

1 Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta,

2 olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus.

3 Considerai, pois, atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos fatigueis, desmaiando em vossa alma.

4 Ora, na vossa luta contra o pecado, ainda não tendes resistido até ao sangue. 

Verso 40

Voltando, achou-os outra vez dormindo, porque os seus olhos estavam pesados; e não sabiam o que lhe responder.

Sabedores da dor e angústia pela qual o Senhor estava passando, esses homens estavam obrigados a sustentá-lo de maneira mais vigilante. Por outro lado, Jesus demonstra Sua preocupação com eles voltando para ver como estavam, já que eles também precisavam estar vigilantes para atender suas próprias necessidades com a tentação por vir. Que privilégio nós temos de saber que aquele que nos oferece a salvação —

Salmos 121:4

Não dormita, nem dorme o guarda de Israel.

A história de Israel registra um caso em que Davi, quando teve o trono usurpado pelo próprio filho Absalão, seguiu chorando em direção à Jerusalém e todo o povo que estava com ele o acompanhava também chorando —

2 Samuel 15:30

Seguiu Davi pela encosta das Oliveiras, subindo e chorando; tinha a cabeça coberta e caminhava descalço; todo o povo que ia com ele, de cabeça coberta, subiu chorando.

Mas aqui temos “o filho de Davi” em prantos enquanto seus seguidores estão dormindo. Esses mesmos discípulos, quando em desespero, souberam acordar a Jesus para socorrê-los —

Mateus 8:26

Perguntou-lhes, então, Jesus: Por que sois tímidos, homens de pequena fé? E, levantando-se, repreendeu os ventos e o mar; e fez-se grande bonança.

mas não conseguiam se manter acordados nessa Sua hora de maior angústia, quando Jesus estava agonizando sobre os pecados deles e de nós todos. O que Jesus requereu dos discípulos era algo proporcionalmente pequeno com relação ao que estava sendo requerido d’Ele. Outro contraste pode ser visto nos servos de Naamã que cuidaram do seu senhor insistindo com ele para que ouvisse as palavras de Elias —

2 Reis 5:13

Então, se chegaram a ele os seus oficiais e lhe disseram: Meu pai, se te houvesse dito o profeta alguma coisa difícil, acaso, não a farias? Quanto mais, já que apenas te disse: Lava-te e ficarás limpo.

E vamos nos lembrar que a quantidade de tempo nem era muito significativa: uma hora, era tudo o que Jesus estava requisitando. Isaías quando requisitado por Deus serviu de atalaia por dias inteiros e noites inteiras —

Isaías 21:8

Então, o atalaia gritou como um leão: Senhor, sobre a torre de vigia estou em pé continuamente durante o dia e de guarda me ponho noites inteiras.

Jesus havia passado muitas noites inteiras em oração — será que isto nos diz alguma coisa? — mas naquelas noites Jesus não esperava que seus discípulos o acompanhassem. Nessa noite, quando todo o tempo disponível para orar era o de “uma hora” apenas, Jesus insistia com eles para que se mantivessem acordados.

Como já vimos eles precisavam se manter despertos e em oração para não caírem na armadilha que a tentação representava. Enquanto eles dormiam estavam perdendo a grande oportunidade de estarem unidos com Cristo em oração. Para nós fica a lição de que quando tentados devemos recorrer sempre à oração e duplicar nossa vigilância.

Os discípulos não tinham palavras para se expressar, mas o Senhor já os havia confortado com as palavras do verso 38, como era Sua função como nosso Advogado. Nisso Jesus nos dá o exemplo de como “o amor cobre multidão de pecados —

1 Pedro 4:8

Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados.

Jesus certamente se lembrava das palavras do —

Salmo 78:38—39

38 Ele, porém, que é misericordioso, perdoa a iniquidade e não destrói; antes, muitas vezes desvia a sua ira e não dá largas a toda a sua indignação.

39 Lembra-se de que eles são carne, vento que passa e já não volta.

Os discípulos, como nós, enquanto viviam na terra manifestavam tanto o princípio de corrupção do pecado quanto da graça manifesta de Deus como Esaú e Jacó no mesmo ventre e como cananitas e israelitas na mesma terra.

CONTINUA...

OUTROS ESTUDOS SOBRE O PECADO

O PECADO — ESTUDO —001 — TERMOS GREGOS E HEBRAICOS E PALAVRAS INTRODUTÓRIAS

O PECADO — ESTUDO —002 — A QUEDA — UMA INTERPRETAÇÃO DE GÊNESIS 3 — PARTE 1

O PECADO — ESTUDO —003 — A QUEDA — UMA INTERPRETAÇÃO DE GÊNESIS 3 — PARTE 2

O PECADO — ESTUDO —004 — A QUEDA PROPRIAMENTE DITA — UMA INTERPRETAÇÃO DE GÊNESIS 3 — PARTE 3 — FINAL

O PECADO — ESTUDO 005 — A VERDADEIRA LIBERDADE

O PECADO — ESTUDO 006 — PECADO E LIVRE ARBÍTRIO

O PECADO — ESTUDO 007 — A BÍBLIA E O PELAGIANISMO

O PECADO — ESTUDO 008 — O PECADO E A SOBERANIA DE DEUS

O PECADO — ESTUDO 009 — HISTÓRIA E QUEDA

O PECADO — ESTUDOS 010 E 011 — O PECADO ORGINAL E A DEPRAVAÇÃO TOTAL

O PECADO — ESTUDOS 012 — PECADO E A GRAÇA DE DEUS

O PECADO — ESTUDOS 013ª — PECADO E  O CASTIGO PARTE A

O PECADO — ESTUDOS 013B — PECADO E O CASTIGO PARTE B — JESUS NO GETSÊMANI — PARTE 001

O PECADO — ESTUDOS 013C — PECADO E O CASTIGO PARTE C — JESUS NO GETSÊMANI — PARTE 002

O PECADO — ESTUDOS 013D — PECADO E O CASTIGO PARTE D — JESUS NO GETSÊMANI — PARTE 003

O PECADO — ESTUDOS 013E — PECADO E O CASTIGO PARTE E — JESUS NO GETSÊMANI — PARTE 004

O PECADO — ESTUDOS 013F — PECADO E O CASTIGO PARTE F — JESUS NO GETSÊMANI — PARTE 005

O PECADO — ESTUDOS 014A — O PECADO PARA A MORTE — PARTE A — INTRODUÇÃO — QUESTÕES HERMENÊUTICAS

O PECADO — ESTUDOS 014B — O PECADO PARA A MORTE — PARTE B —DIFERENTES TIPOS DE PENAS E CASTIGOS PARA O PECADO IMPERDOÁVEL

O PECADO — ESTUDOS 014C — O PECADO PARA A MORTE — PARTE C —DIFERENTES TIPOS DE PESSOAS QUE PODEM COMETER O  PECADO IMPERDOÁVEL
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/08/um-estudo-sobre-o-pecado-parte-014_13.html

Grande Abraço e que Deus possa abençoar a todos.

Alexandros Meimaridis

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segunda-feira, 6 de abril de 2015

JONATHAN EDWARDS: A AGONIA DE CRISTO — UM ESTUDO — PARTE 002


Concepção Artística

O material abaixo é parte de um livro escrito por Jonathan Edwards que foi publicado em forma de e-book por:

Fonte: CCEL.org │ Título Original: “Christ’s Agony”

As citações bíblicas desta tradução são da versão ACRF (Almeida Corrigida Revisada Fiel).

Tradução por Camila Almeida │ Revisão William Teixeira

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A AGONIA DE CRISTO

Por Jonathan Edwards

Algumas Citações deste Estudo — PARTE 002

“E, posto em agonia, orava mais intensamente; e o Seu suor tornou-se em grandes gotas de sangue que corriam até ao chão.”
– Lucas 22:44 –
Citações deste Sermão

“Quando o cálice terrível estava diante dEle, Ele não disse em Seu interior: “Por que eu, que sou tão grandiosa e gloriosa Pessoa, infinitamente mais honrado do que todos os anjos do céu, por que eu deveria ir mergulhar-me em tão terríveis e incríveis tormentos por vermes inúteis miseráveis que não podem ser proveitosos a Deus, ou a mim, e que merecem ser odiados por mim, e não ser amados? Por que eu, que tenho vivido desde toda a eternidade no gozo do amor do Pai, lançar-me-ei em tal fornalha por aqueles que nunca podem me recompensar por isso? Por que eu deveria me render a ser, assim, esmagado pelo peso da Ira Divina, por aqueles que não têm amor por mim, e são meus inimigos? Eles não merecem qualquer união comigo, e nunca fizeram e nunca farão, qualquer coisa para recomendarem-se a mim. Em que serei mais rico por salvar um número de inimigos miseráveis de Deus e meus, que merecem ter a Justiça Divina glorificada em Sua destruição?” Tal, porém, não era a linguagem do coração de Cristo, nessas circunstâncias; mas, pelo contrário, o Seu amor permaneceu firme, e Ele resolveu, mesmo assim, em meio a Sua agonia, entregar a Si mesmo à vontade de Deus, e tomar o cálice e o beber. Ele não fugiria para sair do caminho de Judas e daqueles que estavam com ele, mas Ele sabia que eles estavam vindo, mas na mesma hora entregou-se voluntariamente em Suas mãos.”

“Assim poderoso, constante e corajoso foi o amor de Cristo; e a provação especial do Seu amor acima de todas as outras em toda a Sua vida parece ter sido no momento da Sua agonia. Pois, embora Seus sofrimentos fossem maiores depois, quando Ele estava na cruz, ainda assim Ele viu claramente o que esses sofrimentos seriam, no momento de Sua agonia; e esta parece ter sido a primeira vez que Jesus Cristo teve uma visão clara do que eram estes sofrimentos; e depois disso a provação não foi tão grande, porque o conflito terminara. A Sua natureza humana estava em uma luta com o Seu amor pelos pecadores, mas o Seu amor havia conseguido a vitória. A coisa, mediante uma visão plena dos Seus sofrimentos, havia sido resolvida e concluída; e, portanto, quando o momento chegou, Ele realmente passou por esses sofrimentos.”

“Há duas coisas que tornam o amor de Cristo maravilhoso: 1. Que Ele esteve disposto a suportar sofrimentos que eram tão grandiosos e 2. Que Ele esteve disposto a suportá-los para fazer expiação por impiedade que era tão grande. “

“A maravilha do amor de Cristo ao morrer, aparece em parte em que Ele morreu por aqueles que eram tão indignos em si mesmos, como todos os homens têm o mesmo tipo de corrupção em Seus corações, e em parte porque Ele morreu por aqueles que não eram apenas tão ímpios, mas cuja iniquidade consistia em serem Seus inimigos; assim, Ele não apenas morreu pelos ímpios, mas pelos Seus próprios inimigos.”

“E ainda agora, quando Ele teve o terrível cálice colocado diante dEle, que Ele beberia por eles, e estava em tal agonia diante da visão disto, Ele não viu nenhum retorno por parte deles, senão a indiferença e ingratidão. Quando Ele só desejava que o assistissem, para que Ele fosse consolado com Sua companhia, agora, neste momento, triste eles adormeceram; e mostraram que não havia preocupação suficiente sobre isso para induzi-los a manterem-se acordados com Ele nem mesmo por uma hora, embora Ele desejasse isso, uma vez e outra vez. Mas ainda assim, este tratamento ingrato deles, por quem Ele devia beber o cálice da Ira que Deus havia posto diante dEle, não O desencorajou a de tomá-lo, e bebê-lo por eles. Seu amor resistiu a eles; tendo amado os seus, amou-os até o fim. Ele não disse dentro de Si mesmo quando o cálice trêmulo estava diante dEle: “Por que devo suportar tanto por aqueles que são tão ingratos; por que eu deveria lutar aqui com a expectativa da terrível Ira de Deus a ser suportada por mim amanhã, por aqueles que nesse meio tempo não têm tanta preocupação por mim, como para manterem-se acordados comigo nem por uma hora quando eu desejo isso da parte deles?” Mas, ao contrário, com compaixões ternas e paternais Ele desculpa esta ingratidão de Seus discípulos, e diz em Mateus 26:41: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca”. E, seguiu, e foi apreendido, e escarnecido e açoitado e crucificado, e derramou a Sua alma na morte, sob o peso da terrível Ira de Deus na cruz por eles.”

“Cristo, sendo uma Pessoa Divina, era o Soberano absoluto do céu e da terra, mas ainda assim Ele foi o mais maravilhoso exemplo de submissão à soberania de Deus que alguma vez já houve. Quando Ele teve tal visão de quão terríveis seriam Seus últimos sofrimentos, e orou, se fosse possível que esse cálice passasse dEle, ou seja, se não houvesse uma necessidade absoluta disto para a salvação dos pecadores, ainda assim isto foi uma perfeita submissão à vontade de Deus. Ele acrescenta: “todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres”. Ele preferiu que a inclinação de Sua natureza humana, que tanto temia tais tormentos intensos, fosse crucificada, ao invés de que a vontade de Deus não fosse realizada. Ele se deleitava com o pensamento da vontade de Deus que estava sendo feita; e quando Ele foi e orou pela segunda vez, Ele não tinha mais nada a dizer, senão: “Pai meu, se este cálice não pode passar de mim sem eu o beber, faça-se a tua vontade”; e assim na terceira vez.”

“Se Deus apenas em Sua providência indica que issa seja a Sua vontade para que participemos como um filho, quão dificilmente somos levados a ceder a ela, quão prontos para sermos insubmissos e perversos!”

“O Pai, quando O enviou ao mundo, enviou-O com os comandos sobre o que Ele deveria fazer no mundo; e Sua maior ordenança dentre todas foi sobre isso, que foi a incumbência para a qual Ele foi principalmente enviado, que foi para entregar a Sua vida. E, portanto, esta ordenança foi a principal prova da Sua obediência.”

“Cristo, no momento de Sua agonia, deu uma prova inconcebível e maior de obediência do que qualquer homem ou anjo já deu. Quanto mais além foi esta prova de obediência do segundo Adão do que a provação de obediência do primeiro Adão! Quão leve foi a tentação de nosso primeiro pai, em comparação a esta! E, no entanto o nosso primeiro fiador falhou, e nosso segundo não falhou, mas obteve uma vitória gloriosa, e seguiu, e tornou-se obediente até à morte e morte de cruz. Assim maravilhosa e gloriosa foi a obediência de Cristo, pela qual Ele operou a justiça para os crentes, e cuja obediência é imputada a eles. Não deve nos surpreender que essa seja uma doce punição semeada, e que Deus permaneça disposto a dar o céu como a Sua recompensa a todos os que creem nEle.”

“O que foi dito mostra-nos a insensatez da segurança dos pecadores em serem tão destemidos diante da Ira de Deus. Se a Ira de Deus era tão terrível, que, quando Cristo somente a esperava, Sua natureza humana foi quase sobrecarregada com o temor dela, e Sua alma ficou assombrada, e Seu corpo todo em um suor sangrento; então quão insensatos são os pecadores, que estão sob a ameaça da mesma Ira de Deus, e são condenados a ela, e estão a cada momento expostos a isso; e, no entanto, em vez de manifestar intensa apreensão, estão calmos, leves e indiferentes; em vez de estarem tristes e mui pesados, andam com um coração tranquilo e descuidado; em vez de chorar em amarga agonia, muitas vezes estão felizes e contentes, e comem e bebem, e dormem tranquilamente, e prosseguem no pecado, provocando a Ira de Deus mais e mais, sem qualquer motivo de preocupação! Quão estúpidas e insensatas são essas pessoas!”

“Os sofrimentos de Cristo duraram apenas algumas horas, e não havia um fim eterno a eles, e a glória eterna sucedeu. Mas você que é, um pecador seguro, insensível, está todos os dias exposto a ser lançado na miséria eterna, um fogo que nunca se apaga. Se, então, o Filho de Deus esteve em tal assombro, na expectativa de que Ele devia sofrer por algumas horas, quão insensato é você que está continuamente exposto a sofrimentos imensamente mais terríveis em natureza e grau, e que devem sem qualquer fim, mas que serão suportados sem descanso dia e noite para todo o sempre! Se você tivesse um sentido pleno da grandeza daquela miséria a que você está exposto, e quão terrível é a Sua condição atual por conta disso, seria neste momento colocado tão terrível agonia como a que Cristo sofreu; sim, se a sua natureza puder suportá-la, uma muito mais terrível. Agora veríamos você cair em um suor sangrento, chafurdando em Sua dor e gritando de terrível espanto.”

“Cristo, antes de Sua segunda oração, teve uma intimação da parte do Pai, que não era a Sua vontade de que o cálice passasse dele. A vinda do anjo do céu para fortalecê-lo deve ser assim entendida. Cristo em primeiro lugar, ora para que, se fosse a vontade do Pai, o cálice pudesse passar; mas isso não foi a Sua vontade; e então Deus imediatamente após isto envia um anjo para fortalecê-lo e encorajá-Lo a tomar o cálice, o que era uma indicação clara a Cristo que era a vontade do Pai que Ele deveria tomá-lo, e que Ele não passasse dele. E assim Cristo o recebeu; como é evidenciado a partir do relato que Mateus oferece sobre esta segunda oração. Mateus 26:42: “E, indo segunda vez, orou, dizendo: Pai meu, se este cálice não pode passar de mim sem eu o beber, faça-se a tua vontade”. E Lucas nos diz como, a saber, por ter Deus enviado um anjo. Mateus nos informa, como Lucas o faz, que em Sua primeira oração, Ele orou para que, se fosse possível o cálice passasse dEle; mas então Deus envia um anjo para significar que não era a Sua vontade, e para encorajá-Lo a tomá-lo. E então, Cristo tendo recebido essa indicação clara que não era a vontade de Deus que o cálice passasse dEle, rende-se à mensagem que recebeu, e diz: ó, Meu Pai, se é assim como Tu agora indicas, seja feita a Tua vontade. Portanto, podemos seguramente concluir que pelo que Cristo orava mais intensamente depois disso, não era para que o cálice passasse dEle, mas por outra coisa; pois Ele não iria orar mais fervorosamente, do que Ele fez antes, para que o cálice passasse dEle, depois de Deus ter sinalizado que não era Sua vontade que isso passasse dEle; supor isso seria uma blasfêmia.”

“Foi da vontade preceptiva de Deus que Ele tomasse esse cálice e bebesse; foi a ordem do Pai para Ele. O Pai lhe deu o cálice, e como que foi estabelecido diante dEle com a ordem que Ele deveria beber. Este foi o maior ato de obediência que Cristo devia executar. Ele ora por força e auxílio, para que a Sua pobre natureza humana fraca fosse apoiada, para que Ele não falhasse nesta grande prova, para que Ele não afundasse e fosse engolido, e que Sua força superasse em muito que Ele não aguentasse, e terminasse a obediência indicada. Esta foi a única coisa que Ele temia, do qual o apóstolo fala no capítulo 5 de Hebreus, quando Ele diz, “ele foi ouvido quanto ao que temia”. Quando Ele teve um senso tão extraordinário do horror dos Seus sofrimentos impressos em Sua mente, o medo disso O assombrava. Ele estava com medo de que Sua pobre fraca força fosse superada, e que Ele falhasse em uma tão grande provação, que Ele fosse engolido por aquela morte que Ele estava para morrer, e assim, não fosse salvo da morte; e, portanto, Ele se ofereceu com grande clamor e lágrimas, Àquele que era capaz de fortalecê-Lo, e apoiá-lo, e salvá-Lo da morte, para que a morte que devia sofrer não pudesse superar o Seu amor e obediência, mas que Ele pudesse vencer a morte, e ser salvo dela.”

“Se a coragem de Cristo falhasse no teste, e Ele não resistisse sob Seus sofrimentos de morte, Ele nunca teria sido salvo da morte, mas Ele teria afundado no lamaçal profundo; Ele nunca teria ressuscitado dentre os mortos, pois a Sua ressurreição dos mortos foi uma recompensa por Sua vitória. Se Sua coragem houvesse falhado, e Ele tivesse desistido, Ele teria permanecido debaixo do poder da morte, e por isso todos nós teríamos perecido, teríamos ainda permanecido em nossos pecados. Se Ele tivesse falhado, tudo teria falhado. Se Ele não tivesse superado esse conflito doloroso, nem Ele nem nós poderíamos ter sido libertados da morte, todos nós teríamos morrido juntos. Portanto, essa foi a preservação da morte que o apóstolo fala, que Cristo temia e orava, com grande clamor e lágrimas. Seu Ser superado pela morte era a única coisa que Ele temia, e por isso Ele foi ouvido quanto ao que temia.”

“Que Cristo em Sua agonia orou tão fervorosamente, para que a vontade de Deus fosse feita, ou seja, que Ele tivesse força para cumprir a Sua vontade, e não afundasse e falhasse em tais grandes sofrimentos, é confirmado pelas Escrituras do Antigo Testamento, particularmente a partir do Salmo 69. O salmista representa a Cristo neste salmo, como é evidente pelo fato de que as palavras do salmo são representadas como as palavras de Cristo em muitos lugares do Novo Testamento. Esse salmo é representado como a oração de Cristo a Deus quando Sua alma estava profundamente triste e assombrada, como foi em Sua agonia; como você pode ver no 1º e 2º versículos: “Livra-me, ó Deus, pois as águas entraram até à minha alma. Atolei-me em profundo lamaçal, onde se não pode estar em pé; entrei na profundeza das águas, onde a corrente me leva”. Mas, então, a única coisa que é representada como sendo o que Ele temia, estava falhando, e sendo oprimido, nesta grande provação: Versículos 14 e 15: “Tira-me do lamaçal, e não me deixes atolar; seja eu livre dos que me odeiam, e das profundezas das águas. Não me leve a corrente das águas, e não me absorva ao profundo, nem o poço cerre a Sua boca sobre mim”. Então, novamente no Salmo 22, que também é representado como a oração de Cristo sob Suas terríveis dores e sofrimentos, nos versículos 19, 20 e 21: ‘Mas tu, Senhor, não te alongues de mim. Força minha, apressa-te em socorrer-me. Livra a minha alma da espada, e a minha predileta da força do cão. Salva-me da boca do leão’.”

“Cristo, quando prestes a se envolver em terrível conflito, buscou, assim, sinceramente a ajuda de Deus para capacitá-lo a fazer a Sua vontade; pois Ele precisava da ajuda de Deus – a força de Sua natureza humana, sem a ajuda Divina, não era suficiente para sustentá-Lo completamente. Isto foi, sem dúvida, no que o primeiro Adão falhou em Sua primeira provação, de forma que quando a provação chegou, Ele não estava consciente de Sua própria fraqueza e dependência. Se Ele tivesse se inclinado para Deus, e clamado por Ele, por Sua ajuda e força contra a tentação, muito provavelmente teríamos permanecido criaturas inocentes e felizes até hoje.”

“Cristo ofereceu aqueles fortes clamores com a Sua carne, da mesma maneira que os sacerdotes de antigamente tinham o costume de oferecer orações com os Seus sacrifícios. Cristo misturou grande clamor e lágrimas, com Seu sangue, e por isso ofereceu o Seu sangue e Suas orações em conjunto, para que o efeito e o sucesso de Seu sangue fossem obtidos. Tais intensas orações agonizantes foram oferecidos com o Seu sangue, e Seu sangue infinitamente precioso e meritório foi oferecido com as Suas orações.”

“Cristo teve um extraordinário senso de Sua dependência de Deus, e de Sua necessidade de Sua ajuda para capacitá-Lo a fazer a vontade de Deus nesta grande provação. Embora Ele fosse inocente, ainda assim Ele precisava de ajuda Divina. Ele era dependente de Deus, como homem, e, portanto, lemos que Ele confiava em Deus. Mateus 27:43: “Confiou em Deus; livre-o agora, se o ama; porque disse: Sou Filho de Deus”. E quando Ele teve uma visão extraordinária do pavor daquela Ira que Ele devia sofrer, Ele viu o quanto isso estava além da força apenas de Sua natureza humana.”

“O apóstolo diz: “Ele foi ouvido quanto ao que temia”; em tudo o que Ele temia. Ele obteve a força e a ajuda de Deus, tudo o que Ele precisava, e foi realizado. Ele foi capaz de cumprir e de sofrer toda a vontade de Deus; e obteve todo o fim de Seus sofrimentos – uma plena expiação pelos pecados de todo o mundo, e para a salvação completa para cada um daqueles que foram dados a Ele na promessa da Redenção, e tudo o que glorifica o nome de Deus, que em Sua mediação foi projetado para realizar, nem um jota ou um til falhou. Aqui Cristo em Sua agonia foi, acima de todos os outros, antítipo de Jacó, em Sua luta com Deus por uma bênção; em que Jacó o fez, não como uma pessoa particular, mas como chefe de Sua posteridade, a nação de Israel, e pelo que Ele obteve aquele louvor de Deus: “como príncipe lutaste com Deus” [Gênesis 32:28], e disso, foi um tipo daquele que era o Príncipe dos príncipes.”

CONTINUA...


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JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — ALGUMAS CITAÇÕES DESSE
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UMA BREVE BIOGRAFIA DE JONATHAN EDWARDS
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domingo, 22 de março de 2015

JONATHAN EDWARDS: A AGONIA DE CRISTO — UM ESTUDO - PARTE 001


Concepção artística da agonia Cristo no Getsêmani com os discípulos dormindo ao fundo.

O material abaixo é parte de um livro escrito por Jonathan Edwards que foi publicado em forma de e-book por:

Fonte: CCEL.org │ Título Original: “Christ’s Agony”

As citações bíblicas desta tradução são da versão ACRF (Almeida Corrigida Revisada Fiel).

Tradução por Camila Almeida │ Revisão William Teixeira

facebook.com/oEstandarteDeCristo

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A AGONIA DE CRISTO

Por Jonathan Edwards

Algumas Citações deste Estudo

“E, posto em agonia, orava mais intensamente; e o Seu suor tornou-se em grandes gotas de sangue que corriam até ao chão.”
– Lucas 22:44 –
Citações deste Sermão

“[...] a principal missão de Cristo no mundo foi sofrer, cumprindo assim, agradavelmente essa incumbência. Ele veio com tal natureza e, em tais circunstâncias, como feitas para abrir caminho para o Seu sofrimento; por isso toda a Sua vida foi repleta de sofrimento. Ele começou a sofrer em Sua infância, mas Seu sofrimento aumentou à medida que Ele se aproximava do fim de Sua vida. Seu sofrimento após o início de Seu ministério público era provavelmente muito maior do que antes; e a última parte do tempo de Seu ministério público parece ter sido distinguido pelo sofrimento.”

“[...] no momento de Sua agonia no jardim; que temos um relato nas palavras agora lidas; são as que proponho-me a fazer o tema do presente discurso. A palavra agonia significa propriamente um conflito sério, como é testificado em batalhar, correr ou lutar. E, portanto, em Lucas 13:24. “Porfiai por entrar pela porta estreita; porque eu vos digo que muitos procurarão entrar, e não poderão”. A palavra no original, traduzida como porfiai é Ἀγωνίζεσθε Agonízesthe. “Agonize, para entrar pela porta estreita”. A palavra é usada especialmente para esse tipo de luta, que na época era exibida nos jogos Olímpicos, em que os homens se esforçavam pela maestria na corrida, luta, e outros tipos tais de exercícios; e um prêmio era estabelecido, o qual era concedido ao vencedor. Aqueles que, assim, sustentaram, foram, na linguagem então usada, refereidos como tendo “agonizado”. Assim, o apóstolo em Sua epístola aos Cristãos de Corinto, uma cidade da Grécia, onde tais jogos eram exibidos anualmente, diz em alusão aos esforços dos combatentes: “E todo aquele que luta”, no original, todo aquele que agoniza, “de tudo se abstém”. O local onde foram realizados os jogos foi chamado  Ἀγων Agon, ou o lugar da agonia; e a palavra é particularmente usada nas Escrituras para aquele esforço em fervorosa oração onde as pessoas lutam com Deus; diz-se que elas agonizam, ou estarem em agonia, em oração. Assim, a palavra é usada em Romanos 15:30: “E rogo-vos, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito, que combatais comigo nas vossas orações por mim a Deus”; no origina συναγωνίσασθαί sunagonísasthaí, que vos agonizeis comigo. Assim em Colossenses 4:12: “[...]combatendo sempre por vós em orações, para que vos conserveis firmes, perfeitos e consumados em toda a vontade de Deus”. No original ἀγωνιζόμενος agonizómenos, agonizando por vós. De modo que quando é dito no texto que Cristo estava em agonia, o significado é, que a Sua alma estava em uma grande e séria luta e conflito.”

“O que Cristo teve em Sua agonia no jardim, foi o cálice amargo que Ele deveria em breve beber, posteriormente, na Cruz. Os sofrimentos aos quais Cristo se submeteu em Sua agonia no jardim, não foram Seus maiores sofrimentos; embora fossem mui grandes. Mas Seus últimos sofrimentos sobre a Cruz foram os Seus principais sofrimentos; e, portanto, eles são chamados de “o cálice que Ele tinha de beber”. Os sofrimentos da cruz, sob a qual Ele foi morto, estão sempre nas Escrituras representados como os principais sofrimentos de Cristo; especialmente aqueles em que “Ele levou os nossos pecados em Seu próprio corpo”, e fez expiação pelo pecado. Seu suportar a cruz, Seu humilhar-se e tornar-se obediente até à morte e morte de cruz, é dito como a principal coisa pela qual os Seus sofrimentos evidenciaram-se. Este é o cálice que Cristo havia colocado diante de Si em Sua agonia. É manifesto que Cristo tinha isso em vista, neste momento, a partir das orações que Ele então ofereceu. De acordo com Mateus, Cristo fez três orações naquela noite enquanto no jardim do Getsêmani, e todas sobre este assunto, o cálice amargo que Ele devia beber.”

“Alguns têm perguntado, o que ocasionou aquela angústia e agonia, e muitas especulações têm existido sobre isso, mas o relato que a própria Escritura nos dá é suficientemente completo nesta matéria, e não deixa espaço para a especulação ou dúvida. A única coisa pela qual a mente de Cristo estava tão cheia naquela momento era, sem dúvida, o mesmo com que a Sua boca estava tão cheia; era o receio que Sua fraca natureza humana tinha daquele cálice terrível, que era muito mais terrível do que fornalha ardente de Nabucodonosor.”

“Ele teve, então, uma visão próxima da fornalha de ira, na qual Ele devia ser lançado; Ele foi levado para a boca da fornalha para que Ele pudesse olhar para ela, e permanecer e ver as chamas furiosas, e ver as brasas de Seu calor, a fim de Ele pudesse conhecer para onde estava indo e o que Ele estava prestes a sofrer. Isto foi o que encheu a Sua alma de tristeza e escuridão, esta visão terrível como a que o dominou.”

“[...] o próprio Cristo diz sobre isso, Ele que não era acostumado a aumentar as coisas para além da verdade. Ele diz: “A minha alma está cheia de tristeza até a morte; ficai aqui, e velai comigo” (Mateus 26:38). Que linguagem poderia expressar mais fortemente o mais extremo grau de tristeza? Sua alma não estava apenas “triste”, mas “cheia de tristeza”; e não somente isso, mas porque isso não expressa plenamente o nível de Sua tristeza, Ele acrescenta, “até a morte”; o que parece sugerir que as próprias dores e sofrimentos infernais, da morte eterna, haviam se apossado dEle. Os Hebreus estavam acostumados a expressar o maior nível de tristeza que qualquer criatura pudesse passar pela frase: a sombra da morte. Cristo tinha agora, por assim dizer, a sombra da morte trazida sobre a Sua alma pela visão próxima que Ele tinha do cálice amargo, que agora estava posto diante dEle.”

“A partir do efeito que isso teve sobre Seu corpo, causando aquele suor de sangue que lemos no texto. Em nossa tradução diz-se, que “o Seu suor tornou-se como grandes gotas de sangue, que corriam até ao chão”. A palavra traduzida como “grandes gotas” é no original θρόμβοι thómboi, que significa propriamente caroços ou coágulos; pois podemos supor que o sangue que foi pressionado para fora através dos poros de Sua pele pela violência daquela luta interna e conflito, de forma que quando chegou a ser exposto ao ar fresco da noite, congelou e endureceu, como é a natureza do sangue, e por isso caiu dEle não em gotas, mas em coágulos. Se o sofrimento de Cristo houvesse ocasionado apenas um suor violento, isto teria mostrado que Ele estava em grande agonia; isso deve ser um sofrimento extraordinário e um exercício da mente que faz com que o corpo esteja todo suado e exposto ao ar livre, em uma noite fria, como era aquela, como é evidente em João 18:18: “Ora, estavam ali os servos e os servidores, que tinham feito brasas, e se aquentavam, porque fazia frio; e com eles estava Pedro, aquentando-se também”. Essa era a noite em que Cristo teve a Sua agonia no jardim. Mas a angústia e tristeza interior de Cristo não foram meramente as causas que o levaram a um suor violento e universal, mas, o que o fez suar sangue. A aflição e a angústia de Seu espírito eram tão indescritivelmente extremas como para forçar o sangue através dos poros de Sua pele, e isto tão abundantemente como a cair em grandes coágulos ou gotas de Seu corpo ao chão.”

“Deus em primeiro lugar, o trouxe e o colocou na boca da fornalha, para que Ele pudesse olhar para dentro, e permanecer e ver as ardentes e furiosas chamas, e pudesse ver para onde estava indo, e pudesse entrar voluntariamente nela e suportá-la pelos pecadores, como alguém que sabe do que se trata. Essa visão Cristo teve em Sua agonia. Em seguida, Deus trouxe o cálice que Ele devia beber, e o colocou diante dEle, para que Ele tivesse uma visão completa do mesmo, e pudesse  contemplar o que o mesmo era antes que Ele tomasse e bebesse. Se Cristo não tivesse totalmente conhecido o que o horror daqueles sofrimentos eram, antes que Ele os levasse sobre Si, Seu tomá-los sobre Si mesmo não poderia ter sido totalmente Seu ato próprio como homem; não poderia ter havido nenhum ato explícito de Sua vontade sobre o que Ele era ignorante; não poderia ter havido nenhum julgamento adequado, se Ele estaria disposto a submeter-se a tais sofrimentos terríveis ou não, a menos que Ele soubesse de antemão quão terrível eles eram; mas quando viu que eles eram, por ter oferecida a Ele uma visão extraordinária deles, e, em seguida, aceitou suportá-los; então, Ele agiu como conhecendo o que Ele fez; assim, tomando esse cálice, e tendo tais sofrimentos terríveis, Cristo tomou uma decisão de uma escolha explícita; e assim o Seu amor para com os pecadores, esta escolha dEle foi maravilhosa, como também a Sua obediência a Deus nela.”

“A própria visão desses últimos sofrimentos foi tão terrível quanto a afundar Sua alma dentro da escura sombra da morte; sim, tão terrível foi isso, que no doloroso conflito que a Sua natureza teve com eles, Ele esteve todo em suor sangrento, Seu corpo foi todo coberto de sangue coagulado, e não apenas o Seu corpo, mas o próprio chão debaixo dEle com o sangue que dEle caíra, que havia sido forçado através de Seus poros pela violência de Sua agonia. E se apenas a visão do cálice era tão assombrosa, quão terrível foi o próprio cálice, como muito além de tudo o que pode ser pronunciado ou concebido! Muitos dos mártires sofreram torturas extremas, mas a partir do que foi dito, há todas as razões para pensar que todos aqueles foram um mero nada comparados aos últimos sofrimentos de Cristo na cruz. E o que foi dito oferece um argumento convincente de que os sofrimentos que Cristo suportou em Seu corpo na cruz, embora eles fossem mui terríveis, ainda foram a menor parte de Seus últimos sofrimentos; e que, ao lado desses, Ele suportou sofrimentos em Sua alma, que foram muito maiores. Pois se fossem apenas os sofrimentos que Ele suportou em Seu corpo, apesar de serem muito terríveis, não podemos conceber que a mera antecipação deles teria tal efeito sobre Cristo. Muitos dos mártires, pelo que sabemos, têm sofrido torturas tão graves em Seus corpos, como Cristo fez. Muitos dos mártires foram crucificados, como Cristo foi; e ainda assim as Suas almas não foram tão oprimidas. Não houve evidência dessa incrível tristeza e aflição de espírito, nem na antecipação de Seus sofrimentos, ou na real duração deles.”

“O sofrimento a que Ele, então, foi realmente sujeito, foi terrível e assombroso, como foi demonstrado; e quão maravilhoso foi o Seu amor, que ainda permaneceu e foi confirmado! O amor de qualquer mero homem ou anjo sem dúvida teria afundado sob tal peso, e nunca teria sofrido um conflito em um suor tão sangrento como o de Jesus Cristo. A angústia da alma de Cristo naquele tempo foi tão forte a ponto de causar esse efeito maravilhoso em Seu corpo. Mas o Seu amor aos seus inimigos, miseráveis e indignos como eram, foi ainda mais forte. O coração de Cristo, nesse momento estava cheio de angústia, todavia era mais cheio de amor por vermes desprezíveis: Suas tristezas abundavam, mas o Seu amor superabundou. A alma de Cristo foi esmagada com um dilúvio de sofrimento, mas isto ocorreu a partir de um dilúvio de amor por pecadores em Seu coração, suficiente para transbordar o mundo, e sobrepujar as mais altas montanhas de Seus pecados. Essas grandes gotas de sangue que corriam ao chão foram uma manifestação de um oceano de amor no coração de Cristo.”

“Isso foi com a última consideração do que Cristo faria; como se então, fosse dito a Ele: “Aqui está o cálice que você deve beber, a menos que você desista de Seu compromisso pelos pecadores, e deixe-os perecer como eles merecem. Você tomará esse cálice, e o beberá por eles, ou não? Há uma fornalha na qual você está para ser lançado, para que eles possam ser salvos; ou eles devem perecer, ou você tem que suportar isso por eles. Ali você vê quão terrível é o calor do forno; você vê qual a dor e angústia que você deve suportar no dia seguinte, a menos que você desista da causa dos pecadores. O que você fará? É tanto o Seu amor que você prosseguirá? Você lançar-se-á nesta terrível fornalha de ira?”A alma de Cristo foi esmagada com o pensamento; Sua frágil natureza humana afundou diante da triste visão. Isto o colocou nessa terrível agonia que ouviste descrita; mas Seu amor pelos pecadores resistiu. Cristo não passaria por esses sofrimentos desnecessariamente, se os pecadores pudessem ser salvos sem [eles]. Se não houvesse uma necessidade absoluta de sofrê-los para a salvação deles, Ele desejaria que o cálice passasse dEle. Mas, se os pecadores, em quem Ele havia fixado o Seu amor, não pudessem, de acordo com a vontade de Deus, ser salvos sem que Ele o bebesse, Ele escolheu que a vontade de Deus fosse feita. Ele optou por seguir em frente e suportar o sofrimento, terrível como Ele apareceu para Ele.”

CONTINUA...


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