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terça-feira, 21 de junho de 2016

CULTURA DO ESTUPRO: LEITORA DÁ SUA OPINIÃO



Recebemos de uma leitora o seguinte comentário que decidimos publicar para o benefício de todos.

Pastor,

Obviamente, fui uma das muitas pessoas que ficou estarrecida com o triste acontecido na minha cidade natal e fui pesquisar mais sobre o assunto. Li vários textos, assisti vídeos e só posso dizer que o que veio à tona com o caso da "menina do Rio" é só mais uma faceta deste mundo desumanizado, de uma sociedade sem moral, de um mundo sem o temor de Deus!

Poderia ser simplista em dizer que: "se ela tivesse ficado em casa, nada disso teria acontecido". Contudo, estupros podem acontecer em qualquer lugar, inclusive em casa. Lembrei-me do caso "Bianca Consoli" que foi estuprada pelo próprio cunhado que invadiu a casa dos sogros e violentou e matou a moça há 5 anos atrás. E por que não lembrar da "lenda do boto" nas regiões amazônicas? Dizem que esta história das jovens que aparecem grávidas do boto que se transforma num belo jovem sedutor em noites de lua cheia é para ocultar uma cultura muito perversa de pais que violentam suas filhas e por vezes as engravidam.

No submundo das favelas e do tráfico de drogas, os chefes da bandidagem mandam e "obedece quem tem juízo". Logo, os poderosos podem escolher qualquer mulher da comunidade como sua e a família deve aceitar de bom grado. Simples assim.

A questão se torna mais trágica pelo fato das moças das favelas almejarem serem "as mulheres dos chefões" porque isto é sinônimo de poder dentro daquele microcosmo. Respeito, reverência, dinheiro e ostentação, ou seja, o que é vendido como imagem de sucesso nos meios de comunicação de massa é obtido nestas uniões.

No texto de Wilson Ferreira replicado no blog: "O Grande Diálogo" há várias questões abordadas sobre a prolatada cultura do estupro. O autor recorreu aos ensinamentos de Freud, escreve sobre falo e como o homem enxerga a mulher desde a primeira infância e etc. Sei que Freud é referência para muitos estudiosos, mas confesso que sempre quando leio: "segundo Freud..." fico cansada só de ler. Não sou estudiosa no assunto, mas sou mulher, por isso posso dizer algo não baseada no pai da psicanálise, mas na realidade que vivo: - o machismo sempre existiu. As mulheres apoiam a perpetuação do sistema, porque o machismo (e também o feminismo) é, nada mais que, a eterna luta do forte contra o fraco, baseado na maldade que há dentro de cada um. Porque ninguém é bom. Ponto final.

As propagandas usam as mulheres para vender tudo! Corpos nus para vender um par de sapatos, por exemplo. E nos é ensinado que: "o que é bonito é para ser mostrado". Empodere-se. Seja a "gostosona" do bairro. Rebola e desce até o chão! Já o feminismo diz que o homem deve ser tratado como o opressor, que deve ser combatido. Então, se por um lado, a mulher deve andar por aí mostrando tudo, o homem tem que ver e se comportar como um ser destituído de testosterona.

E a menina do Rio? Ela só seguiu os ensinamentos da mídia. Saiu do seu mundinho classe média, no qual era apenas mais uma e foi ser "rainha da favela". Fez amizade com os traficantes e pagou o preço para entrar na turma: com muito sexo. Sim, muito trágico, mas é a realidade. Creio eu que a jovem só saiu do transe em que vivia quando a podridão sem limites foi veiculada nas redes sociais e ela foi forçada a ver que foi violada várias vezes e aquela não era a primeira vez. Violada no corpo e na alma. Consciente do erro, mas inconsciente pelos entorpecentes. E não pensemos nós que achamos que vivemos no mundo normal, que aqui é diferente. Boa parte das mulheres busca o combo: homem bem sucedido e com muito dinheiro. Pode ser até velho, mas se tiver dinheiro, melhor ainda. Porque estas mulheres bombardeadas pela mídia querem ter uma Louis Vuitton para chamar de sua, viagens pelo mundo e para espantar o tédio de uma tarde sem fazer nada, que tal uma massagem? Uma visita ao cabeleireiro? Porque mulher poderosa jamais será recatada e do lar, ou dona de casa e estragar a unha postiça lavando louça! O bom mesmo é ostentar aquele carrão, as joias, o marido (de pedigree e bem treinado) e os filhos educados pela babá e fazer inveja as "amigas".

E os homens? Nunca vi os homens sendo tão machos e tão menos homens com H maiúsculo. O homem verdadeiramente homem é líder, não ditador, governa a família com amor, dá a vida pela amada. Utopia? Talvez seja e por isso está escrito na Bíblia, livro que recebe a alcunha de manual de fanáticos, primitivos e semi analfabetos.

Então, neste mundo onde a fêmea anda quase nua para se sentir empoderada e o macho não pode nem assobiar "fiu, fiu". Onde sexo é moeda de troca (e aqui não falo da prostituição como profissão), onde o fraco sempre sofrerá na mão do mais forte (pode ser homem, mulher, jovem ou velho, criança, branco ou negro), onde as pessoas não mais pensam porque gastam toda a vida em redes sociais, tv ou qualquer inutilidade do tipo, a cultura do estupro sempre estará à sombra e pronta para mostrar o mais perverso de nós.

Simone dos Santos

Que Deus abençoe a todos,

Alexandros Meimaridis

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quarta-feira, 15 de junho de 2016

A CULTURA DO ESTUPRO


Diante de mais uma afirmação despropositada afirmação de sua excelência o deputado Federal e dublê de pastor Marco Feliciano de que não existe cultura do estupro no Brasil, achamos por bem publicar o artigo abaixo de autoria do professor Wilson Roberto Vieira Ferreira.

Cultura do Estupro revela "machismo 2.0"
Wilson Roberto Vieira Ferreira

A grande mídia escandaliza-se com o estupro coletivo de uma menina no Rio de Janeiro e clama por um país menos machista e sexista. Mas por anos deu espaço para frotas e gentilis, enquanto sua programação sempre foi patrocinada por anúncios onde a mulher-objeto-fetiche é a isca principal para produtos e serviços. A chamada cultura do estupro deve ser contextualizada no surgimento do “machismo 2.0”: uma nova forma de sexismo cujas bases estão lá na velha ordem patriarcal, mas que agora é repaginado e turbinado pelo complexo sociedade de consumo/indústria publicitária/grande mídia, capazes de criar uma nova cadeia de produção imaginária: voyeurismo-exibicionismo-sadismo. Imaginária, mas com sérias repercussões no mundo real.

O que mais chama a atenção no debate atual sobre a chamada “cultura do estupro”, principalmente com o impacto das notícias sobre o episódio do estupro coletivo ocorrido em uma comunidade no Rio de Janeiro, é que em todas as falas aponta-se unicamente para uma cultura “machista e sexista” arcaica e retrógrada que seria a responsável pelas 50 mil notificações anuais de crimes sexuais no País.

Mas são poucos aqueles que lembram de fatores mais contemporâneos: a sociedade de consumo e a cultura midiática. Aproxima-se a cultura do estupro de uma “cultura da superioridade” resultante de uma educação onde para os meninos é mostrada a sua suposta superioridade natural em relação às meninas. Porém, essa cultura machista é restrita à crítica a uma ordem patriarcal e masculina. Uma reação da cultura machista ao crescente protagonismo feminino na sociedade.

Como sempre, a grande mídia põe à mostra sua natureza esquizofrênica ao repercutir o episódio:

(a) Escandaliza-se, mas por outro lado nos últimos anos deu espaço midiático a frotas, gentilis, felicianos, a chamada bancada da Bala, da Bíblia e do Boi no Congresso e toda sorte de personagens mais retrógrados, retirados do fundo da caixa de Pandora para afrontar, desestabilizar e finalmente derrubar o governo Dilma;

(b) Tem sua grade de programação diária patrocinada por filmes publicitários que promovem produtos e serviços onde a mulher é exposta como isca, objeto sexual ou colocada em plots onde é apresentada como naturalmente submissa ao poder físico ou financeiro masculino. O telejornal mostra âncoras e entrevistados indignados para pouco tempo depois mostrar o anúncio do “vai verão, vem verão” de uma conhecida marca de cerveja com uma mulher segurando uma bandeja em trajes sumários.


Produção imaginária

Acredito que é a partir dessa natureza esquizoide da grande mídia que a questão da cultura do estupro deve ser discutida. Mais precisamente, a partir da ordem sociedade de consumo/indústria publicitária/grande mídia. Uma ordem mais poderosa e que se sobrepôs à ordem patriarcal, a origem de todo o machismo, por assim dizer, tradicional que estaria por trás do revoltante episódio do estupro coletivo.

Esse machismo da velha ordem patriarcal deu lugar a um, digamos, machismo 2.0, dessa vez repaginado e turbinado pela sociedade de consumo e indústria publicitária para ser veiculado pela grande mídia.

Estupro não é uma questão de prazer ou tesão, mas de poder: poder de dominar o corpo do outro (sadismo), para mostrá-lo como uma conquista em vídeos ou fotos em redes sociais (exibicionismo) para o prazer anônimo de onanistas (voyeurismo).

Essa cadeia de produção imaginária é análoga a da promoção do consumo, mudando apenas a ordem dos elementos da cadeia: pessoas que veem imagens distantes do objeto do desejo nos anúncios (voyeurismo) sonhando possuí-los e ostentá-los (exibicionismo) como moeda social para se impor sobre o outro (sadismo).

 

Freud explica?

Esse machismo 2.0 se fundamenta nas mesmas origens da ordem patriarcal, em torno da chamada matriz fálica descrita pela psicanálise freudiana – o primeiro simbolismo introjetado pela criança, o simbolismo universal de poder sobre o qual o papel sexual masculino será estruturado. O Falo como a “premissa universal do pênis”, a louca crença infantil que não existe diferença entre os sexos, todos têm um pênis. Existe apenas um órgão genital, e tal órgão é masculino.

Essa fantasia de origem narcísica primária é diluída com a descoberta do outro: algumas crianças não têm pênis o que para o homem corresponderá à fantasia da “perda do pênis” ou aquilo que Freud descreveu como “complexo de castração”, o ponto frágil da afirmação sexual masculina.

Esta imagem da perda permanecerá para sempre associada ao psiquismo masculino de forma traumática e o medo da castração continuará perseguindo a realização sexual como um fantasma. No adulto, o medo da castração não se manifestará dessa forma tão literal: a castração se manifestará no medo da impotência (seja sexual, financeira ou social). Por isso, o homem estará condenado a ter que provar continuamente que jamais será castrado, será empurrado para situações onde terá de, continuamente, provar a masculinidade e a potência fálica: no desempenho sexual atlético, nos ganhos financeiros, na habilidade em manipular símbolos de status e prestígio, etc.

Esta ansiedade vai marcar negativamente a qualidade das relações com o sexo oposto. A forma de o homem perceber a mulher será prejudicada ao ver nela nada mais do que um campo de provas da potência fálica. A ansiedade da comprovação fálica empurrará o psiquismo masculino a procurar não a mulher, mas mulheres, num sentido genérico e abstrato. O investimento afetivo tomase difícil e transitório.

A simples presença da mulher tornase uma ameaça à segurança fálica masculina. Ela significa, per si, a cobrança de uma tomada de posição ou a castração em potencial: a possibilidade do fracasso. Por isso ela deve ser dominada, neutralizada. O corpo feminino deve ser reduzido a fragmentos, a objetos, para ser melhor dominado. É o surgimento do fetichismo sexual. O corpo real feminino é neutralizado pelo fascínio por fragmentos: pés, olhos, cabelos, ou acessórios associados a alguma destas partes como sapatos, luvas, etc.


Machismo 2.0 e a cultura do estupro

O que era fragilidade e ansiedade originada no medo da castração, com o complexo sociedade de consumo/publicidade/mídia tudo isso é amplificado com o pânico da castração.

A presença constante da mulher como objeto promotor de mercadorias de luxo ou de marcas corresponde ao desafio da potência masculina: “quer uma mulher como essa? Pois então compre um carro como esse. Prove que jamais será castrado!”. Para Freud a ansiedade da castração jamais é resolvida no psiquismo masculino, tornando-se uma inesgotável ferramenta de promoção de consumo de bens com alto valor agregado.

A cada anúncio de cerveja com mulheres que servem aos homens com uma bandeja, a cada filme com uma mulher fascinada olhando para um carro dirigido por um homem vitorioso e a cada feira ou exposição com atraentes modelos se oferecendo como isca ou miragem, a mulher torna-se na atualidade num suporte/meio/condutor da promessa de realização da potencia fálica.

Se na antiga ordem patriarcal, a mulher sempre foi uma ameaça que tinha de ser neutralizada como um objeto (seja como dona de casa sem direitos, seja como prostituta reduzida à condição de objeto-fetiche), hoje com a ordem globalizada de consumo a mulher foi promovida a uma moeda genérica de troca.

Neutralizar a ameaça feminina

Essa generalização da mulher na publicidade como estratégia para explorar o pânico da castração é visível com a regressão das fantasias fálicas às fantasias orais. Se no imaginário masculino isso esteve sempre latente (em expressões “comer a mulher”, “mulher gostosa” etc.) hoje é ampliado ao associar essa experiência ao próprio produto: a cerveja é a mulher que você bebe, o sundae com fritas do Mac Donald’s é a experiência da primeira namorada, a compra impulsiva com o cartão de crédito que a modelo tem próximo à boca etc.

O medo da castração cresce exponencialmente com a promoção da mulher a isca generalizada de produtos e serviços. A mulher submetida a uma nova cadeia de produção imaginária na seguinte sequência: voyeurismo-exibicionismo-sadismo.

As formas de perversão sexual e de objetos-fetiche sempre foram estratégias do psiquismo para neutralizar a ameaça que a mulher representa à segurança fálica masculina. Mas hoje, quando a mulher tornou-se onipresente através de voz, corpos e olhares, a cobrança à fragilidade do medo da castração tornou-se muito maior.

A crescente violência masculina é a revanche contra a ameaça da impotência que a sociedade de consumo o ameaça ao tornar todo produto ou serviço numa promessa fálica nunca realizada. Impotentes e castrados, homens veem mulheres e produtos inalcançáveis, restritos apenas a uma elite de vencedores.


O medo da castração global transforma-se em revanche masculina local: o estupro, o assédio, a violência - encoxar uma mulher no metro lotado, espancar a namorada por ciúmes, o estupro oportunista de uma mulher alcoolizada, a separação hipócrita das mulheres em tipo “para casar” e daquelas que são “para comer” e assim por diante.

O artigo original poderá ser visto por meio desse link aqui:


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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sábado, 24 de maio de 2014

O OPUS DEI E AS MULHERES


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O material que apresentamos abaixo foi publicado, originalmente, no site do Brasil Post em seu caderno de comportamento. A autora do artigo nasceu no ceio de uma família envolvida com uma das muitas divisões — seitas — que existem debaixo do grande guarda—chuva, chamado de Igreja Católica Romana: o Opus Dei.

A Prelazia da Santa Cruz e Opus Dei — do latim: Obra de Deus é uma das muitas divisões existentes dentro da Igreja Católica Apostólica Romana. Ela existe como instituição hierárquica da Igreja Católica, e trata-se de uma Prelazia Pessoal do papa a quem juram lealdade e a quem respondem com exclusividade. O Opus Dei é composto por leigos, casados, solteiros e sacerdotes. Sua missão é participar dos esforços evangelizadores da Igreja de Roma.

O Opus Dei foi fundado no dia 2 de outubro de 1928 por São Josemaría Escrivá de Balaguer, sacerdote espanhol canonizado em 2002. No dia 28 de novembro de 1982 o papa João Paulo II através da Constituição Apostólica Ut Sit1 constituiu o Opus Dei como prelazia pessoal.

O artigo abaixo traz o testemunho pessoal de uma mulher que durante 18 anos esteve como verdadeira prisioneira desse sistema perverso, que de forma absurda recebe o nome de “Opus Dei”.

Segue o artigo:

Como foi ser mulher e crescer no Opus Dei

Publicado: 15/05/2014


por Nana Queiroz

Devo ser um dos projetos mais fracassados do Opus Dei no Brasil. Nasci em uma família do que eles chamam supernumerários (casais que dedicam a vida a espalhar a mensagem do Opus Dei), cresci ouvindo palestras e aulas sobre sua doutrina.

Para quem não sabe, o Opus Dei é uma entidade da Igreja Católica, e não uma seita como muitos dizem. Também não tem nada a ver com toda aquela baboseira do Código da Vinci, a começar pelo fato de que não existem monges no Opus Dei e matar pessoas estaria completamente fora de questão mesmo para os mais apaixonados.

Digo isso porque o Opus Dei já tem defeitos demais para ser acusado dos que não tem. E o primeiro deles é sua doutrina com relação às mulheres.

Certo verão, quando eu tinha 14 anos, cheguei para uma das palestras na casa do Opus Dei na Vila Mariana, em São Paulo, com um blusinha regata extremamente confortável. Uma das mulheres que viviam na casa em esquema de completa dedicação (ela havia abdicado de namorar e ter família, por exemplo, pelo que ela acreditava ser correto) chegou para mim e disse:

- Sei que você é magrinha e não tem um corpo muito provocativo (!), mas você nunca deve subestimar o efeito que tem nos homens. Não vai querer ser responsável pelo pecado de outra pessoa, né?

Acho que este foi o primeiro momento em que eu senti que aquela instituição era absurda e eu deveria sair correndo. Que tipo de pensamento é este de que eu sou responsável pelo que outra pessoa pensa ou faz só porque estou com calor???

Era a culpabilização da mulher pelas atrocidades do homem ali, falando na voz da religião.

Durante minha adolescência, enfrentei diversos momentos em que isso foi reforçado. Quando comecei a namorar, aos 15, tinha muito medo de ir para o inferno porque meu namorado tinha tido uma ereção ao me beijar. Fui a um padre e perguntei o que deveria fazer. Ele me respondeu:

- Você é a condutora da carruagem, se há risco, não deve nem beijar seu namorado, para não perder o controle dos cavalos.

O pobre do meu primeiro namoradinho topou o desafio e me namorou sem beijo na boca nem nada por algum tempo. Um abraço querido nele, se estiver lendo isso.

Eu não vou falar sobre casar virgem e outros princípios das religiões. Posso discordar deles (profundamente, aliás), mas defendo até a morte o direito das pessoas terem suas convicções e viverem conforme mandam suas consciências. O que não admito é que a religião seja usada para colocar as mulheres em uma posição de profunda culpa como a que eu vivi durante minha adolescência.

Via meu corpo como um convite ao crime e um risco eterno de ganhar o inferno sem nem saber. Passava calor por medo de ser vista de maneira sexual. Se um homem me olhasse de um jeito que eu não queria, a culpa era minha, eu convidei o olhar, afinal. Se alguém passasse a mão em mim eu deveria pensar em que roupa tinha usado para provocar este comportamento no homem.

Aos 18 anos, me libertei da religião dos meus pais e nunca mais pisei no Opus Dei. Ainda sou muito espiritualizada, mas temo religiões como as crianças temem o Bicho Papão.

Claro, devo a eles uma série de coisas bonitas, como o ensinamento de que meu trabalho deve sempre estar a serviço do mundo que quero construir. Respeito profundamente as pessoas que encontram ali um significado para suas vidas, como meus pais e um dos meus irmãos. Mas nunca consegui perdoá-los por como me fizeram perceber meu corpo. Pior: por como me fizeram perceber como mulher. Espero que um dia eles pensem sobre isso e mudem. Eu acredito em transformações.

O artigo original poderá ser lido por meio desse link aqui:


OUTROS ARTIGOS ACERCA DA IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA
















































Que Deus Abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

NÃO PENSO, LOGO RELINCHO

burro do Shrek
Burro do Shrek

A crônica abaixo foi escrita pelo jornalista Marcelo Pichonelli para a revista Carta Capital. A mesma reflete, em boa medida, a atitude mental que tem tomado conta de grande parte do povo que gosta de se chamar evangélico no Brasil. E é esse o principal motivo que nos leva a reproduzir a mesma a seguir:

Crônica / Matheus Pichonelli

Não penso, logo relincho

Um glossário com a lista dos principais clichês repetidos pelas redes sociais para justificar, no discurso, um mundo de violência e exclusão.

Dizem que uma mentira repetida à exaustão se transforma em verdade. Pura mentira. Uma mentira repetida à exaustão é só uma mentira, que descamba para o clichê, que descamba para o discurso. E o discurso, quando mal calibrado, é o terreno para legitimar ofensas, preconceitos, perseguições e exclusões ao longo da História. Nem sempre é resultado da má-fé. Por estranho que pareça, é na maioria das vezes fruto da indigência mental – uma indigência mental que assola as escolas, a imprensa, as tribunas, as mesas de bares, as redes sociais. Com os anos, a liberdade dos leitores para se manifestar sobre qualquer assunto e o exercício de moderação de comentários nos levam a reconhecer um clichê pelo cheiro. Listamos alguns deles abaixo com um apelo humanitário: ao replicar, você não está sendo original; está apenas repetindo uma fórmula pronta sem precisar pensar sobre tema algum. E um clichê repetido à exaustão, vale lembrar, não é debate. É apenas relincho*.

“Negros têm preconceitos contra eles mesmos”

Tentativa clássica de terceirizar o próprio racismo, é a frase mais falada das redes sociais durante o Dia da Consciência Negra. É propagada justamente por quem mais precisa colocar a mão na consciência em datas como esta: pessoas que nunca tomaram enquadro na rua nem foram preteridas em entrevistas de emprego sem motivos aparentes. O discurso é recorrente na boca de quem jamais se questionou por que a maioria da população brasileira não circula em ambientes frequentados pela elite financeira e intelectual do País, como universidades, centros culturais, restaurantes, shows e centros de compra. Tem a sua variação homofóbica aplicada durante a Parada Gay. O sujeito tende a imaginar que Dia Branco e Dia Hétero são equivalentes porque ignora os processos históricos de dominação e exclusão de seu próprio país.

“Não precisamos de consciência preta, parda ou branca. Precisamos de consciência humana”

Eis uma verdade fatiada que deixa algumas perguntas no contrapé: o manifestante a exigir direitos iguais não é gente? O que mais se busca, nessas datas, se não a consciência humana? Ou ela seria necessária, com ou sem feriado, caso a cor da pele (ou o gênero ou a sexualidade) não fosse, ainda hoje, fatores de exclusão e agressão?

“Héteros morrem mais do que homossexuais. Portanto, somos mais vulneráveis”

É o mesmo que medir o volume de um açude com uma régua escolar. Crimes como homicídio, latrocínio, roubo ou furto têm causas diversas: rouba-se ou mata-se por uma carteira, por ciúmes, por fome, por motivo fútil, por futebol, mas não necessariamente por causa da orientação sexual da vítima. O argumento é utilizado por quem nunca se perguntou por que ninguém acorda em um belo dia e decide estourar uma barra de ferro na cabeça de alguém só porque este alguém gosta e andar de mãos dadas com alguém do sexo oposto. O crime motivado por ódio contra heterossexuais é tão plausível quanto ser engolido por uma jaguatirica em plena Avenida Paulista.

“Estamos criando uma ditadura gay (ou racial) no Brasil. O que essas pessoas querem é privilégio”

Frase utilizada por quem jamais imaginou a seguinte cena: o sujeito acorda, vê na tevê sempre os mesmos apresentadores, sempre as mesmas pautas, sempre as mesmas gracinhas. No caminho do trabalho, ouve ofensas de pedestres, motoristas e para constantemente em uma mesma blitz que em tese serviria para todos. Mostra documento, RG. Ouve risada às suas costas. Precisa o tempo todo provar que trabalha e paga imposto (além, é claro, de trabalhar e pagar imposto). Chega ao trabalho e é recebido com deferência: “oi boneca”; “oi negão”; “veio sem camisa hoje?”. Quando joga futebol, vê a torcida imitando um macaco, jogando bananas ao campo, ou imitando gazelas. E engasga toda vez que vira as costas e se descobre alvo de algum comentário. Um dia diz: “apenas parem”. E ouve como resposta que ele tem preconceito contra a própria condição ou está em busca de privilégio. Resultado: precisamos de um novo glossário sobre privilégios.

“A mulher deve se dar o valor”

Repetida tanto por homens como por mulheres, é a confissão do recalque, em um caso, e da incompetência, no outro: o homem recorre ao mantra para terceirizar a culpa de não controlar seus próprios instintos; a mulher, por pura assimilação dos mandamentos do pai, do marido e dos irmãos. Nos dois casos o interlocutor acredita que, ao não se dar o valor, a menina assume por sua conta e risco toda e qualquer violência contra sua pretensão. Para se vestir como quer, andar como quer, dizer e fazer o que quer com quem bem quiser, ouvirá, na melhor das hipóteses, que não é a moça certa para casar; na pior, que foi ela quem provocou a agressão.

“Os homens também precisam ser protegidos da violência feminina”

Na Lua, é possível que a violência entre gêneros seja equivalente. Na Terra, ainda está para aparecer o homem que apanhou em casa porque foi chamado de gostoso na rua, levou mão na bunda, ouviu assobios ou ruídos com a língua sem pedir a opinião da mulher. Também não há relevância estatística para os homens que tiveram os corpos rasgados e invadidos por grupos de mulheres que dominam as delegacias do País e minimizam os crimes ao perguntar: “Quem mandou tirar a camisa?”.

“Se ela se deixou ser filmada, é porque quis se exibir”.

Verdade. Mas não leva em conta um detalhe: existe alguém do outro lado da tela, ou da câmera. Este alguém tem um colchão de conforto a seu favor. Se um dia o vídeo vazar, será carregado nos braços como comedor. Ela, enquanto isso, vai ser sempre a exibida. A puta. A idiota que deixou ser flagrada. A vergonha da família. A piada na escola. Parece uma relação bastante equilibrada, não?

“O humor politicamente correto é sacal”

É a mais pura verdade em um mundo no qual o politicamente incorreto serve para manter as posições originais: ricos rindo de pobres, paulistas ridicularizando nordestinos, brancos ricos fazendo troça de mulatos pobres, machões buscando graça na vulnerabilidade de gays e mulheres. As provocações são brincadeiras saudáveis à medida que a plateia não se identifica com elas: a graça de uma piada sobre português é proporcional à distância do primeiro português daquele salão. Via de regra, a frase é usada por quem jura se ofender quando chamado de girafa branca tanto quanto um negro ao ser chamado de macaco. Só não vale perguntar se o interlocutor já foi chamado de “elemento suspeito”, com tapas e humilhações, pelo simples fato de ser alto como o artiodátilo.

“Bolsa Família incentiva a vagabundagem. Pegar na enxada e trabalhar ninguém quer”

Há duas origens para a sentença. Uma advém da bronca – manifestada, ironicamente, por quem jamais pegou em enxada – por não se encontrar hoje em dia uma boa empregada doméstica pelo mesmo preço e a mesma facilidade. A outra origem é da turma do “pegar o jornal e ler além do horóscopo ninguém quer”; se quisesse, o autor da frase saberia que o Bolsa Empreiteiro (que também dispensa a enxada) consome muito mais o orçamento público do que programa de transferência de renda. Ou que a maioria dos beneficiários de Bolsa Família não só trabalha como é obrigada a vacinar os filhos, manter a regularidade na escola e atravessar as portas de saída do programa. Mas a ojeriza sobre números e fatos é a mesma que consagrou a enxada como símbolo do nojo ao trabalho.

“Na ditadura as coisas funcionavam”

Frase geralmente acolhida por pacientes com síndrome de Estocolmo. Entre 1964 e 1985, a economia nacional crescia para poucos, às custas de endividamento externo e da subserviência a Washington; universalização do ensino e da saúde era piada pronta, ninguém podia escolher os seus representantes, a imprensa não podia criticar os generais e a sensação de segurança e honestidade era construída à base da omissão porque ninguém investigava ninguém. Em todo caso, qualquer desvio identificado era prontamente ofuscado com receitas de bolo na primeira página (os bolos eram de fato melhores).

“Você defende direito de presos porque ele não agrediu ninguém da sua família”.

É o sofisma usado geralmente contra quem defende o uso das leis para que a lei seja garantida. Para o sujeito, aplicação de penas e encarceramentos são privilégios bancados às custas dele, o contribuinte. Em sua lógica, o Estado só seria efetivo se garantisse a sua segurança e instituísse a vingança como base constitucional. Assim, a eventual agressão contra um integrante de uma família seria compensada com a agressão a um integrante da família do acusado. O acúmulo de experiência, aperfeiçoamento de leis e instituições, para ele, são papo de intelectual: bons eram os tempos dos linchamentos, dos apedrejamentos públicos, da Lei de Talião. Falta perguntar se o defensor do fuzilamento está disposto a dar a cara a tapa, ou a tiro, quando o filho dirigir bêbado, atropelar, agredir e violentar a família de quem, como ele, defende penas mais duras para crimes inafiançáveis.

“A criminalidade só vai diminuir quando tiver pena de morte no Brasil”

Frase repetida por quem admira o modelo prisional e o corredor da morte dos EUA, o país mais rico do mundo e ao mesmo tempo o mais violento entre as nações desenvolvidas. Lá o crime pode não compensar (em algum lugar compensa?), mas está longe de ser varrido junto com seus meliantes.

“Político deveria ser tratado por médico cubano”

Tradução: “não gosto de política nem de cubano”. Pelo raciocínio, todo paciente tratado por cubanos VAI morrer e todo político que precisa de tratamento médico DEVE morrer. Para o autor da frase, bons eram os tempos em que, na falta de médico brasileiro, deixava-se o paciente morrer – ou quando as leis eram criadas não pelo Legislativo, mas pelo humor de quem governa na canetada.

“Deveriam fazer testes de medicamento em presidiários, não em animais”

Também conhecida como “não aprendemos nada com a parábola do filho Pródigo que tantas vezes rezamos na catequese”. É citada por quem não aceita tratamento desumano contra os bichos, mas não liga para o tratamento desumano contra humanos. É repetida também por quem se imagina livre de todo pecado e das grandes ironias da vida, como um certo fiscal da prefeitura de São Paulo que um certo dia criticou o direito ao indulto de presidiários e, no outro, estava preso acusado de participação na máfia do ISS. É como dizem: teste de laboratório na cela dos outros é refresco.

“Por que você não vai para Cuba?”

Também conhecida como “acabou meu estoque de argumentos. Estou andando na banguela”.

A reportagem original poderá ser vista por meio desse link aqui:


O autor gostaria também de dar uma pequena contribuição ao “Não Penso, Logo Relincho”. Trata-se de muitos — centenas — que me escrevem todos os dias para me dizer que minhas crítica são sinal de inveja? Inveja? Hum, vejamos:

1. Normalmente o objeto das minhas críticas estão voltadas para indivíduos tais como: Macedo, Duque, Santiago, Malafaia, Akiva, o deputado e dublê de pastor Feliciano, o pastor cheirador de Bíblia e outros curiosos personagens semelhantes a eles.

2. Não gostaria de me comparar, pessoalmente com nenhum deles, por que creio que as informações que disponibilizo no site são suficientes das diferenças fundamentais que existem entre eu e tais indivíduos. Portanto, não existe nenhuma inveja aí.

3. Agora, se querem falar do tamanho de igrejas ou para quantas pessoas esse ou aquele costuma pregar, quero dizer que já entendi, há muito tempo, que o importante não é o tamanho da congregação e sim a gloriosa presença de Jesus no meio dela. E digo mais, que minha alma está plenamente satisfeita com as palavras de Jesus e de Paulo:

Mateus 7:13—14

13 Entrai pela porta estreita (larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela),

14 porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela.

Mateus 18:20  .

Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles.

Lucas 12:32.

Não temais, ó pequenino rebanho; porque vosso Pai se agradou em dar-vos o seu reino.

1 Coríntios 1:26—29

26 Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação; visto que não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento;

27 pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes;

28 e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são;

29 a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus.

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

SERMÃO EM ÁUDIO — O PAI NOSSO — DEUS COMO PAI E MÃE – SERMÃO 004



Você poderá ouvir o sermão de domingo — 5 de Janeiro de 2013 — pregado na Igreja Presbiteriana Boas Novas que deu continuidade à nossa exposição da “Oração do Pai Nosso” ensinada por Jesus. Para isso basta clicar no link abaixo para ser direcionado diretamente para a página do sermão em áudio. Se desejar você também poderá fazer o download do mesmo.



OUTROS SERMÕES NA SÉRIE: “O PAI NOSSO” — MATEUS 6:9—13

SERMÃO 001 — INTRODUÇÃO AO PAI NOSSO

SERMÃO 002 — O TERMO “PAI” — PARTE 1

SERMÃO 003 — O TERMO “PAI” — PARTE 2

SERMÃO 004 — DEUS COMO PAI E MÃE

SERMÃO 005 — PAI NOSSO QUE ESTÁ NOS CÉUS

SERMÃO 006 — INTRODUÇÃO À ESTRUTURA  DO PAI NOSSO

SERMÃO 007 — SANTIFICADO SEJA O TEU NOME

SERMÃO 008 — SANTIFICADO SEJA O TEU NOME — Parte 2

SERMÃO 009 — VENHA O TEU REINO — Parte 1

SERMÃO 010 — VENHA O TEU REINO — Parte 2

SERMÃO 011 — FAÇA-SE A TUA VONTADE ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU

SERMÃO 012 — O PÃO NOSSO DE CADA DIA DÁ-NOS HOJE

SERMÃO 013 — PERDOA-NOS AS NOSSAS DÍVIDAS ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS AOS NOSSOS DEVEDORES.

SERMÃO 014 — E NÃO NOS DEIXES CAIR EM TENTAÇÃO; MAS LIVRA-NOS DO MAL, POIS TEU É O REINO, O PODER E A GLÓRIA PARA SEMPRE. AMÉM!

Que Deus abençoe a todos

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.