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quarta-feira, 4 de novembro de 2015

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus – ESTUDO 012 — A ESCOLHA OU ELEIÇÃO DIVINA — EFÉSIO 1:4 — PARTE 002




NESSA SÉRIE NÓS ESTAMOS TRATANDO DE DOIS ASPECTOS IMPORTANTES ACERCA DA VERDADEIRA IGREJA: 1) A IGREJA COMO CORPO DE CRISTO; E 2) A IGREJA NO PLANO ETERNO DE DEUS. CONVIDAMOS TODOS OS NOSSOS LEITORES A ACOMPANHAREM ESSA SÉRIE E COMPARTILHAREM A MESMA COM TODOS OS SEUS CONHECIDOS, AMIGOS E IRMÃOS. OUTROS ESTUDOS DESSA SÉRIE PODERÃO SER ENCONTRADOS POR MEIO DE LINKS NO FIM DE CADA ESTUDO.


1. João 6:35 – Nesse versículo Jesus nos diz que “o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede”. Num primeiro momento podemos ter a impressão que Jesus está dizendo que é o indivíduo quem toma a decisão de ir até Jesus. Que é o ser humano quem toma a decisão de crer em Jesus. Se lermos esse versículo fora do seu contexto ele poderia ser usado, sozinho, para negar a doutrina da escolha ou eleição divina. Mas seguindo as regras da boa exegese nós temos que analisar este versículo em seu contexto. Logo em seguida nós somos informados que...

2. João 6:37

Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora.

Somente aqueles que o Pai dá a Jesus é que podem vir até Jesus. Somente esses podem ser salvos. As implicações deste versículo além do que está explicitamente declarado são:

a. De acordo com a profecia de Isaías capítulo 53 a vontade do Senhor prosperará nas mãos do Senhor Jesus. E mais, que Jesus verá o fruto do penoso trabalho da sua alma, que é a salvação das almas e ficará satisfeito —

Isaías 53:10—11

10 Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do SENHOR prosperará nas suas mãos.

11 Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si.


Isaías ainda nos diz que o Justo Servo do Senhor justificará a muitos.

b. Todos os homens e mulheres, sem distinção de espécie alguma, são pecadores e nenhum deles pode reivindicar a misericórdia de Deus. O que merecemos é sermos devida e justamente condenados. Assim sendo, Deus pode salvar a qualquer um que Ele queira salvar!

c. Ao contrário do que muitos gostam de imaginar, a disposição do coração humano não está voltada para a salvação —

João 5:40

Contudo, não quereis vir a mim para terdes vida.

d. É Deus quem nos capacita a crer em Jesus. É Deus quem muda nosso coração de Pedra em coração de carne —

Ezequiel 11:19

Dar-lhes-ei um só coração, espírito novo porei dentro deles; tirarei da sua carne o coração de pedra e lhes darei coração de carne.

Ezequiel 36:26

Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne.

e nos habilita a crer em Jesus. É Deus quem nos atrai para Si mesmo —

Jeremias 31:3

De longe se me deixou ver o SENHOR, dizendo: Com amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí.


Essa atração é feita através da ação do Seu Espírito Santo mediante a pregação de Sua santa Palavra quando Deus nos abre os corações para entendermos as escrituras sagradas —

Atos 16:14

Certa mulher, chamada Lídia, da cidade de Tiatira, vendedora de púrpura, temente a Deus, nos escutava; o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia.


Atraídos desta forma e com o entendimento aberto, algo que Deus nos concede, então, vem o arrependimento —

Atos 11:18

E, ouvindo eles estas coisas, apaziguaram-se e glorificaram a Deus, dizendo: Logo, também aos gentios foi por Deus concedido o arrependimento para vida. 

2 Timóteo 2:25

Disciplinando com mansidão os que se opõem, na expectativa de que Deus lhes conceda não só o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade.


e. De todos aqueles que são crentes pode-se dizer que foram dados ao Senhor Jesus como recompensa por Seus sofrimentos, já que a morte de Jesus foi o preço pago pela redenção deles —

1 Coríntios 6:20

Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo. 

1 Coríntios 7:23

Por preço fostes comprados; não vos torneis escravos de homens.

Esse virá a mim — Essa expressão indica que aqueles a quem o Pai deu ao Filho irão exercer fé em Jesus. Vir a Jesus implica que temos necessidade de socorro, que confiamos que Ele pode nos ajudar, e que estamos prontos a confiar nele completamente. Quando o pecador se aproxima do Salvador sabe que é pobre, necessitado e miserável. Assim sendo ele se entrega completamente à misericórdia daquele que é capaz de salvá-lo. Esses que vêm até Jesus fazem parte do grupo dos eleitos, que uma vez escolhidos pelo Pai foram dados e colocados nas mãos do Senhor Jesus como Sua semente, Sua esposa — noiva — Suas ovelhas, Sua porção, Sua herança e para receberem a salvação eterna. Neste processo nós podemos ver tanto o amor e o cuidado de Deus ao nos destinar às poderosas mãos do Seu Filho, bem como Sua graça e condescendência para nos receber e cuidar de nós. Nesse versículo Jesus usa o verbo “dar” no presente do indicativo, ao dizer: “todo aquele que o Pai me dá”. Mas em João 6:39 o verbo “dar” está no passado, quando Jesus diz “de todos os que me deu”. Apesar do texto não nos dizer quando Deus deu, no passado, aqueles destinados a crer em Jesus, o fato de que Ele deu, em algum momento do passado, permanece.

Todavia temos que destacar que a verdade do verso 37 que estamos vendo agora, não atenua em nenhuma hipótese, a culpa daqueles que se recusam a crer em Jesus —

João 6:36

Porém eu já vos disse que, embora me tenhais visto, não credes.

Quando Jesus diz que ninguém pode vir a mim se o Pai não o trouxer —

João 6:44

Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.

Ele está se referindo a todos aqueles que são influenciados ou inclinados pelo Espírito Santo e que acabam por aceitar tal influência e inclinação. O apóstolo Paulo diz que todos aqueles que são “guiados” — não coagidos, nem forçados — pelo Espírito Santo são verdadeiros filhos de Deus —

Romanos 8:14

Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus.

Deus envia Seus profetas para proclamar a salvação ao povo. E a pregação desses é acompanhada pelo poder e influência do Espírito Santo de Deus. Mas como disse o profeta Jeremias o coração humano é desesperadamente corrupto —

Jeremias 17:9

Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?

e está inclinado a resistir à ação do Espírito Santo de Deus —

Atos 7:51

Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim como fizeram vossos pais, também vós o fazeis.

O próprio Senhor Jesus lamentou o fato de o povo de Jerusalém rejeitar a salvação —

Mateus 23:37

Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes!

Desta maneira é o próprio Deus quem, pelo Seu Espírito Santo, quem traz convicção ao pecador acerca do pecado, da justiça e do juízo —

João 16:8—11

8 Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo:

9 do pecado, porque não crêem em mim;

10 da justiça, porque vou para o Pai, e não me vereis mais;

11 do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado.

E o que vem a mim – Isto é, qualquer um que vier a mim. Qualquer um que reconhece ser um pecador perdido e arruinado. A oferta de salvação é ampla, plena e completamente gratuita — pela graça e de graça. Na oferta da salvação nós podemos ver a dimensão da ilimitada misericórdia de Deus. Todos aqueles que foram dados a Jesus pelo Pai através da eleição eterna mediante a também eterna aliança da graça virão, no tempo apropriado, até ao Senhor Jesus, crerão n’Ele e serão salvos por ELE. Nenhum poder e nenhum mérito são atribuídos ao ser humano. A graça divina é efetiva e eficiente por si mesma sobre todos os escolhidos.

Foi somente com a Reforma Protestante que essas questões acerca da doutrina da eleição, preferencialmente chamada de predestinação pelos seus proponentes, se tornaram mais evidentes. Até a Reforma Protestante a igreja cristã não havia realmente discutido, de forma abrangente, as questões pertinentes à doutrina da eleição divina. Essa doutrina foi, certamente, trazida ao primeiro plano, porque se opunha ao ensino da Igreja Católica Romana que ensinava que a salvação só era possível se a pessoa estivesse vinculada àquela igreja. Para os Católicos Romanos qualquer um que fosse batizado naquela igreja, pelo ato do batismo em si, já estava salvo! A Igreja Romana ensina e defende até os dias de hoje a regeneração — o novo nascimento — batismal, ou seja, a pessoa quando batizada na Igreja Católica Romana é regenerada e faz parte dos cidadãos do Céu[1]. Como parte do processo de se opor a esse falso ensinamento da Igreja Romana é que os reformadores procuraram dar ênfase ao fato de que a salvação é parte dos decretos de Deus na eternidade passada, e não tem nada a ver com atos humanos praticados em certo momento da história.  

Apesar de reconhecermos como bíblica a doutrina da eleição, muitos dos seus proponentes, durante a Reforma Protestante, exageraram certos aspectos da mesma. O primeiro exagero foi a ênfase colocada completamente nos aspectos da predestinação. Esta colocação não foi algo pequeno e insignificante. A influência desta posição pode ser vista e perpetuada em todos os compêndios de Teologia Sistemática produzidos por teólogos que seguem a linha do Catecismo de Westminster[2].  O segundo foi a insistência, especialmente de João Calvino[3] e Teodoro Beza[4], no que diz respeito à dupla predestinação — pessoas predestinadas para a salvação e pessoas predestinadas para a perdição. Calvino e Beza entendiam e enxergavam a predestinação dos perdidos em todas as passagens que falavam da predestinação ou eleição dos salvos, mesmo que esse conceito não estivesse apresentado de forma explícita nas passagens discutidas. Desta forma, quando lemos em Efésios 1:4 as palavras “assim como nos escolheu”, Calvino e Beza entendiam que se Deus escolheu uns para a salvação eterna então, obrigatoriamente, escolheu ou predestinou outros para a perdição eterna. Mas como podemos ver, por nós mesmos, este versículo não diz absolutamente nada acerca de pessoas serem predestinadas para a perdição eterna. Mas certamente devemos dizer em defesa de Calvino, que para ele a doutrina da predestinação era um modo de expressar a alegria que ele sentia pelo caráter imerecido da salvação, como oferecida por Deus em Cristo Jesus. Com o passar do tempo a doutrina da predestinação, nas mãos dos alegados seguidores de Calvino, chamados de Calvinistas, tornou-se prova de ortodoxia. Isso é, você só era realmente ortodoxo — conforme com a doutrina religiosa tida como verdadeira — se aceitasse esta doutrina e aqueles que a aceitavam eram vistos como favorecidos por Deus, sobre outros que a questionavam. É inacreditável, mas rigorosamente verdadeiro, o fato de que os assim chamados Calvinistas vieram a confundir a pessoa ter dúvidas acerca da dupla predestinação, com o fato de esta mesma pessoa estar condenada por Deus.

 Alguém poderia argumentar que a resistência dos judeus de não acreditarem em Jesus devia-se ao fato de que esses judeus não haviam sido dados pelo Pai ao Filho. Mas, seria realmente algo muito injusto com o padrão de pensamento apresentado no Novo Testamento desenvolver idéias nessa linha para explicar, em bases psicológicas, a recusa das pessoas em aceitar o Senhor Jesus. O Novo Testamento, normalmente, oferece uma explicação para os fatos em um nível simplificado onde todos os acontecimentos são atribuídos à ação de Deus sem apresentar nenhuma distinção entre uma primeira e uma segunda casualidade. Quem conhece o ensino do apóstolo João acerca de “luz e trevas” sabe que não passa de uma grande bobagem perguntar se ele acreditava na responsabilidade humana. Por outro lado também não passa de uma grande bobagem a idéia esposada por aqueles que acham que João não acreditava na escolha soberana de Deus.

De modo nenhum o lançarei fora – No original a ênfase “de modo nenhum” é representada pelo uso de duas palavras homônimas οὐ - ou pronuncia-se “u” – não, e μὴ - – não. É um duplo “não”, que indica a total impossibilidade de ser lançado fora. De ser desprezado ou rejeitado.

CONTINUA...
OUTROS ESTUDOS ACERCA DA IGREJA COMO CORPO DE CRISTO E NO PLANO ETERNO DE DEUS

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 001 — A Igreja

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 002 — A Unidade de Igreja

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 003 — Como a Unidade Funciona na Prática

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 004 — Como o Amor Funciona na Prática

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 005 — Unidade em Meio à Diversidade

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 006 — Unidade Com Variedade Mas com Harmonia

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 007 — A Igreja Como o “Mistério” de Deus e Uma Introdução a Efésios 1:3—14

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 008 — Uma Introdução a Efésios 1:3—14

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 009 — A Bênção Espiritual — Efésios 1:3

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 010 — As Regiões Celestiais — Efésios 1:3

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 011 — Nossa Escolha ou Eleição Divina — Efésios 1:4 — Parte 001

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 012  A —Escolha ou Eleição Divina — Efésios 1:4 — PARTE 002

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 013 — A Escolha ou Eleição Divina — Efésios 1:4 — PARTE 003

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 014 — A Escolha ou Eleição Divina — Efésios 1:4 — PARTE 004

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 015 — A Escolha ou Eleição Divina — Efésios 1:4 — PARTE 005

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 016 — A Escolha ou Eleição Divina — Efésios 1:4 — PARTE 006

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 017 — A Escolha ou Eleição Divina — Efésios 1:4 — PARTE 007 — O Mundo Nos Odeia

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 018 — A Escolha ou Eleição Divina — Efésios 1:4 — PARTE 008 — Por que O Mundo Nos Odeia

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 019 — As Desculpas para Rejeitar a Jesus e o Evangelho da Graça — PARTE 001

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 020 — As Desculpas para Rejeitar a Jesus e o Evangelho da Graça — PARTE 002

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 021 — As Desculpas para Rejeitar a Jesus e o Evangelho da Graça — PARTE 003
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/01/a-igreja-como-corpo-de-cristo-e-no_6.html

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.  



[1] Ver Código de Direito Canônico, Cânon 849, onde se lê: “O batismo, porta dos sacramentos, em realidade ou ao menos em desejo necessário para a salvação, pelo qual os homens se libertam dos pecados, são de novo gerados como filhos de Deus e se incorporam à Igreja, configurados com Cristo, por caráter indelével, só se administra validamente pela ablução com água verdadeira, juntamente com a devida forma verbal.

[2] O Catecismo de Westminster existe em duas versões: O Catecismo de Westminster propriamente dito, chamado de “Maior” e sua versão abreviada chamada de “Breve”. Estes catecismos, juntamente com a chamada Confissão de Fé de Westminster foram adotados pelos presbiterianos, de um modo geral, e por alguns grupos congregacionais e batistas mediante as adaptações que se faziam necessárias. O Catecismo foi produzido pela Assembléia de Westminster, que se reunia, de forma regular, entre 1643 e 1649, durante a Guerra Civil Inglesa. O parlamento inglês aprovou o Catecismo em 1648. Mas em 1660, com a restauração da Monarquia e o restabelecimento do episcopado católico romano, o Catecismo de Westminster perdeu seu caráter oficial. Na Escócia, o Catecismo de Westminster foi aprovado para uso pela Assembléia Geral da Igreja da Escócia em 1648, e foi aprovado para uso desta mesma Igreja pelo parlamento escocês em 1649.

[3] João Calvino ou Jean Calvin ou Cauvin nasceu em 10 de Julho de 1509 em Noyon na região da Picardia — França — e morto em 27 de Maio de 1564 em Genebra, na Suíça.

[4] Teodoro Beza nasceu em 24 de Junho de 1519 na cidade de Vézaley na França e morto em 13 de Outubro de 1605 em Genebra. Seu nome em francês era Theódore De Bèze. Autor, tradutor, educador e teólogo que primeiro serviu e, depois sucedeu a João Calvino como líder da Reforma Protestante centrada em Genebra. 

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

ANDREW MURRAY – ESTUDO 008 - FAZENDO A VONTADE DE DEUS — SEJA FEITA A TUA VONTADE



ESSA SÉRIE DE ARTIGOS ESTÁ BASEADA EM UM LIVRO ESCRITO POR ANDREW MURRAY CUJO TÍTULO ORIGINAL É: NOT MY WILL OU NÃO A MINHA VONTADE. ESPERAMOS E ORAMOS QUE TODOS POSSAM SER RICAMENTE ABENÇOADOS POR MEIO DESSAS MEDITAÇÕES

Lucas 22:41—42

41 Ele, por sua vez, se afastou, cerca de um tiro de pedra, e, de joelhos, orava,

42 dizendo: Pai, se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, e sim a tua.

O jardim do Getsêmani pode ser considerado o Santo dos Santos da vida do Senhor Jesus Cristo. O santuário no qual Ele viveu, talvez mais intensamente nossa redenção, do que a própria cruz do no monte Calvário. O calvário mostrou o aspecto externo da intensa luta travada no Getsêmani para fazer a vontade do Pai. Os acontecimentos passados no Getsêmani nos revelam o que se passou entre o Pai e o Filho, o preço que o Filho tinha que pagar, e que deu ao Seu sacrifício um valor eterno. No centro de tudo isso, estão as palavras que queremos entender “não se faça a minha vontade”.

Que minha alma possa se acalmar. Que possa ponderar e orar enquanto contemplo o que aconteceu quando meu Senhor aprendeu a falar essas palavras, que por sua vez, ele deseja ensinar a cada uma de nós.
Hebreus 5:7—9

7 Ele, Jesus, nos dias da sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a quem o podia livrar da morte e tendo sido ouvido por causa da sua piedade,

8 embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu

9 e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem,

Hoje queremos falar de quatro das maiores maravilhas de toda eternidade.

1. A primeira é esta: O Pai oferece o cálice da Sua ira para que o Filho beba. É algo impressionante que a Bíblia mencione apenas dois cálices. Existe o cálice da bênção ou de ações de graças conforme podemos ver em:

Salmos 16:5

O SENHOR é a porção da minha herança e o meu cálice; tu és o arrimo da minha sorte.

Salmos 23:5
Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários, unges-me a cabeça com óleo; o meu cálice transborda.

Salmos 116:13

Tomarei o cálice da salvação e invocarei o nome do SENHOR.

1 Coríntios 10:16

Porventura, o cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo?
E também existe o cálice do tremor e da desolação em —

Salmos 11:6

Fará chover sobre os perversos brasas de fogo e enxofre, e vento abrasador será a parte do seu cálice.

Isaías 51:17, 22

17 Desperta, desperta, levanta-te, ó Jerusalém, que da mão do SENHOR bebeste o cálice da sua ira, o cálice de atordoamento, e o esgotaste.

22 Assim diz o teu Senhor, o SENHOR, teu Deus, que pleiteará a causa do seu povo: Eis que eu tomo da tua mão o cálice de atordoamento, o cálice da minha ira; jamais dele beberás.

Ezequiel23:33

Encher-te-ás de embriaguez e de dor; o copo de tua irmã Samaria é copo de espanto e de desolação.

É a vontade do Pai que o Filho beba esse último cálice para que a reconciliação entre nós e Deus seja concretizada pela necessidade criada por nossos pecados. O Pai coloca o cálice de Sua ira contra o pecado nas mãos do Seu Filho para que Ele beba.

2. A segunda maravilha é que o Filho de Deus, alguém que nunca conheceu pecado e que sempre foi obediente, precisa agora tomar e esgotar o cálice da maldita morte dos seres humanos pecadores.

Ele implora que seja poupado de ter que beber esse cálice. Ele experimenta a repulsa de sua vontade humana e sabe que essa vontade humana não é a mesma que a vontade divina de Seu Pai. Jesus tem verdadeiro pavor da morte. Mas Ele sente um pavor maior ainda de ser desobediente a Deus. E, enquanto diz “não se faça a minha vontade”, sua luta é tão intensa que seu suor se transforma em grandes gotas de sangue.
3. A terceira maravilha é o fato de que o pai não atende ao pedido do Filho nem aceita fazer Sua vontade. Não é a vontade do Pai que o cálice passe pelo Filho sem que o mesmo seja bebido até o fim.

4. A quarta maravilha é o fato do Filho aceitar o cálice que é tão repugnante à sua alma. Ele sacrifica Sua própria vontade. Ele se levanta e segue na direção que inclui fazer a vontade do Pai. Beber o cálice da ira de Deus até a última gota, até o ponto de ser abandonado pelo próprio Pai.

Todas essas maravilhas estão nessa frase “não se faça a minha vontade”. Era isso que o Pai desejava do Filho. E essa obediência foi que fez o Filho tão glorioso diante dos olhos do Pai. O desejo de fazer a própria vontade estava na raiz do primeiro pecado, como está na raiz de todo pecado. Somente as palavras “não se faça a minha vontade”, são capazes de vencer e fazer evaporar o pecado. Somente uma atitude como essa é capaz de nos abrir e nos mostrar o caminho de volta para Deus: que, independentemente do custo, ele possa dizer “não se faça a minha vontade”. Jesus proferiu essa frase todos os dias de sua vida. Dia após dia ele agiu assim e graças a Deus que não foi diferente no Getsêmani, e assim ele conquistou a salvação a nosso favor.

Não se faça a minha vontade”. Essas palavras são o segredo e a chave da nossa salvação. Foram essas três palavras de obediência da parte de Jesus que se transformaram no poder capaz de expiar nossos pecados. Por causa dessas palavras, todo nosso pecado, produto da nossa própria vontade pode ser perdoado para sempre.

E agora essas palavras se transformaram em vida para nossas almas. O que se constituiu em poder redentor, em Cristo, é também nossa própria fonte de poder. Nós fomos crucificados com Cristo; nós compartilhamos com ele Sua vontade de carregar a cruz a nosso favor e, por meio dEle e com Ele nós também podemos dizer até nossa própria morte “não se faça a minha vontade”. Essa é a verdadeira vida cristã. Foi pelo Espírito Eterno que Cristo Se ofereceu a Deus, sem pecado, especialmente no Getsêmani. E esse mesmo espírito vive e agem em nós a por meio de nós. E, em nós, como também em Cristo, a palavra chave do Espírito Santo é a expressão de Jesus que diz: “não se faça a minha vontade”.

Nós precisamos entender que sem o Espírito Santo a frase “não se faça a minha vontade”, parece um fardo insuportável. Mas Deus não deseja que falemos tais palavras com base em nossas próprias forças. Mas a alegria do Espírito Santo em nós torna as mesmas possíveis e fáceis. Do mesmo modo que Filho, com essas palavras, se ofereceu ao Pai e Deus como um sacrifício agradável, eu também posso usar essas mesmas palavras para colocar minha vida sobre o altar de Deus, como um sacrifício vivo, santo e agradável ao Senhor.

Caro cristão, deixe-me perguntar: Esse Cristo, para o qual a expressão “não se faça a minha vontade”, era Sua própria vida e alegria, é Ele o Cristo que você conhece como Salvador e Senhor? É ele o Cristo para o qual você tem oferecido sua vida, de forma tal, que ele possa transformar as palavras “não se faça a minha vontade” em tuas palavras também?  Essas palavras de Cristo, que o glorificaram diante de Deus, também o glorificam diante dos teus próprios olhos, ao mesmo tempo em que Ele te chama e te fortalece para seguir em seus passos? Eu te imploro: se você realmente deseja conhecer a vida abençoada pelo amor de Deus, deixe que esse Cristo, o Cristo de “não se faça a minha vontade”, viva em teu coração. Nas coisas grandes e pequenas em teu relacionamento com Deus e com teus companheiros humanos, que isso seja sempre teu amor e tua própria vida: “não se faça a minha vontade” — dia após dia, em Cristo, pelo poder do teu Espírito Santo.

Peço que te ajoelhes diante do teu precioso Senhor, e diga-lhe agora que, pela fé em Deu triunfo, no Getsêmani, assim será!         

OUTROS ESTUDOS DA SÉRIE “NOT MY WILL” — NÃO A MINHA VONTADE

Estudo 001 – A VONTADE DE DEUS — A GLÓRIA DO CÉU

Estudo 002 – FAZENDO A VONTADE DE DEUS — O CAMINHO PARA CÉU

Estudo 003 – FAZENDO A VONTADE DE DEUS — NOSSA UNIDADE COM O SENHOR JESUS

Estudo 004 – FAZENDO A VONTADE DE DEUS — QUE OS PERDIDOS SEJAM SALVOS

Estudo 005 – FAZENDO A VONTADE DE DEUS — O ALIMENTO CELESTIAL

Estudo 006 – FAZENDO A VONTADE DE DEUS — SACRIFICANDO MINHA PRÓPRIA VONTADE

Estudo 007 – FAZENDO A VONTADE DE DEUS — O CAMINHO PARA ILUMINAÇÃO ESPIRITUAL

Estudo 008 — A VONTADE DE DEUS — SEJA FEITA A TUA VONTADE

Estudo 009 — A VONTADE DE DEUS — SENHOR QUE QUERES QUE EU FAÇA?

Estudo 010 — A VONTADE DE DEUS — CONHECENDO E FAZENDO A VONTADE DE DEUS

Estudo 011 — A VONTADE DE DEUS — SENDO UMA PESSOA DE ACORDO COM O CORAÇÃO DE DEUS

Estudo 012 — A VONTADE DE DEUS — SEJA FEITA A VONTADE DE DEUS

Estudo 013 — A VONTADE DE DEUS — PRATICANDO A VONTADE DE DEUS

Estudo 014 — A VONTADE DE DEUS — A RENOVAÇÃO DA MENTE E A VONTADE DE DEUS

Estudo 015 — A VONTADE DE DEUS — É A VONTADE DE DEUS QUE CRISTO NOS LEVE PARA FORA DESSE MUNDO

Estudo 016 — A VONTADE DE DEUS — ORE PARA SER CHEIO COM O CONHECIMENTO DA VONTADE DE DEUS

Estudo 017 — A VONTADE DE DEUS — ENTENDENDO A VONTADE DE DEUS ESPIRITUALMENTE


Que Deus abençoe a todos

Alexandros Meimaridis.

Traduzido do original e adaptado por Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.   

domingo, 5 de abril de 2015

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS — ESTUDO 001


Edição moderna do Novo Testamento impressa em papel e encadernada

Essa é uma série estritamente acadêmica, mas não existe na mesma absolutamente nada que impeça a leitura por todas as pessoas. De fato queremos incentivar que todos possam ler esses artigos compartilhar os mesmos com todos os seus contatos, parentes e conhecidos.

Introdução

Um dos maiores problemas que enfrentamos na exposição bíblica surge da percepção de quão pouco, realmente, a vasta maioria da s pessoas — sejam crentes ou não — entendem o Novo Testamento, no que diz respeito a como ele foi produzido e como chegou até nós. O intuito dessa série, quase enciclopédica é tentar dar um basta no besteirol existente ao redor desse assunto, trazendo para a luz os fatos realmente importantes de como os manuscritos do Novo Testamento foram produzidos, compilados e preservados até a invenção da imprensa, o que será objeto de outras partes dessa série.

Hoje queremos começar com as informações mais básicas, envolvendo os materiais que eram utilizados para se escrever nos dias em que o Novo Testamento começou a ser escrito.

I. Materiais de Escrita no Mundo Antigo Nos dias do Novo Testamento

Planta de Papiro




Pequeno Rolo de Pergaminho - feito de couro  - pronto para ser escrito

Todos os manuscritos bíblicos, com algumas pequenas exceções compostas por versículos escritos em amuletos ou potes de barro, foram grafados nos seguintes materiais: papiros, pergaminhos e papel. Cada uma desses materiais tinha suas próprias vantagens e desvantagens. Os pergaminhos — produzidos a partir de peles de animais — eram de longe os mais duradouros, mas eram também muito mais caros, e era uma dificuldade enorme conseguir uma série de páginas que tivessem as mesmas medidas e a mesma tonalidade.

Folha de papiro pronta para ser manuscrita

Já os papiros, por sua vez, eram bem mais baratos, mas se desgastavam com grande facilidade. Uma vez que os papiros eram extremamente sensíveis à umidade os mesmos eram facilmente destruídos em ambientes úmidos. Uma única exceção são os papiros que continuam sendo descobertos no Egito — lugar onde a umidade é muito baixa — mas mesmo esses estão sendo descobertos e recuperados muito danificados pelo tempo.

Papel feito de tecido que permitia receber tintas coloridas - c. 1200 d.C

Quanto ao papel, o mesmo não se tornou disponível até recentemente, e apesar do mesmo ser mais barato que o pergaminho quando as indústrias de fabricação de papel foram estabelecidas, o investimento era enorme o que fazia que existissem bem poucas fábricas de papel, que naqueles dias, diga-se de passagem produziam o chamado “papel” de retalhos de tecido. Sendo assim os primeiros papeis não eram baratos, quando comparados com o custo moderno quando o papel é feito de polpa de madeira.

A seguir discutiremos com maior profundidade a produção e o uso de papiros.

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Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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