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quarta-feira, 4 de maio de 2016

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 010 — O LUGAR DO CANON NA TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO



Esse é um estudo especial que irá abordar temas de grande interesse, tais como: 1. Deus 2. Os seres humanos e o mundo criado 3. Jesus e Sua missão como o CRISTO. 4. O Espírito Santo. 5. A vida cristã. 6. A Igreja. 7. O futuro e etc. Esperamos que a mesma possa ajudar todos os nossos leitores a conhecerem melhor o que o Novo Testamento ensina acerca de tudo o que nos é importante.

INTRODUÇÃO GERAL

O LUGAR DO CANON DA TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO

Nos dois estudos anteriores nós já tivemos a oportunidade de discutir alguns aspectos de canonicidade. Naquela oportunidade mencionamos que muitos estudiosos não aceitam restringir a pesquisa referente a Jesus Cristo apenas aos textos contidos no Novo Testamento, mas desejam expandir a pesquisa para incluir, em pé de igualdade, toda a literatura não canônica. Como alega um defensor dessa tese, nenhum escrito do Novo testamento foi produzido com uma etiqueta de canônico. Partindo dessa premissa, esses estudiosos alegam que qualquer pessoa que aceita apenas os livros constantes do Novo Testamento está, na verdade, se submetendo a opinião dos pais da igreja que viveram entre os séculos II até IV da Era cristã. Mas as coisas não podem ser tão simples nem tão diretas assim, Tal afirmação é, na realidade, uma representação equivocada dos fatos.

É fato que o Canon do Novo Testamento foi reconhecido e aceito por bispos e teólogos do período mencionado acima, mas esse processo não teve início com eles. Nós podemos afirmar que o conceito da Teologia do Novo Testamento exige o reconhecimento da existência duma coleção literária de modo especial e preferencial. Adolf Schlatter disse o seguinte a esse respeito: “Ao canonizar certo grupo de manuscritos, as gerações que seguiram os apóstolos expressar, com clareza, o exato lugar de onde eles encontraram a palavra por meio da qual a igreja surgiu e também de onde recebe a seiva vital para sua existência através de todas as épocas”[1]. Desse modo é apenas correto entendermos que a Teologia do Novo Testamento encontra-se firmemente alicerçada num conjunto literário aceito como inspirado.

Uma segunda questão que precisamos abordar é se a expressão um Canon dentro do Canon é correta e qual é o efeito da mesma para o estudo da Teologia do Novo Testamento? Em outras palavras, é possível um intérprete adotar somente parte do material contido no Novo Testamento ou ele está obrigado a utilizar todo o material existente nos vinte livros que compõem o Novo Testamento? A ideia do Canon dentro do Canon foi introduzida por E. Käsemann que foi forte defensor da mesma[2]. Ainda assim essa ideia não era completamente nova. Foi Martinho Lutero quem abriu essa estrada com sua argumentação que existiam livros no Novo Testamento que possuíam valor absoluto que era maior do que outros livros. Lutero considerava as epístolas aos Romanos e aos Gálatas superiores à epístola de Tiago, por exemplo. Para Lutero essa última era uma epístola de palha. Mesmo assim há estudiosos que negam que Lutero defendia a ideia de um Canon dentro Canon, como acontece com N. B. Stonehouse. Por outro lado, Rudolf Bultmann em sua Teologia do Novo Testamento[3] praticamente adota uma visão limitada do Canon ao se concentrar em Paulo e João. Já Werner Kümmel em sua Síntese Teológica do Novo Testamento[4] repete Bultmman, mas aceita o material referente aos ensinamentos de Jesus. Em todos esses casos não é difícil perceber que os limites da Teologia do Novo Testamento são estabelecidos não pelo próprio Novo Testamento, mas pelos seus intérpretes. Mas seria esse um procedimento legítimo?

Caso aceitemos uma função meramente descritiva atribuída à Teologia do Novo Testamento, essa última questão é irrelevante se algumas partes menores do Novo Testamento fossem suprimidas. Mas se existe qualquer sentido por meio do qual os processos de pensamento do Novo Testamento possam ser considerados como uma força normativas, então o intérprete não está autorizado a escolher o material que deseja utilizar e rejeitar o restante, como base para seu trabalho. Tal abordagem sempre estará sujeita a um severo escrutínio.

Outro aspecto que vale a pena ser levando nesse contexto é a ideia defendida por James D. G. Dunn[5] em seu livro acerca da unidade e da diversidade que encontramos no Novo Testamento. Para Dunn a própria igreja criou diversos Canons dentro do Canon ao adotar determinadas porções em sua atividades, especialmente aquelas que estão relacionadas a lecionários[6]. Mas devemos deixar claro que a existência de lecionários não pode ser usada como base para se determinar o escopo da Teologia do Novo Testamento. Sempre que uma denominação enfatiza mais uma parte das Escrituras do que outras é função primordial da Teologia do Novo Testamento oferecer o corretivo necessário. Nossa preocupação primária deve estar centrada em determinar que materiais escritos oferecem uma base sólida para nossos estudos e não podemos aceitar nenhuma abordagem que dependa duma abordagem seletiva dos livros do Novo Testamento.

Essa perspectiva deve também ser aplicada contra aqueles que não aceitam que Efésios, Colossenses e as Epístolas Pastorais sejam material originalmente produzido pelo apóstolo Paulo. Não é possível fazer Teologia do Novo Testamento quando tratamos o material paulino desse modo. Nenhuma Teologia do Novo Testamento terá uma base sólida se for edificada sobre a areia movediça da não aceitação do Canon. Nós aceitamos que todas as epístolas atribuídas a Paulo no Novo Testamento são da lavra do apóstolo dos gentios.

Mais adiante iremos discutir a questão pertinente à unidade do Novo Testamento. Por hora é suficiente afirmar que unidade no Novo Testamento representa a ideia do Canon. O Novo Testamento é uma coleção de livros autoritativos e, essa verdade, deve ser mantida com a maior clareza possível, para o bem tanto do estudioso como dos seus leitores. Com isso não estamos descartando a possibilidade de diversidade, pois reconhecemos que tal diversidade está bem presente no Novo Testamento. Mas essa diversidade dever ser sempre entendida como significando o seguinte: temos no Novo Testamento formas diversa por meio das quais a unidade do mesmo se manifesta. Não podemos aceitar nenhuma ideia de que o Novo testamento seja uma coleção fragmentária como defende Ernest Käsemann. Quando aceitamos ideias como essas é bem evidente que a Teologia do Novo Testamento resultante sempre será defeituosa. Dessa forma, a melhor coisa que alguém que pretende escrever ou estudar uma Teologia do Novo Testamento tenha bem sólida a ideia que todo o material que encontramos no Novo Testamento, sem exceção, é parte do Canon.

OUTROS ARTIGOS ACERCA DA TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO

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[1] Schlatter, A. Neutestamentliche Theologie. Stuggart, Calwer Verlag, 1922—1923.
[2] Käsemann, E. New Testament Questions of Today. SCM Press, London, 1969.
[3] Bultmann, Rudolf. Teologia do Novo Testamento. Academia Cristã, Santo Andre, 2008.
[4] Kümmel, Eernest Georg. Síntese Teológica do Novo Testamento. Co-edição da Editora Teológica e Paulus, São Paulo, 2003.
[5] Dunn, James D. G. Unity and Diversity in The New Testament – Na Inquiry Into The Character of Earliest Christianity. The Westminster Press, Philadelphia, 1980.
[6] Lecionários = Compilações de textos sagrados para leitura devocional em cultos ou cerimônias. Geralmente cobrem um período de três anos. 

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 008 — A IMPORTANTE DISTINÇÃO ENTRE TEOLOGIA E RELIGIÃO



Esse é um estudo especial que irá abordar temas de grande interesse, tais como: 1. Deus 2. Os seres humanos e o mundo criado 3. Jesus e Sua missão como o CRISTO. 4. O Espírito Santo. 5. A vida cristã. 6. A Igreja. 7. O futuro e etc. Esperamos que a mesma possa ajudar todos os nossos leitores a conhecerem melhor o que o Novo Testamento ensina acerca de tudo o que nos é importante.

INTRODUÇÃO GERAL

CONTINUAÇÃO:

A IMPORTANTE DISTINÇÃO ENTRE TEOLOGIA E RELIGIÃO

Diversos teólogos adotam a postura de tentar tratar o Novo Testamento a partir de bases exclusivamente históricas. Essa atitude, além de ser comum entre teólogos também permite que historiadores e pseudoconhecedores também produzam massivos volumes, pretendendo que a história que conhecem os torna, num passe de mágica, também em grandes conhecedores da Escrituras Sagradas. Isso está longe da verdade. Não precisa nem ir muito longe na leitura dos seus livros para observar que suas obras são completamente especulativas e têm pouco a ver com a realidade dos fatos como apresentados no Novo Testamento. Já tivemos, aqui mesmo no Blog o Grande diálogo, a oportunidade de analisarmos diversas dessas obras.  

Todos esses autores produzem suas obras como uma espécie de reação consciente à mais antiga abordagem representada dogmática. Todos eles creem que quaisquer vínculos que existem entre dogmática e história precisam ser cortados e isso por um simples motivo: eles não acreditam nem no Deus das Escrituras e nem que o mesmo é capaz de se revelar. E tudo isso fica ainda mais confuso quando leem no Novo Testamento que Deus se revelou de modo especial por meio do Senhor Jesus Cristo. Alguns ainda condescendem com a ideia que os textos bíblicos refletem certa preocupação com a história da religião. O resultado disso tudo é que, para esses autores a teologia do Novo Testamento, propriamente dita, é deixada completamente de lado, já que os mesmos se perdem em meio a, muitas vezes, ridículas especulações históricas.

Os autores que estamos analisando, e que já foram mencionados em outras partes desse estudo, representam um desafio que vai muito além do termo “teologia” em si mesmo. Quando eles falam de religião, geralmente estão se referindo a certa descrição do cristianismo primitivo. Nessa abordagem qualquer aplicação da doutrina ou dos ensinamentos do Novo Testamento, tornam-se inaplicáveis. Por isso, eles rejeitam, de forma absoluta, toda e qualquer ideia de dogmática, incluído-se aí, a aceitação do conteúdo do Novo testamento como possuidor de qualquer autoridade que seja, já que o mesmo não passa apenas de uma produção histórica sem nenhum valor atrelado à revelação. Chegam a ser completamente patéticos ao adotarem essa posição, porque são desonestos intelectualmente e sabem que estão sendo desonestos.

Uma vez rejeitado o texto sagrado e inspirado e feita a substituição da religião por uma teologia qualquer, esses autores não vêm nenhuma necessidade de restringirem seus ataques apenas ao cânon do Novo Testamento. A abordagem que costumam adotar é a mesma desenvolvida W. Wrede e já citada anteriormente, que inclui duas ideias principais: A maneira como o trabalho é desenvolvido —

1. Torna-se seletivo no que diz respeito aos livros do Novo Testamento.

2. A seguir o mesmo se move para muito além do texto do Novo Testamento para incluir os trabalhos dos chamados Pais Apostólicos.

Não precisamos ser gênios para entender os motivos porque agem dessa maneira: é que para eles não existe nenhuma distinção entre material inspirado por Deus e canônico e material não canônico e não inspirado por Deus. Eles não podem admitir nenhum material canônico e inspirado por Deus em nenhuma hipótese, até porque não creem que Deus, se existir, não pode se revelar. Quanta pretensão temos aqui da parte dessas pessoas em querer definir o que Deus pode ou não pode fazer.

Todavia, por outro lado, a distinção feita por Wrede entre teologia e religião teve um efeito benéfico: o Novo Testamento não pode ser considerado apenas como um depósito de material estéril do qual algum tipo de sistema de doutrina possa ser escavado. Se o pulso da vida da Igreja Primitiva não puder ser percebido na teologia, isso, fatalmente, nos conduzirá para uma teologia morta. Agora a pergunta que permanece e que iremos responder em nosso próximo estudo é: Será que os autores acerca dos quais falamos nesse artigo, costumam mesmo ir muito além do que devem ao insistir em analisar a religião em vez da teologia?  

CONTINUA...

OUTROS ARTIGOS ACERCA DA TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO

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quinta-feira, 6 de agosto de 2015

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 005— CONSIDERAÇÕES METODOLÓGICAS — PARTE 004



Concepção artística do apóstolo Paulo fazendo sua defesa.

ESSA É UMA SÉRIE DE ESTUDOS QUE VISA ABORDAR DA MANEIRA COMO CONSIDERAMOS APROPRIADA A IMPORTANTE QUESTÃO RELATIVA À RESSURREIÇÃO DE CRISTO. TOMANDO COMO BASE AS OBRAS DE GEERHARDUS VOS E HERMAN RIDDERBOS. NOSSA INTENÇÃO É MOSTRAR A CENTRALIDADE DA RESSURREIÇÃO DE CRISTO NA TEOLOGIA PAULINA.
CONTINUAÇÃO

A teologia bíblica é normalmente percebida apenas como um resumo ou esboço, do progresso do desenvolvimento da atividade revelatória e redentora de Deus na história da humanidade. Esse processo está restrito apenas ao que está escrito — i.e., da perspectiva histórico-redentora — a partir de um ponto de vista vantajoso.
Todavia, essa descrição é aplicada, de modo mais apropriado, apenas à teologia do Antigo Testamento. Com certeza, interesse com o progresso da revelação divina não está ausente na teologia bíblica do Novo Testamento. O que distingue esses dois campos é o fato, como notamos no estudo anterior, que o exegeta moderno, apesar de todas as diferenças culturais e temporais, se encontra, pelo menos a princípio, — i.e., em termos da História da Redenção — na mesma situação que os autores do Novo Testamento e, portanto, está envolvido com o apóstolo Paulo  — bem como com os outros autores do Novo Testamento — numa jornada interpretativa comum.

Essa diferença entre a teologia bíblica do Antigo Testamento com a teologia bíblica do Novo Testamento, já foi notada por B. B. Warfield, quando escreveu: Em seu ensino fundamental, o Novo Testamento serve, portanto, mais facilmente para aquilo que é chamado de dogmático do que aquilo que mencionado como sendo tratamento genérico[1]. Essa observação é uma referência direta à abordagem germânica dos estudos paulinos.

Mas essa linha de pensamento pode ser colocada de uma maneira diferente se observarmos que, o papel fundamental exercido por Paulo no processo de revelação, não pode ser divorciado de seu ofício como apóstolo e servo de Jesus Cristo. Em outras palavras, a qualificação de Paulo como um instrumento da revelação é feita em termos eclesiásticos. Isso, por sua vez, significa que a revelação inspirada e infalível que recebemos por seu intermédio é, ao mesmo tempo, o ensino autoritativo e a opinião — dogma — da própria Igreja do Senhor. E que, como os vários dogmas demonstram uma relação óbvia de uns para com os outros, um deles pode ser usado para fazer referência à sua teologia.

Até aqui, pelo menos, podemos afirma que algo das considerações metodológicas que fizemos nessa introdução tem importância para todo o corpo de estudos relacionados ao Novo Testamento e, de modo particular com as epístolas.

Entretanto, queremos aproveitar esse momento para enfatizar como tudo o que estamos dizendo, se aplica aos estudos paulinos. Nossas afirmações suprem a perspectiva apropriada para enxergarmos a exclusividade de seus escritos. Sendo mais específicos, estamos nos referindo a como o modo pervasivo e didático da natureza doutrinária dos ensinamentos de Paulo deve ser abordada, enquanto reconhecemos o interesse comum, bem como a situação comum em que nos encontramos dentro do contexto maior da História da Redenção. Os argumentos bem estruturados que encontramos nas epístolas paulinas não precisam de nenhum argumento a favor, especialmente quando consideramos os trabalhos realizados pelos estudiosos reformados. O próprio Warfield, mencionada acima, dizia: Paulo é o mais didático de todos os autores do Novo Testamento[2]. Todavia uma percepção dos fatores da História da Redenção envolvidos nessa discussão é necessária para podermos apreciar o significado mais profundo da qualidade doutrinária e do interesse sistemático nos escritos do apóstolo Paulo. Essa percepção supre a garantia necessária para falarmos da teologia de Paulo, no próprio sentido da palavra. No que diz respeito à teologia do apóstolo Paulo, nós devemos afirmar que o principium theologiae, as Escrituras, em si mesmas, contêm teologia, ou ainda melhor, que a natureza da continuidade entre a nossa teologia e seu principium — a Bíblia — são, em certos pontos, distintamente teológicos. Dessa forma, podemos dizer que a sequência seguida por Kuyper está sujeita, no mínimo, a certa suplementação. O reconhecimento da descontinuidade entre o Novo Testamento e as interpretações subsequentes que encontramos na igreja, precisam ser equilibradas pelo reconhecimento da continuidade entre as mesmas. Continuidade essa que envolve a teologia-eclesiástica e História da Redenção.

No material apresentado acima, a discussão que existe com respeito à História da Redenção, entre aquilo que é canônico, daquilo que não é canônico, entre o período apostólico e pós-apostólico não está sendo nem ignorada nem obliteradao. Pelo contrário, o que estamos afirmando é que uma ênfase tem sido colocada em algumas implicações do fato que, na “igreja”, tanto o “apostólico” como o “não apostólico” encontram seu denominador comum acerca da História da Redenção.

CONTINUA   ca, de modo mais apropriado, apenas    

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 001 — INTRODUÇÃO À HERMENÊUTICA.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 002 — PRINCÍPIOS METODOLÓGICOS — PARTE 001.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 003 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 002 — A RELAÇÃO ENTRE OS ATOS REDENTORES DE DEUS E A REVELAÇÃO DAS ESCRITURAS SAGRADAS

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 004 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 003 — A RELAÇÃO ENTRE PAULO E SEUS INTÉRPRETES MODERNOS

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 005 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 004 — PAULO, NÓS E A HISTÓRIA DA REDENÇÃO

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 006 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 005 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 01

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 007 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 006 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 002

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 008 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 007 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 003 — FINAL

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 009 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 001 — CRISTO, AS PRIMÍCIAS — PARTE 001

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 010 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 002 — CRISTO É AS PRIMÍCIAS E OS CRENTES SÃO A COLHEITA PLENA — PARTE 002

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 011 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 003 — CRISTO É O PRIMOGÊNITO DENTRE OS MORTOS — PARTE 003

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 012 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 004 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO DOS CRENTES SÃO EPISÓDIOS DE UM ÚNICO EVENTO

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 013 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO PASSADA DOS CRENTES — PARTE 001

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 014 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO PASSADA DOS CRENTES — PARTE 002
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/01/a-ressurreicao-de-cristo-dentre-os.html

OUTROS ARTIGOS ACERCA DA SOTERIOLOGIA DO APÓSTOLO PAULO

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 001 — INTRODUÇÃO À HERMENÊUTICA.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 002 — PRINCÍPIOS METODOLÓGICOS — PARTE 001.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 003 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 002 — A RELAÇÃO ENTRE OS ATOS REDENTORES DE DEUS E A REVELAÇÃO DAS ESCRITURAS SAGRADAS

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 004 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 003 — A RELAÇÃO ENTRE PAULO E SEUS INTÉRPRETES MODERNOS

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 005 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 004 — PAULO, NÓS E A HISTÓRIA DA REDENÇÃO

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 006 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 005 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 01

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 007 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 006 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 002

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 008 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 007 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 003 — FINAL

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 009 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 001 — CRISTO, AS PRIMÍCIAS — PARTE 001

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 010 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 002 — CRISTO É AS PRIMÍCIAS E OS CRENTES SÃO A COLHEITA PLENA — PARTE 002

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 011 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 003 — CRISTO É O PRIMOGÊNITO DENTRE OS MORTOS — PARTE 003

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 012 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 004 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO DOS CRENTES SÃO EPISÓDIOS DE UM ÚNICO EVENTO

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 013 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO PASSADA DOS CRENTES — PARTE 001

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 014 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO PASSADA DOS CRENTES — PARTE 002



A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 015 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO PASSADA DOS CRENTES — PARTE 003

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[1] Warfield, B. B. The Person of Christ in Biblica Doctrine. Oxford University Press, New York, 1929.

[2] Idem, p. 176.

sábado, 9 de maio de 2015

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 002 – INTRODUÇÃO OS EVANGELHOS — A FORMA LITERÁRIA DOS EVANGELHOS


 

Essa série pretende disponibilizar as informações mais importantes acerca de cada um dos 27 livros que compõem o Novo Testamento. Desde que lançamos nossa série de Introdução ao Antigo Testamento, muitos leitores têm nos questionando acerca de algum material semelhante com respeito ao Novo Testamento. Então, aproveitando que iniciamos uma série de estudos acerca dos manuscritos do Novo Testamento — tecnicamente chamada de “baixa crítica” — estamos aproveitando a oportunidade para lançar uma série que trate também do texto do Novo Testamento em si, e da interpretação geral do mesmo — “alta crítica”.

CONTINUAÇÃO...

I. OS EVANGELHOS

B. A FORMA LITERÁRIA DOS EVANGELHOS

Um dos maiores e mais comum de todos os erros cometidos contra os Evangelhos é a ideia canhestra de pensar nos mesmo como se fossem uma “biografia de Jesus”. Eles não são. Os evangelhos que encontramos na Bíblia são uma forma literária que foi desenvolvida pelos próprios evangelistas e não existe nenhum tipo de literatura que se assemelhe ao mesmo, com exceção dos inúmeros falsos evangelhos que tentaram copiar o formato dos originais.

Desse modo podemos afirmar que os Evangelhos que temos no Novo Testamento não são, em nenhuma hipótese, sequer semelhantes aos vários tipos de biografias como conhecemos. Tal realidade não está atrelada, exclusivamente, ao fato de que os Evangelhos bíblicos se concentram num breve período da vida de Jesus. O fator preponderante é que o propósito dominante dos mesmos não é apenas registrar os acontecimentos como fatos. Apesar dos Evangelhos serem, para todos os efeitos históricos, o propósito dos mesmos vai muito além apenas do registro histórico. Por esse motivo, não se trata de nenhum acidente que tal material recebeu o nome de  εὐαγγέλιον euaggélion[1] — evangelho, logo no início da era cristã. Os primeiros cristãos proclamavam o εὐαγγέλιον euaggélion — evangelho, ou Boas Novas, uma mensagem que era e continua sendo desesperadamente necessária.  

Todavia, os primeiros evangelistas não tinham nenhum modelo prévio de um escrito semelhante pelo qual pudessem se guiar. Eles criaram esse formato sob a inspiração do Espírito Santo de Deus. Esse gênero literário — Evangelho — surgiu das exigências da missão de pregação entre os gentios. Os pregadores das primeiras missões cristãs precisavam enfatizar a morte e a ressurreição de Jesus, pois eram esses temas que formavam o núcleo central da mensagem que eles tinham para anunciar. Não deve nos surpreender, portanto, que tanto espaço é ocupado com esses dois aspectos de toda a vida de Jesus, nos evangelhos escritos. No evangelho de Marcos uma porção que corresponde a aproximadamente 30% de tudo que o nele está escrito se ocupa desses dois temas apenas. A porcentagem nos outros evangelhos não é muito menor. Isso tudo faz perfeito sentido com a afirmação do apóstolo Paulo que encontramos em —

1 Coríntios 15:3—8

3 Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras,

4 e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras.

5 E apareceu a Cefas e, depois, aos doze.

6 Depois, foi visto por mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maioria sobrevive até agora; porém alguns já dormem.

7 Depois, foi visto por Tiago, mais tarde, por todos os apóstolos

8 e, afinal, depois de todos, foi visto também por mim, como por um nascido fora de tempo.    

As narrativas envolvendo a vida do Senhor Jesus, suas obras, seus milagres, assim como seus ensinamentos foram todos considerados secundários diante desse interesse dominante envolvendo sua morte e ressurreição. Todavia os elementos citados logo acima eram fundamentais para a parte final das narrativas que temos nos Evangelhos. Para confirmar o que estamos dizendo, basta pegar qualquer biografia que logo ficará evidente que nenhum autor tratou o biografado do modo como Jesus é apresentado nos evangelhos inspirados pelo Espírito Santo. Os evangelistas não eram homens de literatura nem pretenderam fazer algum tipo de literatura conhecida quando foram inspirados pelo Espírito Santo, a escreverem os Evangelhos. Eles mesmos tinham experimentado uma profunda mudança em suas vidas por meio dos fatos que depois registraram por escrito. Esse fato apenas marca seus registros como completamente diferentes de outras formas literárias, e nunca pode deixar de ser levado em consideração quando discutimos, de forma crítica[2], as origens dos mesmos.

Outro aspecto que devemos notar dentro do escopo que estamos tratando, tem a ver com o fato de que não existem paralelos, nem sequer aproximados, da forma como os evangelhos foram produzidos. Isso impede por completo, qualquer tentativa de comparação padrão utilizada para se analisar e avaliar outras formas literárias. Os Evangelhos são únicos!

No próximo estudo iremos falar dos “Motivos por Trás da Produção dos Evangelhos”.    

CONTINUA...  

OUTROS ESTUDOS ACERCA DA INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 001 — INTRODUÇÃO GERAL AOS EVANGELHOS — ESTUDO 001

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 002 — A FORMA LITARÁRIA DOS EVANGELHOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 003 — MOTIVOS PORQUE OS EVANGELHOS FORAM ESCRITOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 004 — O LUGAR OCUPADO PELOS QUATRO EVANGELHOS NO NOVO TESTAMENTO

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 005 —  A MELHOR FORMA DE ABORDAR OS QUATRO EVANGELHOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 006 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 001

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 007 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 002

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 008 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 003

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 009 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 004

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 010 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 005

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 011 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 006

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 012 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 007

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 013 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 008

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 014 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 009

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 015 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 010 — AUTOR — PARTE 002



INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 016 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 011 — DATA DA COMPOSIÇÃO

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.


[1] A junção de duas letras gama — γγ — como nesse caso tem o som da letra “n”
[2] Isto é, quanto nos dispomos a analisar a origem dos Evangelhos.